História Pedaço de Mim. - Capítulo 4


Escrita por: ~ e ~Mercedita

Postado
Categorias Eliane Giardini
Tags Eliane Giardini
Exibições 101
Palavras 1.091
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Adormecendo eternamente.


Fanfic / Fanfiction Pedaço de Mim. - Capítulo 4 - Adormecendo eternamente.

Narrado por Bento Gonçalves
    Agora que o sol já nasceu, Caetana dormia ao meu lado, estava a observar minha esposa a alguns instantes, meus olhos ardem, sinto tantas dores, meu corpo não aguenta mais, eu estou morrendo esta que é a verdade, porém sinto como se o amor que sinto por Caetana ainda me prendesse aqui e é esse amor que me mantém vivo, a fé inabalável da minha esposa, que me faz ter forças para continuar a lutar para sobreviver. Ontem ordenei que ela mandasse chamar Perpétua e todos os meu filhos, sinto como se o meu tempo tivesse terminando, preciso olhar nos olhos de todos os meu filhos e dizer o quanto os amo.
  A noite passou lentamente, assim como todas as outras nas últimas semanas, passei a noite em claro, tossindo, as vezes sentia falta de ar, porém Caetana como sempre passou a noite acordada cuidando de mim. Seus cuidados e carinhos comigo, tem sido de suma importância, não faço ideia do que teria acontecido comigo se ela não tivesse do meu lado a todo instante. Porém me dói ainda mais ver todo o esforço de Caetana, sendo forte em todos os instantes, me mantendo alegre, implantando em mim expectativas que ambos sabemos que já mais vão acontecer, ela cuida de mim e ainda cuida dos nossos filhos, os mantendo fortes perante a minha morte iminente.
  Mas o inevitável aconteceu não posso evitar ou fugir da realidade, estou doente, durante o longo tempo que a guerra dos farrapos durou, adquiri a pleurisia. Ao longo da peleia, inúmeras vezes acabamos guerreando de baixo de sol e chuva, a temperatura era instável, meu corpo ficou vulnerável, tudo começou como uma gripe, com o tempo os sintomas foram aparecendo e intensificando a minha dor.
    Minha cabeça lateja de dor, meu peito chega a arder, a dificuldade que tenho para respirar é a cada segundo pior, meu corpo inteiro dói, nada que eu tomo faz parar de doer, Joaquim também já me confirmou que ele não pode fazer mais nada para me salvar. É melhor assim, essa doença só trouxe sofrimento para mim e para os que estão em minha volta, entretanto não tenho medo de morrer, talvez essa seja a forma que Deus encontrou de me punir pelas mortes que carrego comigo, que não são poucas.
    Gradativamente o dia foi passando e minha mente apenas relembrava toda a minha vida, os momentos bons e claro os ruins, algumas coisas realmente se tornam pequenas perante a morte, parecem não possuir mais tanta importância, o arrependimento me domina, e sofro ainda mais, pois já não posso pedir perdão para aquelas pessoas a quem penso hoje ter sido injusto ou cruel de mais. Caetana tentou me fazer comer uma sopa, porém minha garganta arde tanto que nem para agrada-la eu consigo comer, meu corpo está cada minuto mais fraco.
   Algumas horas se passaram, estou deitado na cama, é assim que tenho passado a maior parte do meu tempo nos últimos dias, Caetana está ao meu lado sentada na cadeira bordando, sinto minhas pálpebras pesadas, meu coração bate em um ritmo aceleradíssimo, uma aflição tomou conta de mim, preciso ver meus filhos urgentemente, minha respiração voltou a falhar, após alguns minutos, estava tentando me manter calmo, até que ouvi baterem na porta.
-Papá? -era a voz da Perpétua, esbocei um pequeno sorriso. -Posso entrar? – ela perguntou abrindo a porta bem devagar.
-Pode sí. – Caetana respondeu, nossa filha entrou seguida de todos os seus irmãos, suspirei aliviado por ver todos os meus filhos reunidos.
-Que saudades. – Perpétua se aproximou de mim e beijou a minha testa. -Estou aqui meu pai. – ela falou arrumando meu cabelo, pisquei demoradamente em sinal de resposta.
-Papá. – Aninha sentou ao meu lado na cama.
- Como está se sentindo meu pai? -Joaquim perguntou se aproximando da cama.
-Bem. – menti, com a voz baixa.
- Bueno logo, logo estaremos cavalgando pelos pampas novamente. – Bentinho disse sorrindo, ao se aproximar de Caetana.
-Precisa ver a estância papá. – Caetano afalou se aproximando também.
-Caetano está cuidando muito bem da estância papá, finalmente se endireitou – Angélica falou ao seu lado, fazendo todos sorrirmos.
- Sou um homem de respeito Angélica. – Caetano falou abraçando a irmã, voltei a tossir compulsivamente.
-Calma papá. – Ana pós sua mão em meu peito, tentando me acalmar. – Respira devagar. – não conseguia respirar com facilidade, o desesperado me dominou.
-Caetana. – chamei por ela que prontamente segurou minha mão, apertei a mesma, com força, não conseguia sessar  a crise de tosse. – Meus filhos. – falei com dificuldade. -Me perdoem por todos os meu erros. – tossi novamente.
-Não fala nada papá, o senhor precisa se poupar, precisa descansar. -afirmou Perpétua, neguei.
- Preciso do perdão de todos. – pedi sentindo muita dor.
- Nos o amamos de mais papá. -Caetano.
-Não temos nada que o perdoar. – Bentinho.
- Tudo o que fizeste foi pensando no nosso bem. -Marco Antônio.
- Te amo tanto papá. – Leão.
- Me prometam que vão cuidar das suas irmãs e da mãe de ustedes. – disse apertando a mão de Caetana desesperado.
- Papá. – Angélica começou a chorar.
- Nunca as deixarei. – Caetano.
- Vamos ficar todos juntos meu pai.- Joaquim afirmou abraçando Marco Antônio.
- Nada vai acontecer com elas. – Leão.
-Permaneçam sempre juntos. – pedi olhando para Caetana, minha respiração estava cada segundo mais dificultosa.
-Somos a família de Bento Gonçalves. – Bentinho.
- Nunca nos separamos. -Marco Antônio.
- Amo todos ustedes. – falei tentando me inclinar para frente.  Porém não consegui senti uma forte pontada no peito.
-Bento. – Caetana me chamou, não conseguia mais apertar a sua mão. -Bento no. -sua voz soou embargada, não conseguia respirar, isso me deixou alucinado completamente desesperado, apesar de saber muito bem que estou morrendo, não estou preparado para partir deste mundo.
      Joaquim correu para perto de mim, senti suas mãos pressionarem meu abdômen, mas eu já não sentia dor nenhuma, aos poucos minha vista foi escurecendo, mantive meu olhar voltado pra Caetana até o último segundo. Ouvi Angélica falar “papá” em um tom de voz alto, mais para mim soou tão baixinho e distante, via a sombra  borrada da Caetana em seguida acabei perdendo todos os sentidos adormecendo eternamente.


Notas Finais


Obrigada por ler💙


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