História Pedaços Transformados - Capítulo 86


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Caluke, Família, Personagem Trans, Romance
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Palavras 1.148
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 86 - Boa noite - P A R T E U M


boa noite – parte um

CALUM, 13 ANOS. LUKE, 12 ANOS.

-Você está dormindo? – questionou Luke.

O céu do seu quarto era monótono, não tinha outro jeito de colocar isso. E ele estava entediado. E sem sono. Ele meio que desejava que sua irmã aparecesse, para falar e falar e fazê-lo dormir, porque a voz dela era dos anjos e era de efeito imediato.

Mas...

Sem Julie.

Com Calum.

Seu amigo era quase uma escolha tão boa quanto Julie para fazê-lo dormir – embora o efeito não fosse tão rápido, porque Calum não era uma fonte de curiosidades inúteis e complicadas demais para acompanhar, porque era mais interessante ouvir sobre basquete do que a física por trás do basquete. Luke odiava física. Ainda mais quando estava envolvida com algo que ele gostava, porque isso fazia ele odiar o que for que estivesse envolvido.

-Eu sei que você não está dormindo – continuou quando Calum não respondeu e fingiu estar roncando. Luke sorriu, esticando o dedo do pé para baixo, em direção ao chão, até conseguir cutucá-lo de lado. – Você não ronca, Calum.

Calum rangeu os dentes para não começar a rir, porque aquele era o seu ponto fraco para cócegas, e murmurou, tentando parecer mal-humorado e falhando miseravelmente:

-O que é?

Calum queria enterrar a cabeça em um buraco, como um avestruz, porque era assim que Luke agia quando estava perto de Berkeley, falando nesse tom insuportavelmente alegre, como se nada de ruim existisse no mundo.

-O que... – Luke pensou, porque não havia chegado nessa parte antes. O que o quê? – O que você faria se eu fosse uma fada?

Calum piscou. Ele odiava as perguntas que não eram existências, porque não havia nada pior nesse mundo do que os lunáticos que não aceitavam que suas perguntas eram existenciais. Falsas perguntas existenciais com o falso pretexto de hipoteticidade eram tão irritantes.

-Vá dormir – reclamou, jogando o travesseiro para recebê-lo logo depois com mais força.

-Se você me responder, eu vou – insistiu seu amigo, não parando de cutucá-lo.

Calum queria perguntar se ele aprendeu isso com Julie, mas era óbvio que foi com ela. Ele só aprendia coisas ruins desse jeito com ela. Quem mais era a fonte de maus exemplos naquela casa?

-Lukeee.

-Vamos, nem vai demorar tanto.

Não, não iria, mas Calum sabia o que vinha depois. Uma pergunta puxava outra e puxava outra e depois era amanhã e ele estava sem dormir e com sono. Entretanto, se não respondesse, o fim seria o mesmo. Luke não iria deixá-lo em paz.

-Eu esperaria que você não brilhasse e começasse a querer o meu sangue. Ou me olhasse enquanto eu durmo, porque isso seria simplesmente assustador.

A menos que você goste de mim, pensou Calum. Como gostar romanticamente. Iria ser fofo. E assustador. Mas Calum estava concentrando-se nas partes "você goste de mim", "romanticamente" e "fofo".

-Isso não foi engraçado.

-Foi boa – discordou Calum.

Luke nem piscou, encarando-o como se não o reconhecesse. Calum tentou se manter impassível, porque aquela havia sido boa, o nível certo de graça e sutileza e referências.

-Você era mais engraçado antes de ser trans.

Por um momento, observando-o, Luke perguntou-se não foi longe demais...

-Eu sempre fui trans – disse Calum, sem entender, porque Luke sabia disso. Não era como se tivesse chegado um dia e pensado "não quero mais ser uma garota", ele sempre não foi uma garota, mesmo quando não sabia que não era.

-Exatamente – concordou seu amigo, sério, contudo os cantos dos seus lábios curvavam-se sutilmente, porque ele podia estar indo longe demais, mas ele não podia parar de ir longe demais e ele já estava longe demais para parar de ir longe de mais. – Você nunca foi engraçado.

Calum abriu, fechou a boca, bufou e começou a rir, porque aquilo foi, era, uma piada engraçada – Luke pegou-o de surpresa! E então Calum parou, enxugando as lágrimas embaixo dos seus olhos.

-Boa noite, Luke – disse suavemente.

Luke sorriu – e, para Calum, ele pareceu o sol, o céu azul da manhã, a primavera.

Calum ainda queria o buraco, mas se contentou a girar até estar de costas para Luke e empurrar o rosto contra o travesseiro, porque.. Ahhh!!! Ele era um idiota.

-Boa noite, Calum.

Calum sorriu.

Ele era um idiota apaixonado.

E não iria encarar Luke enquanto dormia, porque estava com sono demais para ser assustador e porque...

-Eu não consigo dormir – reclamou Luke.

-Ah, cara – murmurou Calum, sem abrir os olhos, apertando-os fortemente e repetindo para si mesmo "é um sonho, é um sonho, é um sonho...", mas os dedos dos pés de Luke continuaram a cutucá-lo. – Conte carneirinhos ou o que for, mas eu quero dormir.

-Mas...

-Toc, toc, dormindo ou não aqui estou eu – anunciou Julie já dentro do quarto.

-Julie? – perguntou Luke, fraquejando ao vê-la.

Calum abriu seus olhos, surpreso, não acreditando que aquela garota fosse sua amiga. Nem Julie podia ser tão brega assim para se vestir da cabeça aos pés de bolinhas (pijama de bolinha, pantufas de bolinha, laço de bolinha nos cabelos e uma daquelas coisas que se coloca nos olhos de bolinha...), mas ela era.

-Ah, droga – reclamou Calum pela segunda vez, empurrando seu rosto contra o travesseiro. Adeus, seu lindo e profundo sono.

-Você deveria dizer "biscoito" – ofereceu Julie, solidária. – Mas não estou aqui para corrigir sua boca suja. Não é, Luke?

-Não sei do que você está falando – murmurou seu irmão, cobrindo-se com o lençol e rolando até estar de costas a ela. – Eu vou dormir. Eu já estou dormindo.

-Hum, sei. – Julie não acreditava, mas quem se importava? Não ela. – Tanto faz. – Julie passou por cima de Calum no chão e sentou-se em cima de Luke, pulando em cima dele. – Levante-se. Você também, Calum, em pé.

-Por quê?

-Você sabe o porquê. – Julie sorriu, arrogante. – Está passando o filme preferido de Luke está noite e não podemos perder.

-Eu não quero ver Star Wars – murmurou Luke, sua voz saindo abafada. – Ou fingir que vejo enquanto você finge que gosta.

-Eu nunca disse que eu gosto. Você já disse, Calum? – Calum suspirou. Julie aceitou isso como um não. – Mas, só porque você vai me deixar amanhã, eu vou ser uma boa irmã e assistir algo que você realmente gosta. Nós vamos ter um momento de ligação.

-Eu não gosto tanto assim de Star Trek – resmungou Luke.

Julie suspirou, balançando a cabeça com desanimo. Inteligências eram raras hoje em dia.

-Eu disse que vamos assistir algo que você gosta, Luke – disse ela, lentamente para não ter dúvidas – não eu.

Luke congelou.

-Não.

Julie sorriu.

-Sim.

Luke arregalou os olhos, assustado, e suplicou:

-Não.

Julie revirou os seus.

-Não vou ficar fazendo esse joguinho, agora levante-se. – Pulando uma última vez em cima do seu irmão, Julie tomou impulso e levantou-se, pisoteando Calum no processo e tropeçando antes de se endireitar. Mas quem se importava? – Tan, tan, tan – cantarolou ela sua música tema. – Para a sala!



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