História Peculiar history - Capítulo 13


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Categorias O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Personagens Enoch O'Connor, Personagens Originais
Tags Enoch O'connor, Peculiar, Romance
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Palavras 2.673
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Pansexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 13 - Capitulo 7


Umas duas horas depois Jake voltou e nos encontrou na mesma mesa de antes. Meu pai ainda estava com metade da carne no prato e focado em se notebook, eu já tinha acabado a comida e estava em meu terceiro copo de whisky. Jake chegou e nos contou o que ele havia descoberto sobre o vovô no museu com um tal de Oggie, tio do curador de lá (chamado Matin).

Jake contou tudo sobre o bombardeio, contou que estavam todos mortos, e que Oggie sabia sobre as crianças, ele mergulhou em uma longa descrição de como o velho disse que era a vida na ilha sob a ameaça de ataques aéreos alemães: o grito das sirenes; as pessoas correndo de repente em busca de abrigo; o fiscal de ataques aéreos que ia de casa em casa à noite para garantir que as venezianas estivessem fechadas e as luzes das ruas, apagadas, e assim eliminar alvos fáceis para os pilotos. E de como isso se tornou rotina, mas, após meses de aviões passando por ali rumo a alvos no continente, os moradores da ilha começaram a achar que estavam imunes. E então foram atingidos. Ele disse que isso aconteceu em 3 de setembro de 1940. Essa foi a data que a fenda foi criada, pois ao contrário disso, todos estariam realmente mortos.

— Não acredito que ele nunca tenha mencionado isso — disse meu pai finalmente. — Nem uma vez.

Podia entender a raiva dele. Uma coisa era um avô omitir algo assim de um neto, outra bem diferente era um pai escondê-la do filho, e por tanto tempo.

Tentei conduzir as coisas em uma direção mais positiva para meu avô. — É incrível, não é? Todas as coisas por que ele passou...

Meu pai assentiu. — Acho que nunca vamos saber toda a verdade sobre isso.

— Vovô Portman sabia mesmo guardar um segredo, não é? – Disse Jake

— Você deve estar brincando. O homem parecia guardar suas emoções numa caixa-forte! –Papai responde.

— Eu me pergunto, porém, se isso não explica muita coisa — arriscou Jake. — Por que agia de modo tão distante quando você era pequeno... — Meu pai lançou um olhar sério e eu soube que jake tinha pouco tempo para explicar o que queria dizer, ou corria o risco de ultrapassar seus limites. — Ele já havia perdido a família duas vezes — disse. — Uma vez na Polônia, e a outra, aqui, sua família adotiva. Então, quando você e tia Susie chegaram...

— Uma vez bombardeado, duas vezes mais reservado?

— Estou falando sério.

— Não sei, Jake. Acho que não acredito que as coisas sejam assim tão simples. — Ele deu um suspiro e seu hálito embaçou o interior do copo de cerveja. — Só sei o que tudo isso realmente explica: por que vocês e o vovô eram tão chegados.

— Como assim? – disse intrigada.

— Demorou cinquenta anos para ele superar seu medo de ter uma família. Você e seu irmão chegaram na hora certa.

Eu não soube o que responder. Como dizer para o próprio pai: Sinto muito por seu pai não o ter amado o suficiente? Resolvi dizer apenas boa-noite e fomos para a cama.

Quando acordei Jake e papai estavam falando alguma coisa sobre um falcão e umas marcas de garra na cômoda, achei melhor nem perguntar, era cedo demais para qualquer coisa. Durante o café da manhã, comecei a me perguntar se não tinha desistido com muita facilidade. Embora fosse verdade que a casa estava em ruinas, mas a fenda poderia estar em algum outro lugar, ou na casa poderia ter algo que me ajudasse a encontrá-la. Eu poderia passar semanas examinando todo o lixo que havia lá.

Era uma manhã quase perfeita. A distância línguas de neblina densa descendo as colinas, lugar onde este mundo terminava e o próximo começava, frio, úmido e sem sol. Estávamos caminhando no alto das colinas quando começou a chover. Como era de esperar, eu tinha esquecido as botas de borracha, e a trilha era uma faixa de lama que se aprofundava rapidamente. Mas ficar um pouco molhada parecia absurdamente preferível a subir aquele morro duas vezes na mesma manhã, por isso coloquei o capuz da jaqueta e caía e seguimos em frente com dificuldade.

Quando chegamos ao orfanato, o que tinha começado como uma chuvinha havia se transformado em temporal, o céu derramando uma chuva que chegava a doer. Não havia tempo para vadiar pelo quintal selvagem. As tábuas do piso do vestíbulo marcadas pela chuva, macias e roucas sob meus pés. Ao entrar na casa jake torceu a camisa e sacudiu a cabeça para secar os cabelos. Quando estavam tão secos quanto fosse possível, comecei a procurar. O quê, eu não tinha certeza. Uma caixa de cartas? Parecia muito improvável. Como eu vou achar qualquer coisa que me leve a fenda?

Subimos para o segundo andar, e diferente do resto da casa parecia bem menos destruído. Lá havia longo de um corredor com papel de parede listrado descascando, e os quartos estavam em um estado surpreendentemente bom. Apesar de um ou dois terem sido tomados por bolor onde uma janela quebrada deixara entrar a chuva, o restante estava cheio de coisas que pareciam a apenas uma ou duas camadas de poeira de serem consideradas novas.

Após olhar o quarto maior, que deveria ser da Sta. Peregrine seguimos até o próximo quarto. Pela janela entrava uma luz fraca. Um papel de parede azul-clarinho pendia na direção de duas camas pequenas, ainda arrumadas com lençóis empoeirados. Jake achou algo embaixo de uma das camas. Era uma mala velha, ele disse que poderia ter sido do vovô, mas ao abrir ela estava vazia. Se sentou na cama — talvez a cama dele — e, se esticou sobre os lençóis imundos e ficou olhando para o teto, sentei ao seu lado e, de repente começou a chorar com tanta força que arfava sem fôlego entre soluços. Eu não sabia o que fazer, nunca tinha visto ele assim, apenas deixei ele eliminar tudo que ele precisava em lagrimas. Quando ele parou de chorar eu apenas abracei ele – Obrigado mana – ele apenas disse isso, e nós notamos um raio de sol solitário entrando pela janela, bem fraco, mas forte o suficiente para notarmos algo que não havíamos visto antes, era um baú que estava em baixo da segunda cama. Nele podia conter a chave para eu encontrar a fenda.

--  Não se tranca um baú vazio. – disse ele -- Abra-me! Estou cheio de segredos! – Brincou Jake.

-- Vamos tirar ele daí então -disse eu, mas ele não parecia se mexer, Jake o chutou algumas vezes, o que pareceu lhe dar movimento, então conseguiu arrastá-lo, puxando um lado de cada vez, até que ele saiu todo de baixo da cama. Puxei com força o cadeado, e, apesar da grossa camada de ferrugem, pareceu sólido como rocha, tentamos arromba-lo, mas nada dele ceder, Jake estava realmente frustrado com aquilo. Chutou o baú com toda a força que lhe restava. As veias de seu pescoço se incharam enquanto gritava -- Abre, baú maldito! Abre, baú desgraçado!

-- Ei, gritar com o baú não vai fazer ele abrir, naquela época não havia comando e voz. – Zoei ele que nem pareceu ligar para o que eu falava.

E foi então que ele teve a brilhante ideia de jogar o baú para o andar de baixo, foi uma tortura empurrar aquele baú até a escada, mas conseguimos, nunca vi baú tão pesado como aquele. Derrubamos o baú e para nossa frustração ele atravessou o chão de madeira velho e caiu no porão.

-- Temos que ir lá – Ele disse

-- Mas jake, ta escuro e você não sabe o que tem lá... – disse eu sem vontade de descer.

-- Mas nós temos que ir lá! Nós temos a lanterna do celular – e então fomos, eu reclamando e grudada no braço do Jake morrendo de medo.

Descemos um lance barulhento de escadas e paramos por um momento quando chegamos ao fim, torcendo para que meus olhos conseguissem se adaptar com a luz fraca de nossos celulares, mas não houve nenhum tipo de adaptação. Eu também esperava me acostumar com o cheiro, porque fedia lá embaixo, um odor estranho, como o interior do armário de produtos químicos de um laboratório escolar.

Tropecei e quase caí. Alguma coisa de vidro saiu rolando e chacoalhando pelo chão invisível. Apontei para o lado a lanterna e vislumbrei um leve reflexo. Dei um passo na direção do brilho e girei meu telefone ao redor, e do meio da escuridão surgiu uma parede com prateleiras repletas de potes de vidro. Eram de todas as formas e tamanhos, cobertos de poeira e cheios de coisas gelatinosas suspensas num líquido nebuloso. Pensei que podia ser a cozinha, guardando coisas em conserva.

Aproximei-me ainda mais e olhei com mais atenção, percebendo que não eram frutas e legumes afinal de contas, mas sim órgãos. Cérebros. Corações. Pulmões. Olhos. Todos conservados em alguma espécie de formol caseiro, me assustei de início e dei um grito, que assustou jake, mas aí me toquei, aquele lugar que nós estávamos era o laboratório do Enoch. Imediatamente tive uma explosão de alegria, era o mais perto que eu já havia chegado dele.

Vasculhando um pouco mais o lugar encontramos o baú destruído no chão, mas para minha decepção só haviam mais fotos, mas nada de pista para a fenda. Resolvi sentar no chão enquanto Jake examinava mais as fotos, até que de repente houve um estrondo de algum lugar na casa em cima de mim, Jake se assustou tanto que todas as fotografias caíram. É só a casa assentando, disse para mim mesmo ou desabando! Mas quando me abaixei para recolher as fotos, o estrondo veio novamente e, em um instante, a luz que brilhava fracamente pelo buraco no chão desapareceu. Ouvi passos acima de mim, depois vozes, e me esforcei para reconhecer uma delas. Não ousei me mexer, com medo de que o menor dos movimentos deflagrasse uma avalanche barulhenta de destroços em toda a minha volta. Sabia que meu medo era irracional, mas ainda sim estava em pânico agarrada no jake. Provavelmente eram apenas aqueles estúpidos garotos rappers tentando nos pregar outra peça, mas meu coração batia a uns cem quilômetros por hora. Algum instinto animal profundo me mandou ficar em silêncio. Então esperei. Congelada numa estranha posição, minhas pernas começaram a ficar dormentes. No maior silêncio possível, passei a mudar meu peso de um pé para o outro, tentando fazer o sangue voltar a circular. Um pequeno pedaço de alguma coisa se soltou e desceu rolando a pilha, fazendo um barulho que parecia enorme no silêncio. As vozes se reduziram a sussurros. Uma tábua do piso rangeu bem acima de nós e uma pequena chuva de gesso caiu em nossas cabeças.

Quem quer que estivesse lá em cima sabia exatamente onde eu estava. Prendi a respiração. Então ouvi uma voz de menina dizer baixinho

— Abe? É você? -- Achei que estivesse sonhando, não podia ser, será que eram eles?  Queria responder, mas estava tão completamente paralisada com toda a situação que parecia presa. Esperei que a garota falasse outra vez, mas por um longo instante se ouvia apenas o som da chuva caindo sobre o telhado. Então uma lanterna surgiu reluzente lá em cima, e estiquei o pescoço para ver meia dúzia de garotos ajoelhados em volta das mandíbulas recortadas na superfície em ruínas, olhando para baixo. De algum modo, eu os reconheci, sabia com certeza quem eram, mas jake estava tão grudado em mim, fascinado pelo que estava ocorrendo que eu não consegui falar nada. Finalmente consegui abrir a boca para falar, mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, um deles, a menina, se levantou para me ver melhor. Ela trazia nas mãos uma luz tremeluzente, que não era uma lanterna ou uma vela, parecendo mais uma bola de puro fogo, protegida por nada além da pele. Estive procurando por vocês, quis dizer. Mas fiquei de boca aberta, era a primeira peculiar que eu tinha visto pessoalmente agora e tudo o que pude fazer foi encará-la. A expressão da garota tornou-se aborrecida. Nosso aspecto era horrível, molhado de chuva e coberto de poeira, agachados sobre um monte de destroços como os últimos sobreviventes de algum desastre.

O que quer que ela e os outros garotos estivessem esperando encontrar dentro daquele buraco no chão, não era aquilo. Um murmúrio circulou entre eles, que se levantaram e foram embora. O movimento repentino destravou alguma coisa no Jake que se encontrava agora gritando para que esperassem, mas eles já pisoteavam as tábuas do assoalho na direção da porta. Saímos correndo por cima dos destroços, tropeçando às cegas pela escuridão do porão até a escada, mas quando chegamos lá em cima, onde a luz do dia havia voltado, eles tinham sumido da casa. Saímos de lá e descemos correndo os degraus arruinados até o gramado, jake aos gritos, mas eles haviam desaparecido. Ofegante, examinei o quintal e a floresta enquanto ele praguejava. De repente, ouvi um estalo vindo do meio das árvores. Caminhamos naquela direção para espiar, e através de uma tela de galhos vislumbrei um movimento indefinido, a barra de um vestido branco.

Era ela. Entramos correndo na floresta, atrás dela, que se virou, olhou para mim e depois saiu correndo pela trilha. Eu saltava por cima de troncos caídos e me abaixava para passar sob galhos em uma velocidade assustadora, perseguindo-a até que minhas pernas começaram a queimar. Jake era muito mais rápido que eu que ficava pra traz, mas nunca perdendo ele de vista. Ela continuava tentando nos despistar, trocando sem parar a trilha pelo meio da floresta, onde não havia caminho. Finalmente a mata terminou e saímos na trilha aberta. Ali estava nossa chance. Agora não havia mais lugar onde ela pudesse se esconder. Para alcançá-la, só precisávamos aumentar a velocidade, mas eu não iria conseguir isso, então deixei Jake correndo na frente, não havia como perder ele de vista, então nem me preocupei. Mas, quando começávamos a nos aproximar, ela mudou de direção de repente e entrou no terreno pantanoso. Não tivemos alternativa exceto segui-la.

Afundando até o joelho na lama mole e profunda, que encharcava minhas calças e sugava minhas pernas de modo obsceno a menina foi se afastando até desaparecer na neblina, ela parecia saber exatamente onde pisar, deixando apenas suas pegadas como rastro. Depois que ela nos despistou, achei que as pegadas nos levariam de volta à trilha, mas elas apenas se embrenhavam cada vez mais no pântano. Quando o nevoeiro se fechou às minhas costas e eu não conseguia mais ver a trilha, comecei a me perguntar se eu seria capaz de encontrar a saída. De repente surgiu uma pilha de pedras à minha frente. Parecia um grande iglu cinza, mas na verdade era um cairn, uma das tumbas neolíticas que deram nome a Cairnholm, que se erguia da lama sobre um pequeno tufo de grama. As pegadas da garota conduziam diretamente até lá. Jake achou que ela podia estar se escondendo lá.

O cairn era um pouco mais alto que eu, longo e estreito, com uma abertura retangular em um dos lados, como uma porta. Subindo do lamaçal para uma superfície relativamente sólida que o cercava, percebi que era na verdade a entrada para um túnel que passava pelo interior do cairn. Havia linhas entrelaçadas e espirais gravadas nas paredes, hieróglifos antigos cujo significado tinha se perdido no tempo. Dentro, o túnel do cairn era úmido, estreito e profundamente escuro, e tão apertado que eu só conseguia me mover para a frente, quando minhas pernas já estavam doendo de ficar meio abaixada meio em pé o túnel se abriu em uma câmara, escura como breu, mas grande o bastante para caber eu e o Jake. Peguei meu celular e mais uma vez o usei como lanterna. Era uma câmara pequena e simples, de paredes de pedra, mais ou menos do tamanho do meu quarto, e estava completamente vazia. Não havia nenhuma garota ali para ser achada. Ela devia ter nos enganado, e lá se foi a minha maior chance de encontrar a fenda.



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