História Pelo meu amigo, Eli - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bullying, Drama
Exibições 26
Palavras 3.538
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá pessoal!
Desculpem a demora, mas aí está
Espero que gostem!

~Boa Leitura!

Capítulo 16 - Violência Gratuita


 

- Eu também senti sua falta. - O garoto disse ainda sem desmanchar o sorriso em seu rosto.

- Não. - Ela logo sentou de frente para ele. - Eu não acredito que você... não... Nicholas...? Como você pôde?

- Eu já podia imaginar que era sobre isso que você viria falar. - Ele olhou para o teto, fazendo cara de tédio.

- E sobre o que mais eu falaria?! - Carol estava com os braços na mesa e nesse instante se aproximou mais. - Nicholas... você tem noção do que fez?... Do que... do que estão falando de você.

- Eu não ligo para o que estão falando de mim! - Ele exclamou. - Não ligo para mais nada...

- Mas não é esse o ponto principal... - Carol negou com a cabeça - você sabe que o que fez foi algo... caralho! - Ela se levantou, passando a mão na testa. - Eu nem consigo pensar como você pôde ter feito aquilo! E pelas minhas costas! Sem nem conversar comigo!

- O que eu ia te dizer?! - Nicholas gritou ouvindo sua voz ecoar pela sala. - Oi Carol. Caso queira saber, eu só vou ali m...

- PARA!!! - A garota esbravejou com bastante ódio. O rímel em seus olhos arregalados estava borrado. Sua maquiagem em geral estava falhada e seus olhos estavam fundos e vazios. - Por favor... não quero falar sobre aquilo. - Os dois se olhavam fixamente. - Foi coisa demais para a minha cabeça e foi tudo muito depressa... eu ainda estou tentando absorver tudo o que aconteceu. - Ela tirou uma mecha do cabelo escuro dos olhos e pôs atrás da orelha enquanto o encarava. - Eu só precisava te ver e ouvir de você o motivo de ter feito aquilo.

- Não seja sínica, Carol... - Ele abriu um sorriso. - Como ainda tem coragem de me perguntar isso?... - Ela emudeceu. - Sabe muito bem o motivo.

- O que diabos aconteceu com você?! - Ela correu até ele e se curvou enquanto aproximava as duas mãos de seu rosto. - Esse não é você! Não é aquele garoto doce que se mudou para a casa ao lado da minha...

- Eu mudei. - Ele disse em um tom frio e sério sem demonstrar nenhuma emoção. - As pessoas mudam, Carol... - Os olhos dela iam se enchendo de lágrimas aos poucos enquanto buscava os olhos dela. As lágrimas escorriam de seu rosto conforme ela soltava o rosto dele. Deu alguns passos para trás devagar e então passou a mão no rosto.

- Você devia ter contado a alguém... - Sua voz saiu trêmula. - Devia ter pedido ajuda... não era pra ser assim...

- Ninguém - ele falou pausadamente - podia me ajudar.

- Escuta aqui, Nicholas. - Ela voltou a se aproximar dele. - Eu não vou desistir de você. - O garoto apenas encarava - Não vou te abandonar agora. Muito pelo contrário... eu vou te tirar daqui. - Assentiu decididamente com a cabeça. - Guarde minhas palavras: eu vou te tirar daqui.

Ela passou novamente a mão nos olhos vermelhos e deu as costas para ele enquanto ela se aproximava da porta.

- Carol... - Ela já estava agarrada na maçaneta quando ouviu sua voz fraca falar - você... tem visto... ele?...

Ela se virou lentamente até poder olhá-lo outra vez. Passou a língua nos lábios, olhou para baixo, balançou a cabeça e depois disse erguendo novamente o rosto.

- Não.

Então se virou e saiu.

 

 

 

O relógio redondo na parede marcava três da tarde. Nicholas olhava para ele sem piscar quando de repente a porta se abriu outra vez. Phillip entrou e a fechou sem fazer barulho. Caminhou até a mesa e pôs a pasta sob ela, se sentando em seguida. O silêncio foi quebrado quando ele falou:

- Me desculpe a demora. - Pegou o gravador novamente e colocou ao lado - Mas... atrasos são inevitáveis. - Ele franziu o cenho e sorriu brevemente com o canto dos lábios.

- E não podemos evitar o inevitável, não é mesmo Phillip?

- Exatamente. - Agora o homem exibia um sorriso largo. Pegou a prancheta e a caneta. - Então... pode continuar?

 

 

 

* * *

 

 

Quando o carro de Eli parou em frente à minha casa, fiquei olhando pela janela.

- Você quer que... - começou falando - eu entre com você?

- Não precisa. - Virei para olhá-lo. - Você já fez muito por mim.

- Para com essa porra. Eu não fiz nada. - Sorri para ele e então abri a porta. Quando sai do carro senti como se um peso voltasse a pairar sobre mim. O alívio havia ido embora - Vou ficar sem meu beijo? - Ele falou colocando a cabeça para fora do carro.

- Nós trepamos ontem. Baixa esse fogo. - Sorri para ele novamente e ele gargalhou dentro do carro. Eu adorava fazê-lo rir porque sempre que ele ria, eu ria também.

Atravessei o jardim e ouvi o carro dar partida e ir embora. O portão da garagem estava fechado. Subi os dois degraus da varanda e entrei dentro de casa, me deparando com algo que não esperava.

Tudo estava perfeitamente organizado e limpo. A casa cheirava inteira a lavanda conforme eu entrava. Subi as escadas e fui até meu quarto. As cortinas que arranquei estavam postas novamente, as penas dos travesseiros não estavam espalhadas, a cama estava perfeitamente arrumada e tudo o que joguei estavam organizadas perfeitamente na cômoda.

Ver aquilo me deixou mais aliviado um pouco. Desci novamente e quando cheguei na sala, a porta se abriu.

- Não era para você ter chegado agora, porra. - Carol disse segurando uma caçarola de vidro nas mãos.

- Meu Deus... - Falei sorrindo para ela - você fez tudo isso sozinha? Nossa... eu... não tenho nem palavras para...

- E é melhor não ter. Cala a boca e me ajuda com isso que está quente pra caralho. - Corri até ela e peguei a caçarola, sentindo um cheiro maravilhoso de lasanha.

- Nossa! Isso deve estar bom pra cacete. - Caminhei até a cozinha e coloquei sob a mesa enquanto Carol fechava a porta e chegava perto da gente.

- Eu fiz agora a pouco. Espero que tenha ficado boa. - Ela foi até o armário e começou a pegar os pratos.

- É sério. - Eu disse. - Muito obrigado. De verdade. Você e o Eli me ajudaram muito quando eu mais precisei.

- Você não tem que agradecer nada. Os amigos fazem isso. - Ela colocou dois pratos na mesa e dois copos. - Agora para de fazer drama e me ajuda aqui.

 

 

Comemos metade daquela lasanha enquanto conversávamos. Estava uma delícia. A lasanha. E a conversa também.

- Então você pegou um cara no seu quarto com sua mãe dormindo ao lado? - Falei rindo.

- Foi. Foi muita adrenalina naquele dia. - Ela terminou de tomar o suco e então se levantou pegando os pratos.

- Estava uma delícia sua lasanha. - Limpei a boca e coloquei o guardanapo ao lado - Trata de fazer outra “mulé”.

- Idiota. - Ela ria enquanto colocava os pratos na pia. - Vamos comer o que sobrou mais tarde no jantar. Pode ser?

- Claro. - Levantei. - O que você disse para a sua mãe para faltar dois dias seguidos na escola?

- Ah, eu disse que estava com cólica. - Ela deu de ombros apoiada na pia com os braços cruzados. - Pelo menos ela sabe que não estou grávida.

- Pois é.

- Aonde você acha que seu pai está? - Perguntou mudando o tom de voz.

- Eu não faço ideia. - Me encostei na bancada do armário e ficamos de frente um para o outro. - Eu até queria ligar para ele... saber onde ele está e como está, sabe? ..., mas... ele precisa de um tempo para se acalmar. Para pensar sobre o que aconteceu e... o que vai acontecer daqui para frente.

- Isso mesmo. - Carol concordou. - Olha... se ele não aparecer daqui para amanhã, eu posso falar com a minha mãe e você pode ficar lá até quando quiser.

- Sua mãe ia querer um garoto dormindo sob o mesmo teto que você? - Sorri.

- Eu digo que você é gay. - Ela também sorriu.

- E quem disse que sou gay? - Cruzei os braços e franzi o cenho pensativo - Estou mais para bissexual, sabe? Eu sinto atração por mulheres também.

- Se eu disser isso a ela, você vai dormir no quintal. Digo que você é gay tipo gay mesmo. Que gosta de pinto e tal. - Comecei a rir e ela logo começou a rir também e ficamos rindo juntos que nem retardados.

- Mas enfim, - ela voltou a falar - vai dormir mais um pouco. Fica bem descansado para amanhã estar disposto a voltar para a escola.

Eu até queria contar para Carol. Sobre Jane. Mas imaginei o quanto ela ia ficar arrasada e apavorada. Do jeito que ela é, seria capaz de ir até a polícia e denunciar todos eles. Aí a porra ficava ainda pior do que já estava. Por isso resolvi que não diria nada a ela.

- Tudo bem. Farei isso.

Ela se despediu e foi embora. Eu fiquei na sala conversando com Asher pelo facebook sobre os trabalhos da escola que perdi. Ainda bem que não teve nada de tão interessante.

Não contei a Asher também sobre nada. Não queria envolve-lo em toda essa confusão. E só de lembrar que ele passou por um momento tão parecido, me deixa cada vez mais com medo de contar a ele.

 

Resumindo, aquela tarde foi bastante tediosa. Passei ela quase toda vendo os filmes no catálogo da Netflix e no final, não vi nenhum que gostasse.

Alguém começou a bater na porta.

Me levantei e abri, levando um susto ao ver quem estava do outro lado: Tyler, Larry e Davi. Na rua, o carro de Tyler estava estacionado.

- Olá, Nicholas. - Tyler disse sorrindo. Estava encostado com um cigarro entre os dentes. - Viemos fazer uma visitinha.

Só em olhar para a cara de filho da puta do Tyler já me deixava com raiva. E ouvir a voz dele e ver aquele sorrisinho escroto no rosto dele só faziam meu ódio aumentar. Acho que nunca senti tanto ódio por alguém em toda a minha vida.

- Vai se ferrar. - Bati a porta com força e ouvi as risadinhas do outro lado enquanto virava a chave.

- Ela tá de TPM. - Larry dizia entre os risos.

Fiquei ali parado olhando para a porta como se a qualquer momento eles fossem derrubar e entrar como o lobo mal e os três porquinhos. Os risos pararam e então não ouvia mais nada. Mas também não ouvi o carro indo embora. PORRA! Não sei se fico feliz ou preocupado. E então lembrei de algo que fez meu coração disparar no peito. Corri feito louco em direção as escadas e comecei a subir pulando de dois em dois. Meu coração disparava e eu já estava ofegante quando cheguei lá em cima. Fui até o quarto e quando entrei, vi Tyler e Davi lá. Larry ainda terminava de pular a janela. Tyler ainda sorria.

- Nós estamos sempre um passo à frente, florzinha. - Ele disse.

- Por favor... - Eu recuperava meu fôlego - vão embora. Por favor...

- Nós mal chegamos... - Ele ia se aproximando enquanto os outros dois olhavam para cada canto do quarto. Davi me encarava vez ou outra, mas era de uma maneira diferente. Como se não quisesse estar ali. - Não seja grosso com as visitas... - Ele falava como uma mãe fala com o filho que não quer socializar com as visitas.

- Por favor... - Eu tentava respirar devagar para me acalmar porque a vontade que eu tinha era de voar em cima deles e mata-los ali mesmo.

- Porra! - Larry falou logo atrás segurando uma latinha de cerveja nas mãos. Davi estava perto da janela aberta. - Que vontade de mijar. Pena que não achei o banheiro, mas aqui tem uma cama, gente. - Tyler gargalhava - Nicholas... você não se importa se eu...? - Ele começou a abrir o zíper.

- Por favor... vão embora...

- Ele te fez uma pergunta, cara. - Tyler disse sem sorrir enquanto Larry ficava em pé em cima da minha cama, olhando para nós. - Responde a pergunta dele.

Eu estava com tanto ódio que mal podia descrever.

- Responde, Nicholas. - Ele chegou ainda mais perto. Tão perto que senti o hálito de cigarro de hortelã dele. Eu o encarava sem dizer nada. Tudo estavam em silêncio - RESPONDE A DROGA DA PERGUNTA!!! - Ele gritou, me assustando. - Diz que ele pode mijar na sua cama. - Ele me olhava como se quisesse me beijar. Olhava para cada canto do meu rosto - Diz.

- Eu não me importo. - Falei enquanto ele mantinha os olhos grudados em mim.

- Valeu cara. - Larry sorriu e então começou a urinar na cama inteira. Ele ria alto. Quando ele terminou, fechou o zíper e desceu. Pegando a latinha de cerveja que tinha colocado em cima da cômoda.

- Agora... - Tyler apagou o cigarro no olho da escultura do Super Mario que eu tinha na mesinha - agradeça a ele.

- ...o quê?... - Do que aquele filho da puta estava falando?!

- Agradeça a ele por ter mijado na sua cama. - Ele repetiu com aquele sorriso doentio - Vai. Agradeça. - Eu olhei bem para Tyler e depois para Larry logo atrás dele. O que eles estavam fazendo comigo?! No que eu me tornei?! Na puta deles?!

- ...obrigado. - As palavras saíram quase inaudível.

- O que você disse? - Ele aproximou o ouvido de mim - Eu não consegui ouvir.

- Obrigado! - Falei mais claramente.

- Isso aí. - Ele falou sorrindo mais ainda. - Nos mostra o resto da casa. - Colocou o braço em volta do meu pescoço e saímos juntos dali. Larry e Davi vinham atrás.

- O que vocês querem? - Perguntei. - Pode falar. Eu não contei para ninguém sore nada do que aconteceu naquele dia... - Tyler não dizia nada. Descíamos as escadas. - Ninguém sabe de nada. Eu juro!

- Relaxa... - Ele falou me soltando quando enfim chegamos na sala. - Uau. Gostei da sua casa. É bem legal, não é galera?

- Eu também. - Larry disse indo em direção a cozinha. - Olha pessoal. Ela fez lasanha para a gente. - Começou a rir novamente.

- Deixa isso aí! - Corri até a cozinha e o vi mexendo na lasanha com as mãos.

- Ei, ei, ei! - Tyler veio em seguida e segurou minha nuca enquanto olhava para Larry. - Você é mesmo osso duro de roer, não é mesmo Nicholas? - O encarei e engoli em seco. - Se não ficou claro para você ainda... eu vou tentar deixar. - Ele me soltou e andou um pouco para frente, perto de Larry. Se virou então para mim e continuou a falar. - Tudo o que quisermos é nosso. Sacou? Se quisermos suas roupas... você vai nos dar. Se quisermos sua comida... você vai nos dar. É assim que as coisas são agora. - Nos olhávamos fixamente. - Caralho... - Ele negava com a cabeça enquanto ainda me olhava. Aqueles dentes brancos que eu queria socar até não sobrar nenhum - Você é mesmo uma figura, florzinha... por que ainda insiste? Não vai mudar nada. É assim e ponto.

- Isso aqui tá uma merda. - Larry jogou a caçarola de vidro no chão da cozinha, fazendo-a se quebrar em milhares de pedacinhos.

- Como é que se fala, Nicholas? - Tyler cruzou os braços e esperou uma resposta minha. Olhei para eles e para Davi ao meu lado e respirei fundo antes de falar:

- Obrigado.

- Olha! - Tyler exclamou. - Ele aprendeu! Vejam só! - Aplaudia como se eu fosse um gato que aprendeu a fazer xixi na caixa de areia. - Muito bem. Parece que essa tarde foi bastante produtiva, não é mesmo? - Ele deu uma pequena volta pela cozinha e então voltou a falar - Davi... pega o notebook dele ali na sala.

- Não! - Falei quando o ouvi dizer. O garoto ao meu lado ficou imóvel.

- Davi... vai lá. - Tyler repetiu. Enquanto isso, Larry bagunçava as coisas do armário. Abriu as portas e começou a jogar os pratos de vidro pela cozinha.

Davi se afastou e foi até a mesinha da sala onde o meu notebook estava. Pegou e voltou para a cozinha.

- Me devolve isso! - Tentei avançar em cima dele, mas Tyler apareceu na frente. - Me devolve!

- Não bastou o meu lindo discurso? Você ainda não entendeu?! Puta merda... cara... eu não vou mais falar com você sobre isso, me entendeu? - Não falei nada. Só conseguia olhar para a cara estúpida de Davi ao mesmo tempo que os pratos e copos viravam cacos na cozinha. - Agora... - me deu as costas novamente e pegou o notebook das mãos de Davi, voltando a me olhar em seguida - eu quero que você me dê o seu notebook de presente. - Ele estendeu a mão para mim.

- Por favor...

- Não adianta implorar como uma putinha, Nicholas! - Ele aumentou o tom. - Apenas faça!... AGORA!!!

Eu senti um gelo na espinha quando ele gritou. Engoli em seco novamente e então peguei de suas mãos. Cerrei os dentes e fechei os olhos com força, cabisbaixo. Larry já não destruía mais a cozinha e agora estava parado nos observando enquanto comia uma banana.

- Pega. - Falei entregando para ele. - É seu.

Aquilo foi o suficiente para ele cair na gargalhada. E de repente todos riam com ele. Risos altos e escandalosos enquanto eu apenas os encarava com nojo.

- Qual é, Nicholas? - Ele tomou fôlego para falar. - Seja mais gentil. Se me convencer, deixo que fique com ele, tá legal? - Assenti com a cabeça e respirei fundo para falar novamente.

- Pega o meu notebook, Tyler. Estou te dando ele de presente.

- Puxa... - ele pegou das minhas mãos - que gesto bonito. - Larry ria atrás. - Mas... não me convenceu. - Então soltou o notebook no chão e quando ele desabou, começou a pisotear com raiva. Quebrava a tela, o teclado. Tudo diante dos meus olhos e eu apenas assistia. - Talvez da próxima, não é? - Ele deu um tapinha no meu ombro antes de sair da cozinha. Davi passou em seguida sem trocar olhares e Larry passou por último chutando os pedaços que sobraram do notebook.

- Ah! - Ouvi a voz de Tyler na sala. Ele parou na entrada da cozinha e disse - Eu quase esqueci. Não tem nada para me dizer sobre o notebook? - Sem olhar para ele, eu cerrei os punhos e então falei:

- ...obrigado.

 

 

 

Eu estava na cozinha varrendo os cacos de vidro quando ouvi passos apressados vindo em minha direção.

- Nicholas! - Carol exclamou. - O que aconteceu?!

- Nada. Está tudo bem. Eu só me estressei. - Levei a pequena pá até a lata de lixo e despejei. - Pode voltar para casa. Eu já estou indo dormir.

- OK. - Ela me encarou com raiva e então saiu dali com passos apressados e então ouvi a porta se fechar.

Subi para o meu quarto e fiquei lá, olhando para a minha cama que fedia bastante a urina. Meus olhos se encheram de lágrimas e minha garganta ficou seca. No que eu havia me tornado? Era a pergunta que não se calava. Caminhei com passos lentos até a cama e deixei as lágrimas caírem. Fui lentamente me deitando, sentindo os lençóis úmidos molharem minha pele, até apoiar a cabeça no travesseiro encharcado e deixar o choro vir.

 

Carol tocava a campainha da casa de Eli sem parar até que alguns minutos depois, ele apareceu. Eram por volta de sete da noite.

- Carol? Está tudo bem? Cadê o Nick?

- Eu sei de tudo o que seus amigos fizeram com ele. - Ela falou na lata.

- ...ele... te contou? - Os dois se olhavam. - Olha, você não pode contar nada para ninguém ainda. Espera só o momento certo.

- Momento certo?! - Ela franziu o cenho. - Cara, eles...

- Eu sei o que eles fizeram! Eu sei o que eu fiz! Não podia fazer nada! Tinha uma faca no pescoço do Nicholas! - Carol começou a estranhar e então percebeu que não falavam a mesma coisa - Eu... precisava fazer. Eu estuprei uma garota. Porra! Eu não paro de pensar nisso nem mesmo por um segundo. - Carol arregalou os olhos surpresa. - Quando eu vi o corpo dela jogado no meio da sala eu pensei em ligar para a polícia, mas...

- ...o quê? - Falou ela então incrédula. Agora ela sabia de tudo. FODEU.



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