História Perfeição - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O
Tags ?2concursoexofanfics?, Baek Hétero Pq Sim, Baeksoo, Chansoo, Dtehospital, Menção Sekai
Exibições 109
Palavras 5.065
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Heey!!!!! Então, essa o.s é pro concurso 2 concurso exo fanfics e eu demorei pra postar pq eu estava -estou- em época de provas, ansiosa pra caramba e não tava dando nada certo.
É uma Chansoo pq chansoo é uma coisa maravilhosa e tinha que ter uma MÍNIMA menção sekai pq não sou eu se não tiver.
O nome era pra ser Perfeito, só que uma fic que eu AMO se chama perfeito (uma da bloodmary-recomendo que leiam)
Eu tentei fazer um tema diferente do que eu geralmente escrevo, espero que tenha ficado bom -q
AHHHH! Não sei se alguém vai entender essa referência, mas um médico ali se chama Jian Zhi shu e ele é o carinha de It started with a kiss e they kiss again (a versão taiwanesa de itazura na kiss).
Enfim, chega de enrolar que isso aqui está longo
Obrigada @Mavvi pela capa lindona e maravilhosa! <3 vc salvoiu minha vida com essa capa <3 <3 <3

Boa leitura a todos.

Capítulo 1 - Capítulo único


 

Kyungsoo pressionou forte o polegar esquerdo sobre a pele clara do pulso direito e respirou rapidamente, olhando para o café quente em cima da mesa da lanchonete do hospital. Ultimamente, esses métodos de pontos de pressão e a tentativa desesperada de liberar adrenalina em seu organismo para  manter-se acordado não funcionava mais, assim como a cafeína. E ainda só estava no segundo semestre do internato, não sabia quanto tempo mais aguentaria antes de ser internado por exaustão. Céus, há quanto tempo estava ali? Não sabia, parara de contar após as longas setenta e seis horas sem poder de fato dormir. 

Só queria dormir decentemente por algumas horas, não era pedir muito, era? Bufou impaciente, passando as mãos pelo rosto cansado. Seria um médico de merda se continuasse desse jeito.  

Estava quase terminando o café quando seu superior (fazia questão de deixar bem claro que o chamava assim contra sua vontade), Byun Baekhyun, aproximou-se de si a passos lentos e arrastados, que só alguém que trabalhou durante dias seguidos poderia dar. 

Ainda que estivesse todo cansado pelo trabalho, Baekhyun conseguia ser injustamente belo. Kyungsoo se perdeu por um momento em suas feições delicadas. Estava todo de branco, com o jaleco pendurado no ombro esquerdo de modo desleixado. O rosto um tanto inchado pelo sono, os olhos caidinhos, como sempre, brilhavam com seu entusiasmo característico e eram tampados pelo cabelo castanho claro liso. E a boca... era pequena e bonita, quantas vezes desejara beijá-lo? Já perdera a conta de seu desejo. 

-Você está péssimo, cara –Comentou forçando uma risada baixa- Tá parecendo um zoombie.  

Não se importava nem um pouco de dizer coisas parecidas ao mais velho, afinal, Baekhyun era seu melhor amigo desde que se entendia por gente. O amigo era bonito, mais do que gostava de admitir para si mesmo. Conheceram-se ainda crianças, quando os Do se mudaram para a casa ao lado da dos Byun. Kyungsoo não passava de uma criança emburrada, reservada e quieta demais para seus cinco anos de idade, já Baekhyun era seu total oposto, com seus oito anos e meio, era completamente hiperativo, não parava quieto um minuto sequer e era bastante comunicativo. Não demorou muito para que Baekhyun, com seu jeitinho carismático de ser, arrastasse Kyungsoo para sua bagunça particular de sua efêmera existência. E com seus quinze anos já era capaz de afirmar com certeza que, sim, gostava de garotos e, sim, estava apaixonado pelo melhor amigo. Evidentemente, não funcionou, o Byun era heterossexual apesar dos traços delicados e intimidades demais que confundiam Kyungsoo, e não demorou nem dois meses para que arranjasse uma namorada, logo após a confissão do amigo. 

Demorou muito tempo para que se sentisse totalmente livre da dor e decepção de ser rejeitado, mas às vezes ainda sentia o sentimento ali, pouco, mas ainda presente. 

-Você não tá muito diferente, sabe? -O mais velho revidou, abrindo um sorriso largo e cansado- Tá é muito parecido com aqueles corpos da aula de anatomia. E está com o mesmo cheiro também. 

-Então estou com cheiro de formol, seu idiota. 

Kyungsoo revirou os olhos fazendo uma careta irritada enquanto ouvia a risada escandalosa e espalhafatosa do outro. Era um idiota mesmo.  

Soltou o ar pesadamente, sendo seguido por Baekhyun, estavam no mesmo estado deplorável de exaustão. 

-Passei aqui só pra falar que já estou indo pra casa mesmo. Meu turno acabou de acabar. 

-Troca de turno comigo- resmungou numa espécie de choramingo, mesmo sabendo que aquilo estava longe de acontecer. 

Baekhyun soltou uma risada alta característica de si, rindo com vontade da situação do amigo. Gostava de fazer aquilo para irritá-lo. 

-Nem. Vou pra casa agora, tomar um banho quentinho e gostoso, puxar um ronco e só acordar quando meu corpo estiver todo dolorido –disse com um sorriso irônico no rosto. 

Ah, Baekhyun adorava o provocar. Kyungsoo restringiu-se a lhe lançar um olhar feio, indignado com o fato do amigo descansar e ele continuar ali.  

-Tchau, Kyung. Vou ter que te deixar aqui sozinho, foi mal. 

-Tchau, hyung. 

Sorriu seu típico sorriso retangular quando Baekhyun direcionou sua mão ao topo de sua cabeça, embolando os fios castanhos nos dedos, depositando ali um carinho mudo com seus dedos longos e elegantes. 

�� 

Estava sozinho novamente. Não era tão ruim quanto algumas pessoas gostavam de reclamar. Olhou para o relógio preto e circular pendurado na parede branca do local e soltou um resmungo. A próxima paciente só chegava em quarenta minutos. Poderia ter ido embora, tomado um bom banho e, finalmente, dormido um pouco que fosse. Entretanto, os horários dessa última semana foram os piores possíveis, não deixando tempo para que fosse para casa e descansasse, já que morava longe. 

Quarenta minutos era um tempo muito bom, considerando que poderia cochilar um pouco, só não sabia qual seria a reação de seu superior e supervisor. Mas então decidiu que sim, ele poderia dormir um pouco ali, ninguém se importaria de se alimentar com um projeto de médico descansando por ali. Com esses pensamentos em mente, Kyungsoo se permitiu debruçar sobre a mesa clara, acolhendo o rosto inchado pelo sono nos braços finos do modo mais confortável que conseguiu, respirando pesadamente e cerrando as pálpebras já pesadas. Soltou um suspiro longo, feliz por estar descansando, afinal, quando a paciente chegasse, seu professor o chamaria. 

Sentiu os músculos tensos se relaxando aos poucos, a dor de cabeça estava quase em seu fim e já estava em um estado de se estar meio dormindo, meio acordado, quando sentiu alguém lhe cutucando o ombro insistentemente. Levantou o rosto meio confuso e completamente irritado. Não podia dormir em paz um segundo que fosse? Xingou mentalmente, amaldiçoando todas as gerações futuras de quem o acordou, antes de reparar quem estava sentado na cadeira de plástico ao lado da sua.  

Nunca havia visto a criatura em questão. Ele sorria largamente, deixando à mostra  os vários dentes claros e afilados. Era muito mais alto que o próprio Kyungsoo, -que sempre afirmava que não, ele não era baixo, tinha apenas uma média de estatura normal para a população masculina coreana-, tinha o rosto de traços bonitos e a boca era cheinha. O cabelo era castanho escuro e era cheio de pequenas ondinhas nas pontas, e caía perfeitamente sobre os olhos escuros, bonitos e grandes. Era impossivelmente bonito, tinha que admitir.  

-Eu tô procurando a ala do câncer infantil –o mais alto se pronunciou, com um entusiasmo um tanto intimidador- Sabe onde fica? Sou voluntário e começo hoje. 

Kyungsoo concluiu que sua voz grossa não condizia nem um pouco com sua aparência infantil, nem com a camiseta vermelha do desenho Hora de aventura. Olhou desconfiado ao redor, havia várias pessoas ali, ele tinha mesmo que o acordar só por causa disso?  

Bufou irritado, passando as mãos pelo rosto. O sono o deixava com um mau-humor terrível. 

-Tá vendo aquele corredor ali? -Perguntou, apontando com o dedo indicador para um corredor estreito, branco e cheio de flores coloridas de E.V.A e papel crepom coladas na parede imaculada. -É só seguir por ali. É meio óbvio na verdade, sabe? Tá escrito ali, ó! Só que agora as crianças estão dormindo, chegou cedo demais, moço. 

O estranho encolheu-se levemente no banco, certamente desconfortado com sua atitude rude. Kyungsoo não tinha tempo para se preocupar com sua falta de educação em tratar jovens homens desconhecidos. 

-Eu sou disléxico, foi mal. -Respondeu coçando a nuca, completamente sem graça. 

Kyungsoo limitou-se a concordar com a cabeça e ignorar a pessoa ao seu lado, a culpa não era sua da situação atual, o sono o deixava terrível. Só queria poder descansar antes de atender, céus! Olhou novamente para o relógio. Os segundos se arrastavam preguiçosamente, o tempo não parecia ter pressa para passar. Ainda faltavam vinte minutos para que Mei chegasse para uma de suas consultas. Respirou fundo, um pouco nervoso. Afinal, era a primeira vez que atenderia alguém na área de obstetrícia. 

Aproveitou que estava próximo à cafeteria e pediu mais um pouco de café. 

-Esse tanto de café um dia vai acabar de fazendo mal, sabe? -O rapaz ao seu lado comentou, empilhando os copinhos de café espalhados pela mesa- Aqui tem nove copos, não é uma quantidade muito saudável. Ah! E a propósito, eu sou o Chanyeol. Você é médico aqui? 

Chanyeol abriu um sorriso largo. Parecia até mesmo Baekhyun com essa energia demasiada elétrica que ele exalava. 

-Não vou morrer por causa disso –resmungou- Kyungsoo. -Disse olhando para o outro que alargou ainda mais o sorriso, se é que isso era possível. -E não, não sou médico. Só um aluno de internato mesmo. 

Kyungsoo reparou quando Chanyeol arregalou os olhinhos e formou um "o" com a boca. Era adoravelmente infantil. 

-Eu sempre quis fazer medicina, sabe? Mas com essa dislexia... Fica tudo muito mais complicado. Por isso me voluntario sempre que posso. 

Aquilo pareceu conversas que sua mãe tinha com senhoras em fila para comprar pão, mas Kyungsoo sentiu um aperto no peito, Chanyeol realmente parecia querer aquilo, contudo sua deficiência o impedia de conseguir. O mundo era muito injusto e a vida uma bela de uma puta. Sentiu pena do rapaz à sua frente, era humano no final das contas, não era apenas ranzinza o tempo todo. 

-Tá tudo bem- disse com uma risada alta e escandalosa quando percebeu o olhar que o menor lhe lançara -Me voluntariar já é algo muito bom. Ah! Seu café chegou. 

Kyungsoo olhou pare o lado, reparando em Yang Mi colocando uma pequena bandeja com seu café e várias torradas que não pedira. Contorceu o rosto sem entender, só pedira um café. 

-Você precisa comer, oppa! -Disse dando-lhe um sorriso doce, logo franzindo o cenho e comprimindo os lábios na direção do mais alto entre eles, ignorando-o por completo em seguida. -Descansa um pouco, você tá muito cansado. E tenha um bom dia! 

Agradeceu à garota decentemente e ocupou-se de tomar o café. 

-Ela é sempre assim? Se for, vou ter dificuldades em poder comer aqui futuramente. 

-Assim como, Chanyeol? 

-Assim. Do tipo que ignora os outros e ainda olha de cara feia. Tipo você. -Respondeu pegando uma torrada e colocando-a de uma vez na boca. 

-Vou fingir que não ouvi isso, porque pelo visto discutir com você só vai me dar dores de cabeça. E respondendo à sua pergunta, não, ela não é sempre assim. 

-Vai ver ela gosta de você. 

Kyungsoo mordeu uma torrada e pensou. É, Yang Mi definitivamente gostava dele. Todos os dias, sem falta, estava ali lhe oferecendo um bom dia e boa tarde, com um sorriso delicado nos lábios vermelhos e finos, e ainda com alguma comida diferente para que comesse. Tinha os olhos pequenos e escuros, o rosto fino e o cabelo descolorido que lhe chegava aos ombros. Era bem bonita e Kyungsoo reconhecia isso. Provavelmente seria o seu tipo ideal, se não fosse gay. 

-Gosta. 

-E você não dá chances porque é gay. 

Kyungsoo arregalou os olhos e soltou um gemido de dor quando queimou a língua com o café muito quente. Chanyeol era, no mínimo, muito intrometido, isso era um fato. 

-Como sabe disso? 

-Eu te vi mais cedo com seu namorado. -Respondeu simplista. 

-Baekhyun? Ele não é meu namorado. 

Chanyeol piscou lentamente. 

-Mas você gosta dele. 

Merda. Era tão óbvio assim? 

Olhou novamente o relógio na parede. Agora faltavam dez minutos. Era melhor se ajeitar e checar novamente os relatórios que seu próprio professor fizera acerca da gestação de Mei. Levantou-se lentamente e moveu as articulações dos dedos para se livrar da sensação de formigamento. 

-Eu tenho que ir, Chanyeol... A gente se vê por aí. 

Chanyeol acenou com as duas mãos murmurando um "a gente se vê", enquanto Kyungsoo sumia por entre os corredores do prédio. Chanyeol não era tão ruim assim no fim das contas. 

�� 

Analisou a sala com cuidado e respirou fundo, ajeitando as luvas brancas nas mãos. Jian Zi Shu, seu professor e supervisor, estava parado ao seu lado, mantendo tudo sob controle. A paciente, Mei, uma chinesa de vinte e cinco anos, estava deitada na cama do hospital, com a blusa preta pouco abaixo dos seios.  

Kyungsoo respirou fundo e passou o gel pela barriga pálida da gestante cuidadosamente, rindo levemente quando ela contorceu o rosto em uma careta insatisfeita pelo contato gélido repentino do gel com a pele. 

-Relaxa. -Pediu numa voz baixa e, provavelmente, cansada. -Isso...Sabe por que está fazendo este exame, certo? 

Viu ela franzir os lábios e soltar a respiração lentamente. 

-Sei... O Dr. Jian explicou que poderia ter algum problema com o desenvolvimento do bebê. 

Kyungsoo era péssimo em tentar manter conversa até mesmo com pacientes e sequer sabia o que falar para acalmar a moça. 

Posicionou o transdutor na região do abdômen, agora olhando para a imagem no equipamento. É, aquilo ali definitivamente não era normal. Respirou fundo, estava nervoso, era evidente. Mas o que podia fazer? Era sua primeira vez na área de obstetrícia e com o professor ao seu lado, observando cada um de seus movimentos, tudo parecia ainda pior. Qualquer mínimo erro ali e seria chamado a atenção. Droga. Observou novamente com mais atenção a imagem projetada pelas ondas sonoras e desviou a atenção para a porta entreaberta.  

Arregalou os olhos e voltou a atenção para o que estava fazendo. Chanyeol estava ali de fora, fazendo sinal de joia com as mãos. Segurou para não soltar uma risada ali mesmo e ignorou-o. Ele era muito bobo. Bastante parecido com Baekhyun, por sinal. 

-Então, Mei... Seu líquido amniótico está consideravelmente baixo, pelo que vi nos exames anteriores. -Falou, um pouco mais confiante após ver um cara praticamente desconhecido com um sorriso gigante no rosto. -Tem bebido muita água?  

-Não muita. -Falou baixo. 

-Isso afeta o desenvolvimento do bebê. Se continuar com falta do líquido, a criança pode sofrer com alguns problemas, entende? -esperou que ela assentisse com a cabeça e continuou. - Não estou querendo te assustar, nem nada do tipo. É só que você tem que se manter bem informada sobre determinados assuntos. Então, é bem recomendável que tome bastante água por agora. Como estamos no verão, três litros d'água seria recomendável. Não sei se pode ver, mas o cordão umbilical se mostra um tanto frágil e isso não é normal, pode prejudicar seu desenvolvimento.  

Certo, Kyungsoo não sabia medir o modo de falar as coisas e agora Mei o olhava bastante preocupada. Certamente fizera merda. Mas a culpa não era sua se deixava de tomar água em pleno verão de quarenta e oito graus.  

�� 

Jogou água fria no rosto para se livrar do nervosismo e sono que ainda estavam ali. Zi Shu obviamente o repreendera, mesmo que de leve, por falar a verdade de modo não tranquilizador. Mei tinha pressão alta (o que só piorava o oligoidrâmnio), não poderia colocá-la em situação de desespero. Deveria ter pensado nisso antes. Céus, detestava essa área da Medicina. 

A água gelada escorrendo pelo rosto lhe causava uma sensação boa, deveria ter feito isso mais cedo, quando ainda estava falando com Chanyeol, o rapaz escandaloso de feições bonitas. 

-Você ainda está aqui? 

Kyungsoo se assustou com a voz grossa ao seu lado, podia jurar que estava sozinho no banheiro gélido do hospital. 

-É! Estava analisando de novo os exames da Mei. E você? Como foi com as crianças? Aliás, o que estava fazendo parado na porta aquela hora? 

Chanyeol abriu um sorriso grande, entusiasmado só de se lembrar das crianças animadas com as brincadeiras que fizera com elas. Kyungsoo ergueu os lábios num sorriso mínimo, era uma cena bonita de se imaginar. 

-Elas são muito mais alegres do que eu pensei, confesso. É bem bonito de se ver, sabe? Estão sempre sorrindo e brincando. Ah! -Disse embolando os dedos na barra vermelha da camiseta que usava - Você parecia bem cansado, queria ver se estava se saindo bem... Então perguntei pra garçonete que me ignorou onde você estava e ela soube me dizer muito bem. 

Certo, Chanyeol era um cara bem estranho, do tipo que criava intimidade fácil com quem nem conhecia direito e Kyungsoo, incrivelmente, gostou disso. 

O mais baixo limpou as mãos molhadas no papel e jogou-o no lixo, saindo lentamente do banheiro e sendo seguido por Chanyeol. 

-Combinam com você, então.  

Não era um elogio, somente uma observação que fizera. No entanto, Chanyeol parecia impossivelmente feliz com aquilo. 

-Você também acha? A enfermeira me falou isso mais cedo...  

Soltou uma risada contida, vendo os olhos grandes do mais alto brilharem e se assustou quando ele lhe deu um abraço breve e meio desajeitado. Chanyeol tinha uma personalidade forte, parecia-se bastante com Baekhyun. Deixou um sorriso escapar moldando seus lábios cheios, pensando que com certeza os dois se dariam muito bem se se conhecessem. 

�� 

-Eu tenho uma teoria, Soo... 

Kyungsoo estreitou os olhos e bufou. Era Chanyeol de novo. Nas últimas duas semanas desde que se conheceram, o mais novo passara, comicamente, a procurá-lo por todos os cantos do hospital. Chegava a ser patético, mas Kyungsoo admitia que estava gostando bastante disso tudo. Chanyeol sempre o distraía e sempre acabava por ser esquecer de que estava cansado. 

-Uma teoria pra que exatamente, Yeol? E boa tarde pra você também. 

Encolheu-se todo com o vento gelado se chocando contra sua pele. Virou-se para Chanyeol que estava ofegante, muito provavelmente por ter corrido pelas escadas para chegar até o terraço. Não pôde evitar um sorriso largo assim que prestou a devida atenção no mais novo. Chanyeol estava com o rosto todo vermelho pelo fôlego perdido, o cabelo apontava para todas as direções e os lábios estavam mais vermelhos do que o normal. Usava uma blusa cor-de-rosa dos Simpsons, já que de acordo com ele, isso chamava a atenção das crianças e a pele clara estava toda manchada de tintas coloridas de diversas cores e tonalidades.  

-Boa tarde. -Respondeu respirando fundo. -Uma teoria sobre por que você é assim sempre tão irritadinho. 

Chanyeol sempre aparecia com cada ideia idiota. 

-Eu não sou irritadinho. 

-Aí, tá vendo? Já está irritado –Disse rindo.- Enfim... A teoria é a seguinte: Além de você estar sempre cansado, sem dormir, um caco, bagaço... 

-Eu já entendi, ok? 

-Certo, certo. Deixa eu concluir, caramba. Além de tudo isso, que é um fato primordial para sua irritação, é claro, você não tem um namoradinho. 

Ah merda! Chanyeol era mesmo um pé no saco. 

-Eu não sei por que você ainda insiste no masculino dessa palavra, caramba. Eu nunca nem te falei sobre gostar de homens, eu poderia muito bem ter uma exceção pro Baek. E eu não tenho um namoradinho, porque eu não quero, que fique bem claro. 

Chanyeol revirou os olhos levemente. 

-Você já reparou que você fica secando os homens desse hospital? -Ah! Mas Kyungsoo disfarçava tão bem! Teria que tomar mais cuidado sobre quem observava, Chanyeol não deixava passar nada. -Tem seu professor bonitão, o recepcionista moreno bonito Jongin, e o enfermeiro Sehun... Mas os dois têm um caso, o hospital inteiro já sabe disso, pode desistir dos dois. São muito pra você. 

Certo, agora Chanyeol pegara pesado. Não é porque eram demais para ele que precisava jogar isso na cara dele. 

-E o que você tem com isso? Aish. 

-Nada, só falando mesmo. E qualquer coisa, eu tô aqui. Também não tenho nenhum namoradinho. 

Ah! Faltou pouco para não cair duro ali mesmo. Resmungou um palavrão enquanto o rosto  era tomado pela coloração avermelhada de vergonha e Chanyeol apenas ria da própria palhaçada.  

�� 

Sentia-se incrivelmente bem em estar ali, ao lado daquele que o fazia se sentir estranho. Sentia-se um pouco precipitado, afinal, conheciam-se há um mês. 

-Eu... -Tentou uma primeira vez, passando a língua pelos lábios tão ressecados e em seguida falando tudo de uma vez. -Eu acho que gosto de você. 

Chanyeol ficou estático, com os olhos arregalados e os lábios entreabertos. Ficaram em silêncio durante alguns minutos, em um silêncio desconfortável. Merda! Confundira tudo e entendera as coisas erradas, assim como fizera anos atrás quando beijara Baekhyun após dizer que gostava dele. 

Já estava preparando uma desculpa quando Chanyeol avançou um passo e se curvou em sua direção, colocando as mãos em seu pescoço e o puxando para si, colando os lábios em um beijo lento. 

Certo, por isso Kyungsoo não esperava. Chanyeol ofegou durante o contato e o mais baixo aproveitou para introduzir a língua em sua cavidade, gemendo com o toque das línguas. 

Entretanto, assim que abriu os olhos, viu Yang Mi estática na porta. Ambos se separaram com brusquidão, com os lábios inchados pelo contato. Yang Mi estava com o rosto contorcido numa careta de nojo e o rosto marcado pelas lágrimas. Tentou falar algo, mas a moça se virou e foi embora correndo. Droga, ela era homofóbica? Agora já sabia qual seria o próximo boato a correr pelo hospital. 

�� 

-O que foi dessa vez, hyung? -ouviu a voz grossa do amigo ao seu lado. 

 Chanyeol só chegava nas piores horas. Nem mesmo ali no terraço do hospital conseguia ficar sozinho? 

Kyungsoo bufou irritado e ver o mais novo ali ao seu lado, com um sorriso de quem compreende tudo moldando seu rosto, não melhorou muito sua situação atual. A verdade era que, a presença de Chanyeol, só estava servindo para deixá-lo ainda mais ansioso e confuso. O que ele era afinal? A droga de um adolescente? Era o que parecia com aquela agitação tão característica no estômago. Ah! Lembrava-se muito bem dela. Sentia aquele misto de ansiedade e o reboliço no estômago quando não passava de um adolescente cheio de espinhas e passava suas tardes regadas de tédio ao lado de Baekhyun, fazendo vários nadas. 

-O líquido amniótico da Mei só continua abaixando, mesmo ela estando tomando mais água. Até mesmo tentamos a injeção no útero, mas não adiantou de quase nada. E você acha que vai sobrar pra quem? Pro idiota aqui, é claro. Foi minha pior matéria no curso, se eu não conseguir... 

-Shhhh! Sem isso, tá? Você vai conseguir sim, porque é um ótimo médico. Tá certo que eu não entendi porcaria nenhuma do que você disse, mas isso não parece ser culpa sua, hyung. Você só precisa descansar um pouco. Só isso. 

-Tô pensando é em deixar o curso. 

Chanyeol arregalou os olhos. 

-Você é louco, Kyungsoo. Pensa com carinho nisso, tenho certeza de que você quis fazer isso por uma boa razão, não vai desistir agora. 

Kyungsoo sorriu, ele estava certo. Chanyeol se aproximou, fazendo carinho com os dedos em seu cabelo e deixando um beijo estralado em sua boca. 

�� 

                                                                                                                                                           Baek: 

Kyungsoo, preciso falar com você 

Kyungsoo se ajeitou na cama e retesou os músculos, Baekhyun era do tipo que gostava de mandar várias carinhas no fim de cada palavra, alguma coisa certamente tinha acontecido. Provavelmente, brigara com a namorada. Respirou fundo, colocando os exames do bebê de Mei ao seu lado na cama. 

Soo: 

Que foi, hyung? To meio ocupado analisando os exames. 

Baek: 

É sobre o Chanyeol. Soo, não achei registro dele aqui no hospital. Ele tá mentindo pra vc sobre alguma coisa. 

Kyungsoo crispou os lábios e estalou a língua. Não deveria ter falado com Baekhyn sobre Chanyeol. 

Soo: 

O channie? Mentindo? Para de por defeito nos outros, eu finalmente to saindo com alguém. E vc smp fala que eu preciso conhecer gente noob. 

Nova* 

Baek: 

Tá certo, Soo. Tem q fazer isso mesmo. Tá com 24 anos na cara, n precisa de ngm falando o q é certo e errado. Só fiquei preocupado, slá. Foi mal. :c 

Kyungsoo soltou uma risada, Baekhyun era sistemático demais com algumas coisas. Não tinha o porquê de desconfiar de Chanyeol, afinal, o hospital andava com sérios problemas em fazer registros. Olhou novamente o papel dos exames e bufou. Ah! Aquilo ali não era nem um pouco normal, Kyungsoo estava fodido. 

 

��

Kyungsoo comprimiu os lábios numa linha reta, todas as disciplinas que fizera nos últimos seis anos eram totalmente inúteis agora. Mei estava em sua frente, sentada na cadeira do paciente com as mãos tapando a boca enquanto chorava contidamente. O som das palavras da jovem ecoavam em sua cabeça, uma sequência de "nãos" em chinês. Era meio óbvio, na verdade, que o bebê teria alguma anomalia afinal, o líquido não chegava a uma quantidade estabilizadora, só poderia culpar o calor que desidratava. Sentiu o coração se apertar no peito. Não, não poderia chorar ali na frente de uma mãe em seu completo estado de desespero. Se demonstrasse fraqueza, o caso pareceria ainda mais grave. 

Zi Shu cutucou de leve seu braço, mostrando com o dedo indicador a figura de Baekhyun parada na porta. Pediu licença, curvando-se sem muito exagero, deixando a paciente com seu professor. 

Assim que saiu da sala, o coração errou uma batida e sentiu algumas poucas lágrimas caindo. Ver o sofrimento alheio abalava seu estado emocional, mas pelo menos ali fora, poderia chorar em paz. 

Baekhyun mordeu os lábios e respirou fortemente, ele parecia totalmente arrasado. As olheiras escuras estavam ainda mais profundas, os cabelos estavam sujos e desarrumados, ele batia o pé insistentemente no chão de cerâmica, como se quisesse manter a calma. Talvez fosse isso mesmo. 

Kyungsoo sentiu o peito arder assim que reparou que o mais velho o fitava diretamente no rosto e deixava algumas lágrimas escaparem. Só o vira daquele jeito uma única vez, quando sua primeira namorada morrera no meio de um tratamento contra a degeneração espinocerebelar. Certo, alguma merda bem grande havia acontecido e sido jogada contra o ventilador. 

Baekhyun puxou o ar com força para os pulmões antes de emitir qualquer som. 

"So-Soo... Eu não sei como te falar isso, mas o Chanyeol... Ele não é real." 

Certo, agora tudo o que podia fazer era rir. Baekhyun então estava naquele estado deplorável porque achava que Chanyeol não existia? Céus! Era cada louco que aparecia em sua vida. 

"Para de brincadeira, hyung. Eu tô no meio de uma consulta extremamente delicada, poxa. " A voz saiu falha porque em meio a tudo isso, Baekhyun ainda chorava. Tentou dar seu melhor sorriso tranquilizador ao melhor amigo. Levou as mãos ao rosto dele, secando as lágrimas com as pontas dos dedos, mas ele próprio deixava algumas lágrimas caírem. Odiava ver seu primeiro amor chorar ou sofrer, mesmo que por algo aparentemente sem motivos. "Olha, isso vai te acalmar... Eu posso provar que ele é real, hyung. Tá tudo bem, não chora, não." 

Levou a mão esquerda ao bolso do jaleco imaculado e retirou de lá o celular. Embolou-se todo no processo de desbloquear o aparelho e riu um pouco com seu próprio nervosismo. Alguns minutos depois achou a foto. Chanyeol exibia um sorriso bonito e abraçava Kyungsoo pelo pescoço, este que apenas revirava os olhos, observando atentamente o rosto do outro, com os olhos fechados em pura satisfação. 

Entregou o celular a Baekhyung, que logo o pegou com as mãos trêmulas. Em seguida, Kyungsoo ouviu um baque e viu o próprio celular caído no chão. Baekhyun o abraçou enquanto tremia e soluçava, repetindo, como num mantra que Chanyeol não era real e se desculpava o tempo todo. O desespero começou a surtir efeito em si também, que agora sentia seu estômago se revirar todo e tudo o que sabia fazer era chorar. Por que Baekhyun não conseguia ver Chanyeol? Tinha tanta convicção de que se dariam bem, mas essa ilusão fora desmanchada pelo melhor amigo. Como ele poderia não vê-lo? Era óbvio, estava ali para todo mundo ver... O Chanyeol que cuidava de crianças com câncer, que o irritava como ninguém, que era enérgico e que, acima de tudo, fazia-o se sentir tão bem. Kyungsoo tremia de pavor, Chanyeol era real. Eles se falavam quase todos os dias e se tocavam. 

Kyungsoo ficou estático quando viu Chanyeol de longe, aproximando-se lentamente com uma expressão confusa no rosto, não estava entendendo nada. Abriu um sorriso retangular em meio ao choro, sentindo uma onde de alívio se apoderar de si. Chamou seu nome e estava caminhando até ele, quando sentiu seus braços serem puxados . Baekhyun ainda estava ali, segurando forte em seus braços para que não saísse dali. Queria gritar com o melhor amigo, para que recobrasse os sentidos, mas ainda estava dentro do hospital.  Baekhyun respirou fundo, tentando manter a calma e direcionou seus lábios aos de Kyungsoo, num beijo mudo e calmo. Quanto tempo esperara por esse beijo? Fazia tanto tempo que nem se lembrava mais, mas agora, tudo o que sabia fazer era chorar ainda mais, pois o rosto confuso de Chanyeol havia sido substituído pelas lágrimas, a dor estampada no rosto de quem viu o que não queria, virando-se em seguida para ir embora. Dessa vez Kyungsoo gritou, gritou baixo para que o mais alto parasse e que era um engano.  Chanyeol parou e ficou esperando enquanto o menor corria até si, engasgando-se no desespero. 

Teria o alcançado facilmente, mas Kyungsoo sentiu o corpo ser suspenso no ar, sentiu o recepcionista Jongin segurando-o pela cintura e o enfermeiro Sehun aplicando uma injeção com droga em seu braço. Remexeu-se irritado nos primeiros segundos, mas em seguida parou de lutar, o sono estava consumindo-o. Chanyeol gritava para que o soltassem, mas todos o ignoravam. Kyungsoo sentiu a cabeça mais leve e viu Baekhyun  e Chanyeol o encarando, ambos com o rosto abatido e os olhos inchados pelo choro. Em seguida, viu Zi Shu correndo com Mei em seus braços desacordada. Ah! Kyungsoo sentiu o coração se apertar no peito, completamente culpado. Era um médico de merda mesmo. Esquecera-se de que Mei era hipertensa, não podia ver esse tipo de cena. Se perdesse o bebê seria culpa sua. Chanyeol se inclinou para si e depositou um selar na bochecha esquerda, ouviu-o dizer um eu te amo e, antes que o remédio fizesse efeito por completo, murmurou um "Eu também te amo, Yeol.". E então as vistas escureceram. 

 

 

 

 

 

Acordou com dor de cabeça e as paredes brancas do local não ajudavam muito. Estava um pouco tonto e sem entender onde estava. Ouviu barulho de passos e ajeitou-se na cama pequena. 

A porta se abriu, revelando um Baekhyun que aparentava ser bem mais velho devido à preocupação iminente que o afligia. Kyungsoo abriu um sorriso grande e retangular pois, além do melhor amigo estar ali, ao lado dele estava Chanyeol. Tinha um sorriso maior do que o rosto e que transpassava a inocência de que tanto gostava. Sorriu ainda mais quando ele se aproximou, com uma sensação gostosa no peito. 

Chanyeol nunca o deixaria.

 


Notas Finais


Esclarecendo as coisas: O Kyungsoo tem esquizofrenia, o Chanyeol não existe mesmo, e o Baek existe. Espero que tenham gostado! <3


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