História Peça- me o que quiser (CAMREN) - Capítulo 135


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony, Justin Bieber
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Justin Bieber, Lauren Jauregui, Personagens Originais
Tags !kink, Bdsm, Camren, Daddy, Femmslash, Lauren G!p, Sado
Visualizações 646
Palavras 3.920
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, FemmeSlash, Hentai, Orange, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


MARATONA 3 DE 6

Capítulo 135 - Capítulo 9 - Livro III


 

 

Nesse dia, às duas e meia, estamos todos, a não ser Grey, que foi visitar um possível cliente em Cojimar, no restaurante da Madalena, para comemorar nosso aniversário. Lauren nos convidou para almoçar.

Antes de sair do quarto, ela entrega meu presente. É um envelope. Ela e os envelopes. Rio.

Abro e leio:

Vale um equipamento completo de motocross.

Está feliz. Seu rosto, seus olhos, seu sorriso me dizem que tudo está bem, e eu sou a mulher mais feliz do mundo. Nem é preciso dizer que a encho de beijos. Desde que nos casamos, não discutimos nem uma só vez, e isso me espanta. Estou até pensando em entrar em contato com os editores do Livro dos recordes Guiness para registrarem isso. Porque, como diz nossa música, se ela diz branco, eu digo preto, mas nossa felicidade até o momento é tanta, que nem em cores pensamos. Nossa harmonia é completa, e espero que continue assim durante muito, mas muito tempo.

Meu pai está radiante por estarmos todos reunidos, e eu curto a felicidade dele. Pensei sempre que é o melhor pai do mundo e a cada dia fico mais convencida disso. Só por aguentar a mim e minha irmã vai merecer o céu.

Lauren e ele se dão maravilhosamente bem. Gosto disso. Adoro ver a cumplicidade que há entre os dois. Embora eu saiba que algumas vezes isso pode se virar contra mim, não me importo. Essa aliança entre eles é algo que meu pai nunca teve com o pateta do meu ex-cunhado. Lauren o escuta e não banca a esperta com ele. Meu pai gosta disso, e eu mais ainda.

É claro, são duas pessoas de classes sociais diferentes, mas ambos se adaptam às situações, e isso talvez seja o que me apaixona nos dois: saber se relacionar. Enquanto estamos todos ao redor da mesa, observo como Dinah olha uns rapazes que entraram no restaurante. Eles assobiaram quando Sabrina voltava do banheiro.

Acho graça no olhar de valentona de Dinah. Não sei o que vai acontecer entre elas, mas o que sei, com certeza, é que alguma coisa vai surgir no final. Só é preciso dar tempo a polinésia. Minha irmã parece descontraída. Depois de falar com ela e saber que o boboca do meu excunhado quer reatar, fico calma quando Sofia me deixa claro que não volta para ele nem a pau. Ele já se aproveitou bastante dela, por isso ela não pensa em lhe dar mais nenhuma oportunidade.

Por fim, meu pai a convenceu a morar com ela pelo menos durante o primeiro ano de vida de Isabella. Adiar a volta a Havana e a busca por um emprego. Acho uma ideia excelente. Sofia com meu pai viverá como uma rainha, embora às vezes queiram se estrangular mutuamente. Jin e Jade ficaram muito amigos nas férias. Rio quando fico sabendo das travessuras que aprontaram. Cada vez que comentamos que dentro de uns dias voltaremos à EUA, ficam tristes, mas entendem que o ano letivo começará logo e que nós todos devemos voltar à rotina. Quando a Madalena traz uma torta, minha irmã pergunta a Lauren:

— Gostou da torta desta manhã?

Minha linda me olha. Sorrio.

— Foi a melhor torta que comi em toda a minha vida.

Sofia sorri, derretida com o elogio.

— Olha, quando quiser uma, me fale. Faço uma de limão que é uma delícia.

— Limão? — murmura Lauren, me olhando. — Que refrescante!

Incapaz de me aguentar, rio às gargalhadas, e Lauren comigo. Nos beijamos, e minha irmã, que nos olha, com Isabella no colo, diz:

— Ai, fofa, como é lindo o amor, quando você está apaixonada e é correspondida.

Esse comentário, unido a sua voz de pena, me entristece. Tomara que Sofia conheça alguém e refaça sua vida. Ela precisa. É a típica mulher que precisa ter um homem do lado para ser feliz.

E esse homem não é meu pai.

Nossos dias em Cojimar são uma maravilha. Grey visita várias empresas pela região e, entusiasmado, comenta com a gente que a região tem potencial. Nesses dias, observo como vem olhando para minha irmã. Parece interessado, e inclusive notei que se dá bem com minha sobrinha. Claro que se dar mal com Jade é difícil. É tão moleca, que se você dá bola para ela, a conquista para a vida toda.

Grey viaja todos os dias, mas sempre quer voltar à noite para Cojimar. Segundo ele, prefere ter companhia. Segundo Lauren e eu, ele está gostando da Sofia. Dá pra ver pelo jeito que procura chamar sua atenção.

Como é lógico, nada disso escapa a Sofia. Me surpreende que passem os dias e não me fale nada. Mas claro, como sempre digo, minha irmã é minha irmã, e uma tarde, enquanto tomamos sol, sozinhas perto da piscina de meu pai, diz:

— É bem legal esse Grey, né?

— É, sim.

Espero. Se quer puxar o assunto, que puxe. Depois de uns minutos de silêncio, insiste:

— Parece muito educado, né?

— Muito educado.

Sorrio. Vejo que ela me olha com o canto do olho, e então me pergunta:

— Que acha dela como homem?

— É legal.

— Sabe o que me disse esses dias, quando fomos todos jantar?

— Não.

— Quer saber?

— Claro. Conte.

Nesse momento aparece Sabrina, que se deita ao nosso lado. Imagino que minha irmã vai fechar o bico, mas, em vez disso, se senta na espreguiçadeira e continua:

— Uma noite dessas, quando a gente voltava depois de termos bebido um pouco, antes de irmos pra sua casa, me olhou nos olhos e disse: “Você é como um gostoso cappuccino: doce, quente, e me deixa nervoso.”

Sabrina comenta:

— Esses três são muito galeantadores.

Surpresa, olho minha irmã:

— Ele te disse isso?

— Sim, exatamente assim.

— Puxa, que cantada mais bonita, não acha?

Sofia concorda e acrescenta, com uma voz muito sugestiva:

— Sim, é uma cantada muito elegante, como ele.

Sabrina dá uma risadinha, e todas ficamos caladas. Minha irmã, hein? E parecia uma boba. Silêncio. Sofia volta a deitar, mas eu a conheço, essa paz vai durar pouco. Em menos de dois minutos, volta a se sentar na espreguiçadeira.

— E agora, cada vez que nossos olhares se encontram, ele me diz: “Gostosa!”

— Gostosa?! — Sabrina se senta também. — Isso, no México, é como dizer “você está um arraso” ou “eu te comeria inteira”.

— Séria? — diz Sofia, excitada.

Seguro o riso. É algo novo para mim ver minha irmã com esse tipo de disposição. De repente ela diz, me batendo no braço:

— Acabou, me rendo! Não posso continuar fazendo de conta que não gosto desse canadense bonitão, parecendo galã de novela. E quando me chama de “gostosa!”... Ai, fofinha, me dá uma coisa. E agora que sei o que quer dizer, então! Santo Deus, que calor!

Caio na risada.

— Fofa, não ria, que estou preocupada.

— Preocupada?

Sofia chega mais perto de Sabrina e de mim:

— Há várias noites ando sonhando coisas picantes com ele e agora quem está nervosa sem tomar o cappuccino sou eu.

Me sento na espreguiçadeira, olho Sabrina e rio. Sei, minha irmã é uma figura. Mas ao ver sua expressão de preocupação, digo:

— Espera aí. Você gosta mesmo de Grey?

A louquinha da minha irmã pega sua Fanta laranja e toma um gole.

— Mais do que comer lagosta com as mãos.

Nós três rimos.

— Gostaria de saber mais sobre ele, fofa. É um cara muito agradável, e eu gosto do jeito simpático dele.

— Não é pra você, Sofia.

— Por quê?

— Porque vai voltar pro México e...

— E daí? Pouco me importa.

Isso me confunde. Como pouco importa?

— Eu não quero que ele me jure amor eterno nem nada disso. Quero ser moderna uma vez na vida. Quero saber como é ter um casinho selvagem.

— Como?! — digo aturdida.

— Fofinha, quero me divertir: esquecer de meus problemas e me sentir bonita e desejada.

Mas não gostaria de me meter com ele e depois descobrir que é casado. Não quero fazer outra mulher sofrer.

Ora, ora.

Minha irmã é a pessoa mais convencional que existe na face da terra e quer ser moderna e ter um casinho selvagem? Viajei. Estou imaginando coisas. Como ela me olha à espera de que lhe conte alguma coisa sobre seu possível casinho, olho Sabrina. Ela conhece Grey melhor que eu, mas, disposta a pegar no pé de Sofia, pergunto:

— Casinho selvagem, né?

Ela sorri. Que linda quando sorri. Ao ver meu olhar de gozação, diz:

— Ai, fofa, devo estar precisando muito de atenção, porque quando estou com ele ou quando me chama de “gostosa”, sinto uma vontade louca de agarrar ele no meu quarto e fazer de tudo. Puxa, me deixa excitada!

Deixa, né?

Minha irmã está dizendo que Grey a deixa excitada?

Caio na risada de novo. Minha nossa, Sofia precisa de sexo urgentemente. Ao ver que ela continua à espera de que conte coisas, digo:

— Sabrina, você conhece Grey melhor que eu. Por favor, conte o que sabe dele.

A jovem chilena sorri.

— Ele se divorciou.

— Divorciado?

— Ãhã.

Minha irmã gosta disso. Nervosa, bebe mais Fanta.

— Ele se chama Greyston Stefancsik Holt

— Nossa, tem nome de personagem de novela — sussurra Sofia, satisfeita.

— É mesmo — concordo, achando graça.

— Tem quarenta anos e é primo de Dinah por parte de mãe. Não tem filhos. Sua ex-mulher, Jazmina, uma jararaca de marca maior, nunca quis lhe dar esse prazer nos seis anos de casamento. Mas logo que se divorciou dele, arrumou outro cara e está grávida.

— Vagabunda — resmunga minha irmã.

— Muito vagabunda — concordo, pensando que não quero ter filhos.

— Greyston é dono de uma empresa de segurança bem-sucedida no México. E com esta viagem tenta expandir o negócio pela América. É um homem caseiro, carinhoso e grande amigo dos amigos.

Durante um instante, observo como minha irmã processa a informação.

— Esse negócio dos filhos eu tinha imaginado. Basta ver como ele pega Isabella para saber que

nunca pegou um bebê no colo.

— Lauren também não tem filhos e...

— É diferente — afirma Sofia.

— Diferente por quê? — digo curiosa.

— Ora, porque criou o sobrinho sozinha. E tenho certeza de que quando Jin era um bebê, era supercarinhoso com ele. Basta ver como cuida dele, como olha pra Jade e como se desmancha toda com Isabella. E, por falar em crianças...

— Não vem que não tem — corto. — Ainda não pensei nisso. Portanto, vamos deixar isso pra lá.

Mal acabei de falar, me dou conta dos olhares das duas. Bato na madeira: toc, toc, toc!

Sofia se deita na espreguiçadeira:

— Ora, fofinha, teus filhos vão ser lindos!

Quando enfim ela se cala, respiro com calma.

Por que todo mundo quer tanto que eu tenha filhos?

Enfim, sem querer mais pensar nisso, também me deito na espreguiçadeira e curto o sol da minha Cojimar.

Viva minha terra!

Nessa noite, quando nos reunimos todos na casa de meu pai para jantar, observo minha irmã e Grey com mais atenção. Até que formam um casal interessante. Quando, depois de jantar, Sofia desliga o celular após falar com o bobalhão, vejo que o canadense se aproxima dela e a acalma. Cada vez que o trapalhão do meu ex-cunhado liga, minha irmã sai dos eixos.

Meu pai me olha, ergo as sobrancelhas e, de repente, vejo que ele olha para Grey. Não quero nem imaginar o que estará pensando.

Eu te conheço, papai!

Os dias passam, as férias terminam, temos de voltar à EUA. Lauren tem de trabalhar, o colégio de Jin começa e nossa vida tem que voltar à rotina. Após um excelente almoço no restaurante da Madalena, onde Jin e eu nos entupimos de salmorejo, resolvemos sair essa última noite para beber alguma coisa.

Meu pai não vai. Prefere ficar no ninho cuidando dos filhotes, como diz ele.

Às oito da noite, depois que Grey volta de uma viagem a Santiago, passamos pela casa de meu pai para pegar Sofia e saímos todos para jantar e beber. Quando chegamos ao barzinho de Sergio e Elena, como sempre o mais movimentado de Cojimar, meus amigos vêm falar comigo. Dão parabéns pelo casamento, e Lauren os convida para uma bebida. Rocío, minha amiga, está contente. Percebe que estou feliz e isso é o que lhe importa. De repente começa uma música, e Rocío, me pegando pela mão, me leva até a pista onde cantamos como loucas.

Never can say goodbye, no, no, no, no,

never can say goodbye.

Every time I think I’ve had enough

And start heading for the door.

Rimos. Mil lembranças de verões loucos voltam, enquanto cantamos aos gritos e dançamos ao som da voz de Jimmy Somerville. Quando acaba, vamos ao banheiro, centro nevrálgico da verdadeira fofoca, e respondo tudo o que Rocío quer saber. Falamos, falamos e falamos. Em dez minutos colocamos a conversa em dia e quando saímos estamos sedentas. Paramos no balcão para pedir umas bebidas. De repente, alguém me segura pela cintura, e ouço que me dizem ao ouvido:

— Oi, linda.

Reconheço a voz. Me viro e dou com Austin Mahone, meu amigo das corridas de motocross. Me dá dois beijos e me abraça. Sabendo que Lauren não vai gostar da forma como ele me segura, escapo de suas mãos como posso.

— E aí? Você por aqui?

Austin, um perfeito gato, passeia seus olhos pelo meu corpo e avança mais um passo na minha direção, me deixando contra o balcão do bar.

— Cheguei ontem. E apareci pra ver se te via.

Rocío me olha. Eu a olho e, antes que possa dizer qualquer coisa, vejo minha americana, conhecida como Icegirl, com cara zangada por trás de Austin, murmurando:

— Poderia se afastar da minha mulher pra que ela possa respirar?

Ao ouvir isso, Austin olha para trás e, ao ver Lauren, diz sem se mexer:

— Você de novo. — Não consigo dizer nada. — Olha, amiguinha, esta não é sua mulher e, pelo que sei, não vai ser nunca. Por que então não vai dar uma voltinha e nos deixa em paz?

Minha nossa, a cara da Icegirl. Suas narinas se dilatam. Eu digo, rapidamente:

— Austin, tem que...

Não consigo dizer mais nada. Lauren o agarra pelo braço com suas mãos enormes e o afasta de mim, dizendo contra a cara dele, num tom nada calmo:

— Quem vai dar uma voltinha é você. Se encostar na minha eposa de novo, vai ter problema comigo, estamos entendidos, amiguinho?

Austin fica quieto. Levanto a mão e lhe mostro meu dedo.

— Austin, Lauren é minha esposa. Nós nos casamos.

A expressão dele muda por completo. No fundo, é um bom garoto. Levantando as mãos, diz rapidamente:

— Sinto muito, cara. Pensei que esse encontro fosse como o da outra vez.

O rosto de Lauren se descontrai. Sua irritação diminui. Pegando-me pela mão, me puxa, dizendo:

— Agora já sabe. Trate de não se enganar de novo.

Rocío, ainda no balcão, me olha. Sorrio, enquanto me afasto com Lauren. Embora eu não aprove os ciúmes, reconheço que esse momento possessivo de minha maridinha carrancuda me excitou. Como fica sexy quando me olha assim.

Sem falar nada, nos afastamos. De repente surge Shawn. Nossos olhares se cruzam, e ambos sorrimos.

Vem de mãos dadas com a mesma menina simpática com quem foi a meu casamento nos EUA. Lauren me solta. Shawn e eu nos damos um longo abraço.

— Oi, conterrânea.

Em seguida me solta e estende a mão para Lauren:

— Como vai?

— Muito bem, meu amigo. Tudo vai muito bem.

Eles se entendem. Por fim, depois de tudo o que aconteceu entre nós três, conseguimos ser amigos e que nossas relações se normalizassem. Gosto disso. Shawn é uma das melhores pessoas que conheço. E me sinto feliz ao ver que Lauren e ele enfim se dão bem.

Depois de cumprimentar Aurora, que é o nome da menina, tomamos algo juntos até que

Shawn, olhando o relógio, diz:

— Temos que ir. Marcamos com uns amigos.

Sorrio, e nos despedimos. Quando se vão, Lauren me segura pela cintura e pergunta:

— Está feliz, pequena?

Beijo-a toda entusiasmada e respondo:

— Muitíssimo, senhora Jauregui.

Quando voltamos para o resto do grupo, batemos papo durante horas e nos divertimos. Estar com meu pessoal é assim: alegria, brincadeiras e diversão. Gosto de ver o interesse que Sabrina provoca. Essa chilena de voz doce está deixando os latinos impressionados, enquanto Dinah observa e resmunga. Ela se aguenta.

Isto vai levar mais tempo do que eu tinha pensado. O bom clima entre todos é evidente. Então minha irmã, que está sentada ao meu lado, diz contrariada:

— Ai, fofinha.

Sua atitude e voz me deixam em suspense:

— Que que foi?

— Acabo de ver o José estacionando o carro.

Minha pressão sobe. Caso o bobalhão de meu ex-cunhado se atreva a se aproximar, vou lhe dar uma porrada tão grande, que ele vai parar em Havana sem o carro. Atordoada, olho ao redor, e Lauren pergunta:

— Que foi?

— O imbecil do José está aqui.

Seu rosto se contrai, mas Lauren diz:

— Calma, pequena. Somos adultos e civilizados.

Seu comentário me faz sorrir, lembrando o que aconteceu antes com Austin. Mas para acalmar a vontade de rachar a cabeça de quem fez minha irmã sofrer tanto, pego meu copo e tomo um gole, quando vejo que Sofia se levanta. Aonde vai? Vou agarrá-la para que não chegue nem perto de José, mas ela me deixa sem palavras. Vai até Grey, que está conversando com Dinah, pega-o pelo pescoço, se senta no seu colo e o beija na boca.

Inacreditável!

Me engasgo.

Lauren pega minha mão.

Dinah me olha e eu, olhos arregalados, só posso ver que minha irmã está aos beijos como uma adolescente, diante de todos.

Meu ex-cunhado, que se aproxima, ao ver a cena fica petrificado e grita:

— Sofia!

Mas ela continua seu beijo devastador em Grey. Naturalmente que a safadinha está curtindo. Vejo-a dizendo “gostoso”. Mas as coisas não ficam por aí. O canadense, animado, enlaça minha irmã pela cintura e a beija ainda mais profunda e demoradamente, enquanto uma de suas mãos desce até o traseiro dela e o aperta.

Pelo amor de Deus, o que ele está fazendo?

O tempo parece passar em câmera lenta, enquanto eles se beijam sem nenhuma pressa. Mas, enfim, seus lábios se separam, e escutamos:

— Sofia, você acredita em amor à primeira vista ou tenho que te beijar de novo?

Uau, eu é que não acredito no que vejo!

Novela mexicana ao vivo e a cores! Um ex-marido, um novo amante e a mocinha, nada mais, nada menos que minha própria irmã. Superemocionante! Eu toda surpresa; mas Lauren, ao meu lado, observa calmamente a situação. A Lauren é gelo puro quando quer. E então, com uma expressão venenosa que me deixa paralisada, a doida da minha irmã olha meu ex-cunhado, que está parado diante dela, e pergunta:

— O que você quer, chatonildo?

Ele não consegue falar. Até o queixo dele treme. E eu estou a ponto de gritar: “Bem feito, imbecil, engole essa!”

Instantes depois, quando José consegue se recuperar, diz, os olhos arregalados:

— Sofia, não vou levar isso em conta, mas temos que conversar.

Não vai levar isso em conta?

Minha nossa! Assim eu vou lá e dou uns tapas nele. Vai ser sem-vergonha assim na... Mas Lauren, que vê como me remexo na cadeira, me olha e, sem soltar minha mão, me pede calma com os olhos.

— Olha, José — responde Sofia, me surpreendendo — , leve sim isso em conta porque penso repetir de novo tantas vezes quanto me der na telha. Estamos separados! E antes que você comece com tuas insistências, a resposta é NÃO!

— Mas, minha passarinha!

— Já não sou sua passarinha — ela grita.

José olha para ela. Pela cara dele, vejo que não a reconhece. Mas, cá pra nós, não acho estranho, eu também não a reconheço.

De repente, surpreendendo a todos nós, Grey se levanta, com minha irmã ainda entre seus braços e, expressão séria e ameaçadora, diz a José:

— Escuta, cara, esta linda senhorita não tem nada pra falar contigo. Daqui pra frente, toda vez que você ligar pro celular dela, vai se ver comigo, porque estamos cansados de tuas ligações e de seu insistência. Ela não quer nem almoçar, nem jantar, nem tomar o café da manhã com um sujeito como você. Primeiro, porque não quer, segundo, porque esta mulher linda está comigo e eu sou muito possessivo: o que é meu é meu, não permito que ninguém toque. Pague a pensão das tuas filhinhas, que é o que tem que fazer, afinal você é o pai, não? Quanto a minha princesa aqui, agora sou eu quem cuidará dela. Portanto, dê o fora, suma da minha vista, entendido?

Boquiaberta...

Apatetada...

E ainda me surpreendo quando minha irmã, agarrada ao gigante canadense, olha seu ex com um sorrisinho de satisfação e diz:

— Você já ouviu, José! Adeus!

— Mas e as meninas?

— As meninas você verá, sempre que for seu dia de visita. Não se preocupe com isso — afirma Sofia.

Quando por fim o bobalhão processa o que aconteceu ali, se vira e vai embora. Eu olho minha irmã ainda de boca aberta. Ela, depois de tanto atrevimento, confusa por uns segundos, balbucia, com cara de susto, para Grey:

— Obr... obrigada pela ajuda.

Ele, soltando-a, senta de novo onde estava e, dando uma boa olhada pelo corpo de Sofia, diz em tom meloso:

— Está com tudo em cima, hein, linda?

— Porra — murmuro.

Lauren ri.

Mas como se pode rir numa hora dessas?

Como vejo minha irmã totalmente confusa depois do que aconteceu, decido entrar em ação e, pegando-a pela mão, puxo-a e me afasto dos olhares gozadores de todos. Quando chegamos ao banheiro, solto Sofia. Ela abre a torneira e passa água na nuca. Não sei o que dizer.

— Ai, fofinha — murmura Sofia.

— Sei.

— Ai, que calor, fofinha.

— Normal.

Totalmente fora dos eixos, a puritana da minha irmã me pergunta:

— Acabo de fazer o que penso que fiz?

— Hum-hum.

— Séria?

— Te garanto. Você acaba de fazer.

— Beijei o... o... Grey?

— Beijou. — Ela não reage. — Você deu um amasso no cara que deixou ele meio vesgo.

Bem, só faltou você cantarolar pra ela: “Gostoso!”

Estamos surpresas, sem saber o que dizer, até que a espertinha diz:

— Puxa vida, você viu como esse cara beija?

Eu vi e metade de Cojimar também. Mas ela continua:

— Me atirei e... depois ele me agarrou e... e... me passou a mão na minha bunda, o descarado!

Além de meter a língua até o fundo da garganta. Santo Deus, que coisa! E depois disse aquele negócio de se acredito em amor à primeira vista ou...

— ... Ou te beijava outra vez. Sim, bem novela mexicana — concluo.

Dou uma abanada nela ou ela cai dura, que é uma exagerada. Bota de novo água na nuca, ofegante como um cachorrinho. Ainda não pode acreditar no que fez. Coitadinha. Mas desejo que volte a sorrir e digo:

— Acho que hoje você se livrou do Zezinho pro resto da vida. O canadense fez ele cair na real, hein?

— Ai, fofa, não ria.

— Não posso evitar, Sofia.

Ela toca o rosto, horrorizada.

— Esse homem deve ter pensado que sou uma sem-vergonha.

— Ué, não dizia que queria ser moderna?

— Sim, mas não uma vagabunda — insiste, constrangida.

Como sei que precisa de uma força, digo:

— Olha, Sofia, que ele pense o que quiser. Você gostou do beijo?

Responde sem hesitar um segundo:

— Gostei. Não dá para negar.

— Então? Seja positiva e pense duas coisas. A primeira: você se livrou de José. A segunda: um canadense grandalhão como os que você gosta te deu um beijo que te deixou tontinha.

Ao ouvir isso, por fim sorri. Eu também. Ainda que, segundos depois, me olhe e diga:

— Puxa vida, fofinha, se eu pego ele... Vai ver só...



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