História Peter Pan - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Kai, Sehun, Tao
Tags Baekyeol, Chanbaek, Romance
Exibições 72
Palavras 4.488
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Fluffy, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Não se assuste se você já leu essa fic em algum lugar. Ela já foi postada, mas eu acabei excluindo porque ela estava numa fic onde eu postava varias oneshots. Com as mudanças do SS, acabei apagando essa "fic" e estou postando as Oneshots individualmente. Eu tenho um amor muito grande por essa fic e espero que vocês gostem também.

Obrigadinha <3

Capítulo 1 - Oneshot


“Mamãe, o que há além das estrelas?”

“Ah, meu pequeno, lá estão os anjos que cuidam das crianças.”

“Acha que é um lugar bonito?”

Ele possuía o brilho das estrelas no olhar; de tanto admirá-las acabou absorvendo a luz para si. Desde pequeno tinha mania de se debruçar no parapeito da janela e ficar contando um a um os pontinhos luminosos que bordavam o grande céu negro. O riso acompanhava sua contagem e seus dedinhos miúdos se esticavam para ajudá-lo a não perder a conta. A hora de dormir era o momento mais deleitoso para o jovenzinho, pois as historinhas que sua mãe lhe contava sobre o mundo além das estrelas o deixava fascinado demais a ponto de se tornar um eterno amante da noite. O sonho de Baekhyun era poder conhecer aquele lugar que por toda sua infância ouvira falar.

Com seus catorze anos, segredava a si, a crença nas fantasias de criança e ainda espiava pelo vidro da janela suas mais fieis companheiras. Era bobo demais e por isso mesmo não contava essa tolice nem mesmo a sua mãe e sabia que se seu irmão mais velho desconfiasse, seria motivo de gozação pelo resto de sua vida. Então guardava tudo para si, em seu coração como se fosse uma recordação gostosa de uma época em que fadas e feiticeiros existiam de verdade.

Toda noite ele sentava a beira da janela, observava por alguns minutos, as contava até o limite de sua paciência, ria sentindo-se bobo e fazia o seu secreto pedido:

 

“Um dia quero conhecer além das estrelas”

 

Então bocejava, coçava seus olhos de forma manhosa e seguia para debaixo das cobertas com um sorriso puro adornando seus lábios finos.  E, geralmente, tinha os mais belos sonhos.  Baekhyun seguia a rotina a risca e toda noite as esperanças renasciam em seu coração levando-o a crer que seus sonhos –aqueles belos que sonhava ao dormir- tornar-se-iam, sua realidade.

Todavia, o jovem ficou enfermo de tal forma que seus braços não possuíam força alguma e suas pernas perderam a vontade de caminhar. Sentia dores, dificuldades e mal podia dar três passos sem sentir o peso do mundo em suas costas. Fora privado de ir a escola, de brincar de bola na pracinha, de correr pela casa e de olhar as estrelas. Mesmo a suplicas, sua mãe não acatara a ideia e trazer a cama para perto da janela. Sua chama foi se apagando e depois de alguns meses, Baekhyun já não sorria para nada. Sua vida se resumiu a ficar deitado olhando o teto de seu quarto. A única coisa que não mudou foi seu desejo em viajar para além das estrelas. E toda noite o seu pedido ainda se repetia.

 

“Eu quero conhecer o lugar além das estrelas.”

 

Foi em uma madrugada de inverno, quando a neve bailava acompanhando o rigoroso vento em sua dança melancólica e fria, que o vidro do quarto quente de Baekhyun se levantou de pronto deixando todo o frescor do lado de fora invadir o local. O pequeno rapaz estreitou os olhos e tremeu da cabeça aos pés buscando com pressa se ajeitar ainda mais debaixo da grande coberta peluda que pretendia lhe proteger do frio. Mas o vento não cessava e a neve começou a cobrir seu rosto deixando-o gélido e entorpecido. Byun tocou a ponta do nariz e espirrou; espalmou as mãos no colchão e fez pressão em seus braços para se levantar. Entretanto, seu peito se apertou e sua garganta pareceu fechar-se fazendo com que a pouca força que ainda lhe restava esvaísse levando seu corpo de volta a posição inicial.

Bufou irado com sua incapacidade e girou os olhos voltando a tremer de frio. Precisava chamar alguém para lhe fechar a janela e parar com o choque térmico que recebia; encheu o pulmão para gritar, mas foi surpreendido pela sombra de uma pessoa aparentemente alta.  Temeroso por ser um ladrão, encolheu-se novamente na coberta deixando apenas os olhos de fora, podendo espiar. A silhueta que outrora se encontrava ao lado do armário começou a se locomover na ponta dos pés tentando se manter invisível aos olhos do enfermo. Arrastou-se pelas sombras e conseguiu chegar a janela fechando-a depressa e estabelecendo a ordem novamente. O silêncio prevaleceu até toda a neve que havia entrado de forma intrometida, se dissipar como mágica, sem deixar vestígios.

O menino maior se aproximou lentamente e Baekhyun conseguiu enxergar maiores detalhes naquela figura a medida que esta se aproximava da luz que vinha de seu abajur. A pele clara, cabelo curto e levemente enrolado, olhos grandes e esbugalhados e um jeito destrambelhado de ser. O invasor tropeçou nos chinelos do menor e caiu desajeitado sobre a cama causando um riso alto do pequeno que há meses não esboçava ao menos um sorriso. O visitante deixou-se levar pela alegria alheia e se recompôs sentando de forma educada a beira da cama, finalmente mostrando seu rosto angelical.

“Quem é você?” –Perguntou o rapazinho curioso ainda limpando o cantinho de seus olhos após chorar de tanto rir.

“Meu nome é Chanyeol! Desculpe a forma como entrei na sua casa.” -Chanyeol levou sua mão enorme a nuca e coçou o lugar enquanto em sua face nascia um sorriso envergonhado. “É a minha missão.”

“Missão? Como assim?” –Baekhyun mordeu o lábio inferior corroendo-se de curiosidade.

“É bem... Eu vim te levar para uma viagem!” –Gesticulou os braços de forma animada tentando convencer o menino a sua frente. “Vamos para um lugar fantástico, Baekhyun, tenho certeza que você irá amar.”

“Como sabes meu nome? E que lugar é esse?” –A sobrancelha do jovem Byun ganhou um anglo demonstrando um pouco de desconfiança de sua parte.

“Sabe as estrelas?” –Chanyeol ergueu o braço e apontou em direção a janela.

“Claro que sei! Amo tanto observá-las e contá-las para garantir que todas estão ali exibindo o brilho caloroso que me deixa com vontade de rir. Tenho um sonho de... “ –Então o pequeno calou-se. “Promete que não conta pra ninguém?”

“Prometo”

“Tenho um sonho de um dia poder conhecer o que há além das estrelas. Mamãe me contava histórias lindas de lá, mas quando cresci ela me disse que era tudo fantasia e que esse lugar maravilhoso não existia na realidade. Mas eu confesso, Chanyeol, que mesmo com a idade que carrego, ainda acredito nesse paraíso.”

“Acho que hoje, então, é o seu dia de sorte.” –Chanyeol estendeu a mão ao menino e se levantou da cama. “Eu vim lhe buscar para conhecer esse lugar.”

“Estas a gozar da minha face, não é rapaz?” –Os lábios da boca fina de Baekhyun se entortaram dando a ele uma expressão infantil.  “Já devia imaginar que você também julgar-me-ia de tolo.”

“Não estou a lhe gozar, pequeno Byun! Venha logo e lhe mostro como há verdade em minha fala.”

“De qualquer forma, mesmo que estivestes tu, falando a verdade, não seria possível desfrutar de minha companhia uma vez que estou acorrentado a esta maldita cama.”

“Acorrentado?”

“Não posso mover-me. Sou condenado por uma enfermidade que me corroí aos poucos por dentro e me impossibilita a locomoção.” –O brilho das estrelas que por um breve segundo havia enfeitado outra vez os olhos de Byun, apagou.

“Estas doente, então?” –Chanyeol enfiou a mão no bolso direito de sua calça e retirou um pouquinho de um pó branco. “Isto não é problema para mim.”

Um sopro impulsionou o pozinho opaco que ganhou uma luz amarelada assim que tocou a pele de Baekhyun.  Aos poucos estava coberto por aquela misteriosa mágica que de repente lhe permitiu mover-se como o fazia em sua infância. As mãozinhas tocaram afobadas as próprias pernas e depois as sacudiu no ar. Em um pulo estava de pé sobre a cama rindo e se contorcendo de todas as formas possíveis. Era um milagre! Ele podia se mover outra vez e aquela sensação não tinha preço, mas possuía, sim, uma recompensa. Pela segunda vez o menino enfermo ria, gargalhava e se sentia vivo.

Chanyeol vidrou-se com a atitude de seu resgatado e até esqueceu-se de algumas regrinhas de sua missão preferindo ignorá-las ao invés de romper com a felicidade de Baekhyun. Ofereceu-lhe a mão novamente e foi bem aceito dessa vez, podendo arrastar o menino agitado consigo até a janela. Ergueu o vidro como fizera para entrar ali e saltou ignorando o fato de estarem no terceiro andar da grande mansão onde vivia o rico sucessor Byun.

“Chanyeol!” –Baekhyun debruçou esticando os braços na tentativa de salvar o seu novo amigo, mas fora surpreendido ao ver o menino mais alto dar piruetas no ar como se voar fosse a coisa mais comum do mundo. Talvez para Chanyeol fosse.

“Venha, Baek! É só acreditar.” –Gritou do alto e depois contornou a macieira que ficava no jardim da casa de Byun. Hesitante, o jovenzinho sentou-se no parapeito e colocou a perninha para fora, incerto se estava a fazer o correto. Queria e ansiou olhar para traz, porém ver o mais alto de braços abertos a decolar como um avião contornando as macieiras, fez seu coração agir de forma impulsiva. Baekhyun fechou os olhos, flexionou o corpo pra frente e voou. Ainda não conseguia controlar-se direito, mas estava planando no ar de forma mágica e extremamente maluca. Era contra as leis da física, nunca um caso desse fora registrado, porém nada disso importava.

Chanyeol cortou o vento e apareceu ao lado de seu encarregado tomando lhe a mão para juntos chegarem mais alto. E assim sucedeu-se, os dois meninos caminhando pelo céu subiam cada vez mais e depois desciam em rodopios e gargalhadas. O mais alto levou seu companheiro para conhecer as luzes da cidade; Seul ficava ainda mais bela na agitação da noite. Eles contornaram os edifícios mais altos, dançaram por entre as ruas mais agitadas e sobrevoaram o rio Han, onde Baekhyun se permitiu molhar as pontas dos dedos.

Estava feliz e havia esquecido completamente que a minutos atrás era um garoto quase sem vida, preso a uma cama e a uma doença terminal. Não podia pensar em mais nada e nada fazia sentindo de qualquer forma. Se era um sonho, desejava sonhar eternamente e, finalmente, torná-lo a sua realidade. Havia muitas perguntas a serem respondidas, mas Chanyeol tinha um sorriso tão contagiante que não lhe parecia justo quebrá-lo para questionamentos cheios de lógica. Baekhyun permitiu-se acreditar em magia e fantasia. Era apenas um menino, novamente.

“Baek! Venha, está na hora de embarcarmos!” –Chanyeol sinalizou apontando o indicador para cima. Depois juntou dois dedos na boca e assoprou uma canção animada. Baekhyun observou tudo com atenção e exclamou exacerbado não acreditando no que surgia por entre as nuvens da noite. “Eles chegaram!”

Um navio gigante com direito a velas brancas e uma bandeira pirata no topo. Ele flutuava sobre uma porção de pozinho dourado e parecia bem cheio de tripulantes. Chanyeol se apressou em recolher um pouco mais daquele pó mágico de seu bolso para, em seguida, jogar sobre ele próprio e Baekhyun modificando suas vestimentas. O pijama branco de Byun tornara-se uma fantasia pirata com direito a botas, um colete vermelho e uma espada de madeira apenso a sua cintura. A roupa que Chanyeol  vestia seguia o mesmo padrão, porém um pouco mais pomposa e, claro, o destaque principal em sua cabeça: um chapéu verde com uma pena vermelha ao lado direito.

“Capitão!” –Uma nova voz chegou aos ouvidos dos meninos. O navio se aproximou ligeiro e o capitão pode apoiar-se na lateral do mesmo, fazendo uma pose de autoridade ao colocar as mãos em sua cintura.

“Marujos chegaram em boa hora!” –Dois garotinhos se adiantaram, eles vestiam macacão infantil e não passavam dos seis anos de idade. Ergueram as espadas ao alto e berraram.

“Bem vindo, capitão!” –O mais moreninho guardou sua espada de brinquedo e gesticulou ao falar. “Capitão, o marujo Luhan disse que esta na hora de voltarmos para casa.”

“Deixe-nos ficar um pouco mais!” –Suplicou o outro menininho de cabelo negro e rosto pálido. “Por favor, capitão!”

“Sehun, Jongin. Sabem que quando não estou aqui quem dá as ordens é o Luhan. E nós temos uma missão, não podemos ficar passeando por aqui.” –Chanyeol finalmente embarcou trazendo Baekhyun ao seu encalce. Os pequenos olharam o novo tripulante de forma egoísta como se não desejassem sua presença e com isso o novato encolheu-se atrás do capitão.

“Esse é o tal Baekhyun?” –Começou Jongin.

“Antes não tivéssemos encontrado ele, teríamos mais tempo para explorar essas terras desconhecidas.” –Sehun continuou.

“É verdade, Sehun, quando finalmente encontramos uma aventura de verdade... Ele atrapalha! –Jongin apontou diretamente a Baekhyun.

“Vamos parar! Jongin, Sehun, acho que vocês têm mais o que fazer, ou aquela listinha que passei já foi completada?”

“Não, capitão.” –Disseram juntos.

“Pois vão já para seus afazeres! E se eu pegar vocês perturbando o Baekhyun será uma palmada na bunda de cada, entenderam?”

“Sim, capitão!” –Os meninos tornaram a erguer as espadas e dispararam em direção contrária a que se encontravam. Chanyeol voltou a segurar a mão de Byun e o levou para conhecer o resto da tripulação do navio.

“Nós temos o Luhan que é responsável por nos levar de um lado ao outro. O Zitao é nosso cozinheiro e sempre prepara ótimas porções de algodão doce, bala de caramelo e chocolate quente.” –O capitão entrou na cozinha com seu convidado e recebeu um olhar reprovador do rapaz de cabelos bem negros . “Zitao, posso pegar um algodão doce para Baekhyun experimentar?”

“Olá, Baek! Seja bem vindo ao nosso navio.” –Zitao abraçou o menorzinho e o tirou do chão. Depois pegou um palito cheio do doce açucarado na tonalidade lilás. “Experimente, pequeno, fique a vontade para pegar o que quiser aqui na cozinha.”

“Obrigado.” –Envergonhado, Byun aceitou e se deliciou com o sabor diferente.

“Zitao! Por que o Baekhyun você deixa e eu não?” –Chanyeol bateu o pé no chão e cruzou os braços em uma de suas inúmeras atitudes infantis.

“Pegue um logo, capitão!” –O cozinheiro disse entre risos e depois os expulsou de sua cozinha.

O passeio continuou e Baekhyun ainda conheceu Minseok, Yixing e Kyungsoo, todos crianças alegres e receptivas que ajudavam Chanyeol naquele navio mágico. Depois das apresentações, os meninos voltaram as atividades e Baekhyun sentiu-se envergonhado em ser tratado como uma espécie de rei. Foi atrás de Chanyeol e encontrou o capitão sentado na parte da frente do navio, com as pernas dobradas e o olhar fixo ao horizonte. Só nesse momento que ele percebeu que o navio se aproximava das estrelas e que estas pareciam mais bonitas e brilhantes. Inconscientemente ergueu o braço e tentou alcança-las, rindo em seguida pela tolice.

O capitão percebeu que não estava sozinho e permitiu-se observar o garotinho tão crescido brincar de tentar pegar as estrelas que cruzavam o caminho de seu navio. Ele parecia tão distraído em seu mundinho que certamente esquecera de perguntar como tudo aquilo acontecia. Chanyeol estava agradecido por isso, não encontrava as palavras certas para explicar, era sua primeira vez comandando uma tropa para resgatar mais uma criança. Já havia participado de outras expedições, mas ser responsável por uma era bem complicado.

Baekhyun finalmente alcançou uma estrelinha menor e se surpreendeu por não ter os olhos cegados tamanho o brilho que aquele astro iluminava. Também não questionou como conseguia segurar aquela bola de fogo; aproximou de seu rosto e escutou risadas vindas daquela estrela. Descrente, repetiu o ato outra vez e confirmou que, de fato, as estrelas estavam rindo. Chanyeol notou a confusão do menino e resolveu se pronunciar.

“Você não sabia, Baekhyun? As estrelas estão sempre rindo.”

“Por quê?”

“Deixe que as respostas se revelem com o tempo.” –Chanyeol pegou mais uma estrela viajante e sacudiu próximo ao ouvido de Byun. Ambos sorriram e depois soltaram as estrelinhas para seguirem o seu caminho.

“Isso tudo é um sonho, não é?” –Baekhyun se sentou mantendo os olhos no caminho estrelar que ficava para traz.

“E se for?”

“Não quero nunca mais acordar.” –Ele sorriu. “É como se todos os meus desejos estivessem se realizando ao mesmo tempo.”

“Não desejas mais acordar? Então estamos mesmo indo para o lugar certo!”

“Para onde estamos indo, Chanyeol?”

“Para a Terra do Nunca.” –Então o mais alto debruçou na borda do navio e apontou para baixo chamando a atenção do menor. Baekhyun imitou o ato e, assim, pode ver um lindo bosque pintado com o verde mais belo, um riacho que cortava o mesmo, pequenas fadinhas que cantarolavam uma canção. Não tinha ao menos percebido que a noite da capital Sul Coreana se fora dando lugar a um Sol colorido com giz.

“Capitão! Estamos ancorando.” –Luhan gritou para Chanyeol que saltou tomando sua posição.

“Sehun, Jongin! Lançar âncora! Minseok feche as velas! Vamos!”

A agitação no navio era alegre de certa forma. Todos estavam com saudade de casa e pareciam ansiosos em ancorar o navio. Baek ainda olhava toda a paisagem maravilhado e se divertia com pequenas fadinhas que lhe jogavam beijos e perfume de mel. As pequenas adoravam os meninos novos que chegavam a Terra do Nunca e, geralmente, os mimavam embelezando para torná-los verdadeiros príncipes.

Saudaram Chanyeol, os outros rapazes e trouxeram colares de margaridas para todos como presente de “boas vindas”.  Os garotos desembarcaram e a música começou no mesmo momento, como se uma festa não precisasse ser programada para se iniciar. As fadas cantavam, os meninos dançavam batendo palmas e outros seres místicos se aproximavam tornando todo o cenário em algo similar a uma pagina de contos de fadas. Baekhyun sentiu-se um pouco perdido, mas logo Chanyeol o agarrou pelo braço e eles rodopiaram ao som da melodia mais doce que pudera ouvir. A festa era regada de bala de coco e garrafas infinitas de mel; outras crianças logo chegaram e ninguém sabe dizer quanto tempo a cantoria durou.

Quando o Sol resolveu se esconder detrás da montanha azul, a festa teve seu fim e cada um seguiu para sua casa. Jongin e Sehun acompanharam Chanyeol e Baekhyun por uma trilha no bosque porque os pequenos moravam junto ao capitão. Entre empurrões e pega-pega eles chegaram a beira do rio onde uma grande árvore trazia em seu tronco uma porta. Os menores entraram em casa correndo deixando os mais velhos sozinhos. Baekhyun explorou um pouco o local, subiu em algumas pedras, pulou de galho em galho e encontrou uma fruta exótica de coloração azul.

“Chany, essa fruta é comestível?” –Aproximou do garoto que observava a correnteza do rio.

“Ah, sim. Tem gosto de bolo de morango.”

“Bolo de morango?” –Baekhyun olhou para a fruta curioso e deu uma dentada na mesma sentindo o sabor anunciado pelo maior. “Isso é incrível!”

“São bem comuns aqui na aldeia. Só não as como demais, pois elas podem te deixar com a pele azul!” –Advertiu o menino se virando de frente ao visitante.

“Só estava provando... Mas são mesmo uma delicia.” –Baekhyun sentou-se a beira do rio e retirou as botas de sua roupa de pirata mergulhando os pés na água. “O que vamos fazer agora?”

“Estava pensando em te levar para dar um passeio de nuvem, o que acha?” –Mais uma vez Chanyeol pegou pozinho de seu bolso e lançou contra eles. “Não precisamos mais dessa roupa”.

Com a mágica do pó os meninos ganharam vestimentas mais leves para explorar aquele vasto mundo. Chanyeol correu na frente e foi seguido por Baekhyun que tentava o acompanhar entre as árvores de bolo de morango. Eles subiram as teias de aranhas e alcançaram o morro dos vagalumes coloridos, desfrutando um espetáculo lindo de cores e zumbidos. Competiram para ver quem conseguia decorar a maior sequencia de cores e Chanyeol levou a melhor. Continuaram o passeio sendo guiados pelos mesmos vagalumes já que a noite chegara também na Terra do Nunca e a Floresta de Açúcar estava imersa na escuridão. Conseguiram chegar até o topo da Montanha Cacau e embarcaram em uma nuvenzinha que os levou para um passeio noturno ao redor da ilha.

“A Terra do Nunca é um lugar onde tudo pode acontecer. Tudo que aqui existe foi criado da imaginação de milhares de crianças que vivem aqui. A Floresta Açúcar, a Montanha Cacau, os bosques das fadinhas cantoras e até os vagalumes coloridos. A Terra do Nunca existe porque nós a criamos da maneira que desejamos.” –Chanyeol iniciou um discurso enquanto eles flutuavam sobre um rio de Caramelo.

“É por isso que tudo aqui é tão perfeito?” –Baekhyun abraçou a cintura de Chanyeol quando a nuvem começou a subir apressada.

“Podemos dizer que sim.” –Parados lá do alto, toda a ilha da Terra do Nunca poderia ser vista.

“É enorme, Chany.” – Baekhyun impressionou-se.

“Você quer inventar alguma coisa?” –Chanyeol segurou a mãozinha do novato e colocou um pouquinho de pó mágico. “Basta desejar com muita força e assoprar”

“Mas o que eu poderia inventar? Aqui já tem tudo que eu gosto!” –O pequeno olhou para a mão cheia e ficou se questionando mentalmente. “Existem sapos voadores?”

“No norte, nos rios de lama.”

“Existe dragões que cospem fogo que não queima?”

“No sul, nas cavernas dos elfos”

“Existe chuva de chocolate?”

“E de morango, de biscoito, as vezes até de confete.”

“Existe flores que mudam de cor?”

“Sim, no bosque das fadas”

“Existe beijo com sabor de mel?”

“O que?”

“Beijo com sabor de mel! Imagina que gostoso se todo beijo tivesse sabor de mel.”

“Mas nós somos crianças, Baek. Não precisamos beijar.”

“Eu não sou criança! Eu tenho catorze anos! E quando os meninos crescerem, eles também vão querer beijar.” –Baekhyun justificou-se mesmo que não houvesse malicia em seu desejo.

“Acho que não falei sobre esse detalhe, mas aqui na Terra do Nunca nós nunca crescemos. É por isso que aqui só tem criança.”

“Não crescemos mais?” –Baekhyun deitou a cabeça para o lado.

“Não...”

“Mas vocês não acordam desse sonho não?”

“Não é um sonho, Baekhyun. Nós estamos na Terra do Nunca de verdade.” –Chanyeol suspirou.

“Mas então precisam voltar para casa! Há quanto tempo está aqui? Sua mãe deve estar preocupada, Chanyeol, você...” –O indicador do maior calou a boca falante de Baekhyun que o olhou sem compreender.

“Não tem como voltar pra casa, Baekhyun.” –O capitão abaixou seu olhar triste.

“Chanyeol! Esse lugar é lindo e maravilhoso, mas eu quero voltar para casa. Se vocês têm coragem de largar seus pais para viver no paraíso, eu não compartilho desta atitude. Bastou-me conhecer aqui, agora me leve para casa!” –Baekhyun ditou autoritário.

O maior nada disse. Retirou outra porção de pó de seu bolso, a ultima que possuía e jogou sobre a nuvenzinha a qual estavam acomodados. Logo o brilho a cobriu e Chanyeol ordenou com a voz baixa. 

“Segure-se firme, Baekhyun, nós vamos a uma velocidade bem diferente do navio”.

O menor obedeceu; guardou a porção que havia ganhado em seu bolso e passou os braços ao redor do corpo de Chanyeol apertando o mais firme que podia. Depois não viu mais nada, apenas sentiu o vento lhe sugar como se estivesse prestes a ser engolido pela imensidão. Seu corpo todo doía parecendo ser esmagado a cada segundo que prosseguia com aquela viagem.  Cogitou pedir para parar, mas tinha medo de não conseguir mais voltar para sua casa, então aguentou firme até que tudo aquilo acabasse e ele pudesse erguer o rosto encontrando as luzes da cidade outra vez.

O capitão o levou até a janela de seu quarto e “estacionou” a nuvem na frente da mesma. Baekhyun soltou o corpo do rapaz e com um olhar bem zangado resmungou.

“Estou decepcionado com você, Chanyeol! Por um momento achei que você fosse um anjo que tivera piedade de mim e resolvera me presentear com um passeio a Terra do Nunca. Mas não. Você é apenas um ladrão de meninos!”

“Espere, Baekhyun!” –O maior tentou segurar o pulso do pequeno, mas ele fora rápido ao entrar em seu quarto pela janela. Chanyeol o seguiu mesmo assim e amparou Baekhyun antes que este desmaiasse com a cena que via.  “Eu deveria ter lhe contado antes”

Em sua cama, sua figura repousava como se estivesse em sono profundo. Sua mãe, aos prantos, estava com o corpo debruçado ao seu, agarrando-lhe a roupa e o chamando de forma desesperada. Seu pai não segurava as lágrimas e o olhava com tamanha tristeza que não podia esconder atrás de suas duras expressões. O irmão mais velho chorava compulsivamente agarrado ao cobertor de seu irmão.  Finalmente Baekhyun entendeu o que acontecia ali; ele estava morto.

“Eu morri?”

“Sim. Ontem a noite.”

“Então você...”

“Sou um anjo. Todos somos. Os meninos... Era minha responsabilidade vir te buscar, mas eu não tive coragem de lhe contar a verdade. Não é tão simples quanto imaginei.”

“Você também morreu?”

“Morri sim, eu não nasci anjo. Mas eu não me lembro de nada. Só carrego comigo o meu nome e...” –O anjo abriu o botão de sua blusa até conseguir mostrar uma marca que possuía no peito, bem em cima de onde deveria ser o coração. “... Isso.”

“Devo viver na Terra do Nunca com vocês?”

“Eu prefiro que você viva lá. A outra opção é ficar vagando aqui, na Terra.”

“Eu poderia ficar junto da minha família?” –O menino se aproximou de sua mãe e lhe abraçou tão forte como se quisesse fazê-la sentir sua presença.  “Mamãe”.

“Poderia até eles morrem. Mas lembre-se que você agora é eterno. Vagaria para sempre na Terra carregando dor e sofrimento.” – Baekhyun olhou para seus pais e então se levantou voltando para perto de Chanyeol.

“Vou sentir saudade deles. Até eu esquecê-los por completo.”

Sem mais demora eles voltaram para a nuvem e retomaram o caminho para a Terra do Nunca, em silêncio.  Pela segunda vez, passaram pelo caminho de estrelas que agora não pareciam tão belas a visão de Baekhyun. Então, Chanyeol freou bruscamente a nuvem e capturou uma estrela de coloração amarela. A sacudiu e aproximou dos lábios de Baekhyun que não entendeu a intenção das atitudes alheia. Só esboçou alguma expressão quando os dedos ágeis de Chanyeol começaram a dedilhar a sua barriga fazendo cócegas e arrancando risadas. De repente a estrela ficou branca.

“Não se preocupe, pequeno anjo, agora seus pais sempre ouvirão seu riso quando olharem para o céu. Eles não vão esquecer de você.” –Chanyeol soltou a estrela e retomou o caminho para a Terra do Nunca com um Baekhyun agarrado a sua cintura. “Sabe, talvez a ideia de beijinhos sabor mel não seja tão ruim assim.”

Os dois riram e trocaram olhares envergonhados. Antes de atravessar a fronteira entre a Terra dos humanos e a Terra do Nunca, Baekhyun olhou para trás e disse.

 

“Não se preocupe, mamãe. Além das estrelas existe um lugar lindo chamado Terra do Nunca como você mesma me contou. Aqui há anjos sim e eu tenho certeza que estou no lugar certo. Sentirei saudade e se a senhora também sentir de mim, olhe para as estrelas. Eu estarei rindo para você, mamãe. A partir de agora, Chanyeol vai cuidar de mim”. 


Notas Finais


Eu espero que vocês tenham gostado dessa fluflyzinha amor. Obrigada pela atenção e beijos de mel a todos.


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