História Pedaços Transformados - Capítulo 213


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Caluke, Família, Personagem Trans, Romance
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Palavras 1.471
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 213 - Para casa


para casa

abril, dois anos atrás

Liz já estava vendo a hora de dormir. Ou mandar suas crianças para cama. Ou simplesmente torcer para ser sugada por aquele sofá. Mas ela não queria dormir - Liz estava com tanta energia que duvidava que conseguisse ao menos fechar os olhos; ela não queria mandá-los para a cama - era a primeira vez que sua filha estava fora do hospital e era aniversários deles e Liz gostava de vê-los juntos daquele jeito, brincando e provocando e chutando um ao outro, a acalmava; contudo ela não tinha nada contra a ser sugada pelo sofá.

-O próximo filme - anunciou Julie, dando uma pausa dramática desnecessária, pois todos sabiam qual seria o próximo filme. - Tan tan tan - cantarolou ela. - Será...

-Luke Skywalker - continuou Calum.

-Estreando...

-Luke Skywalker...

-Em...

-Luke Sky...

-Será que dar para vocês pararem de falar Luke Skywalker a cada instante?

Será que dava? Julie e Calum se olharam, embora fosse sem sentido, porque já sabiam a resposta e a resposta do outro. Será que dava para eles pararem de irritar Luke sobre Luke Skywalker?

-Não.

-Eu adoro esses momentos de Luke Skywalker do Luke Skywalker, em que Luke Skywalker é... - Julie sorriu, passando as mãos pelos cabelos do se irmão quando ele empurrou o rosto contra seu ombro, gemendo.

"Eu estou te odiando muito agora", sua cabeça batendo uma vez disse, "mas eu te amo", ela bateu mais duas vezes.

Julie levantou o ombro, pressionando-o contra a bochecha dele e apertou sua mão – ela gostava desses momentos silenciosos que palavras não precisam ser ditas entre eles, que eles conheciam um ao outro completamente.

-O que Luke Skywalker é? - mas não deixou isso de lado.

-Luke Skywalker - respondeu Calum, sério, o canto dos lábios elevando-se.

Liz bufou, escondendo o riso por meio de uma tosse e desviando os olhos para a televisão, como se estivesse gostando do filme, quando seu filho a encarou contrariado.

"É o meu aniversário" Julie havia dito.

"O meu também" retrucou Luke.

"Eu escolho o que vamos assistir" disse ela irredutível quanto a isso. "E se eu quero assistir um filme que não gosto porque você gosta menos ainda, então vamos assistir."

"Ela está certa" concordou Calum.

"Até você..." Luke começou.

"É o aniversário dela" lembrou Calum. "Eu faço algumas considerações quando é essa data."

Sim, Liz adorava esses momentos de Luke Skywalker também, em que tudo, a vida, parecia simples e fácil - fazia tempo desde que ela sentiu-se desde jeito.

-Ok - levantou-se. - Está na hora de Ashton ir para casa.

-Ah - disse o próprio, surpreso. - Já parou de... chover. - É, tinha parado de chover. Seus olhos procuraram o relógio que marcava... - Meia noite! - exclamou, horrorizado. - Oh, meu Deus. Mamãe vai me matar. - Puxando seu celular do bolso... 12 chamadas perdidas, 34 mensagens, 14 correio de voz (como tinha mais correio de voz do que chamada?). - Oh meu Deus - ofegou Ash cada vez mais assustado. - Ela vai realmente me matar.

Liz só não concordava porque não conhecia Ashton - ainda. (Pelo visto, Ashton era amigo de Julie, Luke não conseguiu nada contra e Calum aprovava... era um bom candidato, na opinião de LIz). Ela mataria Luke se seu filho não respondesse imediatamente, mas não se fosse Julie, porque se ela respondesse imediatamente aí sim Liz sentava e esperava todas as notícias ruins e o fim do mundo - é, ela sabia, ela devia tratar seus filhos igualmente, mas eles eram pessoas únicas que precisavam de limites únicos.

E Calum precisava de um telefone para Liz saber que tipo de pessoas ele seria.

-Vamos, eu te levo. Eu posso conversar com sua mãe.

-Não - respondeu Ashton, arregalando os olhos. - Você não precisava conversar com a minha mãe. Não precisava me levar para casa. Eu posso ir...

Liz levantou as sobrancelhas não impressionada. Quem gostava de sogras juntas planejando um complor ou a terceira guerra mundial? Não que guerras precisassem ser planejadas, elas aconteciam mais cedo ou mais tarde - se dependessem dos seres vivos em geral mais cedo, muito mais cedo do que o necessário.

-Não, não mesmo - negou Liz antes que ele terminasse. - Você não vai sair sozinho da minha casa a essa hora. - E completou, sorrindo: - E eu pensei que seria uma boa idéia descobrir os seus antecedentes, conhecer sua mãe, marcar o dia do casamento...

-Hã?

-Ignore-a. - Julie revirou os olhos. - Às vezes mamãe esquece que não vai haver casamento. Nunca. Que sou asseuxal e não vou me comprometer com ninguém. Nunca.

-Você pode ser assexual, querida - respondeu Liz. - Mas não é arromântica. E eu quero netos.

-Eu vou adotar – retrucou Julie, prontamente.

-Tanto faz - Liz revirou os olhos - eu ainda recebo netos. Mas eu ainda quero um genro.

-Aqui está Luke - apontou Julie. - E Calum.

-Julie - reclamou Luke e estreitou os olhos para ela, recebendo apenas mãos limpas e amostras. Onde já se viu sair espalhando a sexualidade alheia?

Liz estreitou os olhos também. Luke e Calum? Ohhh. Oh-oh-oh. Ela não esperava por isso. Ela queria tanto envergonhar os dois, embora soubesse que esse sentido não era o que Julie pretendia, mas Calum já parecia pronto para morrer de combustão espontânea e a ingenuidade de seus gêmeos era de aquecer seu coração.

-Julie - murmurou Calum, envergonhado. Tudo bem que Julie não quis dizer o que parecia, mas ele ainda sentia-se corando.

-Tuudo bem - disse Ashton, piscando os olhos. - Vamos sair daqui antes que Julie tente me envergonhar. Não quero que você desista do casamento, Liz - sorriu Ashton.

-Pare de flertar com a minha mãe - reclamou Luke, jogando a almofada nele.

-Eu também - concordou Calum.

-Hum? - questionou Liz, encarando-o.

-Eu vou com vocês. Você pode me deixar em... – Calum hesitou. Casa? Ele já estava. - Lá? – tentou.

-Claro. Mas por que?

-Por que? – repetiu. - Por que não?

-Tente novamente. Com mais confiança. E com uma afirmação e não outra pergunta.

­-Porque eles precisam de um tempo sozinho – tentou Calum.

-Hum?

-Faz tempo que... eles não... eles precisam relembrar os velhos tempos... e, hum... hum... Ok, certo, eu sinto que não é para mim estar aqui agora, que tenho que deixá-los sozinhos, que eles precisam de um tempo juntos e solitários e que eu preciso do mesmo.

Liz mordeu a bochecha, passando a mão no nariz enquanto fungava. Maldito tempo que a deixava emocional e triste e feliz e indecisa. Ela queria apertar Calum, ela queria dizer que ali era o seu lugar, ela queria dizer que ele não estava sozinho, mas... Liz estava sentindo-se tão indecisa quanto a que fazer, quanto a ser mãe, a como ser uma boa mãe.

E se dissesse algo errado a Julie e ela piorasse?

E se dissesse algo que acreditava ser certo para Calum e depois ele se arrependesse?

E se dissesse algo, qualquer coisa, a Luke e o deixasse culpado?

Sua filha balançou a mão, descartando as palavras dele, e era um gesto tão parecido com o de Andrew que a acalmou, que fez Liz suspirar de alivio antes mesmo de ouvi-la, porque sua filha sabia as palavras certas, mesmo que não soubesse como dizê-las – e era isso que importava, que elas fossem ditas.

-Você deveria ficar – disse Julie simplesmente. – Porque se é para termos um tempo juntos e solitários eu preciso de você para... – Ela deu de ombros. – Eu preciso de você.

-Nós precisamos – completou Luke.

-Sim, eu também – agradeceu Calum, engolindo o bolo da sua garganta, que eram lagrimas e tristeza e um pouco de raiva por não ter Malia consigo, por não ter sua irmã de volta também.

Ele não queria sentir isso, mas não podia impedir, não podia se impedir, não podia parar.

Ele amava Julie, ele amava Luke, ele amava o fato deles estarem juntos e não terem sido despedaçados, mas alguma parte de si que era escura e podre sussurrava que podia ser ele, que sua irmã poderia estar ali, mas por que não estava?

Por que Julie?

Por que não Malia?

Ele amava Julie, mas Calum não era cego e sabia que Malia era... ele não... elas eram pessoas diferentes e pessoas maravilhosas e ele queria tanto alguém, algo, para culpar, mas sentia medo de abrir a boca e reclamar e ele estava grato por Julie estar bem.

Julie estava bem.

Mas ele queria um tempo sozinho.

-Mas você precisa de um momento com o amor da sua vida – disse ao invés disso. Ou talvez justamente isso, só que com outras palavras.

-Esse é você, Luke - brincou Julie, embora o olhasse estranhamente, tristemente, acabada e destruída, conhecedora. - Pelo visto. Eu acho.

-Claro que sim – concordou seu gêmeo, arrogante.



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