História Perfect Creation - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Lauren Jauregui
Tags Camila Cabello, Camren, Fifth Harmony, Lauren Jauregui, Louis Tomlinson, Personagens Originais
Exibições 19
Palavras 1.148
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Bissexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


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Capítulo 2 - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction Perfect Creation - Capítulo 2 - Capítulo 2

Camila

 

Acordo e escuto uma discussão. O homem está fervilhando. A mulher está explodindo.

Eles estão fora de meu campo de visão, atrás de uma cortina verde e feia.

Tento fazer o que sempre faço quando meus pais brigam, que é colocar os fones de ouvido e aumentar o volume para não ouvir nada, mas algo está errado. Meu braço direito não está me obedecendo, e, quando toco minha orelha com a mão esquerda, descubro uma faixa de gaze grossa na cabeça. Apareceram tubos compridos em meus braços e nariz.

— Ela é minha filha — a mulher diz —, e, se estou dizendo que ela vai embora, é porque ela vai embora.

— Por favor, preste atenção. Ela será sua filha de uma perna só se a senhora tirá-la daqui.

O homem está implorando e eu percebo que não é meu pai porque ele nunca implorava por nada, costumava fazer birra, na verdade; e também porque está morto.

— Tenho instalações superiores, os melhores funcionários da área médica. — A mulher finaliza esse comentário suspirando alto. Esse suspiro é a marca registrada da minha mãe.

— Ela está em estado grave na UTI depois de uma cirurgia de quatorze horas. Há uma grande chance de ela perder aquela perna, e a senhora quer tirá-la daqui? Porque é mais conveniente? Seus lençóis têm mais fios? Por que, exatamente?

Eu me sinto bem, tranquila e desconectada, mas esse homem, que concluo que deve ser um médico, parece bem assustado em relação a minha perna, que, por acaso, não está melhor do que meu braço.

Eu provavelmente deveria acalmá-lo, tirar minha mãe desse caso, quando ela está assim, a melhor coisa é se afastar e reestruturar , mas o tubo que enfiaram na minha garganta me impossibilita.

— Não vou liberar essa paciente em nenhuma circunstância — o médico diz.

Silêncio. Minha mãe é a rainha das pausas dramáticas.

— O senhor sabe — ela pergunta, finalmente — qual é o nome da nova ala do hospital, doutor?

Mais silêncio. As contrações não param em meu corpo.

— Pavilhão da Neurogênica Cabello — o médico diz, por fim, e, de repente, parece derrotado, ou talvez esteja perdendo nos argumentos.

— Há uma ambulância esperando do lado de fora — minha mãe diz.

Xeque-mate.

— Acredito que o senhor vá liberar a papelada.

— Se ela morrer, a responsabilidade é sua.

As palavras que ele diz devem me incomodar, porque as máquinas começam a apitar como um alarme de carro.

— Camila? — Minha mãe corre para o meu lado. Brincos Tiffany, perfume Bvlgari, terninho Chanel. Mamãe, edição sexta casual. — Querida, vai ficar tudo bem — ela diz —, tudo está sob controle.

Sua voz trêmula a trai. Minha mãe não hesita. Tento mexer minha cabeça um milímetro e percebo que talvez não esteja me sentindo tão bem, afinal. Além disso, o alarme não para. O médico está falando algo sobre minha perna, ou sobre o que restou dela, e minha mãe está com a cabeça afundada em meu travesseiro, com as suas unhas afundadas em meu ombro. Pode estar chorando.

Tenho certeza de que todos estamos perdendo o controle, e então, no meu outro ombro, sinto uma pressão firme.

É uma mão.

Sigo o caminho da mão ao braço, ao pescoço e à cabeça, mexendo apenas meus olhos, desta vez.

A mão é a de uma moça.

— Dra. Cabello — ela diz —, vou levá-la para a ambulância.

Minha mãe funga em minha camisola. Ela se levanta e ergue os ombros. Está no controle de novo.

— O que diabos está fazendo aqui, Jauregui? — ela pergunta.

— A senhora deixou seu telefone e sua maleta quando recebeu o telefonema sobre o... — ela vira o rosto na minha direção — o acidente. Eu a segui em uma das limusines Cabello.

Não reconheço essa garota nem seu sobrenome, mas ela deve trabalhar para a minha mãe.

Ela olha para mim, além dos tubos e do pânico. Tem a aparência um pouco desleixada, com cabelos abaixo dos ombros, negros e brilhantes. Tem quase minha altura. Olhos extremamente verdes.

Gostaria que ela tirasse a mão de mim, porque ela não me conhece e eu já estou tendo problemas com espaço, ainda mais com os tubos e o soro.

— Calma, Camz. — ela diz para mim me arrumando um novo e diferente apelido, o que acho irritante. A primeira frase que vem a minha mente tem um palavrão no meio.

Não estou a fim de fazer novas amizades.

Estou a fim de tomar uns analgésicos. Além disso, minha mãe me chama de Camila e meus amigos me chamam de Mila. Mas ninguém me chama por algum apelido. Então, pronto.

— Por favor, reconsidere, Dra. Cabello... — o médico diz.

— Vamos logo com isso — diz a garota com o sobrenome Jauregui. Ela deve ter a minha idade, aproximadamente, talvez esteja no segundo ano do ensino médio, talvez no último. Se ela realmente trabalha para a minha mãe, deve ser estagiária ou um prodígio. — A senhora vai na ambulância, Dra. Cabello?

— Não. Só Deus sabe que microrganismos estão naquilo. Meu motorista está esperando — minha mãe diz. — Preciso dar alguns telefonemas e duvido que a parte de trás da ambulância seja o lugar certo. Encontro você no laboratório.

O médico suspira. Ele aperta um botão e os aparelhos param.

Minha mãe beija minha têmpora.

— Vou montar tudo. Não se preocupe com nada.

Pisco para mostrar que, realmente, não estou preocupada com nada. Nem com a morfina, que está perdendo o efeito.

Jauregui entrega a minha mãe a maleta e o telefone. Ela desaparece, mas consigo ouvir o bater de seus saltos Jimmy Choo.

— Megera — o médico diz quando ela se afasta. — Não gosto nada disso.

— Não se preocupe — Jauregui diz.

Não se preocupe. É, você não precisa se preocupar, gênia. Vá embora. Pare de falar comigo ou sobre mim. E tire sua mão de mim, estou enjoada.

O médico checa um dos soros.

— Hum! — ele murmura. — Você é médica?

Jauregui esboça um sorriso meio irônico.

— Só uma curiosa, doutor.

Jauregui pega meus pertences e minha mochila. De repente, eu me lembro de que tenho lição de biologia para fazer. Um trabalho sobre a Primeira Lei de Mendel.

Quando dois organismos se reproduzem sexualmente, o filho deles herda, aleatoriamente, um dos dois alelos de cada pai.

Genética. Gosto de genética, das regras, da ordem. Minha melhor amiga, Ally, diz que é porque eu sou controladora.

Sou filha de Sinuhe Cabello. Tal mãe, tal filha.

 

Tenho muita lição de casa, sinto vontade de dizer, mas todo mundo está fazendo alguma coisa. De repente, penso que meu trabalho de biologia vai deixar de ser importante se eu morrer.

Acredito que a morte esteja na lista de desculpas aceitáveis para não fazer a lição de casa.

— Você vai ficar bem — Jauregui diz para mim. — Vai correr dez quilômetros em pouco tempo.

Tento falar.

— Oh! — digo.

Pois é. Não consigo falar um palavrão com o tubo em minha boca.

E então, penso: como ela sabe que eu gosto de correr?

 

 



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