História Perdida em mim - Capítulo 26


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Amor, Aventura, Comedia, Drama, Romance
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Palavras 6.113
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Poesias, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Quadro de Dmitry Kochanovich

Espero que estejam gostando dos pov do Carl. Gosto de explorar a perspectiva de cada um e intimamente conhecer a forma como cada um percebe a redondeza que nos cerca.
Ninguém é como realmente aparenta ser, não é mesmo?

Capítulo 26 - Gardin under uthllighet -Cortina sob perseverança


Fanfic / Fanfiction Perdida em mim - Capítulo 26 - Gardin under uthllighet -Cortina sob perseverança

Seguro o mapa nas mãos e o analiso, tentando juntar as pistas que eu já tenho. Primeiro, os poemas: Um sobre mitologia e o fio de Ariadne, o segundo sobre astrônomo e mapa. A segunda pista: um mapa de Stockholm com palavras em nórdico antigo atrás escrito por ela. Ela quer que eu vá para algum lugar da cidade mas para onde?

-Vamos tentar achar uma tradução para esses dizeres -George diz ao entrarmos no apartamento dele. Seu apartamento está arrumado, limpo e organizado. Tão diferente do meu. George gostava de morar sozinho, fizera de seu apartamento uma exposição de cartazes de filmes pelas paredes e artigos curiosos de decoração, um tanto peculiares.

George passara muito tempo com a minha família e foi influenciado pelo gosto duvidoso de peças esquisitas decorativas que contenham alguma história relevante. Como a tal caneca que ele retira do armário escuro de sua cozinha.

-O que é isso? -Pergunto curioso e duvidoso.

-Isso é uma caneca, um amigo me deu em uma viagem que fez para a Asia.

-Sei que é uma caneca, mas o que significa isso? – Rio e debocho, ele não se importa e parece ter esperado para usa-la para ver a minha reação. Seu rosto segura um sorriso.

-Agora tudo para você deve ter um significado? Isso é uma caneca de uma serpente, muito fatal por sinal. É interessante, não acha? -Ele vira a caneca em sua mão mostrando-me todo seus detalhes. A forma que seu corpo se desenrola pela caneca, formando a alça e subindo até a boca da caneca, sua cor marrom e bege com detalhes coloridos pobremente pintados beira ao ridículo.

-Mas para quê? -Eu rio quando ele segura pela alça da caneca, parecendo que ele na verdade está segurando o rabo da cascavel, noto o chocalho na ponta.

-Porque tenho uma mala pequena, porque você acha? -Rimos. Ele senta-se na poltrona reclinável da sua sala folgado, com as costas jogadas para trás e as pernas abertas, confortável até demais. -Era isso que você queria ouvir? -Ainda rimos um pouco.

Retiro o mapa do bolso da jaqueta azul marinha que uso e abro-o na mesa de madeira. O mapa fora todo dobrado a fim de ficar suficientemente pequeno para ficar escondido atrás do quadro na porta. Ele tem sinais de dobra por toda a folha e passo a mão por entre as dobras para deixá-los mais lisos.

O mapa é turístico. Tem todos os pontos turísticos de Stockholm desenhados bidimensionalmente em seus respectivos lugares. Há as construções das catedrais, campos de futebol, castelos, jardins, construções contemporâneas, esculturas, museus e navios. Há praticamente tudo o que um turista provavelmente gostaria de ir e que nós residentes não nos importamos mais por vivencia-la diariamente.

-Espero realmente que não tenhamos que ir em cada um desses lugares – George se debruça para olhar o mapa atentamente.

-Sinceramente, eu também. Mas o que mais me intriga são essas formas escritas no mapa, esses símbolos -Aponto para o mapa onde ela escrevera com riscos primitivos.

-Esses símbolos existem, ela não os inventou -George diz -Eles são familiares.

-Eu também acho que já os vi -Olhamos para o mapa e para os símbolos, na tentativa de evocar uma recordação perdida.

George vai até seu quarto e traz o notebook por entre os braços e coloca-o em cima da mesa e senta-se ao meu lado no sofá preto imitando couro e digita no site de pesquisa. Símbolos e alfabeto

-Não acho que será tão fá... -Eu me calo ao deparar com as primeiras imagens que surgem. Os símbolos exatamente iguais ao que vimos, com tabelas explicativas com sons e qual símbolo refere-se a qual letra do nosso alfabeto.

-Vou salvar essa página -George diz, abre a gaveta do móvel de madeira da sua sala que lembra um baú e retira de dentro papel e caneta e copia o que Effy escrevera no mapa e juntos traduzimos, duas palavras simples.

-É, estaria fácil demais se encontrássemos em poucas palavras, seu endereço -George diz.

-Naw Awen -leio em voz alta -Será que está sem ordem e as colocando em ordem surge alguma palavra?

-Impossível, não dá nenhuma palavra que eu conheço. Tem muito n e w, não dará nenhuma palavra que eu conheça. O que dizia atrás do quadro mesmo?

-“Olhe para dentro, e em você então encontrará o que há muito tempo perdeste”.

-Ela escreve encontrar e lhe dá um mapa e diz para você olhar para dentro. Só faltava ela querer que entremos em cada uma dessas construções.

- “Quando as provas, os números foram enfileirados diante de mim,

Quando me foram mostrados os mapas e diagramas a somar, dividir e medir” -Repito o poema que de tanto ler e reler, os memorizei. Ao olhar a expressão confusa de Carl, explico -É do segundo poema do livro. Temos que solucionar primeiro os símbolos e o que significa NAW AWEN e depois a frase.

George levanta-se novamente do sofá e senta-se na poltrona reclinada novamente e liga a tv com o controle que estava enfiado entre o encosto das costas e do assento da poltrona.

-Quando lemos os poemas eles pareceram sem sentido e agora com essa pista os pontos começam a ligar, isso é um fato. Hoje, está confuso Carl e amanhã pode estar mais claro. Ficar olhando cansado para o mapa em nada irá ajudar. Pensar em excesso só atrapalha e bagunça os pensamentos, deite aí e relaxe -Ele coloca no canal de esportes e juntos assistimos hóquei na tv.

No intervalo do jogo passa um comercial com uma música instrumental familiar. Muito familiar. Ao fechar meus olhos posso ver linhas saudosas movendo-se por sons. As batidas do meu coração seguem a melodia musical, sombria que arranca-me suspiros e lágrimas que há muito tempo as congelei.

Lembro-me de sentir o vibrar do som tão próximo ao meu coração, toda frieza e solidez desaparecia, quando eu tocava essa música. Sentimentos que jamais sentira, surgiam. Melancolia. Imaginava uma cena, uma tragédia, uma separação, vida sem rumo e quando todas as cordas tocavam juntos, notas contemplativas, esperança. É isso que vejo ao ouvir Cello Concerto de Elgar.

É necessário firmeza e sutileza para passar de uma nota para outra com o arco. Mas para o som icônico abafado, melódico e fluido do violoncelo, o vibrato, é preciso relaxar. Para se ter o som mais bonito é preciso relaxar e depositar sua mão em uma folha flutuante a passar pela correnteza tranquila da água de uma chuva. Se a pressão da mão é demasiada o som é estático. Toque mas não segure, sinta e não controle. A música alcança, mas não prende.

Costumava soltar o ar em cada ... nota prolongada, como se instrumento e eu fossemos um, falando um mesmo idioma e liberando o mesmo sentimento. A entrega de cada nota era um encontro entre o inferno e o paraíso dentro de mim. Ainda recordo a sensação de liberdade e rendição total ao toca-lo. Há uma grandeza sentimental na música clássica que a nossa musical atual jamais conseguirá transmitir. Imagino como os grandes compositores sentiam-se ao criar uma música alegre, se alegre estavam, ou um réquiem se em luto estavam e como conseguiam transmitir exatamente esses sentimentos em forma de música. Música é o melhor tradutor de nós mesmos.

A casa dos meus avós era repleta de instrumentos. Um piano abaixo da janela da sala de visitas, violinos postos em bancos, recentemente tocados. Na gaveta uma flauta doce, na case preta e almofadada um oboé. Partituras de músicas nas estantes. Algumas abertas sendo estudadas na mesa de jantar. Discos de grandes compositores na vitrola a tocar, cheiro de pó de papel velho guardado, amarelo, alguns estragos nas folhas, partituras antigas tão frágil como a massa folhada que minha avó costumava nos dar com mel para adoçar.

Sentávamos na banqueta e brigávamos pelas notas que gostaríamos de tocar, só para fazer barulho. Meu avô ensinava as notas e os acordes com paciência e gentileza necessária para o romance entre música e criança florir. E eu me apaixonei.

Quando perguntam qual foi meu primeiro amor, eu digo Arietta meu violoncelo. Meu avô me disse que a primeira coisa a se fazer quando se ganha um instrumento é trata-la com amor e segundo dar-lhe um nome e juntos escolhemos Arietta que significa melodia. Ás manhãs de domingo, costumava ir para a casa deles praticar, sons chorosos e batidos. Fortes e tensos. Pensados. Quando penso na minha infância, lembro-me da música e é por isso que acredito que Effy lembrara de algo, com a música certa, seus sentimentos por mim.

Effy sente ao ver, sua sensibilidade está nos olhos e a conexão do mundo exterior com sua mente, mas ligando música com outros sentidos, poderá ela ser uma barca a traze-la de volta? Sei o que eu sinto ao ouvir a música certa.

Crescer tocando um instrumento incomum trouxe-me os benefícios da música. O contato com os sentimentos, a disciplina, a cura das aflições internas e a habilidade me expressar musicalmente. Mas não na adolescência. Ao ganhar um prêmio dando-me visibilidade, começaram a atenção, a expectativa. Justamente eu, criado por pais excêntricos e uma família nada normal, focando toda a atenção em mim. Na escola ouvia piadas, risinhos e gozações. Já era difícil criar amizades com a insegurança de outras pessoas julgarem a minha família e nosso estilo de vida, agora estava pior e tudo o que eu queria era ser igual aos outros. Fui chamado para uma escola referência de música que inicialmente aceitei mas suas expectativas para mim que eu recusei. Eu não sabia quem eu era e muito menos o que eu queria e com uma conversa de um minuto com meu pai estava decidido. Eu não tocaria mais. O que foi extremamente decepcionante para meus avós que dedicaram tanto. Eles me levavam a aulas, concertos, professores estrangeiros que estavam de passagem pela cidade exibindo-me. Na época eu via como exibição, como um macaquinho sendo treinado, hoje vejo que era orgulho, infelizmente, tarde demais.

A solução criada pelo meu pai e eu de desistir da música gerou um clima desconfortável entre meus avós maternos e ele. Eles acreditavam que era preciso insistir e meu pai achava melhor apoiar. Música é perseverança, cada dia um avanço pequeno é dado, mas como avançar se eu queria parar? Por isso meu pai achava desnecessário forçar sendo que não surtiria efeito nenhum, pelo contrário, somente revolta por estar impondo algo forçado. Eu larguei a música e uma parte de mim. Meu avô ficou tão decepcionado que não conseguia tocar mais e eu me sentia culpado por isso. Ao desistir da música, meu avô desistiu também. Houve algumas discussões eu me lembro de ouvir meu nome ser mencionado, entre meu pai e ele.

Quando parei de praticar, tive mais tempo para sair como um adolescente normal. Sai naquele verão em uma excursão com a escola e havia chegado queimado de sol, ido tomar sorvete no centro com uns amigos, sozinhos de bicicleta. Ao chegar na casa, quase ao anoitecer, carros estavam parados em frente de casa. Vizinhos e parentes que viviam na cidade no quintal e um clima silenciosamente aterrorizador. Não era preciso dizer muito para entender o que estava acontecendo. Minha mãe corre até mim, com suas roupas ainda do trabalho e me abraça. Seu rosto era tranquilo, mas sua voz vacilante. Ela me direciona com a mão nas minhas costas até dentro de casa e fala que meu avô falecera. Admito não ter sentido absolutamente nada, mesmo no dia do seu enterro no dia seguinte, com roupas escuras e o choro contido ao meu redor. Minha avó pedira para eu tocar alguma música o que eu neguei veemente, tudo o que eu menos queria era atenção. Quando vi o caixão ser abaixado para dentro da terra e escutei os pequenos grãos de terra a cair fazendo som na madeira que me lembrava o piano abaixo da janela da sala de estar, soube que ele estaria tocando música aonde for que estivesse, mas não senti tristeza.

Ao chegar em casa, lembro-me de tirar toda aquela roupa desconfortável e joga-las no canto do meu quarto ao lado do violoncelo. A calça com o cinto bateu nas cordas e fez o arco cair no chão, o som da corda não foi alto o bastante para me ensurdecer, na verdade não fez barulho nenhum, mas naquele dia em diante, eu fiquei parcialmente surdo, eu perdera meu sentido e de repente senti saudades, não das aulas e da música, mas do meu avô. Peguei o arco e enfiei entre as cordas e puxei-o para fora a fim de tirar-lhe todas á força. Como não consegui, peguei a alça do violoncelo e bati forte na quina da parede.

Nunca mais toquei nele, nem para limpar o chão com pedaços de madeiras lascadas. Minha mãe mandou concerta-lo e deixei-o na sala desde então, evito até olha-lo, como se ele soubesse todos os meus segredos obscuros. Faz tanto tempo que não toco que acredito ter esquecido de como toca-lo novamente, mas as sensações ainda estão vivas e latentes em mim. A música está no meu passado, assim como toda a experiencia de autoconhecimento e expressão. Fechei-me. A música que me movimentava de um lado para o outro ao tocar sentado na banqueta, cabeça a erguer e abaixar, braços a subir e descer, tornou-me sólido interiormente. Se música fosse o líquido a falta dele, fez-me murchar.

Foquei na fotografia, o sentido outrora da audição e tato e aproximei-me de meu pai. Ele me ensinou tudo o que podia e me apoiou quando decidi segui-lo sem pressionar-me. E, não foi difícil. Fotografar é controlar e deixar-se ir ao mesmo tempo e capturar a imagem é possui-la. Conseguir capturar algo em movimento dá a sensação de parar o tempo e controla-lo também. E o que eu mais gosto na fotografia é a luz e as sombras, gosto de brincar com elas. Principalmente na natureza. Como posso fazer o reflexo da lua na água virar centenas de estrelas a brilhar, ou como assombra de uma árvore sem folhas se torna um monstro com garras. Ao fotografar eu sentia poder sobre o que eu via. Racionalidade e busca pelo perfeito conjunto dos elementos estéticos exteriores que eu buscava, a música do olhar, aquele sentimento que muito saudava.

Foi quando conheci Effy. Ela era uma sonata de piano prestíssimo, ligeira, alta e agressiva, como Beethoven, ás vezes obscura. Ao conhece-la melhor, ela era leve, alegre e absoluta. Com Märta eu tinha o racionalismo de uma fotografia, Effy era o encontro da música esquecida e jurei a mim mesmo, nunca, jamais desistir-nos. Eu faria tudo que fosse necessário, mesmo se tenho que cruzar oceanos atrás de pistas, eu irei.

“Olhe para dentro ... “ Eu estou Effy.

-Ela deixara escrito atrás do quadro de uma oração celta -Penso alto. George me espia enquanto pega as roupas secas da máquina de lavar na cozinha -É claro!

-O que é claro, Carl ? -George pergunta de longe -Descobriu algo?

-Ela juntou o nórdico “eu” -faço as aspas com as mãos – e o celta “dela”. Esta escrito em nórdico antigo mas a tradução está em céltico, céltico? -Tenho dúvidas se é assim que fala- celta -George pega o celular do bolso e eu também e digito na busca por um tradutor.

-SIM! É isso! -Eu exclamo e fecho as mãos no ar -Achou?

-Sim e não. Traduziu como nove musas, nove musas? -Ele faz careta e vai para o seu quarto.

George joga travesseiros para eu dormir no sofá. Os posiciono para poder olhar para a porta de vidro que dá para a sacada do apartamento de George afim de olhar as estrelas no céu. Podemos não mais compartilhar a mesma cama, ou até o mesmo lugar, mas juntos compartilhamos o mesmo céu.

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Saio mais cedo do apartamento do que George e passo em uma padaria para comprar algo para comer no carro até o trabalho. Acelero quando recebo uma mensagem de que um pessoal da empresa Henriksson estaria indo até a nossa empresa e esqueço de comprar um café para ajudar-me a despertar. Não consigo começar bem o dia sem cafeína.

Subo as escadas que levam até o nosso andar no prédio de tijolinhos aparente comercial, arrumo o colarinho da minha camisa branca com cheiro de amaciante novo e fico aliviado de ter lavado as roupas no dia anterior, pois não esperava me encontrar com os Henriksson hoje. Escolhi uma calça social e camisa branca que fora passada à ferro antes de sair do apartamento. Arrumo meu cabelo sem corte jogando-o todo para trás e uso um dos produtos de George que estava no banheiro e agora entendo porque ele sempre usa o garro. Deixa o cabelo seboso, mas no lugar que deveria. Hoje sinto-me bem. Disposto e com as esperanças renovadas. Dormi olhando para as centenas de fotos que tenho guardada dela no celular. Toco na tela, imaginando toca-la de verdade.

Henrik Jr., o filho do Senhor Henriksson está sentado nos sofás laranjas na recepção sem recepcionista da empresa. Há uma mesa retangular na entrada, onde ninguém fica e nada tem. Na frente dela, uma parede com textura de papel de parede imitando ondas de areia em um deserto e o sofá logo abaixo, grudado na parede. O sofá mais parece almofadas retangulares sobre uma ripa de madeira. Em frente, fotos do pessoal reunido, no dia da inauguração. Ao me ver entrar pela porta, ele se levanta e vai até a parede de fotos e fica observando-as com as mãos no bolso da calça de marca.

Vou até a minha mesa e coloco a minha mochila e começo a tirar o notebook de dentro dela. Ubbe vai até ele e aperta sua mão, ele é simpático e sorri o tempo todo. A mulher ao lado dele, uma senhora de aproximadamente quarenta anos é séria e leva pastas de couro preta debaixo dos ombros. Ubbe leva-os para a sala de reunião que recém decoramos, no fundo da sala de “operação” que chamamos.

Sigo-os, levando meu celular e um tablet em mãos. Empurro a porta tipo saloom que leva até a sala de reunião. Lembro das infinitas reuniões com o pessoal da empresa ao escolher o tema da decoração. Uns queriam tecnológico, outros simples e sofisticado e o escolhido foi o descontraído. Com mesa de madeira de demolição, cadeiras reformadas cada um de um estilo diferente. Uma TV gigantesca na parede ao lado da porta e papel de parede geométricos. A mesa é redonda, como referência a távola redonda com um trabalho artesanal na beirada da madeira rustica.

-Hallström! -Henrik aperta a minha mão, sorrindo -Como vai?

-Olá -Respondo profissionalmente.

A mulher aperta a minha mão sem falar nada e sem olhar diretamente em meu rosto. Ela senta-se por primeiro e abre sua pasta tirando uma bela caneta dourada.

-Vocês aceitam alguma coisa? Café? -Ubbe pergunta a eles. Ubbe é o cara descolado da empresa. Com barba grande, roupas de metal rock, jaqueta preta imitando couro, calças jeans rasgadas. Por baixo da jaqueta, tatuagens por todo o braço.

-Não, eu já tomei café -Henrik diz -Obrigado.

-Não, obrigada -A mulher fala, sem paciência.

-A que devemos a visita? -Pergunto a eles. Sento-me ao lado de Ubbe de frente à eles.

-Entrei em contato com Hugo semana passada a respeito do projeto do design da nossa nova embalagem dos chás em caixa baú de madeira que iremos lançar. Effy – ele fala seu primeiro nome, engulo em seco -havia nos dado um esboço inicial que adoramos, de folhas de ervas bem delicadas, mas como todos sabemos ela não está em devidas condições de terminar o projeto, pelo que me parece.

Sua voz é grossa e profunda e ele parece muito profissional com sua postura. Ele tem presença na sala, sabe como se comunicar impondo seriedade ao falar de negócios.

-Effy está afastada por tempo indeterminado no momento -Eu digo a ele. Surpreendentemente sua feição quase vazia se transforma com preocupação. Consigo ver seus ombros abaixarem por cima de seu terno grosso.

-O que aconteceu, isso é, se não for impertinência minha perguntar?

-Não sabemos quando ela voltara até o momento.

-Você diz para o trabalho?

-Sim -minto.

-Isso é uma pena -Seus olhos dançam de um lado para o outro, ele joga um braço para cima da mesa e alisa-a.

-Estamos entrevistando ótimos candidatos para estar no lugar dela até... -Ubbe é interrompido.

-Me desculpe novamente a intromissão. Mas, tivemos um contato longo com os projetos e a tenho com estima, meu pai e eu. Ahn ... -ele passa a mão na boca -Não seria eu muito pedante mesmo que ela não consiga executar, mas que esteja até o desenvolvimento final? Aliás, toda a ideia foi dela.

Ubbe olha de lado para mim esperando pela minha resposta e um silêncio constrangedor toma a  reunião. Jogo a cabeça de lado, pensando no que eu diria a seguir. Suas palavras me incomodam, muito.

-Veremos o que podemos fazer -Respondo vagamente.

-Eu faço questão na verdade que ela esteja, mesmo com um novo substituto. Eu gostaria de ter sido avisado por ela, mas, parece que ela não lembra-se de mim, ou de ninguém.

-Entraremos em contato com ela o mais breve possível, para ela considerar o seu pedido -Ubbe diz -Eu sei o quanto ela estava empolgada e envolvida com o projeto, não é mesmo Carl, você que convive mais com ela?

-Sim -Respondo seco.

-Vocês são namorados, não é mesmo? Recordo-me.

-Sou o marido-para-ser -Tenho que respirar fundo para responder sua pergunta intrometida. Em suas constantes reuniões com a empresa de café Effy chegava com amostras de café que ganhava e dava-me de presente. Effy conhecera o Sr.Henriksson na antiga empresa em que trabalhava. Quando decidimos abrir uma empresa em sociedade, corremos a procura de clientes. Batemos de porta em porta, exibíamos nosso trabalho em entrevistas e conseguimos alguns clientes pequenos, a médios. Effy, lembrando-se do Sr.Henriksson, dirigiu até sua empresa e conseguiu o nosso maior cliente até hoje. Sua empresa importava e destribuia café para o país e recentemente havia expandido para chá e quem esteve à frente de todo o design de chá foi ela e quem mais seria além dela. Ela dizia que toda boa noticia ficava melhor com chá, e toda notícia ruim, amenizava com uma xícara de chá.

-Eu não sabia ... Então, quando ela tiver uma resposta, imediatamente me contatem. Ou qualquer notícia se possível, para darmos um fim nesse projeto.

Eu sorrio para ele e levanto-me da mesa, todos se levantam e eu os direciono até a porta da saída. Henrik, aperta a minha mão forte se aproxima de mim, falando baixo.

-Entendo que a sua saúde não esteja boa, mas, ela fez uma promessa entre nós. É, ela não se recorda.

-O que você quer dizer?

-Se eu não tiver notícias ...bem. Hallström – Ele sorri simpático -Eu sei.

-Sabe o que? -Olho em seus olhos escuros, desafiando-o. Ao contrário dele, eu não sorrio.

-Desejo melhoras para ela. Fique bem -Ele diz e vira-se entrando em seu carro escuro com adesivos da empresa.

Effy estava sob estresse quando executava todo o design de chás da empresa. Constantes reuniões que tomavam seu tempo e uma equipe pequena que pela primeira vez liderava. Ela nunca fora responsável por dirigir um projeto. Ao mesmo tempo que estava empolgada, estava ansiosa. Não dormia bem pensando no que tinha que fazer e se podia fazer fora do ambiente de trabalho, porque não? Era difícil para ela estipularem tempo para entrega, sempre foi difícil. Ela tinha um tempo diferente dos demais, enquanto queriam entregar a tempo ela queria entregar no tempo certo. Tempo era definitivamente inimigo da perfeição e seu maior inimigo. Ela preferia entregar um trabalho atrasado e perfeito do que no tempo e ordinário e apesar da empresa ser severamente rígida com o tempo estipulado, ela sempre saia triunfante nas reuniões sobre entrega. Ela usava seu charme inspirador em que usava poemas e analogias para descrever todo o seu processo seu artístico. Effy dedicou todo seu tempo para o design e começou a passar o dia todo na empresa Henriksson evitando ter de parar para justificar sua decisão no projeto, causando sempre uma reunião. Henriksson era conhecido pelas centenas de reuniões que fazia. Esse período, foi o início de uma pequena crise em nosso relacionamento.

Não tínhamos um relacionamento perfeito. Éramos sim, incríveis juntos, mas imperfeitos. Teimosa e as vezes rebelde. Confusa. Não consegue esconder seu ânimo e não pensa muito no que fala e nem nas consequências e na mesma medida que demonstra suas emoções ela não fala sobre si. Eu conhecera brevemente Henrik em uma festa que fomos convidados. Como a festa tinha um caráter também de negócios nos comportamos como tal. Para mim sempre foi mais fácil manter uma distância profissional com ela, um dos problemas em se trabalhar junto e foi um dos pontos em que hesitamos ao entrar na sociedade. Estipulamos manter distancia e deixar o relacionamento da porta para fora, mas nunca conseguimos seguir totalmente. Nessa festa, em momento algum nos aproximamos.

Meu celular vibra no bolso da calça, retiro-o e é uma mensagem de George “nove musas, me liga”. Eu estava me preparando para tirar fotos, mas não consigo deixar para depois, não após essa reunião. Henrik provocava-me sentimentos negativos e seu sorriso falso era um alvo certo para meu punho.

-Hej George.

-Hej. Nove musas o tradutor disse não foi?

-Sim, foi.

-O que foi, não está empolgado?

-Sim estou. Tive uma perturbação momentânea, agora já passou. Me diz o que você sabe.

-Na verdade foi fácil e eu sei que você vai falar que quando é muito obvio provavelmente não é, mas digitei no google e é parte da mitologia grega novamente.

-Ok, continue.

-São nove musas, cada uma responsável por uma área específica na arte antiga.

-Hum ... nove musas e ela deixa um mapa.

-Um mapa com o que? Lugares como museus.

-Acha que algumas pistas estão nos museus?

-Talvez, mas se prepare para isso. A origem da palavra museu vem da palavra musa. O templo que as nove musas viviam se chamava Museion.

-Quantos museus tem na cidade?

-Ela deixou aquelas inscrições em nórdico antigo, não deixou?

-Sim, sim. E aquela frase com um alfabeto de símbolos.

-Carl, temos que achar as runas. Pense bem, porque ela deixaria os símbolos no mapa e porque em nórdico antigo? E onde acharíamos runas antigas? Museus ou ...

-Sítios arqueológicos ... ou talvez em ambos! Sim! Talvez estejam no Museu Nordiska.

-Mas em primeiro lugar, temos que traduzir aquela inscrição nórdica.

-Sim, temos. No museu deve ter a resposta.

Procuro pelas nove musas na internet. Em resumo, é isso o que George me dissera e sou grato a ferramenta de pesquisa da internet pois seria muito mais difícil sem ela. Assim como George disse; São nove musas, cada uma responsável por uma inspiração divina. São as musas: Melpômene, Talia, Euterpe, Clio, Calíope, Urânia, Érato, Terpsícore, Polimnia.

Nos encontramos em frente ao Nordiska Musset, o museu de história nórdico, do povo da Suécia. O museu fica em Djurgärden, uma das ilhas da cidade. A ponte agora está com muitas pessoas atravessando. Essa talvez seja a vista mais elegante da cidade. Embaixo da ponte, barcos, balsas e hiates estão atracados por toda a encosta, formando fileiras brancas com mastros e bandeirinhas a balançar no alto. As construções altas e maciças formam uma muralha de cores claras e suaves. Duas esculturas postas no alto de uma coluna, dá a passagem para os automóveis e pedestres a curta passagem entre uma ilha para outra. A muralha de Djurgärden é feita de árvores que agora estão coloridas com a cor da estação.

-Acho que estamos no lugar certo -George me diz enquanto pagamos pelo ingresso -Só Effy mesmo para fazer eu entrar em um museu, vocês já vieram aqui? -George esta mais animado do que eu hoje.

-Não, nunca. E se não for o museu certo, pelo menos conseguimos traduzir esses dizeres com alguém por aqui.

-Qual museu ela gostava?

-Das esculturas do Millesgärden, mas não costumava ir aos museus frequentemente, só quando havia exposições que a interessavam, e o Millesgärden acho que foi somente uma vez, pelo menos comigo.

O interior é suntuoso e grande, ao andar pelo lugar amplo a sensação é de sentir-se insignificante. As colunas enfileiradas juntando-se em uma claraboia de vidro parece ter sido bordado com mármore e vidro. Observo as exposições dispostas no centro do ambiente e procuro por pistas. E me pergunto qual é a intenção dela em me trazer para este lugar, o que ela sabia sobre o povo nórdico, além da convivência conosco. Ao contrario do que aconteceu após o acidente, Effy adaptou-se rapidamente e sentia-se em casa, talvez até mais do que eu. Ela mergulhara na cultura e até na estética de sua arte. Lembro-me ao ver seus desenhos quando recentemente havia chego, ainda com o simbolismo, mas usado mais evidente e com muito misticismo, aos poucos os símbolos estavam velados e mais reais. Seus desenhos complexos e refletivos eram uma fotografia do que se passava em sua mente, sobre si e sobre o mundo que via.

-Carl, Carl -George me chama do outro lado do salão -Venha aqui.

Vou até ele costurando pelas pessoas que visitam o museu e olho para uma gravura em madeira com o mesmo estilo de letra que Effy usara. Pego o mapa para certificar-me e o abrimos cada um segurando uma ponta e analisamos. Não é os mesmos dizeres, mas é definitivamente o mesmo estilo. Embaixo George aponta para a plaquinha.

-Nórdico antigo ... runas. Runas. Definitivamente ela fala sobre runas.

-O que é runas? -Pergunto-lhe envergonhado por não saber a própria historia do meu país.

-Eu sei que há aquela pedra na Cidade Antiga, aquilo é uma runa.

-História, George -Dou um soco em seu ombro -História. Uma das nove musas é a musa da história. Ela quer que saibamos história das runas.

-Ou a nossa própria história, porque? -George enfia as mãos nos bolsos da calça e retira uma e coloca seu gorro azul na cabeça arrumando-o. Ao vê-lo fazendo isso, compreendo.

-Ela quer que saibamos a história para entendermos a razão. Para entendermos o presente, temos que olhar o passado, certo?

-É o que dizem -George diz não muito impressionado.

George sempre usava o gorro esportivo, ou alguma coisa esportiva. Não porque ele é um fanático por esportes, mas porque desde pequeno o esporte era usado em sua vida como distração da falta da atenção de seus pais. Ter o resquício de materiais esportivos, nas roupas ou nos programas de tv, é uma lembrança e consequência de seu passado e de alguma forma, uma proximidade de seus pais ausentes.

-Aonde iremos traduzir isso? Vou perguntar para aquela mulher.

Uma mulher de cabelos escuros brilhantes presos em um coque elegante na cabeça, está com um uniforme do museu. George poderia perguntar ao homem de cabelos brancos e olhos tristes que também usa uniforme, mas conhecendo George, sei que a mulher seria sua primeira opção. Vou atrás dele, seguindo seus passos rápidos e curtos.

-Hej, você trabalha no museu?

-Sim -Ela é educada, mas seu sim poderia estar explicito “sim, não está vendo meu uniforme?”

-Você poderia nos ajudar, meu amigo aqui -Ele puxa-me pela camisa para aproximar-me deles -Ele está resolvendo uma charada que é muito importante para ele, por causa da sua namorada e ela deixou isso escrito em um mapa -Ele mostra a ela o mapa dobrado com as letras tortas aparentes para a mulher que segura em suas mãos com unhas compridas e pintadas de vermelho.

Ela olha com atenção e chama o homem de barbas brancas para perto.

-Sabe o que esta escrito aqui? -Ela pergunta ao homem que entorta o pescoço para ler.

-Posso pegar?

-Sim -Eu respondo.

Ele abre o mapa para ler todos os dizeres. Seus olhos correm de um lado para outro, ele lê. Ele entende! E fico ansioso por sua resposta. Ele dobra a folha como estava e entrega-o para mim.

-É um criptograma fácil onde substituiu-se as runas pelas letras do nosso alfabeto, essa em especial é o antigo futhark, a forma mais antiga de alfabeto rúnico

-Acha que não são palavras do nórdico antigo?

-Vocês precisariam tirar essa dúvida com um especialista de runas antigas, eu sou antropólogo, não posso ajudar muito.

-Vocês repararam que há uma palavra aí ? -A mulher diz.

-Não! -Dissemos os três.

Ela vai ao lado do homem de olhos tristes e aponta para uma palavra de ponta cabeça

-“Toque o sol” -Estava de ponta cabeça.

-Com a letra trêmula vocês deixaram passar despercebido -Ela nos conforta percebendo como nos sentimos estúpidos.

-Não acredito que não vi isso antes- Eu digo olhando para a palavra de ponta cabeça em um mar de riscos e traços parecidos com setas.

-Sim e se vocês verem bem o L do sol está torto e virado no sentido anti-horário. Ou foi proposital ou aí está a primeira letra descoberta, o L.

-É, ou o L está de ponta cabeça ou é um L rúnico -Pego o mapa de volta da mão do homem.

 - Agora se for, é só substituir as runas pelas respectivas letras, se começar a não fazer sentido é pura coincidência.

-E se não for, como criptografamos?- George pergunta desanimado.

-Não é tão difícil na verdade, é só usar a lógica. Pode demorar um pouco, mas vai conseguir. Depende de quem fez e qual é o seu objetivo.

-Obrigado -Agradeço apertando sua mão e a mão da mulher e viro-me até a saída do salão, George vem atrás dando pulinhos para alcançar-me.

-Aonde você está indo Carl?

-Para fora, pensar.

Andamos pela calçada tranquila e larga de asfalto fino rente ao chão gramado. As arvores plantadas dos dois lados da calçada fazem um túnel de folhas e galhos. Há algumas poças de água acumulada da chuva que caíra no dia anterior. E vamos até um quiosque com cadeiras de madeira. Alguns turistas sentam-se. Há muitos turistas nessa ilha pela concentração de museus e parques. Crianças pulam alegres e seguram as mãos dos pais ao atravessarem a rua indo em direção ao zoológico. Construções majestosas góticas surgem por entre as frestas das árvores.

-O que temos até agora, Carl? Os poemas, a mitologia e as nove musas, certo?

-Sim, a frase “Olhe para dentro, e em você então encontrará o que há muito tempo perdeste”.

George pega seu celular e coloca em cima da mesa. Pedimos um café para cada, seu gosto deixa minha boca amarga, desconfortável. Henrik, recordo-me. Henrik fez-me perder o gosto pelo café hoje. Fan.

-Quais são as nove musas? -George pergunta-me.

-História, música, dança, comédia, hino, astronomia, poesia, poesia épica e tragédia -Leio do meu celular onde eu anotara.

-Ela deixou uma poesia, um mapa com runas.

-Nos fez ir ao museu -Digo animado e engulo o café amargo e quente de uma vez, sem importar-me -Temos que passar por nove caminhos.

-E o mapa serve para mostrar aonde temos que ir.

-O mapa talvez seja símbolo de encontrar já que ela deixou escrito “... em você encontrará o que há muito tempo perdeste”. Talvez ele não seja útil para nada.

-Só foi útil para deixar escrito essas coisas – Ele bate com o dedo várias vezes no mapa acima da mesa.

-O homem disse que estava escrito o que mesmo?

-Toque o sol.

Olho para o sol acima de nós, escondido por entre as folhas alaranjadas e verdes. O que ela queria dizer com isso e o que isso significaria.

-O que o sol significa na mitologia? -Pergunto a George que está mexendo no celular.

-Espere que vou ver – Ele diz e digita em seu celular e lê em silêncio.

-Não! Espere! -Bato com as mãos na mesa, espantado- George, está tão claro agora -Dá um riso alto -Eu não posso acreditar. Toque o sol. Toque o sol George!

-O que? Queimar? Bronzear? Ibiza? O que Carl?

-Música George! Música!

-Ah -George fica boquiaberto, pensativo.

-Tocar, clave de sol. Nove musas que já foram ...

-Poesia e agora música?

-Sim. E o que há muito tempo eu não faço?

-Sexo?

-Quase, eu uso um arco no lugar.

-Violoncelo –Agora ele compreende, terminando o café -Eu realmente espero que o use para essa finalidade. Mas e aí?

-E aí o que?

-Ela quer que você toque violoncelo e para que viemos ao museu, além de conseguir traduzir uma palavra.

-Três palavras, George. E a resposta é; ou é a musa da história, ou, metáfora para precisamos conhecermos o nosso passado para superar um obstáculo presente.

-Você superar, não é mesmo?

-Todos temos que superar George.

 


Notas Finais


Bom fim de semana a todos!


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