História Personalities of a crime - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Linkin Park
Personagens Brad Delson, Chester Bennington, Dave Farrell, Joe Hahn, Mike Shinoda, Rob Bourdon
Tags Chester Bennington, Linkin Park, Mike Shinoda
Visualizações 12
Palavras 4.737
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Luta, Policial, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


mais um capitulo dessa super fic pra vcs, espero que gostem. Boa leitura a todos

Capítulo 9 - VII


Fanfic / Fanfiction Personalities of a crime - Capítulo 9 - VII

Dedos frios em sua pele, uma dor profunda que o fazia querer transcender para outro espaço físico. Impossível. Era impossível simplesmente desaparecer.

Mas um dia ele já quis.

Sua professora perguntou em um questionário que tipo de poderes os alunos gostariam de ter e a razão. A sua resposta em kanjis desordenados, alguns errados – ele não tinha muito controle da concentração para escrita, para mais nada se não observar o ambiente ao redor de si, sempre alerta, sempre vigiando. Embora isso tenha se tornado um fardo involuntário que carregava em suas pequenas mãos, desenvolveu um raciocínio que muitos chamavam de brilhante, mas era apenas reflexo do medo.

“Queria ter teleporte, assim eu poderia sumir quando estou em uma situação ruim”.

Não recebeu a atenção necessária naquela época, não recebeu atenção necessária jamais e talvez por isso se auto preservou criando para si mesmo seu superpoder de desaparecer para outra realidade enquanto um herói forte, destemido e malicioso como ele projetava ser assumia o controle.

O problema é que Mike não era um herói e Michael não sabia disso.

Uma alma tão quebrada quanto a sua não poderia criar um herói, não com tantas sombras e borrões em seu passado.

Mke fazia flexões ao lado da cama vestindo apenas a calça moletom cinza de Michael.

Seu rosto não parecia tão satisfeito quanto normalmente sentia ao se exercitar.

Uma gota de suor percorreu seus cabelos, desceu pela testa e chegou até a ponta de seu nariz, caindo sobre o carpete e fazendo uma pequena mancha.

Mais uma. Mais uma.

Mais... A gota parou no meio do caminho, entre seu corpo e o chão e ficou ali, estagnada enquanto Mike  sentia todo seu corpo gemer de dor.

Não era a sua dor, era a dor dele.

Michael  havia quase compreendido o que estava havendo no meio da madrugada e mesmo preso lá dentro de si ainda não o havia deixado dormir com tantas perguntas.

Michael  estava querendo voltar á superfície novamente, mas Mike não deixaria isso acontecer enquanto ele não parasse de se debater tanto.

A gota de suor caiu finalmente ao chão quando Mike fechou aquela jaula onde Michael

se encontrava dentro dele e sorriu-lhe, piscando sarcástico.        

“Fique quieto ai, rapaz”.

Saltou do chão e secou o rosto suado com o antebraço, estendeu a mão e tocou no maço de cigarros meio amassado levando um aos lábios com os dedos em formato de pinça enquanto observava o corpo nu de Bennington  dormindo serenamente enrolado no lençol.

Assim que acordasse seria Chester  outra vez, infelizmente seria o psicótico do Chester.

Jogou a fumaça para o teto com um suspiro longo e abriu a porta do banheiro, despindo-se na porta e entrando para os jatos quentes da água corrente.

Mike  não imaginava que Michael fosse tão forte de quebrar as paredes mentais de dentro dele a ponto de sentir-se pronunciando com a sua voz, alto o bastante para que ele escutasse;

— Saia de dentro de mim!

Mike sentiu a dor nas têmporas, escorou-se á parede e fechou os olhos, sorrindo sarcástico por uma vez na vida o garotinho medroso que queria ter um superpoder de covarde pudesse desafia-lo. Mike se tivesse que ter um superpoder certamente escolheria algum que destruísse totalmente a razão dos medos e pânicos de Michael, jamais iria fugir.

— Estou ajudando essa droga de vida que você sequer quer mais viver, seu Pateta. — Mike  disse sorrindo cruelmente. — Acha que surgi hoje? Que é uma coincidência que eu, você, Chazy e Chester tenhamos essa ligação? Duplas personalidades, olha que curioso! Não seja ridículo, você sequer se lembra de onde o conheceu, você sequer se lembra o que aconteceu com você quando tinha seis anos. Essa parte, essa merda de parte você deu pra mim, não é? Sabe o que me anoja realmente em você, Michael? O fato de não carregar nada doloroso já que jogou tudo pra mim e desperdiçar essa sua vida sendo um frouxo.

Michael sabia, por um breve momento que sentiu-se usando aquele corpo de baixo do chuveiro ele já sabia.

Ele sabia de tudo.

— Eu quem mantenho você livre de ter se tornado um viciado, um suicida. — retrucava Mike  para um Michael que negava, em choque. — É a mim que deve agradecer por ter suas memorias nojentas, sobre aquele dia, apagadas. Eu as carrego, por isso o Chazy prefere a mim, por que eu sou um homem de verdade. Ele me entende, eu entendo ele. Você... Você é só o estorvo que veio com meu corpo.

Mike estava dentro outra vez enquanto Michael emergia de um longo mar escuro de desespero a ponto de abrir os lábios para respirar.

“Não é seu corpo, esse corpo é meu! Meu!”, Michael contestava desesperadamente.

 Assim que seu corpo sentiu o azulejo azul do banheiro, soube que de fato sua vida inteira era azul, formada de várias tonalidades, varias camadas, mas tudo era azul e apenas quando Mike surgia com seu sorriso malicioso as outras cores dominavam.

 

PASSADO

“Reuniões na ala psiquiátrica semanais, havia um rapaz baixinho de cabelos castanhos lá e quando seus olhos se encontravam aos dele, ambos sorriam...

***

— Charles Bennington . E o seu nome, qual é? — dizia o próprio andando ao seu lado pela calçada ensolarada de uma tarde de outono.

Não se via, mas sabia que sorria.

— Michael Kenji Shinoda.

— Estamos indo ás mesmas sessões. — ele constatou com uma expressão triste. — TDI¹?

— É...

***

— Mike ? — dizia Chazy sorrindo interessado pelo moreno que outrora parecia tão fechado, mas naquela manhã era apenas um exemplar vivo de puro carisma, malicia e sedução. — Então agora você é o Mike?

— Mike. — ele sorriu tirando o cigarro dos lábios enquanto sua mão estava escorada á porta do baixinho que estava contra ela e seu corpo, havia feito questão de leva-lo em casa. — Acho que gosto disso, Chazy.

Foi o que disse antes de inclinar-se e iniciar um beijo.

***

— Você já sofreu abuso, Michael?

***

Mike surgindo e levando com ele, pela mão a memoria de um Michael com seis anos e toda aquelas memorias horrendas onde o homem que sua mãe havia escolhido para ser seu “novo pai” o feria tão profundamente a alma que o tornou quem era.

Mike sorria para ele. Perigoso com uma lâmina contra a garganta, encantador como o pecado.

"— Não precisa carregar mais isso sozinho, Michael, deixe que eu resolvo pra você.

Agora... Esqueça”.

E ele esqueceu.

 

PRESENTE

Michael  abanou a cabeça no boxe do banheiro sentindo toda a frustração tomar conta dele, sentindo-se realmente fraco, tão fraco que soqueou a parede novamente. Mike  e ele compartilhavam o gosto pela violência, nem que ela se aplicasse a si próprio.

Tantas brigas em bares que ele não sabia explicar, tantos ferimentos que surgiam sem razão, tantos objetos deixados na casa sem ele saber como vieram parar lá.

Michael até mesmo sabia onde Mike  guardava os suvenires das garotas que havia matado.

Queria gritar, mas apenas um soluço mudo saiu de seus lábios quando sentiu-se observado pelo vidro do boxe.

Virou o rosto lentamente para a porta, sentindo-se sôfrego e encarou aquela figura que vestia apenas a camiseta dos Ramones da noite passada e fumava um cigarro doce o encarando com divertimento.

Michael desligou o chuveiro, abalado e não conseguiu se mover até ter uma toalha atirada contra seu rosto.

— Então você o conheceu? — a voz de Chester soou desinteressada, mas havia um fundo pequeno de preocupação entre o deboche. — Nossa, ele acabou com a gente noite passada.

Michael  tirou a toalha do rosto e apenas a enrolou na cintura, saindo do boxe pingando água pelo corpo enquanto Chester o olhava curioso.

— Você o conhece também. — disse se apoiando á pia, olhando para seu reflexo bem barbeado no espelho. Certamente o impostor havia feito aquilo, pois ele não sentia a menor vontade de barbear-se.  — Você e ele se conhecem e tramaram esses assassinatos... Vocês dois são nojentos.

Chester soltou uma risada cínica e passou o dedo lentamente pelas costas molhadas do investigador.

— Você também é, ora vamos, não minta que você não gostou da festinha. Admita que nós três podemos nos divertir, é claro, o Chazy não, ele é uma Bicha Chorosa safada com o Mike, mas com você... — riu colocando o dedo quase no fundo da garganta demonstrando como se sentia em relação a Bennington.

Michael virou-se furioso vendo a tempo as expressões de desdém de Chester.

Quando foi passar por ele, encarou aqueles hematomas arroxeados em seu pescoço e não sentiu nenhuma hesitação em puxar a gola da camisa e ver que eles seguiam pelos ombros.

— Ah, quer desse jeito agora? — Mike riu sarcasticamente e tirou a camiseta para que ele pudesse analisar seu corpo melhor. — Indelicado, sabe que é assim que eu gosto.

Michael sentiu a raiva apossar-se dele enquanto fitava Chester com desgosto.

— E você não poupou esforços de levar ele pra cama, não é? Está cheio de chupões... — disse abanando a cabeça com desprezo. — Inacreditável, você deve transar com qualquer coisa que se mova.

Chester  riu enquanto vestia a camiseta outra vez e o seguiu pelo corredor.

— Eu? Eu não tenho nada a ver com isso, gatinho. Desta vez eu não fiz nada, fui até mesmo dormir. — passou a mão pelo pescoço sentindo levemente dolorido onde os pequenos hematomas enfeitavam sua pele.

Michael  sentiu o frio incomodo cruzar seu estomago quando parou no centro do corredor e se voltava a ele.

— O que?

Chester  assentiu, sarcasticamente escorando-se á parede e o encarando.

— Isso aqui e esses enormes arranhões pelas suas costas e ombros foi tudo coisa daqueles dois. Quem me dera ter sido eu, mas não dessa vez, gatinho. — inclinou-se tocando o queixo de Michael e depositou um pequeno beijo ali, totalmente debochado. — Desta vez o Mike  e o sem graça estralaram o colchão a noite inteira.

Michael  fechou os olhos e passou as mãos úmidas pelo rosto, sentindo-se desgraçado. Mais desgraçado que nunca.

— Não faça drama. — Chester gemeu irritado. — Eu posso te ver choramingando pelos cantos pela Bicha Chorosa, ele mesmo pode te ver me comendo do jeito que você gosta e você não pode dividir o Chazy  com o Mike? Que coisa...

— Eu não quero dividir mais nada. — gemeu fitando o rosto de Chester com um crescente desespero.

Chester deu de ombros e sorriu a ele daquele modo perigoso que o fazia quase sair de si.

— Tarde de mais, gatinho.

Michael caminhou até a cozinha e procurou a chaleira para que pudesse fazer chá. Chazy havia deixado tudo tão em ordem que não encontrava mais nada. A bagunça com a qual estava acostumado foi totalmente desmontada. Ele não sabia dizer se isso era bom ou ruim. Colocou água na chaleira e ligou o fogo. Respirou fundou e passou as mãos nas costas. Aquilo pinicava, as unhas que estiveram rasgando sua pele durante a madrugada não estiveram ali por acaso. Era com real intenção de deixar marcas.

Mas porque Chazy faria isso consigo? Será que era como se quisesse descontar o que ele e Chester  lhe fizeram? Mas porque justamente com Mike? Aquela coisa que existia dentro de si há tanto tempo, o causador das mortes de todas aquelas mulheres... Como Chazy, logo Chazy pudera se envolver com tudo isso?

Apoiou ambas as mãos no mármore escuro de sua pia e abaixou a cabeça, fechando os olhos com força, crispando os lábios. Um leve dor começou a incomodá-lo.

" - Estamos nas mesmas sessões... TDI...?"

As respostas estavam diante de seu nariz, e ele como o bom imbecil e lerdo que sempre fora, jamais se atentou. Mike  tinha razão. Ele era somente um Pateta.  Estralou os dedos e levou uma das mãos aos cabelos, seu abdômen doía, certamente devido aos exercícios que Mike estivera fazendo até algumas horas atrás. E claro, os exercícios que havia feito a noite toda em cima do seu Chazy.

O que diabos ele estava se transformando?

"Acha que surgi hoje? Que é uma coincidência que eu, você, Chazy e Chester tenhamos essa ligação?"

Sua cabeça começou a latejar mais uma vez, a dor vinha tão profunda que chegava a ecoar nos tímpanos, tilintando, com o tique-e-taque de um relógio cuco dentro de seu cérebro.

Ardia. Cada célula de seu corpo estava ardendo tal como se estivesse queimando.

"Se eu fosse um super herói, queria ter tele porte, assim eu poderia sumir quando estou em uma situação ruim.”

Arfou pesado e comprimiu os lábios.

- Se lamentando pela Bicha Chorosa que te meteu o chifre? - a voz risonha e cínica, porém melodiosa ecoou atrás de si, enchendo toda a cozinha. - Acho bem feito.

O som da chaleira começou a subir, bem baixinho. O vapor começando a sair vagarosamente, subindo lentamente e sumindo conforme se misturava ao restando do ar do cômodo.

-              Cala a boca... - Michael pediu em tom baixo, um sussurro apenas.

-              Pelo jeito que eu tô machucado, o Mike deve ter machucado bastante a Bicha! gargalhou. - Acha que houve choradeira com o Mike? Hrm! Duvido!

Sentiu as carnes de seu corpo estremecerem somente em pensar na vaga hipótese de Mike machucando Chazy. Certamente ele era violento e Bbennington do jeito doce que era não conseguiria se defender e acabava se tornando refém de suas vontades e de sua mente maléfica.

Até quando aquilo continuaria, até quando seria escravo de si mesmo? Novamente a cabeça latejou, mas dessa vez com uma leve vertigem. Lembrou-se então que precisava os remédios, porém aquelas porcarias de drogas só estavam piorando tudo. Ele jamais iria se virar por conta própria se seguisse com aquela maldita dependência química.

-              Mas e se Bicha Chorosa gostar de levar uns tapas...? - a voz sacana e rouca de Chester  ecoou, dessa vez bem próxima ao seu ouvido, tão próxima que fez os fios de sua nuca se eriçarem.

Reaja.

Bem como o sangue ferver. Estava começando a ficar farto das atitudes daquele maldito demônio, daquela parte horrorosa que Bennington  certamente havia criado com a ideia de que fosse um super. herói. Tal como Mike.

Reaja.

Contudo, tanto Mike  como Chester jamais seriam super heróis, eram somente bestas, demônios, a podridão de suas mentes humanas, a mais profunda imundícia vinda do âmago de suas almas, expostos para fora, emergidos, como feras insaciáveis, prontas para devorar, esmagar, matar e destruir quem estivesse em sua frente.

Reaja!

O zunido da chaleira começou a ficar mais alto, lembrou até um trem se aproximando imponente.

- Michael-do-Lixão-Chifrudo. - Chester zombou, passando a língua no lóbulo da orelha de Michael que sentiu-se estremecer de cima a baixo. - Mas é bom... Pelo menos assim eu fico com você só pra mim.

"Garoto, se contar qualquer coisa para sua mãe, mato você e ela, entendeu bem? Agora seja bonzinho, e faça o que o titio mandar..."

Naquele momento Michael trincou os dentes, soqueou o mármore da pia e agarrou Chester  pelo pescoço, envolvendo os dedos longos ali com pressa, jogando-o contra a parede com força, fazendo-o perder o ar por poucos segundos. Até o ergueu poucos centímetros do chão, tamanho a força com que fora possuído.

Não era Mike dessa vez. Ele sabia.

 As pontinhas dos dedos dos pés frios de Chester mal tocavam chão, moviam-se nervosamente, e as mãos seguraram-se aos ombros do investigador. Chester era Chester, ele era capaz de se livrar daquelas mãos no momento que quisesse com toda facilidade. Bastava dar uma joelhada firme no peito de Michael, ele cairia no chão sem ar e assim ele poderia se divertir um pouco. Porém, teve que admitir que ficou feliz com aquela reação do homem a sua frente, parecia que finalmente o Michael Kenji Shinoda, o investigador  estava de fato acordando.

-              Vai me matar... Michael...? - zombou.

Até entre a vida e a morte aquele desgraçado conseguia ser cínico.

-              Sabe que se eu morrer o Chazy morre também... - suspirou, já considerando dar a joelhada, porém esperaria alguns segundos amais. - Pensa com carinho.

Michael então o soltou, fazendo-o cambalear assim que encontrou o chão. Chester levou as duas mãos ao pescoço e massageou o a região, pigarreando em seguida.

A chaleira já gritava desesperada por atenção no fogão, só então Michael lembrou-se do motivo inicial que fora levado até ali: chá.

Chester saia da cozinha sem dizer nada, Michael pegava uma xicara branca e colocava o saquinho de um chá que não se deu ao trabalho de ler o nome. Talvez aquilo fizesse com o que gosto de sangue que reinava em sua boca sumisse.

***

Por volta das 15:00hrs da tarde Michael e Chester entraram no furgão e partiram para a unidade da policia onde Joe chefiava a investigação. Ele havia ligado mais cedo pedindo para que ambos fossem até lá para que estudassem um pouco mais sobre o assassinato de Kabuchiko.

Assim que entraram na delegacia, Chester  recebeu muitos olhares de desaprovação por parte dos policiais, porém isso não o incomodou, muito pelo contrário, ele gostava de saber que era o incomodo. Sentia prazer de ver que sua presença incomodava alguém.

Ao passarem pela porta, onde havia as siglas de Chefe da Policia e em baixo Joseph Hahn, encontraram o moreno sentado em sua poltrona preta, com o corpo curvado para frente, olhando fixo para o amontoado de fotos que haviam espalhadas por sua mesa. Um cigarro pendia em seus lábios e assim que ele ouviu a porta se abrindo apenas deu um vago olhar antes de se concentrar nas fotos.

-              Péssimo gosto. - Chester resmungou, olhando as paredes sem qualquer adorno, somente os montes de certificados da policia seguido de algumas medalhas. - Sem graça. - rodou os olhos.

Joe ignorou o comentário e se levantou, entregando o jornal para Michael com pouco cuidado. Na capa do jornal a foto da primeira capa era ninguém menos que Chester lambendo o gravador de Brad  com uma expressão nada casta em seus olhos e Michael que o próprio Michael sabia não se tratar de si - olhando-o com um desejo palpável no olhar, uma sombra de sorriso nos lábios.

-              Da pra explicar que porra foi essa? - Joe rosnou, olhando para Michael, porém querendo a resposta de Chester.

-              Uma lambida no gravador. - Chester riu. – Demais, né? Hmm, olhe a sua cara, Michael ,acho que gostou disso.

Joe cerrou os dentes e amassou o jornal, cujo Michael fitava com visível interesse, o atirando em direção à lata de lixo, errando e a bola de papel caindo no centro da sala. Michael abaixou o olhar e soltou um longo suspiro resignado. Joe abanou a cabeça, furioso.

-              Tem ideia de que esta imagem se tornou viral na internet? Que as pessoas estão simplesmente compartilhando isso, que fizeram a porra de memes com isso? Que esta porcaria de foto demonstra toda a fraqueza da policia de Tokyo para o mundo todo. Nos tornamos personagens de um circo, um circo onde doentes até mesmo ficam “shipper” vocês dois, seja lá o que isso seja.

Chester soltou uma risada que segurava na garganta há alguns minutos.

-              Shippando, idiota. Todo aquele couro e as algemas estão te deixando velho de mais para acompanhar o mundo que vive, né Joe?

Hahn encarou o rosto de Michael, ele não parecia mais que apenas concentrado no chão, como se aquela situação não fosse com ele. Levantou-se da mesa e a contornou, furioso estralando os dedos em frente ao rosto do investigador que colocou seus olhos frios nele.

-              O que está havendo com você? Estava drogado naquela noite? Heim? Estava drogado? Anda perdendo o controle e se enchendo de droga, não é?

-              Não. – balbuciou sentindo aquele ardor de irritação se fixando em sua garganta.

Joe não tinha o direito de trata-lo daquela forma. Já estava indo longe de mais.

-              O que há de errado com você afinal, homem?

Michael o encarou com uma expressão firme desta vez, sem aquele modo cabisbaixo que sempre o fazia sentir inferior.

-              Muita coisa.

O chefe de investigação soltou um suspiro e acenou com a cabeça, indignado enquanto levava as mãos aos cabelos outra vez.

- Eu estou tão famoso assim, então? – Chester disse com um sorriso pensativo, satisfeito. – É claro, por que eu não estaria? Basta olhar pra mim que...

O dedo em riste de Joe Hahn não se conteve e foi apontado diretamente para o rosto de Chester, que surpreendeu-se com aquele ato, mas não moveu um passo de sua posição ao lado de Michael.

-              Escuta aqui, seu bastardo. – Joe começou a falar com a voz baixa de ameaça, os olhos negros faiscando daquela chama que o levaram a ser um dos investigadores mais assustadores de sua época que por fim o tornou chefe de investigação. - Eu não sei quem você pensa que é, mas vou te dizer a verdade. Você é só um verme cheio de marra e alguns problemas mentais bem graves. Você pode enganar todo mundo com essa baboseira de dupla personalidade, de ser um psicopata pop pra esses adolescentes retardados, mas no fim você não é nada. Depois que essa investigação acabar, você vai voltar para aquela sua cela, fechado sem ver ninguém para o resto da sua vida patética.

Chester  sorriu, mas Michael que o olhava sabia que era um sorriso de irritação.

-              É, Joe? – disse debochado.

-              É. – Joe sorriu cinicamente enquanto o dedo apontava ainda para ele. – Você não é nada, você é um doente que não tem outra função social se não ser um macaco de circo pra uma mídia...

Assim que um movimento rápido se fez em frente ao punho de Joe, a dor foi tão forte que sentiu-se arquear o cenho e morder os lábios para não gritar. Seu dedo em riste agora estava entre as mãos de Chester que torcia com uma força que não parecia vir daquele tatuado sorridente que vestia um casaco de leopardo.

-              Pois eu sou tudo aquilo que vocês todos querem ser, Joe. Eu sou a parte de cada um de vocês, “pessoas de bem” desejam colocar para fora, mas são covardes de mais para por. Eu sou infinito, eu sou a perfeição que caras como você... – torceu ainda mais o dedo do chefe de policia que parecia incapaz de reagir, pois ali estava sendo aplicada uma imobilização eficaz. – Caras covardes e cheios de segredinhos pervertidos não suportam ver. Qual é a sua, Joe? Tem medo de aparentar para todos o doente que você é? Um doente como eu?

-              Michael! – Joe gemeu de dor, clamando por ajuda, mas foi apenas observado pelo investigador que parecia alheio aquilo.

Chester sorriu e aproximou o rosto do dele, o encarando nos olhos com divertimento.

-              Ah, dói, Joe? Aposto que se fosse você na outra ponta, me fazendo gemer de dor já teria se gozado todo, não é?

Assim que o soltou, Hahn se afastou, ofegante com a mão ferida entre o peito e o braço, sentindo-a latejar. Encarou ambos com um crescente pavor e respiração ofegante.

Michael o fitava surpreso por mechas de cabelos terem se desprendido daquele penteado impecável dele e estarem enfeitando seu rosto. Achava que quando ele estava vestindo suas – nem tão secretas - roupas de couro com Rob, seu chefe não tinha nada daquele homem ponderado e elegante que sempre via. Apostava até que seu sorriso fosse largo e sacana, seus cabelos fossem desalinhados e quase sexys a sua visão, imaginou a quantidade de obscenidades que ele dizia...

Não, Joe Hahn não era tão diferente de Chester.

Tampouco de Mike. Deus, tampouco de si mesmo.

O chefe de investigação viu o esboço de sorriso no rosto do colega que agora desviou o olhar e a forma sedutora que Chester fitava Michael, orgulhoso por ele não ter o impedido.

-              Viu, Joe? – dizia Chester todo satisfeito se debruçando quase eroticamente pela mesa e o fitando com aquele olhar devasso. – Agora nos mostre as...

Michael encarou o corpo de Chester naquela posição inclinado para ele totalmente. Sentiu a garganta secar e uma fisgada em seu pau. O puxou com força pelo braço, não iria suportar a visão de Chester naquela posição ao se lembrar de ele estar inclinado exatamente daquele modo sobre o fogão enquanto ele...

“Deus, me ajude”, pensou o arrancando com violência da mesa e o encarando firme vendo o rosto surpreso de Chester para ele.

-              Já chega, Chester. – gemeu repreensivo.

-              Vocês estão transando. – Joe disse com um sorriso perspicaz. – É claro, isso era visível, não sei por que estou surpreso. Vocês andam transando naquela casa, não é Michael?

O investigador pegou algumas das fotos, calmamente.

-              Isso não é da sua conta e é irrelevante para o caso.

Chester encarou Michael orgulhoso, gostava quando ele era ele e ainda mantinha aquela postura durona que parecia pegar emprestado de Mike. Mordeu os lábios, satisfeito e voltou-se ás fotos. Michael o percebeu calar-se e o obedecer e encarou aquilo com um leve sorriso de satisfação também.

Chester, afinal, poderia ser domado.

Joe fez um gesto indiferente de confusão e soltou um longo suspiro.

-              Eu nem sei mais o que dizer.

-              Diga as novidades. – Michael disse em tom alto e claro lendo parte do relatório da perícia.

Joe voltou a se atirar na cadeira de couro ainda com a mão ferida sendo afagada pela outra e apontou para os papeis.

-              Sem digitais, sem DNA, sem rastro nenhum, mas ele deixou uma coisa que não havia em qualquer outra cena de crime.

Chester e Michael ergueram o olhar para ele com curiosidade.

-              O que?

-              Rob mal pode saber o que era, e não havia em muitos locais, mas depois de uma checagem completa do corpo pode notar vestígios de hidroquinona no corpo. Não muito, mas o suficiente para julgar que estava grudado a luva dele.

Os dois parados em frente á mesa se entreolharam e Chester sorriu.

-              Além de querer clarear manchas, essa substancia é usada para revelar fotos. A bicha Chorosa sempre usava isto. Sabe o que isso significa, Michael?

-              Sei. Ele está guardando fotos dos crimes como suvenir. – retrucou irritado. – Ah,mas que inferno. É possível que essa substancia tenha ido parar lá por contaminação do fotografo criminal?

Joe pareceu pensativo e negou.

-              Não. Não. A atual fotografa é muito cuidadosa, ela sequer tocou no corpo. Rob não seria tão bobo de deixar isso acontecer.

Michael puxou um cigarro de sua carteira e assim que viu Chester imita-lo, trocaram um olhar quase cumplice que foi percebido com uma expressão de horror por parte de Joe quando Michael inclinou a mão para acender o cigarro para o psicopata que aceitou com um fino sorriso galante.

Eles pareciam estar se entendendo de um modo invisível e inaceitável de mais ao ponto de vista de Hahn. A realidade é que eles pareciam que iriam pegar fogo a qualquer momento apenas com o menor contato. As expressões de seu investigador para o sociopata beiravam o constrangedor para quem visse.

-              Vamos adicionar esse traço ao perfil do suspeito. – Michael disse, agora se voltando a Joe  com uma expressão fria. – Ele quer registrar o momento para poder apreciar em casa, por quanto tempo ele quiser. Ele é um fotografo que conhece com detalhes o trabalho de Chester. Precisamos dar uma checada nos fotógrafos da nossa equipe, Joe. Eu não ficaria admirado que ele fosse tão obcecado pelo Chester que esteja imitando seus crimes, imitando até mesmo seu cargo.

Chester jogou fumaça para o ar com desdém.

-              Que pretensão, mas não o julgo. É natural tentarem ser eu, alias, até eu mesmo queria ser eu.

Joe revirou os olhos e fechou a pasta.

-              Vamos buscar as fichas dos atuais e os recentes fotógrafos das equipes. – levantou-se e suspirou. – Quero que fiquem aqui até a noite, se precisar que virem a noite, vamos encontrar qualquer traço que faça sentido a vocês dois, malucos e assim podermos ter algum vestígio. Alias, não espero que tenham planos para hoje, pois vou arrancar a pele de vocês até encontrar alguma coisa.

Chester crispou os lábios em um bico chateado.

-              Hm... Michael ia me mostrar como toca naquele violoncelo empoeirado dele hoje, faz tempo que não toca, né Michael? Depois de estar soterrado no lixo fica difícil tocar... – sorriu malicioso. – Se perdeu a pratica posso te deixar tocar em outra coisa...

Michael estralou os lábios, irritado enquanto seguia Joe para a saída.

-              Não enche, Chester.

-              Não quer tocar, que coisa... Acho que os chifres te deixam muito sexy, queria aproveitar isso hoje.


Notas Finais


nossa to com do do Joe agora kk Bom muita coisa ainda vai acontecer, então fiquem ligados. Espero que tenham gostado Bjos e ate o próximo cap


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