História Peculiar history - Capítulo 15


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Categorias O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Personagens Enoch O'Connor, Personagens Originais
Tags Enoch O'connor, Peculiar, Romance
Visualizações 6
Palavras 2.085
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Pansexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 15 - Capitulo 9


Continuamos a correr. Eu não sabia por que Emma concordara em encontrar Millard no Buraco do Padre, já que ficava na direção da baía, e não da casa, mas, como eu tampouco podia explicar como Millard sabia exatamente quando aqueles aviões iam passar voando, não me dei ao trabalho de perguntar. Porém, em vez de darmos a volta no pub escondidos, todas as nossas esperanças de passar despercebidos acabaram quando Emma nos empurrou direto pela porta da frente.

Não havia ninguém lá dentro além do barman. — Barman! — disse Emma. — A que horas vocês começam a servir cerveja aqui? Estou com mais sede que uma maldita sereia! Ele riu. — Não temos o hábito de servir garotinhas — disse ele. — Não importa! — gritou ela, dando um tapa no balcão. — Sirva-me uma dose quádrupla do seu melhor uísque forte de barril, e nada desse mijo aguado que você costuma vender aqui!

Comecei a ter a sensação de que ela estava apenas de brincadeira, pregando uma peça, digamos assim, tentando dar uma força para Millard e seu truque da corda no beco. O barman debruçou-se sobre o balcão para se aproximar dela. — Então você quer alguma coisa forte, não é? — disse ele com um sorriso meio sem-vergonha. — Só não pode contar para sua mãe nem para seu pai, ou o padre e o policial vêm atrás de mim. — Ele pegou uma garrafa com alguma coisa escura e de aspecto sinistro e começou a servir um copo cheio para ela. — E seus amigos aí? — disse ele. — Imagino que já devem estar bêbados.

Jake fingia estudar a lareira, eu fui ao lado da garota para pegar um pouco da bebida também.

— Ele é tímido, hein? — disse o barman. — De onde eles são?

— Ele diz que é do futuro, e ela é uma amiga minha — respondeu Emma. —, mas eu acho que é só um completo maluco.

O rosto do barman assumiu uma expressão estranha. — Ele diz o quê? — exclamou o encarando, ele deve ter finalmente nos reconhecido, pois largou a garrafa de uísque e começou a caminhar na direção de Jake. Eu estava prestes a fugir correndo, mas, antes que o barman conseguisse sair de trás do balcão, Emma tinha virado a garrafa e derramado a bebida marrom por toda parte. Então ela fez algo impressionante. Bateu com a mão no balcão ensopado de álcool e, em uma fração de segundo, uma parede de chamas de meio metro de altura ergueu-se por toda a sua extensão. O barman berrou e começou a bater na parede de chamas com um pano.

— Por aqui, prisioneiros! — disse Emma, segurando o meu braço e nos puxando na direção da lareira. — Agora me ajuda! Segura e puxe! Ela se ajoelhou e meteu os dedos em uma fenda que corria pelo chão.

Enfiei meus dedos ao lado dos dela e juntos levantamos um pequeno pedaço do piso, revelando um buraco mais ou menos da largura dos meus ombros: o buraco do padre. Enquanto a fumaça enchia o salão e o barman lutava para apagar as chamas, nós descemos um atrás do outro e desaparecemos. O buraco do padre era pouco mais que um poço de cerca de um metro e meio que levava a um túnel no qual só era possível engatinhar. A escuridão lá embaixo era total, mas o lugar logo se encheu de uma suave luz alaranjada. Emma acendera uma tocha com a mão, uma pequena bola de fogo que parecia pairar sobre a sua palma.  Jake ficou pasmo olhando aquilo. — Anda! — reclamou ela, dando um empurrão. — Tem uma saída lá na frente.

Fui rastejando adiante até que o túnel chegou ao fim. Emma sentou-se no chão e chutou a parede. Ela se abriu para a luz do dia. — Aí estão vocês — ouvi a voz de Millard dizer enquanto saíamos rastejando em um beco. — Você não resiste a um espetáculo, hein? — Não sei do que você está falando — respondeu Emma, apesar de eu perceber que ela estava satisfeita consigo mesma. Millard nos conduziu até uma carroça puxada por um cavalo que parecia estar à nossa espera. Subimos na parte de trás e nos escondemos embaixo de uma lona. No que pareceu meia fração de segundo, um homem se aproximou e subiu no cavalo, sacudiu as rédeas e partimos trotando. Seguimos em silêncio durante algum tempo. Eu sentia, pelo caminho tomado pela carroça e pela mudança no barulho à nossa volta, que estávamos saindo da cidade. Finalmente jake quebrou o silencio e perguntou

— Como você sabia da carroça? E dos aviões? Você é vidente ou alguma coisa assim?

Emma riu com desprezo. — Longe disso — disse ela. — Porque tudo aconteceu ontem — respondeu Millard —, e anteontem. Não é assim que as coisas funcionam na sua fenda? — Minha o quê? – Jake perguntou sem entender nada.

— Eles não são de nenhuma fenda no tempo — disse Emma em voz baixa. — Eles são malditos acólitos.

— Acho que não. Um acólito nunca deixaria que você o agarrasse com vida.

— Olha — murmurei. — Não somos acólitos. Eu sou o Luana e esse é meu irmão, Jacob. Enoch nunca falou de nós pra vocês? – retruquei um pouco ofendida.

— A gente logo vai resolver isso — retrucou ela. — Agora fiquem quietos. — E então ela esticou o braço e levantou um pouquinho a lona, revelando uma faixa azul de céu agitado.

Quando as últimas casinhas tinham desaparecido às nossas costas, saltamos da carroça em silêncio, subimos a colina a pé e descemos na direção da floresta do outro lado. Emma caminhava ao lado de Jake, em silêncio e reflexiva. Do outro lado, Millard cantarolava para si mesmo e, satisfeito, chutava pedras pelo caminho. Eu estava nervosa, ansiosa, ao mesmo tempo, meio zonza e empolgada, com borboletas no estômago.

Apenas continuamos a caminhar, a menina que fazia fogo com as mãos, o garoto invisível, eu e Jake, até a floresta, onde a trilha era tão larga e clara quanto qualquer trilha em um parque nacional, e então chegamos a um amplo gramado cheio de flores e marcado por longos canteiros bem cuidados. Tínhamos chegado à casa. Olhei para ela, boquiaberta. Não havia uma telha fora do lugar nem uma janela rachada. Pequenas torres e chaminés que haviam despencado em ângulos na casa de que eu me lembrava agora apontavam cheias de confiança para o céu. A floresta que parecia devorá-la agora se detinha a uma distância respeitosa. Fomos conduzidos por um caminho de lajotas de pedra antes oculto pelo mato e subimos um recém-pintado lance de escadas até a varanda. Emma não parecia mais nos ver como a ameaça inicial, mas, antes de entrar, ainda assim ela amarrou nossas mãos às costas com um pedaço de corda, acho que apenas em prol das aparências. Ela estava fazendo o papel do caçador que voltava para casa, e nós éramos sua presa capturada. Ela endireitou as costas e estava prestes a entrar quando Millard a deteve.

— Os sapatos deles estão cobertos de sujeira — disse ele. — Eles não podem deixar uma trilha de lama por aí, a Ave vai ter um ataque.

Então, enquanto meus captores aguardavam, tiramos os sapatos, depois as meias, também sujas de lama, e, quando Emma ia entrar comigo, Millard sugeriu que eu enrolasse as pernas do meu jeans para que não se arrastassem no carpete; fiz isso também, e depois Emma nos agarrou pelo nó da corda com impaciência e nos arrastou porta adentro.

Seguimos por um corredor, passamos pela escada de verniz reluzente, de onde rostos curiosos me espiavam através dos vãos, mas nada de Enoch, cruzamos a sala de jantar. Era a mesma casa que nós havíamos explorado. Havia vasos com arranjos de flores, sofás elegantes e poltronas com detalhes dourados, e a luz do sol entrava por janelas altas. Por fim chegamos a uma sala com vista para os fundos da casa.

— Segure-os aí enquanto eu aviso a diretora — disse Emma para Millard, e eu senti a mão dele sobre o meu ombro. Quando ela saiu, ele me largou. — Você não tem medo de que eu coma seu cérebro ou algo assim, não é?  -- Jake disse.

— Não mesmo — respondeu Millard.

Virei-me na direção da janela e olhei lá para fora, Jake estava maravilhado. O quintal estava cheio de crianças, quase todas elas eu reconheci das fotografias amareladas, mas uma em especifico não consegui achar. Algumas descansavam à sombra de árvores frondosas, enquanto outras jogavam bola e corriam atrás umas das outras em meio a canteiros de flores. Era exatamente o paraíso que meu avô nos descrevera em suas histórias. Essa era a ilha encantada, essas eram as crianças mágicas. Eu sentia que era ali que eu pertencia.

No gramado, alguém chutou uma bola com força demais e ela voou, ficando presa em um arbusto podado na forma de um centauro. Dois adolescentes foram atrás da bola e correram até a base do centauro, seguidos por uma garota mais nova. Eu a reconheci como a “menina que levitava” das fotos de meu avô, só que agora não estava levitando. Ela andava devagar, cada passo uma tarefa árdua. Como se um excesso de gravidade a ancorasse ao chão. Quando alcançou os garotos, ela levantou os braços e eles amarraram uma corda à sua cintura. Então ela saiu cuidadosamente de seus sapatos, um pé de cada vez, e quando ficou livre deles começou a flutuar no ar como um balão. Era impressionante. Ela elevou-se até esticar a corda que a prendia pela cintura e ficou ali, pairando, ancorada pelos dois garotos, a três metros do chão. A menina disse algo, os garotos assentiram e começaram a mover a corda. Ela lentamente pairou pela lateral do centauro e, quando chegou ao nível de seu peito, enfiou os braços no arbusto para pegar a bola perdida, mas não conseguiu alcançá-la. Olhou para baixo e sacudiu a cabeça, e os garotos a puxaram de volta ao chão, onde ela tornou a calçar os pesados sapatos e desamarrou a corda.

— Estão gostando do show? — perguntou Millard, e assentimos com a cabeça, em silêncio. — Há vários modos bem mais fáceis de recuperar aquela bola —disse. — Mas eles perceberam que têm uma plateia.

Lá fora, uma segunda menina se aproximava do centauro. Ela devia ter cerca de dezoito anos e tinha um aspecto selvagem, os cabelos a meio caminho de se transformarem em dreads. Ela se agachou e segurou a cauda comprida e cheia de folhas do arbusto esculpido e a envolveu em seu braço, mantendo os olhos fechados como se estivesse se concentrando. No instante seguinte, vi a mão do centauro se mexer. Fiquei olhando fixamente através do vidro para aquele pedaço de vegetação, e então cada um de seus dedos se moveu, um depois do outro, como se a sensibilidade lentamente retornasse a eles, e depois todo o seu enorme braço enfiou-se no próprio peito, tirou de lá a bola e a entregou nas mãos dos meninos, que vibravam. Quando o jogo recomeçou, a garota de cabelos selvagens soltou a cauda do centauro e ele ficou novamente imóvel. Millard também observava a cena, e sua respiração embaçava o vidro perto de mim. Jake virou para ele tomado de surpresa.

— Não quero ser rude, mas o que são essas pessoas? — perguntou — Nós somos peculiares — respondeu, soando um pouco intrigado. — Vocês não são?

— Não sei. Acho que não.

— É uma pena. – Quando eu ia falar que eu era fui interrompida.

— Por que você o soltou? — perguntou uma voz às nossas costas, e eu me virei para ver Emma parada à porta. — Ah, deixa pra lá — disse ela, aproximando-se para agarrar os nós que nos prendia. — Vamos lá. A diretora vai vê-los agora.

Assim que entramos na sala da diretora escutei alguém passando la fora e esbravejando algo, mas apenas eu prestei atenção, já que Jake estava aínda em choque com tudo aquilo que estava acontecendo.
-- O que! Como você vem me falar só agora que ela tá aqui? Eu falei que era pra você me avisar se visse ela. Eu to todo desarrumado e não preparei nada pra ela comer ou beber!
-- Mas eu acabei de avisar porque estava ocupado, Emma pediu para eu ficar tomando conta deles enquanto ela falava com a diretora. E também eu não sabia quem era, você nunca mostrou nenhuma foto pra mim -- assim que escutei isso já sabia quem era, meu coração estava acelerado de alegria, em seguida escutei -- Tá, eu vou me arrumar, e você faz um chá pelo menos pra ela beber né! - depois disso escutei passos se distanciando, mal via a hora de sair daquela sala para finalmente encontra-lo.



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