História Phoebe Caulfield e o Juramento dos Renegados - Interativa - Capítulo 7


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Palavras 5.313
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá pessoinhas, bem, aqui vai mais um capítulo. E gente, eu adoro dizer que estou amando como estão recebendo a fic, com muitas críticas e comentários construtivos, estou adorando. Mas pra quem perguntou sobre a Profecia, eu sei que todos estão muito ansiosos, e logo ela aparecerá, mas lembrem, essa fic é uma TRILOGIA. Por isso estou lembrando, sim os personagens já começarão a aparecer, mas o primeiro livro se focará na Profecia 1, que não falará sobre os 8 no total, a profecia dos 8 só será revelada entre o segundo e o terceiro livro. Mas bem, aqui vai:

Capítulo 7 - Se eu tivesse um nome do meio, ele seria "Desastre"


Fanfic / Fanfiction Phoebe Caulfield e o Juramento dos Renegados - Interativa - Capítulo 7 - Se eu tivesse um nome do meio, ele seria "Desastre"

Acordei com o sol batendo nos meus olhos. E com sol, quero dizer os vários filhos do Deus Sol andando de um lado ao outro na cabine fazendo barulho. Era extremamente irritante como os filhos de Apolo acordavam cedo, parece que acordavam junto com o sol exatamente para, sei lá, ver ele nascer e falar "Eai, pai! Como vai o trabalho de ser uma bola de gás a milhares de quilômetros de nós?".  

Desisti de tentar voltar a dormir e me sentei na cama me espreguiçando. Olhei um dos despertadores no criado-mudo de outros campistas e um deles marcava exatamente "5h59". Deuses, não era nem 6h e nem fazia oito minutos que o sol havia nascido, de onde eles tiravam tanta força?  

Sem contar que a minha reunião com Quíron ontem foi mais longa do que esperado. Ele fez perguntas comuns entre recém chegados, algo como minha idade, nome, onde morava e minha história antes do acampamento, se eu tinha algum parente mortal conhecido. Respondi todas o melhor possível e acabei por curiosidade, perguntar o que tinha acontecido no Milagre&Destino, não que eu gostasse do lugar ou das pessoas que moravam lá, mas foi o único lugar que eu já chamei de casa.  

Acabei por descobrir uma notícia melhor do que eu esperava: O prédio infelizmente havia sido consumido pelas chamas por completo, por sorte ninguém se feriu seriamente, alguns diziam ter visto coisas estranhas que cuspiam fogo, mas logo justificaram que a culpa foi por inalação de fumaça. Misteriosamente o dono, Victor e uma órfã, Phoebe –vulgo eu mesma, haviam desaparecido misteriosamente até o momento atual.  

Você se pergunta, "Qual a maldita parte boa?". Bem, vou contar.  

Parece que com esse "misterioso" incêndio, foi descoberto que o orfanato era na verdade clandestino (dãh, todos os lá já sabiam disso), ou seja, não tinha licença nem a autoridade sobre as crianças. E depois de verem os estados deploráveis que elas ficavam, todos os órfãos que moravam lá foram transferidos para um orfanato bem melhor e licenciado no centro de New York. Como já disse, eu não gostava do lugar nem do pessoal, mas foi bom saber que agora iriam para um lugar mais apto para viver, e não para sobreviver.  

Logo depois disso Quíron passou um vídeo estranho para eu ver, era basicamente um tutorial "Como ser um semideus sem perder todos os membros". Achei bastante educativo por sinal. Quando eu perguntei o porquê de ninguém ter visto uma Quimera sobrevoando a cidade e andando solta pela floresta, ele tocou no assunto Névoa.  

Me lembrei na ora da misteriosa "Neblina" como eu lembrava, que haviam citado várias vezes. Que ela me protegeria e me esconderia. Quíron me explicou que aquele era um véu de energia mística que esconderia o mundo dos deuses de mortais, esse mortais teriam sua visão adaptada para ver algo totalmente normal, ao invés de monstros em suas vidas. Ele também me explicou, que por meio sangues serem parte mortais, também podem ser influenciados pela Névoa se não prestarem atenção. Ele falou que talvez foi assim que o tal Victor havia parecido um humano normal para mim por tanto tempo. Sim, eu havia contado para ele sobre isso, mas nada que denunciasse que ele era um autômato específico que causou tanto para Quíron.  

Infelizmente, ele também me contou que os monstros nunca morreriam. Mesmo se fossem mortos por bronze celestial, que era letal para eles, eles apenas seriam banidos para o Tártaro por um tempo, e não se sabe quanto tempo depois, dias, meses, anos, eles renasceriam. Felizmente, autômatos não contam como monstros, são máquinas mortais, mas são máquinas, então aquela galinha robótica se foi para sempre mesmo. Por outro lado, nós, semideuses, somos bem mortais. Por mais que tenhamos sangue divino, ele apenas nos torna mais vulnerável misturado com sangue mortal. Bronze Celestial era uma arma contra deuses e monstros, mas se usado contra humanos, não causaria qualquer ferimento, simplesmente atravessaria como se fosse um holograma. Armas mortais eram praticamente inúteis contra deuses e monstros, mas em um semideus, ainda teria efeito letal. Ou seja, somos duplamente vulneráveis, podemos ser feridos tanto por Bronze quanto por armas humanas.  

Bom, bom. Muito divertido.  

Ele me explicou coisas básicas de como ser uma semideusa. Principalmente o cuidado que eu deveria ter com o mundo exterior, deveria aprender a controlar o "meu cheiro" de sangue divino para não atrair monstros, que é claro, poderiam me achar facilmente. Basicamente, ser semideus é igual a baixas chances de você chegar aos trinta. Se duvidar, até se você espirrar, você seria assassinado, atacado, desmembrado, ou devorado pelos perigos no mundo exterior.  

Me levantei cansada e comecei a me arrumar para o meu primeiro dia de treinamento. Por sorte, todas as dores e machucados que eu tinha já haviam sumido, graças ao néctar e a ambrosia que Elena me ofereceu para depois da conversa com Quíron para eu guardar para emergência. Claro, deveria tomar cuidado para não derreter ou explodir se comesse muito, mas um pequeno gole de néctar antes de dormir resolveu tudo, e agora me sentia mais regenerada do que nunca.  

Terminei de me arrumar, havia feito minha higiene e colocado a blusa laranja do acampamento e a minha amada calça jeans esfarrapada, coloquei meu tênis furado e isso me fez pensar que talvez eu precisasse de roupas novas, mas ignorei por ora. Penteei meu cabelo e o amarrei em um pequeno rabo de cavalo, me levantei e encarei Sam que ainda dormia calmamente –que inveja, então todos agora passaram a olhar para Abel que havia subido em uma cama e chamava por atenção, quando todos olharam para ele em silêncio, ele limpou a garganta e falou:  

-É com orgulho que afirmo, que conseguimos! - Ele começou, muitos já estavam sorrindo, mas eu não entendia o porquê. -Os chalés de Hipnos e de Hécate se juntaram a nós dessa vez, conseguimos também o Chalé de Atena, e que Hermes e os Indeterminados se aliassem a nós. Elena, de Nix, também decidiu lutar do nosso lado dessa vez. - Ele falou, e eu me senti feliz por entender apenas a parte de que Elena estaria conosco. -Fora isso, os times da Captura a Bandeira continuam os mesmos.  

Ele falou e todos comemoraram escandalosamente, gritaram tão alto que fiquei com medo que acordassem os chalés vizinhos. Eu me mantive quieta sem entender motivo de tal algazarra, me lembrei de Abel ter tocado no assunto de Captura a Bandeira ontem, mas não me lembro muito sobre isso. Fiquei imaginando o que seria isso, mas me prendi a imaginar grandes semideuses superpoderosos brincando de pique bandeirinha como crianças normais. Abel pareceu notar minha confusão, então pediu silêncio e falou comigo.  

-Desculpa, Phoebe. - Ele falou calmo, e todos os olhares caíram sobre mim. -Esquecemos de te explicar o que é a Captura a Bandeira.  

-É... - Eu assenti meio envergonhada com todos me encarando. Logo Abel explicou tudo, e sempre que esquecia algum detalhe, outro membro da cabine completava animado.  

No segundo em que ele começou a explicar direitinho como seria, me assustei. Parecia um jogo bastante bárbaro, luta de espadas dentro de uma floresta escura, nós contra outra equipe compostas de semideuses e deveríamos brigar entre nós para ver que capturava a bandeira inimiga primeiro e mantinha a sua em segurança. Quando ele terminou de explicar, dei um "Uhum, entendi" bem envergonhada. Me senti até bem aliviada quando disseram que eu ainda precisava de treinamento básico para competir.  

Após toda essa conversa, Abel liderou nosso grupo para tomarmos café no Pavilhão deserto. Todas as mesas, exceto a nossa, estavam desertas, provavelmente por todos ainda estarem dormindo tranquilamente em suas camas. Senti uma inveja por ter que acordar tão cedo enquanto todos dormiam, mas segundo Abel, assim pegaríamos os melhores horários para as atividades e acabaríamos todas antes dos outros, antes do sol se por, podendo aproveitar mais o dia de sol.  

O café foi mais tranquilo que o jantar, os outros já não me olhavam mais com tanta energia, e não me evitavam mais como se eu fosse radioativa, estava se tornando um dia melhor que ontem. Ao passar pela fogueira para fazer minha oferenda, me lembrei de ontem, e imaginei se seria pedir demais outra conversa como aquela. Joguei a comida ao fogo e ofereci aos meus três deuses favoritos, mas nada de mais aconteceu. Me senti um pouco decepcionada, mas imaginei que estivessem ocupados me mantendo em segurança e me alegrei com o pensamento e fui comer.  

Comi em silêncio e devagar, estava quase caindo de cara nos ovos mexidos de tanto sono quando todos se levantaram para fazer suas atividades. Terminei de comer rapidamente e os segui, e me arrependi de ter feito isso quando eles começaram uma enorme caminhada matutina ao redor do acampamento. Só isso já foi o suficiente para quase me matar, eu realmente estava fora de forma e tive que me esforçar muito para acompanhar eles na enorme caminhada que parecia não ter fim.  

-Você está bem? - Abel reduziu os passos até chegar até mim, que estava no final da fila. Ele ainda trotava sem sequer suar enquanto eu estava esbaforida e sem fôlego.  

-C-claro... - Eu murmurei cansada sugando o ar o mais forte que podia. -Só...pulmões...em chamas... - Eu estava suando como uma condenada e ele apenas riu da minha cara. -Estou fora de forma.  

-Percebi. - Ele riu de mim quando eu quase cai após tropeçar em uma pedra afundada na areia, mas consegui ficar de pé. -Respira pelo nariz e força nessas pernas! - Ele falou e então avançou e voltou a comandar a fila de corredores.  

-Fácil você dizer. - Reclamei me esforçando para acompanha-los.  

Logo depois foi a Parede de Escalada. Até ai não parece muito ruim, mas ficaria pior se eu contasse que ela cuspia lava do topo? Pois é, ela soltava magma fervente para derreter os lerdos que não subiam rápido, no caso, eu. Eu tentava escalar o mais rápido possível, mas acabei por ter minhas roupas bem chamuscadas pela lava que escorria enquanto os outros riam. Mas dessa vez era bom, porquê não riam para minha desgraça, riam como amigos vendo outros se darem mal, que parecia igual, mas tinha sua tênue diferença.  

Pela gentileza, até Henry Fork, que competiu a escalada comigo, estendeu uma mão para me ajudar a levantar depois que eu cai de alguns "poucos" metros de altura quando a lava derreteu a pedra que eu apoiava meu pé. Gravidade inútil. Mas agora, acho que eles finalmente notaram que eu era humana e não um monstro que não comete erros. Foi até bom.  

Até o desastre na canoagem.  

Nessa ora, os outros chalés já começavam a acordar, o número de campistas e o movimento de sátiros e ninfas andando pelo acampamento aumentava, o que causou a minha queda da canoa ainda mais cômica quando vários campistas que estavam na praia puderam ver o acidente de camarote. Veja bem, a culpa não foi minha, eu só não sabia a diferença de bombordo e estibordo, e acabei levando meu grupo em direção a uma área rochosa que destruiu nossa canoa. Por sorte, as náiades conseguiram amenizar nosso impacto e ninguém se machucou.  

Mas assim que emergimos da água, todos começaram a rir. Primeiramente fiquei envergonhada, mas eles novamente riam comigo, dizendo que não se é um verdadeiro filho de Apolo até fazer besteira e destruir alguma coisa do acampamento. Fiquei até feliz com isso, estava me sentindo mais aberta. Nadamos de volta a praia, e graças as Náiades não precisamos carregar os destroços da canoa, elas a empurraram de volta para a praia, mas eu acho que foi apenas para não deixar sua casa suja.  

Depois tivemos Artes, e eu acabei me perguntando: Porquê?! Eu era simplesmente horrível em artes, e me sentia uma formiga quando eu olhava para os lados e via meus irmãos e irmãs fazendo esculturas lindas, compondo músicas lindas e fazendo desenhos lindos em diferentes formas. Eu estava preso a um tripé de arte com uma tela que até agora estava branca, eu ainda segurava o pincel sem tinta sem saber o que fazer. Tentei desenhar Quiron, pensei porquê não? É apenas uma forma simples.   

E eu destruí qualquer expectativa quando o corpo de cavalo de Quíron ficou bem menor que o tronco humanoide, e ficou parecendo um bebê gigante montado em uma cabra. Mas o desastre mesmo aconteceu quando esbarrei por acidente na aquarela de minha meia irmã, Nicki, e isso arremessou toda a tinta dela na minha tela, que além de me sujar toda, deixou meu desenho parecendo um bebê gigante brincando com massinha colorida montado em um mini-unicórnio que soltava arco-íris. O que arrancou muitas gargalhadas quando chegou a ora de apresentar seu trabalho para os outros da cabine.  

O assunto da canoa e do desenho acabaram viralizando, mas fiquei feliz por ser lembrada como uma humana que faz besteira e não só a perfeitinha.  

Mas essa ilusão sumiu depois da esgrima.  

Ao chegar na arena de combate, cada um sabia exatamente o que fazer. Todos começaram a pegar alguma espada e começaram a treinar em duplas, de maneira bem sincronizada sem precisar de instruções. Eu apenas fiquei encarando por alguns segundos sem entender o que fazer.  

-Ei, Phoebe. - Eu ouvi Abel me chamar, mas no momento em que eu virei para encara-lo, fui surpreendido com uma espada sendo jogada para mim. Segurei por pouco, desajeitada e voltei para Abel. -Hora do treino.  

-O quê eu faço? - Eu perguntei tentando segurar aquela espada corretamente, mas era meio pesada, e quando eu a empunhava acabava caindo com ela. -Eu nunca segurei uma espada antes.  

-Vamos! Seus instintos vão te guiar. - Ele falou arrumando sua postura em posição de ataque. Tentei retrucar, mas ele me ignorou me mandando imitar sua posição. -Vai, só ir me seguindo. - Imitei sua postura, mas segurar a espada alto ainda foi um desafio para mim, que com dificuldade consegui superar. -Isso, agora vamos começar devagar.  

-O-ok... - Eu falei nervosa agarrando o cabo da espada com as duas mãos. Abel então, lentamente desceu sua espada em uma demonstração e falou que quando ele fizesse isso eu deveria para-lo.  

-É só colocar a espada na frente, vai barrar a minha. - Ele falou então eu concordei com a cabeça. Ele empunhou a espada e bem devagarzinho desceu a espada para ter certeza que eu bloquearia. Consegui colocar a minha na frente e segurar em pé, então ele recuou a espada mais lentamente ainda. -Bom. Agora vou tentar acelerar um pouco, é só fazer o mesmo um pouco mais rápido. - Ele falou, então voltamos as posições iniciais. -Pronta?  

-S-sim. - Respondi ainda meio nervosa. Ele então desceu a espada um pouco menos devagar, mesmo assim consegui aparar o golpe, fomos repetindo esse exercício em velocidades diferentes até que...  

ZIUM!  

Só escutei o barulho da espada zunindo e antes que eu notasse, a espada de Abel havia sido arremessada quase dois metros de distância dele, e eu apontava a espada em seu peito em uma posição e postura que nem eu mesma sabia que conhecida. Ao notar ele com os braços para cima em sinal de rendição, notei o que havia feito e recuei instantaneamente.  

-Deuses! - Eu imediatamente larguei a espada no chão preocupara com o que havia feito, foi uma manobra perigosa, se eu tivesse colocado o pé alguns centímetros afrente, eu teria espetado ele como um churrasco. -Abel, desculpa! Não sei o que deu em mim! - Corri na direção de sua espada, a agarrei e entreguei para ele envergonhada.  

-"Desculpa"? - Por um segundo, achei que ele falava com raiva, mas logo ele abriu um enorme sorriso. -Isso foi ótimo! Me desarmou em pouquíssimo tempo! Vamos de novo!  

Eu acanhada, peguei novamente minha espada e Abel começou a acelerar o ritmo em golpes de ataque. Mesmo assim, muitos ali me olhavam espantados. Pelo que me contaram, as contas no colar que todo mundo tem, mostra os anos que a pessoa vive no acampamento, e Abel tinha seis contas, ou seja, seis anos que ele viva aqui. E pode ser desarmado rapidamente por uma menina que não vive aqui nem a seis dias.  

As coisas ficaram bem mais desconfortáveis no arco e flecha. Nas aulas de arquearia parecia bem simples, pegar um arco, colocar uma flecha, e atirar. Simples. O que poderia dar errado? Pois é, muita coisa acabou dando. Estávamos em uma fila horizontal, cada filho de Apolo armado de um arco e de frente para um alvo. No primeiro momento apenas observei enquanto eles davam os primeiros tiros.  

-Arqueiros! - Abel caminhava atrás da fila com as mãos nas costas, num tom de poder. -Arcos a postos! - Com um grito dele, os arqueiros levantaram seus arcos todos juntos. -Armar! - Todos juntos sacaram uma flecha de suas aljavas e armaram na corda, fazendo um barulho unificado de cordas esticando. -Atirar!  

O som de várias flechas zunindo juntas era meio desconfortante. Tanto que tapei meus ouvidos em um reflexo, mas logo as flechas acertaram seus devidos alvos com grande capacidade, nunca indo abaixo do aro dos sete pontos. Então todos guardaram seus arcos, andaram até os alvos e arrancaram suas flechas. Tinha quase 20 alvos ali, e todos os tiros haviam sido quase perfeitos. Abel então caminhou até mim e fez sinal para que eu o seguisse.  

-Bem, esse vai ser apenas um pequeno teste para medir suas capacidades. - Ele falou me levando a um estande de arcos e aljavas.  

Ele fez sinal para que eu pegasse um, e eu peguei o que parecia mais normal para mim e joguei a bolsa de flechas nas costas. Então ele começou a me levar aos alvos, onde todos os outros filhos de Apolo haviam sentado na grama distanciados para verem melhor. Abel me colocou de frente ao primeiro e falou.  

-Tem 18 alvos. - Ele falou apontando para fileira de alvos. -Você só vai atirar nos dezoito para vermos como você se sai no arco e flecha, mas esperamos bons resultados. - Ele falou então foi na direção de onde os outros do chalé 7 estavam quietos me observando. -Boa sorte. - Ele gritou.  

Todos aqueles olhos sobre mim eram meio desconcertantes, mas eu mantive o foco e tentei respirar fundo. O interessante foi, que quando olhei para os alvos preparando minha mira, minha visão atiçou, e foi como se eu tivesse de frente para o alvo, e não á quase cinco metros de distância. Foi como se meus olhos dessem um zoom automático, o que me assustou de início, mas mesmo assim mantive o foco.  

Lentamente saquei uma flecha da minha aljava, e coloquei com leveza na corda, estava meio que adiando, mas no momento em que eu puxei a corda, eu só pude ouvir grandes suspiros de espanto, mas ignorei e atirei. Uma, duas, cinco, dez. Muito mais veloz do que eu esperava, em um piscar de olhos eu já estava atirando a última flecha no alvo número 18.   

Respirei fundo, e olhei para os alvos a minha esquerda. Havia ido muito rápido, praticamente corri sacando e atirando flechas com velocidade, mas impressionantemente, todas acertaram exatamente no aro vermelho do centro, 10 pontos em todas, tiros perfeitos em todos.   

Todas muito bem centralizadas, quase milimetricamente calculadas. Impressionada comigo mesmo, soltei um sorriso vitoriosa, até dei um pequeno salto no ar gritando "yay", mas ao ver os olhares de espanto e todos os meus irmãos correndo em minha direção, me pus em uma postura melhor segurando o arco firme.  

Uma roda se formou a minha volta, mas todos em silêncio, mesmo assim sentia minha bochecha corar quando todos abriam a boca e fechavam elas rapidamente pasmos. Então Abel abriu caminho entre eles e parou a minha frente, também pálido.  

-Phoebe... - Ele falou pasmo. Então levantou a mão e apontou levemente para baixo, para minhas mãos, então notei a besteira que havia feito. Khryselakatos estava em minhas mãos, e todos olhavam surpresos para eles. -Onde arranjou isso?!  

"-Agora só lembre de uma coisa, Khryselakatos é ciumento. - Lembrei de Ártemis falando comigo pela mensagem de fogo. Ela falou e eu fiquei escutando com atenção enquanto encarava cada centímetro do arco. Havia achado estranho a parte do "ciumento", como se ele estivesse vivo, então olhei com confusão para eles. -Qualquer arco que tocar sua mão vai se tornar Khyselakatos. Ele sempre vai estar com você, cuide bem dele."  

Como eu sou burra.  

Percebi que assim que puxei a corda da primeira vez, quando todos suspiraram espantados, o arco que eu estava usando havia se transformado no Arco do Eixo Dourado, e eu sequer havia percebido isso, mesmo ele estando em minhas próprias mãos. Então percebi que ainda não tinha respondido a pergunta, apenas gaguejava nervosa.  

-B-bem...é....é que... -  Eu não podia revelar como havia achado Khryselakatos, não podia revelar como havia aprendido a manuseá-lo e ganhado ele de presente sem revelar que Ártemis, Apolo e Héstia falavam comigo diariamente, indo contra o costume dos deuses. Todos os olharem ainda estavam sobre mim, e eu apertava mais forte o arco.  

-Nunca tinha visto um arco desse na vida! - Abel falou, e estendeu a mão para o arco. Mas no segundo em que seus dedos tocaram o arco dourado, ele...silvou? Ele silvou! Soltou um barulho como de ferro quente sendo mergulhado em água e sua luz piscou intensamente, em um sinal de alerta, fazendo todos, principalmente Abel, recuarem para trás. -Está vivo?  

Abel perguntou e novamente todos os olhares voltaram ao meu rosto. Eu gaguejei, abri e fechei a boca várias vezes, sem saber o que dizer. Antes que eu explodisse, ou o arco desconfiado fizesse isso por mim, Abel se pronunciou.  

-Você está dentro! - Ele falou, ainda pasmo, mas forçando um sorriso. -Vai participar da Captura á Bandeira, esta tarde! 

[...]  

O almoço foi agitado.  

Após fazer minhas oferendas, e um pedido de desculpa por arriscar minha descrição aos três, Apolo, Ártemis e Héstia, eu fui sentar na mesa 7. Muitos dos filhos de Apolo lideravam uma cantoria boa, mas os que ainda estavam na mesa me rodearam quase instantaneamente no momento em que eu sentei na mesa e começaram um enorme interrogatório, alguns mais amigáveis que outros.  

Logo depois Abel teve que praticamente comandar que os outros me deixassem em paz por um tempo para que ele pudesse me explicar melhor como seria a captura a bandeira. Ele até que não estava muito impressionado com o fato de eu ter um arco mágico que desapareceu sozinho, mas evitou perguntar qualquer coisa e se manteve sorrindo.  

Ele me ensinou como colocar uma armadura –pesada e horrível de colocar por sinal, e me explicou que mesmo que fosse apenas uma "brincadeira" do acampamento, eu deveria tomar cuidado para não me machucar pra valer. Mesmo assim ele me colocou nas linhas de frente para ir atrás da bandeira da equipe adversária.  

Quando eu perguntei porquê equipes tão grandes mesmo tendo alguns chalés que não participavam, ele me explicou que antigamente eram apenas duas equipes pequenas, mas que com o aumento de campistas e do número de chalés, acharam mais desafiador fazer assim, ele até comentou que tinha vezes que juntavam até mesmo três equipes. O objetivo era simples: Pegar a bandeira inimigas, sem perder a própria.  

No início eu achei complicado, mas ele explicou que como uma ótima equipe, principalmente os filhos de Atena que bolariam um plano, os de Hermes que eram ótimos em roubar coisas, e os indeterminados, pois deles nunca sabia o que se esperar, era como esperar pelo inesperado.  

Era muita informação para processar. Os adversários filhos de Poseidon tiveram a sorte de tirar um campo perto da praia, o que fazia de seu pequeno número algo esquecível, já que na água eram extremamente poderosos. Também deveria tomar cuidado com os filhos de Hades, que para compensar seu pouco número, podiam invocar exércitos de esqueletos e fantasmas.   

O pior ainda era tomar cuidado com os filhos de Hipnos, o que eu não entendi no início por eles serem da nossa equipe. Mas Abel me explicou que se você ficar muito perto deles, eles, mesmo sem querer, te deixariam com muito sono, tanto que você provavelmente deitaria no campo de batalha para tirar um cochilo.  

Minha cabeça estava prestes a explodir com tantas coisas que poderiam me ferir drasticamente. Abel falou que eu deveria tomar cuidado com o arco, não sabíamos se ele podia ferir pra valer alguém por acidente, então eu deveria manuseá-lo o melhor possível. Também falou que eu deveria colocar Sammy no estábulo de pégasos, pois caso ele achasse que eu estivesse em perigo, poderia ficar violento.  

-Ai, Sam... - Eu falei com ele em meus braços enquanto andava na direção do estábulo. Faltava apenas meia hora para os jogos começarem e eu deveria prende-lo o mais cedo possível. Dava pequenos passos, principalmente pelo peso de toda armadura que eu vestia. -É muita confusão para eu aguentar.  

Entrei dentro dos estábulos e passei pelos Pégasos até uma grande cela vazia. Abri o cercado e soltei Sam lá dentro fazendo carinho em sua cabeça. Brinquei um pouco com ele, mas logo sai, lembrando de fechar o cercado com um cadeado de bronze celestial cheio de símbolos encantado pelos filhos de Hécate, o que evitaria que ele saísse quebrando tudo, o prendendo em sua forma de cachorro.  

No momento não pedi muitas informações sobre como aquilo funcionava, já tinha muita dor de cabeça para me preocupar, mas agora eu estava interessada. Me despedi de Sam e sai dos estábulos depois de ver ele começar a cavar buracos no feno que tinha lá dentro. Sai andando com calma, estava pronta para ir ao campo, mas algo me chamou a atenção, novamente um brilho em meus olhos chamou minha atenção.  

Talvez eu estivesse sendo idiota em ir atrás de outra luz? Sim. Mas mesmo assim eu era uma criança curiosa. Então me virei para ver de onde o brilho vinha, e acabei me deparando um chalé.  

A princípio não parecia um chalé muito impressionante, mas estranhamente, ele brilhava com uma luz própria assim como o chalé de Apolo e Ártemis. Mas esse tinha um brilho negro, que emergia de suas paredes de mármore preto estelar. Um escuro sem fim, mas ainda sim era recheado com pequenos pontos brancos, que realmente se moviam e brilhavam como estrelas. Toda a luz ao seu redor parecia ser sugada, como um buraco negro, mas fazia tudo ao redor do chalé, que parecia abandonado ali no meio, parecia ser a pura noite.  

Vi clarões azuis escuros vindo de suas janelas, grandes e brilhantes, que chamavam a minha atenção. Então lentamente fui até o chalé, que ao me aproximar, realmente me senti como se fosse noite, tudo ao meu redor escureceu. Era estranho, parecia ser hipnotizada pela luz que aquele chalé emanava, e eu ouvia vozes e uma conversa lá dentro. E mesmo as paredes parecendo grossas, era fácil escutar a conversa.  

Deveria escutar a conversa atrás das portas de um chalé misterioso que poderia ter um semideus super poderoso que poderia fritar minha cabeça? Não. Mas eu iria obedecer minha conciência e meu senso de ética? Também não, então me escorei na porta de mármore brilhante. 

-Ouviu isso? - Ouvi uma voz feminina perguntar. E acabei por reconhecer ser de Elena, então eu fiquei meio confusa. Mas acabei deixando meu olhar cair sobre uma placa escrita "27". E agora tudo estava respondido. Era o chalé 27, o chalé de Nix, deusa da noite.  

-Não. - Respondeu outra voz, que acabei por perceber a voz de ninguém menos que Jacob. 

-Eu podia jurar que...-- Elena começou novamente, mas foi interrompida. 

-Deve ter sido sua imaginação, mas vamos voltar ao assunto. - Ouvi Jake a interromper, com um tom sério, mas ainda meio animado. -Eu sei que você também tem ouvido essas vozes.  

-Eu não sei o que eu ouvi, Jake! - Elena falou meio acanhada, não podia ver através de paredes ainda, mas tinha certeza que ela passou o cabelo para trás da orelha. -Pode ter sido minha imaginação!  

-Qual é, Elena! Você pode ser maluca, mas esquizofrênica ainda não é. - Jake suspirou profundo, arrancando um suspiro de indignação de Elena. -Te conheço desde que cheguei no acampamento, sei quando você mente! - Ele parecia mais animado do que o normal. -Não é óbvio? É a sua mãe!  

-Nix nunca falou comigo, porque começaria agora?  

-Eu não sei. - Jake respondeu. -Mas eu tenho escutado a voz de uma mulher em minha cabeça. E ela me avisou umas coisas estranhas.  

-Que tipo de coisas?  

-Algo sobre um tal...  

-Mal se aproximar... - Os dois falaram em uníssono, e ouvi Jake soltar um suspiro impressionado para Elena. -É exatamente isso que eu tenho ouvido. Mas não temos certeza se são nossas mães. - Ela falou e ouvi um barulho de metal se mexendo. -Agora eu tenho que me arrumar para a captura a bandeira, e você também deveria, pode ser uma boa oportunidade para se desculpar com a Phoebe.  

Agora sim, meus ouvidos estavam ativos.  

-Foi um acidente. As vezes eu não consigo controlar! - Ele reclamou.  

-Mas Phoebe não sabe disso.  

-Eu não queria que aquilo afetasse ela, foi um acidente. Acontece quando eu fico nervoso.  

-Mais uma razão para se desculpar e dizer que você não queria usar uma capacidade apavorante contra ela.  

-Ela usou "Luz da Verdade" contra mim, acho que estamos quites. - Ouvi ele esbravejar nervoso. -Você está mudando de assunto! Bia na minha cabeça, Nix na sua. Deusas que já são proibidas de nos ter, e agora estão falando conosco? Isso só pode ser algum tipo de sinal!  

-Nossas mães não podem falar conosco. Então é quase óbvio que não são elas. - Elena reclamou, quase podia ver ela andando de um lado ao outro pelo quarto escutando seu sapato na madeira. -Nix nunca sequer trocou uma sílaba comigo, porque começaria agora? Dezesseis anos depois?  

-Sua mãe pode nunca ter falado com você, mas ela se importa com você. - Reclamou Jake. -Eu ainda estou preso no Chalé de Hermes, você pelo menos, tem seu próprio Chalé que a sua mãe literalmente fez para você de uma estrela cadente.  

-Um chalé que recebeu a fama de amaldiçoado, e eu recebi a fama de 'mimadinha'!  

-Você é a filha de uma deusa! Uma das mais poderosas! E tem uma vida com seu pai, eu... - Ele reclamou. -Sou filho de uma titânide que nem um pai me deixou! - Ele gritou uma última vez, e antes que eu percebesse, a janela perto da porta de onde eu estava, explodiu em milhões de cacos.  

Abafei um grito de susto e me encolhi na porta, e o barulho lá dentro silenciou. Escutei longas respirações pesadas, tentando se tornarem compassadas, depois um longo suspiro de calma e ouvi Jake falar.  

-Desculpa. - Ele falou ainda controlando a respiração. 

-Melhor? - Perguntou Elena, mas seu tom não tinha ironia, ela perguntou serenamente.  

-Muito melhor, na verdade. - Ele falou, em tom bem mais calmo que antes. -Foi mal pela janela.  

-Tudo bem. - Ela falou calma, não parecia se importar com aquilo, e percebi o porque. O chalé pareceu absorver um pouco mais de luz de fora e os cacos voaram para a janela se reunindo numa vidraça perfeita. Ainda mais lustrada que a antiga. -É mais fácil e eficiente do que lavar as janelas. - Ela falou e os dois riram baixo. 

Eu não sabia se deveria continuar escutando aquela conversa, parecia estar passando para um lado bem mais pessoal do que eu esperava. Escutei um silêncio se instalar, então não sabia o que presumir, então me virei me preparando para sair. 

-Ah, então era você. - Eu ouvi uma voz falar atrás de mim, e senti meu sangue gelar dos pés a cabeça, era Elena.  


Notas Finais


Bem pessoas, eu me arranjei em uma coisa: Vou continuar postando uma vez por semana, mas fixei o dia como Sexta-Feira, e como já tenho uns caps preparados, vou colocar aqui um cronograma dos próximos capítulos, farei isso todo início de mês para vocês ficarem atentos:
11/08 (Hoje) - Capítulo 7: Se eu tivesse um nome do meio, ele seria "Desastre" (5.313k)
18/08 (Semana que vem) - Capítulo 8: Captura a Bandeira, Parte 1 (4.116k)
25/08 (Última semana de Agosto) - Capítulo 9: Captura a Bandeira, Parte 2 (4.714k)
01/09 (Início do Mês) - Capítulo 10: [Sendo escrito, e título a ser decidido] (Até o momento, 5.176, e sim, ainda vai crescer mais ^-^)

Estou inserindo a data, o título, e o número de palavras que tem na fic, desse modo vocês já podem ficar preparados. Farei o cronograma todo início de mês, no primeiro cap do mês, o que dá entre 4 e 4 caps, mas vamos com calma e vamos na fé. Até semana que vem, beijos.


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