História Pedra e Flor - Capítulo 1


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Categorias Originais
Tags Drama, Narrativa Poética, Poesia
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Palavras 744
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Poesias

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Esta narrativa poética foi inspirada em um texto de "A soma de todos os afetos".
Espero que apreciem!

Capítulo 1 - Capítulo Único


 PEDRA & FLOR

 

 

“Os dias mais marcantes são aqueles em que ela sai deles um pouco modificada.

São os dias que ela se lembrará para sempre, não importa quanto tempo passe.

São os dias em que, sem anestesia alguma, ela foi confrontada com as verdades que a fizeram crescer e, de alguma maneira, enrijecer.”

 

Naquela tarde ela se trancou no quarto. Jogada na cama ouvindo o som da chuva mansa cair sobre a grama do quintal e na janela do seu quarto. Ela não queria conversar com ninguém sobre sua dor. Não queria compartilhar seu sofrimento. Ela enxuga as lágrimas que escorriam pelo seu rosto, prometendo para si mesma nunca mais lhe permitir sofrer assim.

 

“É preciso cuidado para não se blindar demais.

Cuidado para não tornar pedra o que um dia foi flor.

Cuidado para não deixar de acreditar na poesia, na delicadeza, no amor.

Como todos, ela também passou por sustos. Por momentos em que a vida lhe deu uma rasteira e não soube mais em que solo pisava.

Ela se feriu, se fechou, se ressentiu.”

 

Ela havia mudado. Agora era ríspida, séria, não se iludia com facilidade. Não acreditava em ninguém. Seu riso era forçado e seus olhos não tinham mais o brilho de antes. Ela era implacável, inalcançável e intransponível.

 

“Mas é preciso força para ser novamente semente. Para transformar pequenas gotas de orvalho em banho de chuva corrente. Para chorar mágoa e renascer flor. Para enxugar o pranto e cicatrizar a dor.

Não foi de uma hora para outra que ela se endureceu. A dor é cumulativa, e de tanto sentir o chão ruir foi se fechando também.

Aos poucos foi tecida concreto, cimento e rocha.

Aos poucos tornou-se pedra a menina que um dia foi flor.”

 

Todos notaram a mudança. O seu humor não era o mesmo. As atitudes e a maneira de enxergar a vida eram tão distintas daquela sua visão anterior e ultrapassada. Não se permitia ser enganada, ser decepcionada, ficar frustrada. Não criava expectativas, era realista e fria. Sem otimismo. Apenas esperava o pior.

 

“Porém...”

 

Um dia sorriu. Olhou para o céu e viu o sol. Depois da chuva ele insistia em reaparecer sob o céu ainda parcialmente nublado. Por que persistir diante da escuridão e dos raios daquela tempestade de verão?

 

“Ninguém é feliz por inteiro quando perde a fé. Quando perde a esperança por dias risonhos e noites dançarinas. Quando não há transpiração nem emoção. Quando falta amor e sobra rancor.

Por isso e para isso existe o tempo.

O tempo que sopra as feridas e afofa o solo árido de suas crenças e emoções.

O tempo que restaura a dor e seca o pranto.

O tempo que possibilita que volte a ser flor o que um dia foi pedra.”

 

Estava sorrindo. Foi surpreendida por uma boa notícia, por amigos novos, pessoas gentis, declarações sinceras e sentimentos recíprocos. Estava se recuperando daquela fase ruim.

 

“Contrariando o que se esperava dela, a flor rasgou o chão.

A flor rompeu a muralha de cimento e buscou a luz.

A flor encontrou uma sutura mal feita da rocha e brotou inteira, forte e verdadeira, sob os raios de sol.

A flor desafiou as intempéries da jornada e resistiu como alicerce de delicadeza e fortaleza.”

 

Estava mudada. Sua postura era mais descontraída e menos rígida. Expressava o que sentia com palavras gentis e um belo riso entre os lábios. Cumprimentava todos com um forte abraço. Era afetuosa e não havia mais motivo para lágrimas.

 

“Que haja mais motivos para ser flor do que pedra. Que sua alma não endureça a ponto de murchar diante do primeiro obstáculo, nem de perder o viço diante da aridez do terreno.

Que não falte brisas de esperança, chuvas torrenciais de harmonia e luz abundante de calmaria.

Os dias mais marcantes são aqueles em que a vida contraria o óbvio. Em que os começos difíceis são massacrados pela força de um final feliz. Em que a brisa suave do pensamento leva embora um furacão de sentimentos. Dias em que a urgência de ser feliz aprende a ser calmaria do encantamento.”

 

Embora nada fosse perfeito, ela encontrava uma forma de sorrir, um motivo para agradecer. Acreditava na lei da atração. Acredite em coisas boas que elas irão acontecer. Insistia na felicidade. Acredita no tempo como um remédio para tudo. Saudade era uma forma de amar quem não estava mais presente. Descobriu que chorar faz parte do aprendizado.

 

“Agora ela volta a ser flor.”


Notas Finais


Haja o que houver, seja Flor...


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