História Perdão - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Morte, Original, Romance, Tragedia
Visualizações 3
Palavras 1.961
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Essa é minha primeira história original publicada. Eu já estava querendo escrever a algum tempo e após assistir a série do Netflix The OA eu consegui a inspiração para colocar minha ideia no papel. Espero que gostem.

Capítulo 1 - Perdão


Fanfic / Fanfiction Perdão - Capítulo 1 - Perdão

No primeiro dia eu esbarrei nele por acidente. Não o via há muito tempo e inicialmente doeu vê-lo mais uma vez. Ele estava no meio do bosque. Meu bosque, que havia deixado de ser nosso bosque quando ele foi embora.

– O que está fazendo aqui? – Perguntei grossa.

– Eu vim visitar A Arvore. – Ele respondeu. Era mentira. Eu sabia que era. Eu suspirei. Todo o rancor indo embora com ar.

– Eu estava indo para lá. – Foi o que respondi. Foi um convite. Não tinha forças para brigar com ele como na última vez que nos falamos. Eu já havia perdido as forças para odiá-lo há muito tempo.

– Que bom.                   

Então seguimos adiante.

Ao lado Da Arvore havia um banco. Nos sentamos lá. E lá ficamos. Se eu fechasse meus olhos era quase como se estivesse sozinha. Não, melhor ainda. Era quase como os velhos tempos. Os bons tempos. Antes de Marcus ir embora. Antes mesmo de começarem nossas brigas. Então não protestei. Só fiquei lá. Em silêncio. Sem olhar para ele. Sem ouvi-lo. Sem tocá-lo.

No dia seguinte ele estava lá novamente.

Nos sentamos. Não nos encaramos. Ficamos em silêncio. Quando anoiteceu, eu fui embora. Ao chegar em casa percebi que o sentimento de rancor e magoa não havia aparecido com sua presença. Dormi estranhamente satisfeita.

Mais um dia se passou. Ele estava lá novamente.Nos sentamos. Não nos encaramos. Ele falou.

– Eu vim para pedir desculpas. Sei que está se perguntando isso. Então me desculpe. Por tudo. Agora eu sei que estava errado. Não devia ter ido embora. – Não fazia idéia do que responder. Fiquei em silêncio. – Nunca entendi porque mudou seu nome. Nathalia. É um nome bonito. Porque quis mudar? – Ele observava nossos nomes inscritos na arvore. Eu havia escrito meu nome de nascença, “Nathalia”. Logo abaixo o nome de Marcus estava cravado na madeira em uma caligrafia invejável para algo que havia sido feito com canivetes. Agora eu atendia por Ella. Nathalia representava o meu passado.

– Você sabe que eu não gostava. Por isso mudei. – Eu disse. Ele sorriu.

– Para mim você sempre será Nathalia. – Ele respondeu.

E pela primeira vez em anos o calor de nossas conversas ressurgiu em mim. Pensei na primeira coisa que ele disse hoje. Seu pedido de desculpas. Talvez eu pudesse perdoá-lo afinal. Talvez eu possa ter de volta o sentimento que compartilhávamos abaixo dessa arvore. Mas ainda não estava pronta.

Então sorri junto com ele, mas não dissemos mais nada. E quando anoiteceu voltei para casa. Dormi feliz.

No quarto dia não me surpreendi ao encontrá-lo lá.

Me sentei ao seu lado. Sorri para ele. Disse ‘Oi’.

– Oi – Ele respondeu com um grande sorriso. Ele então começou a rir. Não entendi a principio. – Vai me pedir para brincar de esconde-esconde com você novamente?

Então compreendi porque ele estava rindo. Era como quando nos conhecemos. Éramos só crianças e eu havia me sentado ao seu lado neste mesmo banco. Nos cumprimentamos como fizemos agora e eu lhe pedi para brincar comigo porque estava sozinha no parque e ainda não conhecia ninguém na cidade. Foi o começo. Foi bom. Eu comecei a rir com ele e respondi.

– Não vou repetir esse erro. Você sempre trapaceou. Nunca contava sem olhar.

– Mentira. Você é que não sabia se esconder e agora reclama como a má perdedora que é.

A conversa desenrolou. As memórias voltaram. Quando já anoitecia eu me despedi com um sorriso. Não ousaria tocá-lo. Eu dizia a mim mesma que não o havia perdoado, mas o perdoei assim que o vi aqui. Talvez muito antes disso. Mas não me permitia o prazer de tocá-lo. Ainda não. Porque sentia que a qualquer momento ele poderia desaparecer. Ir embora. E tudo acabaria novamente.Dormi confusa.

Mais três dias se passaram. Nos encontramos todos os dias. Conversamos todos os dias. Eu estava me acostumando a ter Marcus de volta em minha vida e isso me deixava apavorada.

Eu tinha razão.

No sétimo dia Marcus estava lá. Ele não havia partido. Mas eu sabia que algo estava errado assim que o vi.

– O que foi? – Perguntei antes mesmo de me sentar. Ele tentou disfarçar me lançando um sorriso.

– Nada. Tudo bem com você? – Tentou desviar do assunto.

– Marcus – Notei que era a primeira vez que eu falava seu nome. Foi estranho. Marcus então me olhou preocupado.

– Sente-se Nathalia. – Ele disse. Me sentei ao seu lado. – Eu preciso te pedir isso mais uma vez, porque tenho medo que essa seja minha ultima oportunidade.

– Marcus, o que quer dizer com isso? Você vai embora novamente? – Perguntei. Machucada com a idéia. Começava a sentir medo de sua partida. Eu havia me deixado voltar a ter sentimentos por ele novamente. Havia deixado tudo voltar sabendo dos riscos. Sabendo que ele poderia quebrar meu coração novamente.

– Eu... – Meu celular começou a tocar. Fiquei irritada com a interrupção em um momento tão inoportuno. Ignorei a ligação. – Eu sei que errei com você no passado e jamais cometeria esse erro novamente. Sei que devia ter ficado, mas eu tive medo. Medo de decepcionar você. Medo de impedir você de ser quem você queria. De atingir seu potencial. Sabe que se eu ficasse com você seus pais te deserdariam e você jamais seria quem é hoje. E eu não me arrependo de não ter te atrapalhado naquela época, mas me arrependo de não ter voltado antes. E preciso do seu perdão. Não posso ter paz sem o teu perdão.

O celular tocou novamente. Rejeitei a ligação irritada. Esse era um momento importante. Era o que eu esperava a anos. O momento que poderia dizer quão mal ele me fez sentir. Quão traída eu me senti quando ele foi embora.

– Marcus, eu queria você. Eu tinha escolhido você. Você não precisava ter ido embora. Nenhuma carreira de advogada, nenhuma faculdade cara que meus pais pagaram para mim poderiam te substituir. Eu estava disposta a escolher algo diferente. Estava disposta a fazer novos planos com você. Nós tínhamos feito planos e você foi embora sem nem me avisar. Você nem terminou comigo. Nem me explicou porque estava indo.

– Eu sei.

– Mas agora você está de volta, arrependido e me pedindo perdão. Tudo pode ficar bem. Nós podemos seguir aqueles planos. Nós ainda podemos sentir. Eu sei que você sente também. O calor. O sentimento de antes. Está tudo aqui. Ainda está aqui. Eu ainda te amo. Mas não posso te perdoar se você ao menos não tentar. – O celular voltou a tocar. – Droga Abby. Agora não.

– Nathalia – Ele disse antes que eu pudesse rejeitar a situação. – Eu acho que você deveria atender a ligação.

– Agora não. Isso é mais importante. Nós somos mais importantes. – Eu disse. Um misto de esperança e medo me tomavam. Sentia minha pele se arrepiar, e juntamente com os arrepios vinha derrepente um sentimento ruim. Porque ele não estava sorrindo? Porque não dizia que me amava? Será que me enganei? Será que não há esperança de ter tudo de volta?

Uma lágrima caiu de seus olhos e nesse instante eu sabia que algo estava muito errado. Inevitavelmente meus olhos começaram a lacrimejar.

– Nathalia...

– Não ouse me chamar de Nathalia se for me rejeitar. Você só tinha esse direito quando me amava. Quando realmente se importava com o que eu sentia. – Minhas lagrimas correram livremente. O maldito telefone ainda tocava em minha mão.

– Eu te amo. Eu ainda te amo e ainda me importo com o que você sente. É por isso que estou aqui. Mas é tarde demais para nós. E talvez também seja tarde demais para mim.

– Do que diabos você está falando? – Perguntei meio histérica. Nós dois chorávamos agora.

– Só atenda o telefone. Depois conversamos.

– Já disse que não vou atender o maldito telefone.

– Por favor. Só atenda. – Ele disse. E eu estava tão irritada com ele que atendi seu desejo para que ele pudesse me explicar logo porque continuava a me negar. Porque não podia ficar comigo se me amava.

– Abby, agora não é um bom momento.

– Realmente. – Ela disse. E eu percebi que estava chorando. Abby nunca chorava.

– Abby. O que aconteceu? – Perguntei, agora um pouco mais preocupada. Ela havia me ligado tantas vezes. Talvez eu devesse ter atendido mais cedo.

–  Algo terrível aconteceu Ella. Eles o encontraram ontem a noite. Parece que foi um assalto a mão armada em um beco muito isolado. – Ela soluçava e falava muito rápido – Ele levou três tiros e sangrou até morrer. Os policiais dizem que o corpo deve estar lá a uma semana. Ninguém o encontrou. O bairro não tinha quase movimento.

 E então ela voltou a chorar novamente. De quem ela estava falando? Alguém havia morrido. Será que foi meu pai? Abby era nossa vizinha, ela seria a primeira a me avisar. Mas meu pai não freqüentava becos isolados. Provavelmente foi meu irmão. Será que Steve estava morto?

– Quem foi encontrado Abby? – O desespero começava a me tomar.

– Marcus. – Eu pensei que tinha ouvido errado. Mas então ela repetiu. – Marcus foi encontrado ontem a noite. Ele tinha o meu numero no celular. Os policiais ligaram para mim. Pela analise dos policiais eu estava falando com ele momentos antes de acontecer. Eu fui a ultima pessoa a falar com ele.

– Isso não é possível. – Eu disse olhando para Marcus na minha frente. Ele me olhava triste. – É impossível. – Eu disse e soltei o aparelho. O celular foi parar na grama. – Você está aqui. Como pode estar morto? – Eu disse e segurei sua mão.

E então percebi, tarde demais, que também não havia tocado nele a semana inteira. E se tivesse tocado eu saberia, porque meus dedos encostavam em sua pele branca, mas minha pele não sentia nada.

– É verdade. – Ele disse.

E eu desmoronei. Não podia acreditar.

– Mas você esteve comigo a semana inteira. – Eu disse. E logo percebi como fazia sentido. Ele morreu e veio até a mim. Fazia uma semana dês da primeira vez que o vi. O mesmo tempo que Abby alega que ele está morto.

– Estou aqui porque não consigo partir. Não quero partir. Não antes de receber seu perdão. Te deixar foi o maior arrependimento da minha vida. Então tive que vir.

Eu fiquei em silêncio. Não podia tocá-lo. Não tinha palavras. Não tinha forças. A verdade era dura demais. O mundo parecia ter parado. E eu estava sozinha. Solitária nesse mundo enorme cheio de pessoas que não se importam realmente.

– Por favor diga algo. – Ele pediu. E eu podia sentir sua tristeza, apesar de não poder sentir sua mão sobre a minha.

Eu percebi que só havia uma coisa a se dizer. Uma única coisa certa a se fazer. A única coisa que me permitiria viver em paz.

– Eu te amo. Sempre te amei. E por isso te perdoei muito antes de você aparecer aqui.

E quando concluí, meus olhos estavam fechados. Eu tinha medo de abri-los e não o ver mais ali. E então eu senti seus lábios em minha testa e abri os olhos para uma imagem opaca de Marcus diante de mim.

– Obrigada. Eu vou sempre te amar. Nunca se esqueça. Você foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida e também na minha morte.

E então tudo estava acabado.

E apesar de não poder mais vê-lo eu podia senti-lo. Em meu coração. Como nunca senti antes. E eu sabia que esse não era o fim. Que isso não era um ‘Adeus’ mais um ‘Até logo’. Eu o amava, e esse sentimento ultrapassava a vida e ultrapassava a morte. Esse sentimento era tudo o que importava.

E desta forma eu construí minha ultima memória deste lugar. A Arvore. Nosso refugio. O lugar onde tudo começou, onde tudo terminou e onde cada memória seria eterna. Tanto em minha mente, quando nas letras de nossos nomes gravados naquele tronco ou mesmo naquele banco. Isso não era o fim.

 


Notas Finais


Sim, eu sei que é sacanagem matar um dos personagens principais. Mas talvez alguns de você tenham percebido isso pelas tags que eu coloquei. Não sei se vocês choraram lendo, mas eu chorei escrevendo. Talvez essa tenha sido a intenção, mas minha intenção também era mostrar que a morte não é o fim. Pelo menos é o que eu acredito.
Se alguém percebeu a semelhança e está se perguntando, essa história não é sobre mim, mesmo a personagem preferindo usar o meu nome. Se não perceberam descobriram agora hahah.
Deixem seus comentários. Se gostaram ou não. Se choraram. Se querem me matar. Falem o que acharam.
Bjs da Ella-chan.


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