História Perfect Mistakes - Capítulo 51


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Amizade, Aventura, Drama, One Direction, Romance, Violencia
Exibições 22
Palavras 9.896
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Porque promessa é promessa <3

OI GENTEEEEEEEE!!! Senti falta daquiiiiii! Como vocês estão, hein? Eu tô ótima! Oficialmente de férias, indo pro último ano do colégio e preparadíssima para o verão! Tudo bem com vocês? Me contem como andam tudo, tô com saudades! Eu falei que depois do dia 27 eu vinha e, olha só, aqui estou! Demorei um pouquinho, mas eu me mudei de casa (hoje!), então nos últimos dias tive que fazer a boa e encaixotar muitas coisas. Além disso, novembro/outubro foi, definitivamente, os meses mais loucos. Pensei que havia me apaixonado (ué), estudei estudei estudei, fiz vestibular, novamente, mudei, e agora estou aquiiiiii, querendo, mais que nunca, escrever, ler e postar para vocês <3 Sério, altos planos para essas férias!

Confesso, ando bem emotiva. Sei que sempre falo disso, mas é real: uma parte muito grande de mim ficou lá em Brighton e PM me teletransporta para lá muito intensamente. O capítulo anterior foi mais pesado e o de hoje me deixou mais na bad por causa dos personagens mesmo HAHAHA e, aliás, eu espero que vocês gostem! Hikki is back?! Veremos veremos.

Me falem sobre vocês, ok? Vejo todo mundo nas notas finais e, por favor, soltem o som para The Script porque eles são demais e merecem reconhecimentos ;) Conto mais novidades lá embaixão, okok?

HERE WE GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

"Eu e você contra o mundo, pra sempre" <3 aquela frase típica do casal que não é casal HAHA

Capítulo 51 - Capítulo 51 - Nicole e Harry


Fanfic / Fanfiction Perfect Mistakes - Capítulo 51 - Capítulo 51 - Nicole e Harry

(Trilha sonora - Abertura ♪ The Great Escape – Boys Like Girls / Broken Arrow – The Script)

- E foi isso que ela disse... – Louis contou assim que abriu a porta da casa. Ele suspirou fundo, sem saber se era em função do relato que havia acabado de fazer ou dos braços cansados de segurar coisas, de um lado para o outro, durante o dia.

- Poxa – Nicole, equilibrando-se nas botas com saltos e de couro, desejou ter um vocabulário mais apurado, em forma de apoio, mas, na verdade, falhou, deixando isto bem claro a Lou. – Olha... 

 - Você não precisa dizer nada – o rapaz resmungou com os ombros pesados e largou a caixa que segurava na cozinha, pegando uma outra próxima a porta em seguida. – Está na cara que você está do lado dela...

- A questão não é essa... – começaram a se encaminhar para a escada, arrastando as poucas coisas de Nicole, enquanto ela tentava, a todo custo, bancar a conselheira sem deixar rastros que, de fato, talvez viesse a apoiar o outro lado da briga. – Você queria o que? Que ela, depois de quatro anos, como a própria disse, te recebesse de braços abertos? Ainda mais depois do término que vocês tiveram? Que, pelo que entendi, não foi muito bom...

- Mas ela não precisava ter reagido daquele jeito, não é? – protestou logo depois de largarem tudo no novo quarto de Nikki.

- Ela quem? – outra voz surgiu e os dois viraram-se para a porta.

Havia um Harry no batente.

De calça jeans, camiseta lisa escura e com alguns pingos no tecido, indicando a recente saída do banho. Como se não bastasse, ele cheirava, irresistivelmente, a sabonete neutro e os cabelos ainda estavam quase totalmente úmidos.

- O mendigo resolveu tomar banho... – Louis tentou desconversar e tirou sarro do melhor amigo. Hazza, fingindo não ouvir, encarou o cômodo e depois subiu os olhos para Nicole.

Estava estampado em qualquer uma das quatro paredes a tentativa falha dela de não encará-lo, mas Harry fez a tarefa de volta sem vergonha ou receios. Observou-a da cabeça aos pés. Suficientemente para apreciar a meia calça rasgada, o shorts jeans despojado, a regata branca que exibia a lingerie preta por baixo e o clássico coturno.

- Seja bem-vinda, eu acho – disse finalmente e aproveitou para olhar nos olhos dela.

- Obrigada... Eu acho – Nikki cruzou os braços e desviou o olhar, a procura de alguma outra distração. – Lou, acorda! – estralou os dedos na frente dele e bufou. – Eu vou precisar de ajuda ainda.

- Ah é – rapidamente, ele voltou a ajudá-la a guardar as coisas no armário grande e espaçoso de madeira que havia ali.

O quarto inteiro era branco, como os outros. O teto era em formato de triângulo devido ao sótão que era logo em cima e a janela tinha vista para a parte traseira da casa. Ao contrário do quarto de Harry, que tinha para a rua e o de Louis, que era para a vizinhança lateral.

No final, a divisão havia sido justa.

- Então... – Nicole sentiu-se na obrigação de quebrar o silêncio entre eles, desistindo de pensar se o pior era ter Harry a porta, Harry ajudando ou os olhos de Harry a sua cola. – Quais são as regras para morar na caverna Tomlinson e Styles? – sugeriu sem cogitar as palavras, mas agradeceu a escolha aleatória ao ouvi-los rir alto.

- É necessário cozinhar. O negócio aqui está precário... – Louis disse debochadamente. – Aliás, você vai trabalhar hoje?

- Tenho folga às quartas... – contou após fechar uma das portas do armário e os três se olharam. – Mas acho que... – alcançou o celular e confirmou seu palpite. – Vou sair – completou a frase e Hazza e Lou trocaram um olhar mais demorado.

- Por quê? – Harry, finalmente, adentrou o quarto ao mesmo tempo que Louis tratou de ir embora. Coincidência ou não, as caixas de Nicole terminaram a tempo de ela lançar lhe um olhar sério e rígido.

Havia se passado quatro anos, mas ela ainda permanecia com aquela feição de desaprovação, com os lábios entreabertos e de cabelos de encontro os ombros todas as vezes que o olhava, algo que, sem dúvidas, deixava Harry assustado.

- Tipo... – forçou a garganta com uma certa dificuldade e abaixou a cabeça rapidamente. – Devíamos comer uma pizza ou, sei lá, um hambúrguer. Já que agora, oficialmente, estamos morando juntos.

- Bem... – o encarou e respirou fundo, odiando-se por pouco entender aquele garoto a sua frente, mas odiando-se ainda mais por conhece-lo tão bem. Não saberia dizer se eram os olhos verdes, o rosto quase incompreensível, os cabelos bagunçados e escuros, os lábios ou tudo junto. Mas era ele. Bem ali. Pedindo para ela ficar. – Er... Eu... – forçou também a garganta e suspirou mais uma vez. – Não sabia que vocês tinham planos.

- Er... – antes de continuar, puderam ouvir a porta da sala bater-se com força, indicando que Louis tinha os próprios compromissos também. Boa, Tomlinson, Harry pensou e xingou-o, xingou a si mesmo logo depois mentalmente e notou que devia parar de agir como um idiota.

- É – Nikki concordou e jogou as poucas coisas que sobravam na cômoda que havia ali. Alcançou seu casaco, o celular e retirou-se do cômodo. Apagou a luz torcendo para que tudo terminasse ali, mas bufou pesado ao sentir Hazza a sua cola. – Nós temos a semana inteira para comemorar – sentiu-se na obrigação de justificar a saída, mas sentiu-se péssima consigo mesma ao fazê-lo: era ridículo a satisfação a ele. – Além de que, podemos esperar até o fim de semana para Rebecca estar conosco.

- Certo... – assentiu desanimado, sentindo, de um momento para o outro, uma vontade de descobrir cada detalhe da vida dela. Nikki, enquanto isso, virou-se para ele, antes de alcançar a maçaneta da porta e o olhou.

O momento, a princípio, foi tranquilo.

Mas aí a troca de olhares não parou e, logo, ficou embaraçoso.

- Fim de semana, fechado – Harry fez uma pausa e começou a caminhar até a cozinha, como se não se preocupasse. – Divirta-se.

Nicole encarou suas costas ainda levemente molhadas irem se afastando. Por um momento, cogitou a ideia de pedir uma pizza e de, simplesmente, conversar com ele. Mas pensou na falta de privacidade que ele fez, na humilhação ao pedir Mesa de Confissões e, logo, a dó simplesmente desapareceu. Junto a vontade de ficar.

Respirou fundo e sentiu uma manada de pensamentos secundários sobre toda a atmosfera estressante que Harry era a trazia. Ao mesmo tempo, antes que pudesse chegar a um limbo nostálgico, uma buzina na rua ecoou.

Assustou-se e preferiu não se despedir. Abriu a porta e a fechou. Viu o Audi preto estacionado próximo à casa e, assim que alcançou a maçaneta do carro e adentrou este, forçou um sorriso.

- Ei, linda – Victor tirou os olhos do celular, beijou-a e, ao mesmo tempo passou a mão pelas suas pernas, deu partida.

 (...)

Passeou com as falanges ao redor dos olhos e, sem perder tempo, aproveitou para coçá-los também, obrigando-se a ficar acordado.

Voltou a digitar apressadamente e tomou longos goles de um café totalmente amargo e mais do que velho. Respirou fundo entre uma cláusula e outra, de um crime mais que inútil, envolvendo dinheiro e corrupção, e pensou por um momento que precisava dormir.

Não precisava dormir naquele momento, com o relógio já indicando muitas mais de três horas da madrugada, precisava dormir por todas as outras noites que estivera acordado, já há muito tempo. Só precisa de um bom sono, ou então suas feições seriam ainda mais exaustas e mau humoradas.

Negou com a cabeça e teve vontade de rir. Era ridícula sua preocupação com a ausência de descanso já que, no fim do dia, isso nem fazia diferença. O problema mesmo, verdade verdadeira, era a insônia. E nada sobre isso poderia fazer.

Fechou o notebook com força, antes mesmo de terminar de defender o cliente que nem seu era, e olhou adiante da biblioteca do campus da faculdade.

- Hora de ir para casa, Harry... – resmungou para si mesmo enquanto a penumbrava do lado de fora aumentava ainda mais. Levantou-se ciente que se não o fizesse naquele instante, provavelmente, acabaria por adormecer por alguns minutos ali na mesa mesmo e isso, definitivamente, não seria uma solução para os problemas de sono.

Adentrou o primeiro ônibus que passou próximo a universidade e não demorou para alcançar com força, nos bolsos, a chave de casa. Bocejou e piscou tantas vezes que nem ao menos notou o tempo passar e, mentalmente, aproveitou para agradecer a seja lá quem o sono já presente em seu corpo.

Torcia para que, naquela noite, pelo menos, ele conseguisse pregar os olhos rápidos assim que deitasse. Mas, claro, era sempre assim. Sempre com sono, sempre cansado, sempre sonhando e desejando uma boa cama, até pisar no quarto.

E foi exatamente o aconteceu.

Chegou a Finchley Road quase sonambulo e, assim que colocou o pé dentro da casa e tirou o casaco, despertou como nunca.

Bufando, fechou a porta com o próprio corpo e tirou os tênis logo de uma vez, sem lembrar-se ou pensar nas segundas presenças que também moravam pela região.

Mordeu os lábios com firmeza e recorreu a cozinha sem segundos pensamentos também. Era incrível, ele estava pronto para viver a noite, sua consciência estava a todo vapor, mas seu corpo, estranhamente, não tinha muitas forças.

Não entendia absolutamente nada sobre si mesmo.

Dando-se por vencido, alcançou o leite na geladeira e foi, então, a procura de cereal nos armários. Abriu todos eles. Um por um, fazendo barulho sem notar e a cada vez que perdia o doce de vista, xingava baixo.

Acabou por encontrar uma garrafa de vodca totalmente inteira e ainda lacrada. Sem dúvidas, sendo uma obra de Louis. Pegou a bebida e por alguns segundos, enquanto abria e fechava uma porta de armário de brincadeira, ficou encarando a embalagem, cogitando trocar o lanche da madrugada, que uma criança faria, por uma passagem de graça para uma bela ressaca na manhã seguinte.

- O que você está fazendo? – outra voz surgiu e Hazza, no susto, fechou o armário na maior força. O barulho foi tanto que ele assustou-se uma segunda vez e derrubou quase todo o leite na pia.

- Merda! – xingou e, só então, voltou-se para trás, já sujo e molhado de leite, avistando quem menos deveria ver. – Hey... – murchou a voz e exibiu um sorriso ainda mais para baixo.

Ela continuava com as mesmas roupas de horas antes, mas todas gastas. Claramente o sutiã estava mais largo, a meia calça estava desajeitada, a maquiagem borrada e ela parecia, talvez mais que ele mesmo, cansada.

- Oi – disse mais uma vez, engolindo em seco e observou-a passar a mão pelo rosto e depois cruzar os braços.

- O que você está fazendo? – Nicole quis saber novamente e abaixou a cabeça.

- Eu... – ia dizer que havia se esquecido que agora moravam juntos e que fazer silêncio não era sua melhor habilidade, mas calou-se. – Sabe onde o Louis colocou o cereal?

- Comprei antes de voltar para cá. Está ali em cima – contou e apontou para o armário que Harry, instantes antes, abria e fechava sem parar.

- Valeu – pegou a caixa e voltou-se tímido para ela. – Aceita? – Nicole arqueou a sobrancelha, receosa, mas sentiu o estomago roncar enquanto pensava.

Droga!

- Eu pego as colheres – deu-se por vencida e Hazza escondeu a surpresa mordendo os lábios. Em poucos minutos, viu-se sentado à frente dela no balcão, com dois potes de plásticos cheios de leite e bolinhas coloridas de chocolate dentro.

- Foi boa a noite? – não ficariam em silêncio, Harry pensou. Era a última coisa que precisava e, em memória aos tempos antigos, era o que estavam menos acostumados a fazer. Rapidamente, passou a agir o mais natural que conseguiu.

- Erm... – Nikki forçou a garganta, digerindo o lanche, e respirou fundo. – Normal – repetiu a si mesma não precisava entrar em detalhes e, por isso, foi rápida e curta.

- Isso é bom – deu de ombros. – Pelo que estou vendo, você e Louis não perderam o costume de sumir quando escurece, hum?

- Lou é o Lou. Ele some o tempo inteiro – não quis brincar, mas o tom de sua voz acabou causando um riso fraco em Harry e, por um momento, Nicole quase sorriu junto, mas não se permitiu.

O silêncio e a tensão pareceu aumentar ainda mais.

- Faculdades de pessoas, então? – relembrou suas palavras de dias antes. Aquela conversa inteira, juntamente com todos os quatro, não saia da cabeça de Hazza.

- Dura realidade – revirou os olhos e ajeitou os cabelos que estavam levemente bagunçados.

- O que foi que aprendeu lá? – deixou a tigela de cereal de lado e a encarou. Nicole respirou fundo e perguntou-se mentalmente se deveria participar daquela conversa ou não. Quando percebeu, já estava dizendo algo que estava entalado há tempos.

- Que elas nos deixam... – pegou o pote com o lanche, desviou os olhos dos verdes dele, que havia sentindo tanta falta de ver, passou pelo balcão e foi até a pia. Harry abaixou a cabeça levemente com aquela resposta, sem saber se sentia raiva dela ou arrependimento de si mesmo. O rapaz apenas a seguiu com o olhar e esperou alguma atitude batucar na cabeça, mantendo a calma.

- Por que está agindo assim? – Harry questionou de uma vez, deixando a tigela também de lado e a olhando intensamente.

 - Assim como? – cruzou os braços e o encarou de volta. Diferente do que estava acostumada, seu coração não se acelerou, suas pernas não tremeram e seus pelos não se arrepiaram. Mas uma sensação ruim lhe preencheu. Não sabia dizer se era nostalgia ou uma simples memória, mas aqueles olhos, aquele cabelo, aquelas leves sardas que ele tinha e aquela feição lhe lembrava anos que estavam mais do que esquecidos, tudo isso, de alguma maneira, mesmo que não tão intenso como antes, ainda assim, tinham efeito.

- Assim – Harry deu de ombros e encarou a janela, sem aguentar. – Já está mais do que claro que as coisas não estão boas na sua vida e eu praticamente estou tendo que implorar para te ajudar e você só está conseguindo me mandar ir embora, indiretamente – fez uma pausa e a olhou de novo, pensando sobre quando haviam se reencontrado, lembrando do apartamento dela e, em seguida, sobre a noite que todos haviam se reunido. – Por que?

- Como pode estar tão certo de como é a minha vida? Após quatro, malditos, anos? – questionou bem séria, sem aguentar as próprias declarações.

- Eu não sei, na verdade. Então, será que não seria uma boa hora para deixar de chatice e me contar o que está havendo com você? – as palavras fluíram tão naturalmente que Hazza surpreendeu-se. E depois, claro, sentiu o arrependimento.

- Não aja como se soubesse o que tem de errado comigo, Harry – falou bem baixo, como se estivesse de saco cheio. Logo, por um momento, sentiu ele encarar seus lábios.

- Eu estaria errado ao fazer isso? – questionou curioso e voltou-se para ela com uma feição totalmente incompreensível.

- Mais do que pensa – forçou uma risada e depois o olhou tristemente. Mesmo sem perguntar, estava óbvio que ele queria saber o porquê. – Eu esperei quatro anos – relembrou e desejou que ele entendesse a analogia em suas palavras. – Vai ter que ter muita paciência para entrar na minha vida de novo – e foi embora sem mais demandas.

Deixando-o só.

Harry abaixou a cabeça e respirou fundo.

As lembranças daquele dia ainda machucavam, sua voz fanha e indicando choro no telefone ainda eram uma dura memória e os meses seguintes pareciam extremamente recentes. Igualmente como as palavras malditas daquela tarde em tudo mudara.

Por malditos quatro anos, como ela dissera. Droga, infelizmente, Nicole estava mais do que certa e ele teria de aceitar.

(...)

- Aproveitando a casa? – Jade quebrou o silêncio dos dois no carro.

- Opa! – Harry abriu um sorriso divertido fazendo-a rir. – Fazia tempo que não precisava dividir o banheiro diariamente com universitários – brincou e ambos riram.

- Isso é bom, Harry. De verdade. E você parece melhor... – ela voltou a dirigir prestando atenção no volante. – Finalmente conheceu alguém?

- Para com isso! Só conheço mais e mais criminosos idiotas – resmungou. – Minha nossa, aliás, às vezes fico pensando em como eles são burros. Tipo, não tinha como fazer pior não?

- No fundo, talvez, pouco chegamos a saber sobre a verdade das pessoas. Eles podem estar mentindo ou escondendo muita coisa, não acha? – Jade sugeriu e deu de ombros.

- Nem me diga – pensou sobre os amigos e a irmã. Mal os conhecia agora e a cada segundo isso o irritava mais e mais. – Mas, de qualquer jeito, o nosso papel de advogado é sacar isso, certo?

- Exatamente! – Jade concordou animada e estacionou o carro na guia da Universidade de Londres.

- Valeu pela carona – abriu a porta do automóvel e saltou para fora.

- Nos vemos por aí – buzinou fraco e foi-se rapidamente.

Hazza começou a caminhar sem animação entre aquelas pessoas. Subiu os quatro degraus e continuou a caminhar pelo campus da faculdade.

Era só mais um semestre. Pouco menos, na verdade. Em breve estaria com seu diploma, com um currículo bom e estaria pronto para enfrentar o mundo atrás de uma excelente carreira de trabalho. Era isso. Precisava aguentar aquele lugar só mais alguns meses.

Cumprimentou com um movimento com a cabeça, afirmativo, os poucos rostos conhecidos e encaminhou-se o mais rápido possível para o prédio de Direito.

Por um momento, perguntou-se como teria sido se, desde o início, desde a bomba no estádio, se nada daquilo tivesse acontecido, como estaria sua vida, naquele momento. Perguntou-se se todos haveriam estudado na London South Bank, como o plano originalmente. Perguntou-se se todos estariam juntos.

Incrivelmente, não encontrou respostas.

E a verdade era que Harry via-se sem elas já há um bom tempo. Algo que não deveria ter se acostumado a ficar sem.

Já que, antigamente, para todas as suas dúvidas e perguntas havia uma resposta vinda dele.

 

Permitiu que o corpo caísse no sofá e encarou o teto. Suas manhãs costumavam a ser na cama, dormindo, mas depois da intensa rápida conversa que havia tido na madrugada, perdera totalmente a preguiça e havia ficado pilhada até então.

De qualquer forma, lhe sobrava o tédio.

Pensou em sair e em ir atrás de um emprego já que, o que se encontrava naquele instante, não fazia sua conta no banco aumentar e não lhe trazia prazer nenhum um pouco. Mas, como havia conversado com Louis, Londres era o tipo de cidade que não fazia um emprego bom cair do céu. Bem pelo contrário, ela ao menos deveria ter alguma habilidade, coisa que, como pensava, estava em falta na sua vida

Vencida, alcançou o telefone fixo que estava próximo ao braço do sofá e o próprio celular também. Abriu a agenda e procurou alguns números. Se não tinha o que fazer, faria o que lhe assustava: resolver a própria vida.

Primeiro, ligou para o banco. Não para sua surpresa, a conta estava vazia ainda. Odiou-se tanto por vários e vários minutos. Desejou ter tido uma cabeça melhor, anos antes, para ter entrado em qualquer faculdade, assim não estaria passando necessidades, mas sabia que remorso não era a saída.

Não soube porquê e, mais que antes, tentou não entender mas acabou pensando em Harry.

Depois que eu e Nicole acabamos do jeito que acabamos... A voz grossa e alta, devido a tensão do momento no fim de semana, ecoou em sua cabeça com força.

E tanta coisa seria diferente.

Nicole bem sabia que não eram coisas pequenas e, exatamente por isso, odiava o presente por ser tão relativo e correlacionado ao passado turbulento de antes.

Droga!  

Aquilo era cruel.

Foi interrompida de pensamentos com a porta abrindo-se. Virou-se para ver, esperando Louis, mas se surpreendeu com a figura que apareceu carregando uma caixa nas duas mãos.

- Hey... – levantou-se surpresa e ajeitou a roupa, sentindo-se um pouco envergonhada.

- Oh... Oi – Rebecca assustou-se também. Esta deixou a caixa em cima da bancada e depois voltou-se para ela. – Pensava que não havia ninguém aqui e que alguém tinha deixado a porta aberta – deu de ombros sem graça.

- Hum... Aqui estou – sorriu fraco e Becky fez o mesmo. Nikki encarou-a surpresa, perguntando com os olhos o que diabos era aquilo.

- Vocês... Na verdade, eles, quero dizer, eu não sei... Esqueceram no meu carro, mas só tive tempo de vir hoje deixar por aqui – explicou.

- Ah, certo – assentiu. – Devem ser do Louis – aproximou-se e espiou por cima. Continha alguns objetos aleatórias e algumas roupas que pertenciam a ele. Havia acertado em cheio.

- Então... Você se mudou, definitivamente? – quis saber e Nikki sentiu-se contente e tranquila por, ao menos, ela se interessar por sua vida.

- Yep – assentiu. – Ontem – contou.

- Onde estava antes? – quis saber. Ela podia ter mudado da cabeça dos pés, mas, como o irmão, ainda era curiosa ao extremo e sem perceber.

- Em uma quitinete, próximo a Chinatown – deu de ombros e a outra concordou com a cabeça. – Baker é melhor, hum?

- Eu não sei – riu fraco. – Só já me acostumei com lá – argumentou e ficaram em silêncio.

Pensativas.

- Sabe, eu... – Rebecca forçou a garganta e Nicole a encarou, torcendo para ela não terminasse o assunto. – Digo, logo depois que Harry me ligou e eu vim aqui e depois fui embora, eu fiquei me perguntando e relembrando como me despedi de cada um de vocês – Nikki soltou o ar porque, definitivamente, ela mesma havia feito a mesma coisa. – Não consegui lembrar da última vez que estivermos juntas, Nikki.

Mais silêncio.

Nicole também não se lembrava.

- Nós... Fomos à Brighton juntas. Mas em nenhum momento estivemos sozinhas por lá. E, então, começou a pegar fogo, não faço ideia do porquê, e quando me dei conta já estava tentando sair de lá com... o Harry – relembrar daquilo machucava como nunca. – E, logo, estava a caminho de Liverpool. É o que me lembro, honestamente.

- Isso mostra que nunca tivemos a chance de nos despedir, hum? – ela disse baixo, exibindo a clara tristeza.

- Pelo jeito não – concordou.

- Sabe... Logo que vi sua foto na revista, praticamente corri para te procurar. Eu tinha todos os telefones que me levariam a você e hoje, provavelmente, estaríamos trabalhando juntas – brincou, causando uma troca de sorrisos entre elas. – Mas... Eu sabia ainda mais que não só eu e o Louis, mas, todos nós, tivemos um péssimo final. E, olhar para você, me faria lembrar do Harry. E lembrar do Harry, me levaria a... – fez uma pausa longa e Nicole concordou com a cabeça, entendendo perfeitamente. – Então, eu desisti.

- Não te culpo – tratou de dizer rápido. – Eu provavelmente iria fugir – riram baixo. – Porque eu estaria na mesma situação que você. Eu iria te olhar, conversar com você e tudo, que eu me forçava diariamente a esquecer, voltaria à tona – fez uma pausa, pensando sobre aquilo. – Mas o destino parece brincar conosco, não é mesmo? Quem diria que, depois de todo esse tempo, existiria nós quatro novamente?

- Nem me fale – comemorou mentalmente ao ver que ela sorria fraco. Soube, aos poucos, que Becky ia descongelar seu coração, agora, frio. – Mas... Desculpa perguntar, você está bem com tudo isso? Digo, Harry parece que tem doze anos e está agindo como uma criança em relação à nós – houve risos e, dessa vez, nada baixos. – E Louis... Bem, pouco me importa e cabe a mim dizer como ele está, mas dá para se imaginar.

- Erm... – aquilo estava começando a lhe incomodar. Não tinha detalhes, mas desejou ter sobre como os dois haviam terminado. – Eu não sei, na verdade. Tipo... – a olhou séria e arqueou a sobrancelha. – Posso ser bem sincera?

- Erm... Pode, eu acho – Rebecca sugeriu e elas riram fraco.

- Ao mesmo tempo que eu quero que vocês três me contem cada detalhe dos últimos meses, eu tenho vontade de simplesmente sair correndo. Entende? – as duas se olharam, de um jeito engraçado e, quase ao mesmo tempo, caíram na risada.

E como foi bom quando riram juntas!

- Exatamente! E o que o Harry fez na outra noite... Ele continua sem saber os limites... – revirou os olhos.

- Grande novidade – bufou e notou que Becky a olhava com dúvida. – Manda.

- Onde... – Rebecca forçou a garganta, incerta se falava o que achava. – Onde foi parar aquela garota que mandava meu irmão calar a boca a todo minuto? – Nikki riu e riu mesmo. Mas riu para não chorar porque, de verdade, pouco sabia o paradeiro daquela sua versão.

Silêncio.

- Ela cansou de esperar... – respondeu fraco o maior dos fatos. – E você, Becky? Eu sei bem que isso não é muito da minha conta, mas você... Você o olhava de um jeito completamente mágico – relembrou e sorriu com os olhos. – Você mais do que se desdobrou para concertar seus erros e fazer dar certo! Nós estávamos felizes. Então, porque... – respirou fundo e percebeu que o olhar de Rebecca entristeceu-se ainda mais. – Você mal olha Louis nos olhos?

- É claro que isso é da sua conta, Nikki – deu de ombros e forçou um sorriso, encostando-se em seguida na bancada da cozinha. – Querendo ou não, todas as nossas vidas se entrelaçam. E talvez seja por isso que estejamos com tanto medo de nos abrirmos – resmungou pensativa. – Mas... – ela parecia relembrar do que havia acontecido. – Vocês três tinham respostas. Vocês três sabiam o que estava acontecendo.

- Isso não é verdade.  

- Não negue, por favor – a morena pediu mais alto e Nicole lembrou-se que, de um jeito ou de outro, na época, Rebecca era um corpo fraco e magro, quase sem esperanças e forças para mudar tudo. – Vocês três sabiam que as coisas estavam saindo dos conformes já há muito tempo. E Louis fez o incrível favor de bater na casa do Liam para vir conversar comigo – contou. – E, eu juro, juro mesmo, que eu pensava que ele estava ali para me levar para bem longe e só dizer que ficaria tudo bem – fez uma pausa. – E eu o odeio tanto agora. Mais tanto!

- Por quê? – questionou baixo.

- Porque ele sabia antes de nós o que estava para acontecer, Nikki! Ele sabia onde estávamos indo nos meter quando fomos para Brighton escondidos, provavelmente, ele sabia de tudo isso e não impediu. E, como se não bastasse, ele se fez o favor de me mandar ir embora e pedir para esquecer ele, dizendo que nunca havíamos sido para valer, falando que... Era só para provocar Will – os olhos dela encheram d’agua. – Dá para acreditar? – disse com um fio de voz e Nikki sentiu o coração apertar-se, perguntar-se como todos eles haviam desmoronado tão rápido e ao mesmo tempo. – Não posso, simplesmente, perdoar alguém que me ajudou a sair de uma casa em chamas, mas me deixou completamente queimada – deu de ombros. – Só não posso fazer isso.

- Arm... – eram coisas demais para assimilar. – E se ele tiver feito isso porque o Will havia pedido? Sei que pouco importa agora, mas, Rebecca, sério, ele te amava. E não era pouco, não mesmo.

- Se fez isso porque o Will pediu, por que não foi atrás de mim? – questionou com raiva. – Na boa, pouco importa mesmo. Já passou e agora somos estranhos um para o outro, o que é ótimo.

- Talvez... Todos nós merecemos uma segunda chance – sugeriu. Sabia bem que os quatro só voltariam a dar certo se todos eles estivessem perdoados.

Rebecca a encarou e Nicole teve quase cem por cento de certeza que havia falado demais.

- Nikki... Você... Você perdoaria o Harry? – quis saber séria e Nicole foi obrigada a suspirar pesado, encarando os próprios pés em seguida à procura de um escape.

- Depois que nós quatro nos separamos, eu fiz tanta coisa errada que talvez quem precise de perdão seja eu – brincou, mas falando ainda sério.

- Somos humanos. Nascemos para fazer errado.

- Mesmo assim – resmungou. Encarou o celular que vibrava. O nome da tela lhe provou o quanto estava fora dos eixos. – Mas... – pensou sobre ela e Hazza, mesmo que odiasse fazê-lo.

Pensou sobre a conversa deles naquele mesmo dia, pensou sobre os últimos acontecimentos e até quanto a despedida. Chegou à conclusão que, como estava completamente perdida, ela sim merecia uma segunda chance da própria vida. E, com isso, teria de concordar que todos mereciam de volta.

- Sinceramente, é claro que eu o perdoaria – confessou com raiva de si. – No fim das contas, é o Harry – deu de ombros e encarou a amiga.

Viu um pequeno sorriso nascer no rosto dela. Quando estava pronta para dizer que ela deveria fazer o mesmo com Louis, Rebecca começou a dizer que precisava ir logo.

- Vamos marcar de sair para almoçar – Becky sugeriu baixo, próximo à porta. – Você devia ir na revista comigo um dia desses. Iam adorar você e, com certeza, você teria que fazer fotos.

- Vish... Então, eu vou passar longe – brincou e elas riram.

Despediram-se com sorrisos e acenos.

 (...)

- Estou tratando de um caso mobiliário, nem precisa se preocupar. Pelo que entendi, estão atrás de um grupo que anda assaltando mercearias, portanto, vamos apenas ficar de olho nisso – continuava a falar sem parar enquanto Harry, praticamente, cochilava de olhos abertos. – Mês que vêm, vamos interrogar as testemunhas daquele episódio da casa toda revirada, ok?

- Ok – assentiu de prontidão.

- Por enquanto, Harry, faça apenas as anotações do mês, como sempre. E não se esqueça de imprimir todos os contratos! – o homem bem vestido afastou-se de sua minúscula mesa no meio daquele escritório enorme e encaminhou-se para a sala de reuniões.

- Amo meu trabalho – Hazza resmungou sem animação nenhuma, mais do que apostando na ironia, e sentou-se com força na cadeira.  

Colocou o dedo sob o mouse, mas, assim que ia clicar para começar a adiantar algumas coisas, seus olhos foram de encontro com o relógio. Faltava um minuto para que ele pudesse bater o ponto e ir embora, finalmente, para casa.

Começou a bater os dedos contra a mesa, contando os segundos mentalmente. Ainda teria que passar no supermercado em algum momento daquela noite, tinha de discutir com os amigos sobre as contas a serem pagas, deveria fazer os inúmeros trabalhos para o fim do semestre da faculdade e, aí sim, poderia descansar.

Isso se seu mau sono resolvesse dar uma trégua, é claro.

Levantou-se de prontidão assim que o relógio indiciou seis horas. Alcançou todas as suas coisas e correu para o metrô, esperando que este ainda estivesse vazio. Agradeceu ao ver que seu palpite e seu desejo estavam certos. Encostou a cabeça no mastro para apoio e soltou o ar.

Sua vida havia dado uma pequena reviravolta em pouco menos de uma semana.

Era surreal.

Um dia sozinho, morando em república e mais do que reclamando da própria vida. No outro, com os três que costumavam ser rotina, morando com companhias agradáveis, porém, ainda em dúvida sobre o próprio passado.

Era surreal novamente.

Esfregou o nariz no mastro e respirou fundo. Pensou sobre a conversa que havia tido com Nicole. Ela continuaria a ser uma incógnita. Cansado dela, pensou em Louis e, logo, não demorou para cansar-se dele também porque, se havia alguém entre todo mundo que sabia sumir mais do que bem, definitivamente, essa pessoa era Louis. Por último, pensou na irmã.

Droga...

Questionou a si mesmo, na reta final. Perguntou-se onde estava aquele cara que concertava as coisas. Onde estava o mesmo Harry, de anos antes, que se não tinha controle da situação, procurava ter?

Quis saber mais do que tudo onde havia ido parar sua energia, sua cabeça inteligente, que agora era tão cansada, e, principalmente, onde estava o líder da turma?

Não havia respostas.

Porque, aquela sua versão, havia se perdido há muito tempo. Anos e anos antes. Quando se viu sem o melhor amigo, quando se distanciou da irmã e quando perdeu a sua garota.

E, agora, todos eles estavam de volta.

Desceu do metrô pensativo. Não foi necessário subir degraus já que a estação deixava de ser subterrânea já há alguns momentos. Apenas passou o cartão que tinha há meses pela catraca e viu-se na rua.

Atravessou esta, andou na frente do mercado, fez uma rápida pausa no estabelecimento, então passou em frente da mercearia pequena, da farmácia e da lanchonete. Virou a esquina e começou a subir a leve ladeira.

Semanas antes, nunca diria que aquela rua seria a sua casa.

Não poderia citar, sem dúvidas, as cores dos prédios baixos que logo apareciam. Não conheceria as casas vizinhas e, muito menos, não se sentiria familiarizado com o muro que trazia o número 18 na encosta.

Alcançou as chaves no bolso assim que subiu os dois degraus da entrada e soltou o ar, mais que contente por estar no que, agora, chamava de lar.

Não aja como se soubesse o que tem de errado comigo, Harry. Sua voz, juntamente com suas palavras, ecoou em sua cabeça. No momento que pisou para dentro, seu coração se apertou apenas por pensar que, de fato, pouco sabia sobre ela.

- Ei, você – ouviu a voz de Louis e o encontrou aprontando alguma coisa na cozinha.

- Hey – respondeu fingindo animação. Largou suas coisas pelo hall e, em seguida, dirigiu-se a ele. – Precisamos conversar, Lou.

- Qual o problema? – o rapaz virou-se para ele, do fogão, e o encarou. Hazza respirou fundo e o olhou também. Ele possuía marcas de briga no rosto e parecia exausto.

- Uou... – resmungou baixo ao observar as manchas roxas e revirou os olhos, querendo saber por onde deveria começar. – Louis... Você precisa arranjar um emprego, cara, já te disso isso.  

- Você não é meu pai, Harry – o rapaz riu nervosamente. – Não precisa ficar dizendo o que devo ou não devo fazer toda hora... – resmungou.

- Sim, sei disso. Mas a questão é que você trafica e Nicole trabalha em um bar. Isso não é bom e nem legal. E, por enquanto, eu não posso pagar as contas dessa casa sozinho – disse bem sério e Louis pareceu entender a gravidade do assunto e de sua situação também.

- Então... O problema é dinheiro agora? – outra voz surgiu e os dois viraram-se. Nikki estava no pé da escada, toda de preto e maquiada. Ela tinha a feição de alguém que não dormia há dias, além de que, estava tudo, menos empolgada para uma dura noite de trabalho.

- Tipo isso – Harry desviou logo o olhar, antes que seus olhos se abaixassem e admirassem um corpo que não devia, e voltou a prestar atenção no melhor amigo. – A propósito, ainda bem que você apareceu. Nós três precisamos conversar e bem sério – seguiu de relance ela largar a bolsa e ir até o cômodo junto a eles.

Droga, como estava bonita!

Tão loira. Tão séria. Tão incompreendida. Tão ela.

Não podia negar que preferiria seu corpo mais redondo e mais curvado, mas, mesmo extremamente magra, aquela garota, agora moça, sempre chamaria sua atenção.

De qualquer maneira e de todos os jeitos.

- Pensei que... Você tinha dado um jeito quanto ao pagamento da casa – Lou resmungou começando a comer um queijo quente.

- E dei – Harry concordou. – Por agora, não precisamos pagar. Mas as contas estão nas nossas mãos. E eu não dou conta sozinho, gente.

- Bem... – Nicole começou a dizer. – Caso não se lembrem, eu fui expulsa de uma quitinete porque não estava pagando nada. Ou seja...

- Você não tem salário? – Harry, quase sem paciência, questionou e a olhou sério. Era o cansaço, era o desentendimento de ambos já antigo e era a atmosfera ruim que a casa, ainda, carregava. Nikki, do outro lado, lambeu os lábios e o encarou também. A conversa que tivera com Rebecca continuava a batucar em sua cabeça, como havia sido o dia inteiro.

- O que você acha? – cruzou os braços e arqueou a sobrancelha bem rígida.  

- Vamos fazer assim... – Louis tratou de garantir que a briga não começasse. – Hazza, você tem mais dinheiro, isso não é novidade. Você paga a luz, que é o que mais consumimos. Nikki paga a água. E o supermercado fica por minha conta. Só esse mês, beleza? Com o tempo, vamos dando um jeito... Daqui a pouco, quem sabe, eu e a Nicole não conseguimos ir trabalhar em um lugar melhor também, certo? – sugeriu e os três trocaram olhares.

- Fechado – Nicole concordou, sem pensar duas vezes. Alcançou suas coisas e os encarou uma última vez. – Estou indo. Afinal, aposto que vocês vão querer água quentinha todos os dias, não é?

- Espera – Harry impediu que ela fosse. – Não vamos brigar ou discutir por causa disso, ok? Só... Precisávamos resolver e, já que isso é uma coisa a menos, estamos bem. Não é? – encarou os dois. Louis de cabeça baixa e Nikki encarando o teto.

- Nos vemos amanhã, eu acho... – ela foi até a porta e tratou de ir embora logo.

- Alguém continua sendo uma pessoa complicada – Lou resmungou fazendo uma careta.

- Todos nós continuamos complicados. Talvez ainda mais... – Hazza abriu o armário a procura de comida. – Se tem uma coisa que Nicole não mudou é o orgulho, porque, minha nossa!

- Vocês conversaram? – Louis sentou em cima do balcão e voltou a comer o lanche que havia feito para si mesmo.

- Não sei se foi uma conversa... – deu de ombros e voltou-se rápido para ele. Achou-se um tremendo idiota por não ter pensado na ajuda do amigo antes. – Lou!

- O que é?!

- O que você sabe sobre a vida dela? – quis saber rápido.

- Como assim?

- Oras, vocês conversam. Bem diferente de nós dois, já que ela me evita mais do que tudo... – confessou e percebeu que Louis o encarou com um pouco de dó.

- Nicole está perdida, Harry – ele começou de boca cheia. – Na verdade, estamos nessa junto. Você pode reclamar o quanto quiser da sua vida, mas você tem uma vida, você tem um futuro garantido. Enquanto, olhe nós! Você mesmo disse, eu trafico e ela vira as noites em bares. Ela não tem dinheiro, nós fomos a única opção dela e, pelo que me parece, ela tem alguém, mas que não é do melhor mundo não também...

- O que quer dizer?

- Não sei. A gente conversa, mas ela não fala nada – Harry o olhou curioso. – Ela não fala sobre nada que aconteceu e nem sobre a própria vida.

- Como... – soltou o ar com força e decidiu questionar o que mais vinha querendo saber. – Em um momento você conhece uma pessoa melhor que todos e, algum tempo depois, ela consegue ser uma completa estranha?

- Ao menos, Nikki ainda não disse que vai te evitar para sempre... – falou com raiva e com remorso, fazendo Hazza olhá-lo com dúvida.

- Rebecca? – sugeriu e o olhar do melhor amigo entristeceu ainda mais.

- Ela sim não parece mais a mesma pessoa – foram interrompidos por um celular tocando. – Preciso ir – Louis desceu do balcão e saiu de casa em um pulo.

Deixando Harry confuso e surpreso.

Como sempre.

(...)

- Me dá um cigarro – pediu e sentou-se ao seu lado, na parede que fazia fundo com a casa, do lado de fora desta.

- Aqui – Louis lhe entregou e Nikki percebeu que era um pouco mais fino do que o comum e aquilo só significava uma coisa.

- Isqueiro, por favor – pediu nem pensando duas vezes.

- Quer que eu fume para você também? – Lou resmungou, remexeu-se e entregou o objeto. Nicole o encarou e os dois riram baixo. Ela acendeu rapidamente, devolveu o isqueiro e tragou.

- Sabe... Becky veio aqui ontem – comentou tranquilamente.

- Estou chapado, Nikki. Não vou lembrar – falou debochadamente e Nicole sorriu sozinha.

- É exatamente por isso que estou te falando, besta... – empurrou-o com o cotovelo e tragou o cigarro de maconha mais uma vez. – Talvez você só tenha que ter um pouco de paciência com ela, sabe...

- Você sabe que eu tenho muita paciência, não é? – brincou e os dois se olharam.

- Nem sei mais quem você é, Lou. Você pode ter mudado – sugeriu.

- Eu ter mudado?! – ele pareceu perplexo. – Vocês todos que mudaram. E muito! Até você, Nikki. E, olha para mim, estou no mesmo lugar, só um pouco pior. Grande merda, de qualquer jeito.

- Não precisa falar assim... – argumentou baixo e triste.

- Mas eu continuo o mesmo bosta, não é? Tanto continuo que Harry já começou a dar dura para eu ir atrás de emprego e blá blá.

- Talvez ele esteja pensando no melhor para você – deu de ombros já sentindo o efeito da droga.

A garganta começava a coçar, os olhos já ardiam devido a fumaça e o cabelo já tinha o cheiro adocicado totalmente impregnado. Além dos mais, a cabeça parecia bem maior e o mundo, por inteiro, estava mais leve nas costas.

- Ele anda pensando no melhor para você também, sabia? – Louis não permitiu que ela respondesse e continuou. – Ele ainda fala sobre você como se você fosse a maior de suas preocupações... – contou e Nicole desviou o olhar, sem saber o que pensar. – Dê uma chance a ele e o deixe ajudar porque sei que você precisa de ajuda, Nicole.

-Erm... – pensou a respeito, sobre as poucas conversas que haviam tido e como ele agia estupidamente as vezes.  - Estou chapada, Lou. Não vou lembrar – foi a única coisa que disse e a conversa pareceu acabar por ali, enquanto a erva durou muito e muito mais.

 

- Tenho apenas uma hora de almoço... – foi a primeira coisa que disse assim que se sentou à sua frente.

- Sabe... Um Oi ou um Tudo bem? não matariam ninguém, não acha? – sugeriu com um sorriso divertido no rosto, mas percebeu que ela não fez o mesmo e nem faria. – Ok, eu começo. Como você está?

- Bem... Você? – Rebecca soltou o ar e encarou o irmão.

- Normal – deu de ombros e eles ficaram em silêncio.

- Então... Você me convidou para almoçar para saber como eu estou? – questionou séria e Harry fez igual.

- Por que age como se não me suportasse? – quis saber bem rígido.

- O que isso deveria significar, Harry? – ela ajeitou-se na cadeira e Hazza pode perceber que Becky não estava confortável.

- Você parece estar aqui por pura educação e, você, nem ao menos me permitiu, desde o início, me desculpar. Seja lá onde eu tenha errado – deu de ombros e Rebecca ajeitou-se mais uma vez. – Por que?

- Harry...

- Estou falando sério, Rebecca. Somos irmãos. Somos irmãos que dividimos o mesmo dia de aniversário, quase a mesma aparência, a mesma idade, o mesmo pai e a mesma mãe. Você. Simplesmente. Não. Pode. Ignorar. Isso – disse devagar exatamente o que achava sobre a situação deles.

- Mas você fez isso por seis meses, não fez? Você sumiu. Você esqueceu que tinha uma irmã por aí e pelo mundo. E, até onde eu sei, só se lembrou dela quando lembrou do papai. Algo que também demorou um certo tempo, não é? – cruzou os braços e o encarou sério.

Silêncio.

- Quantas vezes vou precisar te dizer que eu não sabia o que fazer? Quantas vezes serão necessárias para você entender que eu tinha medo de te procurar e acabar muito mal, hein? – fez uma pausa. – Ótimo, Becky. Foram seis meses. Mas você se afastou por mais de anos. Eu sou o único errado aqui? Eu não me aproximei pensando no seu próprio bem, na sua felicidade e eu que tenho que receber toda a maldita culpa?

Silêncio.

Os olhos dela começavam a ficar vermelhos, indicando a aproximação do choro.

Droga.

- Eu... – Rebecca forçou a garganta. – Quero muito resgatar minha amizade com Nicole. E quero também muita distância de Louis... E, mesmo que em parte eu te odeie bastante e, inclusive, te culpe sim, você ainda é meu irmão mesmo, né? – disse bobamente e ele concordou rindo fraco. Mas... – deu de ombros e limpou uma lágrima teimosa. Ela nunca iria saber que por dentro Harry queria desmoronar também. – Mas eu preciso de um tempo, Hazza... Talvez muito tempo porque ainda não... Ainda não, apenas.

- Se você diz... – desviou o olhar também. – Estarei aqui, te esperando quando quiser – e ele soube que já era um começo, ao menos.

(...)

Alcançou um papel e uma caneta. Soltou o ar pausadamente e começou a anotar todas as coisas que precisava pegar.

Primeiro, as dívidas passadas. Depois, tudo que havia atrasado da quitinete. E, por último, a água, já que, por enquanto, aquele era o seu dever.

Fez uma estimativa de quanto era mais ou menos cada coisa. Alcançou seu celular e começou a fazer contas, anotando ao lado de cada item.

Ao terminar, teve vontade de demitir-se da própria vida. Ao menos que, ganhasse algum prêmio ou encontrasse algum emprego muito bom, tudo ficaria bem. Se não, novamente, enfrentaria problemas com o banco e, agora, com os amigos.

Pensou que deveria ir para Brighton resolver a vida, mas bater na porta de alguém que pensava que ela havia desparecido no mundo seria uma má ideia. Pensou, então, na mãe, e chegar neste ponto a faz afundar o corpo com força no sofá.

De fato, não lhe sobrava opções a não ser continuar onde estava, levantar-se do estofado e começar a tomar algumas atitudes. Mas, nos últimos meses, quantas vezes havia feito isso e fracassado em todas as tentativas?

Pensar nisso começou a lhe dar dor de cabeça.

- Uau... – resmungou ainda pensando no efeito da droga do dia anterior e arrependeu-se por completo por estar tão dependente e tão profunda em uma vida que não lhe cabia e não lhe fazia bem.

Encarou a tela do celular e percebeu que havia uma mensagem. Leu-a rapidamente e antes que tivesse tempo de dar importância a porta abriu-se como um furacão, assustando-a.

- Desculpa... – Harry disse assim que viu o susto que dera nela.

- Não sabia que você vinha para casa – disse baixo.

Nicole, logo, achou-se a maior idiota. Aquela parecia uma típica frase de esposa para marido, após uma briga, o que era ridículo. Hazza, no entanto, controlou-se para não sorrir, quando ela se referiu aquele lugar como casa, e começou a caminhar até o sofá, onde ela estava. Sem pensar duas vezes, permitiu que seu corpo despencasse no assento, alguns metros de distância dela.

- Última hora. Não estou com cabeça para ir ao escritório, então ficarei por aqui... – deu de ombros, abriu os olhos e virou o rosto, olhando-a. – Se importa?

- A casa é tão minha quanto sua.... À vontade – continuou no tom baixo.

No fim, o local era grande o bastante para eles ficassem afastados, portanto, pouco importava para Nikki sua presença. Ou, ao menos, pouco deveria importar.

- Saí com a Becky hoje, sabe? Ela fez de tudo para me deixar na geladeira – desabafou e repetiu para si que se ele se expôs-se, ela faria o mesmo em breve. – Isso é ridículo.

- Todos nós somos – jogou a cabeça para trás como ele fazia. – Totalmente ridículos – resmungou e coçou os olhos.

- Nicole...

Era a primeira vez que ele a chamava pelo nome. Primeira vez que ele se dirigia a ela diretamente.

Ela arrepiou-se. Da cabeça aos pés e, inclusive, fechou os olhos. Relembrou algumas das inúmeras vezes que ouvira aquele tom calmo ou, logo mais, totalmente estressado. Sempre com segundas intenções. Sempre prezando seu bem maior.

Lembrou-se de quando ele gritava com ela ou quando a chamava atrás de carinho. Pensou em tudo. Na maneira como seus lábios abriam e fechavam com a pronuncia. Em como ele fazia de um jeito totalmente único e sempre diferente.

Ah, Harry...

Ouvi-lo chamar seu nome era ainda melhor do que se lembrava.

- Por que passou quase dois anos com Niall? – virou-se e a olhou. Nikki, de olhos já abertos e totalmente desperta, mordeu os lábios e quis saber como ele conseguia ter o dom de estragar momentos tranquilos.

- Por que isso te interessa? – virou-se para ele também e os dois não romperam o contato visual.

- Você sabe exatamente o porquê.

- Já não percebeu o quanto minha vida está bagunçada, quer saber sobre como ela esteve também?! – protestou, porém mantendo o tom de voz baixo.

- Por que faz tanta questão de estar quase que o tempo inteiro dizendo que está tudo uma bagunça? – protestou junto à ela. Antes que pudessem continuar algo que talvez viesse a ser uma discussão, a campainha tocou, causando espanto em ambos.

Nikki encarou o celular e xingou-se mentalmente.

Correu para a porta sentindo Hazza à sua cola.

- Esperando por alguém? – ele arqueou a sobrancelha sem acreditar.

- Er... É. Talvez – respondeu qualquer coisa. – Deve ser do banco, não vai demorar muito. Será que pode me dar licença? – alcançou a maçaneta da porta e o olhou sério, quase implorando com os olhos para que ele partisse.

- Banco?! – fez uma careta e espiou pela janela. Carro bonito e lavado. Uma porta abriu. Um par de sapatos finos e clássicos surgiu. E, pronto para descobrir o misterioso e seu rosto, Nicole se pôs à sua frente.

- Por. Favor – pediu mais séria. Harry a observou, bem de perto, notando seu nervosismo e sua feição aflita.

Havia algo muito grande e muito preocupante envolvido naquela atmosfera.

- Tá – afastou-se e começou a ir até a cozinha. Nicole aproveitou a rápida oportunidade e abriu a porta.

- Oi, eu...

- Oi – disse rápido, interrompendo-o e fechando a porta atrás de si, fazendo Victor tirar os óculos de sol estranhando. – A casa está uma bagunça e eu cheguei faz pouco tempo... – mentiu, deu de ombros e aproximou-se dele. Virou para trás de relance tentando ver se Hazza, de fato, estava longe.

- Certo – ele assentiu e pendurou os óculos no blazer bege claro que usava. – Como você está? – colocou as mãos em sua cintura e a aproximou rapidamente.

- Indo. Tudo bem na sua casa? – quis saber logo, já que pouco estava acostumada com visitas por ali.  

- Sobre isso que precisamos conversar... – Nikki afastou-se, sem pensar duas vezes, o que fez ele olhá-la estranho de novo. – Nicole, minha mulher está começando a desconfiar das minhas saídas durante a noite... – Harry aproximou-se mais da porta, tentando ouvir tudo melhor.

Aquela voz era familiar.  

- Como é que é? – sentiu seu coração se acelerar e suas pernas tremerem. – V...

- Ela anda fazendo perguntas demais e, inclusive, checando meu celular – contou. – E, aliás, você vai ter que trocar de número e aparelho porque, senão, não sei o que pode acontecer...

- Espera, espera. Do que você está falando?! – abriu os braços perplexa.

- Sério. Isso pode ser muito tenso. Imagina se vou parar em tribunal? Se perco guarda e emprego? Nada disso pode acontecer! Aliás, não posso perder minha mulher!

- Pera aí... – tentou interrompê-lo, totalmente confusa com o drama, mas não conseguiu.

- O que eu vou fazer se ela descobrir, linda?! – aquele apelido começou a lhe incomodar. Hazza alcançou a maçaneta percebendo que as coisas ficariam piores, porém não abriu a porta. – Tenho filhos! Tenho casa! Não posso permitir que do dia para noite isso mude por sua causa.

- Mas que por.... – não terminou de falar, sem acreditar. – Minha causa?! Isso é culpa minha, então? – fez a última pergunta mais baixo.

- O que diabos está acontecendo aqui? – outra voz surgiu e, quando virou-se para trás, Nicole teve vontade de desaparecer. Percebeu de relance que Victor estava ainda mais confuso. – Senhor Bécher?! – Harry disse perplexo.

- Styles?! – e Victor quase caiu para trás.

- Er... Vocês se conhecem?! – protestou ainda mais assustada que os dois. Voltou-se para Harry e o odiou por já ter descido os degraus. – Harry, vai embora. Sério, vai embora.

- Nicole, que merda você foi dizer para esse garoto? – Victor questionou bravo.

- Opa! Pode ir com muita calma aí... – Hazza avançou e Nikki teve que segurá-lo. – Ela não disse nada!

- Me deixa cuidar disso sozinha – Nicole disse bem séria empurrando seus ombros, notando que Harry desviava o olhar dela para Victor sem parar. – Vai embora, por favor – pediu baixo, mas ele fingiu que não ouviu.

- O que esse garoto sabe, Nicole? – Victor questionou de novo e Nikki virou-se para ele. – Hein? – aumentou o tom fazendo Hazza ficar nervoso. – E o que vocês são, aliás?

- Nós... – Harry estava pronto para dizer, mas foi interrompido.

- Ele não sabe nada – Nicole falou baixo. – Não sabe de nada, por isso nem se preocupa. E ele é o... – encarou Hazza rapidamente, mais que confusa. – Melhor amigo do meu irmão, só isso.

- O q... – Harry estranhou, mas ficou quieto assim que Nikki pisou em seu pé, propositalmente.

- E agora ele vai fazer o favor de se mandar – voltou-se brava para o garoto. – Cai fora daqui, Harry! Tô falando sério – começou empurrá-lo em direção à porta.

- Não posso acreditar que você está fazendo isso... – disse enquanto andava para trás. Encarou o homem e ela, sabendo, perfeitamente, do que aquilo se tratava. – Não posso mesmo acreditar, Nicole!

- Cala a boca e cuida da sua vida – abriu a porta e o empurrou para dentro.

Hazza só não voltou porque conhecia aquele tom dela. Sabia que ela estava mais do que brava e próximo de chorar. Só havia visto-a daquela maneira algumas vezes, já havia aprendido, e não precisava vivenciar de novo. Por isso, entrou e encostou a cabeça na porta, a todos ouvidos.

- Ele é meu aluno... – Victor finalmente esclareceu deixando-a perplexa. – E se ele abrir a boca...

- Ele não vai – repetiu firme. – Ok? Ele não vai, fique tranquilo.

- Eu vou embora – fez pouco caso de suas palavras. Aproximou-se dela rapidamente, beijou sua testa e afastou-se. – Mude de número logo e me ligue. Não vá mais a faculdade e fique de olho no bar também, ela pode descobrir – mandou sem demandas, adentrou o carro e baixou o vidro. – Você é linda – e foi-se.

 Nicole soltou o ar que segurava, passou a mão pelos olhos e respirou fundo.

Deus, onde estava indo parar?

Permitiu que o peso de suas pernas soltasse e, com isso, acabou se agachando, ali no jardim mesmo. Mordeu os lábios segurando o choro.

As palavras esposa, filhos, tribunal e emprego entraram na sua cabeça com força e um mar de devaneios lhe percorreu.

Precisava resolver sua vida, apenas.

- Ele é casado – Hazza disse entredentes, assim que ela adentrou, fazendo-a ter preferido ficar lá fora por mais tempo. – Ele tem filhos. E. Ele. É. Casado. Muito bem casado, na verdade!

A ideia de ela ser amante de alguém, de alguém que ele conhecia, lhe corria a alma.

- Poxa hein, muito obrigada! Eu nem tinha essa informação ainda! – respondeu ironicamente e cruzou os braços já sem paciência e estressada apenas com sua voz.

- Como pode estar fazendo isso? – Harry protestou bem alto. – Como diabos pode estar fazendo isso, Nikki?! E você ainda reclama, nossa! Diz que está cheia de problemas, mas olha como se relaciona com as pessoas...

- É... – assentiu e sentiu os olhos se encherem d’agua. Deixaria ele falar e falar e falar e falar. – Continue a me julgar, Harry. Como você sempre soube fazer!

- Olhe para você! Ficando com um cara casado? Com um cara que é professor de universidade e tem uma família? É isso que você quer? Porque, se for, sim eu vou te julgar e muito! – continuou com o tom alto e bravo.

- Você nem me conhece! – protestou junto.

- Mas eu sei sua história! – apontou para seu corpo e, por um momento, ela sentiu-se humilhada. – Você está fazendo a mesma coisa que prometeu nunca fazer comigo! Você está fazendo a mesma coisa que destruiu a minha família! Está fazendo como Jordan, aquele que você odiou sempre!

- Ok, ótimo! Obrigada novamente por me lembrar de tudo isso! – começou a chorar, por tudo, sem aguentar. – Arg! – o empurrou forte, com raiva por ele sempre estragar tudo, mas Hazza segurou seus pulsos. – Me solta – pediu olhando para o chão.

- Não.

- Não me toca então, Harry! – o empurrou novamente e ele recuou, sem entender, completamente triste. – Você é o culpado disso, ok? Você é o culpado por eu ser o que eu sou! E por estar tudo uma merda!

- Por quê? – já sabia onde iriam chegar e não estava pronto para ouvir aquelas palavras novamente, mas precisava, de algum jeito, ir afundo com aquilo.

Ele não havia superado ela. De nenhum jeito e de nenhuma maneira.

- Porque eu fiquei esperando malditos quatro anos por você! Eu não tomei medidas porque você disse que viria atrás de mim! – começou a jogar tudo na cara dele, tudo que tinha para dizer há muito tempo. E, enquanto isso, o olhar de Harry foi se entristecendo mais. – Você é o culpado por eu ter ficado dois anos com Niall porque foi você que pediu para eu ser feliz com ele e você, inclusive, era o culpado de todas as minhas brigas com ele! É tudo sobre você porque você não cumpriu sua promessa comigo!

- Nikki... – fungou e teve uma vontade tremenda de correr até ela e abraça-la, mas segurou-se.

- E olha para nós agora, Harry! Aqueles que um dia juraram nunca se machucar por alguém... Você tem problemas para dormir e eu estou dormindo com um cara casado – disse séria e fungou também. – Eu contra o meu mundo e você contra o seu. Ótimo, Harry. Parabéns, tudo isso é perfeito! Era exatamente esse o plano que eu pedi para você fazer quando tudo aconteceu.

Silêncio.

- Deixa eu te ajudar... – pediu fraco, com a voz murcha.

- Não – negou enxugando o rosto. Sentia-se a maior idiota por estar chorando. Principalmente, por estar chorando a frente dele.

- Por quê? – aproximou-se.

- Porque... – não havia uma boa justificativa. Não havia nada pareo para afastá-lo ainda e Nicole odiava isso. Não haviam tido uma briga e um rompimento, como era o caso de Rebecca e Louis. Era um grande desencontro, eram vítimas do destino e da vida, mas, ainda assim, ela não podia perdoá-lo por a ter deixado partir tão facilmente.

- Nikki... – ele aproximou-se um pouco e ela abaixou a cabeça sentindo a raiva aumentar mais e mais. – Nicole e o que eu te disse no telefone? Aquelas últimas coisas, você não se lembra?

- Minha vida está uma merda, Harry. Acha mesmo que compromissos envolvendo amor farão alguma diferença? – descruzou os braços e o olhou sério.

Deveriam fazer, pensou.

- Me deixa concertar isso – Harry aproximou-se de novo sem pensar duas vezes, quase colando os corpos deles. – Me deixa dar um jeito em tudo.

- Você pediu para eu te esperar... – relembrou enxugando os olhos. – Você disse que seria eu e você contra o mundo, mas deixou ele inteiro cair nas minhas costas, Harry... – tomou coragem e o olhou nos olhos.

Como havia sentindo falta deles e como odiava-os ao mesmo tempo!

- E você esperou. E aqui estamos agora! Eu te encontrei, Nikki. Isso não é ótimo? – aproximou-se mais e teve vontade de tocar o rosto claro dela, mas conteve-se. – Sempre concertei sua vida, posso continuar a fazer isso...

- Você deixou de fazer parte dela, Harry. Ai está o nosso problema – afastou-se e correu escada acima.

 

 

 

 


Notas Finais


UHUUUUUULESSSSSSSS! Batatinha assou por aqui, não? Convenhamos, não está sendo muito fácil para ninguém nesse enrola-enrola de PM, né? E GENTE MEU DEUS, VICTOR É O PROFESSOR DO HAROLDO! Alguém esperava por essa? Só tenho a dizer que muita muita muita coisa ainda vai acontecer e espero muito conseguir contar com vocês por aqui <3 Até agora, bom, ruim, péssimo, perfeito? ME DIGAM TUDO!

Quero postar PM dua vezes por semana. O que acham? Vocês leriam/gostariam? Acho que segunda mesmo eu conseguiria trazer capítulo novo a vocês :) Apesar de doer muito dizer isso, eu adoraria terminar a fic nessas férias porque sei que depois conseguir tempo vai ser insano o o o o o. Mas vamos ver, né? Me digam o que ficaria melhor para vocês! E me digam o que estão achando, é claro <3

SPOILER DO CAP 52 - O capítulo é feminino haha e uma certa pessoa vai arranjar um bom emprego e não vai deixar uma segunda pessoa muito contente com isso! Ai ai ai aiiiiiii. Veremosssssss hehehehe.

Estaava com saudades, mesmo, e, agora, nota-se hahaha, eu voltei pra valer. VEM FÉRIAS, VEM VERÃO, VEM PERFECT MISTAKES HAHAHAHA. Espero ainda contar com uma galerinha fiél por aqui <3

Aproveitem a vida, nos vemos semana que vem, obrigada por tudo e MUITA PIZZA PARA TODO MUNDO HEHEHE


FUUUUUUUUUUUUUUUUUUUI
XxLuh :)


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