História "Pequena" Guerreira - Capítulo 7


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Reunião com os Malís (e mais nomes estranhos)


Cap. 7

Reunião com os Malís (e mais nomes estranhos)

 

   O prédio central fica no centro da cidade e é maior que todas as outras construções. Sina anda do meu lado direito e Wiver do lado esquerdo, ele me cutuca com o cotovelo e aponta para a porta dupla do prédio, onde três pessoas estão paradas conversando sobre algo, um homem alto e robusto com uma faixa cruzada sobre o peito, uma garota ruiva e baixa e outra garota alta de moletom vermelho escuro com o capuz puxado sobre a cabeça.

   _O cara grandão,_ diz ele naturalmente, como se estivesse falando sobre algo que aconteceu a muito tempo _ é Sayno, líder supremo de Malí Obec, bata continência quando se aproximar dele.

   _Ok._ confirmo fingindo olhar ao redor e observar a cidade

   _A ruiva do meio é Donyn, irmã de Sina._ continua ele _Não precisa dizer que a conhece, finja que já ouviu falar sobre ela e é um prazer finalmente conhecê-la.

   _Certo.

   _A última é Vésely, pode chamá-la de Véz. Ela é a transformada número 1, metade raposa vermelha, a irmã do meio. Faça com ela exatamente o que fez comigo, ela vai agir de acordo.

   _Vocês já tem isso combinado?_ pergunto

   _Se há uma pessoa nova com um de nós, nunca diga que não a conhece até ser apresentada, podemos precisar que você a conheça._ ele responde e depois olha para minha cara de “que tipo de sistema é esse?” _Sim, é algo que combinamos há um tempo.

   _E se ela não fizer isso?

   _Ela seria uma Humana-Malí morta se não fizesse._ Sina responde sorrindo sombriamente

      Chegamos ao pé da escada que leva à porta, subimos e ficamos cara a cara com os três. Quem devo cumprimentar primeiro? Bem, acho que é esperado que eu esteja morrendo de saudades da minha irmã, não?

   A primeira coisa que noto em Vésely é que o capuz não esconde seu rosto, ele fica na metade da cabeça, deixando à mostra um sorriso alegre de um otimismo quase palpável. Ok… Vamos lá.

   _Ei, Véz!_ cumprimento alegremente, exatamente como fiz com Wiver, Vésely, assim como ele, alarga ainda mais o sorriso e abre os braços

   _Oi, querida!_ sua voz é carregada de simpatia e quase sinto a sua empolgação, ela me abraça forte e balança de um lado pra outro quase me fazendo perder o equilíbrio _Que saudade!_ então sussurra no meu ouvido _Nome?

   _Feline._ sussurro de volta

   _Não se preocupe, você se acostuma._ ela me solta e me vira na direção dos outros dois _Lembra da Donyn?

   Donyn tem cabelos vermelhos como a Sina, pele clara e sardas nas bochechas, igualzinha a irmã, só que mais nova e mais travessa. Acho que eu não teria intimidade o bastante para abraçar a prima que nunca vi, teria? Não. Então estendo a mão na direção dela e sorrio.

   _Claro!_ minto _É um prazer finalmente conhecê-la.

   _Igualmente._ ela aperta minha mão e retribui o sorriso

   Me viro na direção do homem robusto de barba e cabelos negros e bato continência, ele responde e estende a mão grande e calejada para mim.

   _É um prazer conhecer outro parente de Sina e Donyn.

   _Igualmente, senhor.

   _Então, Sayno,_ intervém Sina depois de bater continência junto com Wiver _Qual o motivo da convocação?

   _Precisamos falar sobre um assunto sério._ ele declara e faz um gesto para que entremos _Por favor entrem e conversaremos na sala de reuniões.

 

***

 

   A sala de reuniões fica no último andar e não passa de uma mesa oval com dez cadeiras ao redor, todas vaizas até chegarmos. Wiver e Vézely parecem ficar mais à vontade aqui dentro, eles deslizam os capuzes para trás revelando suas orelhas.

   As dela são vermelhas com as pontas brancas e o corte do cabelo liso e preto é o mais estranho que eu já vi, extremamente curto do lado direito e vai descendo até ficar abaixo do ombro esquerdo, seus olhos são puxados e o esquerdo é totalmente coberto pela franja que segue o mesmo modelo do resto do cabelo.

   Já as orelhas dele são pequenas e arredondadas, marrons com pontas pretas, e os cabelos loiros e revirados, como se não bastasse o jeito como eles acordam de manhã e ele os bagunçasse ainda mais.

   Todos param e olham para mim, parecem esperar algo.

   _O que foi?_ pergunto sem entender nada

   _Pode tirar o capuz aqui, humana_ fala Sayno deixando claro que sabe sobre nós _Lá fora você seria cercada, xingada e expulsa, mas está segura aqui.

   Ainda hesitante levo a mão até a cabeça e deslizo o capuz para trás, ele cai revelando as orelhas e sinto o frio repentino depois de tirá-las do calor abafado. Todos olham para mim e me sinto pouco à vontade.

   _O que foi?_ pergunto sorrindo acanhada _Nunca viram uma Gata-Malí na vida?

   Eles riem e se sentam nas cadeiras, Sayno fica de pé em frente à todos, de costas para a parede. Me sento também. Sina está na minha frente, Véz ao seu lado, Donyn ao lado de Véz e Wiver ao meu lado. Ele se inclina para mim e sussurra no meu ouvido:

   _Você é uma gata, Feline._ algo no seu tom de voz indica que isso não é uma brincadeira referente à minha transformação.

   Nunca pensei que pessoas da minha cor pudessem ficar totalmente vermelhas, mas tenho certeza que é desse jeito que estou agora. Em parte porque sinto o calor subindo pelas bochechas, e também porque Vésely estende o braço sobre a mesa e dá um tapa na cabeça dele.

   _Não deixe ela constrangida, seu animal._ ela xinga sussurrando e rindo

   _Eu não fiz nada, cãozinho de floresta._ ele responde divertido, os dois parecem nunca levantar a voz, acho que isso requer bastante prática.

   Eles sorriem um para o outro e, pela primeira vez, eu noto seus dentes. E eu achava os meus estranhos! Véz tem caninos superdesenvolvidos, já Wiver… Preciso dizer que ele parece mesmo um esquilo quando sorri? Seus dois incisivos superiores são os maiores, acho que ele consegue cortar qualquer coisa com isso.

   _Rato de árvore._ ela lança o desafio

   _Lobo falsificado._ ele bate sem medo

   _Râmster de laboratório._ ela rebate decidida

   _… _ ele não acha uma resposta à altura… E é ponto!

   _Parem vocês dois!_ Donyn manda revirando os olhos, ela é a mais nova aqui e parece mais madura que eles.

   _Criancices à parte..._ Sina vira a cabeça para o líder como quem diz “a palavra é toda sua” _Por que estamos aqui, Sayno?

   _Eu organizei essa reunião_ o líder supremo começa _para falarmos sobre algo extremamente estranho que vem ocorrendo em aldeias vizinhas.

   _Com “vizinhas” ele quer dizer à mais de dois quilômetros daqui._ sussurra Wiver no meu ouvido, o que me deixa desconfortável. Sério, ele tem que parar com isso.

   _Malís estão sumindo sem deixar rastros,_ Sayno não se deixa interromper _seres estranhos estão sendo vistos por toda parte, a maioria assustadores.

   _O que isso tem a ver com a gente?_ pergunta Vézely prestando atenção nas orelhas enquanto as mexe de forma estranha, abaixando uma após à outra numa sucessão curiosa

   _São Malís transformados._ responde Sayno e todos os outros arregalam os olhos, já eu não estou entendendo nada _Os primeiros a desaparecerem foram alquimistas e magos, como a Sina. Já os monstros…

   _São os outros Malís que sumiram._ completa Sina inexpressiva

   _A última vítima foi um garoto de uns seis anos,_ Sayno continua _estava brincando com os amigos quando, segundo eles, um monstro com dentes afiados e só um olho apareceu e levou o garoto. Um deles disse que ouviu o monstro falar algo sobre precisarem de todos os alquimista e magos das aldeias Malís, principalmente uma ruiva chamada Destino e suas aberrações.

   _Jura? Destino?_ pergunta Sina intrigada _Ainda me chamam de Destino?

   _Não era o nome que você usava há um tempo atrás, quando precisavam de um curandeiro?_ questiona Donyn, Vésely concorda:

   _Sim, as pessoas achavam que era um mago poderoso quem atendia no Beco da Lamparina, ficaram tão desapontados quando descobriram que era uma garota.

   _Não lembro disso._ fala Wiver

   _Foi antes de você ser transformado._ explica Sayno _Mas não é isso que importa. Importa que esses monstros estão procurando você, Sina, e não vão parar até te encontrar, você e todos eles._ ele aponta para mim, Wiver e Vésely _Mas não se sabe o porque.

   _Alguém os está transformando e mandando que façam isso._ conclui Donyn

   _Então precisamos saber quem é._ entro na conversa e todos se viram para mim _O que foi? Se eles querem todos os transformados, isso também quer dizer eu. Vocês têm algum suspeito? Alguém com motivos para odiar a Sina?

   Todos trocam olhares significativos, eles têm alguém em mente e têm motivos para isso.

   _Dénity._ todas as vozes ecoam em uníssono, todas menos a de Wiver

   _Quem é Dénity?_ ele pergunta

   _Ela era uma contadora de histórias viajante._ explica Véz _Entretia as crianças com contos Malís e humanos.

   _Ela tinha uma filha chamada Greylin,_ Donyn conta _a garota tinha a minha idade, brincamos juntas quando elas visitaram Malí Obec.

   _É. Mas brincaram no lugar errado._ completa Sina _Greylin era incrivelmente curiosa e teimosa, ela entrou escondida no Beco da Lamparina e descobriu como “Destino” se escondia lá dentro. Houve um acidente com uma das poções que não tinham dado certo, ela foi encontrada quase morta no beco.

   _Naquele dia descobriram quem era Destino._ diz Donyn apontando para a irmã mais velha

   _Eu ofereci ajuda,_ continua Sina _mas ela não quis aceitar, disse que eu quase matei a filha dela. Dénity pegou a menina e a levou para sua aldeia natal, onde havia um curandeiro muito habilidoso. Ninguém nunca soube que efeitos a poção teve nela, vário rumores dizem que a garota não sobreviveu.

   _Depois disso nunca mais se ouviu falar na contadora de histórias, e muito menos em sua filha._ conclui Sayno

   Fico calada por alguns segundos tentando processar a história. Dénity… Greylin… Destino… Acidente… Poção… Beco da Lamparina... Acho que meu processador é do Paraguai, porque tá difícil. Tem uma palavra na ponta da minha língua… Mas não consigo tirá-la daqui.Olho para Wiver e vejo que ele está na mesma. Até que sua expressão se desanuvia repentinamente.

   _Vingança!_ levo um susto quando ele bate na mesa bem do meu lado e solta um guincho estridente no meu ouvido, então para de olhos arregalados e abaixa a cabeça feito uma criança envergonhada _Foi mal…

   _Você não estava brincando quando disse que seu guincho era horrível._ falo tentando aliviar o zunido que decidiu invadir o meu ouvido

   _Seu miado também não deve ser dos melhores, gatinha._ ele retruca

   _Meus tímpanos que o digam._ Sina concorda

   _Voltando ao assunto... Sim, Dentinho. Essa era a palavra que eu estava procurando._ falo sorrindo e o humano-Malí-roedor recebe um belo “toma essa!” da nossa irmã do meio:

   _Gostei dela.

   Eu assistia muito, muito, muuuuito desenho animado quando era criança e, acredite, posso me lembrar de pelo menos uns dez envolvendo esquilos e outros roedores. Wiver que ande na linha.

   _Se ela te responsabilizou pelo acidente, essa tal Dénity pode querer se livrar de você, Sina._ continuo

   _Pode ser, mas não temos ceretza._ diz Wiver

   _Ok. O que faremos?_ pergunta Vésely para Sayno _Vamos ficar aqui e esperar os monstros da virem pegar a Sina?

   _Bem..._ começa o líder, mas não termina

   _Não._ Sina diz decidida _Nós vamos até eles. Vamos encontrar quem quer que esteja fazendo isso, vamos dar um jeito nessa criatura louca, vamos levar os Malís de volta para suas aldeias e descobrir como destransformá-los.

   _Sabemos como fazer isso?_ pergunta Donyn _Quero dizer, onde encontrá-los?

   _Não._ a ruiva mais velha responde _Mas sabemos onde estiveram, e onde vão estar me procurando. A partir daí, é só seguí-los e ver onde vão parar.

 



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