História Pelo meu amigo, Eli - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bullying, Drama
Exibições 34
Palavras 2.909
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Ooolá pessoal! ^-^
Me perdoem por essa demora para postar, mas aqui tamu nóis hahaha
Espero MUITO que gostem do capítulo de hoje


~Boa Leitura! :*

Capítulo 15 - Inevitável


 

- ...não. - Foi só o que consegui dizer quando ouvi aquelas palavras saírem da boca dele. “Sua mãe está viva, Nicholas...”. Minha mente girava com tanta informação, tanta confusão e coisas que não me deixavam raciocinar direito.

- Sim. - Papai assentiu deixando outra lágrima cair de seu olho, e logo enxugando rapidamente.

Jane foi morta na minha frente, Tyler sabe sobre mim e Eli, papai sabe sobre mim, eu fui roubado quando era um bebê e minha mãe está viva. Tudo isso em tão pouquíssimo tempo. É demais para qualquer ser humano.

- ...onde ela mora? - Perguntei olhando para o chão como se pudesse visualizar tudo nele.

- Ela se mudou. Não sei de nada mais sobre ela. - Ele negou rápido com a cabeça. - Eu não ia te contar isso agora. Talvez mais tarde ou... nunca. Eu... você... não devia saber...

- OK. - Disse após um tempo. Passei as mãos no rosto e respirei fundo. Voltei a olhá-lo e então disse - Era só o que eu queria saber. Agora eu posso ir - Levantei da cadeira e fiquei de frente para ele.

- Não. - Ele me olhou nos olhos - Eu que vou. - Me deu as costas e subiu as escadas. Fiquei parado olhando até que o vi voltar, minutos depois, com sua mala cinza nas mãos.

- Aonde você vai? - Perguntei quando ele passou por mim.

- Eu não sei. - Saiu pela porta e desceu as escadas da varanda. Caminhou rápido até a garagem enquanto eu o observava tirar o carro e então ir embora pelas ruas que iam ficando clara bem lentamente conforme um novo dia chegava.

 

Fechei a porta e fiquei parado olhando para a casa vazia. Não sabia o que fazer. Não sabia mais de nada. Eu só precisava de um tempo. É bem óbvio que não fui para escola naquele dia. Corri para o meu quarto sem tirar nenhum dos meus pensamentos da cabeça e foi então que extravasei.

Joguei todas as coisas que estavam na cômoda e as vi quebrarem e se espalharem pelo quarto. Rasguei os pôsteres da parede conforme gritava. Um grito seco de agonia e desespero. Puxei o lençol da cama, rasguei os travesseiros e espalhei todas as penas. Puxei as cortinas da janela e comecei a jogar todas as minhas roupas do guarda-roupa no chão.

Já estava ofegante quando me encostei na parede e escorreguei até ficar sentado diante de toda aquela bagunça. Já não tinha mais forças para chorar, mesmo assim chorei. Chorei muito pois era o que me restava.

Então fiquei ali parado enquanto minha cabeça parecia explodir. Passei quase vinte minutos ali sentado quando ouvi alguém abrir a porta do quarto rapidamente.

- Nicholas! - Carol disse com os olhos arregalados ao me ver. - Ai meu Deus... - Ela olhou para o estado deplorável do quarto, depois correu até onde eu estava e se ajoelhou diante de mim - O que aconteceu?! - Não tinha forças para falar nada, então me calei enquanto tentava desviar o olhar dela - Por favor, me conta o que houve?!...

- ...eu quero morrer... - Encontrei seus olhos lindos e disse em um tom bastante calmo.

- Do... do que você está falando?! - Os olhos dela estavam arregalados tentando me entender. Eu podia notar a curiosidade junto com o nervosismo dela - Nicholas! - Ela aumentou o tom de voz. Eu só reparava no pijama dela. Uma blusa longa que ia até metade de suas coxas e um short de algodão. Estava tão linda. - Nicholas!

- ...me... - Minha voz estava tão rouca e fraca que nem sei se ela ouviu direito - me... tira daqui...

- Para onde você quer ir?! Me diz. Eu te tiro daqui. - Ela me ajudou a ficar de pé e eu olhei para ela. Seguimos para fora do quarto e não consegui ouvir o que ela dizia, pois, minha mente viajava naquele momento. Minhas pernas doíam bastante e a cada passo doía mais. Descemos as escadas devagar e voltei a olhar para a sala. Haviam cacos de vidro no chão, onde papai jogou a garrafa. Carol me guiou até a porta que estava aberta e então saímos. O sol já estava alto, mas não tinham pessoas nas ruas. Eram ainda seis horas da manhã.

Os momentos seguintes também passaram como flashes na minha cabeça. Só lembro de andar pelo jardim da casa de Carol e depois ela me mandar esperar enquanto falava algo com a mãe. E então quando me dei conta, ela estava colocando o meu cinto de segurança no carro da mãe dela. Olhei para ela e vi a expressão diferente dela.

- Agora me conta. - Ela me olhava - O que aconteceu? Eu ouvi os gritos e quando vi seu pai saindo, fui correndo para saber o que tinha acontecido.

- Meu pai... - Passei a mão no rosto sem olhar para ela - ele viu eu... me beijando com um garoto. - Ela arregalou mais os olhos naquele momento. Pude perceber porque assim que terminei de falar, olhei para ela e vi.

- O que ele disse?...

- Ele falou que não iria ter um filho gay e... tentou me jogar para fora de casa.

- ...meu Deus! - Ela estava boquiaberta.

- E isso é só o começo, Carol. - Engoli em seco e respirei fundo enquanto ela absorvia tudo o que eu falava - Por isso preciso que me tire daqui.

- Para onde quer ir?

- Me leva para a casa do meu amigo. - Encostei a cabeça no vidro do carro - Meu amigo, Eli.

 

 

Chegamos na casa de Eliot umas seis e quinze. Desci do carro e Carol me acompanhou. Ela tocou a campainha e alguns minutos depois apareceu um garoto que usava uma camisa regata cinza e uma cueca samba canção ridícula. Os braços fortes estavam bem visíveis. Eliot estava com a maior cara de sono, sinal de que o aviamos acordado.

- Nicholas. - Ele disse quando me viu - O que houve?

- Eu... só... não quero voltar para casa.

- Ah... claro, claro - Ele ficou meio sem jeito ao ver Carol. - Entrem.

Cruzamos o portão e entramos na enorme mansão dele. Eli ia na frente nos guiando. Abriu a porta e ficamos na sala, enquanto ele ia para a cozinha.

- Eu acabei de acordar. Me desculpem. - Disse ele bocejando.

- Percebemos. - Retruquei - Adorei sua cueca.

- Vai se foder. - Ele sorriu, mas não retribuí.

- Seu namorado é bem gostoso, Nick. - Carol sussurrou no meu ouvido sem tirar os olhos dele que estava do outro lado da cozinha.

- Ele não é meu namorado. - Eu disse olhando para aquele idiota de cueca na sala que esticava os braços.

- Então... - Ele veio até nós - o que aconteceu?

- Além de tudo o que aconteceu noite passada, - comecei falando - papai nos viu quando chegamos.

- Sério? - Ele também pareceu surpreso - E o que ele disse?!

- Ele só tentou me jogar para fora de casa como se eu fosse um animal. - Sorri ironicamente para ele que estava sentado no sofá em frente ao nosso - Eu só... não estou com cabeça para tudo isso. Muita coisa está acontecendo depressa e eu... não estou pronto.

- Eu sinto muito, Nick. - Ele falou olhando para mim fixamente. - Eu...

- Como se não bastasse, - o interrompi - ele ainda me conta que eu não sou o filho biológico dele.

- Como é que é?! - Carol levou um susto.

- É. - Assenti para ela - Eu fui roubado na maternidade assim que nasci. E descobri ainda mais... que minha mãe está viva. - Os dois ouviam tudo em silêncio enquanto eu ouvia minha voz ecoar pela casa enorme - Eu não consigo acreditar... - Me levantei e caminhei pelo meio da sala. Podia lembrar da maneira que ele me contou e aquilo me deixava cada vez mais nervoso - Minha mãe está viva! Depois de todo esse tempo que pensei que ela estivesse morta. Não pode ser.

- O que você vai fazer? - Eliot perguntou ficando de pé, parado na minha frente.

- ...eu não faço ideia. - Neguei com a cabeça. - Papai... foi embora hoje cedo e não disse para onde ia. Ele estava um pouco bêbado ainda.

- Podemos ligar para ele. - Carol sugeriu.

- Não precisa. Ele também precisa de um tempo. Sei que... não deve ter sido fácil falar tudo aquilo que ele falou.

- Você precisa descansar. - Ela veio até mim e segurou em meus braços.

- Ela tem razão. - Eliot assentiu. Ele não sorria mais. Eu consegui acabar com o humor dele logo cedo - Vem comigo. - Ele seguiu na frente, subindo os infinitos degraus daquela belíssima escada - Já volto. - Ele disse com Carol que assentiu sorrindo de braços cruzados na sala.

Quando chegamos lá em cima, ele rapidamente parou, se virou para mim e me deu um abraço. Não esperava aquilo. Apoiei o queixo no ombro dele enquanto ele continuava a me segurar.

- Eu sinto muito. - Disse em tom de sussurro. Até seu tom de voz havia mudado - Pelo seu pai... pela maneira que ele reagiu. Foi tudo culpa minha. Não deveria ter te beijado.

- Vai se foder. - Ele se afastou - É claro que não foi sua culpa. Uma hora ia acontecer. É inevitável. Não podemos evitar o inevitável.

- Nossa - Ele franziu o cenho - gostei dessa frase. Vou colocar no meu status do Facebook. - E foi quando consegui sorrir novamente. Um sorrisinho bobo com o canto dos lábios. - Vem. - Ele foi até o seu quarto que estava com a cama bagunçada. - Não repara a bagunça. Vocês apareceram no meio do meu sono. Tem um banheiro aqui no meu quarto. Pode tomar um banho. Você tá um cú.

- Obrigado. - Disse ironicamente.

- Vou pegar uma roupa para você. Pode ir lá. - Assenti e andei pelo enorme quarto e entrei no banheiro que era maior que meu quarto. Olhei para aquela figura no espelho e não reconheci. O cabelo bagunçado, os olhos fundos e sem brilho, a pele pálida, os lábios sem cor e os ombros curvados.

Então tomei um banho. Um longo banho quente de quase vinte minutos. Me segurei para não chorar de novo como uma garotinha. Quando terminei, coloquei a toalha e sai, caminhando até a cama que já estava bem arrumada e com uma roupa em cima. Sorri novamente e vesti. Era uma camisa um pouco maior do que as minhas e uma bermuda jeans que ficou um pouco folgada em minha cintura. Estava rezando para ele não ter deixado uma cueca samba-canção como a dele. Nunca dividi roupas íntimas com ninguém, porque sempre tive nojo. Aquela seria a primeira vez e tenho que admitir que foi uma sensação estranha. Quem sabe Eliot não tinha alguma doença de todas as vadias que ele comeu na escola?

 

Deitei na cama e fiquei ali olhando para o teto pensativo. Minha mãe esteve viva esse tempo todo! Eu ainda não conseguia acreditar. Será que ela teve outros filhos depois de mim? Como será ela? Como será meu verdadeiro pai? Será que eles se parecem comigo? Papai costumava dizer que eu tinha os olhos dela. E eu sempre ficava imaginando meus olhos nela, mesmo nunca a tendo visto antes. Dormi. Dormi bastante e sonhei.

 

 

Quando acordei, olhei no relógio na parede e vi que era três horas da tarde. PUTA QUE PARIU! EU DORMI POR QUASE DEZ HORAS!

Quando levantei, senti como se um peso tivesse sido retirado de mim. Meu corpo e minha mente estavam mais leves. Caminhei para fora do quarto sentindo o chão frio abaixo dos meus pés e então comecei a descer as escadas. Senti um cheiro delicioso vindo da cozinha e segui, já que não havia ninguém na sala. Quando adentrei na enorme cozinha, vi Eliot virado para o fogão preparando algo. Já não usava mais a cueca samba-canção e a camisa regata para exibir os músculos. Estava com uma camisa polo preta e uma bermuda jeans e de sandálias.

- Já acordou, Bela Adormecida? - Ele se virou com a frigideira nas mãos. Tirou os ovos fritos com uma espátula e colocou dentro dos pães na mesa.

- Cara, eu dormi pra caralho. - Bocejei e passei a mão no rosto.

- Ainda bem. Carol e eu conversamos muito. Tipo muito mesmo. Ela é muito legal. E gostosa. Depois de um tempo ela teve que ir para casa porque a mãe ligou. - Ele disse, colocando a frigideira na pia. Pegou a outra que estava no fogão e tirou os hambúrgueres que fritavam nos pães. - Estou fazendo um lanche para nós. Você deve estar com fome.

- Nossa como você é prendada. - Sentei na mesa.

- A mulher aqui é você seu veado. - Pôs a outra frigideira na pia enquanto ria - Olha seu cabelo.

- Obrigado. - Estraguei a diversão.

- Para de me agradecer, Nick. Lembra do que eu te disse: eu sempre vou estar aqui por você. - Ele pegou de dentro da geladeira uma garrafa de suco - Você faria o mesmo por mim. Eu sei que faria. - Sentou ao meu lado.

- Eu faria mesmo. - Olhei para ele sem nenhum sarcasmo, ironia ou malícia. Um olhar puro e sincero porque eu realmente estava falando a verdade. Faria tudo aquilo por ele se ele precisasse. - Eu estive pensando... - Falei após terminar de mastigar o hambúrguer - acha que devemos contar para a polícia sobre o que aconteceu ontem? Com Jane?

- Não! - Ele praticamente gritou aquilo mudando completamente a expressão - Ficou maluco?! Não podemos fazer isso. Nunca. Senão todos nós seremos presos.

- Eu não consigo tirar aquilo da minha cabeça. - Nos olhávamos fixamente - Se eu fechar os olhos... posso ver tudo de novo.

- Ei. - Ele se virou - Vai dar tudo certo, ok? Nós vamos conseguir.

- Eu não vou conseguir sem você, Eliot.

- E nem eu sem você.

Nos olhávamos fixo e eu nunca me senti tão confortável com alguém. Ele me fazia me sentir bem, seguro, feliz. Caio e Jonas, meus amigos de Chicago, iriam dar uma surra em mim se soubessem que tenho um novo melhor amigo e não contei a eles. Até imagino eles me esculhambando. Mas é melhor deixar como está.

 

 

 

- Cassiopéia. - Eli falou apontando para um aglomerado de estrelas brilhantes no céu.

- Não sabia que você entendia de estrelas. - Disse eu ao lado dele. Estávamos deitados na grama do jardim olhando para o céu. A noite estava um pouco fria.

- Eu sempre fui fascinado pelas estrelas. - Falou ele - Não sei por qual motivo.

- Eu sempre olhava antes de dormir. - Comecei dizendo sem tirar os olhos delas - Sempre imaginei que minha mãe estaria lá me olhando.

- Você vai poder vê-la agora. - Ele virou a cabeça para me olhar, mas eu não deixei de fitar o céu.

- Eu... não sei.

- Como assim? Você sempre quis conhece-la e agora... agora que descobre que ela está viva quer desistir?

- É que... - Encontrei o olhar dele - e se ela estiver feliz com outro filho... com uma família e... eu apenas atrapalhar tudo. Não quero ser um intruso.

- Como seria um intruso se é sua família?

- Eu não sei, Eli. - Voltei a olhar novamente para o céu. Aquela noite estava tão linda. - Eu penso no papai... o que vai acontecer com ele? Não posso simplesmente abandoná-lo. Não posso...

- Vai dar tudo certo. - Ele também olhava para as estrelas - E se não der, você olha para as estrelas e lembra do que eu estou te dizendo: vai dar tudo certo. Sempre dá. É inevitável. - Olhei para ele e vi que ele sorria com o canto dos lábios - Não podemos evitar o inevitável, Nicholas. - E então sorri também.

 

 

* * *

 

 

- Tem razão. - O psiquiatra falou quando o garoto terminou de dizer - Não podemos evitar o inevitável. Ótima observação. - O garoto franziu o cenho e o encarou.

A porta então se abriu e Regina entrou.

- Phillip. - Disse com seu tom calmo - O paciente tem outra visita. Disse que é urgente e que não vai demorar.

- Tudo bem. - Ele assentiu se levantando novamente - Essas pausas são ótimas para ambos. Eu volto em quinze minutos então? - Ela assentiu.

- Com certeza.

Phillip saiu da sala, deixando o garoto sentado nervoso.

- Quem é? - Ele perguntou a mulher.

- É a pessoa que te prometi a visita. Está sendo trazida para cá. - Ela sorriu de leve e então saiu - Eu já volto.

O coração dele acelerava no peito a cada segundo que passava. E quando a porta se abriu, era exatamente a pessoa que ele imaginava. Entrou na sala e sorriu para ele. Quando a porta fechou, a pessoa correu até a mesa, segurou em seu rosto e lhe deu um beijo. Um beijo que ele retribuiu, sorrindo em seguida.

- Senti sua falta. - Carol falou se afastando.


Notas Finais


Até o próximo! haha
Postarei o mais rápido que puder!
Estamos chegando perto do final :O


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