História Peculiar history - Capítulo 12


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Categorias O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Personagens Enoch O'Connor, Personagens Originais
Tags Enoch O'connor, Peculiar, Romance
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Palavras 2.524
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Pansexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 12 - Capitulo 6


No outro dia acordei cedo, Jake ainda dormia, mas papai já estava descendo para tomar café da manhã. O acompanhei até o cômodo em lá em baixo, e peguei um pouco de café. Fiquei conversando com meu pai enquanto ele bebia café e limpava seus binóculos caros. Ele parecia bem animado. Até que Jake acordou e nos encontrou tomando café. Logo depois Kev apareceu com três pratos que continham uma carne duvidosa e torradas fritas (eu nem sabia que era possível fritar torradas), mas elas eram realmente boas. Terminamos o café e fomos com papai até a praia para ver as aves.

O dia estava do jeito que eu gosto, nublado e frio. O sol se escondia atrás de massas gigantescas de nuvens apenas para ressurgir momentos mais tarde e colorir as colinas com raios de luz espetaculares, e eu me sentia energizada e esperançosa.

Observei os olhos de meu pai se arregalarem quando ele viu as aves. — Fascinante! — Murmurou ele, arranhando um pedaço de cocô petrificado com a ponta de sua caneta. — Vou precisar de algum tempo aqui, tudo bem?

Eu já vira aquela expressão em seu rosto antes e sabia exatamente o que “algum tempo” significava: horas.

 — Então nós vamos achar a casa sem voê — disse eu.

— Não, sozinho não. Você prometeu.

— Vou procurar alguém que possa me levar.

— Quem?

— Kev deve conhecer alguém.-- Meu pai olhou para o mar, onde um grande farol erguia-se sobre um monte de rochas empilhadas não muito longe da costa.

— Você sabe qual seria a resposta se sua mãe estivesse aqui — disse ele. Meus pais tinham teorias diferentes sobre a quantidade de proteção paterna necessária para mim. Mamãe era mais severa, sempre no controle, mas meu pai era mais relaxado. Ele achava importante que eu cometesse meus próprios erros de vez em quando. Além disso, se nos deixasse ir, estaria livre para brincar com as aves o dia inteiro.

— Está bem — disse ele. — Mas não se esqueça de deixar no pub o número do telefone de quem quer que vá com você.

— Pai, ninguém aqui tem telefone. Ele deu um suspiro. — Está bem, desde que seja de confiança.

Quando chegamos ao pub Kev tinha saído para resolver alguma coisa, e chamar um de seus fregueses bêbados para nos acompanhar era uma péssima ideia, fomos até o estabelecimento seguinte fazer minha pergunta a alguém que, pelo menos, tivesse um emprego remunerado. Na porta, estava escrito PEIXEIRO, que era um gigante barbado com um avental sujo de sangue que dava medo em qualquer um. O gigante parou de decapitar peixes e nos olhou, com o cutelo na mão.

— Mas pra quê? — rosnou o peixeiro quando Jake disse onde queríamos ir. — Lá não tem nada além de pântanos e um tempo maluco. Ele explicou sobre nosso avô e o orfanato. Ele virou-se para observar um garoto mais ou menos da idade do jake que estava arrumando peixes numa gaveta do freezer, depois debruçou sobre o balcão para lançar um olhar desconfiado para nossos sapatos.

— Acho que Dylan não está muito ocupado e pode levá-los até lá — disse ele. — Mas vocês vão precisar de sapatos apropriados. Não é legal ir de tênis, eles vão ser sugados em um segundo pela lama.

— Sério? — disse eu. — Tem certeza?

— Dylan, pegue dois pares botas de borracha para esses dois aqui!

O garoto resmungou e fez uma cena para fechar lentamente o freezer e limpar as mãos antes de se arrastar até uma parede de prateleiras cheias de produtos. — Por acaso temos boas botas assim em oferta — disse o peixeiro. — Compre uma e leve a outra grátis! — Ele soltou uma gargalhada e bateu com o cutelo num salmão. A cabeça do peixe voou do balcão sujo de sangue para aterrissar perfeitamente num pequeno balde de guilhotina. Pesquei do bolso o dinheiro para emergências que meu pai tinha me dado, pensando que uma pequena extorsão era um preço baixo a pagar para encontrar o homem que eu cruzara o Atlântico para conhecer. Saímos da loja atrás de Dylan calçando um par de botas de borracha tão grandes que meus tênis cabiam dentro delas, e tão pesadas que era difícil acompanhar o ritmo de meu guia mal-humorado.

— Você estuda aqui na ilha? — perguntei a ele, apressando-me para alcançá-lo. Ele murmurou o nome de uma cidade no continente.

— Quanto tempo: uma hora para ir e outra para voltar, de balsa? — É.

E foi tudo. Ele respondeu a outras tentativas de conversa com menos entusiasmo ainda, então finalmente desisti e apenas o segui. Saindo da cidade, encontramo-nos com um amigo dele, um garoto mais velho, parecia ser mais velho que eu, que vestia um agasalho esportivo amarelo-berrante e correntes de ouro falso no pescoço — uma figura que não pareceria mais deslocada em Cairnholm nem se estivesse vestida de astronauta. Ele cumprimentou Dylan batendo seu punho no dele e se apresentou como Verme.

— Verme? — disse eu, sentindo que isso exigia mais perguntas.

— É o nome artístico dele gata — explicou Dylan. — Somos a dupla de rap mais sinistra do País de Gales — disse Verme. — Sou o MC Verme e esse é o Esturjão Cirurgião, vulgo MC Dirty Dylan, vulgo MC Dirty Business, o melhor human beat-box de Cairnholm. Quer mostrar a esses americanos como a gente manda bem, Dylan? -- Dylan pareceu sem graça.

— Agora? Acho que a garota aqui não curte rap – Pode fazer seu rap ai a vontade, na verdade eu até gosto – respondi.

— Manda ver uma batida pesada, irmão! -- Dylan revirou os olhos, mas fez o que lhe foi pedido. No início achei que ele estivesse engasgando com a própria língua, mas havia um ritmo em seus pigarros balbuciados, sobre o qual Verme começou a cantar rap.

— O Buraco do Padre é um lugar imundo/ Seu pai vai sempre lá porque é um vagabundo/ A minha rima é boa porque sou muito sinistro/ E o ritmo do Dylan é coisa de ministro! -- Dylan parou.

— Isso não faz o menor sentido. E vagabundo é o seu pai. — Ah, merda, Dirty Dylan, deixa o ritmo rolar! — Verme começou a fazer ele mesmo o beat-box e uma até razoável dança de robô, deixando marcas de tênis no cascalho. Segurei para não rir daquela deprimente cena.

— Pega o microfone, D! -- Dylan parecia envergonhado, mas mesmo assim começou a marcar o ritmo. — Conheci a Sharon, uma mina de primeira/ Gostava da minha roupa, ela achava bem maneira/ Dei bom-dia a ela, como o doutor Who/ Quando fiz esta rima, eu vi um urubu. -- Verme sacudiu a cabeça. — Um urubu? — Eu não estava preparado. Eles se viraram para mim e perguntaram o que eu tinha achado. Levando em conta que nem mesmo eles tinham gostado do rap um do outro, eu não tinha certeza do que dizer.

— Acho que eu prefiro outro estilo de rap, foi mal. – respondi. Verme fez um aceno de mão desdenhoso. — Ela não saberia diferenciar uma boa rima nem que ela a acertasse no meio da cara— resmungou ele. Dylan gargalhou e trocaram uma série de complexos apertos-de-mão-acenos-toques de vários estágios.

— Podemos ir agora? — Jake perguntou.

Depois de um tempo encarando descaradamente meus peitos continuamos nosso caminho acompanhados de Verme, que  de tempos em tempos parava pra olhar minha bunda. Isso já estava começando a me irritar quando a trilha começou a ficar plana e vimos que eles pararam para nos esperar.

— Ô americano! — Dylan chamou Jake. — Por aqui!

Seguimos eles. Deixamos a trilha e prosseguimos por entre um capinzal enlameado, onde ovelhas nos encaravam. De repente, surgiu uma casinha no meio da névoa. Estava com todas as janelas e portas fechadas com tábuas.

— Vocês têm certeza de que é essa? — perguntei. Não tinha ideia de como era, já que vovô não tinha nenhuma foto do lugar — Parece tão vazia.

— Vazia? De jeito nenhum, tem um monte de merda lá dentro — retrucou Verme.

— Vá lá garoto — disse Dylan. — Dá uma olhada.

Eu tinha a sensação de que era alguma armação, mas jake foi mesmo assim, foi até a porta e bateu. Estava destrancada e se abriu um pouquinho quando ele a tocou. Estava escuro demais para ver o que havia lá dentro, então ele deu um passo à frente e, para surpresa dele, caiu , no que parecia um chão de terra, mas que, logo percebi, era na verdade um oceano de excremento que batia na altura das canelas. Aquela casa desabitada, tão inocente quando vista de fora, era na verdade um estábulo de ovelhas improvisado. Quase literalmente um monte de merda.

— Ah, meu Deus! — ele gritou com nojo. As gargalhadas explodiram do lado de fora. Jake voltou pela porta antes que o fedor me fizesse desmaiar e encontrei os garotos se dobrando de tanto rir.

— Vocês são uns babacas — disse eu.

— Por quê gata? — perguntou Verme. — Dissemos que tinha um monte de merda lá!

Encarei Dylan com firmeza. — Você vai nos mostrar a casa ou não?

— Ela está falando sério — disse Verme, enxugando as lágrimas.

— É claro que estou falando sério!

O sorriso de Dylan se apagou. — Achei que vocês estivessem zoando. — O quê?

— Brincando com a gente.

— Bem, não estávamos.

Os garotos trocaram um olhar desconfortável. Dylan sussurrou algo para Verme. Verme sussurrou algo em resposta. Por fim Dylan se virou e apontou para a trilha. — Se quer mesmo ir lá ver — disse ele —, sigam em frente, atravesse a charneca e a mata. É um lugar grande e velho. Você não tem como errar. Boa sorte gata.

— Mas era para vocês irem até lá!

Verme desviou o olhar e disse: — A gente só vai até aqui.

— Por quê?

— Porque sim — disse Dylan. E eles se viraram e começaram a voltar pelo caminho por onde viemos, rapidamente desaparecendo na neblina. Avaliamos nossas opções. Podíamos colocar o rabo entre as pernas, seguir aqueles dois caras que tinham nos atormentado e voltar para a cidade derrotados, ou ir em frente por conta própria e mentir para nosso pai sobre isso. Não era uma escolha lá muito difícil. Eu esperei tempo demais para desistir tão perto.

A trilha pantanosa se estendia nevoeiro adentro e dos dois lados da trilha tinha apenas capim amarronzado e lama. Completamente plana, com a exceção de pilhas de pedras que surgiam de vez em quando. Terminava de repente em uma floresta de árvores com galhos que se erguiam como as cerdas molhadas de pincéis, e por algum tempo a trilha perdeu-se tanto em meio a troncos caídos que segui-la foi uma questão de fé. Passei por cima de um tronco gigantesco e escorregadio por causa do musgo, e a trilha fez uma curva acentuada. De repente, as árvores se afastaram quase como uma cortina e lá estava ela, envolta na neblina, assomando no alto de uma colina coberta de hera. Compreendi no ato por que os garotos tinham se recusado a vir.

A casa estava devastada, árvores saíam de janelas quebradas e raízes de trepadeiras escabrosas corroíam as paredes, era como se a própria natureza tivesse declarado guerra contra o lugar, mas a casa parecia impossível de exterminar, mantendo-se de pé resolutamente, apesar da incorreção de seus ângulos e dos recortes irregulares de céu visíveis através departes do telhado desmoronado. Achamos a casa, agora só falta achar onde fica a bendita fenda, que ninguém nunca me contara.

Jake pareceu decepcionado com que viu, pois nas histórias que o vovô contava a casa era um lugar claro e feliz, grande e bagunçado, sim, mas cheio de luz e risos. O que havia diante de mim não era um refúgio de monstros, mas o próprio monstro, Jake ainda por um instante estava convencido que alguém ainda poderia morar lá, mas eu sabia que era impossível, já que dês do bombardeio de 3 de setembro eles moravam na fenda, que poderia estar em qualquer lugar dessa bagunça.

Reunimos toda a escassa coragem que tínhamos e avançamos com dificuldade em meio ao mato pela altura da cintura até a varanda, onde havia apenas lajotas quebradas e madeira podre, e lá meu irmão espiou por uma janela rachada em forma de teia. Então ele quis bater à porta, e dei um passo para trás, a fim de aguardar em meio a um silêncio assustador alguém atender a porta (coisa que não ia acontecer, mas ele não deixou eu entrar na casa antes disso).

Saímos para o quintal, pois a porta não ia abrir, e demos a volta na casa em busca de outra entrada. Tentava avaliar o tamanho do lugar, mas ele parecia não ter limites, como se de cada canto da casa em que eu virasse brotassem novas sacadas, pequenas torres e chaminés, eu não tinha ideia de por onde começar, eu nunca tinha nem visto uma fenda para saber como ela é, ou como entra em uma, estava apavorada. Então chegamos aos fundos e Jake viu uma oportunidade, uma soleira sem porta, coberta de trepadeiras, profunda e negra. Só de olhar para ela minha pele se arrepiou. Precisava fazer força até para manter meus pés parados ali. Mas eu não tinha vindo do outro lado do mundo para sair correndo e gritando ao ver uma casa assustadora. Subimos os degraus, cruzamos a porta e entramos na escuridão.

Assim que entrei, parei em um aposento escuro como uma tumba e encarei paralisada o que para todos os efeitos pareciam ser peles penduradas em ganchos, mas após um momento delicado, no qual imaginei um canibal louco saltando das trevas com uma faca, decidido a juntar meu couro macio à sua coleção, Jake me tranquilizou mostrando que eram apenas casacos, trapos apodrecidos e esverdeados pelo tempo. Suspirei aliviada. Tinha explorado só dois metros da casa e já estava quase tendo um ataque de pânico, Jake estava morrendo de medo também, mas ele estava segurando a onda para me tranquilizar. Segura a onda, disse para mim mesmo. Respirei fundo e fomos em frente, o coração batendo forte.

Restava mais a explorar, mas de repente aquilo me pareceu perda de tempo. Era impossível que havia alguma coisa lá que possa me levar ao homem que eu procurava. Deixei a casa sentindo que estava mais longe que nunca.

...

Voltamos arrasados ao pub onde nosso pai nos esperava com uma cerveja preta como a noite e o laptop aberto na mesa à sua frente. Eu me sentei e peguei sua cerveja antes que ele tivesse a oportunidade de tirar os olhos do que estava digitando.

— Ai, meu Deus! — reclamei, engolindo um gole grande. — O que é isso, óleo de motor fermentado?

— Quase — disse ele, rindo, e a tomou de volta. — Não é igual às cervejas americanas.

Jake e papai ficaram conversando e eu fui para o quarto tomar um banho, pois estava fedendo e cheia de lama da trilha. Quando desci para jantar não encontrei Jake

-- Pai, cade o Jake? Eu só subi pra tomar um banho e ele já me trocou por aqueles caras que nos levaram pra casa? – Perguntei intrigada e sendo irônica.

-- Ele saiu, acho que precisava organizar os pensamentos sobre as coisas que aconteceram hoje – respondeu ele bebendo o óleo de motor – senta que a comida já ta chegando, e acho que eles devem ter alguma coisa melhor que essa cerveja aqui pra você.



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