História Perolas ou pílulas. - Capítulo 45


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Anko Mitarashi, Asuma Sarutobi, Chiyo, Hanabi Hyuuga, Hidan, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Kakashi Hatake, Kankuro, Konan, Kurenai Yuuhi, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shino Aburame, Shion, TenTen Mitsashi
Tags Ajuda, Depressão, Drama, Drogas, Hinata, Melancolia, Naruhina, Narusaku, Naruto, Revolução Naruhina, Sasusaku, Suícidio, Triste
Visualizações 465
Palavras 4.341
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Seinen, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa madrugada meus queridos, é são 3:30 da madruga e o autor estava revisando o capitulo para postar. Vamos lá.
Hoje teremos a semi conclusão do reencontro delas, pode parecer meio sem emoção, mas é por que tudo se dá num ambiente miserável. Ainda teremos coisas a desocbrir e a acrecentar, peço que me perdoem pelos (COF COF COF)... é que não consegui pensar em outro jeito melhor de ilustrar tosse. kkkkkkkk

Sem mais enrolação.... Segue o Capitulo! Boa leitura!

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Capítulo 45 - Capitulo 45


Natsu não havia se enganado, tão pouco mentido, os olhos agora envoltos em rugas e bem vermelhos porém com o mesmo azul-claro quase branco que todo Hyuga, mesmo de outras ramificações da família possuem estava lá, a cor do olhos que eu via todos os dias no espelho, a cor dos olhos que eu via em muitos pesadelos.

 

Seria quase impossível reconhecê-la nessas condições, se não fosse pela pequena ter reconhecido a foto, nem em um milhão de anos alguém conseguiria imaginar a mulher que já foi uma das mais ricas da Ásia estar nessas condições, uma mendiga.

 

Me dar conta disso fez com que eu soltasse todas as lágrimas que ainda estavam presas, como ela pode ter vindo parar nesse lugar? O que teria acontecido? Por que não procurou a família? Ainda mais com uma filha pequena nessa situação!

 

 

- Kaa-sama. - Foi a única coisa que saiu da minha boca.

 

 

Ela pareceu reconhecer​ minha voz, pois foi visível que ela ficou tensa.

Aos poucos ela foi se virando dentro do velho saco de dormir, e nesse meio tempo várias imagens e lembranças passaram em minha mente.

 

 

"Kaa-sama, por que não posso ir ao parque com as outras crianças?"

 

"Você as assustaria se tivesse uma crise, e todos iriam comentar que tem uma louca na família Hyuga."

 

 

" Por que os garotos não gostam de mim Kaa-sama?"

 

"Garotos não gostam de meninas que surtam e saem correndo dizendo que tem aranhas devorando elas"

 

 

"Hinata, se acalme! Você já é uma adolescente! Pare de chorar, vai nos envergonhar durante a cerimonia, recomponha-se!"

 

 

"Se o médico mandou você tomar mais remédios você vai tomá-los! Não quero ser chamada na sua escola novamente! As mães do outros alunos já estão comentando por aí que você é maluca!"

 

 

" Kaa-sama, a senhora me ama?"

 

 

"Não seja tola, pare de fazer perguntas idiotas, isso não é óbvio? Eu sou sua mãe, não preciso responder isso."

 

 

Cada uma daquelas lembranças me trouxe mais uma boa quantidade de lágrimas, eu já chorava abundantemente e quando finalmente ela se virou e desviou os olhos de Natsu e me olhou nos olhos foi como se algo forte e grande tivesse me batido com toda força.

 

Quase onze anos sem ver aqueles olhos, e agora eles me olhavam diretamente, senti a alma pesar e gemer de agonia.

 

 

- Então aquela era mesmo Hanabi. - Ela falou desviando os olhos de mim.

 

 

- Quem é Hanabi Kaa-chan? - A pequena Natsu perguntou com a boquinha cheia de doces.

 

 

- Uma conhecida. Meu amor, fique um pouco na barraca da Heku para a mamãe falar com seus amigos ok? Daqui a pouco você volta. - Ela falou de forma mansa acariciando a face da pequena que assentiu.

 

 

Natsu sorriu para mim e Naruto e saiu correndo pela pequena entrada do barraco.

 

 

- Para onde ela vai? - Perguntei preocupada.

 

 

- Para a barraca de nossa vizinha, se assim posso dizer. Não se preocupe ela é boa gente. - Ela disse tentando se levantar com dificuldade. Tossiu mais uma vez.

 

 

- Como… cof cof cof… me achou? - Dessa vez ela não me olhava, mantinha a cabeça baixa.

 

 

- Depois de todos esses anos é isso que você tem para me dizer?! – Perguntei indignada.

 

 

- O que quer que eu diga? Eu jamais imaginaria que voltaria a vê-la novamente... cof cof... ainda mais num inferno como esse... cof cof. – Ela falou o mais alto que a tosse lhe permitiu.

 

 

- Por que? Por que a senhora foi embora kaa-sama?! Por que me deixou?! O que aconteceu?! – Eram tantas questões e perguntas que eu mal conseguia pensar.

 

 

Senti meu peito acelerando mais ainda e minha respiração ficando mais e mais difícil, comecei a tremer e ela me olhou reconhecendo aqueles sinais, mas senti braços em volta de mim, braços quentes e grandes, senti uma boca encostar no meu ouvido e um hálito quente enquanto palavras eram sussurradas para mim.

 

 

- Fique calma Hina, está tudo bem, você já a encontrou, não precisa ficar assim, respire devagar e se acalme, eu estou aqui, se não se sentir bem vá para fora e respire um pouco. – Naruto vendo meu estado tratou de me dar seu apoio, o que foi o suficiente para eu, pelo menos, conseguir respirar melhor e parar de tremer um pouco.

 

 

- Obrigada, eu vou ficar bem. – Falei sem desviar o olhar da mulher sentada no chão. Ele pareceu entender.

 

 

- Vou deixá-las a sós, se precisar de mim estarei na entrada, é só falar entendeu Hina? – Ele sussurrou em meu ouvido, eu apenas balancei a cabeça em afirmação.

 

 

Naruto olhou para minha mãe no chão e ela levantou um pouco o olhar e o fitou nos olhos, não sei bem, Naruto tinha um misto de raiva e piedade no olhar, eu entendo o lado dele, mas agradeci mentalmente por ele não ter se manifestado e respeitado meu momento.

 

 

- É seu namorado… cof cof...? – Minha mãe perguntou voltando a olhar para baixo.

 

 

- Sim. – Respondi apenas.

 

 

- Ele parece... cof cof... ser um bom rapaz.

 

 

- Ele é.

 

 

- Hinata... Cof cof cof... como me encontrou? – Ela agora me olhava nos olhos.

 

 

- Hanabi viu a senhora na rua mas não tinha certeza, eu vim para tirar a dúvida.

 

 

- Eu tinha certeza que ela tinha me visto, eu disfarcei na hora mas... cof cof... nunca imaginei que ela pudesse vir me procurar, tão pouco você. – Ela parecia sincera ao dizer aquilo.

 

 

- De fato eu fiquei relutante em vir, mas acho que é o melhor. – Falei secando as lágrimas teimosas.

 

 

- Não te... cof cof cof... culparia se não viesse. – Ela parecia sentir dor quando tossia.

 

 

- A senhora está doente, o que tem? – Perguntei me aproximando temerosa.

 

 

- Nada demais, logo os monges do templo Shitennō-ji trarão os... cof cof cof... remédios.- Notei que ela se esforçava para falar.

 

 

- Eles são os tais moços do templo aos quais Natsu se referiu?

 

 

- Hai, eles trazem comida e remédios para… cof cof cof… para as pessoas daqui, pelo menos quando conseguem ou quando as gangues permitem.

 

- E por que Natsu estava naquele frio todo lá fora para esperar os tais monges? Por que você não foi? Isso não se faz! É exploraç.... – Antes que eu pudesse terminar de falar ela levantou o cobertor velho e puído e eu tive uma visão muito desagradável.

 

 

As pernas dela estavam enfaixadas dos pés até a coxa, porém as faixas já estavam velhas e sujas, manchadas de sangue e secreções, provavelmente os curativos não eram trocados a dias, pude deduzir isso pelo mal cheiro que se iniciou quando ela me mostrou os ferimentos.

 

 

- M-mas o que foi isso? – Arregalei os olhos ao ver o estado deplorável das pernas que um dia já foram belas e torneadas.

 

- Eu não pude pagar todo o aluguel do quartinho onde eu ficava num hotel nojento aqui perto. Só que o dono do lugar era membro de uma gangue, então um dia eles me expulsaram de lá do jeito deles, por sorte Natsu não estava na hora. – Ela relatou se levantando com dificuldade.

 

 

- Natsu, ela é… – Ela apenas me olhou com um vago sorriso triste.

 

 

- Sim. Sua irmã… cof cof cof... – A confirmação daquela informação me trouxe uma alegria imediata, uma emoção tão intensa e radiante, mas, ao mesmo tempo, uma preocupação.

 

 

- Mas onde está o pai dela? Pela idade ela não é filha do Hiashi. – Deduzi o óbvio.

 

 

Estranhamente ela não me respondeu, apenas pôs a mão sobre o peito com uma expressão de dor intensa. Em um impulso me estiquei até ela e pus a mão em seu ombro para que ela respirasse melhor, aquele foi o primeiro contato físico com ela em quase onze anos. Meu coração batia rápido e descompassado, a mente fervilhava em pensamentos, as lágrimas explodiram num rompante de dor e tristeza, e eu me joguei.

 

Não consegui controlar mais minhas ações, abracei-a de uma vez. Não importava o mal cheiro, não importava o lixo a nossa volta, não importava os ratos e baratas que passavam, não importava mais nada. Por anos eu ansiava por aquele abraço, meu coração estava tomado não de alegria, mas de compaixão, de humanidade, antes dos erros e da dor ela era minha mãe, a mulher que Kami-sama escolheu para me trazer ao mundo, era inegável que apesar dela ter me feito muito mal eu ainda a amava, por mais que ela tenha sido responsável pela ruína de nossa família ela ainda era a mulher que me gerou e me deu a luz, e por mais mal caráter que ela fosse, esse elo de sangue ainda era forte apesar de tudo, então, me entreguei ainda mais as lágrimas e notei que ela chorava tanto quanto eu, não dissemos mais nada, apenas ficamos ali abraçadas tentando entender toda a nossa história e os sentimentos que ela carregava.

 

 

- Não faça isso, eu estou toda suja e cheirando mal. – Ela disse contra o meu peito.

 

 

- Não importa. – Foi o que minha voz trêmula conseguiu transmitir.

 

 

- Sempre me perguntei o que você havia acontecido com você.

 

 

- Por que não me procurou? Ou a Hanabi? Por que foi embora daquele jeito? – Eu falava apertando ela ainda mais a mim.

 

 

- Isso não faz mais diferença. - Ela falou igualmente emocionada.

 

 

- Faz diferença para mim, a senhora não sabe o quanto eu sofri por isso, não faz ideia do que eu passei. - Tive que controlar minha forma de falar pois a no bolo de sentimentos que estavam explodindo em mim a raiva estava começando a se tornar mais e mais evidente.

 

 

- Hinata, eu queria te falar tantas coisas, pensei em todos os erros que… cof cof cof… cometi e sei que não tenho o direito de te chamar nem mesmo de filha, mas eu só queria que você soubesse que eu senti tanto, que me arrependi tanto, que me amaldiçoei tanto... cof cof cof... saiba disso. - Aquela tosse já estava me preocupando muito.

 

 

- Como veio parar aqui? - Fiz a pergunta derradeira.

 

 

- É uma longa história... cof cof. - Ela se separou de mim secando as lágrimas.

 

 

- Teremos tempo. - Falei e me levantei.

 

 

- Cof cof... Não, isso não é lugar para você... Cof cof cof... Você tem que ir embora daqui... - Não esperei ela terminar a frase.

 

 

Comecei a abrir o velho saco de dormir e ela não entendeu o que estava acontecendo. Eu tenho muita raiva e mágoa de minha mãe, não tenho lá muita consideração por ela, mas eu havia a encontrado depois de onze anos e agora ela era uma mendiga e eu tinha uma nova irmãzinha, minha mãe não estava em condições de cuidar dela e tão pouco da própria saúde, fiz o que meu coração estava me pedindo para fazer.

 

 

- O que está fazendo? - Ela perguntou quando comecei a enrolar um pano menos sujo que encontrei nas pernas dela.

 

 

Não respondi, me inclinei na direção do local de saída do barraco.

 

 

- Naruto! - Chamei-o e ele prontamente apareceu.

 

 

- O que houve? - Perguntou olhando ao redor.

 

 

- Vou levá-las comigo. - Falei séria.

 

 

- Hai. - Ele entendeu na hora.

 

 

Sem falar nada ou questionar nada Naruto veio rapidamente na direção de minha mãe e se inclinou para pegá-la no colo.

 

 

- Onde está Natsu? - Perguntei a ele.

 

 

- Na entrada. - Ele falou enquanto tentava achar um jeito melhor de tirar minha mãe do chão.

 

 

Fui andando até a entrada do barraco e lá estava Natsu sentada em um tijolo brincando com uma velha boneca suja e quebrada, não pode evitar de sorrir, agora eu tinha uma nova irmãzinha, e eu cuidaria muito bem dela.

 

 

- Natsu-chan, vamos, vou levar você e sua Kaa-chan para brincar na minha casa o que acha? - Falei sorrindo para ela que me sorriu de volta.

 

 

- Hai. - Ela saiu correndo em direção ao local onde estava minha mãe.

 

 

Chegando lá vi Naruto em pé de frente para minha mãe com a mão na nuca, já sabia que ali tinha algum problema.

 

 

- É... Ela não quer vir. - Ele disse meio temeroso.

 

 

- Não! Eu não vou...Cof cof... Leve Natsu, por favor...Cof cof... Me deixe aqui. - Era só o que me faltava.

 

 

- O que?! Ficou louca?! Por que não quer ir?! - Falei já alterada, Natsu ao ver a cena se assustou e começou a chorar baixinho, meu coração se destruiu.

 

 

- Eu já estou no fim Hinata, só te peço que cuide de Natsu... Cof cof cof... É a última coisa que eu te peço. - Ela falava em tom de súplica.

 

 

- Kaa-chan! - Natsu correu e abraçou minha mãe.

 

 

- Pois pare com essa ladainha, a senhora vai comigo sim e vai agora! Naruto! - Mesmo meio assustado pela minha reação Naruto se abaixou e pegou minha mãe no colo, ela urrou de dor quando ele a ergueu. Provavelmente os ferimentos se abriram ainda mais.

 

Peguei Natsu no colo e olhei em volta.

 

 

- Ela tem documentos? - Perguntei a minha mãe, que apenas apontou para uma velha mochila pendurada em um prego.

 

 

Abri a mochila e lá estavam alguns papéis guardados dentro de um envelope plástico, peguei todos por via das dúvidas.

 

 

- Vamos! - Ordenei e Naruto saiu apressado com minha mãe no colo.

 

 

- Espere! E nossas coisas?! - Minha mãe perguntou assustada.

 

 

- Esqueça. - Falei saindo apressada do barraco.

 

 

Sai olhando para o chão para não cair quando bati com Natsu em Naruto que estava parado com minha mãe no colo.

 

 

- Droga, acho que demoramos muito lá dentro.

 

 

Quando me virei na direção onde Naruto olhava entendi o por que da parada brusca. Um grupo de pessoas com cartazes e bandeiras fazia um tipo de protesto sobre algo que não entendi muito bem o que era, era muitas pessoas, notei que os que viviam ali em Kamagasaki começaram a se afastar levando consigo o que conseguiam.

 

 

- O que é isso? - Perguntei temerosa.

 

 

- Algum tipo de protesto contra o governo, não sei bem. Temos que sair daqui, não estou com um bom pressentimento. - Naruto falou nervoso andando de um lado para outro tentando achar uma saída daquela multidão.

 

 

- É outro protesto pelas... cof cof cof...condições de Kamagasaki, é pura mentira… cof cof.. as gangues pagam os manifestantes para enfrentarem a polícia. - Minha mãe falou.

 

 

O clima do local não parecia nada bom, abracei mais ainda Natsu e segui Naruto que parecia não ter muita certeza de para onde ir, mas era melhor do que ficar parada ali.

 

Em meio aquela massa de pessoas que gritavam e se aglomeravam cada vez mais fomos seguindo com dificuldade.

 

 

- Não dá para passar por aqui. - Naruto falou mudando a direção.

 

 

- Como saímos daqui Kaa-sama?! - Perguntei aflita.

 

 

- Cof cof... Pelos becos. - Ela apontou em uma direção e fomos.

 

 

Andamos esbarrando em latas de lixo, pessoas e tudo o que estava pela frente, Naruto abria caminho gritando que a mulher em seu colo precisava de cuidados médicos e aos poucos nos aproximamos de um beco, foi em vão, o beco estava tomado por membros de gangues, Naruto não quis arriscar e voltou para a direção da qual viemos.

 

 

- Pelo beco não dá. – Ele disse enquanto corria.

 

 

- Por Kami o que está acontecendo?! – Eu já estava apavorada e tudo piorou quando a polícia chegou em viaturas e formaram uma barreira de escudos, o confronto seria eminente, eu só conseguia pensar em Natsu que a essa altura já chorava assustada.

 

 

- Vamos ter que forçar. – Naruto disse se colocando de frente para mim entre nós e a turba que já começava a arremessar objetos nos policiais que estavam ali.

 

 

- C-como assim?! – Não entendi muito bem o que ele quis dizer mas fiquei com medo.

 

 

- Vamos por trás das pilastras daquele prédio, o carro está logo no outro quarteirão. – Naruto apontou para as colunas do prédio que ficava na entrada principal de Kamagasaki.

 

 

-FICOU LOUCO, É BEM AO LADO DA CONFUSÃO!! – Ele só podia estar louco de querer passar bem onde o confronto era eminente.

 

 

- Aquela é uma tropa de choque urbana padrão, estão em formação em cunha, eles querem dividir a turba, não repeli-la! Vão dividi-la para depois dispersá-la, se passarmos ao lado eles não vão nos abordar! Fique com Natsu no colo, cubra-a com o casaco e fique atrás de mim! – Ele falou pondo minha mãe nas costas e retirando o cinto da calça.

 

A princípio não entendi por que ele tirou o cinto, mas essa pergunta foi logo respondida quando ele deu um nó no cindo em volta das pernas de minha mãe e a jogou nas costas, como uma espécie de “cadeira”, dessa forma ela estaria protegida pelo corpo dele se algo os atingisse de frente, que Kami abençoe o treinamento militar! Fiz com Natsu o que ele pediu e colei nele enquanto ele andava apressado em direção a parede.

 

 

- Fique abaixada! – Ele dizia enquanto já podíamos ouvir o som da pancadaria que se formou entre os baderneiros e a polícia.

 

 

- Cof cof, esses malditos! Cof cof... fazem algazarra a mando das gangues.. Cof cof cof... – Minha mãe falou parecendo tonta.

 

 

- Ela não está nada bem, acho que está fraca. - Naruto constatou quando checou-a.

 

 

- Precisamos levar as duas para um hospital. - Falei andando me protegendo no corpo dele.

 

 

Naruto andava com dificuldade, eram tantas pedras, pedaços de madeira e partes de barracos que eram arremessados para todas as direções que a todo momento éramos atingidos por alguma coisa, a maioria atingia Naruto que tentava bloquear com o corpo mas eram tantas que algumas atingiam minhas pernas e ombros, sorte minha que Natsu ainda era bem pequena e eu conseguia escondê-la nas costas de minha mãe, que por sua vez estava apagada sobre as costas de Naruto.

 

 

- A saída é logo ali! - Gritei assim que vi a avenida principal.

 

 

Minha alegria durou muito pouco, senti alguém me puxar pelos cabelos e cai de costas no chão, o som das bombas de efeito moral era ensurdecedor, os flashes das bombas me chegaram parcialmente e senti alguém puxar o casaco onde Natsu estava. Eu estava um pouco tonta e confusa, senti várias mãos puxando meus braços e apertei ainda mais Natsu a mim, não faço ideia por que mas parecia que queria tirá-la dos meus braços, senti pancadas na cabeça, não muito fortes, mas o suficiente para me deixar furiosa, seja lá quem fossem não tirariam minha irmã de mim, não mesmo.

 

Senti a manga da minha camisa ser puxada até rasgar, eu mantinha meus olhos fechados com medo de algum ferimento nos olhos, Natsu chorava copiosamente e eu estava desesperada.

 

 

- NARUTO! SOCORRO! - Gritei o mais alto que pude mas não tive retorno.

 

 

Com todo aquele barulho e tumulto seria impossível ele me ouvir. Com dificuldade consegui enxergar um homem e uma mulher que tentavam puxar Natsu de mim, fiquei desesperada, nunca estive nem de longe em uma situação parecida, não sabia o que fazer, estava confusa e assutada, tinha perdido Naruto de vista, não sabia o estado real de minha mãe, Natsu chorava assustada e o homem puxava meu braço para um lado e a mulher puxava o casaco que estava em volta de Natsu para o outro, e eu fazia todo o esforço do mundo para mantê-la junto a mim.

 

 

- Parem! Parem! O que estão fazendo?! Tem uma criança aqui! - E gritava mas acredito que eles estivessem drogados.

 

 

- Abaixo a ditadura do governo! Viva a revolução! - A mulher gritava como louca.

 

 

- Ela é só uma criança! Parem! - Eles puxavam mas eu me mantinha firme.

 

 

- Morte a polícia! Viva a revolução! - Eles repetiam o couro da multidão que fazia uma verdadeira destruição no local.

 

 

Não sei de onde veio ou como veio, mas um policial que mais parecia um robô devido a armadura da tropa de choque voou em cima do homem o arremessando longe de mim, os dois caíram no chão e eu pude ver o policial desferindo socos no homem, quando o mesmo estava tonto o policial o virou e o algemou o arrastando para perto de mim.

 

 

- EI VOCÊ! SAIA DAQUI AGORA! - Ele provavelmente viu Natsu ou ouviu o choro dela, por isso veio em meu socorro.

 

A mulher pulou por cima de mim repetindo o ato do policial e se jogando sobre ele, rolando com ele no chão e desferindo socos e tapas no policial que rapidamente se viu cercado por outros baderneiros que se aglomeraram rapidamente em cima dele, na mesma hora me preparei para correr, mas não consegui dar um passo.

 

BOOM!

 

 

Ouvi o som alto e depois um silêncio ensurdecedor, apenas um zumbido alto ecoava em minha cabeça, um clarão nos meus olhos me obrigou a fechá-los e notei que Natsu pôs as mãos nos ouvidos e chorou mais ainda. Deduzi pelo que me lembrei das explicações de Naruto que se tratava de uma granada não letal para efeito moral, lentamente apoiei meu braço direito no chão sustentando Natsu com o esquerdo e comecei a me levantar. Vi fogo, alguns baderneiros jogavam coquetéis molotov em direção a polícia que começou a atirar com munição de borracha, usei meu corpo para formar um escudo sobre Natsu.

 

Novamente me senti ser puxada pela roupa e quando me virei lá estava a maldita mulher de olhos arregalados e enlouquecida me agarrando de novo, como um raio no céu, uma coisa me passou pela cabeça e eu enfiei a mão com dificuldade no bolso do meu casaco que estava em Natsu.

 

 

 

“- Um batom? - Perguntei confusa, ele deu uma leve risada.

 

 

- Isso é spray de pimenta, está vendo a marca branca? - Ele indicou uma pequena bolinha branca em cima.


 

- Sim.

 

 

- Aponte para o agressor e aperte a tampa do cilindro, mire no rosto, mesmo se não acertar os olhos o agressor vai respirar o conteúdo e vai ficar fora de combate por alguns segundos, o suficiente pra você correr o mais rápido que puder. Não é pra ficar, é pra correr entendeu?!”


 


 

Mesmo sem muito jeito peguei o pequeno cilindro e apontei para o rosto da mulher, apertei o pequeno botão com toda força.

Fechei os olhos no processo, mas quando os abri a mulher estava rolando no chão com as mãos no rosto e gritando de dor. É o pequeno spray funcionou.


 

Mesmo tropeçando e quase caindo ajeitei Natsu no colo e corri na direção da saída o mais rápido que consegui, mais uma vez me vi encurralada entre a zona de guerra que estava aquele lugar, olhei em todas as direções mas não vi uma saída, de repente ouvi algo.


 


 

- EI! EI VOCÊ COM A CRIANÇA! VENHA PARA CÁ! DEPRESSA! - Ouvi uma voz atrás de mim.


 

Me virei e vi dois policiais da tropa de choque que me protegiam formando uma barreira com seus escudos enquanto eram atingidos por uma chuva de pedras e outras coisas que os manifestantes atiravam neles. Imediatamente me pus atras deles e começamos a caminhar lentamente na direção de uma viatura que estava parada na entrada, quando já estávamos quase na saída um grupo de manifestantes conseguiu derrubar um dos policiais e o outro se viu obrigado a baixar o escudo para socorrer o parceiro, nessa hora uma quantidade grande de manifestantes começaram a espancar os dois pobres policiais que nada puderam fazer a não ser tentar revidar o quanto podiam, haviam muitas pessoas ali e mais e mais chegavam correndo, isso por vairas vezes quase me derrubou, e eu sabia que se caísse ali, provavelmente seria pisoteada com Natsu no colo.


 

Fui tentando me desvencilhar da multidão mas era quase impossível, em determinado momento uma pessoa me empurrou e eu cai no chão, me encolhi sobre Natsu temendo o pior, mas ouvi uma voz muito conhecida e muito raivosa ressoar como trovão.


 


 

- SAIA! SAIA DA MINHA FRENTE! SAIA! - Pude ver Naruto com um pedaço de madeira enorme nas mão desferindo impiedosos golpes em quem cruzasse seu caminho, fiquei até um pouco assustada com a violência que ele demonstrava, ele parecia possesso.

Ele batia e as pessoas começaram a se afastar com medo dele, me levantei quando surgiu uma oportunidade e ergui a cabeça na direção dele.


 


 

- NARUTO! - Gritei e ele me viu ao longe, começou a correr em minha direção e no caminho empurrava e jogava quem estivesse em sua frente no chão.


 


 

- Vocês estão bem?! Eu perdi você de vista! - Ele me olhava dos pés a cabeça preocupado.


 


 

- Estamos bem, Natsu só esta assustada! Vamos sair daqui! Onde esta minha mãe?! - Perguntei já começando a andar rápido enquanto Naruto abria caminho a minha frente na base de empurrões e pontapés.


 


 

- Elá está na calçada ali fora. - Ele falou empurrando mais algumas pessoas, não pude evitar de me lembrar de Sakura, será que quela violência toda faz parte dele e ele mascara isso?


 

Me desviei daquele pensamento quando finalmente chegamos a saída, Naruto pegou minha mãe que estava sentada numa calçada, pôs nas costas e nos dirigimos ao carro que estava estacionado em outro quarteirão. Finalmente tínhamos saído de Kamagasaki.


 

Entramos no carro, Naruto acomodou minha mãe no banco de trás, ela apagou mais uma vez, ela estava muito, muito mal. Fiquei com Natsu no colo e ele saiu dirigindo rapidamente em direção ao hospital mais próximo.


 

Aquele foi um dia literalmente turbulento, não quero outro dia desses tão cedo, tomei meus remédios e me permiti fechar os olhos um pouco. Finalmente encontrei minha mãe, e também descobri que tenho outra irmã, são tantas questões, tantas perguntas, tantas respostas.


 

Mas terei tempo para isso, a prioridade agora é a saúde de minha mãe e de minha nova irmã.

Minhas respostas eu terei depois, com toda certeza terei. 


Notas Finais


Muito obrigado pela companhia! Até mais!

•_•


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