História Pelo meu amigo, Eli - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bullying, Drama
Exibições 31
Palavras 2.761
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


OOOLÁ PESSOAL!
Mais um capítulo! Espero que gostem!

~Boa Leitura! :3

Capítulo 4 - Desculpa


 

Que tipo de pessoa se chama “Eli”? Cadê o “Emi” e o “Eni”?

E o mais impressionante disso tudo é que ele é tão idiota quanto o próprio nome.

 

Cheguei em casa e quando cruzei a porta, meu celular tocou. Era papai:

- Alô? Nick?

- Oi pai. Acabei de chegar. – Fechei a porta e adentrei em casa.

- Eu vou chegar mais tarde hoje então... compra alguma coisa para jantar e amanhã eu te devolvo o dinheiro. Tá certo? – Eu estranhei o tom da voz dele. Nunca tinha ouvido ele falar daquela maneira.

- OK... – Falei pensativo. – Onde você está?

- No trabalho. Vou fazer hora extra. Desculpa.

- Tudo bem. – Dei de ombros.

Não foi um “tudo bem” triste de quem estava mal pelo pai não ir para casa jantar, foi um “tudo bem” de tudo bem mesmo. Eu adorava ficar em casa sozinho. Ouvir música alta, comer porcaria, andar pelado pela casa. Coisas que todo garoto faz quando está sozinho. E depois de passar o dia naquele inferno que era a escola, ficar sozinho era tudo o que eu mais queria.

- Não me espere acordado. Te amo. Tchau. – Ele desligou antes que eu pudesse falar algo. Baixei o celular do rosto e olhei para a casa vazia enquanto um sorriso se abria no meu rosto.

- Tudo bem.

 

 

Aquela cidade era um pouco estranha. O clima lá costumava variar constantemente. Uma hora estava um frio do caralho, e na outra, quente como o inferno. Mas naquele momento que sai de casa, estava frio.

Vesti meu casaco e coloquei minha toca antes de sair. Não sabia direito onde ficava o supermercado, mas uma hora ou outra teria que aprender mesmo. Por que não agora?

As pessoas daquele lugar eram diferentes, o que me fez lembrar do que Asher, o garoto gordinho, disse mais cedo “Aqui é um lugar onde as pessoas vêm quando estão cansadas de viver. Tudo aqui é sem graça. ” E eu realmente comecei a notar aquilo. As pessoas não cumprimentavam umas às outras quando passavam na rua, mesmo que não conhecessem. Não olhavam para nada nem ninguém, na verdade, apenas andavam roboticamente pensando em sabe-se lá Deus no quê.

Caminhei pela calçada até virar uma esquina e ver ao longe um supermercado grande com um estacionamento enorme. Atravessei a rua e entrei. Lá dentro era bem mais frio do que lá fora devido ao ar condicionado. Várias pessoas estavam lá com suas famílias ou sozinhas. Todas com cestas lotadas de coisas. Em parte, me senti bem por não ser o centro das atenções como na escola. Peguei um carrinho entre vários e arrastei em direção a um dos enormes corredores.

Coloquei no carrinho uma caixa de cerais de milho, cookies, biscoitos de chocolate, salgadinhos, mais salgadinhos, nutella, mais nutella, refrigerante (mesmo eu não tomando), suco, barras de chocolate, aveia, sorvete, cobertura de morango para o sorvete, pipoca de micro-ondas, energético, mais nutella e mais cookies. Eu parecia uma criancinha obesa fazendo as compras.

Levei até um dos caixas que estava vazio e comecei a colocar tudo enquanto uma mulher com a cara emburrada pegava e passava pela máquina que apitava a cada coisa. Enquanto eu colocava, percebi que alguém havia parado ao meu lado.

- Parece que o pai de alguém não vai ficar em casa hoje. – Era uma voz feminina. Nunca tinha ouvido aquela voz. Mas a dona dela, já. Olhei então rapidamente e vi que era a vizinha. Usava uma blusa regata branca que mostrava seus braços, vários colares no pescoço com tantos pingentes que deu uma dor de cabeça só de olhar. Usava um short curto rasgado e um coturno. O cabelo estava um pouco caído no rosto que tinha um sorriso meio bobo.

- A... ah... – Eu travei. Porra. Eu travei. Não conseguia dizer nada - ... pois é. – Consegui dizer então dando de ombros. – Para quê drogas e clube de strip?

Ela riu. Um risinho baixo e bonito. Os dentes dela eram lindos. Muito lindos.

- Já vou ligar logo para a ambulância porque você vai precisar depois de comer todos esses doces. – Eu sorri para ela.

A mulher atrás do balcão falou o preço da compra e eu peguei a carteira atrás do bolso. Peguei o dinheiro e paguei. Acenei para ela e sai do supermercado com as sacolas.

Estava de noite já quando sai. Fiquei até com um pouco de medo de ser assaltado ou perseguido. Quando cruzei o estacionamento, ouvi a voz da garota me chamar. Virei e vi ela se aproximando.

- Ei! Espera! – Disse ela com uma sacola na mão. – Está fugindo de mim?

- Mas é claro que não. – Respondi de imediato. – Por que eu fugiria de uma vizinha estranha, com roupas góticas e calada que nunca vi na vida? Isso seria loucura.

- Muito irônico você. – Ela falou enquanto andávamos. – Qual seu nome mesmo?

- Nicholas. Nicholas Smith.

- Eu sou Carol. – Ela disse.

- Belo nome. – Olhei para ela rápido e percebi que ela olhava para frente balançando a cabeça.

- De onde você era? – Ela perguntou. – E qual o pecado que você cometeu para vir parar nesse inferno?

- Eu morava em Chicago até que meu pai recebeu uma proposta de emprego e veio para cá. – Andávamos pelas calçadas cobertas de folhas secas enquanto os ventos frios varriam as ruas. Ainda bem que eu estava de toca, senão meu cabelo estaria nas alturas. – Porque todo mundo diz que esse lugar é horrível?

- Porque é. – Carol respondeu diretamente. – Minha mãe é a única que não enxerga o quanto esse lugar é péssimo.

- Você sempre morou aqui? – Perguntei.

- Sim. Me mudei quando tinha uns seis anos. – Eu gostava de olhar para ela. Ela era bonita e simpática. O jeito que ela andava era engraçado. – Eu... vi o vídeo que gravaram de você no refeitório. Sinto muito. Aqueles imbecis fazem isso com todos os novatos.

- Está tudo bem.

E não. Esse “tudo bem” não queria dizer que estava tudo bem. Muito pelo contrário, eu não conseguia tirar aquele vídeo da cabeça. Aqueles olhares feios na escola, os risinhos e os cochichos. Mas eu estava aprendendo a ignorar e era aquilo que devia fazer. Disse “tudo bem” para que não dizer que o que eu queria mesmo era bater naqueles idiotas até eles ficarem inconscientes. Acho que se falassem aquilo, ela teria medo de mim. Por isso o “tudo bem” foi o mais adequado a se dizer.

- Você contou a direção da escola? – Viramos mais uma esquina.

- Não. Deixa isso para lá. Eles querem atenção. Querem ser notados por alguém e eu não vou fazer o que eles querem.

- Você tem que falar com eles. – Ela parou no meio da calçada com uma expressão séria no rosto. Parei logo em seguida, olhando-a. – Aquilo não é algo que se faça com ninguém. Eles precisam pagar, Nicholas.

- Eu já disse que está tudo bem. Não se preocupa com isso. OK? – Ela me olhou por mais uns instantes. – Qual é? Vai dizer que você nunca sofreu bullying? É normal. Eles vão parar e procurar outro idiota para encher o saco.

Ela não disse nada. Apenas soltou um suspiro e então seguimos andando até chegar em frente a minha casa.

- Até logo. – Ela disse para mim indo para casa enquanto eu abria a porta e entrava.

Coloquei as compras no armário e comecei a limpar toda a casa. Do chão ao teto. Quando terminei já eram sete e meia. Subi e tomei um bom banho quente. Os músculos das minhas pernas estavam bastante doloridos por conta do jogo de basquete. Fazia tempo que eu não praticava.

Enquanto eu tomava banho, ouvi a campainha tocar lá em baixo. Será que era papai que resolveu sair mais cedo?

Coloquei a toalha e desci apressado até a porta. Abri e vi quem era:

- Você precisa tomar Eum pouco de sol. – Carol falou sorrindo.

- Faz muito frio em Chicago. – Expliquei envergonhado. Meu coração estava acelerado. Meu maior medo naquele momento era aquela toalha cair.

- Eu disse a minha mãe que ia na casa da minha amiga, Holly. – Ela passou por mim e entrou na casa sem ao menos terminar de falar. – Mas o que eu vou fazer lá se a fantástica fábrica de chocolates do Nicholas Wonka está bem aqui ao lado?

- Fique à vontade. – Fechei a porta. – Eu só vou colocar uma roupa. Um momento.

- Ok.

Subi as escadas nervoso e virei o corredor, indo para o quarto. Vesti uma calça, uma camisa normal e os sapatos e então desci novamente.

- Então, Carol, - Comecei falando enquanto me aproximava do sofá. Ela estava passando os canais da TV – além de roubar meus doces, o que a trouxe aqui?

- Eu gostei de você. – Ela falou erguendo as sobrancelhas. – Exceto pelo fato de que você é um tarado que fica me espionando pela janela.

- O quê? – Exclamei assustado. – Eu não estava te espionando! – Parei no caminho para a cozinha.

- Tudo bem. Relaxe. Só espero que eu tenha ficado bonita nas suas fantasias masturbatórias. – Ela levantou e veio até mim na cozinha.

- Que horror! – Falei rindo. – Então... o que vamos fazer? – Me encostei na bancada e cruzei os braços lançando um olhar duvidoso para ela.

- A casa é sua. Você que sabe.

- OK. Vamos ver um filme.

Eu adoro ver filmes quando estou sozinho em casa. E assistir filmes quando estou sozinho em casa com uma garota, deve ser melhor ainda. Não podia escolher um filme ruim. Então escolhi um filme que todos amam: A Centopéia Humana.

O filme conta a história de um cirurgião que sequestra duas turistas e um cara para realizar uma experiência doentia: transformá-los em uma centopeia humana. E ele faz! Para isso, ele costura a boca de um no ânus do outro para que eles possam ficar ligados e um alimentar o outro com suas fezes. Super adorável!

- Esse filme é horrível! – Ela dizia enquanto ainda estava na metade. – Ai que... nojo. Tira essa porra!

Comecei a rir. Rir muito. Pausei o filme.

- Pensei que você fosse gótica das trevas e não tinham medo de nada. – Falei colocando a bacia de salgadinhos na mesinha.

- Você é estranho. Muito estranho. Eu estou até com medo de você, sabia? – Ela se levantou do sofá.

- Você já vai? – Perguntei querendo que a resposta dela fosse não.

- Sim. Disse que voltaria logo da casa da Holly. Se eu demorar, ela vai surtar. – Carol começou a caminhar em direção a saída. Levantei e fui até lá com ela.

- Foi bem legal. Podemos marcar outro dia. – Falei.

- Depois desse filme eu não quero olhar para a sua cara por um bom tempo. – Começamos a rir. – Boa noite.

- Boa noite. – Fiquei observando ela atravessar o jardim de casa até enfim entrar.

 

 

Na manhã seguinte, estava eu terminando de escrever o que a professora escreveu no quadro enquanto a maioria dos outros, riam e conversavam.

- Turma, silêncio! – Gritava a professora.

Terminei tudo e então esperei que ela continuasse. Uma mão surgiu em cima da banca e puxou meu caderno.

- Me empresta aqui, rapidinho. – Olhei para o lado e vi que era Tyler. Encarei ele e não fiz nada. Não podia voar em cima dele. Atrás dele, Elliot observava tudo.

- Devolve o caderno do cara. – Elliot falou sorrindo.

- Eu só vou pegar as respostas. Fica calmo aí. – Enquanto ele copiava as respostas no caderno dele, Elliot olhava para mim sem parar. Olhei rapidamente para ele e puxei o caderno brutalmente das mãos de Tyler.

- Uuuu... – O outro babaca que andava com eles, Davi, falou afim de arrumar mais confusão.

- Me dá o caderno, Nicholas. – Tyler falou com um sorriso estúpido no rosto. – Qual é cara? Ainda está com raiva por causa daquela brincadeira que fizemos? – A turma inteira agora prestava atenção. PORRA! ERA TUDO O QUE EU MAIS PRECISAVA. – Você ainda não viu nada...

- Chega, vocês dois! – A professora interrompeu. – Tyler, por favor se retire da sala.

- O quê? – Disse ele incrédulo. – Mas eu não fiz nada!

- Por favor. – A professora repetiu. – Não me faça chamar a diretora.

Eu podia sentir a raiva dele só de olhá-lo. Ele pôs a caneta e o lápis na mesa e levantou, me encarando. A turma toda fazia silêncio enquanto ele caminhava pela fila de alunos e saia da sala.

- Então... – A professora disse quando ele saiu – vamos continuar.

Mas eu não ouvi mais nada do que ela dizia quando ele saiu. Meu coração estava muito acelerado e ficou ainda pior quando Davi sussurrou no meu ouvido:

- Você está morto, cara.

 

 

 

Na hora da saída, eu fui o último a sair da sala. Estava terminando um texto. Estava sozinho na sala de aula. Quando terminei, fechei guardei as coisas na mochila e sai da sala.

Tenho que ser sincero. Não sai mais cedo por medo de Tyler está me esperando alguma briga, ou algo do tipo. Pensei que se ficasse um pouco mais tarde, ele iria embora e esqueceria aquilo. Como eu estava errado.

- Olá, Nicholas. – Ele falou no corredor encostado na parede.

Eu senti um gelo na espinha quando os vi. Ele, Davi, o outro garoto loiro e Elliot. Todos parados no corredor vazio do segundo andar onde estávamos. Não havia um outro aluno sequer passando por ali. Ninguém da coordenação ou da limpeza. Era só eu e eles.

- Estávamos esperando você. – Tyler falou jogando algo para cima e pegando novamente. Era algo pequeno como uma moeda. Então ele jogou em mim e então percebi que era uma cápsula de bala.

- O que você quer? – Engoli em seco parado na entrada da sala.

- Só conversar. – Ele falou em um tom bastante calmo.

- Vamos embora, cara. – Elliot segurou no braço dele e falou. – Deixa ele aí.

- Está defendendo ela, Eli? – Tyler ficou de frente para ele. – É o segurança da florzinha agora? – Os outros riam. Tyler caminhou e parou bem na minha frente.

Aquilo não podia acabar bem. Eu precisava evitar antes que começasse. Olhei para ele fixamente que apenas sorria e então corri. Corri desesperado por ele em direção as escadas.

- Peguem ele! – Tyler gritou.

Eu não sei como corri tão rápido, mas corri bastante até chegar nas escadas e começar a descer. Ouvia os passos rápidos dos amigos de Tyler vindo atrás de mim. Desci as escadas pulando de dois em dois degraus até virar o pequeno caracol da escada e sentir um deles segurar meu braço.

Davi pulou por cima do corrimão e parou no final das escadas, bem na minha frente. Me soltei do garoto loiro que me segurava e soltei a mochila no chão encarando Tyler que descia as escadas.

- Você corre rápido. – Ele disse ainda sorrindo. Elliot estava no topo das escadas olhando tudo. – Mas precisa correr mais ainda. – Rapidamente senti o punho dele atingir o lado direito do meu rosto e logo em seguida, senti sua outra mão agarrar meu pescoço e empurrar minha cabeça contra a parede com bastante força.

- Escuta bem, Nicholas... – Ele chegou bem perto de mim. Podia sentir seu hálito – você deve se achar o espertinho, não é? – Ele não sorria mais. – Mas acontece que aqui, quem manda somos nós. Entendeu? – Não reagi e não falei nada. – O que aconteceu hoje na aula da Sra. Garden não foi nada legal. – Ele balançava a cabeça negativamente. – Nada legal mesmo. E eu espero que não se repita novamente. Você me entendeu? – Não disse nada. – VOCÊ ME ENTENDEU, PORRA?! – Ele gritou alto me assustando. Assenti com a cabeça devagar enquanto ele ainda segurava meu pescoço. – Ótimo. – Ele soltou meu pescoço e eu enfim pude respirar melhor. A gola da minha camisa estava bagunçada e meu rosto doía. Duas garotas desciam as escadas e passaram olhando. Ele começou a ajeitar a gola da minha camisa com um sorriso no rosto. – Está tudo bem, gente. Nós só estávamos conversando. Sem violência. – Ele exibiu um sorriso enorme. – Vamos embora. As meninas estão nos esperando.

Ele desceu o resto das escadas e chegou ao corredor junto com os outros. O garoto loiro esbarrou em mim de propósito e saiu junto com eles e por último, Elliot começou a descer. Ele não tirava os olhos de mim. Estava com uma expressão diferente no rosto. De tristeza e de culpa. Olhou no fundo dos meus olhos e sussurrou:

- Desculpa.

E então desceu o resto das escadas, se juntando aos outros.

 


Notas Finais


vacilaum :/

Até o próximo! :*


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