História Pedophilia: dores, magoas e traumas. (2 parte Gaara). - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hashirama Senju, Kankuro, Karura, Kiba Inuzuka, Madara Uchiha, Neji Hyuuga, Rock Lee, Sai, Shino Aburame, Temari
Tags Assassinato, Drama, Leegaa, Superação
Exibições 114
Palavras 2.466
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


O corajoso não é aquele que não tem medo.
E aquele que enfrenta o medo
Pois temores todos têm, mas e muito mais fácil se deixar
Ser vencido por eles.

Capítulo 14 - Escola da policia.


Fanfic / Fanfiction Pedophilia: dores, magoas e traumas. (2 parte Gaara). - Capítulo 14 - Escola da policia.

Gaara recebeu uma licença do ministério publico para poder entrar na escola da policia, a maioria dos que se candidatavam acabavam voltando sem sucesso da prova de admissão, era uma prova de quinze páginas com conhecimentos gerais e específicos do direito, nessa prova o candidato já deveria informa o que pretendia no futuro, investigador, papiloscopista, escrivão, delegado e promotor, Gaara almejava ser promotor federal, o cargo mais cobiçado pelo salário bastante generoso, porém o mais difícil de passar, de cem candidatos, dez conseguia passar pela prova de admissão, e desses dez, cinco conseguia suporta o longo treinamento de escola internato de três meses.

Quando Gaara chegou ao local de prova percebeu uma fila quilométrica dobrando as esquinas, passaria a manhã inteira somente naquela fila, de todos os trabalhos que existiam no Japão, ser policial era muito respeitado, um policial tinha que ser ético, centrado e intelectual, exatamente por isso não tinha a categoria advogado, por que muitas das vezes o advogado precisa usar de artimanhas para tirar um réu culpado da cadeia, esse e o seu trabalho, e os policiais precisam fazer justiça. Entretanto o motivo daquela fila ser enorme era muito simples dinheiro, ser promotor era o sonho de consumo da maioria dos moradores de Konoha.

Gaara conseguiu ser atendido lá pelas quatro da tarde e havia chegado sete da manhã, almoçou na fila e todo esse tempo precisou ficar em pé e no sol, de tarde ainda caiu uma chuvinha que molhou a galera inteira, Gaara preencheu todas as fichas e ainda teve que ouvir um: tem certeza que quer ser policial? Gaara poderia ter ganhado um pouco de corpo na escola militar, mas ainda era baixinho e franzino no olhar da maioria das pessoas, além de seu aspecto andrógeno o que aumentava o preconceito.

Na véspera da prova Gaara não dormiu mesmo sendo excepcional queria ter o primeiro lugar, queria gabaritar o provão e mostrar seu valor desde o ingresso, ainda que seus superiores o achassem apenas um nerd querendo ser homem, Gaara provaria a todos que podia ser muito mais.

- Sabaku!

- Neji?

- algo me dizia que eu te encontraria aqui.

- por que está aqui? Pensei que a empresa de advogados do seu pai fosse seu patrimônio.

- ela e com certeza, porém eu quero mais, quero ser delegado, e aposto que um nerd super inteligente e metido como você quer ser promotor.

- sim eu vou ser promotor.

- (segura o braço) você ainda me deve um beijo boneca.

- me solta, você nunca vai tocar em mim.

- eu sempre consigo tudo o que eu quero Sabaku, e não é um irmão ex-presidiário que vai tirar a minha presa da rede, lembra-se disso.

Gaara se sentiu intimidado por alguns segundos, mas rapidamente levantou a cabeça ninguém ficaria no caminho do seu sonho, ao entrar na sala eram tantos candidatos de se perde de vista, sentou-se na quinta fileira e recebeu o caderno de provas virado do avesso, a ordem era desvirar somente quando a sirene tocasse, instruções foram ministradas para todos os candidatos, Neji fez questão de sentar perto de Gaara somente para deixa-lo nervoso, Neji fez um ok! Com a mão direita e levantou o dedo indicador da mão esquerda e assim fazia gestos obscenos para Gaara, o que irritou outro candidato.

- dá pra parar com essa merda? Qual e o seu problema?

- não enche esquisito. (Neji)

- ele tá incomodando você?

- quem eu? Não, eu tó cagando pra ele. (Gaara)

- sou Rock Lee Maito.

- Gaara Sabaku.

- prazer moranguinho.

- me chamou de que?

 PRIIIIIIM!

- ATENÇÃO DESVIRAR A PROVA, VOCÊS TEM QUATRO HORAS.

Ao desvirar a prova Gara percebeu que praticamente todos os códigos, artigos e incisos da lei japonesa estavam naquele caderno, sabia que a prova era carne de cabeça, mas nunca pensou que fosse realmente tão salgada, muitos dos candidatos faziam a prova pela quinta, sexta e sétima vez, era muito pior que a prova da ordem. Contudo o celebro magnifico que ficava dentro daquela cabecinha ruiva era rápido para pensar.

Vários candidatos começavam a suar, roíam as unhas, coçavam a cabeça, forçavam o lápis a ponto de quebra-lo, era um apaga, apaga de borracha, Gaara se mantinha concentrado, Neji estudou feito um louco para aquela prova, as horas avançavam e já tinha gente quase chorando por não saber nada, textos enormes formavam as perguntas e as alternativas eram tão bem escritas como a questão principal, uma pessoa que não tivesse feito pelo menos um preparatório jamais conseguia passar da primeira página.

- JÁ PASSARAM DUAS HORAS SUAS BESTAS!

As horas pareciam voar, o relógio parecia está brincando com os candidatos, um deles não aguentando a pressão se levantou e entregou a prova sem terminar era o fim da linha para ele, com três horas de prova Gaara terminou tudo e se levantou,Neji ainda tentou faze-lo tropeçar e pediu desculpas com um beijinho soprado, Gaara entregou a prova e saiu de cabeça erguida tendo a certeza absoluta de sua aprovação e entrada na escola da policia.

Dez dias depois lá estava o resultado no paredão do ginásio que serviu de sala para os candidatos, eram muitos reprovados, o novo recorde de reprovações, Gaara ficou em primeiro lugar e recebeu um aperto de mão do coronel, Neji também passou para seu total desconforto teria que aturar o Hyuuga no internato de três meses, porém o que lhe chamou mesmo a atenção foi Maito Rock Lee, o moreno não tinha cara de ser muito esperto, mas ficou em segundo lugar. Quem vê cara não vê intelecto.

- o seu ruivinho passou em primeiro lugar Neji.

- eu sei Hiroki, mas essa alegria vai acabar rapidinho, o internato e feito de dormitórios com duplas, eu vou comprar quem quer que seja e vou ficar no mesmo quarto que aquele metidinho e vou consegui o que mais quero, aquele traseiro pra minha coleção.

- você não presta.

- eu quero aquela boneca, e o jeito como ele me esnoba só me dá mais vontade de tê-lo gemendo embaixo de mim.

 - ele pode não te querer mesmo estando no mesmo quarto, primo.

- dane-se se não for por bem, vai ser na marra, eu sou Neji Hyuuga, ninguém virá às costas pra mim, muito menos um viadinho metido que nem esse merda.

Rock Lee ouviu toda a conversa e pior que dentre outros aspirantes Gaara também estava no alvo, o ruivo era sem duvida muito bonito, e pelo fato da maioria dos aprovados serem homens sexualmente ativos e terem que ficar três meses trancados num internato com um único garoto com cara de menina não ajudava em nada, temendo algo ruim Lee foi até o coronel.

- o garoto que passou em primeiro lugar e andrógeno e eu ouvi nos corredores que muitos aspirantes querem pegar ele pra dá uma geral, eu tenho medo que ele passe por algum tipo de estupro, ele parece ser muito frágil, por favor, eu sou um homem de respeito, jamais tocaria num fio de cabelo dele, nos deixe no mesmo dormitório, lhe peço como homem honrado.

- ainda que eu o deixe com você, acha mesmo que conseguirá protege-lo dos demais?

- posso pelo menos tentar coronel.

- Lee, você é um excelente soldado, mas aqui não é lugar para nerds como esse ruivo, ele parece uma boneca.

- eu sei, mas ele passou em primeiro lugar e merece uma oportunidade, se sair futuramente que seja pela exaustão dos treinamentos físicos e não por ter sido maltratado.

- está certo Lee, ele será colocado com você.

- obrigado coronel.

Quando Neji entrou na sala do coronel para lhe pedir um favor que seria muito bem recompensado, o coronel já cruzou os braços e fechou à cara percebendo a malandragem escondida naquelas palavras, Neji queria Gaara em seu dormitório e caso o coronel permitisse, os Hyuuga teriam uma divida de gratidão que saberiam muito bem como demonstrar, o coronel percebendo a proposta indecente se levantou com toda a sua autoridade e mostrou a Neji como se trata pessoas soberbas.

- OLHA AQUI SEU MOLEQUE METIDO A MACHO, VOCÊ TÁ PENSANDO QUE ISSO AQUI E O QUE SEU PORCARIA? NENHUM MAURICINHO, FILHINHO DE PAPAI, VAI ENTRAR NA MINHA SALA ACHANDO QUE PODE ME OFERECER O QUER QUE SEJA SEU GRANDE MERDA, PRA MIM NÃO EXISTE ESSA PORRA! DE HYUUGA, SENJU, SARUTOBI, TODOS SÃO ASPIRANTES E O SENHOR JÁ ESTÁ A PONTO DE LEVAR UMA BELO CHUTE NO TRASEIRO, SE NÃO TIRAR ESSA SUA CARA DE CU DA MINHA FRENTEEEE!

- sim senhor.

- FORAAAA!

Neji ficou furioso, mas não poderia comprar ninguém naquele lugar, então teve outra ideia genial, subornaria o aspirante que tivesse a sorte de dividir o quarto com o Sabaku, para seu azar e maior raiva, Rock Lee Maito foi quem dividiria o dormitório com o ruivo que Neji gostava de achar que era seu, o Hyuuga ficou ainda mais espumando por que conhecia Lee desde criança então sabia que jamais Lee se venderia por qualquer quantia, o filho de Gai era incorruptível.

Gaara entrou no dormitório e Lee já estava no quarto, o moreno havia escolhido o lado direito, então Gaara teria que ficar no lado esquerdo, o ruivo estava um pouco tenso em ficar com aquele cara, afinal Lee havia lhe dado um apelido de fruta, e fruta só serve para uma coisa “comer” Gaara tinha certeza que Lee era mal intencionado consigo, mas se ele tentasse algo, Gaara se defenderia.

- oi moranguinho.

- meu nome é Gaara.

- lembra-se de mim?

- Rock Lee.

- exatamente, fiquei impressionado passou em primeiro lugar, gabaritando a prova, você é realmente muito inteligente.

- obrigado.

- olha hoje a gente não vai passar por nenhum treinamento, mas amanhã a partir das cinco e meia, o negocio já vai apertar tá preparado?

- eu estudei na escola militar.

- serio?! Não tem cara.

- tá me chamando de mentiroso?

- não moranguinho.

- Gaara!

- certo, e que eu também fiz escola militar, desde molequinho.

- eu cursei só o segundo grau, mas sei muito bem as atividades.

- sabe lutar?

- sei, tá duvidando é?

- me dá um soco.

- serio?!

- sem sacanagem, me dá um soco, moranguinho.

- GAARA!

- tá bem, não precisa gritar,Gaara.

- desculpa, e que eu odeio apelidos.

- foi mal, mas vem me mostrar o que sabe fazer.

Gaara estava achando aquilo muito esquisito, mas se Lee queria testa-lo era uma boa forma de demonstrar que não era uma menina assustada, ele sabia se defender, rapidamente as palavras de Fuu e seus ensinamentos de batalha vieram a memoria do ruivo e ele se colocou na posição, deu um soco que acertou a mão direita de Lee, o moreno tinha muita força, socou novamente atingindo a mão esquerda, Lee tentou acerta-lo com o punho direito e Gaara defendeu com o braço, Lee lhe deu uma rasteira e o Sabaku foi ao chão.

- você bate bem moranguinho, mas precisa cuidar das suas pernas.

- Gaara.

- está bem, Gaara.

Gaara saiu do chão e foi tomar um banho estava furioso por Lee ter tido o atrevimento de ter lhe dado uma rasteira e continuar o chamando por aquele apelido idiota, saiu do banheiro e viu Lee só de box preta fazendo flexões, achou aquilo o fim da picada, se Lee estava pensando que o impressionaria com aquilo estava louco, Gaara jamais se sentiria intimidado por alguém tão estranho.

- flexões?

- é, eu faço todos os dias, meu pai e professor de educação física, ele me acorda todos os dias as cinco da manhã pra treinar, eu sou militar, mas a investigação e a minha paixão.

Gaara achou que aquilo era coisa de maluco e foi pegar um livro de direito para ler, na escola da policia não haveria só treinamento físico, a instrução para cada modalidade jurídica também seria ministrada, Gaara precisava se preparar para os exercícios da promotoria, enquanto Gaara lia seu colega de quarto começava as abdominais, o moreno passava de cem, ver Lee malhar era como assistir a um canal de gente fitness, o moreno parecia incansável, o corpo de Lee era totalmente definido cheio de músculos e barriga com gominhos, coxas torneadas e uma panturrilha bem roliça, só o corte de cabelo e as sobrancelhas enormes e que diferenciavam o visual.

PRIIIIIM!

- o que isso?

- o almoço, meio-dia, moranguinho.

- Gaara, por favor, custa me chamar pelo meu nome.

- foi mal, vou me policiar, Gaara.

Gaara colocou uma roupa esporte para ir até a cantina lembrava-se de como era deliciosa a comida da escola militar que estudou no ensino médio, torcia para que a da polícia fosse igual, o ruivo chegou numa fila bem grande e distraído só se assustou quando sentiu alguém apalpar sua bunda, olhou rápido para trás e viu Neji, o moreno mandou um beijo soprado e Gaara teve que se controlar, Lee apareceu depois e ficou atrás de Gaara.

- vai comer o que?

- não sei mais.

- o que foi? É o Neji?

- não, é problema meu.

- você é meu colega, e problema nosso.

Gaara colocou peixe, arroz branco temperado, feijão e farofa e pegou um suco de laranja fresca, Lee pegou um belo pedaço de filé com arroz integral e salada vinagrete e um suco de limão, os dois sentaram juntos e Neji teve que ficar sem olhar para aquela mesa, Neji poderia se achar a última coca-cola do frízer, mas não era doido de enfrentar Rock Lee, pois conhecia muito bem o nível de treinamento do moreno, eles foram amigos no passado.

- delicioso, na escola militar também era muito bom.

- nós militares somos os melhores cozinheiros.

- você sabe cozinhar, Lee?

- dou um show na cozinha tá por fora.

- isso eu gostaria de ver.

Ao voltar para o dormitório Gaara ligou para sua família assim como Lee, e ambos falaram sobre o primeiro dia, Gaara omitiu de Kankuro a presença de Neji, para Kankuro não ter problemas, o ruivo temeu que o irmão super protetor tentasse alguma coisa e se desse mal pelo sobrenome bem de vida de Neji. Ao chegar da noite Lee voltou a ficar somente de cueca o que incomodou Gaara.

- vai ficar assim? Só de cueca?

- por quê? Incomoda?

- não, e que eu tó acostumado com o pijama.

- aposto que você é filhinho de mamãe.

- o que?

- tem mulher na tua casa, mãe, irmã.

- eu tenho mãe e irmã, mas também tenho um irmão mais velho.

- você é o caçula, e o bebê.

- fala isso de novo e eu quebro a sua cara.

- uh! Que medo, moranguinho.

- ah! Desisto!


Notas Finais


" Eu fui uma de tantas crianças que foram abusadas sexualmente na infância por meu pai.
Não fui a primeira nem a última.
Antes de me abusar, ele já abusara de crianças e adolescentes, tanto na família de origem dele como na da minha mãe.
Minhas lembranças de ter sido abusada por ele, vêm desde a época que eu ainda ia ao jardim de infância. Meu pai me assediava diariamente e esta tortura durou por toda minha infância e também adolescência, quando comecei a tentar me esquivar dele e a protestar contra suas investidas.
Como é comum de abusadores deste tipo, desde pequenina meu pai fazia chantagens emocionais comigo, pedia que eu guardasse segredo, como prova de meu amor por ele, pois caso contrário ele afirmava que seria preso.
Ele dizia que as pessoas não entenderiam este amor dele por mim.
Segundo ele, este amor que ele dizia sentir por mim era o maior que ele já tivera.
Ele dizia não sentir amor por minha mãe e sim por mim.
Meus conceitos de certo ou errado, ficaram afetados por muitos anos, pois o conflito de querer acreditar que meu pai estava certo, como toda criança acredita e a sensação de que algo estava muito errado, por causa do segredo que ele me fazia guardar, fizeram com que eu tivesse uma percepção muito distorcida da realidade durante a minha infância.
Jamais consegui ter proximidade com minha mãe ou ser amiga dela, nem eu sentia que ela era minha amiga, pois meu pai dizia que se ela sentiria muitos ciúmes e raiva de mim se um dia soubesse que ele amava mais a mim do que a ela.
Assim, como defesa, eu passei a sentir raiva dela desde criança.
Anos mais tarde, quando eu já era adulta, fiquei sabendo que ela tinha conhecimento de que meu pai abusara de pessoas na família dela também, antes de eu nascer.
Sabendo disto não consegui mais ter respeito por ela depois de perceber que, apesar de ela saber que meu pai continuava a abusar sexualmente de crianças, ela ainda insistia tanto em querer ficar ao lado dele.
Acho importante transmitir às pessoas o quanto o abuso sexual se estende para muito além do próprio abuso sexual.
Isso afeta a vida das pessoas no sentido mais intenso e mais extenso que qualquer tipo de violência pode causar, ao mesmo tempo que deixa a pessoa viva para sofrer a dor do abandono, da traição e do desamor.
Minha baixa auto estima, meu sentimento derrotista e minhas dificuldades de relacionamentos culminaram em uma forte depressão aos meus 26 anos, quando fui abandonada por um namorado, que apesar de ser médico, dizia não conseguir conviver com meus estados depressivos.
Como muitas das vítimas de abuso sexual na infância, eu também não quis mais viver…
Após longo período de hospitalização, psicoterapia e antidepressivos, tive retomada a vontade de viver.
Mas o principal motivo, foi acreditar que eu era amada por aqueles que me socorreram: meus próprios pais.
Pedidos de desculpas, foram encarecidamente apresentados, assim como cumprimentos de novenas e promessas de que meu pai jamais abusaria sexualmente de qualquer pessoa novamente, em troca do meu perdão.
Ele se declarava "curado"!
Jurava que eu podia acreditar nele a partir de então.
Eu era a pessoa que mais queria acreditar nisso.
Eu acreditei que a iminência da minha própria morte o fizera perceber o quanto ele havia me machucado e o perdoei tentando recomeçar uma vida nova.
Eu não fazia idéia ainda, de que a história acontecida comigo voltaria a se repetir por muitos anos afora.
Mais tarde, depois de perceber toda a farsa, ao me dar conta de que ele voltara a abusar sexualmente de crianças, passei anos me debatendo em brigas com meu pai e ele tentando convencer as pessoas de que eu era louca.
Todas as tentativas de fazer com que as pessoas acreditassem em mim foram inúteis.
As pessoas da minha família achavam que eu tinha uma obsessão em suspeitar dele por causa do que eu havia vivido na infância.
Fiquei mais uma vez isolada, desta vez por trazer a verdade à tona e tentar proteger novas vítimas.
Sem as interferências negativas de minha família, consegui me fortalecer, apesar de ter carregado ainda por muitos anos o sentimento de culpa de que se um dia eu fosse tornar pública uma denúncia contra meu pai, eu iria destruir minha família.
Apesar disso, a idéia não me saia da cabeça, pois eu sabia que ele continuava a molestar crianças, mas eu me sentia ainda acuada e isolada para tomar uma atitude em relação a isso.
Tudo mudou, quando tomei conhecimento da ASCA, uma organização de sobreviventes de abuso sexual na infância aqui na Austrália.
Ao ouvir as histórias de outras sobreviventes, me dei conta de como minha história se repetia na vida de tantas outras pessoas que eu nem conhecia e também de como ficava mais claro olhar de fora a experiência destas pessoas e analisar meus próprios traumas.
Além dos encontros, outras formas de ensinamentos compartilhados foram a intensa leitura de obras literárias de outros sobreviventes, de terapeutas do ramo e de pesquisas.
Com tudo isso, passei a não me sentir mais isolada e sim fortalecida.
Eu me conscientizei, a partir de então, que era meu direito reclamar minha dignidade e também era meu dever alertar as pessoas para proteger novas vítimas de meu pai.
Denunciei meu pai por escrito às autoridades Brasileiras.
Decidi que ninguém mais me faria calar todas as angústias e repressões que eu tinha atravessadas na garganta por toda minha vida.
Foi a partir daí que a coisa começou a tomar jeito.
A promotoria apresentou a denúncia e com o tempo outras vítimas de meu pai começaram a confirmar os abusos.
Quando o abusador já estiver em idade avançada, como no caso de meu pai, as pessoas se deixam influenciar pela aparência do velho frágil e desprotegido, sem se dar conta de que por trás daquela imagem ilusória existe uma pessoa perigosa.
Outro problema que ainda existe é a crença de que crianças querem seduzir os adultos através do sexo.
Não existe como a vítima ver no terapeuta o seu aliado, se este não acredita na inocência, tanto do ato, como da intenção desta.
Quebrar o silêncio é o primeiro passo para isso.
Entretanto, também é necessário que esta possa se valer de direitos e de mecanismos legais de proteção e de reconhecimento e de respeito pelos danos sofridos.
A falta de legislação adequada que garanta a proteção das vítimas e testemunhas, bem como o afastamento definitivo do abusador de suas vidas, faz com que a grande maioria jamais reclame ou tome a iniciativa de denunciar os abusadores.
Depoimento de E. N.
Sobrevivente de abuso sexual na infância.


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