História Perfect Partner - Book Two - Capítulo 63


Escrita por: ~

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Palavras 3.641
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá beautiful people 😉
Desfrutem o capítulo.

Capítulo 63 - Tricks


Fanfic / Fanfiction Perfect Partner - Book Two - Capítulo 63 - Tricks

Tricks 

 

BRENDA 

 

Pelo caminhar da carruagem, dessa vez, os meus planos dariam certo e sem muito esforço. 

Gabe e Noah tinham discutido e por conta disso o mesmo passou por maus bocados. Apesar de não ser ele o meu alvo, essa discussão foi necessária para articular os próximos passos do meu plano e como dizem, Noah mais uma vez foi um dano colateral.

Às vezes,  eu até me compadecia de sua situação ... mas era tudo por uma causa maior.

Paralelamente, a situação do filhote da romena, parece ter se complicado. O que me surpreendeu foi a demora de perceberem que há algo de errado com a recuperação dele.

Nem mesmo a fisioterapeutazinha notou ... que ótima profissional !!!

Aliás, preciso reforçar alguns detalhes para que nada mude, a não ser que seja para pior. E é pelo que estou pagando e muito caro !!!

Liguei para a responsável para garantir que as coisas continuem caminhando dentro dos conformes. 

- Dra. Bailey, como vai ?

- Senhora Montgomery, eu ia mesmo entrar em contato. 

- Novidades ?

- Sim, a esposa do seu sobrinho durante a consulta fez vários questionamentos, me pareceu muito preocupada. – disse com voz trêmula – Inclusive disse que vai buscar uma segunda opinião. 

- Mas à  essa altura, não há muito a ser feito, certo ?! -falei com certa irritação. 

- Não. Porém, qualquer outro médico dirá que houve um diagnóstico errôneo e que ele deveria ter feito uma cirurgia. – justificou – Qualquer residente sabe que esse é o tratamento no caso de uma fratura fragmentada, que era o caso dele. Eu posso perder minha licença ...

- A Dra. não parecia tão cheia de escrúpulos, quando a contatei e muito menos quando aceitou a vultosa quantia que lhe dei.- respondi ironicamente. 

- Contudo, eu não imaginei que a senhora fosse envolver até a fisioterapeuta nesse plano, as consequências podem ser mais graves, do que pensei a princípio !!! – exaltou -se – Se ele estivesse fazendo os exercícios corretos...

- Limite – se a fazer a sua parte, Dra. Bailey. – interrompi em um tom cortante – Quando é a próxima consulta? 

- Amanhã. – murmurou – Eles vão trazer as ressonâncias que eu pedi, para avaliação. 

- Muito bem. – falei categoricamente – Você vai dizer que não há nada de errado, que cada organismo tem um tempo de recuperação diferente e pode até reforçar que ele procure outras opiniões ...

- A senhora enlouqueceu ?! – me interrompeu apavorada.

- Não. -disse impaciente – Mas você parece que além de enlouquecer, emburreceu também. Por acaso, esqueceu com quem está falando ?!

- Não. Desculpe – me.

- Pois muito bem, faça o que estou dizendo e organize sua documentação, em breve você irá fazer uma especialização em um dos melhores hospitais de Zurique. Só precisa, seguir o combinado, ok ?

- Ok. Mas a senhora está ciente das consequências ...

- Não se preocupe. – interrompi mais uma vez, crises de consciência me davam enjoo – Apenas faça sua parte e deixe que eu cuidarei do restante. 

- Está certo, senhora Montgomery. Assim que eles saírem daqui, a informarei. 

- Ótimo, Dra. Bailey.  Muito melhor assim. 

Desliguei e logo  tratei de reforçar o meu acordo com Bel, a fisioterapeuta que trabalha na clínica da minha querida nora. 

Contudo, a mesma se sentiu preterida e deixada de lado, quando Jade não lhe ofereceu sociedade. E principalmente, quando a sobrecarregou de responsabilidades, mas não reconheceu seu esforço. 

E a inveja e o ressentimento, tornam o terreno fértil para cultivar a traição. E foi o que fiz, só precisei me aproximar e com a conversa certa, descobri tudo o que precisava. 

E o melhor é que a tola acreditava ser minha confidente e amiga !!! 

Eu me queixava do comportamento hostil de Jade, alimentando sua raiva. Afinal, onde já se viu uma esposa que quer separar a mãe do próprio filho ?! Convencê – la a alterar o tratamento de Ethan, já foi mais difícil. Porém, quando prometi ajudá – la a conquista -lo e obviamente abrir uma clínica muito melhor e maior do que a de Jade, conquistei sua colaboração irrestrita. Aliás, eu já havia dado à ela também, uma boa soma. Apenas para mostrar do que sou capaz. 

E agora só preciso garantir que ela continue fazendo sua parte.

- Bel querida, Brenda. -disse com um tom triste,  assim que ela atendeu – Atrapalho ? 

- Brenda !!! Imagine, de forma alguma !!! – respondeu surpresa – Está tudo bem? 

- Na verdade, não ... estou tão preocupada, Bel. Precisando conversar ... -me interrompi propositalmente – Mas não foi para isso que te liguei !!! Tenho dois ingressos para o show do Bruno Mars e pensei se você não os quer ? Afinal, é jovem ...

- Brenda, como posso pensar em show, sabendo que você não está bem? – sorri frente a tamanha ingenuidade – Nós somos amigas há pouco tempo, mas eu gosto muito de você. Por favor, se abra comigo !!!

- Bel, você é uma querida e eu não quero sobrecarrega – la com meus problemas familiares ...

- Eu estou me oferecendo para ajudar !!! -insistiu – É isso que os amigos fazem uns pelos outros. 

- Então, não me farei mais de rogada e aceitarei sua ajuda. – tão facilmente manipulável – Você está na clínica? 

- Não. Hoje me dei o dia de folga, estou em casa !!! – disse com rebeldia – Estou cansada de carregar tudo sozinha. Jade não ia trabalhar de novo, parece que o seu filho ainda inspirava cuidados. 

- Entendo. Então passo aí dentro de vinte minutos,  pode ser ?Assim, tomamos um drinque e almoçamos. 

- Claro !!! Estarei pronta .

- Até daqui à pouco, querida. 

- Até, Brenda. 

Assim que desliguei, fui para o meu quarto e me troquei, enquanto pensava em como algumas pessoas são medíocres. Se não se deixam manipular pela ganância, são facilmente manobradas pela inocência, pelos bons sentimentos.

Idiotas !!! 

Durante  o trajeto curto até a casa dela, em que fiz questão de dirigir, fui preparando o discurso comovente. Contudo, talvez nem fosse necessário fazer uso do mesmo, já que ela está desesperada em me agradar.

Ela já me esperava no hall do prédio simples e agradeci aos céus por não precisar descer para chamá – la. 

Até que ela não era tão idiota, afinal !!!

- Oi, Brenda. – disse entrando no carro e me dando um beijo no rosto – Você está abatida. 

- Olá Bel, também com tantas preocupações ... – respondi, tentando disfarçar o asco pelo contato – Mas você em compensação, está ótima !!! O que um dia de descanso não é capaz de fazer !!!

- Ah, me rebelei !!! Tudo sempre nas minhas costas e quando eu achei que ela fosse reconhecer minha dedicação, minha lealdade, simplesmente fui ignorada. Pois muito bem, agora que se dane !!! – a mágoa em suas palavras era latente – Vou cuidar da minha vida e tornar meus sonhos reais.

- Faz muito bem, Bel. – incentivei sua raiva – Até porque se durante todo esse tempo de convivência e amizade, ela não reconheceu tudo o que você fez por ela, não fará mais. E depois, ela sempre foi dedicada às minhas outras noras, porque eu considero a esposa de Ethan minha nora também, apesar de acha -la uma mercenária . São grudadas ...olha, eu contando notícia velha. 

Dei uma risada e observei quando a expressão dela fechou de vez.

- Eu sei muito bem. A Liv, com aquela falsa doçura, sempre esteve no meu caminho. – ao pronunciar o nome de Liv, ela emanava ódio – A Gabi sempre foi a mais bacana, direta. Já a princesa era cheios de não-me-toques e sempre dava um jeitinho de afastar Jade de mim e da turma. 

- Entendo. E agora, ela cismou que há algo de errado com Ethan e já passou até em consulta com a Dra. Bailey. – soltei a bomba e esperei ela sua reação. 

- E ela só percebeu agora ?! Mas com quem ela falou, com a Jade ? – disse trêmula – De qualquer forma, antes de chegar em mim, vão questionar o diagnóstico errôneo da médica. Eu apenas elaborei um plano de fisioterapia de acordo com o diagnóstico que tinha em mãos. 

 

 

Já acomodadas em um restaurante e com nossos pedidos devidamente servidos retomei o assunto :

- Aí é que está o problema, Bel- disse tomando um longo gole do meu martini – A Dra. Bailey está com medo e pode nos entregar a qualquer momento. E você sabe, que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco ...

- Brenda !!! O que você quer dizer ?! – perguntou aflita.

- Que ela provavelmente, vai jogar a culpa em você !!! Dizer que os exercícios que você aplicou, prejudicaram a recuperação dele. Essas coisas, que aliás são verdadeiras. 

- Mas você me pediu ...

- Sim, eu sei querida. – segurei a mão gelada dela por sob a mesa – Mas em quem, você acha que as pessoas vão acreditar ?! Por isso, eu preciso saber se posso continuar contando com a sua lealdade, seremos nós duas contra ela.

- Claro !!! Sempre !!! – respondeu sem pestanejar .

- E preciso de mais uma coisinha ...

- O que estiver ao meu alcance.

- Eu já te expliquei o porquê de estar fazendo isso com Ethan, mas parece que a tal Olívia está disposta a separa -lo da família, isola – lo. Tudo por dinheiro !!! Mas eu sei que se ele, tiver qualquer problema de saúde ela vai abandona – lo, assim como fez com o outro noivo que teve. Aquele bombeiro que você conheceu – disse relembrando o argumento que utilizei para convence – la – E depois que conseguirmos livra- lo dessa parasita, você vai ajudá-lo a se curar... mas por enquanto, faça tudo para piorar a lesão, Bel.

- Brenda, eu entendo. Mas nós corremos o risco que se torne irreversível.- falou preocupada - Ou até aconteça coisa pior.

- Meu Deus !!! Coisa pior ?! – repeti arregalando os olhos – Que tipo de coisa ?! Eu não quero prejudica – lo. Ele é como um filho para mim !!!

Lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos, enquanto eu aguardava ansiosamente pela resposta. 

- Eu sei querida, que você só quer o bem dele. Mas o membro se mal manipulado, como no caso de Ethan que precisava ter passado por uma cirurgia para correção e não fez,  teve o membro imobilizado de forma completamente errada e a fratura calcificou de maneira errada também, pode fazer com que ele perca completamente a mobilidade por desenvolver uma artrose pós -traumática. 

- Meu Deus, não !!! Eu só quero que essa interesseira dê o fora da minha família e que você seja minha nora, Bel.

A da maneira mais doce possível. 

- Eu vou fazer o seguinte : vou pegar mais pesado nas próximas sessões, ok ? Tudo o que mais quero é ser sua nora e cuidar daquele príncipe. 

- Perfeito. E quanto à Bailey, deixe comigo. 

- Ah, Brenda !!! Eu  te adoro, você é minha fada madrinha !!!

Rimos e passamos a conversar sobre trivialidades. 

 

 

Depois de deixar Bel em casa, satisfeita com meu dia, fui conferir minha correspondência. E ao abrir o primeiro envelope, um gosto amargo invadiu a minha boca.

- Alfred !!! O que significa isso ?! – perguntei irada ao olhar o envelope da carta que não continha remetente, nem selo, indicando que tinha sido entregue em mãos. 

Olhei mais uma vez o conteúdo e antes que um Alfred atordoado pudesse responder, coloquei tudo de volta no maldito envelope e saí como um raio.

Eu vou quebrar todos os ossos de Noah com as minhas próprias mãos  !!!

 

ETHAN 

 

Depois de sessenta longos dias de imobilização e um mês de tortura, quer dizer fisioterapia, achei realmente que estaria andando melhor e com menos dores. Mas está acontecendo justamente o contrário e depois do comportamento estranho de Liv, comecei a me preocupar. 

A troca de olhares com Jade, a insistência para que eu repouse e evite esforços, sendo que antes quando tirei a imobilização só faltou me colocar para correr uma maratona. E toda vez, que eu reclamava de dor, dizia ser frescura, manha ...

Reconheço que não fui um amor de pessoa durante todo esse tempo, mas Liv parecia impaciente a maior parte do tempo, o que me fazia ter vontade de irrita – la mais  ainda. Afinal, quem estava preso à uma maldita cama era eu e por que, ela estava de mau humor ?!

Enquanto todos se desdobravam em atenção e carinho, ela parecia se afastar mais e mais. 

Somente quando estávamos à sós, eu tinha minha princesa de volta. Aí então, ela se desmanchava em cuidados, me mimava e parecia ler meus pensamentos. Contudo, bastava alguém chegar e ela se transformava na Olívia impaciente. 

Minha mãe chegou a dizer que ela estava com ciúmes, mas descartei essa hipótese. Ciúmes da nossa família ?!

Depois da consulta com a Dra. Bailey, em que as duas se exaltaram e eu fiquei sem entender a razão, fiquei mais confuso e temeroso ainda.

 

FLASHBACK ON

 

Chegamos ao consultório e logo fomos atendidos. Porém, a Dra. Bailey parecia tensa.

- Ethan, Olívia, como vão ? – nos cumprimentou , esperando que nos sentássemos antes de fazer o mesmo.

- Bem. -disse, olhando para Liv que apenas assentiu.

- Mas ... ? – insistiu. 

- Dra. , eu percebi que Ethan tem tido dificuldades para andar, mesmo depois de um mês de fisioterapia intensiva. E tem sentido muitas dores. – Liv falou direta – E nós gostaríamos de fazer novos exames, saber se há algo de errado ...

- Olívia, antes de tudo devo lembra- la que a fratura que ele sofreu foi grave e em cima de outra mal calcificada. – ela interrompeu desconfortável – E que um mês de reabilitação é pouco para exigir, que ele esteja andando normalmente. Mas eu compreendo sua preocupação, porém, não podemos afirmar que há algo de errado ...

- Desculpe, mas eu sinto que tem algo errado e quero que sejam feitos novos exames !!! – rebateu exaltada – Se estiver enganada, melhor !!! Mas só vou ficar tranquila, com esses resultados em mãos. 

- Olha, se está duvidando da minha capacidade, fique à vontade para consultar outras opiniões ...

- Dra. Bailey, nós não duvidamos da sua habilidade ... – tentei intervir, mas Liv corada falou ferina.

- Não tenha dúvida que consultaremos outros especialistas, mas apenas para validar o que já nos disse. Afinal, se duvidássemos da sua competência, não estaríamos aqui.

Elas se encararam por alguns instantes e por fim a médica, cedeu :

- Olívia, me desculpe. Eu também agiria da mesma maneira se visse meu marido sofrendo. – disse com um sorriso fraco – É que tenho estado sobre muita tensão e por um momento achei que você estivesse questionando minha conduta profissional. 

- Tudo bem, Dra. Bailey. Porém, eu realmente estou preocupada. – insistiu, me olhando – Ele evita de reclamar para mim, mas sei que têm sido dias e principalmente noites, muito difíceis. 

Eu permaneci silencioso, observando minha princesa me defender com unhas e dentes.

- Entendo. Bem vamos lá, Ethan. – A médica disse levantando – se e calçando um par de luvas .

Me dirigi à maca no canto do consultório, tirei os sapatos e as meias e me deitei.

Tenso. 

Era assim que estava me sentindo. Da última vez, Jade me examinou e passei a noite em claro, de tanta dor. 

Ela iniciou o exame com delicadeza e estava indo tudo bem, até que ela fez movimentos circulares e de vai- vem, o que comumente usamos para caminhar, subir escadas, atividades simples do cotidiano. 

Puta que pariu !!! Vi constelações inteiras !!!

O que estava acontecendo ?!

Não pude evitar um grunhido de dor e de instintivamente puxar o pé das mãos dela.

- Ethan, de zero a dez ...

- Mil !!! – disse  nervoso.

Que merda de classificação é essa ?! Quem foi o idiota que a inventou ?!

Minha vontade era de xingar até a última geração desse imbecil.

- Certo. – falou retirando as luvas – Pode se calçar. 

Me sentei na maca trêmulo e sentido o suor escorrer pelas minhas costas. Liv veio em meu auxílio e me calçou como se faz como uma criança, em seguida me ajudou a ir para a cadeira em frente à  mesa da médica que digitava freneticamente. 

- Bem, Ethan seu grau de dor está igual ou até pior do que à época da fratura. E para saber exatamente o que está acontecendo, preciso que você realize novos exames de imagem. – a segurança com que falou, pareceu trazer certo alívio para Liv – Assim que realizá -los, volte para que eu possa avaliar. Por enquanto, vou imobilizar novamente o seu pé, para evitar novas lesões ...

- Ah não !!!! De novo não !!! – explodi irritado, deixando as duas me olhando atônitas – Eu não aguento mais isso !!! Ter meus movimentos limitados, parece castigo !!!

- Ethan é para seu bem ... – Liv começou a falar.

- Não. Chega disso !!! E depois como vou fazer os exames ?

- Essa imobilização é diferente, não leva gesso. Você vai poder colocar e tirar, até descobrirmos o que está havendo. Se há um problema e qual é. – Dra. Bailey  falou calma, parecia bem  mais confiante – Ou é só o seu organismo que está se recuperando mais lentamente do que o esperado. 

Fiquei em silêncio, enquanto ela providenciava a tal imobilização e uma medicação para dor.

Liv por sua vez, agendou para o meio da tarde mesmo os exames, ligando do próprio consultório sem se importar com a médica. 

Que inferno !!!

Depois que quase morri e fiquei com o lado direito comprometido, prometi a mim mesmo valorizar cada gesto, se conseguisse recuperar meus movimentos. E graças a Deus e todas as promessas que tenho certeza todos fizeram, me recuperei totalmente. Em outra brincadeira de mau gosto do destino, caí de um andaime e aparentemente não  havia fraturado nenhum osso.

Saí ileso. 

Ethan 2 X  Azar 0.

E esse acidente tinha tudo para tornar um dos meus piores medos realidades, eu não queria ser olhado com piedade, como vi muitos olharem para Noah e para tantos outros portadores de deficiência . Já bastava a maldita asma que me impediu de ser bombeiro.

Lá no fundo, o meu maior temor era me tornar dependente da ajuda de outras pessoas de forma permanente. E apesar de sempre ter apoiado Noah, a enfrentar seu prognóstico, não conseguia me imaginar lidando com qualquer tipo de deficiência. 

Uma coisa é você ficar temporariamente fazendo uso de muletas, precisar de ajuda para coisas simples. Outra é viver isso diariamente, dormir e acordar com essa realidade terrível. 

Justamente por me sentir assim, contribuía com uma ONG doando horas de trabalho e uma quantia substancial, para a construção de casas adaptadas para deficientes físicos. E sempre acreditei não ter nenhum preconceito, mas daí a me tornar um ... 

Rechacei esse pensamento descabido e enquanto a enfermeira aplicava a injeção, Dra. Bailey e Liv conversavam amigavelmente. 

Logo após, a própria médica colocou a imobilização e explicou a Liv como fazer o processo, que era meio complicado e bem doloroso por sinal, já que meu pé ficava em um ângulo estranho. 

Medicado, usando muletas e de extremo mau humor,  me despedi da Dra e sai do consultório na frente. 

Liv me alcançou no hall dos elevadores e tentou puxar assunto :

- Acho que as circunstâncias não favorecem uma corrida.- disse com um sorriso sarcástico, me olhando de cima a baixo. 

Me limitei a fuzila – la com meu olhar. 

Eu queria saber onde ela estava conseguindo ver algum humor nessa situação. 

- Desculpe , bebê – falou enquanto entrávamos no elevador – Fui uma idiota. Eu estou preocupada e ...

Quando a encarei, os olhos dela estavam marejados e ela mordia os lábios tentando segurar o choro.

- Ei, tudo bem – A puxei me encostando na parede do elevador – Vai ficar tudo bem. 

Ela ficou nas pontas dos pés e me beijou. 

Primeiro castamente e senti o gosto salgado de suas lágrimas, mas logo a paixão nos dominou e se não fosse um pigarrear, teríamos ficado no elevador envolvidos naquele beijo. 

- Ethan,  eu te amo e você não sabe o quanto. – me disse, antes de ir buscar o carro para que fôssemos embora. 

 

FLASHBACK  OF

 

 

Como tínhamos algum tempo antes de realizar os exames, paramos para almoçar  em um bistrô aconchegante e namoramos, como há muito não fazíamos. 

Conversamos, rimos e eu relembrei o porquê de ser tão loucamente apaixonado por Olívia. Seu encanto, sagacidade, humor e claro sua beleza radiante. 

Na hora marcada chegamos à clínica e realizei os exames rapidamente. Contudo, voltei a sentir dor, já que foi necessário colocar meu pé em diversas posições. 

Ao final, tudo o que eu mais queria era ir para casa, tomar um banho e dormir até não poder mais.

 

 

 

Mas claro que meu desejo não foi atendido, dona Ileana e o senhor Richard Montgomery estavam brincando com Alice, nos esperando chegar.

Meu pai tinha uma expressão cansada, de quem já  havia desistido de argumentar. E minha mãe, apesar de estar com Ali no colo, não escondia a angústia.

Mal me viu, ela entregou Ali para o meu pai e correu na minha direção :

- Pequeno !!! Meu amor, sabia que havia algo de errado !!! – me abraçou, quase me fazendo perder o equilíbrio – Eu disse Richard !!! Coração de mãe não se engana ...

- Mãe, eu estou bem ...- tentei dizer, mas foi inútil. 

- Como bem ?! Vem Liv, vamos ajudá – lo ... -  pegou Liv que estava sem reação pela mão – Meu pobre dragã * ...

- Lilly, ele não é mais um men...

- Cuide da minha preciosa, Richard. – interrompeu meu pai e saiu marchando na frente, seguida por Liv que deu de ombros e sorriu.

Sem outra alternativa, olhei para o meu pai que sorriu, derrotado. Então as segui.

Com certeza, eu farei tudo, menos dormir. 

 

 

 


Notas Finais


* dragã em romeno quer dizer querido.
Beijos de luz Amorecos 😙😙😙


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