História Peça-me o que quiser - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Austin & Ally, Peça-me o que quiser
Personagens Ally Dawson, Austin Moon, Dez, Personagens Originais
Tags Auslly, Lauramarano, Raura, Rosslynch
Visualizações 85
Palavras 8.077
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Como eu posso ver, estou postando outro capítulo ❤
Estou sentindo falta dos comentários de vocês, sim, muita falta ❤
Espero que pelo menos estejam gostando dessa fanfic

Capítulo 12 - Capítulo 12


Minha chefe fica furiosa quando Austin avisa que vou acompanhá-lo em sua viagem às sucursais. Dallas se sente aliviado por não ser ele. Minha chefe tenta convencer Austin de

mil maneiras a não me levar junto com ele. Argumenta, por exemplo, que não tenho experiência e estou há pouco tempo na empresa, mas acaba desistindo.

Maxon é quem manda, e ela tem de acatar. Bem feito!

Ligo para meu pai na quarta-feira e explico que vou adiar minhas férias por causa da viagem. Ele aceita numa boa e me incentiva a fazer um bom trabalho. Se ele soubesse o que está por trás dessa história, me trancaria bem trancada para me impedir de sair.Minha irmã, ao contrário, fica irritada comigo. Para ela, estar longe de Madri por várias semanas é uma falta de consideração da minha parte. Com quem ela vai desabafar?

Na quinta-feira, Austin passa para me buscar com seu motorista às seis da manhã.

Viajamos em seu jatinho particular, e eu fico chocada com tanto luxo. Acho que acabamos de sair da cidade. Olho para tudo com tanta curiosidade que tenho a impressão de que Austin está se esforçando para não rir.

Quando chegamos a Barcelona, um carro nos pega no aeroporto de Prat e nos leva ao hotel Arts. Que vida dura! É só o melhor da cidade! Nos hospedamos no último andar em

duas suítes. Ele cumpriu sua promessa: quartos separados. Quando a porta se fecha atrás de mim e eu me vejo no meio daquele cômodo imenso, olho a meu redor. Tudo é grande, espaçoso. E o melhor de tudo: há uns janelões que me permitem apreciar o mar.

Animada com o luxo que me cerca, largo minha mala e me aproximo da janela.Incrível! Após curtir a paisagem por alguns minutos, começo a bisbilhotar e a mexer nas coisas. Abro o frigobar e vejo chocolate. Devoro alguns. Quando descubro a parte do quarto onde fica a cama, não contenho meu espanto. É maravilhosa! Janelões que dão

para o mar, e roupa de cama violeta combinando com um divã lindo. A cama é enorme e eu me jogo nela. Como é macia! O banheiro é outra maravilha. Madeira clara e uma

banheira rodeada de espelhos. Uau!

Quando saio do banheiro, o telefone toca. É Austin

- E aí, gostou da suíte?

- Adorei. Enorme. Cinco vezes maior que a minha casa - brinco.

Escuto seu riso do outro lado da linha.

- Em meia hora te espero na recepção - avisa. - Não esquece os documentos.

Chego à recepção pontualmente e vejo Austin conversando com uma mulher. Alta,glamorosa e loura. Louríssima. Quando ele me vê, faz sinal para que me junte a eles e

nos apresenta uma à outra:

- Joey, esta é minha secretária, a senhorita Allycia.

A tal Joey me olha de cima a baixo e isso me deixa intrigada, mas, num gesto de profissionalismo, apertamos as mãos e Austin acrescenta em alemão:

- Senhorita Dawson a senhorita Gray veio de Berlim. Ela vai passar uns dias conosco.Joey é a encarregada de verificar se podemos lançar nosso medicamento no Reino Unido.

Sorri enquanto a loura de pernas compridas concorda com a cabeça. Mas percebo algo estranho em seu olhar. Não sei o que é, mas não me agrada. Um homem se aproxima e nos informa que nosso carro nos espera lá fora. Caminhamos os três até uma enorme limusine preta. Austin senta ao lado da mulher e se esquece de mim. Fico inquieta. Mas o que mais me incomoda é perceber que entre eles houve ou há alguma coisa. Os olhares da loura revelam isso. De qualquer forma, como sou muito profissional, mantenho a compostura enquanto olho pela janela e tento pensar em outra coisa.

Quando chegamos aos escritórios centrais de Barcelona, somos recebidos pelo chefe da sucursal, Xavi Dumas. Assim que me vê, sorri para mim e logo cumprimenta o chefão

e Joey

- Oi, Ally- dirige-se a mim, em seguida. - Que bom te ver de novo!

- Digo o mesmo, senhor Dumas.

Em seguida, sua secretária Jimena me cumprimenta.

- Ames, por que não me disse que viria?

- Porque até ontem eu não sabia que precisaria vir - respondo e lhe dou um abraço.

Com expressão divertida, Jimena observa Austin e logo me olha com malícia.

- Com o chefão alemão... Está podendo, hein?!

Nós duas rimos, mas logo nos dirigimos até uma salinha que ela nos indica.

Instantes depois, vários diretores, entre eles Austin e Joey, entram nessa parte do escritório. É uma sala retangular com painéis escuros e uma parede de vidro que dá para uma mata. No centro da sala há uma mesa comprida com várias cadeiras e, num dos lados, várias mesinhas menores. Sento numa dessas mesinhas, e Austin presidirá a reunião bem na minha frente. Seu olhar implacável me faz lembrar o apelido que Dallas colocou nele: Iceman. A lembrança me faz sorrir.

A reunião começa e Jimena, avisada por seu chefe, levanta do meu lado e senta na mesa maior. Seu chefe quer que ela traduza para a tal Joey tudo o que ele for dizendo. Presto atenção ao que eles dizem e observo que Jimena é uma ótima tradutora.

Mas ocorre algo que me surpreende. Em dado momento, o senhor Dumas menciona o pai de Austin e este, muito sério, mas também muito educadamente, lhe pede que não volte a citá-lo. O que será que houve entre o pai e o filho? Uma hora depois, no meio da reunião,recebo uma mensagem no meu notebook.

De: Austin Moon

Para: Allycia Dawson

Assunto: Sua boca

Cara senhorita Dawson, está acontecendo alguma coisa com a senhorita? Sua boca a denuncia.

PS: A senhorita é a mulher mais sexy da reunião.

Austin Moon

Sem mover a cabeça, eu o observo de relance. Que cara de pau! Está me ignorando desde que apareci na recepção do hotel e agora vem com essa. Então decido responder.

De: Allycia Dawson

Para: Austin Moon

Assunto: Estou trabalhando

Prezado senhor Moon, eu lhe agradeceria se o senhor me deixasse trabalhar.

Allycia Dawson

Sei que ele recebeu a mensagem. Vejo-o olhando com interesse para a tela do

computador e percebo que muda de cara. Ao fim de poucos segundos, digita de novo e eu recebo outro e-mail.

De: Austin Moon

Para: Allycia Dawson

Assunto: Irritada?

Suas palavras me desconcertam. Está irritada com alguma coisa?

PS: Essa roupa fica maravilhosa na senhorita.

Austin Moon

Desconfortável, me mexo na cadeira. Será que ele percebe? Tento sorrir, constrangida,mas minha boca se recusa. Por alguns minutos presto atenção à reunião, até que meu

computador indica que recebi uma nova mensagem.

De: Austin Moon

Para: Allycia Dawson

Assunto: A senhorita decide

Advirto-lhe, senhorita Dawson, que, se a senhorita não responder minha mensagem em cinco minutos, vou parar a reunião.

PS: Está de fio dental por baixo da saia!

Austin Moon

Ao ler aquilo, arregalo os olhos, assustada, mas tento manter a calma. Ele está atacado. Gosta de me provocar. Sorrio e o encaro. Ele não sorri de volta. O tempo passa

e eu relaxo. Vejo-o olhando para o computador e imagino que está escrevendo outro email

para mim, quando de repente interrompe a reunião.

- Senhores, acabo de receber uma mensagem que preciso responder imediatamente.Um contratempo. Peço-lhes desculpas. - E, levantando-se, acrescenta: - Os senhores fariam a gentileza de nos deixar a sós, eu e minha secretária, por alguns minutos? E, por favor, não quero ser interrompido por nada neste mundo. Minha secretária avisará aos senhores quando tivermos terminado.

Quero morrer.

Ele está louco?

Abro os olhos o máximo que consigo e vejo que todos os diretores pegam suas pastas

e saem da sala. Jimena me lança um olhar e acompanha seu chefe. A última a sair é a tal

da Joey. Olha para mim com ódio e, após dizer a Austin em alemão "Estarei lá fora",fecha a porta atrás de si.Ainda sentada na minha cadeira, eu o encaro sem entender Austin fecha o computador, se estica em sua cadeira e crava seu olhar em mim.

- Senhorita Dawson, venha cá.

Me levanto como uma flecha e, surpresa com o que ele acaba de fazer, me dirijo até

ele:

- Mas... Mas por que você fez isso?

Ele olha, sorri e não responde.

- Por que parou a reunião? - insisto.

- Te dei cinco minutos.

- Mas...

- Quem parou a reunião foi você - responde.

- Eu?!

Austin faz que sim com a cabeça e, assim que paro à sua frente, pega minha mão e,ainda sentado, me coloca entre suas pernas. Logo me empurra e me faz sentar sobre a

mesa. Diante dele. Excitada, olho a meu redor em busca de câmeras, mas ele diz:

- A sala não tem câmeras, mas também não tem isolamento acústico. Se você gritar, todo mundo vai saber o que está acontecendo.

Faço menção de protestar, já que a cada instante estou com mais tesão, mas Austin se aproxima de mim e faz aquilo que me deixa tão louca. Passa sua língua pelo meu lábio

superior. Me olha. Depois lambe o lábio inferior, mordendo-o em seguida, até que eu

abro a boca e ele enfim me beija. Suga minha boca de tal maneira que me deixa sem ar e, como sempre, perco totalmente o controle. Me deita na mesa e levanta minha saia.

Suas mãos sobem devagar pelas minhas coxas até que chegam a meus quadris. Então segura minha calcinha e a arranca.

- Hummmm... Adorei que você está de fio dental.

Curto o momento e entro no jogo como uma loba.

Passo a língua pelos meus próprios lábios e quero gritar "Sim!!!". Meu gesto o estimula

e o deixa louco. Abro as pernas sem pudor, pedindo-lhe mais, e ele levanta a cabeça,

sem mover o resto do corpo.

- Trouxe na bolsa o que eu disse pra você levar sempre?

Fecho os olhos e me xingo frustrada.

- Deixei no hotel.

Minha reação o faz sorrir. Me retira da mesa sem me tocar, com exceção da parte interna das minhas coxas.

- Que pena, pequena. Tenho certeza de que na próxima vez você não vai esquecer.

Olho para ele, paralisada.

Vai me deixar assim?

Me dá um tapinha no traseiro quando desço da mesa.

- Senhorita Dawson, temos de seguir com a reunião. E, por favor, não a interrompa outra vez.

Sinto minhas bochechas ardendo e o desejo ainda dominando meu corpo, enquanto

ele é supercontrolado. Isso me enche de raiva. Ele sabe disso. Segura minha mão e me puxa num gesto possessivo.

- Quando terminarmos a reunião, quero você nua no hotel. Por enquanto, fico com a sua calcinha.

- O quê?!

- Isso que você ouviu.

- Sem chance. Devolva.

- Não.

- Austin, por favor. Como vou ficar sem calcinha?

Ele se levanta. Sorri com malícia e dá de ombros.

- Muito simples. Ficando! - responde.

Veste minha saia em mim. Me empurra até a porta e insiste:

- Vamos. Diga a eles que entrem. A reunião é importante.

Histérica e a ponto de ter um troço, me limito a bufar.

Como isso pode estar acontecendo comigo?

Por fim fecho os olhos, depois caminho com determinação até a porta e antes de abrir

me viro para ele.

- Essa você me paga.

Austin continua imperturbável.

Um minuto depois, retomamos a reunião e tudo volta ao normal. Tudo, exceto o fato

de que estou sem calcinha.

A reunião se estende mais do que o esperado e só saímos do escritório às oito e meia da

noite. Austin está com uma cara séria. A tal da Joey é chata demais para o meu gosto:

tudo o que fez foi colocar obstáculos em cada coisa que se discutia.

Entramos na limusine, com Joey. Durante o trajeto, Austin fica protegido atrás de

uma máscara de hostilidade que não me agrada, e me pede vários papéis. Eu lhe

entrego. Ele e Joey leem os documentos e falam sem parar.

Quando chegamos ao hotel, quero correr para o meu quarto e tirar a roupa, como ele

pediu. Não consigo parar de pensar nisso. Ele e eu. Austin em cima de mim. Austin me possuindo. Mas ele me joga um balde de água fria quando diz:

- Senhorita Dawson,quer jantar comigo e com Joey?

Isso me paralisa. Aquela pergunta, na realidade, deveria ser: "Joey, quer jantar comigo e com a senhorita Dawson?"

Sinto a raiva se concentrando no meu estômago. Estou ardendo por dentro. Mas, desta vez, o ardor não tem nada a ver com desejo. Percebo o olhar daquela mulher sobre mim.

No fundo, ela fica tão chateada quanto eu por ter que dividir a companhia de Austin com outra pessoa.

- Obrigada pelo convite, senhor Moon- respondo, disposta a não lhe dar o

gostinho -, mas já tenho outros planos.

Austin faz cara de surpresa. Por seu olhar, sei que esperava qualquer resposta, menos

aquela. Ele se acha! Dou boa-noite e me afasto. Sinto o olhar de Austin nas minhas costas, mas continuo andando. Quando chego ao elevador e as portas se fecham, consigo

respirar. E, assim que entro no quarto, grito frustrada.

- Idiota! Você é um idiota!

Irritada até com o ar que respiro, entro no banheiro. Olho para a banheira, mas por

fim resolvo tomar uma chuveirada. Não quero pensar em Austim. Que se dane! Saio do chuveiro. Seco o cabelo e me obrigo a voltar a ser a mulher forte que sempre fui. Toca o

telefone do quarto. Não atendo. Pego rapidamente meu celular. Três chamadas perdidas

da minha irmã. Que mala! Decido ligar de volta outra hora e telefono para uma amiga de

Barcelona. Como era de se esperar, fica animada ao saber que estou na cidade, e

marcamos de nos encontrar. Desligo o celular. Ninguém vai estragar minha alegria, muito

menos Austin

Então, ansiosa para sair do quarto o quanto antes sem ser vista, coloco um vestido

curto e sandálias de salto alto. Faz um calor infernal e esse vestido superleve me cai

como uma luva. Quando estou pronta, pego a bolsa. Abro a porta com cuidado e espio

pelo corredor. Não há ninguém e eu saio. Mas sei que Austin está na suíte ao lado e, em

vez de esperar o elevador, resolvo ir pela escada. Desço cinco lances e finalmente pego o

elevador.

Sorrio pela minha proeza e, quando chego à recepção e atravesso as portas do hotel

Arts, quase dou pulos de alegria. Mas minha animação dura pouco. De repente me dou

conta de que deixei o caminho livre para essa loba da Joey, e o mau humor volta a

tomar conta de mim.

Pego um táxi e dou o endereço. Minha amiga Miriam está me esperando. Quando

chego ao lugar combinado, logo a vejo. Está linda e rapidamente nos abraçamos

sinceramente. Eu e Miriam somos amigas de infância. Minha mãe era catalã e até o fim

de sua vida íamos todo verão a Hospitalet.

- Nossa, amiga. Como você está gata! - grita ela.

Após uma sucessão de beijos, abraços e elogios mútuos, andamos até o porto. Miriam

sabe que adoro pizza e vamos a um restaurante do qual ela tem certeza de que vou

gostar. Como sempre, comemos à beça, tomamos litros de Coca-Cola e fofocamos

durante horas. Por volta de duas da manhã, estou cansada e quero voltar ao hotel. Nos

despedimos e combinamos de nos ligar no dia seguinte.

Feliz pela noitada com Miriam, volto ao hotel cheia de energia. Miriam é tão otimista e

tem tanta vitalidade que estar com ela sempre me faz muito bem.

Quando o táxi para na linda entrada do hotel Arts, pago ao motorista, dando boa-noite

e desço sem perceber que uma limusine branca está parada à direita.

Caminho com determinação até a porta, quando ouço uma voz atrás de mim:

- Ally!

Eu me viro e o coração dispara. Dentro da limusine, pela janela, vejo o rosto petrificado de Austin, também conhecido como Iceman. Meu estômago se contrai. O jeito

como mexe a boca me revela que está irritado, e seu olhar me confirma isso. Tento não me importar, mas é impossível. Eu me importo com esse homem. Então caminho lentamente até o carro. Noto que seus olhos me percorrem inteirinha, mas Austin não se move. Quando chego perto dele, me inclino para olhar pela janela aberta.

- Onde você estava? - pergunta

grunhindo.

- Me divertindo.

Um silêncio incômodo se instala entre nós dois, até que não consigo resistir e

pergunto:

- E sua noite, foi boa? Você e Joey se divertiram?

Austin suspira. Seus olhos me fulminam.

- Você deveria ter dito onde estava - diz. - Te liguei mil vezes e...

- Senhor Moon- eu o interrompo e, num tom cordial, acrescento

educadamente: - Se não me engano, o senhor me deu a opção de decidir se queria jantar com o senhor e com a senhorita Joey... Não se lembra disso?

Não responde.

- Simplesmente decidi me divertir tanto ou mais que o senhor - continua a mulher perversa que existe em mim.

Isso o enche de raiva. Dá para ver nos seus olhos. Olho para sua mão e percebo que os nós de seus dedos estão brancos de tanta fúria. De repente, abre a porta da limusine.

- Entra - ordena.

Reflito por alguns segundos. O suficiente para deixá-lo ainda mais irritado. Ao fim, decido entrar. Na verdade era tudo o que eu estava querendo. Fecho a porta. Austin me

olha de um jeito desafiador e, sem tirar os olhos de mim, aperta um botão da limusine.

- Arranque.

Sinto o carro se deslocar.

- Para sua informação, senhorita Dawson- acrescenta, com a mandíbula tensa -, o jantar com a senhorita Joey foi de negócios. E, como manda o protocolo, a senhorita é a secretária e por isso era à senhorita que eu deveria convidar e não a Joey Gray.

Estou de acordo. Tem razão. Eu sei, mas continuo aborrecida. Em algumas ocasiões

não consigo ficar quieta, e esta é uma delas. Sem querer dar o braço a torcer, respondo:

- Espero que o senhor ao menos tenha se divertido na companhia dela.

O olhar de Austin me incendeia, enquanto ele se mantém a poucos centímetros de mim, sem se aproximar. Seu perfume embriaga meus sentidos e centenas de borboletas começam a bater asas no meu estômago.

- Eu lhe garanto, acredite ou não, que eu teria aproveitado mais se estivesse na companhia da senhorita. E, antes que continue se comportando como uma menina malcriada, exijo saber com quem esteve e onde. Estou há horas esperando a senhorita

voltar, sentado nesta limusine, e quero uma explicação.

Seu comentário acaba com minha indiferença.

- É sério que você ficou horas me esperando na porta do hotel?

- É.

Meu lado princesa que ainda acredita em contos de fadas tem vontade de dar pulos de alegria. Ele ficou me esperando!

- Austin, que fofo - murmuro num tom carinhoso. - Me desculpa. Eu achava que...

Noto seus ombros relaxando.

- Sei... - diz, sem abandonar o jeito duro de falar. - Voltei a ser Austin, senhorita Dawson?

Isso me faz sorrir. Ele não move nem um músculo. Ai, meu Iceman! E, como ele já conseguiu me atingir, chego ainda mais perto dele. Sinto a expressão do seu rosto

voltando ao normal.

-Aus... desculpa.

- Não peça desculpas. Tente se comportar como um adulto. Não acho que estou pedindo muito.

Ótimo. Ele acabou de me chamar de imatura.Em outras circunstâncias, eu teria descido do carro e fechado a porta na cara dele, mas não consigo. Seu encanto já me enfeitiçou. Continua sem olhar para mim, mas eu

não desisto.

- Passei o dia inteiro pensando em ficar nua para você. E quando você falou desse jantar com a Joey eu...

Não me deixa terminar a frase. Crava seus lindos olhos em mim e me interrompe:

- Esta viagem é basicamente de trabalho. Esqueceu?

A dureza com que se dirigiu a mim rompe o encanto do momento e, com isso, também minha trégua vai por água abaixo. Minha expressão muda. Minha respiração se acelera e

eu acabo colocando para fora meu temperamento espanhol.

- Sei muito bem que esta viagem é de trabalho. Deixamos isso bem claro antes de sair de Madri. Mas hoje você parou uma reunião no meio, expulsou todo mundo da sala e depois tirou minha calcinha. Você acha que sou de ferro? Ou mais um brinquedo dos seus joguinhos? - Como ele não responde, eu continuo: - Tá bom, eu aceitei a viagem. Sou a culpada por estar nesta situação contigo e...

- Agora você está de calcinha normal ou fio dental?

Olho para ele boquiaberta. Ficou louco? Surpresa com aquela pergunta, contraio as sobrancelhas e me afasto dele.

- Não te interessa o que estou usando.

- Mas meu gênio ressurge dentro de mim e eu grito como uma descontrolada: - Pelo amor de Deus! Estamos aqui discutindo e você

me pergunta se estou de calcinha ou fio dental?

- Sim.

Me recuso a responder, enfurecida. Tenho a sensação de que vou enlouquecer.

- Você ainda não me disse com quem saiu ontem e aonde foram.

Solto o ar bufando. Discutir com ele é muito cansativo.

Por fim, me deixo cair no encosto do assento do carro e me rendo.

- Jantei com minha amiga Miriam no porto e estou usando uma calcinha normal. Mais alguma coisa?

- Só vocês duas?

Por um instante penso em mentir e dizer a ele que jantamos com o time de rúgbi da cidade, mas não quero que ele me interprete mal.

- Sim, só nós duas. Quando eu e Miriam nos encontramos, gostamos de falar, falar e falar.

Ele parece aliviado com minha resposta e vejo que a expressão de seu rosto se suaviza. Olha para mim. Sinto que ele se mexe no banco e se aproxima de mim, como se quisesse me beijar.

- Me dá tua calcinha - diz.

- Mas, vem cá, por que eu tenho que te dar minha calcinha? - protesto.

Austin sorri e me beija. Enfim uma trégua! Depois do beijo, ele se afasta.

- Porque, da última vez que você esteve comigo, não estava usando e não te dei permissão para colocar uma.

- Ah tá. Então você está me dizendo que eu deveria ter saído por Barcelona sem calcinha? - Vejo que minha brincadeira não o diverte, e murmuro, retirando-a depressa:

- Tome essa maldita calcinha.

Ele a pega e enfia no bolso da calça de linho. Está supergato com essa calça larga e uma blusa azul. Olha para minhas pernas, passa a mão nelas e seu olhar sobe até meus seios.

- Vejo que você não está de sutiã.

- Não. Com esse vestido não precisa.

Concorda. Toca meus seios por cima da roupa.

- Senta na minha frente.

Sem me opor, mudo de lugar e me sento diante dele. Estica o braço e toca minhas pernas.

- Adoro sua pele macia.

Meu vestido curto chega até as coxas, e Austin o levanta mais alguns centímetros. Logo me faz separar os joelhos.

- Excelente e tentador.

Noto que começa a respirar mais forte. Faço menção de fechar as pernas, mas ele não permite.

- Deixa elas abertas pra mim.

Sinto que o sexo está se aproximando, e fico desconcertada por não saber quando nem como. Mas meu corpo todo já está se excitando. Eu o desejo.

O carro para. Austin abaixa meu vestido e, segundos depois, a porta se abre. Estamos em frente a um barzinho em cujo letreiro está escrito "Chaining".

Austin me dá a mão para descer da limusine e a brisa envolve minhas pernas. Estremeço.

Meu vestido é muito curto, e sem calcinha eu me sinto quase nua. Austin apoia a mão nas

minhas costas, e o homem da recepção abre a porta. Austin lhe diz algo, e ele nos deixa passar.

Do lado de dentro, a música e o burburinho das pessoas nos envolve. Sinto a mão de Austin na minha bunda, e isso me deixa excitada outra vez. Ele me guia até o balcão e

pedimos algo para beber. O garçom lhe entrega um uísque puro e, para mim, rum com Coca-Cola. Bebo um gole enorme. Estou com sede. Olho ao redor, movida pela curiosidade, e vejo as pessoas conversando e rindo animadamente, até que sinto Austin

perto do meu ouvido.

- Seu mau comportamento esta noite merece um castigo.

Olho para ele, surpresa.

- Senhor Moon, gosto muito de você, mas, se você pensa em encostar em mim de uma forma que eu ache ofensiva, te garanto que você vai pagar.

Com sua superioridade de sempre, ele sorri. Dá um gole no uísque, chega mais perto do meu rosto e murmura, me deixando arrepiada:

- Pequena, meus castigos não têm nada a ver com o que você está pensando. Lembre-se disso.

Sem tirarmos os olhos um do outro, bebemos de nossos copos, e minha sede, somada

à minha tensão, me faz acabar a bebida rapidamente. Percebendo isso, Austin segura minha cabeça e me beija com voracidade. Seu gesto me deixa louca, e, quando ele

afasta os lábios, murmura:

- Me acompanhe.

Eu o sigo, empolgada, enquanto ele abre caminho e não permite que ninguém encoste

em mim. Adoro o jeito como me protege. É excitante. Segundos depois, entramos em outro salão. Está menos cheio. A música não é tão alta e as pessoas parecem mais tranquilas. De novo, nos aproximamos do balcão. Desta vez nos acomodamos num canto, e Austin pede as mesmas bebidas de antes. O garçom prepara e coloca na nossa frente, junto com uma espécie de balde com água e uns guardanapos de linho.

Austin pega um banquinho alto e me convida a sentar ali. Obedeço logo. Meus sapatos já estão começando a me machucar.

Ao me sentar, cruzo as pernas.

Morro de medo de que vejam que estou sem calcinha. Austin me abraça. Coloca suas mãos na minha cintura, enquanto eu ponho as minhas ao redor de seu pescoço. Momento

romântico. Desta vez sou eu quem aproxima os lábios dos dele. Passo a língua pelo lábio superior, mas, quando vou fazer o mesmo no inferior, ele sobe a mão da cintura para a

nuca e de novo me beija com voracidade. Enfia sua língua na minha boca e a invade com

verdadeira paixão, o que outra vez me faz sentir como uma bonequinha em seus braços.

- Abre as pernas pra mim, Alls.

Eu o encaro por alguns segundos e, depois, dou uma olhada ao redor.

Calculo que a escuridão do lugar e a posição em que me encontro, num canto do

balcão, não deixarão que vejam que estou sem calcinha, mesmo que eu abra as pernas.

Sorrio. Descruzo as pernas e, sem deixar de olhar para ele, faço o que me pede e apoio

os saltos na barra do banco.

Austin pousa as mãos nos meus joelhos e sinto que ele vai subindo com elas muito...

muito lentamente. Aproxima seus lábios dos meus e eu o escuto dizer "Te adoro", bem

pertinho. Fecho os olhos, e suas mãos deslizam pela parte interna das minhas coxas.

Inquieta, me mexo. Quero mais. Fazer isso num lugar público me deixa nervosa, mas ao

mesmo tempo me excita. Ele percebe e encosta a boca na minha orelha.

- Fique calma, pequena. Estamos num clube de swing e todo mundo veio aqui com o

mesmo objetivo.

Isso me assusta.

Um clube de swing?

Fico paralisada.

Horror, pavor e estupor. Austin gira meu banco e me faz olhar para as pessoas ao nosso

redor. De repente tomo consciência de que, no balcão, vários homens de diferentes

idades estão olhando para nós dois. Nos observando.

- Todos eles estão querendo enfiar a mão por baixo do seu vestidinho curto - sussurra em meu ouvido. - A expressão deles revela que estão loucos para chupar

seus mamilos, tirar sua roupa e, se eu permitir, te comer até você*******Não reparou na cara deles? Estão excitados e querem sentir seu clitóris entre os dentes para te fazer gritar de prazer.

Meu coração dispara.

Vou ter um troço!

Nunca fiz nada parecido, mas a ideia me deixa excitada. Muito excitada. Minha

respiração fica entrecortada. Imaginar o que Ross está descrevendo para mim faz meu

corpo arder de tanto calor. Muito calor. Tento girar o banquinho para outra direção, mas

Ross o segura para mantê-lo parado.

- Você disse para eu te contar tudo o que eu gosto, pequena, e o que eu gosto é disso. A perversão. Estamos num clube privado em que as pessoas trepam e se deixam levar por seus desejos. Aqui as pessoas ficam totalmente desinibidas e pensam apenas

no prazer e nos joguinhos sexuais.

Sinto o pescoço me pinicando. As brotoejas!

Mas Austin percebe, segura minhas mãos e sopra meu pescoço.

- Em lugares como este - continua -, as pessoas oferecem o corpo e o prazer em troca de nada. Há casais que fazem swing, outros que procuram alguém para fazer um trio e outros que simplesmente se juntam a uma orgia. Neste clube há vários ambientes

e agora estamos na antessala do jogo. Aqui a pessoa decide se quer brincar ou não e,

principalmente, escolhe com quem.

Austin gira o banco. Me encara e acrescenta sem alterar sua expressão:

-Alls, estou louco para brincar. Minha virilha está latejando e eu estou morrendo de

vontade de te fo/der. Somos um casal e podemos atravessar a porta dos fundos do clube.

Minha boca está seca. Pastosa. Pego o copo de rum e bebo um bom gole.

- Você já veio aqui, né?

- Já. Aqui e em outros lugares parecidos. Você já sabe que gosto de sexo, de perversão e de mulheres.

Já sabia. Ficamos em silêncio por alguns segundos.

- O que há atrás dessa porta?

- Uma sala escura onde você toca e é tocada sem saber por quem. Depois há uma

pequena sala com poltronas separadas por cortinas pretas pra quem não quer ir até as

camas, duas jacuzzis, vários quartos privativos para que você transe com quem quiser

sem ser visto e um quarto grande com várias camas ao lado da segunda jacuzzi, onde

quem quiser pode participar da orgia.

Sinto minhas pernas tremerem. Onde foi que esse louco me meteu?

Ainda bem que estou sentada, porque senão eu cairia no chão. Austin percebe meu estado e me aperta contra ele.

- Pequena, nunca farei nada que você não aprove antes. Mas quero que saiba que seu jogo é meu jogo. Seu prazer é meu prazer, e você e eu somos os únicos donos de

nossos corpos.

- Que poético - consigo dizer.

Austin bebe seu uísque com calma, enquanto sinto meu coração batendo muito rápido.

Esse mundo é estranho demais para mim, mas me dou conta de que não é algo que me

assusta, e sim me atrai.

- Escuta, Alls. Entre nós, quando estivermos em lugares como este ou acompanhados

de outras pessoas entre quatro paredes, haverá duas condições. A primeira: nossos

beijos são só para nós dois. Pode ser?

- Pode.

Isso me alegra. Odeio que beije outra mulher e em seguida me beije.

- E a segunda condição é o respeito. Se algo te incomodar ou me incomodar, deveremos dizer. Se você não quiser que alguém te toque, te penetre ou te chupe, deve

me dizer e eu logo vou interromper isso e vice-versa. Combinado?

- Combinado. - E num fio de voz murmuro: -Austin... eu... eu não estou preparada pra nada do que você disse.

Vejo que sorri e faz um gesto compreensivo com a cabeça.

Depois enfia sua mão entre minhas pernas, passa por minha********molhada e

sussurra:

- Você está preparada, está com vontade e está molhada. Mas tudo bem, só faremos o que você quiser. Como se você só quisesse olhar... E, quando chegarmos ao hotel, vou te f/oder porque estou quase explodindo.

Sinto um calor terrível no rosto e no corpo inteiro.

Vou explodir também!

Ross está muito fogoso e sinto sua mão deslizando entre minhas coxas. Depois ele coloca a palma da mão na minha v/agina.

- Você está encharcada... suculenta... receptiva. Te excita estar aqui?

Negar seria uma bobagem, então respondo:

- Sim. Mas o que mais me excita são as coisas que você diz.

-Hummmm... Te excita o que eu digo?

-Muito.

- Isso significa que está disposta a aceitar todos os meus joguinhos e caprichos, e eu gosto disso. Me deixa louco.

Sinto sua mão pressionando minha v/agina.

Instintivamente, solto um gemido.

Com sua outra mão, Austin pega a minha e a coloca sobre sua ereção. Toco por cima da calça e me derreto toda. Está duro. Incrivelmente duro. Me beija. Suga meus lábios.

- Vou girar o banco para te mostrar aos homens - diz, a poucos centímetros do meu rosto, quando se separa de mim. - Não junte as coxas e não abaixe o vestido.

Me incendeio. Me queimo. Estou ardendo de tesão.

E, quando Austin faz o que diz e eu fico de pernas abertas diante deles, uma explosão selvagem toma conta de mim e eu respiro ofegante.

Três homens me observam. Me comem com os olhos. Seus olhares sobem das minhas coxas até minha v/agina, e percebo o t/esão deles. Querem me possuir e de certo modo já fazem isso com o olhar. Desejam me tocar. De repente, me sinto sensacional e perversa e meus mamilos ficam duros como pedras, enquanto continuo com as pernas abertas,

mostrando minha intimidade àqueles homens.

Austin, que está atrás de mim, encosta sua bochecha na minha, e eu noto que ele sorri.

Começa a passar suas mãos nas minhas coxas e as afasta ainda mais. Me expõe totalmente a eles. Me enfia o dedo bem diante deles e depois o retira e o leva à minha boca. Eu o chupo e, como uma atriz p/ornô, passo a língua nos lábios, deliciando-me, enquanto observo os olhares pervertidos dos três homens. Nesse instante, Austin gira

rapidamente o banco e me olha nos olhos:

- Gosta da sensação de ser observada?

Minha cabeça diz sim. Ele faz o mesmo.

- Você gostaria que eu e um ou vários desses caras entrássemos num reservado contigo e tirássemos sua roupa? - Meu coração se acelera, e Austin continua: - Eu abriria tuas pernas e te ofereceria a eles. Te chupariam e te tocariam enquanto eu te seguraria e...

Minha********se contrai e eu faço que sim outra vez.

Fecho os olhos. Só de escutar suas palavras já estou à beira do orgasmo. Quero fazer tudo o que ele descreveu. Quero brincar com ele e fazer o que ele deseja. Estou com tanto t/esão que me sinto disposta a fazer qualquer coisa que ele quiser, porque, mais uma vez, Ross é mais forte do que minha razão.

Ele me beija enquanto sinto o olhar dos três caras nas minhas costas. Ross se diverte com isso. Enfia um dedo na minha vagina, logo dois, e começa a movê-los dentro de mim. Abro as pernas mais um pouco e me mexo, consciente de que eles me observam.

Quero mais. Me inflamo e, quando estou prestes a g/ozar, Austin para.

- Meu castigo por seu comportamento de hoje será que você não vai fazer nada do que propus. Ninguém vai te tocar. Eu não vou te comer e agora mesmo vamos voltar para o hotel. Amanhã, se você se comportar direito, talvez eu retire o castigo.

Incendiada pelo momento, só consigo parar de ofegar, enquanto a indignação vai crescendo dentro de mim.

Por que faz isso comigo?

Por que me leva a esses limites e logo depois me deixa assim?

Por que é tão cruel?

Ross abaixa meu vestido, pega uma das toalhinhas de pano que estão no balcão e seca as mãos. Iceman está de volta. Faz sinal para que eu desça do banco e me arrasta para fora do bar.

A limusine chega imediatamente e nós entramos. Fazemos todo o trajeto até o hotel sem falar nada. Austin não me dirige o olhar. Apenas olha pela janela do carro e vejo que está tenso. Acalorada e ao mesmo tempo irritada pelo que aconteceu, não sei o que pensar. Não sei o que dizer. Estive a ponto de fazer algo que nunca havia passado pela

minha cabeça e agora me sinto frustrada por não ter podido ir adiante.

Quando chegamos ao hotel, Ross me acompanha até minha suíte. Quero convidá-lo a entrar. Quero que ele faça comigo o que ficou dizendo a noite toda que faria. Preciso disso. Mas ele nem se aproxima de mim. Assim que entro no quarto, ele me olha sem ultrapassar o limite da porta e diz antes de fechá-la:

- Boa noite, Alls. Durma bem.

Fecha a porta. Vai embora e eu fico ali plantada como uma idiota, excitada, frustrada e irritada.

Quando meu despertador toca, sinto vontade de morrer.

Estou cansada. Passei a noite em claro pensando no que ocorreu naquele bar. As palavras de Austin, seu olhar e o modo como aqueles homens me desejavam - tudo isso não me deixou dormir. No fim das contas, por volta das quatro da manhã, tirei o vibrador da mala e, após brincar um pouco com ele, consegui apagar meu fogo interno.

Assim como ontem, Joey, Austin e eu saímos do hotel e o motorista nos levou até os escritórios para continuarmos a reunião. Hoje eu vim de calça. Não quero que aconteça a mesma coisa que ontem. Logo que me vê, Austin me olha de cima a baixo e, embora só tenha me dado bom-dia, pelo tom de sua voz eu percebo que ele já não está irritado.

Durante horas, enquanto escuto atenta a reunião, meu olhar e o de Austin se encontram várias vezes. Hoje ele não me manda nenhum e-mail, nem interrompe a reunião. Que alívio! Quero ser profissional no meu trabalho.

Às sete da noite, quando chegamos ao hotel, me despeço dele e de Joey e subo para meu quarto. Estou morrendo de calor. Alguém toca a campainha. Abro e não me surpreendo quando vejo Austin. Me olha com determinação. Entra e fecha a porta, tira o paletó e o joga no chão, desfaz o nó da gravata e depois me toma em seus braços e

caminha até a cama com os olhos cheios de desejo.

- Ah, pequena... Estou morrendo de t/esão por você.

Não precisa dizer mais nada. O desejo é mútuo, e a noite, longa e perfeita.

Quando acordo, às seis da manhã, Austin não está a meu lado. Foi embora, mas estou tão exausta por nossa maratona de sexo que volto a dormir.

Por volta das dez, o toque do meu celular me desperta. Corro para atender e leio uma mensagem de Austin: "Acorda."

Pulo da cama e tomo uma chuveirada. É sábado. Hoje não temos nenhuma reunião e quero passar a maior parte do tempo com ele. Quando saio do banho, enrolada na toalha, alguém toca a campainha. Abro e encontro o maravilhoso Austin de jeans com cintura baixa e uma camisa branca aberta. Sua aparência é sedutora e selvagem. Ele está absurdamente gostoso.

Uau, que delícia que ele está!

- Bom dia, pequena.

- Oi!

Olho para ele como se eu fosse uma colegial.

- Quer passar o dia comigo? - diz.

Sua pergunta me surpreende. Pela primeira vez, não está considerando nada garantido.

- Claro que quero!

- Ótimo! Vou te levar para almoçar num lugar delicioso. Põe o biquíni.

Sorrio concordando e ele entra na suíte.

- Se veste ou então meu almoço vai ser você - murmura com voz rouca.

Divertindo-me com suas palavras, corro para o quarto. Quando entro, ouço no rádio uma música que adoro, e, enquanto me visto, eu cantarolo:

Muero por tus besos, por tu ingrata sonrisa.

Por tus bellas caricias, eres tú mi alegría.

Pido que no me falles, que nunca te me vayas

Y que nunca te olvides, que soy yo quien te ama.

Que soy yo quien te espera, que soy yo quien te llora,

Que soy yo quien te anhela los minutos y horas...

Me muero por besarte, dormirme en tu boca

Me muero por decirte que el mundo se equivoca...

Quando me viro, Austin está apoiado no batente da porta, me observando.

- O que você está cantando?

- Você não conhece essa música?

- Não. Quem canta?

Termino de abotoar a calça jeans e respondo:

- Um grupo chamado La Quinta Estación. E a música se chama Me muero.

Austin se aproxima. Visto um top lilás e, sem conseguir deixar de sorrir, já imagino suas intenções. Me pega pela cintura.

- A música diz algo como "estou louco para te beijar", não?

Faço que sim como uma boba. É impressionante como fico idiota ao lado dele...

- Pois é exatamente isso que está me passando pela cabeça agora mesmo, pequena.

Me toma entre seus braços. Me enlaça e me beija. Devora meus lábios com tamanho ímpeto que já quero que tire minha roupa e continue me devorando. A música continua tocando, enquanto me beija... me beija... me beija. Mas de repente para, me solta e me dá um tapinha divertido na b/unda.

- Termine de se vestir ou eu não respondo por mim.

Dou uma risada e entro rapidamente no banheiro para prender o cabelo num rabo alto. Quando saio, Ross está apoiado no aparador e olhando para fora. Seu perfil é incrível. Sexy. Quando me vê, sorri.

- O que você faz para ficar cada dia mais linda?

Feliz com esse elogio, abro um sorriso. Ele se aproxima de mim, segura meu pescoço e me beija. Uau! Depois se afasta e me olha nos olhos.

- Vamos logo antes que eu arranque sua roupa, pequena - murmura.

Em meio a risadas, chegamos à recepção do hotel. Ele não volta a me tocar nem se aproximar de mim mais que o necessário. Um jovem recepcionista, ao nos ver, chega mais perto e entrega umas chaves a Austin. Quando se afasta, olho para o chaveiro, movida pela curiosidade.

- Lotus?

Austin faz que sim com a cabeça e indica a porta do hotel, onde vejo estacionado um maravilhoso esportivo laranja.

- Uau! Um Lotus Elise 1600!

Austin se surpreende.

- Senhorita Dawson, além de entender de futebol, a senhorita também entende de carros?

- Meu pai tem uma oficina mecânica em Jerez - respondo orgulhosa.

- Gosta desse carro?

- Mas como não iria gostar? É um Lotus! - respondo. - Você vai me deixar dirigir, né? - digo, sem me aproximar dele, apesar da vontade que sinto.

Sem sorrir, Austin me olha... me olha... me olha e, por fim, joga as chaves para o alto e eu pego.

- Todo seu, pequena.

Quero me atirar no seu pescoço e beijá-lo, mas me controlo. Ao fundo, vejo Joey nos olhando com curiosidade e não quero que ela saiba de nada, embora eu tenha consciência de que ela já está tirando suas próprias conclusões. Que se dane! Sua cara diz tudo, e dá para sacar que ela está muito... muito irritada.

Austin- e eu atravessamos a porta do hotel e, assim que entramos no carro e eu arranco, ligo o rádio. A música Kiss, do Prince, está tocando e eu movimento os ombros empolgada. Ross olha para mim e, brincando, faz cara de contrariado. Divertindo-me, sorrio por sua expressão e, antes que ele diga qualquer coisa, coloco meus óculos escuros.

- Manda ver, menina.

O dia tem tudo para ser maravilhoso. Estou dirigindo um Lotus incrível ao lado de um homem mais incrível ainda. Quando saímos de Barcelona em direção a Tarragona, me desvio por uma estradinha. Austin não olha

.

- Não sei se você sabe, mas já passei muitos verões em Barcelona - digo.

- Não. Não sabia.

Sinto a adrenalina no auge enquanto dirijo.

- Vou te levar num lugar onde você vai poder experimentar esta maravilha. Você vai ver. Vai enlouquecer!

Com sua seriedade habitual, Austin olha para mim e diz:

- Ally... essa estrada não é para um carro como esse.

- Fica quietinho.

- O pneu vai furar, Ally.

- Cala a boca, seu estraga-prazeres!

Minha adrenalina vai a mil.

Continuo e vamos passando por várias poças d'água. O carro brilhante se enche de lama e Austin me olha. Eu cantarolo e finjo que nem estou reparando. Sigo meu caminho, mas, de repente, ah, ah...! O carro faz um movimento estranho e sinto que o pneu furou.

A adrenalina, a alegria e o bom humor se apagam em décimos de segundos e penso num palavrão. Com certeza ele vai dizer que me avisou e terei que concordar e ficar quieta. Reduzo a velocidade e, quando paro, mordo o lábio e olho para ele com cara séria:

- Acho que o pneu furou.

Ele me encara com uma expressão irritada. Já percebi que Austin não gosta de imprevistos. Estamos no meio da estrada, ao meio-dia, com o sol a pino. Sem dizer nada, sai do carro e bate a porta com força. Eu saio também. Finjo ignorar seu gesto brusco com a porta. O carro está imundo e cheio de lama. Nada a ver com o lindo e reluzente

carro que comecei a dirigir há apenas quarenta minutos. O pneu furado é bem o da frente e do lado do motorista. Austin fecha os olhos e suspira fundo.

- Ok, o pneu furou. Mas tudo bem. Não vamos entrar em pânico. Se o estepe está onde deve estar, eu troco rapidinho.

Não responde. Mal-humorado, anda até a traseira do carro, abre o porta-malas e vejo que tira um pneu e as ferramentas necessárias para trocá-lo. Irritado, se aproxima de mim, solta a roda no chão e me diz com as mãos sujas de graxa:

- Você pode sair da frente?

Suas palavras me deixam furiosa. Não apenas pelo tom, mas pelo que dão a entender.

- Não - respondo sem me mover um centímetro -, não posso sair da frente.

Minha resposta o surpreende.

-Ally- diz -, você acabou de estragar um dia lindo. Não o estrague mais ainda.

Ele tem razão. Cismei de entrar por aquele caminho, mas não gosto que ele fale desse jeito comigo.

- É você quem está estragando o dia lindo com sua falta de educação e sua cara emburrada - respondo, incapaz de ficar de boca fechada. - Porra! O pneu furou. Só isso. Não seja tão exagerado.

- Exagerado?!

- Sim, terrivelmente exagerado. E agora, por favor, saia da frente que eu mesma vou trocar esse pneu sozinha e apagar meu erro terrível e irreparável.

Austin está suando. Eu também. O sol não nos dá descanso e não trouxemos nem uma mísera garrafa de água para nos refrescarmos. Vejo a aflição em seu rosto, em seu olhar.

- Tudo bem, espertinha - ele diz, abrindo as mãos. - Agora você vai trocar o pneu sozinha.

Em seguida começa a andar até uma árvore que está a uns dez metros do carro.

Quando chega à sombra, senta e me observa.

A fúria me domina por dentro e começa a pinicar meu pescoço. Maldita urticária! Sem parar para pensar nisso, ponho o macaco por baixo do carro e começo a fazer força para erguê-lo. O esforço me faz suar mais ainda. Estou ensopada de suor. Meus seios e minhas costas estão encharcados, minha franja gruda na testa, mas eu continuo determinada, sem dar o braço a torcer.

Sou forte e autossuficiente!

Após um esforço terrível em que sinto que vou desmaiar, consigo retirar o pneu furado.

Me sujo toda de graxa, mas não há o que fazer. Quando estou prestes a gritar de frustração, sinto Austin me agarrando pela cintura.

- Tá bom, você já provou que sabe fazer isso sozinha - diz com voz suave. - Agora, por favor, fica na sombra e eu termino de pôr a roda.

Quero dizer não. Mas estou com tanto... tanto calor que das duas uma: ou eu fico debaixo da árvore ou com certeza vou desmaiar.

Dez minutos depois, Austin liga o carro, dá uma volta e se aproxima de mim de marcha a ré.

- Vamos... suba.

Irritada, faço o que me pede.

Estou suja, furiosa e morrendo de sede. Ele está igual, mas reconheço que seu humor está melhor que o meu.

Dirige com cuidado pela droga de caminho e pega a autoestrada.

Quando avista um enorme posto de gasolina, para o carro, olha na minha direção e pergunta:

- Quer beber alguma coisa bem gelada?

- Não... - Ao ver como me olha, acrescento: - Claro que quero beber alguma coisa. Estou morrendo de sede, você não está vendo?

- Posso saber o que te deu agora?

- O que me deu é que você é um rabugento. É isso que me deu.

- O quê?! - pergunta, surpreso.

- Sério, você acha que, só porque um pneu furou e você sujou sua roupa de graxa, o dia lindo foi por água abaixo? Por favor! Como é pequeno seu senso de humor e de aventura... Só podia ser alemão.

Faz menção de responder algo, mas se cala. Respira bufando, sai do carro e entra no posto de gasolina. Então vejo a meu lado um lava-jato manual e não penso duas vezes.

Arranco com o carro, ponho o veículo em paralelo, enfio três euros na maquininha e a mangueira da água começa a funcionar. A primeira coisa que faço é molhar minhas mãos e tirar a graxa toda. E o calor é tão forte que solto o cabelo e, sem me importar com quem possa estar vendo, coloco a cabeça embaixo do jato de água. Ai, que geladinho!

Uma delícia!

Quando minha cabeça já está refrescada, recupero o bom humor. Austin sai da loja de conveniência do posto com duas garrafas grandes de água e uma Coca-Cola, e vem até mim, surpreso.

- O que você está fazendo?

- Me refrescando e, de quebra,aproveitei para lavar o carro. - E, sem avisar, viro a mangueira na direção dele e o molho, morrendo de rir.

Sua expressão é impagável.

As pessoas nos olham e eu já começo a me arrepender do que estou fazendo. Meu Deus, que cara irritada! Essa minha espontaneidade vai me trazer problemas, e estou vendo que não vai demorar muito. Mas, para minha surpresa, Austin põe as garrafas de água e a Coca-Cola no chão.

- Tudo bem, gatinha, você pediu!

Corre na minha direção, me rouba a mangueira e me encharca inteira. Eu grito, rio e corro em volta do carro enquanto ele se diverte com o que está fazendo. Por alguns minutos nos molhamos um ao outro, e nossa raiva se desfaz junto com a lama e a sujeira. As pessoas nos olham achando graça da cena, enquanto nós, como duas crianças, continuamos nos molhando e caindo na gargalhada.

Quando a água para de repente porque os três euros já acabaram, estou ensopada e apoiada na porta do carro. Austin solta a mangueira e se gruda no meu corpo antes de me beijar. Devora minha boca com verdadeira paixão e me deixa arrepiada.

- Alguém tão imprevisível como você está conseguindo emocionar um alemão rabugento.

- Jura? - murmuro como uma boba.

Austin faz que sim e me beija.

- Onde você esteve a minha vida toda?

Grande momento!

Cena de filme! Me sinto a heroína. Sou Julia Roberts em Uma linda mulher. Babi em Tres metros sobre el cielo . Nunca ninguém me disse algo tão bonito num momento tão perfeito.

Após um monte de beijos ardentes, decidimos ir embora.


Notas Finais


Próximo capítulo apenas um 7 comentários.
Perdoem se o capítulo estiver fora de ordem pois eu ainda não editei ❤


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