História Perdida em mim - Capítulo 25


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Amor, Aventura, Comedia, Doce Amor, Drama, Romance
Visualizações 5
Palavras 3.598
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Karta -Mapa

Capítulo 25 - Karta


Fanfic / Fanfiction Perdida em mim - Capítulo 25 - Karta

Quando a minha mãe sai do apartamento, corro para o quarto onde guardo as minhas câmeras e começo a fotografar o apartamento inteiro, desde o chão até o teto, como se fosse a cena de um crime. Na cozinha, tiro fotos de dentro dos armários, das gavetas e dentro da geladeira e aproveito para conferir se ela não deixou alguma pista escondida neles. Tiro fotos das tulipas que estão apodrecendo, dentro do vaso de flores de vidro e da mesa cheia de sinais de dedos. Fotografo as paredes brancas e os quadros com gravuras de folhas. Da estante inteira e da disposição dos livros e a sequência que está os DVD´S, faço também com o porta CD´s fotos detalhando a ordem do começo ao fim. No meu quarto, nada deixo passar despercebido, cada canto de cada móvel e objeto. No nosso antigo quarto, tiro fotos das coisas que ela deixara para trás, roupas, sapatos, alguns livros jogados nas prateleiras do closet. Na gaveta de roupas íntimas até a gaveta de maquiagem, de bijuterias e das caixinhas de joias. No banheiro, fotografo até a mancha suja do espelho em que costumava fazer formas com os dedos após o banho, das escovas de dentes e dos vidros quase vazios de perfume deixados no balcão do banheiro.

Descarrego as fotos no computador e os salvo em uma pasta. Reparo na bagunça que o apartamento está. Na foto parece bem pior que na realidade é, pois na imagem tudo depende da perspectiva que olhamos ao captura-las. Estar no meio da bagunça deixada por nós, é como estar no centro de um furacão. Por fora parece ser caótico, mas no interior há um certo conforto e proteção.

Considero se os poemas me levaram para onde ela está. Agora que o frenesi de encontrar o poema passou e conseguindo analisar melhor a situação, há uma grande chance disso não acontecer. Respiro bem fundo para me acalmar e tomo uma caneca de café grande para ajudar-me a pensar sobre o passo que darei agora. Se ela somente marcou um desses poemas, talvez um deles signifique que ela queria dizer de que ela partira sem rumo algum, mas não teria sentido Tuva ter ido junto, sem rumo algum. Tuva é prática e sinto-me mais tranquilo sabendo de que ela fora junto com Effy. Mesmo Effy estando um pouco diferente, mais contida e receosa não significa que ela vai estar o tempo todo assim.

E olhando para o apartamento, sinto estar dentro da imagem mas fora do furacão. Effy é o furacão que passara por mim, mudando tudo que sou de lugar e ao partir, levando o pó junto de si, consigo ver a devastação feita. Sinto-me oco por dentro, vulnerável sem sua presença, ela me tinha na palma da mão, e ela fechara seus dedos esmagando-me. E mesmo partindo, ela me tem, ela tem esse poder. Sinto-me tao quebrado por dentro que acredito que jamais serei completo sem ela, somente ela. Ela me jogou um feitiço.

Quando terminei meu relacionamento com Märta eu jamais me sentira assim. Eu me senti leve e livre. Märta sim, me amarrara com seus “fios dourados”, seu carisma forçado e sua fácil abordagem. Era fácil conhecer Märta, ela falava tudo sobre ela, tudo o que sentia e tudo o que queria. Ela sabia o que queria e sabia como ter. Não houve jogos e mistério ou a promessa de um outro encontro. Com Märta, nos conhecemos em uma noite qualquer e transamos. Ela me ligou e nos encontramos de novo e de novo e de novo. Märta era sedutora, tentava demais e confiante. Sua confiança beirava arrogância, mas ela soube me cativar, por que era fácil. Com Effy por outro lado, foi totalmente diferente e complicado e seus jogos me envolveram e não cativaram. Ao nos encontrarmos casualmente, mesmo antes de estarmos juntos, eu sentia um medo inexplicável que deixava minhas mãos suadas, meu coração acelerado e minha fala embolada. Ela não tinha aquele ar sedutor sofisticado de Märta, ela era completamente o oposto. Märta elaborava o que dizer para ter o que queria, mesmo se não fosse o que ela sentia, Effy era sincera sem se importar com a consequência de sua sinceridade.

Encontre o emaranhado ela havia dito e depois me dado uma corrente, conhecendo-a, isso é um símbolo. Pego o cordão que guardo no bolso da calça e o deposito na mesa de jantar ao lado das flores. Tudo na verdade são símbolos que ela deixou. Se o poema fala sobre mitologia, então meu próximo passo é procurar mitos. Percorro pela estante de livros que está na sala. A estante é de duas portas e alta com várias prateleiras horizontais, organizados por gênero. Sobre mitologia, há somente um livro grande e grosso, de capa dura e em inglês. Folheio cada página a procura de um fio que não tem, há somente folhas secas em algumas páginas. Recorro então a internet e não posso acreditar em quão fácil foi a busca.

Me encontro com George na academia á trinta minutos do meu trabalho e antes de ir, passo em uma lavanderia e deixo sacolas de roupas para lavar que estavam no porta malas. George e eu estamos na esteira e eu uso minha última roupa limpa esportiva. Uma camiseta listrada azul e preta do time de futebol Djurgårdens e uma bermuda vermelha.

-Mitologia George, lembra do que falamos?

-Então você achou a referência?

-Sim, na internet.

-E então... o que é? -Ele fala impaciente, quando começa a correr.

-Teseu e o Minotauro, conhece?

-Não, mas já ouvi falar.

-Teseu entra em um labirinto e com a ajuda de um novelo que Ariadne lhe deu, ele consegue matar o Minotauro e sair do labirinto.

-Então ela quer que você mate o Minotauro. É, faz todo sentido.

-Ou quer que eu saia do labirinto.

George para de correr e me diz:

-O fio o ajudou a sair do labirinto mais facilmente, talvez a ideia seja que se você entender o labirinto, você vai ...

-Esquece-la facilmente?

-Sair do labirinto, sair de uma relação -Ele faz sinal de balança com as mãos, comparando.

-Se interpretarmos que o labirinto seja ela.

-O que faz muito sentido, ela é cheia de caminhos, quer dizer, ela não é muito centrada não é mesmo?

-Ela não faria uma comparação assim tão obvia.

-Antigamente mas e agora após o acidente? Temos que considerar que ela queria te ajudar a esquece-la, sabendo que seria difícil, não faria sentido ela fazer um caça ao tesouro para no final você encontra-la novamente. Ela não é cruel dessa maneira.

-Você não a conhece. Ela não é cruel, não de propósito. Mas não creio que a interpretação desse mito seja fácil.

-Então, o que você acha? -Ele sai da esteira e eu o acompanho até o os pesos. Bebo água da garrafa que trago a academia. E reflito bem, antes de falar.

-Acho que o Minotauro seja o medo. No mito ele come tributos humanos que são oferecidos a ele no labirinto e Teseu herói se oferece como um tributo.

-Igual no filme.

-É, igual o filme. Então Ariadne se apaixona por ele e para não perder o seu amado, ela dá uma espada e um fio que o ajuda a sair do labirinto. Então ele enfrenta o medo e o mata conseguindo assim a sair mais fácil do labirinto. Eu não sou Teseu. Effy é.

-E você é o Minotauro -Ele ri malicioso -E então porque que ela que te deu o cordão?

-Não é obvio? Para eu achar.

-É, você é estupido demais para encontrar.

-O labirinto é o caminho que ela tem de percorrer.

-E o outro poema, você encontrou algo na internet?

-Não!

-Acha que eles estão ligados?

-Sim. Ela não deixaria à toa, ela é detalhista.

-Deus está nos detalhes, não é mesmo?

Eu me sento em um banco da academia e o vejo fazer os exercícios dedicado. George é tão frequentador da academia quanto das baladas. Vê-lo tão dedicado, suscita em mim a vontade de fazer os exercícios também. Continuamos a conversar:

-Veja bem. Durante o tempo que ela esteve comigo no apartamento ela deixou alguns sinais. O mais importante seja a tulipa. Eu a presentei com as tulipas dias antes do aniversário do meu pai, porque sei o que representa para ela, é um símbolo só dela e escolhi as cores com cuidado. Amarelas e vermelhas.

-Tem cores certas para dar para ela?

-Cada cor representa um sentimento. Amarelas são neutras, você dá para um amigo, um familiar. As vermelhas são ...

-Passione! -Ele diz alto em italiano e faz uma reverencia com as mãos, me fazendo rir.

-Ja, passion! Amor. Eu dei a ela na intenção em dizer-lhe. Eu te amo, você é meu amor e minha amiga.

-De novo eu vou falar. Vocês são esquisitos! Porque não falam?

Eu não o respondo. Ele não entenderia que isso era algo nosso, somente nosso. Quando conversávamos sobre o quão fácil era falar qualquer besteira para enganar o outro, de como falar uma palavra repetidamente a torna sem sentido e vulgar. Pequenos gestos, detalhes faziam nossa relação especial.

-Eu demonstrei e não falei, mas a finalidade é entender a intenção.

-Certo. Continue.

-Ela adora tulipas e sabe como cuidar quando tem uma. Mesmo sendo fracas e fora da estação e em vaso com água, elas duram alguns dias com os cuidados necessários. Advinha qual das tulipas morreram primeiro?

-A vermelha, porque eu vi a amarela no seu apartamento.

-Exatamente, a vermelha. Ela descuidou somente da vermelha. Perguntei se ela iria joga-la e ela disse que não conseguiria e que achava melhor guarda-las, entende?

-Acho que sim.

-Ela deixou o “amor” murchar, mas o guarda. Porque? Por causa do Minotauro. A amarela ficou no vaso e começa a murchar quando ela parte e com quem ela partiu George?

-Tuva! -Ele me olha surpreso.

-Exact!

-Sherlock, você tem a minha atenção. Se não for verdade pelo menos é uma ótima teoria.

-Watson. Ela está lutando contra o Minotauro.

-Não é engraçado como um labirinto tem a mesma morfologia de um cérebro? -George me diz, enxugando seu rosto em sua toalha. Sorrio para ele confirmando com a cabeça com o pensamento longe.

- Ela está na mente. Ela me dissera, “preciso me reencontrar”.

-E para onde ela iria? Um manicômio?

-Eu só consigo pensar em, como seria ela sem sua arte?

-A mão dela ... -George diz pensativo -Ela não consegue desenhar mais, certo?

-Não, e isso estava sendo seu maior desafio, talvez maior do que não se lembrar de quem fora nesses anos.

-Você está pensando no mesmo que eu?

-Sim, ela foi fazer o tratamento.

-A questão agora é, o que o segundo poema diz? Que ela vai ter paz ao olhar as estrelas? Os dois não tem sentido juntos.

-Não, não tem. E se tiver só esses dois poemas e mais nada além deles. Acredito que ela tenha deixado essa única pista. De que está fazendo o tratamento.

-Você sabe fica o tratamento experimental que ela te disse?

-Não. Eu nem sei como é esse tratamento para pesquisar. Mas acredito ser fácil de descobrir, o fisioterapeuta recomendou o tratamento é só ir lá e perguntar.

-A última vez que você disse que seria fácil encontra-la perguntando para alguém, não foi como imaginamos -Ele se lembra de Eric -Ele falou com você após?

-Não, nada. E se tivesse me procurado eu não sei como eu agiria. Eu esperava mais dele como amigo.

-Ele deve a você o mesmo que deve a Tuva.

-É, mas eu não transo com ele, não é? Tudo para Eric gira em torno de seu ...

-Eric é um bom amigo, estava preocupado com você e na verdade sua intenção, já que estávamos falando de intenção anteriormente, era boa em sua perspectiva e não na sua Carl. Mas acredito que ele saiba mais do que realmente esteja falando.

-Disse que não vai me ajudar.

-As palavras são importantes Carl. Ele disse que não vai, e não que pode ajudar.

-Esqueço que você é advogado George.

George e eu saímos da academia que aos poucos se esvazia. O clima fora começa a esfriar e corro até meu carro que eu conseguira estacionar a alguns metros à frente.

-Vou para a lavanderia pegar as minhas roupas.

-Porque levou para a lavanderia?

-Muitas roupas, não iria caber todas na máquina.

-Fizesse em sessões ... Bem isso explica as suas roupas agora -George palpita, como se eu não tivesse pensado nisso. Levei as roupas para não mexer nas roupas dela que ainda estão na máquina de lavar.

-Eu não estou mexendo em nada no apartamento -Digo abrindo a porta do carro, George vai para o lado do passageiro.

-É, eu vi a situação do seu apartamento. Parece um país pós-guerra.

-Não posso mexer em nada, até solucionar esse quebra-cabeça. Não! -Carl faz a mesma cara de preocupação que a minha mãe fez quando eu a repreendi- Não estou maluco, não ainda. Eu só quero deixar tudo como está para não perder nenhuma pista.

-De repente – Ele diz como se tivesse tido uma revelação divina -eu realizo que sou adulto, agora com meses para completar trinta anos percebo que a sua bagunça me incomodaria se trocássemos de lugar.

Pego minhas roupas na lavanderia e as coloco no carro rapidamente, George fica no carro me esperando trocando de músicas no rádio do carro. Entro no carro e ouvimos Sabaton. George olha para mim e começa a mexer a cabeça para cima e para baixo no ritmo rápido da bateria e canta as últimas palavras da música, porque ele não conhece muito bem a letra.

-Entrando no clima de mitologia -Ele fala alto por conta da música – Mas essa é a nossa!-Ele bate no peito com orgulho ao cantar repetidamente o verso com o nome da música -Twilight of the thunder god, twilight of the thunder god, twilight of the thunder god.

-Carl! -Ele fala entre a música -Carl?

-O que? -Respondo-o prestando atenção na direção.

-De a volta, deixe essas roupas no seu apartamento e fica no meu até você resolver arrumar ele.

-Não ...

-Eu vou insistir.

-Não. Eu fico bem lá.

-Aposto que você nem está dormindo direito e vai ter uma infecção ao fazer a barba -ele cutuca meu machucado no queixo.

-Hei! Vai ficar longe do trabalho e preciso estar perto das coisas dela lá.

-Carl, perca um pouco esse controle, as pistas não irão desaparecer já que ninguém vai tira-las de lá. Vai ser divertido! -Ele diz empolgado -Como nos velhos tempos. Fique por dois ou três dias e depois você volta.

-Ok!

Dou a volta no quarteirão ao aceitar ficar por alguns dias no apartamento novo de George. Mas primeiro devo deixar as sacolas de roupas no meu apartamento e pegar o necessário para ficar por dois dias no máximo. Ao chegar no apartamento, George me ajuda com as sacolas de roupas lavadas que eu guardara no porta-malas, cada um leva uma e subimos os lances de escadas rapidamente. Deixo a sacola no chão ao procurar a chave no molho de chaves no meu bolso e abro a porta. Pego a outra sacola que George trouxera junto e as levo ao quarto que uma vez pertencera a mim e a Effy. Separo rapidamente as roupas que foram dobradas e as coloco em uma mala de mão as que eu usaria nos próximos dias. Ao ir no banheiro social pegar escova de dentes vejo George olhando para a parte de baixo da mesinha de centro da sala, observando os desenhos que Effy costumava deixar para analisa-los na sala. Guardo a escova e pasta de dente na mala e pego a minha mochila que costumo ir trabalhar.

-Vamos George? -Convido ele para irmos colocando a alça preta da mala em um ombro e a mochila com computador e documentos do trabalho em outro ombro, mas George mal me escuta. Ele continua observando um desenho fixamente, vou para o seu lado e espio qual dos desenhos ele observa.

-Esses desenhos -Ele me diz com as folhas grossas e ásperas nas mãos -Me dão arrepios. Porque ela estava fazendo esses?

-São desenhos não totalmente concluídos -Aponto para os rascunhos aparentes, os riscos brutos deixados na folha -Olha como estão sem definição – Vou mostrando com o dedo na folha as sombras que ela fizera de um morro -Ela fez com pressa. Isso é um estudo.

-Ela iria terminar então? Mas para um trabalho?

Respiro fundo e arqueio as sobrancelhas e entorto a cabeça, tentando explicar para ele o que eu também não entendia. O processo criativo dela.

-Como você pode ver, cada um é diferente mas todos trazem um mesmo ...

-Horror?

-Não, não -eu sorrio- Tema? Antes de ter o acidente ela estava muito envolvida com uma empresa de café que estava expandido para chás.

-Tomar chá olhando para a caixinha com esse desenho não seria o ideal não é mesmo Carl? Olha para isso! -Ele vira a folha para mim levando-a bem próxima ao meu rosto, eu me esquivo e olho de relance, sem querer ver por muito tempo.

-Ela estava trabalhando muito para desenvolver o design e então começou a criar esses em contrapartida. Assim que terminava-os, ela conseguia ter uma evolução na criação do design do chá.

-Então esses não são dos chás. Que alívio! Ou a sua empresa estava fudida, hein?

-Não, não são. São estudos delas, é um processo que ela deve ter criado para ajudar na inspiração do chá.

-Sim, ter uma mulher se afogando em um mar calmo ao lado de um barco é bem inspirador.

Olho rapidamente o desenho. Effy fizera-o com tons frios de lápis, sem nenhuma cor. Há névoa entre a ilha com morro escuro e o barco no meio do mar calmo. Há um cais de madeira desenhado no reflexo da água, e a sombra de alguém que avista a cena de uma mulher se afogando ao lado de um pequeno barco quase chegando na ilha. O desenho foi feito rapidamente, como se ela fizesse tudo antes de esquecer do que pensara. Lembro de ve-la rabiscando rapidamente, quieta no canto da sala sob um apoio de madeira no colo concentrada. Eu não me atrevia atrapalha-la perguntando o que ela estava desenhando e por que.

Esse apartamento em menos de um mês, já viu duas pessoas com malas partirem dele. Ela estava exatamente onde eu estou, ao me acordar naquela manhã, sua mala estava ao lado da pequena mesa ao lado do sofá, e então ela arrastou-a até o hall de saída e eu a acompanhei sem saber o que dizer, sem saber o que fazer. Eu poderia tê-la puxado contra mim e ter insistido mais, pedido mais ou até implorado. Eu poderia tê-la impedido, pegando as chaves e tentado abrir seu coração fechado. Mas nada fiz. Eu a acompanhei e esperei ela mudar de ideia, ou ver que tudo aquilo era uma grande piada. Ou ter esperado um milagre. Mas ele se foi e agora no hall de saída eu a vejo abrindo a porta comigo, ela saiu “sem rumo” como o poema e eu fiquei sem um rumo.

-O poema -Tento abrir a mochila com uma das mãos fazendo com que a alça da mala escorregasse do meu outro ombro e caindo a mala no chão, pego o livro de dentro da mochila -O poema diz “e sai”- Começo a mexer nos sapatos espalhados no hall.

-O que você está fazendo? George pergunta ao se agachar ao meu lado, eu vasculho sem tirar do lugar o móvel da entrada do hall.

-Procure por entre o sofá George, enfia a mão nos vãos.

George vai até a sala e começa a procurar por alguma coisa no sofá.

-Sabe, essa frase em um outro contexto seria bem excitante -Ele diz da sala -O que estamos procurando, um fio?

-Sim, qualquer coisa – Me levanto e olho para a porta. Há um pequeno quadro com uma oração celta pendurado nela, escondendo o olho mágico tiro o quadro e há uma folha dobrada atrás dele colada com fita crepe. Retiro devagar sem amassar. Coloco o quadro em cima do móvel branco do hall de entrada.

-Encontrou algo? -George pergunta.

-Acho que sim -Respondo e um George atlético dá um pulo estilizado para chegar mais rápido até mim. Abro a folha e é um mapa turístico de Stockholm atrás da folha está escrito á mão com letras tremulas, palavras que eu não entendo.

-Entende alguma coisa escrita aqui?-Pergunto ao George que espia por cima do meu ombro.

-Nem se eu me esforçasse eu entenderia. Isso é nórdico antigo.

- “Olhe para dentro, e em você então encontrará o que há muito tempo perdeste” -Falo pensativo.

-Aonde leu isso?- George pergunta espantado, olhando para o mapa.

-Atrás do quadro, escrito com lápis -Aponto com os olhos o quadro deixado em cima do móvel.

George vai até lá e pega o quadro pequeno e lê mentalmente.

-Mesmas letras, mas material diferente.

-Devem ter sido escritos em tempos diferentes. Primeiro um e depois o outro.

-Ela é cheia de truques, filha da mãe. Esqueceu do idioma e até para pedir “quero uma xícara de chá “ não consegue falar em um restaurante, mas escreve em nórdico antigo. Vá tomar no ...

-Hei! -Eu pego o mapa da mão de George -Eu posso dizer, não posso? -Pergunto empolgado

-O que? -George pergunta sem saber do que eu falo.

-Eu disse que a dica iria levar para algum lugar, não é mesmo?

-Sim, disse! Mas de acordo com o mapa, já estamos no lugar, desde sempre.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...