História Pensão 1990 - Capítulo 15


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Categorias EXO, Kris Wu, Lu Han
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Baekyeol, Chanbaek, Hunhan, Kaisoo, Krismin, Ot12, Suchen, Xiuris
Visualizações 710
Palavras 6.928
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá!! Depois de muito tempo, eu estou aqui, hm? Eu pensei muitas vezes em como faria esse presente, e porque o faria... Na verdade, eu fiquei muito feliz e realizada com todo o amor que Pensão tem recebido até hoje por aí, e achei que era mais do que importante contar a todos vocês um pouquinho mais sobre como andam as coisas nessa casa cor-de-rosa. Pensei em postá-lo quando chegamos aos 600 favoritos (uau!), mas como sempre, sou um poço de atrasos!
Muito obrigada por todo o carinho, e espero que gostem desse especialzinho!
Boa leitura! ♥

Capítulo 15 - Epílogo


Fanfic / Fanfiction Pensão 1990 - Capítulo 15 - Epílogo

“Devagar, Minseok...”. A voz saiu entrecortada e abafada pelos travesseiros que o chinês insistia em prensar contra o rosto. Mas quem dirá o Kim fosse lhe dar ouvidos, justo naquele momento quando o que mais tinha era pressa. Afastou aquelas pernas longas, enterrando-se sem muita modéstia no corpo imaculado do namorado, fazendo YiFan gemer alto, agarrando o alambrado da cama e respirando pesado enquanto arqueava a coluna. As gotículas de suor escorriam pela pele branca, coberta pela imensa tatuagem que lhe ocupava toda a vértebra, e o Sol havia se tornado o astro favorito de Xiumin há algum tempo.

Era sempre uma visão ínfima fazer sexo naquela posição, pensava Minseok.

— Você podia ser mais gentil comigo, sabe? – Reclamou o mais novo algumas horas mais tarde, debaixo do chuveiro em que dividiam no terceiro andar da pensão cor-de-rosa, fazendo Minseok inclinar o pescoço para trás. — Estou falando sério!

— Devo repetir como você pediu que eu fizesse da última vez? – O coreano arqueou a sobrancelha, fazendo Kris corar instantaneamente. — Algo como...

— Não precisa! – O mais alto tapou a boca do namorado com as mãos, abafando o riso deste. — E eu estava bêbado, okay? Muito bêbado. – Resmungou, soltando Minseok e voltando a enxaguar o corpo ensaboado.

— Você usa essa desculpa desde que deu de quatro pra mim pela primeira vez. – O rosto do mais novo corou furiosamente, do jeitinho que Minseok adorava ver. O dono da pensão ergueu-se na ponta dos pés e beijou os lábios molhados do rapaz, levando os dedos até sua franja de cabelos castanhos, afastando-a dos olhos escuros e meio tímidos. — Vou ser mais gentil, hm?

— Não exagere também... Sabe que eu gosto com jeitinho...

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Já havia uns pares de anos que nosso adorado chinês meio canadense, mais conhecido como Kris-hyung, vivia entre as paredes confortáveis e doces da pensão cor-de-rosa. Os alunos das pensões estudantis vizinhas iam e viam, se graduavam, e ele continuava ali, junto daqueles onze rapazes extremamente esquisitos e insuportáveis na maioria do tempo – mas não fazia mal, ele gostava.

— Hyung, nada contra essas paradas que você faz, mas pode parar? – O chinês loiro ouviu a voz de Sehun reclamar no final da mesa do café-da-manhã. Sentou-se ao lado de Lay, lhe desejando bom dia enquanto agarrava a garrafa de café. — É muito esquisito você depilar a sobrancelha do Tao na mesa do café.

— Cala a boca, Sehun.

— Não fala assim com ele, Tao. – Ordenou Luhan, enroscando o apito em seu pescoço enquanto o moreno ao seu lado sorria vitorioso pela defesa do namorado mais velho. — Baekhyun, leve seus clientes para o salão. – Resmungou depois de enfiar uma torrada na boca, fechando o zíper de sua jaqueta Adidas e dando um beijo rápido na bochecha de Sehun. – Vejo você daqui a pouco. – Sussurrou doce, do jeito que fazia YiFan sorrir de leve. Sempre achara Sehun e Luhan um belo casal.

— Se estou fazendo de graça, farei onde eu bem entender, gay. – Murmurou Baekhyun, passando os dedos por seus cabelos impecáveis e brilhantes, bem mais escuros do que quando YiFan o conheceu. — Quer ajeitar essa taturana aí também, Kris-hyung?

— Tô de boa. – O mais velho lhe sorriu, erguendo sua xícara de café e estremecendo. Odiava café.

— Muito bem, hora de repassar o roteiro! – Kai levantou-se de sua cadeira, e foi ovacionado pelos reclames. — O que? Nós precisamos que tudo seja perfeito.

— Jongin, amigo, eu entendo que a formatura do Kyungsoo é muito importante, mas você é chato pra porra com esse seu fetiche por perfeição de detalhes. – Considerou Chanyeol com seu sorriso sonolento, dando tapinhas na mão do moreno.

— Mas eu só estou considerando evitar a margem de erros. – Reclamou de uma maneira fofa, fazendo YiFan sorrir.

— Querido, Chen e Zitao vão à festa, já temos 90% de chances de algo dar errado. – Lay espreguiçou-se, erguendo-se da cadeira e estalando as costelas. — Trarei o bolo depois das cinco, espero que não tenha que carregar aquele trambolho sozinho até a geladeira, ou haverá alguns homicídios nessa formatura.

Zitao começou seu costumeiro protesto, berrando com Baekhyun quando ele lhe puxou um pelo com muita violência, causando certo reboliço à mesa do café. Kris continuava sentado, mastigando seu pão com geleia de morango importada e bebericando de seu café ruim, observando os rapazes que pareciam entrar em colapso com uma simples festa de formatura.

— Cadê o Jongdae? – Perguntou ao namorado, que após retirar alguns pãezinhos do forno e calar a boca daquele bando de esfomeados, arrastou uma cadeira para o seu lado e apoiou o queixo em seu ombro. — Já estão assim sem ele, imagine quando chegar.

— Eu nem acredito que as férias dele terminaram. – Minseok suspirou, mordiscando sua própria torrada enquanto lembrava-se do inferno que fora aquele mês em que Jongdae estava absolutamente entediado e dentro de casa. — Ele fez questão de levar Kyungsoo para a faculdade hoje. Suho foi com eles.

— Entendi. – O loiro concordou com a cabeça, voltando a observar Jongin, que parecia muito absorto em anotar o que quer que fosse em seu bloquinho de notas online no próprio celular. — Esse garoto vai surtar até o fim da noite.

— Ele só quer uma festa surpresa perfeita. – Murmurou de maneira solidária, pousando a mão no joelho do chinês. — Não perca a hora hoje, ou ele vai te esfolar vivo.

— Só preciso acertar uns contratos. – Riu soprado do comentário do mais velho, por mais que pudesse imaginar o escândalo de Jongin se acabasse por se atrasar alguns minutos. — Tirei o dia de folga, mas Sooyeon ligou pedindo para que eu assinasse alguns papéis.

Não era proposital, mas o jeito como Minseok podia ser ciumento era encantador aos olhos e sentimentos puramente escorpianos do analista de sistemas. Primeiro ele juntava as sobrancelhas, depois torcia o nariz numa careta, e alguns segundos após deixar clara em suas expressões faciais o quanto desgostava de Sooyeon, ele fazia sua melhor pose de personalidade desconstruída e voltava a bebericar de seu café.

— Você é uma graça. – YiFan riu quando o Kim desviou precariamente de seu beijo, que foi parar na bochecha. — E muito ranzinza também. Não te deixo me comer mais.

— Até parece. – Resmungou convencido, fazendo o Wu o olhar feio. O mais baixo o segurou pelo queixo e lhe deu um selinho. — Se ela der em cima de você de novo, vou até o escritório e eu mesmo faço a carta de demissão dessa oferecida.

Kris apenas sorriu, erguendo-se de sua cadeira e caminhando para o hall da pensão, vestindo seus tênis e pondo-se a caminhar até o escritório da empresa. Por mais que se esforçasse com Sooyeon, a mesma às vezes era bastante inoportuna – desde que descobrira que ele tinha um namorado, quando certa vez Minseok saíra da academia e decidiu passar no escritório levar alguns analgésicos para o chinês adoentado por uma gripe ingrata, a garota simplesmente surtou com a ideia de que poderia unir-se ao casal num threesome.

Minseok teve um surto nada democrático naquela noite, e YiFan acreditou mesmo que ficaria solteiro, e com o coreano preso por assassinar sua secretaria. Mas agora, meses depois, Sooyeon anda muito mais desencanada, e desde que descobriu Zitao por uma foto qualquer na mesa de trabalho do chefe, criara certa fixação pelo modelo.

— Você me pergunta isso todos os dias. Não é cansativo levar uma negativa logo pela manhã, Jessica? – O loiro alto revirou os olhos, entrando no escritório e cumprimentando os funcionários, que agora eram muito mais numerosos do que alguns anos atrás.

— Se você continuar a me chamar de Jessica toda vez que eu perguntar, não. – Ela riu divertida, exibindo o sorriso infinitamente atraente em seus lábios pintados de rosa choque. — E eu faço duas perguntas. A primeira é se você e Minseok-ssi topam um sexo a três. A segunda é quando vai me passar o telefone do modelo bonitão.

— Sooyeon. – Kris parou no meio do caminho, fazendo a secretária tropeçar nos saltos de agulha e bater em suas costas. — Que porra é essa?

— Hm... Sua correspondência? – Os olhos delineados correram até os envelopes em cima da mesa do chefe, estranhando a maneira como os olhos do chinês continuavam arregalados. Levou as mãos até o punhado de papéis. — Algum problema com, hm... A senhorita Katherin? – Continuou, lendo em voz alta o nome do remetente na carta.

O rapaz não respondeu. YiFan deu a volta na mesa, sentando-se na cadeira  acolchoada e fitando o vazio enquanto mil ideias surgiam em sua cabeça. A secretaria o olhos intrigada, sentando-se a sua frente e cruzando as pernas.

— Qual o problema, Kris? – Falou num tom mais amigável, afinal, apesar das indiretas e brincadeiras, eles eram o que poderiam se considerar como bons amigos. — Quem é essa Katherin?

Minha ex.

Os lábios pintados se partiram e ela o olhou em choque. Bem, aquela sim era uma manhã bastante fora do comum. O que a ex-namorada queria com Kris depois de tanto tempo? Como conseguira seu endereço? Ou pior, será que era uma daquelas histórias de filme? Será que Katherin teve um filho e agora recorria aos cuidados, vulgo grana, do pai? Olhou para a carta simplista em sua mão, desejando retirar dela qualquer informação que pudesse sanar sua curiosidade.

— Quer que eu leia?

— Ficou maluca? – Os olhos que antes pareciam perdidos a fitaram de modo irritado. — Quero que você rasgue essa coisa. Não, quero que ponha fogo nela. – Ditou, massageando as têmporas com os dedos. — O que é que ela quer agora? Depois de tanto tempo!

— Querido, achei que tivesse superado esse seu relacionamento. – Jessica revirou os olhos, balançando a carta na mão. — Com um homem como Minseok-ssi em sua cama, se fosse você já teria superado essa vagabunda com todas as posições possíveis do Kama Sutra gay.

— Qual o seu problema? – Ralhou o Wu, fazendo a mulher sorrir. — Na verdade, qual é o meu problema que ainda não te demiti. – Resmungou, fazendo Sooyeon fitá-lo com falsa ofensa.

— Porque sou muito eficiente. – Defendeu-se com amargura. — E só saio deste emprego com o telefone do modelo gostosão na mão. – Ficaram por silêncio por breves segundos, até ela voltar a insistir: — Quer que eu leia?

— Já disse que não.

— Mas e se ela tiver um filho seu?

— O quê?! – Kris a fitou incrédulo, esticando o braço e tomando a carta da mão da mulher. — Chega de bancar a louca. Cadê os papéis que tenho que assinar?

E deixando sua secretaria completamente frustrada, o chefe Wu ignorou todos os seus apelos que oscilavam de um threesome, um número de telefone e uma carta a ser aberta. Para calar sua boca, ele teve de ceder a uma das opções. 

Esperava sinceramente que Zitao o perdoasse.

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— Deixa eu ver se entendi... – Observou Suho sentado em sua poltrona, fitando o amigo. — Sua ex-namorada te enviou uma carta depois de quase três anos de término e você não quer ler? – Finalizou, arqueando a sobrancelha. — Qual seu problema, Kris? Lê logo essa porra.

— Eu não sei! – Exclamou, embrenhando os dedos nos cabelos meio compridos. — E se tiver algo que eu não queira saber?

— Tipo o quê? – Junmyeon juntou as mãos, julgando o mais velho pelo olhar.

— Sooyeon disse que ela poderia ter um filho... – YiFan sentiu-se completamente idiota por dar voz àquela ideia absurda da secretária, e logo notou que Junmyeon também o achava.

— Vocês transavam com segurança? – O chinês aquiesceu. — Então qual o problema? Provavelmente não tem filho nenhum envolvido nisso e você está arranjando desculpas para não abrir a carta.

— Eu não quero mais saber disso... – O chinês recostou as costas no sofá largo e vazio, afundando-se nas almofadas fofas.

— Kris. Amigo. – Junmyeon cutucou seu joelho, chamando a atenção do grandão. — Você tem todo o direito de evitar toda e qualquer coisa que venha de Kate, mas já se passaram anos. Agora você tem Minseok-hyung, tem outra vida e tudo mudou para melhor. Eu espero que seja melhor. – Completou. — Você pode simplesmente abrir essa carta, confirmar se o conteúdo envolve paternidade ou não, e simplesmente voltar para a sua vida normal.

Apesar de YiFan ter absoluta certeza de que Suho tinha razão em seu discurso, decidiu que cuidaria daquele problema depois da formatura de Kyungsoo. Assim que chegara à casa, viu Kai correndo de um lado para o outro, juntando as roupas do namorado numa pequena mala, afinal ele tivera um grande trabalho para convencer o recém-diplomado em Farmácia a trocar de roupas em um lugar que não fosse sua casa, ou seja, a pensão. Kyungsoo faria isso na casa de uma amiga e companheira de classe, e Jongin iria ficar com ele até que todos se encontrassem na colação do garoto.

“Não deixe eles destruírem tudo, hyung!” sussurrou ao loiro antes de sair porta afora. Jongin ainda tinha alguns semestres a cursar da faculdade, mas estava mais bonito do que nunca. Com o boné preto escondendo seus cabelos e as roupas que o protegiam do inverno, o garoto entrou no carro emprestado por Jongdae e deu partida em busca do namorado.

Deixava algumas gotinhas de água caírem no vaso de Kevin, o cacto, quando sentiu as tão conhecidas mãos masculinas rodearem sua cintura, enfiando-se por baixo de sua blusa e tocando sua barriga nua com os dedos gelados, arrepiando sua pele.

— Demitiu aquela vagabunda? – YiFan riu ao ouvir o namorado, recostando-se à própria mesa.

— Ainda não. – Sorriu com o muxoxo de Minseok. — Mas dei à ela o telefone do Tao.

— Não acredito! – O dono da pensão gargalhou, puxando Kris para que ele ficasse de frente para si. — E o que há com você?

— Como assim? – Questionou confuso, passando os braços pelos ombros do coreano.

— Você não pode estar com essas rugas de preocupação por culpa da formatura de Kyungsoo. – Observou o mais velho, levando as mãos até as bochechas de YiFan e as apertando carinhosamente. — O que foi?

— Impressão sua. – Sorriu um pouco forçado, um pouco aliviado por sentir a preocupação alheia sob si. Inclinou-se, alcançando os lábios finos e convidativos de Minseok, roubando-lhe um beijo suave. — Já tomou uma ducha? – Deixou o mais velho, caminhando em direção à porta, puxando uma toalha de banho no caminho.

— Você é péssimo em contar mentiras, Wu YiFan. – Respondeu o Kim, e Kris virou-se para fitá-lo. Estava tão atarracado e bonito quanto a alguns anos atrás, quando seduziu por completo o chinês que se dizia absolutamente heterossexual. O próprio recostou a cintura no batente da porta, admirando o proprietário da pensão, que o encarava desconfiado. — O que foi?

— Vem tomar banho.

— Eu já tomei. – Deu de ombros, andando até a porta, a fim de seguir outro caminho. YiFan o puxou pela cintura e o arrastou forçosamente até o banheiro. — Yah!

— Vai perder essa oportunidade genuína de fazer sexo comigo?

— Eu faço sexo com você ao menos cinco vezes por semana, Kris.

— E essa era uma informação que eu não precisava obter.

O casal olhou assustado para Chanyeol, que saía cuidadosamente do quarto de Minseok, carregando um aparelho de som debaixo dos braços. O rapaz, que agora mantinha os cabelos muito ruivos, fitou os mais velhos com os olhos cansados, fazendo uma careta em seguida.

— Vocês estão beirando os 30 anos e parecem dois coelhos quando o assunto é sexo. Imagina se procriassem? – Resmungou, entregando um par de pilhas para Xiumin. — Baekhyun comprou umas pilhas novas, essas precisam ir para o lixo. Vou levar o som lá pra baixo antes que o Jongin arranque meu fígado.

— Ele já foi com o Kyungsoo. – Observou YiFan, prendendo um Minseok fugitivo nos braços.

— Graças a Deus. Não aguento mais esse garoto insuportável. – Reclamou, caminhando com seu jeito desengonçado pelo corredor. — Baekhyun é a pessoa menos metódica do universo, não estou acostumado com essa gente maluca do tipo do Jongin.

O casal fitou as passadas tortas de Chanyeol até que ele sumisse de vista. Há poucos meses ele arrumara um emprego fixo num estúdio musical, passando mais tempo em casa e dando motivos de sobra para que Baekhyun tentasse encurtar sua rotina lotada do salão de beleza apenas para passar mais tempo com o Park. Eles não admitiam e ninguém punha os pensamentos em voz alta, mas Byun Baekhyun estava absurdamente satisfeito e feliz, e comprara quatro garrafas de vinho tinto para a noite da formatura de Kyungsoo de muito bom grado.

— Quer fazer o favor de me soltar? – Resmungou Minseok, erguendo os olhos para o namorado que o segurava firme nos braços.

— Eu realmente estou sendo rejeitado? – YiFan ergueu a sobrancelha, deixando o coreano em paz e voltando seu trajeto para o banheiro que dividia com o namorado. — Vou deixar a porta aberta, hm? – Acabou por esboçar um sorriso de canto, arrancando a camisa no meio do caminho e deixando a tatuagem exposta, sempre tão bonita aos olhos do Kim.

“Filho da puta” sibilou o dono da pensão cor-de-rosa enquanto caminhava a passos duros até a porta pela qual o chinês acabara de passar.

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Uma camisa social preta e os sapatos italianos mais caros que tinha. Com certeza não era uma pessoa muito modesta para vestuário, assim como também era bastante vaidoso ao enfiar tantos anéis nos dedos. Minseok dizia que aquela presença tão metrossexual de YiFan o deixava completamente excitado, confessando esse fetiche depois de algumas doses de vinho numa noite num motel qualquer. O chinês se viu meio surpreso, e depois de uma gargalhada, acabou por notar sua própria mania de cuidar tão bem de sua imagem enquanto fitava o próprio reflexo no espelho.

Nós trepamos duas vezes hoje. – Ouviu a voz meio rouca do namorado o chamar, virando-se para observá-lo. O cabelo estava impecavelmente penteado para cima num topete. — E eu estou a fim de trepar a terceira com você vestido desse jeito. — Suspirou num resmungo, olhando de maneira ressentida para Kris, que deu seu costumeiro sorriso divertido.

— Depois da festa, talvez. – Deu de ombros, pegando o casaco em cima da cama desarrumada.

Viu a cena seguinte desenrolar-se em câmera lenta, quase uma edição de novela mexicana. Primeiro a carta de Kate foi ao chão, estando segundos antes esquecida debaixo do paletó do analista, e então Minseok agachou-se tão polidamente, tomando nas mãos o pedaço de papel que poderia ser insignificante. Ou não.

Katherin? – Indagou, desgrudando os olhos do destinatário da carta e fitando o chinês. — Quem é?

— Eu... – Não havia exatamente um motivo para aquela secura em sua garganta, mas o Wu sentiu-se completamente exposto sob os olhos grandes e brilhosos de Xiumin, e ficou travado por alguns segundos, mirando o namorado com certa vergonha, desviando os olhos até suas bochechas.

— Tem algo que eu deveria saber? – A voz baixa do mais velho o fez arrepiar, mas o atormentava o fato de que o tom de Minseok não era nem ao menos acusatório. No entanto, antes que pudesse esboçar algum início de frase, Sehun apareceu à porta do quarto que não era mais tão pertencente assim a YiFan desde que ele e Xiumin assumiram-se namorados.

— Hyung? – O garoto sentiu a leve tensão que pendia entre o casal, mas decidiu que aquilo deveria ser questionado em outro momento. — Estamos prontos.

Minseok sorriu para Sehun, deixando a carta no mesmo lugar que a mesma se encontrava antes de cair aos seus pés. Por mais curioso que estivesse, nunca foi do feitio do Kim agir de maneira infantil ou acusatória, e de certa forma, ele sabia que em algum momento o namorado sentiria que estava pronto para lhe contar sobre aquela tal carta, enviada por aquela tal Katherin. Acabou por estender a mão para YiFan, convidando-lhe para sair do quarto consigo.

— Vamos? – Sorriu sem dentes, porque afinal, poderia ser um cara muito maduro, mas ainda estava levemente incomodado com aquele comportamento do chinês. — Fan?

O mais novo não respondeu. Agarrou a mão do namorado e saiu puxando o mesmo pelo corredor afora. Acompanhados por Sehun, eles fizeram-se de fingidos e ignoraram a tensão incomoda que caíra como uma luva em cima do casal. No andar de baixo encontravam-se os demais moradores da Pensão 1990, muito bem vestidos e aprumados, prontos para “cair na gandaia”, como Jongdae cismava em ditar – este que por sinal já estava com uma taça de vinho na mão.

— Muito bem, repassando o plano para que Jongin não corte meu pescoço até o fim da noite. – Anunciou Junmyeon, chamando atenção dos outros. — Colação. Baile. Festa em casa. – Enumerou o moreno baixo. — A festa em casa está contida em: bolo surpresa e o presente de formatura. – Completou. — Certo, todo mundo por dentro do assunto. Isso é o que importa.

— Vamos pra essa caralha logo. Estou com fome. – Reclamou Zitao, enfiando seus óculos escuros no rosto.

Divididos em quatro carros diferentes, YiFan deu graças a Deus por não ficar sozinho com Minseok. Sentia-se um idiota por não conseguir formular com facilidade a frase “Minha ex me enviou uma carta e eu ainda não tive coragem de abrir porque, de acordo com Sooyeon, aquela que você detesta, o conteúdo pode envolver uma possível paternidade”. Céus, ele estava ficando maluco dentro daquele carro.

Quando a noite caiu e eles ocuparam as vagas do estacionamento do teatro da universidade de Kyungsoo, Minseok agarrou a mão de YiFan e ele se sentiu aliviado. Sorriu para o namorado e eles caminharam juntos dos demais para ocuparem as cadeiras reservadas por Jongin. Era de costume receber olhares reprovadores e bastante preconceituosos em lugares públicos, e quando passou pela primeira repreensão, Kris ficou levemente envergonhado, até Minseok sorrir e lhe dizer que ele não precisava se encabular de ser quem era. Sentado ao lado do mais velho, ele pensou em tais coisas quando um casal tipicamente sul-coreano fitou os rapazes da pensão com demasiada hostilidade, e ficou feliz quando nenhum dos amigos se importou em fingir qualquer coisa.

Com todo o lengalenga universitário de patronos, paraninfos, homenageados e afins, o único momento não tedioso para os amigos era quando Kyungsoo aparecia – e pobrezinho, a maneira como foi ovacionado pelos amigos ao ser chamado com certeza fora o motivo para que tropeçasse nos próprios pés e quase desse de cara com o palanque onde o professor lhe esperava para entregar seu diploma.

— Minseok... – Sussurrou Kris ao pé do ouvido do namorado, o fazendo inclinar a cabeça para escutá-lo. — Eu... – No entanto, foi interrompido por uma pequena chuva de papéis coloridos que caiu sob os formandos, indicando que a colação chegara ao fim. Minseok não lhe deu mais atenção depois disso, e aquela conversa provavelmente acabara ficando para outra hora.

Se na colação de Kyungsoo a Pensão 1990 causara certo reboliço, quem dirá no baile de formatura, onde, de acordo com Jongdae, our dreams come true. Quando adentraram no salão de festa, iluminado por luzes coloridas e com música alta invadindo seus ouvidos, YiFan teve a primeira oportunidade de abraçar Kyungsoo e bagunçar seus cabelos.

— Fico feliz de ter acabado. – Confessou o rapaz num sussurro. — Faculdade nunca mais.

— Até o mestrado. – Riu o mais velho depois que o coreano lhe fez uma careta desgostosa, ajudando-o a arrancar a beca de formando.  

Além de doces de todos os tipos, os drinks eram uma particularidade à parte e que deixavam YiFan bastante animado. Pouco teor alcóolico e muito sabor, era com certeza sua bebidinha favorita para lidar com aqueles rapazes insanos (e tudo o que ele precisava para ficar sóbrio). Lay parecia extremamente entediado até Zitao começar a perturbá-lo com algum de seus papos aleatórios sobre os estudantes ocidentais presentes na festa, assim como Chanyeol e Baekhyun já pulavam animadamente na pista de dança recheada de jovens malucos como eles. Jongdae estava estranhamente comportado ao lado de Suho, dividindo uma garrafa de vinho com o namorado. Luhan e Sehun foram juntos de Kyungsoo e Kai para as últimas fotos do álbum de formatura, do qual YiFan já participara de uma dezena ao lado dos demais rapazes, erguendo o recém-formado nos ombros com a ajuda de Chanyeol.

Hey... – Ouviu a voz de Minseok o chamar. Ele havia ido buscar um drink e uma bandeja de docinhos. O coreano, já meio despenteado, sentou ao seu lado na mesa meio vazia, arregaçando as mangas da camisa social. — Trouxe um de morango. – Estendeu o copo cheio para o namorado, sendo agraciado com um sorriso.

— Minseok... – O mais velho ergueu os olhos para fitá-lo, endireitando a postura assim que o chinês aproximou a cadeira da sua, colando um pouco mais os corpos ao passar o braço por seus ombros. — Eu preciso te contar uma coisa.

— Essa coisa envolve aquela carta em sua cama? – Considerou o dono da pensão, ao que o mais novo apenas aquiesceu. — Quem é Katherin?

— Kate me enviou uma carta. – Murmurou. — Minha ex-namorada.

Os olhos naturalmente grandes de Minseok cresceram um pouco, surpresos pela resposta do Wu. Um silêncio parcialmente incomodo recaiu sob o casal, e só foi quebrado quando o coreano tomou a bebida da mão de YiFan e sugou metade do drink de morango pelo canudinho.

— O que isso quer dizer? – Empurrou o copo para o chinês novamente. — O que ela quer?

— Eu... Não li a carta ainda... – O chinês instintivamente se encolheu sob o olhar repreendedor do Kim, dando até mesmo um passo para o lado.

— E por que não? – Questionou depois de desfazer sua cara feia. — Você não quer ler?

— Não. – Respondeu baixo, e foi obrigado a continuar sob o olhar incisivo do namorado. — Não sei, tá? Eu não sei... Só queria não ler, viver minha vida sem lidar com qualquer coisa que possa estar escrita naquela carta. — Bufou, passando a mão pelos cabelos escuros e despenteados.

— Wu YiFan... – Minseok, diferente do que imaginava o Wu, acabou sorrindo, pousando a mão em sua coxa. — Você tem medo do que?

— De ter um filho... – Sussurrou a meio fio de voz e, logicamente, Xiumin explodiu numa gargalhada. — Sooyeon idiota. – Resmungou.

— Escute. – Chamou Minseok, apertando seu joelho docemente. — Acho que não tem necessidade de você agir dessa forma. Eu sei que Kate foi uma fase de sua vida e eu tenho que lidar com ela, certo? Assim como você lida com Changmin. – O coreano sorriu ao ver a careta emburrada do outro. — São pessoas e épocas distintas e que nós superamos, mas às vezes elas se arrastam pro meio da nossa vida, e cabe a nós decidir se vamos deixá-las entrar novamente ou continuar seguindo.

— Eu amo quando você é poético dessa maneira. Por favor, me beije.

— Cala essa boca. – Minseok bateu em sua coxa, mas acabou rindo, deitando a cabeça em seu ombro. — Você escolhe se quer ou não abrir a carta, certo? Só não fique se remoendo por dentro a cada vez que pensar sobre isso.

— Você não ficou com ciúmes? – Perguntou YiFan, bebericando do restante de seu copo.

— Não sou ciumento.

— Sooyeon que o diga.

— Cala essa boca.

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— A gente paga imposto, paga aposentadoria, paga até pra esses grupos de K-Pop debutarem. Mas ainda assim, a gente não tem o direito nem de esquecer uma coisinha que esse filho da puta já começa a berrar como uma gralha. Qual seu problema, Jongin? Me diz! Me diz porque eu tô cansada dessa sua cara de cu! – Lay nem ao menos tentava segurar Zitao, que balançava o dedo na cara de um moreno bastante enfezado. — Você quer brigar é, vagabunda?

— Porque toda vez que ele fica bêbado, começa a referir a si próprio no feminino? – Sussurrou Sehun para Luhan, que apenas suspirou, pensando como seria deplorável entrar naquele ringue para segurar Zitao.

— Hyung. – A voz de Jongin estava carregada e profunda, e até YiFan sentiu um tremelique ao ouvir o tom baixo do garoto. — Você não esqueceu uma coisinha. Você perdeu a chave do carro.

— E daí que eu perdi a chave daquela bosta? – Berrou, e dessa vez Lay fez questão de acertar um tapa na costela do mais novo, o fazendo cambalear. Os olhos cheio de olheiras se encheram de lágrimas e, ali de seu canto, YiFan começou a rir. Era muita sorte Kyungsoo estar entretido com os amigos para não ver aquela cena deplorável. — Você me usa e depois me joga fora, Zhang Yixing.

— Cala essa boca. – O chinês revirou os olhos. — E você. – O cozinheiro apontou para Jongin, que arregalou os olhos. — Fica de boa. Nós vamos achar a chave do carro e você vai dar a sua preciosa festa para o Kyungsoo. – Resmungou, ajudando Zitao a sentar numa cadeira qualquer da mesa. — Eu não fiz aquele bolo atoa.

— Queria ajudar, mas tô tão louca quanto essa gay aí... – Murmurou Baekhyun, soluçando e rindo, apoiado no ombro de Chanyeol. — Tao, eu comprei uma garrafa de tequila pra festinha lá de casa. Você tem que ficar de boa, gay, senão não tem tequila.

— Fica quietinho, Baekhyunnie.

— Eu vou pedir pra anunciarem a perda no palco. — Sugeriu Minseok, que até então estava muito bem distante da discussão entre Zitao e Jongin, bebendo e comendo docinhos ao lado do namorado. — É mais fácil de encontrar.

— Mas o Soo...

— Pelo amor de Deus, se controla, viado. – disse Jongdae, que fora o primeiro a tentar tirar o Huang do pescoço do mais novo, e levava um vergão feio no braço e uma expressão bastante  estressada. — Senta aí nessa cadeira ou eu vou descer a mão em você, Kim Jongin. – Ameaçou, e o moreno apenas cruzou os braços, sentando-se emburrado ao lado de Sehun. — Quando foi que eu me tornei o cara responsável dessa casa? – Olhou desolado para Suho, que estava tão alheio e distante daquele drama todo quanto YiFan. — Vocês dois são ridículos. Deviam ajudar.

— Tô de boa. – Suho deu de ombros, dividindo o pratinho de doces com Kris.

— Poupando o estresse. – Defendeu-se o chinês, fazendo Chen revirar os olhos e enroscar-se em Junmyeon novamente, reclamando dos arranhões de Zitao em seu braço.

— E seu eu for para casa com Baekhyun, Chanyeol e Sehun, que tal? – Luhan agora tinha o próprio carro, e parecia tentar amenizar o clima de desordem para agradar Jongin, que ficava especialmente manhoso quando contrariado. — A gente vai ajeitando as coisas na mesa de jantar enquanto vocês não chegam. – O mais velho ficou aliviado quando o moreno pareceu animado, voltando a sorrir radiante com a ideia de presentear Kyungsoo com uma festinha particular. – Vamos, Sehun.

— Eu deveria ter ciúmes desse seu chamego ao Kai? – Resmungou o mais novo da pensão, sendo ignorado pelo namorado. — Isso é um absurdo, ele gosta mais de agradar o Jongin do que eu!

— Porque eu sou mais fofo. – Observou o próprio.

— Realmente. – Opinou YiFan, observando Minseok de longe enquanto o mesmo falava com a segurança da festa. — Ele é muito mais fofo que você.

— Hyung! Isso é traição! – Sehun começou seu discurso de protesto, mas foi interrompido por Jongdae e suas tentativas de acertar o mais novo com bolinhas de papel derivadas dos docinhos já comidos.

— Vai embora, moleque.

Quando Xiumin voltou à mesa, já tinha a chave do carro de Zitao de volta, e todos estavam prontos para ir pra casa. Kyungsoo parecia muito ocupado em despedir-se dos amigos e colegas de turma, e passou pouquíssimo tempo junto dos rapazes – ninguém realmente se importara com isso, mas Jongin parecia extremamente incomodado. YiFan sabia que o mais novo tinha certos problemas com controlar seu jeito ciumento, e que geralmente era o cara que acabava fazendo birra para tudo. No entanto, quando ele observava bem, Kyungsoo parecia, ao contrário do que o chinês imaginara um dia, bastante controlado e, aparentemente lidava muito bem com as emoções de Jongin, e por lidar bem, lê-se fazer com que Kim Jongin aprendesse na marra a lidar com relacionamentos amorosos.

Divididos novamente em seus carros, o caminho de volta para a Pensão 1990 foi rápido. Jongin e Kyungsoo conversavam animadamente no banco traseiro enquanto Minseok dirigia o carro do namorado, porque afinal, a tolerância ao álcool havia melhorado muito, mas Kris continuava decepcionante quando bebia meio copinho de um drink de morango.

— Agora nós só temos que nos preocupar com a sua formatura e a de Sehun... – Mesmo meio bêbado, o chinês estavam atento a conversa do jovem casal no banco de trás, tamborilando os dedos pela perna de Minseok enquanto ele entrava na rua de pensões.

— Isso vai demorar um pouco, hyung. Eu não sou inteligente como você... – Jongin coçou a nuca, envergonhado ao referir-se às suas pendências na faculdade.

— Não seja assim, Jongin-ah. Notas não fazem de você menos capaz ou menos inteligente, hm? Já conversamos sobre isso. – YiFan sorriu quando, ao olhar pelo retrovisor, viu Kyungsoo encher as mãos com o rosto do namorado e beijar seus lábios de maneira carinhosa. Lançou um olhar confidente para Minseok ao apertar seu joelho, para que o próprio também assistisse a cena silenciosamente. O coreano mais velho do carro sorriu, finalmente estacionando o veículo na garagem da pensão cor-de-rosa.

É bem verdade que o chinês ficou emocionado quando o mais novo formando da casa levou um susto ao ouvir os berros de Baekhyun e Sehun se sobressaindo aos demais quando ele enfim pôs os pés na sala de jantar, sendo ovacionado por onze rapazes bastante orgulhosos e presenteado com uma mesa imensa de muitos doces e é claro, muito álcool. Chanyeol ligou a playlist anos 90 no som de Minseok, e Zitao puxou Lay para dançar, ao que estranhamente o mais velho foi de bom grado se agarrar ao modelo. YiFan amava aquelas músicas antigas que o faziam lembrar da infância no solo americano, uma nostalgia tão gostosa que até batia uma saudade da casa canadense.

Pensar sobre isso enquanto estava sentado à mesa filando alguns docinhos, fez com que o chinês, sozinho, repensasse um pouco sobre o seu receio em abrir aquela tal carta que Kate lhe enviara. Mas na verdade, quando seus olhos observaram de longe o coreano atarracado, pálido como aqueles idols cheios de maquiagem que aparecem na TV, que dançava divertidamente entre Suho e Jongdae alguma música muito velha de Britney Spears, YiFan teve absoluta certeza que nem em um milhão de anos sentiria por Kate o que sentia por aquele rapaz. Em tanto tempo, era claro que ele já tinha trocado algumas juras de amor com Minseok, e muitas vezes elas vieram regadas ao sexo no meio da noite, entre sussurros de confissões de amor, que faziam o chinês corar só de se lembrar dos momentos mais íntimos que tinha com o namorado, fossem eles apenas físicos, ou completamente emocionais.

O mais velho da casa sorriu quando a música acabou e foi trocada por uma baladinha lenta, e como toda boa pensão cheia de casais chatos e velhos que correram de uma dancinha lenta e foram atacar as garrafas de tequila da mesa, Minseok veio apressado até YiFan, arregaçando as mangas e exibindo seu sorriso torto.

— Dança essa comigo? – Pediu, estendendo a mão para o grandão.

— Sabe que vou pisar no seu pé, né? – YiFan desabotoou dois os três botões próximos a gola da camisa e ergueu-se da cadeirinha na qual passou metade do tempo desde que chegaram. — Sou um péssimo dançarino.

— Sorte que é bom de cama. – O chinês gargalhou com a observação do menor, passando os braços por seus ombros e deixando que ele abraçasse sua cintura enquanto grudavam os corpos, balançando lento ao som suave da música. — Você está bem, Fan? – O tom de voz baixo e preocupado fez o moreno apertar um pouco mais o abraço entre eles.

Era uma pergunta gostosa de ouvir, na opinião do Wu. Era tão bom saber que Minseok se preocupava consigo que o sorriso que crescia nos lábios do analista era quase irresistível. YiFan pensou em alguma maneira de responder ao questionamento do Kim da melhor maneira possível, e decidiu então por afastar-se levemente, enchendo as mãos grandes com o rosto do mais velho, fitando seu rosto bonito.

— Alguém já lhe disse que suas bochechas são muito fofas? – Comentou, rindo quando Minseok revirou os olhos, beliscando sua cintura e fazendo com que o chinês gemesse de dor.

— Você poderia apenas me responder sem brincadeiras.

— Bem. Estou muito bem. – As mãos desceram para a nuca do coreano, enquanto os rostos se aproximavam. — Com você... Sempre estou bem.

Os lábios de Minseok era os mais macios que o Wu já provara em toda sua vida, e disso ele nunca duvidaria. O beijo daquele homem valia mais do que qualquer coisa valiosa na vida do analista de sistemas, que não tinha lá muitos bens preciosos a se orgulhar, mas que não hesitaria em desfazer-se de todos eles por um beijinho ou outro de Minseok.

O tempo em que ficaram dançando grudadinhos naquela pista de dança improvisada no meio da sala passou voando, com os sofás arrastados num cantinho escuro onde podia se ver a silhueta de Jongin e Kyungsoo trocando alguns carinhos. Pouco a pouco a música de Chanyeol foi substituída pelo silêncio, as risadas gostosas de Zitao e o ronco de Jongdae na poltrona, que foi arrastado por Junmyeon até o quarto do próprio. Quando finalmente todos estavam bem quietos em seus cômodos privados, o silêncio reinou.

Sentado na beirada da cama de Minseok, a carta de Kate estava entre suas pernas dobradas. O cabelo molhado devido ao banho recente caía sob seus olhos, e se fosse possível fazer uma análise da situação de maneira cômica, era bem possível que o chinês estivesse tentando abrir o tal envelope com a força do pensamento.

— Sabe que essa coisa não vai criar pernas e andar, não é? – A voz debochada de Minseok o despertou dos pensamentos. Um assovio saiu de seus lábios ao ver o namorado apenas com uma toalha enrolada na cintura. — Nem vem. Chega de sexo.

— O que? Não quer uma rapidinha antes de dormir? – O sorriso provocante foi desmanchado quando o Kim arrancou a toalha da cintura e jogou diretamente no rosto do chinês.

— Você precisa de limites, Wu YiFan. Eu preciso te educar, céus. – Resmungou, vestindo seu pijama de calças femininas que Baekhyun lhe presenteara no último aniversário. E YiFan adorava aquelas vaquinhas. O rapaz se arrastou para seu lado, sentando ao lado do namorado enquanto esfregava a toalha no cabelo. — Se trouxe essa carta pra cá, presumo que deseja abri-la, não? – O encarou erguendo uma de suas sobrancelhas.

— É... Vou sim. – Kris suspirou, girando a carta em sua mão. — Só queria que estivesse comigo. Vai que... Vai que me torno pai nos próximos minutos.

— Se você se tornar pai... – Minseok começou, deixando a toalha cair no colo e sorrindo de canto. — Eu gosto de crianças. – E deu de ombros, fazendo YiFan sorrir.

Sob o olhar de incentivo do namorado, o nosso chino-canadense favorito rasgou aquele papel branco e borrado, cheio de selos e marcas do passado. Dentro do envelope havia uma carta, num inglês que Minseok pouco entendia, e não tinha muito interesse, afinal, ele respeitava e muito as decisões de YiFan, e deixava que o namorado tomasse o próprio tempo para seus problemas pessoais, oferecendo, é claro, seu apoio e seu amor.

— Sooyeon idiota. – Resmungou o dono do sorriso favorito de Minseok. — Vou demiti-la.

— O que tem na carta? – O namorado riu curioso.

— Nada de paternidade. Sinto em decepcioná-lo. – YiFan levantou os olhos da folha, puxando de dentro do envelope um cartão branco. — Na verdade, tenho um casamento para ir no mês que vem.

— Isso é sério? – A risada de Minseok foi a melhor que Kris já ouviu em toda sua vida, e a fez puxar o Kim para si, derrubando os dois no colchão fofo. — É sério? Ela vai se casar? E teve a coragem de te convidar?

— Na carta ela diz que sou uma pessoa importante, e que gostaria de me ver. – Enfatizou, mas acabou rindo do nariz torcido do namorado. — É claro que não vou, Minseok, não seja bobo.

— Se você for, vou junto. – A voz baixa veio acompanhada de bochechas coradas e dedos se enroscando na barra da camisa de YiFan. O chinês sorriu para o jeito do Kim demonstrar seu ciúmes, apertando-o nos braços.

— Bem, nós poderíamos fazer uma viagem nas minhas férias, quem sabe...

— Você vai tirar férias? – Minseok ergueu a cabeça imediatamente. Em quase três anos tendo YiFan como hóspede, e praticamente dois de relacionamento, o namorado nunca tirara férias do trabalho. — Isso é sério?

— Eu acho que estou precisando passar um tempo relaxando, hm? – O sorriso de Minseok se alargou, e o beijo estalado que ele deu na boca de YiFan fez o chinês rir. – Vou investir mais nas minhas férias se for receber esse amor todo.

— Você só deveria ficar quieto, Kris Wu. – Minseok subiu por seu colo, enchendo o rosto do Wu com seus beijos doces, quentes e agradáveis.

— Nós deveríamos nos casar se formos ao Canadá.

Minseok parou com os beijos, encarando Kris nos olhos. Um sorriso pequeno brotou em seus lábios, e o olhar que trocou com YiFan foi singelo o suficiente para que o Wu viesse a acariciar sua nuca, deslizando o dedão por seu pescoço num carinho íntimo do casal.

— Está me pedindo em casamento, grandão?

— Mais ou menos. – Minseok gargalhou, deitando a cabeça no ombro do chinês. — Talvez seja uma decisão impensada. Nós deveríamos fazer isso em Las Vegas, nada de Canadá.

— Cala essa boca, Fan. – O dono da pensão continuava rindo. Entrelaçou os dedos ao do namorado e ficou encarando o pescoço desnudo do mais novo. — Não preciso de casamento. Já estou feliz assim.

— Muito feliz? – Questionou o chinês.

— Muito. – Respondeu, deixando um beijo carinhoso em sua bochecha. — Mas ainda vamos à Las Vegas?

— Claro. – YiFan encarou o Kim, apagando a luz do abajur depois de ajeitar-se com o rapaz na cama em que dividiam. – Eu, você e Kevin, meu cacto.

— Perfeito.

E depois de um beijo e outro, eles não tiveram tempo de dormir, pois Zitao berrava no andar de baixo que Luhan e Sehun deveriam fazer sexo mais baixo, assim como Baekhyun vomitava suas tripas no carpete do corredor. Uma noite de sábado muito comum na Pensão 1990.

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Notas Finais


Muito obrigada a quem leu, e mil desculpas pelos erros ortográficos! Até a próxima! ♥


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