História Peculiar history - Capítulo 10


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Categorias O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Personagens Enoch O'Connor, Personagens Originais
Tags Enoch O'connor, Peculiar, Romance
Visualizações 41
Palavras 2.106
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Pansexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capitulo 5


Eu tentei convence-los de qualquer jeito, mas eles sempre vinham com uma desculpa, primeiro disseram que nós precisávamos ir passar o verão com o tio Bobby, para aprender sobe os negócios da família, e nenhum dos dois queriam ir pra lá também, e nós não podíamos ir sozinhos. Os únicos argumentos que pareciam saudáveis a favor da viagem foram coisas como “nós queremos conhecer melhor a história da família”, o nunca convincente “Chad Kramer e Josh Bell vão para a Europa este verão, por que eu não posso ir?” e o “mas vocês não me deram presente de aniversário ano passado, e eu fiz 18 anos”, mas basicamente parecia que não ia rolar.

Quando eu já estava desistindo tudo começou a acontecer á nosso favor, primeiro tio Bobby disse que estava com medo que Jake tivesse algum surto psicótico e eu disse que não iria pra lá sem ele, depois papai descobriu que Cairnholm era um santuário de aves superimportante e que metade da população de certo pássaro que o deixa com tesão ornitológico (pessoas que estudam pássaros) total vive lá. Ele começou a falar muito desse hipotético livro novo sobre aves, e sempre que o assunto surgia nós fazíamos o máximo para encorajá-lo e demonstrar interesse. Mas o principal fator que nos ajudou foi dr. Golan, que disse que essa viajem ia fazer bem pro Jake, pois segundo ele, -- Isso pode ser importante — disse ele para minha mãe, certa tarde após uma sessão. — É um lugar que foi tão mitificado pelo avô que uma visita só pode servir para desmitificá-lo. Ele vai ver que é apenas uma ilha normal e sem magia como qualquer outro lugar, e as fantasias de seu avô, por consequência, vão perder força. Pode ser um modo bastante eficaz de combater fantasia com realidade. – Muito obrigada Dr.

Depois daquilo, as peças se encaixaram com velocidade impressionante. As passagens de avião foram compradas, os horários marcados e todos os preparativos feitos. Meu pai, eu e Jake iríamos passar três semanas na ilha em junho. Provavelmente seria tempo demais, mas meu pai alegou que precisava de pelo menos esse período para fazer um estudo das colônias de aves do lugar. Achei que mamãe fosse fazer objeções, mas, quanto mais nossa viagem se aproximava, mais animada ela parecia.

Achei esse entusiasmo um tanto tocante, na verdade — até a tarde em que a escutei conversando pelo telefone com uma amiga, confessando o quanto estava aliviada por “ter sua vida de volta” por três semanas e não ter “duas crianças necessitadas com quem se preocupar”.

Durante a janela de três semanas entre o fim das aulas do meu irmão e o início de nossa viagem, ele fez o possível para descobrir se a srta. Alma LeFay Peregrine ainda residia no mundo dos vivos, mas as buscas na internet não deram em nada. Porque, bom, não existia internet na fenda, e a ilha tinha apenas um telefone, que era de um bar. Jake uma vez ligou para lá, mas só se decepcionou, pois, a ligação era péssima e ele não conseguiu descobrir nada.

...

Finalmente o dia chegou e quando menos percebi já estava na balsa chegando na ilha, a neblina se fechou em torno de nós quando o capitão anunciou que estávamos quase chegando, no início achei que ele estivesse de brincadeira. Tudo o que eu conseguia ver do convés, que não parava de se mexer, era uma infinita cortina cinzenta. Jake estava quase vomitando na agua e papai estava tremendo de frio ao meu lado.

Estava mais frio e úmido do que jamais imaginei que junho pudesse ser. Eu esperava, pelo meu bem e pelo dele, que as 36 horas de sofrimento enfrentadas bravamente por nós para chegar até ali — três aviões, duas conexões, cochilos em estações de trem imundas e agora essa viagem de balsa — valessem a pena. Então meu pai exclamou:

— Veja! — E eu vi uma enorme montanha rochosa emergir da tela em branco à nossa frente. Finalmente consegui chegar na ilha, estava muito animada com isso. Agigantando-se cinzenta, envolta pela névoa, guardada por um milhão de pássaros que não paravam de piar, ela parecia uma fortaleza antiga construída por gigantes. Enquanto eu erguia os olhos para seus penhascos escarpados, cujos cumes desapareciam em um recife de nuvens fantasmagóricas, a ideia de que esse era um lugar mágico não parecia tão ridícula. Agora, só falta achar a fenda!

Meu pai saiu correndo pela balsa como uma criança no Natal, os olhos colados nos pássaros que voavam em círculos acima de nós.

 — Olhem só! — Gritou, apontando para um bando de pontos voadores. — Pardelas!

 — Que legal, pai! – Jake disse em um tom sarcástico, que meu pai nem pareceu notar.

Conforme nos aproximávamos dos penhascos, comecei a notar formas estranhas escondidas sob a água. Um tripulante que passava me viu debruçada sobre a grade para observá-las e disse:

— Nunca viu um naufrágio antes, hein?

Eu me virei para ele. — Sério?

— Toda esta ilha é um cemitério de navios — respondeu ele. — É como os velhos capitães costumavam dizer: “Da ponta de Twixt Hartland à baía de Cairnholm é um cemitério de marujos, seja de dia, seja de noite! ”

Nesse instante passamos por um navio naufragado tão próximo da superfície que a silhueta de sua carcaça esverdeada era tão nítida que parecia prestes a se erguer da água. — Viu aquele? — Perguntou enquanto apontava para o navio. — Foi afundado por um submarino, foi sim.

— Havia submarinos por aqui? — Aos montes. Todo o mar da Irlanda estava infestado de submarinos alemães. Aposto que você teria metade de uma marinha nas mãos se pudesse tirar do fundo do mar todos os navios que eles torpedearam. — Ele ergueu uma sobrancelha para mim de modo teatral, depois se afastou, rindo.

Contornamos um cabo e entramos em uma baía rochosa em forma de meia-lua. Avistei a cidade, ela parecia uma colcha de retalhos de campos pontilhados de carneiros que se espalhavam pelas colinas que se elevavam ao longe até se juntar a uma serra alta, onde uma parede de nuvens parecia formar um parapeito de algodão. Era dramático e belo, diferente de qualquer outro lugar que eu já tinha visto. Senti um pouco da emoção enquanto o barco entrava na baía, finalmente meu sonho se realizando.

A balsa atracou, pegamos nossa bagagem e desembarcamos na cidadezinha. Como Cairnholm era muito distante e sem importância para justificar o custo de levar cabos de energia do continente, geradores a diesel zumbiam em cada esquina, harmonizando-se com o ronco dos tratores, os únicos veículos da ilha.

Arrastamos nossas coisas pela cidade em busca de um lugar chamado Arco do Padre, onde meu pai havia reservado um quarto. Eu achei que fosse alguma casa antiga transformada em pensão, apenas um lugar pra dormir, na verdade eu não estava preocupada em dormir, só queria a fenda.

Nos perdemos um pouco, e depois de muito tempo andando chegamos em uma igreja, onde achamos que era o lugar certo, mas na verdade ela tinha sido convertida em um museu, onde encontramos um curador provavelmente de meio período em um aposento cheio de redes de pesca e lâminas de tosquiar carneiros penduradas nas paredes. O rosto dele se iluminou quando nos viu, depois tornou a se fechar quando se deu conta de que estávamos apenas perdidos.

— Imagino que estejam procurando o Buraco do Padre — disse ele. — São os únicos quartos para alugar na ilha.

Ele começou a nos explicar o caminho com um sotaque cantado, que achei tremendamente fofo. Adorava ouvir os galeses falarem, mesmo que metade do que diziam fosse incompreensível. Meu pai o agradeceu e virou-se para ir embora, mas o homem mostrara-se tão prestativo que Jake pensou em outra pergunta para fazer a ele — onde ficava o velho orfanato? – Foi uma ótima pergunta por sinal, eu estava tão animada com tudo isso que nem tinha parado pra pensar nisso, eu não sabia onde ficava (vovô nunca nos disse), como iria encontrar a fenda se nem sabia onde ficava o orfanato.

— O velho o quê? — Disse ele, nos olhando de um jeito esquisito. — Um lar para crianças refugiadas? — Explicou melhor. — Durante a guerra? Uma casa grande?

O homem mordeu os lábios e olhou desconfiado, como se estivesse decidindo se deveria ajudar ou lavar as mãos para tudo aquilo. Mas ele ficou com pena e respondeu. — Não sei nada sobre refugiados — disse ele. — Mas acho que conheço esse lugar de que você está falando. Fica longe, lá do outro lado da ilha, depois da charneca pantanosa e da mata, mas eu não pensaria em perambular por lá sozinho se fosse você. Afaste-se demais da trilha e nunca mais vão ouvir falar de você. Não tem nada além de mato, lama e bosta de carneiro para impedi-lo de cair de um precipício sobre rochas pontiagudas.

— É bom saber disso — disse meu pai, nos olhando — Prometa que não vão lá sozinhos.

— Está bem, está bem. – Prometemos.

— Mas por que você está interessado nisso? — Perguntou o homem. — Não é exatamente um ponto turístico.

— Apenas um projeto de genealogia — disse meu pai, hesitando perto da porta. — Meu pai passou alguns anos lá quando criança. — Sabia que ele estava se esforçando para evitar qualquer menção a psiquiatras ou avós mortos, e ele tornou a agradecer ao homem e rapidamente nos conduziu porta afora.

Seguindo as indicações do cara, refizemos nossos passos até chegarmos a uma estátua em pedra negra de aspecto assustador, um memorial chamado Mulher à Espera, em homenagem aos moradores da ilha perdidos no mar. A estátua tinha uma expressão patética, ali parada com os braços estendidos na direção da enseada, a muitas quadras de distância, mas também na direção do Buraco do Padre, que era logo do outro lado da rua. Soube que o lugar não era nenhuma casa ou algo do tipo apenas olhando para o letreiro marcado pelo tempo do Buraco do Padre. Na fachada, lia-se em letras gigantes: VINHOS, CERVEJAS E AGUARDENTES. Abaixo disso, em letras mais modernas, Boa comida. Na parte de baixo, escrito à mão, sem dúvida posteriormente: Quartos para alugar, apesar de o “s” ter desaparecido, deixando apenas um único Quarto.

O lugar era um pub de teto baixo, tinha janelas pequenas e chumbadas que permitiam a entrada de luz suficiente apenas para encontrar a cerveja sem tropeçar nas mesas e cadeiras no caminho. As próprias mesas, gastas e bambas, aparentemente serviriam mais como lenha. O bar não estava tão cheio, tinha apenas alguns homens em estados variados de intoxicação silenciosa, de cabeça baixa como se rezassem diante de copinhos com um líquido estranho.

— Vocês vieram por causa do quarto — disse um homem saindo de trás do bar para nos apertar a mão. — Eu sou Kev, e essa é a nossa turma. Digam olá, turma.

— Olá — eles murmuraram, acenando com suas bebidas.

Seguimos Kev por uma escadinha estreita até um grupo de quartos que podiam, com caridade, ser descritos como simples. Havia dois quartos, o maior dos quais ficou com meu pai; um terceiro aposento funcionava como cozinha, sala de jantar e de estar, o que significava ter uma mesa, um sofá roído por traças e um fogão elétrico. O banheiro funcionava “a maior parte do tempo”, segundo Kev. — Mas, se ele ficar estranho, sempre há o Velho Fiel. — E ele desviou nossa atenção para um banheiro químico no beco dos fundos, convenientemente visível da janela do meu quarto.

— Ah, e vocês vão precisar disto — disse ele, pegando dois lampiões a querosene em um armário. — Os geradores param de funcionar às dez, pois é muito caro trazer combustível até aqui, então ou você dorme cedo, ou aprende a gostar de velas e querosene! — Ele sorriu. — Espero que não seja medieval demais para vocês.

Garantimos a Kev que estava tudo bem com banheiros externos e querosene, e em seguida ele nos levou lá para baixo, para a última parte de nosso tour. — Vocês são bem-vindos para fazer as refeições aqui — disse ele. — E imagino que vão fazer, pois não há outro lugar para comer. Se precisar telefonar, temos uma cabine telefônica ali no canto. Algumas vezes tem um pouco de fila, já que quase não temos sinal de celular aqui, e você está olhando para o único telefone fixo da ilha. Está bem, temos tudo... a única comida, a única cama, o único telefone! — E ele se inclinou para trás e riu, uma gargalhada longa e ruidosa.

Kev deu as chaves dos nossos quartos para meu pai. — Qualquer pergunta — disse —, vocês sabem onde me encontrar.

Exaustos e sofrendo com a diferença de fuso horário, fomos dormir cedo. Custei a dormir, pois estava tão animada com o dia seguinte que meu cérebro apenas não conseguia desligar.



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