História Percabeth: O acordo - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Categorias Percy Jackson & os Olimpianos
Tags Acordo, Percabeth, Romance
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Palavras 6.457
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Escolar, Esporte, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Esse capitulo tá bem grandinho pra compensar a demora

Capítulo 22 - Emoções


Annabeth: 


Não tenho ideia do que conversamos no carro até a casa de Percy. Sei que falamos. Sei que vi a paisagem voando pela janela.

Sei que até respirei, levando oxigênio aos pulmões como uma pessoa normal. Só não consegui registrar nada disso.

No instante em que chegamos ao quarto dele, jogo as mãos ao redor de seu pescoço e o beijo. Foda-se essa história de um passo de cada vez. Quero-o demais para ir devagar, e minhas mãos se atrapalham na fivela do seu cinto antes que sua língua entre em minha boca.

Sua risada rouca faz cócegas em meus lábios, e, em seguida, mãos fortes seguram as minhas, para me impedir de abrir seu cinto.

- Por mais que aprecie o entusiasmo, vou ter que desacelerarvocê, Chasy.

- Mas não quero ir devagar. -- protesto.

- Só lamento, docinho.

- Docinho? Quem é você, minha avó?

- Ela chama as pessoas de ‘docinho’?

- Na verdade, não.--confesso. -Vovó xinga feito um caminhoneiro. No Natal passado, soltou um filho da puta na mesa dejantar, e meu pai quase engasgou com a comida.

Percy solta uma risada. -Acho que gosto da sua avó.

- Ela é uma graça .

- Aham. Parece mesmo. -- Ele deita a cabeça. -Agora podemos parar de falar da sua avó, sra. Assassina de Climas?

- Você matou primeiro.--observo.

-Não, só mudei o ritmo.--Seus olhos cinzentos fervem de calor. - Agora sobe na cama.

Ai. Meu. Deus.

Eu me jogo no colchão tão rápido que trago outra risada aos lábios dele, mas não me importo de parecer ansiosa. O nervosismo que senti ontem à noite não está revirando meu estômago hoje, porque todo o meu corpo está tremendo de excitação. Lá no fundo, me vem a ideia de que talvez não váconseguir de novo, ou pelo menos não com o toque de Percy,mas, puta merda, estou morrendo de vontade de descobrir.

Ele se deita ao meu lado, enfia a mão pelos meus cabelos e me beija. Não sou um frágil artefato de porcelana para ele. Sou só… eu. Adoro a forma como fica animado, a maneira como puxa meu cabelo se minha cabeça não está exatamente onde quer que esteja, ou como morde meu lábio quando tento provocá-lo, privando-o da minha língua.

Sento na cama apenas para que ele possa tirar minha blusa, e ele segue em frente, o tipo de destreza que aprendi a esperar de Percy. Assim que tira a própria camiseta, nos beijamos desesperadamente.

Naquele momento não penso em mais nada. Só penso no bem que me faz sentir.

- Sua pele parece de seda. -- murmura.

- Você roubou isso de um cartão? -- provoco.

- Não, tô só constatando um fato. -- Seus dedos deslizam sobre minha pele. - Você é macia, suave e perfeita. -- Ele levanta a cabeça para me lançar um olhar irônico. - Meus calos devem estar te arranhando toda, né?

Estão, mas é um arranhão erótico que faz meu coração pular.

- Se você parar de me tocar, vou socar você.

- Não vale a pena, isso só vai fazer você quebrar a mão. E acontece que gosto das suas mãos.

Seu corpo é longo e esguio, com um tom dourado na pele, em vez do branco pálido de muitos dos rapazes da Judson. Corro os dedos por seu abdômen de pedra, sorrindo ao notar seus músculos tremendo sob meu toque. Em seguida,acompanho o desenho da tatuagem em seu braço esquerdo e pergunto: - Por que tridente?.

Ele dá de ombros. - Gosto de símbolos gregos. E acho que é estiloso.

A resposta me diverte, mas também me impressiona. - Uau.Achei que ia ouvir uma conversa fiada sobre o significado da imagem. Juro, sempre que você pergunta a alguém sobre a tatuagem, as pessoas dizem que significa "coragem" em taiwanês ou algo assim, quando todo mundo sabe que provavelmente significa "batata" ou "sapato" ou "bebaço". Ou contam uma história

interminável sobre como chegaram ao fundo do poço X anos atrás,mas trabalharam duro e é por isso que têm uma fênix renascendo das cinzas tatuada nas costas.

Percy ri, mas logo fica sério. - Acho que este não é o momento para eu contar do tribal na minha canela. Significa "eterno otimista".

- Ai, merda. Sério?

- Não. Tô te zoando. Mas seria uma ótima lição para vocêaprender a não ficar julgando a arte no corpo das pessoas.

- Ei, às vezes é bom ouvir que alguém tem uma tatuagem só porque gosta dela. Estava elogiando você, seu idiota.

- Ah, claro, continua elogiando então -- pede, com a fala arrastada. - Mas tome o cuidado de usar a língua enquanto estiver fazendo isso.

Reviro os olhos.

Seus olhos são um redemoinho enevoado e eletrizante, como uma massa espessa de nuvens logo antes da tempestade. Depois somos uma mistura de beijos quentes, pele em exploração e gemidos roucos. Logo estamos um do lado do outro sem fôlego.

- Cara… isso foi incrível.

- Isso significa que agora a gente pode ir pra parte boa?

- Rá. Vai sonhando. -- Ele abana o dedo para mim. - Um passode cada vez, Chasy. Lembra?

Faço beicinho feito uma criança de seis anos de idade. - Mas a gente sabe que sou capaz. Você acabou de ver isso.

- Na verdade, acabei de sentir na boca.

Meu coração dá um pulo com sua descrição direta. Fico em silêncio por um momento, então deixo escapar um suspiro derrotado. - Será que isto vai fazer você mudar de ideia? -- Olho feio para ele e, em seguida, começo a recitar, relutante. - Percy Jackson, você é um deus do sexo. Você conseguiu o que nenhum outro homem jamais conseguiu. Você… insira aqui mais comentários positivos. -- Levanto uma sobrancelha. - Pronto, agora a gente pode transar?

- De jeito nenhum. -- responde, animado.

Então, para meu total e completo espanto, pula da cama e pega a blusa descartada.

- O que está fazendo? -- exijo saber.

- Me vestindo. Tenho treino em trinta minutos.

Como se estivesse só esperando a deixa, alguém bate ruidosamente contra a porta do quarto. - Bora, Percy, tá na hora! -- chama Frank.

Puxo o cobertor em pânico, desesperada para me cobrir, mas os passos já estão se afastando.

- Se quiser, pode ficar aqui até a gente voltar. -- oferece Percy ao colocar a camiseta. - Vão ser só algumas horas.

Hesito.

- Ah, fica. -- implora ele. - Tenho certeza de que Grover vai cozinhar uma coisa boa para o jantar, então pode ficar por aqui, e eu levo você para casa depois.

A ideia de estar sozinha na casa dele é… estranha. Mas a ideia de um jantar caseiro em vez de comer no refeitório é bastante tentadora. - Tudo bem. -- finalmente cedo. - Acho que posso fazer isso. Acho que vou ver um filme enquanto você estiver fora. Quem sabe tirar uma soneca.

- Qualquer uma dessas duas coisas eu deixo.-- Ele me olha. - Mas você não pode, em hipótese alguma, assistir Breaking Bad sem mim.

- Tudo bem, não vou.

- Promete…

Reviro os olhos. - Prometo.

- Percy ! Anda logo!

Num piscar de olhos, Percy se aproxima e me dá um beijo rápido nos lábios. - Preciso ir. Até mais.

No instante seguinte, ele se foi, e estou sozinha no quarto de Percy Jackson , o que é, bom, vou dizer logo, completamente surreal. Nunca tinha nem falado com o cara antes das provas, e agora estou sentada na sua cama. Vai entender.

Fico surpresa por ele não ter ficado preocupado que eu fosse bisbilhotar suas coisas, mas, quando paro para pensar, percebo que não é tão surpreendente assim. Percy é a pessoa mais honesta e direta que já conheci. Se tiver algo, provavelmente não se dá ao trabalho de esconder.

Ouço vozes e passos no andar de baixo, em seguida, a porta da frente se abre e se fecha. Depois de alguns segundos, levanto e visto minhas roupas, porque não me sinto confortável de ficar andando quase nua num quarto que não é meu.

Decido não tirar uma soneca, porque me sinto estranhamente energizada depois do nosso pega.

Daniel e eu tentamos alcançar isso por oito longos meses.

Percy conseguiu em duas tentativas.

Será que isso quer dizer que estou consertada?

A pergunta é muito filosófica para o meio da tarde, então deixo-a de lado e desço até o primeiro andar para beber alguma coisa. Mas, quando entro na cozinha, me vem um insight. Percy e os amigos provavelmente vão estar exaustos quando chegarem em casa. Por que colocar Grover para queimar a barriga no fogão quando já estou na cozinha com tempo de sobra?

Uma olhada rápida na geladeira, na despensa e nos armários deixa claro que Percy não estava brincando, esta cozinha é usada, porque está muito bem abastecida. A única receita que sei de cabeça é a lasanha de três queijos da minha avó, então junto todos os itens de que vou precisar e empilho na bancada de granito.

Estou prestes a começar a cozinhar quando algo me ocorre.

Franzindo os lábios, pego o telefone do bolso de trás e ligo para minha mãe. São só quatro horas, por isso imagino que não tenha saído para o trabalho ainda.

Felizmente, ela atende no primeiro toque. - Oi, meu amor! Que surpresa boa.

- Oi. Tem um segundo?

- Tenho cinco minutos inteiros, na verdade. --responde, com uma risada.

- Como que está vocês aí?

- Ótimos, seu pai está se recuperando muito bem.

- Ah. -- Abro, distraída, uma caixa de massa para lasanha. - De qualquer forma, queria perguntar sobre a receita de lasanha da vovó. Serve oito pessoas, né?

- Dez. -- corrige ela.

Franzindo a testa, penso em quanta comida Percy pediu quando foi à lanchonete na semana passada, depois multiplico por seis jogadores de hóquei e…

- Merda. -- murmuro. - Acho que não vai dar. Se quiser servir para trinta pessoas, é só dobrar os ingredientes, ou tem algum jeito diferente de calcular?

Mamãe faz uma pausa. - Por que exatamente você está cozinhando lasanha para trinta pessoas?

- Não… Mas estou cozinhando para seis jogadores de hóquei que imagino terem o apetite de trinta pessoas.

- Entendi. -- Há outra pausa, e praticamente posso ouvir o sorriso do outro lado da linha. - E um desses quatro jogadores de hóquei é alguém… especial?

- Você pode simplesmente me perguntar se é meu namorado, mãe. Não precisa ser tão brega.

- Certo. E ele é seu namorado?

- Não. Na verdade estamos meio que juntos, acho… Meio? Ele acabou de fazer você ver estrelas!

- Mas somos mais amigos do que qualquer outra coisa.

Amigos que querem dormir juntos.

Calo a voz irritante em minha cabeça e mudo de assunto depressa. - Você tem tempo para repassar a receita rapidinho comigo?

- Claro.

Cinco minutos mais tarde, desligo o telefone e começo a preparar o jantar para o cara que me concertou.


                           ☆☆☆

Percy:

A casa cheira a restaurante italiano quando passo pela porta.

Viro para Léo, que me lança um olhar de “o que está acontecendo aqui?”, e dou de ombros, como quem diz “não sei de nada”, porque, sinceramente, não faço ideia. Abaixo para desamarrar as botas pretas, então sigo o aroma de dar água na boca até a cozinha. Quando chego à porta, pisco algumas vezes, porque acabo de me deparar com o que parece ser uma miragem.

Meus olhos são recebidos pela bunda gostosa de Annabeth . Ela está debruçada sobre a porta do fogão, usando as luvas cor-de-rosa de Grover e tirando uma travessa fumegante de lasanha da prateleira do meio. Ao som dos meus passos, olha por cima do ombro e sorri. - Ah, oi. Chegaram bem na hora.

Tudo o que posso fazer é ficar de boca aberta.

- Percy ? Oi?

- Você fez o jantar? -- gaguejo.

Sua expressão animada falha momentaneamente. - Fiz. Tudo bem?

Estou chocado demais ,e genuinamente tocado, para responder.

Por sorte, Jason aparece na porta e responde por mim.

- Princesa, que cheiro bom!

Grover, Nico e Frank aparecem depois de Jason. - Vou colocar a mesa. -- acrescenta Grover.

Meus amigos entram na cozinha. Grover e Jason para ajudar Annabeth , enquanto o resto apenas fica parado ao meu lado, parecendo embasbacados.

- E ela também sabe cozinhar? -- suspira Léo.

Algo em sua voz , bom, não algo, mas o inconfundível tom de angústia em sua voz, me faz ficar tenso. Merda. Ele não pode estar apaixonado por ela, pode? Achei que só queria dormir com ela, mas pelo jeito como a olha agora…

Não estou gostando disso.

- Cara, segura a onda. -- murmuro, o que provoca uma risada nele, que obviamente sabe o que estou pensando.

- Nossa, tá com uma cara ótima -- diz Grover, em pé diante do prato de lasanha com uma faca e uma espátula.

Nós sete nos sentamos à mesa, que Annabeth não só limpou, mas cobriu com uma toalha azul e branca. Tirando minha mãe, nenhuma mulher fez o jantar para mim antes. Eu meio que… gosto disso.

- E aí? Vai se fantasiar amanhã? -- pergunta Grover para Annabeth, servindo um quadrado modesto de lasanha no prato dela.

- Para o quê?

Grover ri. - Pro Halloween, sua tonta.

Annabeth deixa escapar um suspiro. - Ai, merda. Já é amanhã? Juro, não tenho noção de tempo.

- Tenho uma sugestão de fantasia para você. -- se intromete Jason. - Enfermeira sexy. Não, nada disso. Vivemos num mundo moderno… Médica sexy. Uuuuhhh, ou piloto da marinha sexy.

- Não vou me vestir de nada sexy, muito obrigada. Já basta ter que ficar presa distribuindo bebidas na cervejada do alojamento.

Rio. - Você caiu nessa? Não creio. -- Na cervejada anual de Halloween dos alojamentos as pessoas vão de prédio em prédio pegando bebida grátis. Ouvi dizer que é muito mais divertido do que parece.

Ela projeta o queixo, melancólica. - Ano passado também. Foi um saco. Se vocês forem, precisam passar lá.

- Adoraria, gata. -- diz Léo, num tom sedutor que me faz enrijecer. - Mas não espere pelo Percy aqui.

Ela me olha. - Você não vai fazer nada no Halloween?

- Não. -- respondo.

- Por que não?

- Porque ele detesta o Halloween. -- Nico informa a ela. - Tem medo de fantasmas.

Mostro o dedo para ele. Mas em vez de explicar o verdadeiro motivo que me faz odiar o dia 31 de outubro com cada fibra do meu ser, simplesmente dou de ombros e digo: - É um feriado inútil de tradições idiotas.

Léo dá uma risada. - Ui, falou o chefe do Esquadrão Antidiversão.

Grover termina de servir todos os pratos, em seguida senta e enfia um garfo em sua lasanha. - Cacete, isso tá muito bom. -- murmura entre garfadas.

Depois disso, toda a conversa deixa de existir, porque, depois de três horas de treino de finalização, os caras e eu estamos famintos, o que significa que nos transformamos em homens das cavernas. Não demoramos nada para destruir a lasanha, o pão de alho e a salada Caesar que Annabeth preparou. E destruímos com vontade. Não sobra nem metade de uma porção na travessa no momento em que nos damos por satisfeitos.

- Sabia que deveria ter quaplicado a receita. -- diz Annabeth , arrependida, olhando para os pratos vazios, impressionada. Em seguida, tenta se levantar para limpar a mesa, e Frank por pouco não a derruba para impedir que vá até a pia.

- Minha mãe me ensinou boas maneiras, Chasy. -- Ele lança um olhar decidido na direção dela. - Se alguém cozinhou para você, você limpa. Ponto. -- Sua cabeça se volta para a porta justamente quando os outros caras estão tentando sair de fininho. - Aonde as senhoras vão? Pratos, seus babacas. Percy, você tá de folga hoje porque tem que levar a nossa linda chef pra casa.

No corredor, planto minhas mãos na cintura de Annabeth e deito o pescoço para beijá-la. - Não dava pra você ser mais alta? -- resmungo.

- Não dava pra você ser mais baixo? -- devolve ela.

Roço os lábios nos seus. - Obrigado por fazer o jantar. Foi muito gentil da sua parte.

Um rubor cora suas bochechas. - Imaginei que eu te devia isso… você sabe… -- O tom rosado se transforma em vermelho. - Por você ser um deus do sexo e tal.

Rio. - Isso significa que toda vez que a gente fazer isso você vai cozinhar para mim?

- Não. Foi só hoje. Chega de cozinhar para você. --  Ela fica na ponta dos pés e leva a boca ao meu ouvido. - Mas ainda quero o resto.

Como se algum dia eu pudesse negar isso a ela.

- Vamos, vou levar você de volta. Tem aula amanhã cedo, certo? -- Fico surpreso ao perceber que realmente sei seus horários.

Não sei bem o que está acontecendo entre nós. Tá, concordei em ajudá-la com seu problema sexual, mas… problema resolvido, certo? Ela conseguiu o que queria de mim, e nem precisamos transar para que isso acontecesse. Então, tecnicamente, ela não precisa dormir comigo. Nem continuar me vendo, aliás.

E eu… bom, não quero uma namorada. Minha atenção está e sempre esteve voltada exclusivamente para o hóquei, a formatura e o draft , o processo seletivo de novos jogadores no qual estou pensando em me inscrever depois da formatura. Sem falar na tarefa de impressionar os olheiros, que já estão começando a aparecer em algumas partidas. Agora que a temporada está a todo vapor, isso significa mais treinos e jogos, menos tempo para me dedicar a qualquer coisa ( ou pessoa ) que não o hóquei.

Então, por que a ideia de não passar mais tempo com Annabeth me causa a mais estranha sensação de embrulho no estômago?

Ela tenta dar um passo no corredor, mas puxo sua mão e a beijo novamente, e desta vez não é um selinho. Beijo com força, me entregando ao seu gosto e ao seu calor e a tudo que diz respeito a Annabeth. Nunca esperei por ela. Às vezes, as pessoas entram na sua vida e, de repente, você não sabe como foi capaz de viver sem elas antes. E já não consegue entender como vivia a vida, saía com os amigos e dormia com outras pessoas sem ter essa pessoa importante na sua vida.

Annabeth interrompe o beijo com uma risada suave. - Arruma um quarto. -- brinca.

Decido que talvez seja hora de reavaliar a minha posição sobre namoradas.

                         ☆☆☆

Annabeth: 

- Buuuuuuu! Feliz Halloween!

Viro o rosto do armário, onde estava tentando encontrar uma roupa mais ou menos apropriada para o Halloween que não fosse uma fantasia, porque odeio me fantasiar, e fico boquiaberta diante da criatura que surge em minha porta. Não tenho a menor ideia do que Piper está fantasiada. Tudo o que vejo é uma roupa azul bem justa, muitas penas e… aquilo são orelhas de gato?

Roubo o bordão de Piper e pergunto: -O que, neste mundão de meu Deus, você deveria ser?

- Sou uma ave-gato. -- Então me lança um olhar que diz dããã.

- Uma ave-gato? O que é… por quê?

- Porque não consegui me decidir se queria ser um gato ou um passarinho, então Sean meio que falou "seja os dois", e eu pensei "quer saber? Ideia genial, namorado". Ela sorri para mim.

- Tenho certeza de que ele estava dando uma de espertinho, mas decidi seguir a sugestão à risca.

Não contenho uma gargalhada. - Ele vai desejar ter sugerido algo menos ridículo, como enfermeira sexy, ou bruxa sexy, ou…

- Fantasma sexy, árvore sexy, rolo de papel higiênico sexy. -- Piper suspira. - Ótimo, vamos simplesmente colocar a palavra sexy na frente de qualquer substantivo normal e, vejam só! Uma fantasia! Porque, quer saber, se você está a fim de se vestir de periguete, por que simplesmente não se veste de periguete? E sabe o que mais? Odeio Halloween.

Solto um riso contido. - Então por que vai à festa? Você devia ser juntar a Percy. Ele tá em casa, de mau humor.

- Sério?

- Ele é contra Halloween -- explico, mas isso não soa legal em voz alta.

Tive a estranha impressão na noite passada de que ele tem um motivo mais sério para odiar o Halloween, em vez de simplesmente “é um feriado sem sentido, blá-blá-blá”. Talvez algo terrível tenha acontecido com ele há muitas luas numa noite de 31 de outubro, como ter tomado uma ovada por hooligans quando era criança. Aaah, ou talvez tenha assistido a Halloween e então passou a ser atormentado por pesadelos durante semanas, que foi o que aconteceu comigo quando assisti a meu primeiro e único filme do Michael Myers, aos doze anos.

- Enfim, Sean está esperando por mim lá embaixo, então vou indo. -- Piper se aproxima e me dá um enorme beijo na bochecha.

- Divirta-se distribuindo bebidas com Tracy.

É, tá bom. Já me arrependi de ter concordado em ajudar Tracy com a cervejada do alojamento. Não estou no menor clima de passar a noite inteira esperando que universitários bêbados apareçam para descolar bebidas e shots de gelatina. Na verdade, quanto mais penso nisso, mais fico tentada a pular fora, sobretudo quando imagino Percy em casa sozinho, fazendo cara feia para o espelho ou jogando uma bola de tênis contra a parede, como fazem na prisão.

Em vez de continuar em minha busca por uma fantasia que não seja uma fantasia, saio do quarto, vou até o corredor e bato à porta de Tracy.

- Já vai! -- Ela parece quase um minuto depois, penteando uma peruca crespa verde com uma das mãos e passando pó branco nas bochechas com a outra.

- Oi! -- exclama. - Feliz Halloween!

- Feliz Halloween. -- Faço uma pausa. - Então, o negócio é seguinte… o quanto você vai me odiar se eu der bolo na cervejada do alojamento? E, ainda por cima, pedir seu carro emprestado?

A decepção inunda seus olhos. - Você não vem? Por quêêêê?

Merda, realmente espero que ela não comece a chorar. Tracy é do tipo de mulher que berra por qualquer coisa, embora eu honestamente ache que são lágrimas de crocodilo, porque sempre secam rápido demais.

- Um amigo meu tá tendo uma noite ruim. -- digo, sem jeito. - E precisa de companhia.

Ela me lança um olhar desconfiado. - E esse amigo atende pelo nome de Percy Jackson?

Abafo um suspiro. - Por que você acha isso?

- Porque Piper disse que vocês estão namorando.

É a cara dela sair fazendo fofoca.

- Nós não estamos namorando, mas, sim, é dele que estou falando. -- admito.

Para minha surpresa, Tracy abre um enorme sorriso. - Errr, por que você não falou desde o começo, sua boba? Claro que vou quebrar essa, se isso significa que você vai pegar Percy Jackson! Aliás, invejinha branca, hein, amiga, porque… Ai. Meu. Deus. Se aquele delícia sequer sorrisse para mim, acho que minha calcinha pegaria fogo.

Não quero ter que lidar com nem um décimo dessa resposta, então resolvo ignorá-la por completo. - Tem certeza de que você vai ficar bem?

- Tenho, vai dar tudo certo. -- Ela me dispensa com a mão.

- Minha prima está passando uns dias aqui. Vou pedir ajuda pra ela.

- Eu ouvi isso! -- Uma voz feminina grita de dentro do quarto.

- Obrigada por me entender. -- digo com gratidão.

- Sem problemas. Espera um segundo. -- Tracy desaparece e volta logo depois com as chaves do carro penduradas no indicador.

Pego as chaves e sorrio para ela - Divirta-se, amiga.

De volta ao meu quarto, pego o telefone no sofá da sala e mando uma mensagem para Percy.

Eu: Tá em casa?

Ele: Tô.

Eu: Acabei de miar a cervejada. Posso passar aí?

Ele: Fico feliz q tenha caído em si, gata. Traz logo essa bunda gostosa aqui.


                         ☆☆☆

Percy: 

Quando a porta da frente se abre, estou bastante apreensivo, porque meio que espero que Annabet apareça em alguma fantasia ridícula numa tentativa de me contagiar com o espírito do Halloween e me convencer a ir à festa do alojamento.

Por sorte, é a Annabeth de sempre que passa a cabeça pela porta da sala de estar e olha para mim. E isso significa que está linda de morrer. O cabelo está preso num rabo de cavalo baixo e está usando um suéter vermelho folgado e calça de ginástica preta.

E as meias, claro, são rosa-choque.

- Oi. -- Ela senta ao meu lado no sofá.

- Oi. -- Passo o braço à sua volta e dou um beijo em sua bochecha, o que parece a coisa mais natural do mundo a se fazer.

Não tenho a menor ideia se sou o único que se sente assim, mas ela não se afasta, nem zomba de mim pelo comportamento típico de namorado. Entendo isso como um sinal promissor.

- E aí? Por que desistiu da festa?

- Não tava no clima. Fiquei imaginando você aqui chorando sozinho e a pena foi maior.

- Não tô chorando, besta. -- Aponto para o documentário maçante sobre leite que está passando na TV. - Mas tô aprendendo sobre pasteurização.

Ela me encara, embasbacada. - Vocês pagam uma grana para assinar um milhão de canais e é isso que você escolheu ver?

- Na verdade eu tava mudando de canais e passei por esse, vi um monte de teta de vaca e, sabe como é, fiquei excitado e…

- AFFF!

Caio na gargalhada. - Tô brincando, gata. Na real, as pilhas do controle acabaram e sou preguiçoso demais para levantar e mudar de canal. Tava assistindo a uma minissérie fantástica sobre a Guerra Civil antes de as tetas aparecerem.

- Você realmente curte história, né?

- É interessante.

- Algumas partes. Outras, não muito. -- Ela deita a cabeça no meu ombro, e eu brinco, distraído, com uma mecha de cabelo que se soltou do seu penteado. - Fiquei triste por causa da minha mãe, hoje de manhã. -- confessa.

- É? Por quê?

- Ela ligou para dizer que talvez eles também não possam deixar São Francisco e vim no Réveillon.

- Você é de São Francisco? -- pergunto curioso.

- É, nasci e fui criada em São Francisco até vim pra cá. -- Uma pitada de rancor transparece em sua voz. - Também conhecida como "amostra grátis do inferno".

Meu estado de espírito logo se torna mais sombrio. - Por causa do…?

- Da agressão? -- pergunta, com ironia. - Você pode falar a palavra, sabe? Não é contagiosa.

- Eu sei. -- Engulo em seco. - É só que não gosto de dizer porque torna tudo mais… real, acho. E não consigo suportar a ideia de que tenha acontecido com você.

- Mas aconteceu -- diz ela, baixinho. - Não dá para fingir que não.

Ficamos em silêncio por um instante.

- Por que seus pais não podem visitar você? -- pergunto.

- Meu pai caiu de uma escada e quebrou uma perna e tá de repouso  e também por conta do dinheiro. Se você tiver se interessado por mim achando que eu fosse herdeira de alguma coisa, é melhor saber logo que estou na Judson com bolsa integral e que recebo auxílio financeiro para meus gastos.

- Não ligo pra quanto dinheiro a sua família tem, Chasy.

- Disse o milionário.

Meu peito enrijece. - Não sou milionário… meu pai é. Tem uma diferença.

- Acho que sim. -- Ela dá de ombros. - Mas, então, meus pais estão afundados numa montanha de dívidas. E… -- Ela se interrompe, e um vislumbre de dor perpassa seus olhos verdes.

- E o quê?

- É tudo minha culpa. -- admite.

- Duvido muito.

- Não, é minha culpa sim. -- Ela parece triste. - Eles ainda estão pagandoos advogados. O processo contra Bernardo, o cara que…

- Deveria estar preso. -- termino a frase para ela, porque, honestamente, não posso ouvi-la dizer a palavra estupro de novo.

Simplesmente não posso. Toda vez que penso no filho da mãe que fez isso, uma raiva incandescente invade meu estômago, e meus punhos formigam com vontade de esmurrar alguma coisa.

- Ele não foi preso. -- diz Annabeth , baixinho.

Meu olhar se volta para o dela. 

- Você tá brincando?

- Não. -- Seus olhos assumem um brilho distante. - Quando cheguei em casa naquela noite… na noite em que aconteceu… meus pais olharam para mim e viram meu estado ... Nem lembro o que disse para eles. Tudo o que sei é que chamaram a polícia e me levaram para o hospital, eu fiz o exame de corpo de delito, fui entrevistada, interrogada. Não queria falar com os policiais, mas minha mãe me disse que eu tinha que ser corajosa e contar tudo, para impedir que ele fizesse aquilo com outra pessoa.

- Ela parece uma mulher muito inteligente -- digo, com a voz rouca.

- E é. -- A voz de Annabeth falha. - Enfim, Bernardo foi preso, mas logo foi solto sob fiança, e eu tive que encontrar com o filho da mãe na cidade e no colégio…

- Eles o deixaram voltar para o colégio? -- exclamo.

- Ele não podia chegar a menos de cem metros de mim em momento algum, mas, sim, voltou para o colégio. -- Ela me lança um olhar sombrio. - Eu comentei que a mãe dele era a prefeita ?

Sinto o espanto fisicamente dentro de mim. - Caralho.

- E o pai dele era o encarregado da paróquia. -- Ela solta uma risada sarcástica. - A família dele praticamente dirige a cidade, então, na verdade, foi uma surpresa ele ter sido preso, pra começo de conversa. Ouvi dizer que a mãe fez um escândalo quando apareceram na casa deles. Ops, na mansão deles. -- Ela faz uma pausa.

- Resumindo, houve um monte de audições e depoimentos preliminares, e tive que sentar na frente dele no tribunal e olhar para aquela cara convencida. Depois de um mês dessa palhaçada, o juiz finalmente decidiu que não havia provas suficientes para julgar e dispensou o caso.

O horror me acerta com mais força do que Greg Braxton seria capaz. - Tá falando sério?

- Pode apostar.

- Mas eles tinham os exames e o seu testemunho… -- gaguejo.

- Mas eu não tinha testemunhas e o exame não conseguiu comprovar digitais ou identificar como e quem fez era a palavra dele contra a minha. -- Ela ri de novo, dessa vez, de espanto. - Na verdade, era a minha palavra contra a dele e de três amigos.

Franzo a testa. - Como assim?

- Acontece que os amiguinhos dele atestaram para o juiz, sob juramento, que eu o traí naquela noite e que estava bastante bêbada, e que ele não me bateu, e eu sim, após perceber que ele descobriu tudo, tropecei na saída do fundos da festa e cai da escada após tentar fugir .

Não conhecia o significado de raiva cega até este exato instante. Porque a simples ideia de que Annabeth tenha sido obrigada a passar por tudo isso me faz querer matar todas as pessoas daquele fim de mundo infernal de onde ela veio.

- E piora. -- avisa ela, ao ver minha expressão.

Solto um gemido. - Ai, Deus. Não aguento mais ouvir.

- Ah. -- Ela desvia os olhos, desconfortável. - Desculpa. Esquece.

Pego seu queixo depressa e viro seu rosto para mim. - Foi só jeito de dizer. Preciso ouvir isso.

- Tá. Bom, depois que as acusações foram retiradas, a cidade inteira se voltou contra mim e meus pais. Todo mundo disse um monte de coisas horríveis a meu respeito. Eu era uma vagabunda, eu trai o cara, eu tentei enganá-lo, esse tipo de coisa tranquila. Terminei tendo que receber aulas particulares até o final do semestre. E a mamãe prefeita e seu marido processaram a minha família.

- Tá de sacanagem? -- digo, com os dentes quase cerrados.

- Pois é. Alegaram que causamos estresse emocional ao filho deles, que o caluniamos, e um monte de outras besteiras que não lembro mais. O juiz não deu tudo o que eles pediram, mas decidiu que meus pais tinham que pagar os encargos legais da família de Bernardo. O que significa que tiveram de pagar por dois advogados.

Annabeth engole em seco. - É não podem se mudar até pagar tudo é resolver nossas vidas.

- Merda. -- Quase posso sentir meu coração se partindo dentro do peito. - Sinto muito.

- Eles estão presos naquela cidade por minha causa. -- acrescenta Annabeth, categoricamente. - Meu pai não pode largar o emprego porque é um trabalho estável e ele precisa do dinheiro. Mas pelo menos está trabalhando na cidade vizinha. Ele e minha mãe não podem entrar no centro da cidade sem lidar com olhares de reprovação ou sussurros desagradáveis. Não podem se dar ao luxo de me verem este ano. E sou medrosa demais para voltar lá para vê-los. Não consigo, Percy. Não quero nunca mais pisar naquele lugar. Os pais de Bernardo ainda moram lá. Ele ainda os visita todo verão. -- Ela me olha com uma expressão desamparada. - Como posso voltar?

- Você já foi alguma vez desde que entrou na faculdade?

Ela faz que sim. - Uma. E, no meio dessa visita, meu pai e eu tivemos que ir à loja de ferragens e encontramos dois dos pais dos amigos de Bernardo, os filhos da mãe que mentiram por ele. Um dos pais fez um comentário mal-educado, algo como "olha só, a vadia e o pai dela comprando uma escada, porque com certeza ela gosta de trepar". Ou qualquer coisa do tipo. E meu pai teve um troço.

Inspiro fundo.

- Foi atrás do sujeito que disse isso e quebrou feio a cara dele, antes de a briga ser apartada. E claro que tinha um policial passando perto da loja naquela hora e prendeu meu pai.

Annabeth contrai os lábios. - As queixas foram retiradas quando o dono da loja interveio e disse que meu pai tinha sido provocado. Pelo menos ainda existem umas poucas pessoas honestas lá. Mas, não, nunca mais voltei depois disso. Tenho medo de topar com Bernardo e… sei lá. Acabar matando o cara pelo que fez com a minha família.

Annabeth repousa o queixo em meu ombro, e posso sentir as ondas de tristeza irradiando de seu corpo.

Não tenho ideia do que dizer. Tudo o que descreveu é tão brutal, e, ainda assim… posso entender.

Minha voz é rouca pra caramba quando deixo escapar: - A minha vó morreu no Halloween.

Annabeth ergue a cabeça, espantada. - Sinto muito.

Quase não continuo, mas depois da história que me contou, não posso segurar.

- Faz alguns anos, nós éramos muito apegados. Ela cuidou sempre de mim e ... Quando aconteceu, me detonou.

- Caramba. Não tinha ideia. -- Ela arregala os olhos, mas não por pena, e sim por compreensão .

Os dedos de Annabeth estão quentes quando ela os entrelaça aos meus. Aperto-os, precisando de uma distração física para a dor que comprime meu peito.

Nunca contei isso para qualquer pessoa antes. Nem se quer Grover. Sei que me entenderiam, mas não quis acabar com a noite deles.

Mas confio em Annabeth. Tenho certeza de que não vai falar sobre isso com ninguém, e mesmo ela não sabendo de nada, veio me ver, eu lhe devia mais que uma explicação depois de tudo que ela confessou, e é claro, minha situação não chega nem perto da dela.

- Então, é isso. -- concluo. -- Na última vez em que comemorei a porra do Halloween, chegando em casa encontrei minha avó morta. E não tinha ninguém em casa, meus pais tinha saído e eu ficaria com minha avó quando chegasse em casa. Não é uma memória muito feliz, é?

- Não, não é. -- Sua mão livre acaricia meu queixo.

- Mas sabe o que minha psicóloga costumava me dizer? A melhor maneira de esquecer uma lembrança ruim é substituí-la por uma boa.

- Com certeza é bem mais fácil falar do que fazer.

- Talvez, mas não custa tentar, né?

Minha respiração entala na garganta quando ela sobe no meu colo. Quem diria que eu conseguiria ficar tão excitado após termos a conversa mais deprimente da história?

Ela me dá um beijo suave e doce, e solto um gemido, não conseguindo me segurar.

É só quando abro os olhos que me dou conta de onde estamos. Meus amigos estão numa festa, mas amanhã temos treino logo cedo e um jogo, o que significa que não vão ficar na rua até tarde hoje. E podem entrar na sala a qualquer momento.

Toco o rosto de Hannah para pará-la. - Vamos lá para cima. Não tenho a menor ideia de quando os caras vão chegar.

Ela se levanta sem dizer uma palavra e estende a mão para mim.

Seguro sua mão e a levo para o segundo andar.

                         ☆☆☆

Annabeth: 

Percy deixa a luz apagada.

Ele tranca a porta atrás de nós, e posso ver seus olhos brilhando na escuridão. O corpomusculoso é como um borrão em meio às sombras, caminhando na minha direção. Ele me guia até a cama e então nós deitamos um ao lado do outro.

Quando ele fala, é algo tão absurdo que sou realmente pega de surpresa. - Pensei que seu nome fosse com H.

- Você achou que eu me chamava Hannabeth?

Percy  ri. - Não, achei que fosse Hanna, ou Hellen, ou  Helena. Qualquer coisa com H.

Não sei se devo achar graça ou me sentir ofendida. - Certo…

- Quase dois meses, Annabeth. Fiquei dois meses sem saber seu nome.

- Bom, a gente não se conhecia.

- Você sabia o meu nome.

Solto um suspiro. - Todo mundo sabe o seu nome.

- Como pude passar tanto tempo sem perceber você, caramba? Por que precisei ver uma porcaria de um dez na sua prova para prestar atenção?

Ele soa tão genuinamente chateado que me arrasto para junto dele e o beijo. - Não importa. Agora você me conhece.

- Conheço. -- diz, com intensidade, em seguida se aproxima vagarosamente em direção ao meu pescoço. - Sei que quando faço isso… -- ele beija com destreza meu pescoço, um gemido me escapa. - … você geme alto o suficiente para acordar o prédio todo. E sei que quando faço isso você quase explode de tanta excitação. -- diz passando a mão por meu corpo.

Percy ergue a cabeça e a apoia num dos cotovelos, o bíceps flexionado junto do meu ombro. - Também sei que gosto de você. -- diz, com a voz rouca.

Um riso trêmulo me escapa. - Também gosto de você.

- Tô falando sério. Gosto de você pra caralho.

Não tenho certeza de como responder, então simplesmente seguro as costas de sua cabeça e puxo-o para um beijo. Depois disso, tudo se torna um borrão. Suas mãos e lábios estão em toda parte, e uma onda de prazer me varre para um lugar bonito onde só existimos nós dois, Percy e eu. Ele se afasta apenas para alcançar a gaveta junto da cama, e meu pulso acelera, porque sei o que está pegando e o que está prestes a acontecer. E me entrego a ele por completa , me entrego ao cara que me entende, me apoia, é o principal: é meu amigo, sei que nunca me fará mal algum.


Notas Finais


Como diz o título, rolou muita emoção, e finalmente eles dormiram juntos.
Espero que tenham curtido , é como sempre me desculpe pelos erros.
O próximo capítulo saí ainda nessa semana. Talvez entre amanhã ou depois de amanhã.


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