História Perdida em mim - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Amor, Aventura, Comedia, Drama, Romance
Visualizações 4
Palavras 2.134
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Poesias, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Segunda parte do capitulo anterior.
Acho importante mostrar como nos relacionamos diferente com diferentes pessoas. Conhecemos realmente alguém, pela forma como ela nos trata na nossa frente?

Capítulo 24 - Skrapa ytan -Arranhando a superfície.


Fanfic / Fanfiction Perdida em mim - Capítulo 24 - Skrapa ytan -Arranhando a superfície.

Preciso fazer um esforço e concentrar-me no trabalho, pois além de Effy ter partido, não posso também perder a minha vaga na empresa apesar de sermos uma empresa em sociedade. Fiquei de encontrar uma maneira de arrumar capital para contratação de um designer bom para o vácuo de Tuva e Effy, e não consigo pensar em nenhuma solução melhor do que emprestar dos meus pais, pois poderei pagar sem juros e sei que eles emprestariam. O único problema em pedir emprestado aos meus pais seria mostrar que estamos tendo problemas financeiros na empresa por conta da ausência abrupta de Effy e as férias forçadas de Tuva. E por Effy estar ligada a mim fora da área de trabalho, torna-me um tanto responsável pela sua atitude, mesmo que parte da sua ausência seja ligada à saúde, sua partida instigando às férias duplas das amigas tornou sua decisão irresponsável. E eu teria de contar que Effy partira, não somente naquele dia da casa dos meus pais, mas também do nosso apartamento. Ao terminar o expediente, envio uma mensagem aos meus pais perguntando se eles estariam na casa hoje a noite. Recebo uma mensagem de volta da minha mãe respondendo de que sim, mas tarde, pois ela iria ao teatro e que se fosse importante ela poderia encontrar-me após o final da peça.

Releio o poema que está nas minhas mãos pensando no próximo passo que isso daria. E me pergunto se haveria mais fios dourados, porém escondidos em lugares do apartamento e qual a conexão com o cordão dourado que ela me dera, além de ambos serem da dona desse mistério todo. Sinto falta tanta dela. Eu tive somente namoros insignificantes durante a adolescência, sem muita importância que durou poucos meses. Talvez pelo fato de não ter coisas em comum para discutirmos ou fazermos. Eu também não era um garoto que chamava a atenção delas, fisicamente eu era magro e sem intenção nenhuma em levantar peso, com altura mediana o que também não ajudava a destacar-me. Eu tinha poucos amigos e fora tendo pais com empregos excelentes, eu não aparentava ter um tostão no bolso e por muitas vezes não tinha mesmo. Para ganhar dinheiro, tínhamos que ajudar em casa, na nossa e dos nossos avós. Todo mês, ao fazer nossas pequenas tarefas, meus pais pagavam uma quantia e tínhamos que usar com uma sabedoria que era impossível tê-la aos treze anos.

Eu gostava de passar o dia na casa dos meus avós paternos por sempre tê-los perto de mim quando cresci. Quando minha mãe não estava presente pois estava no trabalho, minha avó fazia o papel de avó amorosa, sempre muito amorosa. Ela sempre estava na nossa casa ajudando meu pai com algumas tarefas conosco, disciplinando-nos mas sempre com sua maneira compreensiva e amorosa. O que mais recordo dela quando criança, é de ouvir sua voz teatral ao ler um livro antes de nos colocar na cama. Quando um de nós ficávamos adoecidos, ela fazia chá com cheiros que me lembram a infância, mel. E adormecia em uma cadeira ao nosso lado, acariciando e segurando a nossa mão. Aos treze anos eu passava o maior tempo das férias na casa dela e do meu avô, escutando ela contar seus conhecimentos ou ver meu avô mexer no barco que ficava atrás da casa. Em um dos nossos passeios para pescar conheci George. Ele havia recentemente se mudado para o mesmo bairro e estudava em uma escola diferente da minha, uma friskolor, um internato, sendo uma das coisas que meu pai mais detestava além de ordinariedade, fazendo que meu pai criasse uma afeição imensa por George. De alguma maneira, meu pai havia adotado-o como um filho naquelas férias.

Os pais de George estavam sempre trabalhando e nunca tinham tempo extra para passar com ele portanto para ocupa-lo nas férias, inscreviam-no em cursos de futebol, voleibol, basquetebol e todo quanto esporte que existia distraindo-o de suas ausências. George jamais dissera algo negativo dos pais, mas no entanto, nada positivo também. As vezes parecia que George tivesse sentia que havia sido gerado por um útero artificial e criado por ninguém além dos professores que o educaram. Ele não tivera uma avó carinhosa e nem um pai excêntrico porém presente e compreensivo. As férias sempre nos víamos e brincávamos juntos. Quando havia tempo de seus esportes, ele vinha correndo para a nossa casa nem que fosse só para falar oi. Era carente por contato e nem fazia tanta diferença tendo mais um para fazer bagunça na casa. Crescemos juntos e tínhamos laço como irmãos, irmãos por escolha e ultimamente, ele vem sendo mais do que um irmão, mas um orientador e suporte.

Acredito que sua escolha em ser advogado de ongs e instituições sociais, tenha sido sua forma de rebeldia para seus pais que esperavam nada além do que a extrema excelência. Não ter seus pais por perto também, tornou-o inseguro com relações amorosas e distante. Não me recordo de um relacionamento duradouro que ele tenha tido. Estivera muito tempo só e não sabe como se aproximar intimamente de pessoas desconhecidas.

Estou começando a ficar paranoico com detalhes deixados no apartamento. Tudo parece haver alguma ligação do código para decifrar Effy. Não que conversas sobre tulipas e as tulipas murcharem no vaso em cima da mesa seja uma prova nova que levara a outra prova, mas garanto me certificando que não há nada boiando na água. Levanto o vaso acima da minha cabeça e viro de um lado para o outro para ter certeza de que nada está onde deveria estar. Não sei se George tem razão com a minha aparência desleixada, se ela de repente lembrar-se de mim e vier correndo para o apartamento e me ver com essa aparência ela irá se decepcionar ou não, me pergunto. Ao querer reatar um namoro, a pessoa se importa com o que a outra pessoa sentia em sua ausência, felicidade ou tristeza e isso por algum motivo influencia em seu estado emocional? Ela ficaria feliz em me ver destruído, ou triste? Ao me ver feliz ela estaria triste? Sei o que eu sentiria nesse caso.

 Por alguns momentos após pensar nisso, imagino se ela está com outro e me controlo para não jogar esse vaso na parede estraçalhando-o. Faz parte após uma separação passar por sentimentos confusos como, saudades, tristeza, negação e raiva, muita raiva. Mas, venho me controlando e colocando esperanças nas pistas que me levará para mais próximo dela. Eu faria tudo por ela, absolutamente tudo, e sinto uma raiva por lutar tanto e amar tanto uma pessoa que nem ao menos quer lutar por mim. Machuca. Por que eu a amo tanto? Penso no que eu poderia ter feito diferente quando ela estava aqui, ter dado a distância que ela me pedira, sem pedir e ter esperado, parece-me a coisa mais idiota que eu poderia ter feito. Eu seria mais agressivo, mas agiria. Estar vendo a luz do túnel ao vê-la todos os dias melhorando, não significa esperar a luz vir até mim, mas sim, ir de encontro a luz.

Faço a barba no banheiro social onde minhas coisas estão desde que ela voltara do hospital. Coloco bastante loção e vou fazendo por partes e me arrependo de ter deixado por tanto tempo ela assim, pois noto como vai ser demorado esse processo. Perco a paciência ao chegar no queixo e passo reto sob o lábio inferior e corto meu queixo. Sinto ele queimar e arder ao passar água e assim que o sangue escorre a ferida fica mais latente. Passo água por todo o rosto e passo a loção pós barba que faz arder ainda mais o corte e pressiono com um pedaço de algodão que estava na caixinha de primeiro-socorros embaixo da pia. A última vez que eu vi essa caixinha tinha sido no dia em que Effy cortou seu dedo ao fazer comida em nosso aniversário de mudança. Ao se atrapalhar com as receitas e perder o controle do tempo, ela correu para terminar o jantar e acabou se cortando feio e para não perder mais tempo para terminar a comida, ela enrolara um plástico filme no dedo, criando uma pequena poça de sangue. Ao chegar, não reparo no jantar sendo cozido no forno mas sim de sua calça manchada de sangue e fico extremamente preocupado com seu ferimento, e ela está extremamente preocupada com o preparo. Pego a caixinha e tento fazer o melhor curativo que eu poderia fazer. A comida passa do ponto e ela passou a nunca fazer nenhuma receita na cozinha.

Minha mãe chega e eu corro para abrir a porta do apartamento para ela. Ela estivera aqui no dia em que Effy saira do hospital. Estava preocupadíssima com ela e conosco, apesar das duas nunca terem um relacionamento tão próximo quanto ela e Märta. A primeira vez que minha mãe a conhecera ela teria dito a mim seriamente: “Espero que ela seja um caso de férias” mas percebendo que não seria ela esforçou-se para conhece-la melhor, mas sempre tendo receio. Effy não poderia se importar menos, parecia, mas na realidade Effy não saberia julgar uma pessoa com intenções boas ou más nem se elas falassem na sua frente. Ela se prende a detalhes insignificantes. Detalhes agora, que me fazem perder o apetite, sono e a vontade de viver.

-Carl! -Minha mãe me abraça -Como você está? -Ela observa o estado do apartamento caótico. Decido não responder sua pergunta por crer não ser necessário.

-Desculpe te fazer vir até aqui, é fora do caminho de volta para sua casa -Digo arrastando uma cadeira para ela se sentar na mesa de jantar.

-Não se desculpe -Ela faz uma pequena careta ao olhar a aparência da sala com travesseiros, almofadas e cobertas jogadas em cima dele -Filho, o que está acontecendo? Onde está Effy?

-Effy partiu, mãe.

-Quando? -Ela diz arregalando os olhos, sinceramente surpresa.

-Já faz duas semanas -De repente falar sobre sua partida para pessoas que ainda não sabem se torna mais fácil.

-No aniversário do seu pai?

-Sim. Ela partiu no dia seguinte.

-Para onde foi?

-Não sei.

-Ela simplesmente te abandonou, assim?

-Ela não me abandonou, sou adulto já mãe.

-Sim, desculpe-me. Parece-me tão irresponsável fazer algo assim. Creio que nem noticias deu?

-Sim -Omito que foi somente uma vez.

-Era de se esperar Carl. Ela fugira do seu país uma vez por alguma razão e agora foge daqui.

-Ela não estava bem, mãe. Você a viu.

-Eu achei que ela estava ótima- ela diz em um tom alegre - Até que enfim, pensei. Ela amadureceu, estava mais contida e não ... -ela balança as mãos tentando encontrar a palavra sem me ofender – expansiva.

Imagine então ela saber que ela se comunicava comigo através de poemas, com algum código.

-Ela é muito parecida com o pai -Retruco.

-E é por isso que tenho receios. Seu pai não é fácil, Carl. Não sei o que ele realmente faz com aquele barco. Fotografias do mar, ele diz. Ele precisa estar o tempo todo com a cabeça enfiada em alguma loucura. Palestras, ensino, exposições, viagens que só Deus sabe o que realmente acontece. Não dá para conter porque se o fizer, ele se desfaz.

-Então por que está com ele?

-Porque ... porque ele é ele. Não posso mudar. No começo era empolgante e com o tempo se tornou, muito mais do que eu poderia aguentar. E eu temo que isso aconteceria com você.

-Não precisa mãe. Eu não sou você e Effy não é o pai.

-Você é muito mais parecido comigo do que imagina. Ou que queira. Eu te quero feliz e bem. Sou sua mãe é meu dever me preocupar, se você está bem com ela ou sem ela, pouco me importa com quem, mas esteja feliz e satisfeito e eu não posso te ajudar nesse quesito.

-Creio que possa e esse foi um dos motivos que eu a chamei.

Ela levanta-se e começa a tirar a tulipa do vaso de vidro que está na mesa a fim de joga-las.

-Não! -Falo alto e estico a minha mão, dizendo pare. -Não! Não toque nas flores -Ela joga-as de volta no vaso vagarosamente sem tirar os olhos de mim e coloca no lugar -Nada deve ser movido do lugar. Não ainda, mãe.

-Porque? -Ela parece preocupada e decido não preocupa-la ainda mais com minhas recentes descobertas.

-Por que tudo aqui tem uma razão para estar.

-Ok, ok. Eu só iria jogar as flores, estão apodrecendo.

-Eu vou tira-las, mas não agora. Elas tem um propósito para estarem aí.

-Está bem. O que você estava dizendo?

-Preciso que você invista na empresa.

-Como está a sua situação financeira Carl?

-Eu estou bem, mas com o atraso dos projetos por conta desse vão ... Preciso encontrar alguém para fazer dinheiro, entende?

-Sim.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...