História Perfeito Azarado - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Casal, Comedia Romantica, Newadult
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Palavras 2.296
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Josei, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - II


25 de setembro às 8:30AM

Itália-Pisa

O despertador liga na rádio e a música de James Arthur chega aos meus ouvidos, de forma gradativa me fazendo acordar. A música é gostosa e confortável, me deixando com bom humor, mas não o suficiente para me fazer levantar.

A luz do sol me cobre, vindo da janela que esqueci de fechar na noite anterior. É quente, confortável, aconchegante como quando ainda era uma criança, dormindo protegida no calor dos braços da minha mãe. Sensação esta que não quero abrir mão. Vou dormir todo o dia hoje, que se dane o resto!

Um barulho chato me chega aos ouvidos de algo sendo batido, o som de vassoura varrendo e em seguida uma coceira incomoda o meu nariz e me faz espirrar. Irritada com o fato de estarem me obrigando a levantar, jogo as cobertas longe e vou cambaleante até a janela. Apoiando uma mão na batente da mesma e com a outra coçando os olhos, que doíam com a luz.

— Que diabos está acontecendo aqui, a esta hora da manhã?! Em pleno Sábado!! — Exclamando irritada.

Meu quarto que ficava no segundo andar e quando reclamei em voz alta, algumas pessoas que passavam pela rua, levantam as suas cabeças para me olhar, não demora muito elas tentarem conterem seus risos. Já as minhas vizinhas, riam descaradamente parando de limpar as suas casas, para olhar pela janela. Não sei o por que olham para mim e riem. Penso comigo. O que faria elas riem de mim?

Olho para o meu corpo e vejo a roupa que voltei do bar ontem, toda torta, amassada, como se eu tivesse dormido e estivesse parecendo uma louca descabelada na janela de casa.

— . . . ! Ai meu deus! — Digo colocando a mão nos meus cabelos, tentando tardiamente conter os meus cachos armados. Isso por que não queria imaginar a minha cara!

Me viro rapidamente tentando me afastar da janela, é neste momento que vejo o reflexo do meu rosto no espelho na parede. Meu rosto está todo amassado, meus olhos inchados de tanto dormir, uma grande marca de baba seca grudada em minha face, isso sem contar os cabelos que estavam grudados na baba. Meu Deus, misericórdia!

Ao longe posso escutar a risada da Diana e volto para a janela, a vendo em sua sacada, batendo o tapete ou tentando entre as risadas. — E você rindo... — Olho para ela completamente acusadora, estreitando os olhos.

— Eu o que? Você que saí na janela toda doida gritando, quase nove horas da manhã. — Se defende enquanto contem a risada.

— Ok, ponto para você! — Levantando minha mão como se aceitasse a derrota.

— E ai? Como foi ontem? — Pergunta ela, se apoiando na grade de ferro de sua sacada.

— Foi legal... — Digo, mordendo o canto dos lábios com um sorriso bobo em face, mordendo o canto do lábio, carregando a gostosa sensação de satisfação e felicidade. Não sei vocês, mas quando conheço alguém novo que me identifico e me dou bem, fico assim..."Bobamente" feliz.

— E conheceu um cara... — Diz ela, com um sorriso matreiro e olhar felino, com grande expectativa. Então lhe conto como foi toda à noite desde que cheguei na bar. Inclusive quando ele me emprestou o guarda-chuva para que eu devolva quando o encontrar novamente.

Com uma risadinha travessa levando a mão aos lábios, ela diz num tom malicioso. — HM... Penso que tem mais que uma amizade, ai!

— Larga de ser boba, Diana. — Respondo rindo, enquanto minha face ardia de vergonha, devido a sua risadinha significativa. — O que um homem daquele, iria querer com uma mulher mais velha?! Boba, no máximo consegui um amigo. O que por sí só, já é bom.

— Nina, as vezes você é ridícula, fala como se já tivesse 60 anos e fosse um caso perdido... Lembre-se que tem 29 anos, alias acabou de completar. — Comenta ela, como se eu fosse um caso perdido. — Mas e se reencontra-lo?

— Vou devolver o guarda-chuva. — Digo como se fosse a pergunta mais absurda. O que eu faria além disto? Pularia no homem e arrancaria sua roupa no dente?

— C-H-A-T-A... — Ela me olha com a maior cara de desiludida. — Vou ir começar a fazer comida. Sua nova/velha chata. — Se vira e entra na sua casa, balançando a cabeça em negativa.

Neste momento minha barriga ronca e faço o mesmo, contudo, ao abrir os armários não encontro um Sucrilhos se quer, vou a geladeira e a abro sendo recebida pela lufada de ar gelado, mas nada tinha lá dentro. Minha fome vinha apertando então vou ao quarto e me troco, para ir o mais rápido que podia para o mercado, assim aproveitaria para fazer as compras do mês.

Chegando ao mercado, ao pegar o carrinho vejo algumas meninas sussurrando e cochichando dando algumas risadinhas. Olho para elas e percebo que estão tão focadas no que conversam que se quer notam a minha presença. Dando de ombros vou logo ao primeiro corredor que era o de limpeza, quando vejo que o meu tão amado sabão em pó preferido, me deixa parecendo que usei perfume sem de fato usar, só lhe resta uma única caixa.

Olho para um lado e não vejo ninguém, olhando para o outro também. Caminho até ele sem precisar correr já que não tinha ninguém com quem disputar, ao chegar nele percebo um pequeno grande inconveniente... Está alto demais para mim. Me estico ficando nas pontas dos pés tentando pegar o sabão em pó.

Uma mão grande e forte pega o sabão em pó. — Oh! Muito obri... — Digo me virando esperando o sabão em mãos, mas vejo somente as costas do homem. Wtf?! Vou atrás dele e seguro o seu braço. — Hey! Você! Isto é meu!

O homem que vejo diante dos meus olhos, não poderiam ser outro se não o bonitão do bar. Ele me olha e se surpreende, tira os seus fones de ouvidos e me dá o mais lindo dos seus sorrisos.

— Oh! A moça de ontem! Olá, como vai? — Diz ele com seu natural bom humor, tão natural que quase esqueço do sabão e pó. Eu disse QUASE.

     — Estou bem e você? Mas o que quero falar é que... — Ele me interrompe.

    — Estou bem também e ai não sabia que morávamos perto.

  — Olha, não mude de assunto! — Digo tentando continuar a frase que ele me interrompeu.

  — Quem diria que moraríamos perto, eu moro descendo a rua e você? — Diz ele com o maior sorriso do mundo e agora me toquei, ele está me provocando.

 — Você! Pegou o sabão em pó de safadeza! — Digo desacreditada. — O sabão em pó é meu pode me dando rapaz! — Apontando para o carrinho mostrando aonde é para coloca-lo, mas ao olhar me surpreendo, vendo que já estava lá. Oi?! Que vudu é este!?

— Oi?! — Ele me olha com seus lindos olhos azuis cristalinos, brilhantes e divertidos.

— Ora, seu...! — Levanto a minha mão apontando para ele, querendo brigar, mas não resisto e acabo sorrindo. — Seu sem vergonha!

Quando penso que não, sou presenteada com sua sonora gargalhada, assumindo finalmente a sua travessura. — Ok, desculpa! Baixinha.

— Olha! Só te perdôo, por que é um cara bonitão. — Digo fazendo um certo charme, mas logo em seguida rindo. Um pouco mais adiante vou pegar um pacote de papel higiênico e ele pega do mesmo, um olha para cara do outro e ergue a sobrancelha. — Olha cara isso é perseguição! — Reclamo, mas já rindo, com a mão no quadril.

Ele solta o papel rindo também e pega do mesmo, mas o que estava ao lado, piscando divertido para mim. Acabamos fazendo nossas compras juntos, rindo e conversando. Eventualmente um dando dicas para um ao outro do que comprar.

Já tínhamos pagado as compras e mandado entregar uma parte dela, pergunto quando irá voltar ao bar para que eu possa lhe devolver o guarda-chuva. Contudo, ele responde que não irá ao bar por que está sem trabalho. Estranho, pois neste momento ele está com uma camisa social, calça e até o seu sapato perfeitamente polido.

— Então o que acha de passar em casa? — Pergunto inocentemente, mas pelo seu olhar percebo que falei besteira.

— Hum, está me convidando para ir na sua casa? — Diz ele num sorriso pretensioso e sugestivo.

— É, seu bobo, mas para devolver o guarda-chuva! — Falo enquanto uma risada levemente tímida, assim como com as minhas bochechas corando suavemente. — Mas se não quiser, me fale onde você mora e eu levo.

— Sem problemas, estava brincando. Vamos? — Diz ele saindo do mercado com algumas sacolas e eu o seguindo. Percebo que ele vai diretamente para uma bicicleta cor de rosa, com um riso engasgando na minha garganta, o olho significamente.

— Não ria! — Ele me diz estreitando o olhar para mim.

— Juro solenemente não rir! — Digo mordendo os meus próprios lábios para não rir.

— Você quer rir... Você está rindo! — Ele afirma acusando-me.

— Calúnia! Eu não estou rindo...— Mas não resisto e acabo deixando o riso escapar. — Desculpa. Bem, é uma bicicleta interessante... — Digo enquanto reparo que além de rosa, tinha algumas florzinhas, que pareciam terem sido pintadas a mão. Nos aros algumas hastes de plástico para que fizesse barulho.

 — Cale-se e sua logo na garupa da bicicleta. — Diz ele falsamente chateado com as minhas risadas. — Esta bicicleta é a que eu dei para a minha ex, ela foi embora e levou tudo até a minha, entretanto, deixou a dela.

A revelação dele me faz parar de rir de imediato, apesar dele estar rindo assim, ele tem realmente passado por maus bocados, não é verdade? Num baixo murmúrio falo: — Desculpa.

Me levando na garupa descemos a rua tentando equilibrar-nos, deixando o momento chato para trás em meio a risadas e exclamações como " Cuidado Maluco!"," Ah! Vamos cair!", " Deus! Vamos morrer! " . Com ele por perto tudo parecia simples e fácil, inacreditável como ele é uma boa companhia.

Me deixando na porta de casa corro para dentro para pegar o guarda-chuva e então devolver. Ele agradece e volta a pegar o seu rumo para casa, da porta digo um " Boa sorte e cuidado ao ir para casa. " Ele ri, me olhando falando" Boa sorte?", quando ia atravessar a rua vai de encontro a um carro que na virada o acerta em cheio.

Vejo tudo em câmera lenta, o seu sorriso enquanto RI, as frutas e sacolas voando, ele batendo contra o carro e então caindo no chão. Tudo passa diante dos meus olhos como uma cena de horror. Corro em sua direção e vou ver se ele está bem, mas graças a Deus, sim. Foi uma boa pancada, mas nada parecia realmente ferido, ele estava acordado apesar de reclamar da dor da pancada indo para o canto e se tando na calçada.

O homem do carro não para dando ré e então na melhor posição que encontrou, indo embora. Pego as compras dele do chão e as coloco de volta na sacola, quando vou me aproximar para lhe entregar, ele levanta a mão como se para impedir.

— Fique exatamente onde está! Depois do seu " Boa Sorte", a sorte me caçambou. — Ele diz num meio sorriso, mas de alguma maneira me sinto culpada, meu coração se aperta e mordendo o lábio inferior, coloco as sacolas na calçada aonde ele pode pegar em segurança e me viro para voltar para casa. 

Meio cabisbaixa volto olhando para o chão, será que eu trouxe mais azar para ele? Poxa...

 Ainda olhando para baixo ao chegar na porta de casa, vejo uma carteira no chão e olho para trás, mas ele já não estava mais lá. Procuro por alguma informação e encontro um papel com seu endereço e telefone. Pego o meu celular e ligo.

— Alô? — Sua voz é um pouco mais forte no celular, mas era mesmo ele.

— Olá, sou eu. A moça da sorte... Você deixou sua carteira cair na frente da minha casa. — Digo um pouco tímida.

— Você é uma batedora de carteira! — Diz ele de forma acusadora, mas pelo seu tom sabia que estava brincando. — Quando foi que você roubou ela?

— Olha aqui meu rapaz, eu não roubei! Estava na porta da minha casa caída no chão. Rum! — Respondo como se estivesse levando a ofensa a sério.

— Sei... Só não olhe o RG. — Diz ele.

— HM...RG? — Digo num tom maldoso. Abrindo a carteira e vendo sua foto, bem mais novo, com algumas espinhas vermelhas, cabelos bagunçados e com carinha de bebê. Não resisto e dou uma sonora risada.

— Ah! Eu falei para não ver! Você olhou, não acredito! Não dá para confiar em você! Inacreditável! — Reclama ele, parecendo que está correndo.

Um trovão se faz audível e em seguida a chuva parece resolver cair. Pelo telefone escuto apenas suas reclamações enquanto corre. Não consigo deixar de rir. Ao chegar em minha casa todo molhado o olho, sua camisa social branca estava transparente, sua calça molhada superficialmente. Seus cabelos caídos lhe dando um ar mais infantil. Enquanto o olho, sinto meu rosto esquentar e o sorriso dele me olhando crescer.

Como se eu tivesse sorte na vida, Diana, minha melhor amiga abre a janela da minha sala. Tínhamos feito uma ligação entre nossas casas, para que possamos ir uma para casa da outra com facilidade. Ao ver o Rapaz belo e molhado na minha sala, enquanto eu estava ficando perigosamente vermelha, ela abre um largo sorriso malicioso.

— Nina! Que bom que conseguiu um amigo, quem sabe assim você perca a sua virgindade! — Ela diz e o olhar dele que tinha sido atraído a ela pela súbita aparição, se voltava para mim com as sobrancelhas erguidas. Porra, Diana!

×××

Obrigada por ler!



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