História Pendulum - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Ficção Cientifica, Mistério, Personagens Originais, Romance
Visualizações 6
Palavras 1.751
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Sci-Fi, Suspense
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Fala, pessoal! Espero que me perdoem pelo meu fraco ritmo nas postagens ultimamente. Com o retorno das aulas na minha faculdade, estou ficando um pouco sem tempo para escrever. Mas podem ter certeza de que não os abandonarei! hehe
Um grande abraço!

Capítulo 7 - A Promessa


Capítulo 7

 

  A cidade de Ouro Santo tem incríveis mais de duzentos anos de história. Fundada durante a febre do ouro, em meados do século XVIII, aquela tímida e bela paisagem do interior de Minas começara, como quase todas as cidades da região, com um marco-zero: a igreja local.

  Liderada por seu primeiro padre, Antônio de Pádua, a construção da Igreja de Santa Helena fora demorada e árdua. Primeiramente, porque a região era de difícil acesso. Suas discrepantes variações de altura do relevo, com diversos morros, chapadas e depressões, faziam com que o transporte por mulas e cavalos se tornasse extremamente difícil.

  Apesar das dificuldades, Antônio de Pádua crescera com um sonho, e prometera a si mesmo e a Deus que jamais o largaria: o sonho de fundar sua própria igreja. Devido às adversidades da terra, ninguém se atrevia a financiar expedições para demarcação de rotas e povoamento naquela região.

  Sempre inventivo, Antônio de Pádua, então resolveu espalhar a notícia entre todas as pequenas cidades e vilarejos nas proximidades de que havia descoberto uma mina cujo ouro tinha propriedades mágicas. “Poderes que vão muito além da imaginação de qualquer homem mortal. Somente após ver com seus próprios olhos é que acreditarão em mim”, era o que ele respondia quando lhe questionavam acerca das tais propriedades.

  A maioria dos ouvintes o chamavam de louco, até mesmo ameaçavam denunciá-lo à Santa Sé por prática de magia negra. No entanto, alguns poucos aventureiros e empresários de pequeno porte aceitaram a proposta improvável e se embrenharam cada vez mais fundo no coração de Minas Gerais.

  Alguns meses depois, a Igreja fora erguida, recheada de ouro e cerâmica. Junto a ela, também surgiram várias casinhas que aos poucos se multiplicavam, até formarem uma vila. Com o passar do tempo, a promessa do ouro mágico foi se perdendo, como uma lembrança antiga que aos poucos a mente faz questão de esquecer, especialmente após a morte de Antônio de Pádua em condições desconhecidas. O último resquício daquela história sobrenatural era o nome com o qual a cidade fora batizada: Ouro Santo.

  Ainda levaria algumas décadas até que a Igreja recebesse o nome de sua padroeira. A história de Santa Helena ainda havia de perdurar por muitos anos.

  Pouco mais de dois séculos após sua fundação, por entre as ruas do coração de Ouro Santo, um jovem rapaz corria, aparentemente sem rumo, aflito. Aqueles que o viam estranhavam. Havia claramente algo de errado com o pobre rapaz.

         ...

  Tudo era confuso. A calçada rachada aos pés de Teodoro parecia mais uma corda bamba, sobre a qual o rapaz precisava se equilibrar. A luz do Sol era forte, e chegava a quase cegar seus olhos.

  O relógio prateado em seu pulso já marcava onze horas. Teodoro já havia perdido quase por completo o turno da manhã. Ainda assim, nem mesmo nisso conseguia pensar, devido a dor lacerante em sua nuca. Ainda atordoado e confuso, havia apenas colocado na cabeça a ideia de que precisava correr bem rápido até a escola. Por vezes, sequer conseguia lembrar direito o motivo.

  Por alguma estranha razão, saltavam-lhe à mente imagens aleatórias de fogueiras e mulheres horrendas pendendo sobre um cadafalso de madeira. Perguntava-se que tipo de pensamento que tivera mais cedo o levara a visualizar aquilo.

  Teodoro tentou desviar a tempo de evitar uma terrível colisão com outros pedestres pelo menos umas três vezes. Infelizmente, sucedera em apenas uma delas.

  Com o coração na mão, e o nervos à flor da pele, chegou aos degraus que o levariam até a Escola Municipal de Ouro Santo. Sabia que estava caminhando em direção a uma bronca histórica. Conseguia apenas rezar para que não perdesse o emprego.

  Passando pela porta dupla na entrada, Teodoro caminhou, depressa, até a quarta sala à direita, onde deveria estar dando aula para seus alunos do segundo grau àquela hora. Seu coração disparou ao abrir a porta e perceber que a sala estava completamente vazia.

  “Meu Deus, eu cheguei tarde demais! Não pode ser”...

  Tentando, em vão, se acalmar, Teodoro fechou a pesada porta e retornou ao corredor. Já sentindo sua adrenalina baixar, sendo aos poucos substituídas pela apreensão de ser pego ali, resolveu ir direto para a sala do diretor. Mantinha dentro de si uma vaga esperança de que pudesse explicar o motivo de seu atraso colossal de uma forma que fizesse algum sentido. Aquilo definitivamente seria difícil.

  Teodoro atravessou o corredor a passos longos e lentos, parando bem à frente da porta do Diretor. Fechou com força os olhos, tentando acalmar a respiração. Mesmo hesitante, ergueu o punho para bater à porta. Porém, parou no meio do ato ao ouvir vozes vindas do interior da sala.

  -Você não presta! Não presta!

  Era uma voz feminina que gritava, furiosa. Logo em seguida, a voz se calou ao mesmo tempo em que houve outro som; algo como um objeto caindo no chão e se espatifando.

  Teodoro se perguntava se deveria entrar. Certamente havia uma discussão feia acontecendo do outro lado da porta. Talvez fosse melhor não se intrometer...  ou talvez precisasse intervir.

  Entretanto, antes que tomasse uma decisão, a porta subitamente se abriu. Teodoro recuou com o movimento abrupto. Da sala do Diretor, saiu uma mulher, caminhando a passos largos e raivosos. Quando ela passou por Teodoro, seus olhares pareceram se encontrar por um breve momento.

  A moça era bonita e jovem. Não devia passar da casa dos trinta anos. Seu cabelo castanho claro estava preso num rabo de cavalo improvisado e suas roupas pareciam um tanto velhas, como se houvessem sido compradas de segunda mão. O detalhe que primeiramente chamou a atenção de Teodoro foi o largo hematoma no lado esquerdo do rosto da mulher, pegando um pouco da bochecha e a região da têmpora. Téo não era médico, mas tinha certeza de que aquilo era recente e que deveria estar doendo muito.

  Durante aquele breve olhar, nenhuma palavra foi dita. Ainda assim, Teodoro conseguiu ler o sofrimento da mulher dentro de suas pupilas. Era visível o ódio reprimido que ela abrigava dentro de si. No entanto, ao invés de dizer algo, ela simplesmente virou o rosto e saiu andando em direção à entrada da escola. Teodoro podia jurar que, no fundo daqueles olhos castanhos, havia um desesperado pedido de socorro.

  O rapaz foi tirado do seu devaneio ao ouvir outro som vindo da sala. Entrou pela porta entreaberta e pôde ver o Diretor se agachando para pegar uma luminária que estava caída no chão.

  Seu corpo roliço e volumoso deixava aquela simples tarefa extremamente difícil. Seu rosto estava vermelho, fruto de uma perigosa mistura de raiva e esforço físico que faziam o sangue subir, tingindo suas bochechas tal qual suco de tomate. Se não fosse a expressão furiosa em seu rosto, Teodoro acharia aquela cena cômica. Se antes o Diretor se assemelhava a um porco, naquele momento estava idêntico a um.

  -Senhor Diretor? – Teodoro chamou, mas ele não pareceu notar sua presença – Tino?

  -O que é?! O que é, meu Deus?! – O Diretor se virou, berrando.

  Teodoro automaticamente recuou, encolhendo sua coragem até ter a ilusão de que não podia mais ser visto. Podia sentir o peso do olhar inquisidor do Diretor. Aquela seria uma batalha da qual poderia não sair vivo – ou ao menos não com um emprego.

  -Ah, Teobaldo! É você... o que está fazendo aqui!?

  -Me perdoe, Senhor Diretor. Eu me atrasei e...

  -Sim, eu estou bem ciente disso! – Ele se virou para encarar a luminária quebrada sobre sua escrivaninha e murmurou – Aquela puta sem noção... ela vai pagar, ela vai pagar!

  -Se me permite perguntar, onde estão os alunos da sala quatro?

  -Não, eu não permito!

  -O que?

  -Perguntar, ora! – O Diretor puxou com força os dois tufos de cabelo nas laterais da cabeça – Eu mandei todos eles pra casa. Agora, onde foi que ela escondeu aquela garrafa...

  O Diretor não parecia mais estar ligando para aquela conversa. Estava empenhado em encontrar sua última garrafa de pinga no escritório. Aparentemente, a mulher que deixara a sala minutos antes, provavelmente a esposa do Diretor, a havia escondido em algum lugar. O chefe de Teodoro só tirou a expressão carrancuda do rosto quando encontrou a garrafa jogada na lixeira.

  Com um largo sorriso, abriu a tampa e bebeu do gargalo mesmo. Para um alcóolatra como aquele homem, não havia nenhum problema que uma boa pinga não pudesse fazer desaparecer.

  -Onde eu estava? – O Diretor perguntou, aparentemente mais calmo – Ah sim. Você me decepcionou hoje, Téo. Não esperava esse comportamento de você;

  -Eu sei, Senhor Diretor, mas...

  -Me chame de Tino. – Ele cortou, abrupto.

  -Certo, Tino. Mas eu posso explicar. Eu...

  -Não, me chame de Diretor. É assim que tem que ser quando fico puto com algum funcionário meu!

  Teodoro começava a se perguntar se teria paciência para terminar aquela conversa. Mas sabia que precisava ir até o fim. Suspirou e prosseguiu:

  -Eu peço mil desculpas pelo atraso e garanto que isso não vai se repetir.

  -É bom mesmo. -  O Diretor disse, tomando outro gole longo.

  -Eu... eu fui agredido ontem à noite... por um estranho.

  -O que? Como assim “agredido”?

  Teodoro não havia planejado o que dizer a partir daquele ponto. Infelizmente, não tivera muito tempo para pensar em sua mentira durante o caminho até o trabalho

  -Isso. Uma... um homem tentou roubar meu relógio ontem à noite. Eu disse que não ia dar pra ele, e ele me deu um soco no rosto. Eu revidei, mas ele me derrubou no chão e acabou quebrando o relógio. Depois disso ele foi embora, mas eu continuei ali no chão por um bom tempo... até eu recuperar minhas forças.

  O Diretor o olhava com olhos pesados e incisivos. Parecia analisar cada detalhe da linguagem corporal de Teodoro, procurando o menor dos indicadores de mentira. Satisfeito o suficiente com o que vira, e já um pouco alterado pela bebida, tornou a falar:

  -Muito bem. Me parece que você passou por maus bocados ultimamente. Tire o resto do dia de folga. Mas eu não quero esses atrasos se repetindo, ouviu?

  Teodoro assentiu com um aceno de cabeça.

  -Lembre-se do nosso trato. Preciso de total dedicação sua para que essa nossa relação dê certo. Agora, vai.

  -Desculpe, como...

  -Só vai! – O Diretor levantou a voz e apontou para a porta com a garrafa aberta sobre sua mão.

  Teodoro assentiu e se despediu timidamente. Por fim, havia sido esperto o suficiente para sobreviver. No entanto, sabia que aquilo não passara de um golpe de sorte. E sorte era algo que não costumava durar.  



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...