História Penumbra - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Yu-Gi-Oh!
Personagens Ryo Bakura
Exibições 13
Palavras 757
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Fanfic também postada em outra conta, se acharem não é plágio.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Ele tinha o olhar voltado para o teto do quarto, deitado sobre a cama familiar de seu hospedeiro, com os braços atrás da cabeça, e as mãos sobrepostas sob a nuca. Quando contemplando o nada com indiferença, percebeu-se absorvido por um estado de nebulosa vigília.

As paredes dissonaram emanando suas cores mais frias. Da brisa noturna que fazia ondular a cortina da janela semiaberta, sentiu um arrepio passar – por entre sua vaga expressão e seus pensamentos.
Num canto obscuro a criatura de sua repulsa ameaçava a vida de seu inquieto amante. Entre cartas sem sentido, monstros invocados do nada. Próximo a ele;
O tormento de um obelisco, a fúria dos céus de Rá, o julgamento de Anúbis.
Sua expressão não mudava, aquela memória deixou de ser.
Aquele momento.
Dentro dele se chocavam, se fundiam; as areias contínuas e o nome esquecido. 

Uma terrível náusea lhe invadiu os sentidos, fez seu sangue ferver. Sua tez enrijeceu-se, sua mão fechou-se em um punho pronto a disparar.

O que seriam as areias desgastantes, o vermelho áspero, de um deserto árido?
O cheiro podre de ferrugem acumulada, numa pilha crescente de terras sem nome.
Sem nome? Apenas ele. O esvanecido faraó.

Concluiu o espírito vingativo, atirando um golpe contra o colchão.
Ele estava sozinho, naquela pequena casa de um bairro de classe média japonês. Longe da África, milênios no futuro. Aprisionado no corpo de um jovem de aparência frágil, apaixonado por ocultismo. Estava agora sentado em sua cama, naquele pequeno quarto sem luz, olhando distante.

Nos últimos dias presenciou o surgimento de um ser fascinante. Sua natureza imprevisível o marcou de tal maneira a perseguir-lhe como sombra. Nunca sentira tamanha adrenalina, nem em sua vida passada como rei dos ladrões, ao imaginar-se consumido por ele.

Esse ser que agora entrava discretamente no quarto, e possuidor de uma aura tal intimidadora que sua presença logo fora reconhecida pelo espírito vingativo. Saindo aos poucos da escuridão, o iluminar da lua atingiu sua face distorcida.

O espírito sorriu cinicamente.

– O que faz aqui? – rompendo num gargalhar sem emoção, continuou:

– Veio tirar minha vida? – a provocação não surtiu efeito, e o ser começou a se aproximar, até que num salto agarrou ambos os pulsos com uma das mãos, jogando-se por cima do outro.

– Tirar sua vida? – em seu rosto se formou um sorriso. A ideia parecia lhe agradar.

– Como poderia ser? Você não a tem mais.

O ser sussurrou, sua voz continha toda a amargura de uma eternidade inteira aprisionada. Escrava das intenções mais vis. Seu olhar era de um violeta opaco e indecifrável. Aquele belo ser que chamava de insano amado. Mesmo que dentro dele não existisse amor.

Vagamente recordava o que o atual detentor do anel do milênio dizia. Dois átomos de mesma natureza que se colidiam, e a cada contato das esferas de elétrons se repeliam, e repetiam o movimento inúmeras vezes até que um processo violento de fusão nuclear rompia os núcleos gerando uma energia de destruição devastadora.

Uma dor repentina interrompeu seus sentidos. O cetro do milênio lentamente rasgava sua pele alva. Era como se levasse um choque, a resposta rápida de uma agonizante sensação. Gritou o nome do ser, clamando pela proximidade. E se sucedeu.

Quatro seres, dois espíritos, eles dois. Com unhas como lixa riscam, rasgam, as cravam na macia carne. Eles dois, duas almas. Um sobre o outro, dentro da outra, sob o ser, misturada à alma.
Amam, o ódio mútuo, extravasa, corrompe os seres, as almas se confundem.

Já no ápice, quase sem fôlego, a figura de aspecto sombrio aproximou seus rostos, e com uma expressão triste constatou.

– Um dia eu acabarei desaparecendo. – confuso o espírito voltou sua atenção ao ser. – E coitadinho de você. – cravou mais fundo a lâmina do cetro em seu abdômen. – acabará ficando sozinho. – concluiu com uma alegria deformada.

– Então, desapareça. Não é da minha conta. – ao escutar a resposta o sorriso no rosto do ser só se intensificou. Retirou o item do milênio com cuidado, saboreando cada som emitido por seu amante, cravando-o agora em seu ombro.

A lua adentrava o quarto como o sol abrasador do deserto. Não mais se sentia ameaçado pela criatura que ousava intitular-se faraó. Não naquele breve momento. E então, as paredes se tingiram de cores quentes, não mais emanavam, agora absorviam, o som profundo.

Pálidos. Pérfidos. Pingos. Pontas. Pingam. Pontos. Param.

Perto. Bem, perto.

Escorriam lentamente por seu braço, finos fios sedosos de ferro que aos poucos iam sendo delineados por delgados dedos até atingirem sua mão. Unindo-as, por essa fita carmim, as duas escuridões.



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