História Perdida Nas Sombras. - Capítulo 5


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Lesbicas, Romance
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Palavras 2.490
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Noite das garotas.


Hoje, eu que tinha ido buscar a Lynn no colégio e ela ficou tão feliz em me apresentar para seus amigos. E eram tantos que achei que ela era amiga de todos os alunos da escola, na verdade ela tinha tantos amigos por causa do time de futebol em que jogava que adorava toda a atenção que recebia, principalmente quando falavam que estavam contando com ela pra ganhar a temporada. Confesso que meu principal motivo pra ter ido buscar a Lynn hoje foi pra ver o Nicholas e conversar com ele sobre essa historia dele gostar da minha filha. Sinceramente, a Lynn é só uma menina e ele já está bem grandinho pra estar de olho nela e eu sei que eles são apenas crianças, mas de qualquer forma, me apavora a ideia de ter um garoto de olho na Lynn. Não quero que a Lynn fique pensando nesse tipo de coisa, quero que curta a sua infância e que a única coisa com a qual se preocupe seja em querer novos brinquedos. Quando estiver maior, então aí sim, ela pode até cogitar em pensar em namoro. Preciso falar com o Kaleb e pedir pra ele falar com o Nich, essa historia está me deixando agoniada.

Depois que busquei a Lynn, viemos direto para o supermercado comprar algumas coisinhas pra preparar o jantar. Eu ainda não sabia cozinhar muita coisa, mas a internet está no mundo pra isso, não é? Ensinar. Então, colocamos na cesta tudo o que precisávamos para fazer uma pizza.

— Jess? — soou uma voz feminina atrás de mim. — Lynn, meu anjinho!

— Tia! — Lynn saiu correndo para ir abraçar a Dabria que se agachou no chão para corresponder ao seu abraço. — Mamãe e eu vamos fazer uma pizza.

Dabria olhou para dentro da cesta, conferindo tudo o que havíamos comprado, franzindo a testa como se tivesse faltando alguma coisa. Me sentir corar pela cara que ela fez ao conferir os ingredientes na cesta, até passei a conferir também pra ver se sabia o que ela estava procurando e não encontrava.

— Pretendem fazer uma pizza sem fermento? — questionou e dei de ombros, ela riu e levantou do chão. — Vamos pegar o fermento e ir pra casa, vou ajudar vocês a preparar a pizza.

Pegamos o fermento, refrigerante, ervilhas e até peito de frango. Seria uma baita pizza e eu mal esperava a hora de comer, estava morrendo de fome e aposto que a Lynn também, porque toda hora que eu e a Dabria colocávamos as coisas para passar no caixa, Lynn acariciava a barriga e lambia os lábios. Minha filha ainda pegou alguns doces antes de pegarmos as coisas.

Quando saímos do mercado, colocamos as coisas no carro da Sky que a Dabria tinha vindo e fomos pra casa. Dessa vez, eu que dirigir porque a Dabria resolveu sentar no banco de trás junto com a Lynn, apenas para comer os doces com ela. Até fiquei chateada com as duas porque dividiram o ultimo pacotinho de M&M'S entre elas e nem sequer me deram um.

Em casa, estávamos as três na cozinha já finalizando a pizza. Dabria fatiava o peito do frango para colocar por cima, enquanto eu limpava a mesa e a Lynn guardava a farinha de trigo. Quando Dabria terminou de colocar o frango, colocou a pizza no forno e veio me ajudar com a louça que eu estava lavando, secando a mesma. Vou dizer.. Fazer uma pizza não é trabalhoso, na verdade foi até divertido de fazer, principalmente quando a Lynn pediu para a Dabria deixa-la mexer na massa. Lynn gostou tanto de ficar mexendo que já estava se sentindo uma chefe, até disse que nem a Dabria e nem eu sabíamos fazer como ela estava fazendo e tentou ensinar a gente.

— Mamãe?

Olhei para trás e fui surpreendida por uma tempestade de farinha de trigo na cara. Lynn colocara a farinha nas mãos e a soprou na minha cara, me fazendo fechar os olhos no mesmo instante. Quando limpei a farinha com as mãos, olhei para ela de cara feia que olhou para a Dabria e as duas começaram a rir de mim. Dabria gargalhava com a mão na barriga, enquanto Lynn mantinha certa distância de mim com medo de que eu fizesse alguma coisa. E obviamente, eu faria. Por isso peguei um pouco da farinha de trigo com a mão, já que a Lynn deixara o pacote da mesma na mesa.

— Você está rindo de mim, Dabria? — perguntei e ela recuou para trás, com medo. — É isso mesmo que estou vendo?

— Jess? Não se atreva! — pedia com medo, Lynn observava rindo e batendo palminhas. Minha filha é tão diabólica quanto a mãe, que orgulho. — Jess.. Para..

A cada passo que eu dava, Dabria recuava para trás e ria nervosa. Fomos recuando até nos aproximar da Lynn que foi quando passei a farinha de trigo no rosto da minha pequena, a pegando de surpresa e a fazendo rir. Dabria respirou aliviada e rapidamente peguei mais um pouco de farinha com a mão e soprei em seu rosto, a fazendo parar de rir para limpar a farinha dos olhos e abrir os mesmos.

— Não acredito que fez isso! — exclamou.

— Tia, vamos acabar com a mamãe.

— Lynn, você tem que ficar do lado da sua mãe. — resmunguei e minha filha fez biquinho e cruzou os braços. — Quer saber, Dabria? A grande culpada disso é a Lynn.. Devemos castigar ela.

Dabria olhou de mim para a farinha e vice e versa, em um gesto rápido Dabria segurou a Lynn e eu peguei o pacote de farinha para despejar todo em cima da cabeça da minha menina, a fazendo gritar e rir ao mesmo tempo. Dabria e eu ficamos rindo, enquanto a Lynn tentava tirar toda a farinha dos cabelinhos, o problema era que não importava o quanto ela tentasse, parecia não diminuir.

— Adivinha quem vai limpar toda essa bagunça? — Dabria perguntou pra Lynn que dava de ombros. — A sua mamãe.

— Quê? — minha voz soou quase num grito e elas riram. A campainha de casa tocou e fui correndo atender, só pra me livrar de ter que limpar toda a bagunça na cozinha. Mas me esqueci que estava toda suja de farinha quando abrir a porta. — Eva..

— Ual.. — disse rindo, achando graça de mim toda suja de farinha. — Resolveu mudar um pouco o visual? — corei e ela levou uma mão ao meu cabelo para limpar um pouco de farinha acumulada que estava pronta para se desfazer em mim. — Eu só.. Queria te pedir um pouco de açúcar. — Dabria e Lynn apareceram na sala rindo uma da outra. — Ah.. Você está ocupada! Me desculpa, eu não sabia que estava acompanhada. Por favor, continuem.

— Que nada, Eva! — Dabria falou ao se aproximar da Eva e a puxar para um forte abraço, deixando a mesma suja de farinha também. Mas Eva pareceu não se importar. — Não quer ficar com a gente e comer uma pizza totalmente preparada por..

— Por mim. — intrometeu-se Lynn na conversa. — Eu que fiz a pizza.

— Querida, você só ficou mexendo na massa. — a relembrei.

— Mas sem mim, quem ia massagear a massa? — questionou e eu e a Dabria nos entreolhamos. — Porque a tia tava ocupada com o frango e você limpando as coisas, mamãe. Reconhece o meu talento, eu vou virar chefe de cozinha.

Todas nós rimos e a Dabria levou a Lynn para tomar um banho, deixando eu e a Eva a sós na sala. Ela segurava uma pequena xícara nas mãos e fomos até a cozinha pegar um pouco de açúcar, fiquei envergonhada pela zona em que a cozinha se encontrava e pedir desculpas.

— Não precisa se desculpar, você estava tendo um momento em familia. — falou com um sorriso no rosto. — Eu entendo perfeitamente isso e eu já disse que acho a sua filha um encanto? Ela é tão.. Bebê.

Não sabia se ficava feliz pela Eva achar a minha filha um encanto e ainda por cima chama-la de bebê ou se começava a fechar a cara alí mesmo, por que afinal de contas, ela não estava nenhum pouco incomodada com a presença da Dabria. A minha antiga Eva, se me visse em um "momento familia" com outra mulher, me mataria e se essa mulher fosse a Dabria, ela cometeria um duplo homicídio.

— É, a Lynn é um amor. — respondi ao colocar o açúcar em sua xícara para poder lhe entregar. — Qualquer coisa que precisar pode voltar aqui.

— Ah, não! — exclamou envergonhada. — Venho abusando muito da sua boa vontade.

— Pode abusar de mim o quanto quiser. — falei baixinho.

— O que você falou? — perguntou.

— Que pode vir quando quiser.. Quando precisar de alguma coisa.

— Tudo bem.. Obrigada, Jess! — falou de repente, pegando não só ela de surpresa como a mim também. — Desculpa! Eu.. Eu não sei porque te chamei assim, desculpa. — disse, ao sair pela porta de casa e me tirar a oportunidade de respondê-la. — Boa noite.

Assim que a Eva foi embora, a Dabria apareceu na sala de braços cruzados e ficou olhando pra mim. Ela sabia o quanto eu estava sofrendo com toda essa história da Eva, com a perda de memória dela, com a perda do amor dela. Tinha momentos em que nem eu mesma sabia de onde tirava tantas forças para ainda conseguir olhar pra Eva sem começar a chorar. Porque é isso o que sinto cada vez que estou dentro dos seus potes de mel, eu só quero chorar quando estou com ela, porque eu sei que lá no fundo, bem no fundo, tem uma parte dela que sabe que falta alguma coisa. Tem que ter essa parte dentro dela e essa parte tem que acordar e ver que o que falta nela sou eu. Eu estava tão decidida a lutar pelo amor da Eva, mas quando descobrir que ela está casada com a vadia da Sarah, todas as minhas forças e esperanças se dissiparam. A forma como eu as vir lá no estúdio de gravação pro jornal, a forma como a Eva sorria e olhava para ela.. Aquilo destruiu toda e qualquer parte de mim que insistia em ter o seu amor de volta.

— Sarah fez a cabeça da Eva. — Dabria falou de repente. — Eva chegou a entrar em coma, ficou assim por dois meses e quando acordou, os médicos me ligaram e eu fui correndo do trabalho pra ir vê-la. Eu estava tão contente por saber que ela tinha acordado, que não peguei nem o celular pra avisar a Sky enquanto ia pra lá. — ela sorriu com a lembrança, mas logo depois o seu sorriso se desfez. — Mas quando eu cheguei e abrir a porta, a Sarah e a Eva estavam se beijando.. Sarah até estava falando que a amava e que elas eram namoradas. Eva agia naturalmente e eu fiquei sem entender, até o médico me contar que a Eva tinha perdido a memória. Quando ela me viu, Jess.. Ela não me reconheceu, não fazia a menor ideia de quem eu era. Tentei falar com ela, sem atormenta-la com coisas que ela não lembrava, apenas ficamos conversando até o assunto "Sarah" cair entre nós. Eva me perguntou se eu a conhecia e eu falei que sim e tentei explicar pra ela que a Sarah não era a namorada, mas ela não acreditou. Porque a Sarah disse que eu era uma ex-namorada ciumenta dela que nunca gostou muito da Eva e que estava sempre tentando separa-las. Acho que o que complicou mesmo foi que a Eva disse que lembrava de uma mulher com quem ela parecia ter um relacionamento, óbvio que era você, mas ela associou a sua imagem a da Sarah. Porque ela não lembrava do seu rosto, seu nome, sua voz. E a Sarah se aproveitou disso. Eu não sei se a Sky já te contou tudo, mas.. A Sarah havia dito para a Eva que ela traia o Kaleb com ela.

— Eu odeio essa vadia! — exclamei com raiva e a Dabria assentiu, concordando comigo. — Como ela pode se aproveitar de uma coisa dessas? A Eva estava confusa e sem memória e ela moldou a minha mulher conforme bem entendesse.

— E desde então foi um enorme sacrifício pra eu me manter por perto da Eva.. — continuou. — Ela não me queria por perto, porque achava que eu queria roubar a Sarah dela, então tive que falar pra ela que eu estava namorando com a Sky. — olhei para ela com os olhos arregalados e ela ergueu as mãos como se estivesse se rendendo. — Eu só inventei essa historia pra poder me aproximar dela, Jess. Eu te prometi que cuidaria da Eva, lembra? Você me pediu antes de irmos embora aquela noite, antes de você se encontrar com o John. Você me pediu pra cuidar dela pra você e eu fiz todo o possível pra cumprir com o que me pediu. E eu conseguir, eu fiquei o tempo todo com ela no hospital, só a deixava para ir trabalhar, comer e tomar banho. O tempo inteiro eu fiquei com ela, por você.

— Dabria.. Eu não tenho nem como te agradecer pelo que fez por ela, por mim. — murmurei.

— Não! — exclamou com a voz fraca. — Não me agradece, porque eu falhei com você. Eu deixei que a Sarah entrasse na cabeça da sua namorada, deixei aquela mulher fazer o que bem entendesse e agora, você sofre por ver o amor da sua vida nos braços de outra.

— Não é culpa sua.. Você mesma falou que estava no trabalho, como poderia imaginar que a Sarah faria uma coisa dessas?

Dabria ficou calada e me aproximei dela, segurei em sua mão e a puxei para um forte abraço. Ela começou a chorar baixinho e me apertava cada vez mais forte em si. Tudo o que essa mulher fez por mim.. Não existe nada no mundo que possa pagar todo o esforço que ela fez. Sendo apaixonada por mim e cuidando do amor da minha vida durante todo esse tempo, não deve ter sido uma tarefa fácil. Agora eu entendia quando ela ia me visitar e eu perguntava o que ela estava fazendo, se estava saindo muito, se divertindo e ela apenas me dizia que não tinha tempo. O tempo dela era do trabalho pra casa e de casa pro hospital, o único lugar pra onde ela saía era pra ir me visitar na penitenciária aos finais de semana. Dabria se dedicou a mim durante todo esse tempo, se dedicou a Eva e ainda por cima, se dedicou a minha filha.

— Eu te amo, Dabria. — sussurrei baixinho ao encarar seus olhos negros. — Você foi o meu porto seguro durante esses quatros anos.

— Sempre amarei você, Jess.


Notas Finais


Dabria cuidou da Eva, da Lynn e da Jess ao mesmo tempo.. Não é pra qualquer um, ein?


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