História Pedaços Transformados - Capítulo 88


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Caluke, Família, Personagem Trans, Romance
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Palavras 2.187
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 88 - Boa noite - P A R T E D O I S


boa noite – parte dois

CALUM, 13 ANOS. LUKE, 12 ANOS.

Os olhos fecharam-se, a cabeça caiu e o nariz dele repousou em seu ombro, e Luke riu suavemente, porque seu amigo estava realmente cansado e ele realmente gostava daquele filme.

-Você está acordado?

-Eu estou acordado. – Piscou Calum, sonolento. – Muito... – Ele bocejou, encostando o nariz no seu ombro. – Acordado. – E o esfregou. – Eu quero dormir – reclamou, batendo-o.

Luke riu e não respondeu, concentrando-se no filme, contudo Calum o sentiu aproximando-se e encostou-se ligeiramente nele, inclinando a cabeça e esfregando os seus próprios olhos.

-Que horas é? – murmurou, bocejando novamente.

-O filme ainda não terminou – respondeu Luke, sorrindo, porque era claro que isso era o que seu amigo queria saber.

-Biscoito – praguejou Calum, silenciosamente. Luke levantou o ombro, pressionando-o contra a bochecha dele, e Calum riu. – Julie?

Luke sorriu para sua irmã deitada, observando o cabelo loira dela toda emaranhado e provavelmente enganchado de tanto se virar, os olhos suaves, os lábios curvados em um sorriso fantasma, e tudo o que ele mais queria era vê-la sempre assim, dormindo pacificamente, profundamente, e perguntou-se quando tinha visto-a tão calma.

Luke cutucou a perna dela que estava em cima das suas e os pés nas de Calum, para ver se aquela era sua irmã e se ela era real, porque tudo o que mais queria era ter certeza que era.

-Ela dormiu um segundo depois de você está babando no meu ombro.

-Eu não estava babando no seu ombro – resmungou Calum, recuando e olhando-o, com um tom que dizia tem-baba-no-seu-ombro.

-Claro – concordou Luke, batendo no seu ombro, que podia tanto ser para tirar a baba quanto pedindo para Calum deitar-se novamente. – Claro.

Calum aceitou aquilo e voltou a encostar sua cabeça no ombro dele, suspirando ao tentar ver algo bom naquele filme. Céus, como Luke gostava daquilo? Como podia ficar calado vendo aquilo? Calum tentou, mas assistir a cenas ruins era que nem ver coisas erradas e ficar na sua – ele não podia, sua boca era autônoma e dizia o que queria.

-Tudo bem, não vou falar o quanto isso é assustador.

-Isso não é assustador...

-Isso é assustador – discordou Calum. – Quer dizer, se ele – apontou para a TV – conhecesse realmente a Bella antes de entrar no seu quarto, talvez eu tirasse um pouco da parte assustador. Talvez. Mas... – Calum fez uma careta ao ver Edward tocar o cabelo dela. – Não. Isso é assustador.

-É... – disse Luke, incerto.

-Você queria ser encarado por um desconhecido enquanto dorme? – questionou Calum, virando-se para encará-lo diretamente.

Luke hesitou, intercalando os olhos entre o seu amigo e a TV, não querendo perder nada, embora soubesse tudo o que aconteceria nos mais pequenos detalhes...

-Mas ele está apaixo...

-Não me venha com essa história, Luke. Você não pode usar amor como desculpa para ser um stalker, para fazer algo errado. É como usar a religião para ter guerra. Completamente desumano.

-O que é ser humano? – murmurou Julie em seus sonhos, virando-se mais uma vez no sofá. – Humano é um adjetivo, uma condição? Humanos podem não "ser humano"? Não humanos podem "ser humano"? O ser é, o não-ser não é...

Luke tocou o joelho dela, batendo duas, pausa, duas, pausa, três vezes, e ordenou, suavemente:

-Volte a dormir.

Julie calou a boca.

Calum suspirou, olhando-a carinhosamente.

-Queria que isso funcionasse quando ela está acordada.

-Pois é. – Bocejou Luke.

-Oh. – Calum empurrou seu ombro contra o dele, inclinando-se até que Luke estivesse inclinado, e sorriu, provocador. – Será que alguém aqui esta ficando entediado finalmente?

-Cansado – corrigiu Luke. - E eu tenho que dormir cedo, porque vou viajar cedo amanhã.

-Então durma.

-Calum – disse Luke, exasperado. – Esse é o meu filme favorito, eu não vou perdê-lo por nada nesse mundo. E eu posso dormir no ônibus.

-Esse é um bom momento para você acrescentar que eu sou mais importante que dormir – comentou Calum, como quem não queria nada, mas Luke o olhou como se tivesse pedido o mundo.

-Você está parecendo muito carente, Calum, cuidado. Nenhum garoto gosta disso.

-Nem você?

Por um momento, Calum pensou se aquela era sua vez de ter indo longe demais, se não tinha passado algum limite – se eles não estavam muito próximos e se ele parecia tão carente quanto Luke dizia...

-Se você me disser se a declaração de Berkeley foi a primeira ou não.

Calum piscou, porque era claro que ele não foi longe demais, agora Luke.. Luke conhecia tão bem quanto Julie limites. Luke parecia ter algo que todos os Hemmings tinham para procurar brigas e confusões e comprar mais do que podia lidar.

-Não estou te dizendo isso, Luke. – Calum virou-se de costas, pegando o lençol e cobrindo-se com ele. – Boa noite.

-Qual é, Calum? Não é como se eu tivesse perguntando se você já beijou ou gosta... Oh! – exclamou, vendo as bochechas e as pontas das orelhas e do nariz vermelhas. – Você...

Calum não sabia o que era que Luke diria, mas estava tão quente e desconfortável, que tirou o lençol de si e confessou rapidamente, antes que algo que não quisesse fosse retirado à força da sua boca:

-Eu nunca beijei. Ninguém. Antes.

-Ah. Ah – disse Luke, olhando-o como se nunca tivesse visto-o, arregalando os olhos a cada “ah”. – Ahhh!!

-Você não precisa ficar repetindo "ah" – resmungou Calum, emburrado ao voltar para a posição de antes.

-Ah! – Luke ainda não tinha terminado. – Eu posso te beijar.

-Pare com... – As palavras cessaram tão rápido e sua cabeça virou-se mais rápido ainda, que Calum sentiu-se tonto. – O que?

-Eu posso te beijar – repetiu Luke. – Se você quiser.

-Você pode? – repetiu Calum, fracamente, duvidando dos seus ouvidos. Isso tinha acontecido ou era um sonho? Ele estava com tanto sono assim para sonhar acordado? – V-você... – gaguejou, sem saber. Respire e inspire e não pire, pensou Calum, tentando fazer tudo isso e falhando em uma das três. – Você não precisa fazer isso, Luke, tudo bem. Eu não... Eu posso... Eu...

-Pedir a Julie? – provocou Luke, levantando a sobrancelha, zombador.

-Não – disse Calum, firmemente. Ele não pediria isso a Julie, não a Julie que era quase sua irmã, seria estranho. E nojento. Seria quase um incesto e ele não tinha nem um desejo para tal. – E-eu não sei. E-eu vou...

Calum sabia o que não iria: beijar alguém. Porque ele não iria beijar alguém que não gostava e não se via beijando ninguém que não fosse Luke.

E ele não iria beijar Luke.

-Eu posso te beijar – disse Luke, que claramente não pensava o mesmo. – Já serve como prática para mim também. Então... – Ele olhou ao redor. – Onde você quer que seja seu primeiro beijo?

-Vai fazer diferença? – Calum não podia acreditar que estava fazendo isso. Dizendo isso. E não podia parar. Porque queria aquilo. E gostava de sofrer. – Onde foi o seu primeiro beijo?

-O meu primeiro beijo... – pensou Luke, batendo o dedo ritmicamente contra os lábios.

Calum sentiu o seu estômago cair ao pensar em quantas garotas, garotos, pessoas, seu amigo já havia beijado antes, quantos já haviam sentido os lábios de Luke contra o seu, quantos ainda iriam.

Calum sentiu o seu estômago cair ao pensar que ele iria – ele iria sentir o mesmo que eles sentiram, ele iria beijar Luke.

-O meu primeiro beijo vai ser no mesmo local que o seu.

-O que?

Calum não entendeu.

-Eu também nunca beijei ninguém antes, Calum – confessou Luke, empurrando-o com o ombro.

-Seu primeiro beijo vai ser comigo? – questionou Calum, quase caindo ao ser empurrado.

-E o seu também.

-Isso não é... – Calum hesitou. – Um problema?

-Por que seria? Quem melhor do que meu melhor amigo para ser meu primeiro beijo? E depois não vamos precisar nos preocupar com o fato de estar fazendo direito ou errado. É o meu primeiro beijo e o seu. Estamos treinando. Eu não vou rir de você ou você de mim. É perfeito.

Calum tinha que concordar era perfeito. Ele já se sentia bastante nervoso com a idéia de beijar alguém, beijar alguém e esperar algum tipo de julgamento era ruim, bastante ruim, mas ruim do que seria beijar Luke.

O que tinha de ruim em beijar Luke? Calum não conseguia imaginar, ele não conseguia nem ao menos pensar – sua mente já estava entrando em colapso apenas tentando.

-E – acrescentou Luke – não vamos precisar nos preocupar com sentimentos não correspondidos e todas aquelas outras coisas depois também. Não é como se estivéssemos apaixonados.

-É – riu Calum, acompanhando fracamente.

O que tinha de ruim em beijar Luke? Luke. Por que Luke? Por que Luke tinha que ser essa pessoa? Por que Luke que era seu melhor amigo e a pessoa que ele gostava? Por que a amizade deles precisava ser atrapalhada?

Sem pensar, perguntar, hesitar, Luke inclinou-se para ele e... recuou. Isso não era simples, nem um pouco. Apesar de tudo o que disse, Luke sentia-se nervoso, porque aquele seria o primeiro beijo de ambos e eles não sabiam o que fazer – e não era como se Calum fosse zombar dele, Luke sabia que o seu amigo não iria, mas ele sentia-se nervoso mesmo assim, porque nunca tinha feito isso antes e porque... Calum era o seu amigo.

Luke queria impressioná-lo.

Luke tinha medo que algo desse errado.

-O que foi, Luke? – provocou Calum. – Já está desistindo?

Porque aquele beijo podia ser o mais fantástico ou o pior de todos, mas Calum precisava dele.

Calum precisava beijar Luke, seu melhor amigo, para saber que aquilo que sentia não era... Não era real, não era sufocante e venenoso; que a amizades deles não seria atrapalhada, continuaria intacta; que tudo aquilo que sentia não estava longe demais, num ponto sem volta.

Calum precisava beijar Luke para saber que continuaria depois disso, que podia continuar ignorando aqueles sentimentos, que eles iriam continuam sendo amigos, porque... Muito mais do que aquele beijo, Calum precisava daquela amizade, e para ter aquela amizade Calum precisava saber, ter a certeza, que aquele beijo não iria atrapalhar nada.

E ele precisava beijar seu melhor amigo para ter essa certeza.

Calum precisava beijar Luke.

-Pronto? – questionou Luke num sussurro, inclinando-se para frente, para o seu amigo, com os olhos fechados.

-Hum, sim... – disse Calum, meio que hipnotizado e meio que tentado a fazer o mesmo. Seria tão fácil inclinar-se para... Não, não seria. Não era. Calum não podia. – Espere, não – disse ele, colocando a mão no peito do seu amigo. – Eu não posso.

-O que foi? – questionou Luke, parando, abrindo os olhos, mas não se afastando. – Eu fiz algo errado?

-Não – respondeu. – É só que... É só que...

Antes que desistisse, Calum o beijou.

Foram lábios secos e suaves um contra o outro; foram lábios delicados e temerosos; foram lábios que se encontraram por pouco tempo.

Foi rápido.

E, tão rápido quanto veio, eles se foram, mas seu estômago... O estômago de Calum dizia que foi uma eternidade na montanha russa, apenas subindo e descendo e girando.

Seu primeiro beijo, suspirou Calum, foi... Ele ainda não podia acreditar que aquele tinha sido seu primeiro beijo.

-Isso foi horroroso – disse ele, piscando surpreso.

-Sim – concordou Luke, provando os próprios lábios pensativos antes de abrir os olhos. – Segunda tentativa?

-Tente até acertar? – adivinhou Calum.

-É, tipo isso.

-Certo – concordou.

Ele não tinha perdido nada (nada além do seu primeiro beijo), então por que não? Calum não estava pensando, nem um pouco sobre como os lábios de Luke eram macios e ele queria mordê-los para ver se era real, estava apenas seguindo o fluxo. E, se Luke queria “tentar até acertar”, quem era ele para negar?

Naturalmente, sem esforço, sem uma ação consciente, seus lábios se encontraram no caminho e Luke sentiu sua mão deslizando pela bochecha de Calum, como se pertencesse a outra pessoa, e ela contornava a mandíbula dele, descia pelo pescoço, subia para os cabelos...

-Meninos?

E então ela era a mão de Luke de novo e queimava. Ele queimava. Ele estava queimando. Seus dedos, seus lábios, seu rosto, seu corpo. Tudo o que tinha e o que não estava tocando Calum queimava, estava em combustão espontânea, tinha vida própria.

Luke olhou para sua irmã, meio sentada ao lado dele, meio acordada e completamente dormindo, e se lembrou que ela estava ali – ela estava ali e ele estava beijando Calum. Ela tinha... visto?

-Por que vocês estão com os lábios vermelhos? – questionou Julie, confusa. – Por que vocês estão vermelhos? Vocês... vocês... – ela bocejou, levando as mãos aos olhos, mas Luke foi mais rápido.

-Dormindo, Julie – pediu, segurando a mão e empurrando a cabeça dela para baixo. – Está cedo ainda.

-Tuudo bem – disse ela, confusa e sonolenta enquanto deitava-se e bocejava novamente. – Boa noite.

-Boa noite – disse Luke rapidamente, antes que sua irmã mudasse de ideia. Antes que ela percebesse o que tinha acontecido. – Ca...

Luke calou-se, olhando a confusão que Calum era, como os lábios dele e seu rosto estavam vermelhos, seus olhos arregalados, e seus cabelos um pouco despenteados – tinha sido ele? Luke tinha feito aquilo?

-Boa noite – disse Calum antes que Luke pudesse, encolhendo-se no canto de sofá, de costas ao seu amigo, antes que algo pudesse ser dito.

Luke concordou, grato, olhando para frente, para a TV, sem realmente enxergá-la.

-Boa noite.


Notas Finais


Alguém esperava por isso?


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