História Photograph - Capítulo 11


Escrita por: ~ e ~TexugoMin362

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Brasil, Brasileira, Bts, Coréia, Coréia Do Sul, Hetero, J-hope, Jimin, Jin, Jung Hoseok, Jungkook, Kim Namjoon, Kim Taehyung, Min Yoongi, Rap Monster, Seul, Suga
Exibições 159
Palavras 6.838
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Visual Novel
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá leitores!

Nós voltamos, finalmente! Por favor não nos mate! Nós vamos explicar o que aconteceu. Seguinte, SrtaKoreia tinha ficado de recuperação, ai a mamacita dela tirou celular, internet, os bagulho tudo, então ficamos sem nos falar já que nós não somos da mesma escola e desde o início da fanfic a gente prometeu que íamos fazer isso em equipe, ou seja, nunca iríamos escrever um capítulo sozinha ou postar algo sem a outra saber ou concordar. A culpa pode até ser dela (já sabem, se forem matar alguém, mata ela), mas como eu (Texugo falando) sou uma das autoras, a culpa também é minha. Enfim, tudo o que eu falei não justifica nossa falta de compromisso com a fanfic e com vocês, nos perdoem! Estamos já fazendo os próximos capítulos para que isso não aconteça de novo, já planejamos e estamos escrevendo os próximos seis capítulos.

Comentem o que acharam do capítulo, deem sua opinião, e fiquem a vontade para nos fazer perguntas.

Boa leitura

Capítulo 11 - Fotografia


Fanfic / Fanfiction Photograph - Capítulo 11 - Fotografia

— HENRI! — berrei em plenos pulmões, correndo pela casa enquanto tentava manter o equilíbrio e colocar minhas meias ao mesmo tempo. — CADÊ O ME SAPATO!?

NÃO SEI! — ele gritou do seu quarto, e pude ouvir o barulho de coisas caindo e se quebrando enquanto eu bufava. — Merda!

— Para de ser inútil uma vez na sua vida, filho da puta, e VEM ME AJUDAR A ACHAR ESSA PORRA! — gritei raivosa,  jogando as almofadas do sofá pela sala de forma desesperada, procurando meus tênis.

— Gritar não vai adiantar nada, ok? Eu não sei se você percebeu, mas eu também estou atrasado. — ele falou num tom mais baixo, aparecendo na sala com o seu par de sapatos, se sentando no chão mesmo e começando a calça-los.

— E eu não sei se você percebeu, mas eu tenho uma exposição que vale metade da minha nota do trimestre que começa em menos de quatro horas, e não tem NADA PRONTO! — falei mais alto que das últimas vezes, apenas por birra mesmo, e me ajoelhei para olhar em baixo dos sofás. — Cacete!

Ouvi Henri se levantar e bufar, indo procurar alguma coisa na cozinha enquanto eu tentava repassar todos os meus passos dês da última vez que tirei meus sapatos, ou seja, ontem. Eu sabia que estava sendo uma tremenda megera e que o fato de estarmos atrasado para as universidades — e deu não achar o meu sapato — não era culpa dele, mas o que eu podia fazer? O Dia da Foto era um dia importante na Coreia, assim como todos os outros dias comemorativos estranhos que eles tem por aqui, mas para uma faculdade de fotografia era muito mais.

Eu tinha ficado com a parte da organização do projeto, que estaria aberto para o público ao meio-dia, e pelo que o nosso professor de aulas praticas Sr. Choi tinha dito, nós iriamos fazer uma espécie de varais espalhados pelo campus, com fotos que coletamos penduradas neles. Tínhamos coletado fotos de todos os lugares, desde pedrinhas no chão até de pessoas famosas, das nossas próprias fotos pessoais até fotos que outros alunos do campus doaram para nós, e o que parece fácil, sai bastante trabalhoso para tão pouco tempo. Tivemos que tirar uma copia de cada uma das fotos e devolve-las os donos, além de conseguir infinitos metros de fita para percorrer toda a universidade, sem falar em todos os pregadores de madeira que nos custaram uma fortuna.

Como o dia para os estudantes de fotografia seria apenas essa exposição para o Dia da Foto, o horário normal de chegada — as 7h — foi alterado para as 8h, para que os materiais que vamos trazer não se percam no mar de estudantes que costumam chegar no horário regular. Normalmente sou eu quem acorda o Henri, porque na grande maioria ele não ouve o próprio despertador, acabado pela noite completamente não — ou mal — dormida de estudos e/ou trabalho, mas no momento que vi meu despertador tocar as 6h e lembrei que só iria as 8h, entrei em modo automático; apertei o botão de soneca para mais uma hora e meia, me esquecendo completamente de Henri.

O que nos leva para nossa situação atual — eu completamente descabela e descalça pela casa enquanto faltava menos de dez minutos para eu estar na universidade e meu irmão muito, mas muito mais atrasado que eu.

— Aqui. — chamou ele atrás de mim, me fazendo virar para encara-lo e segurar fortemente o par de coisas pretas que ele jogou para mim. Meus All Stars! — Laveis eles ontem e esqueci que tinha deixado para secar atrás da geladeira. Desculpa.

Calcei os sapatos o mais rápido que conseguia, concordando com a cabeça, me sentindo ligeiramente culpada com toda a situação. A culpa de estarmos do jeito que estávamos, principalmente Henri, era minha e só minha, e ele não disse uma palavra só para me incriminar; seja quando eu gritei com ele ou não.

Sou eu quem deveria pedir desculpas, não Henri?

— De boa. — falei, deixando meu orgulho falar mais alto e indo até a porta. — Pegou tudo?

— Peguei. — ele falou, e ouvi o barulho das chaves do carro sendo giradas em sua mão. — Pegou a caixa com as fotos?

— Está no carro. — falei, abrindo a porta e já correndo até as escadas, ouvindo o som da porta da nossa casa sendo trancada atrás de mim enquanto eu tentava ao máximo chegar rápido e viva até a garagem do prédio.

Ouvindo Henri correr atrás de mim e começar a me alcançar, chegamos até a garagem e corremos até o carro vermelho. Henri o abriu de forma rápida, e eu mal fechei a porta quando ele já deu a partida e usou o controle para abrir o portão do lugar, nos tirando de lá e o fechando novamente.

Me estiquei para o banco de trás, pegando a caixa de papelão que estava lá e coloquei no meu colo, a abrindo rapidamente apenas para ver se as copias das minhas fotos estavam lá mesmo. Uma foto minha pequena, com uma franjinha caindo sobre os olhos, com o bebe Samuel no colo e um quase pré-adolescente Henri atrás, tentando me ajudar a não deixar Sam cair se mostrou para mim, afinal, era a primeira do montinho. Sorri para mim mesma com tal foto e fechei a caixa, vendo que Henri mantinha o carro em uma velocidade acelerada, porque já estávamos longe do nossa prédio.

O silencio se formou, e o que para ele parecia ser normal, para mim era desconfortável. Eu me sentia um monstro por fazer Henri perder o primeiro horário da sua faculdade, e queria dizer alguma coisa, pedir desculpas... mas a imagem deu gritando com ele minutos atrás me fazia ficar extremamente envergonhada. Ele fazia tanto por mim, me relembrei isso pela milésima vez ontem, quando contei para ele que eu tinha uma festa "chique" para ir amanhã e que precisava de um vestido. Ele caçou comigo em todas as lojas possíveis um vestido que fosse barato e bonito, mesmo estando obviamente irritado por eu dizer que era a “festa dos meus amigos, os mesmo daquela madrugada” e nem um pouco feliz com a desculpa de “eu explico quando voltar de lá”. Ele disse que eu já era maior de idade, podia fazer o que quisesse, e era exatamente por eu ser maior de idade que ele não precisa cuidar de mim desse jeito.

Ele poderia apenas bater o pé e dizer “você está sob o meu teto e vai seguir as minhas regras”, me proibindo de sair. Mas não, ele tinha que ser um amor de pessoa e aceitar a minha condição de explicar tudo para ele mais tarde. O fato dele não aparentar ter defeitos só piorava a situação quando eu estava errada, tanto eu quanto ele sabíamos disso, e ele não fazia nada.

— Henri... — comecei, encarando a caixa repleta de fotos no meu colo, que magicamente parecia ser a coisa mais interessante no momento. — Olha, eu só queria...

— Se for para pedir desculpas, nem começa. — ele me cortou, e senti meu coração gelar. Por favor não fique com raiva de mim, por favor. — Não foi sua culpa.

Franzi o cenho, estranhando, apesar de aliviada, a falta de uma patada da parte dele.

— Henri, como não? Tipo, eu te fiz perder a sua aula e ainda fiquei gritando com você que nem uma louca. — falei, como se fosse a coisa mais obvia do mundo e ele fosse estupido por não estar berrando comigo, coisa que eu não queria, mas acharia compreensível ser feita.

Meus pensamentos são controversos.

Ele riu da minha explicação de porque ele deveria estar com raiva de mim, mas não mudou suas expressão serena em nenhum momento.

— Lena, você não tinha a intenção de fazer nada disso, e eu sei o quão nervosa você fica sob pressão. — falou, simplista, virando em uma curva em alta velocidade (a coisa mais normal de se fazer aqui na Coreia, onde os carros e motos invadem a calçada normalmente). — Tá legal? Você não tinha a intenção, então a culpa não é sua.

— Boas intenções não salvam o mundo. — resmunguei, emburrada, cruzando os braços. Por que ele não podia ser uma pessoa normal e ficar com raiva de mim? Por que ele precisa ser sempre tão fofo, preocupado e perfeito?

Ele novamente riu, bagunçando meus cabelos e freando bruscamente, me fazendo soltar um gritinho baixo.

— Chegamos. — ele disse, e vi os portões na faculdade enquanto ele beijava minha bochecha. — Não seja tão dura consigo mesma. Só vá e dê o sue melhor irmãzinha, está tudo bem. — ele disse e, quando viu que eu não me movia, revirou os olhos e destravou o carro. — Vai! — falou, me empurrando para fora do carro e fechando a porta pela quando tinha me empurrado, sorrindo perfeitamente.

E gritando um “boa sorte!” para mim, deu a partida e, mais rápido do que quando eu estava no carro, saiu do meu campo de visão.

A entrada da Universidade Chung-Ang estava completamente vazia, o que deveria se dar ao fato de que os estudantes normais já estavam em sala de aula faz tempo e que os outros, que deveriam chegar mais tarde, também. Isso só me motivou mais a correr pela entrada, passando pelo campus — com um ótimo equilíbrio pra não fazer a caixa pressionada contra meu peito cair no chão — tentando me lembrar onde ficava a sala de organização, onde eu tinha ficado.

Após uma corridinha básica de uns cinco minutos, e a confirmação de que eu precisava fazer mais exercícios físicos, entrei no primeiro andar do prédio de Comunicações Sociais e bati delicadamente na porta da sala 507, tentando ao máximo regular minha respiração, segurar a caixa e tentar ajeitar meus cabelos. Obviamente, não consegui fazer nenhuma das três ações direito.

— Pode entrar. — chamou uma voz doce do outro lado, e eu entrei do jeito que a pessoa pediu, me encontrando com 15 pares de olhos curiosos sobre mim, tirando os da própria professora asiática de meia idade. — Pois não?

— Desculpe o atraso senhora, acabei demorando mais do que esperado. — falei, me curvando em sinal de arrependimento, perante a ela e toda a sala de alunos de fotografia. Minha surpresa? A sala era mista; tanto asiáticos quanto estrangeiros estavam ali.

— Ah, entendo. Está escalada para a parte de organização, senhorita...

— Martins. — falei, ainda meio acanhada por ela não mostrar logo sua face: seria boazinha comigo ou iria cortar metade dos meus pontos por eu chegar um pouquinho atrasada?

— Certo Malins, pode ficar em pé mesmo, já estávamos prestes a sair. — ela falou, e fiquei tão aliviada que nem me dei à ousadia de corrigir meu sobrenome, apenas acenando com a cabeça. — Estávamos falando que seria muito mais fácil circular o campus inteiro com polaroides se fizéssemos isso e duplas, ou até mesmo em trios. Sugeriram quartetos para cima, mas acredito que não precisa mais de três pessoas em cada parte da UCA. — disse, e eu entendi pelo desinteresse alheio que ela já tinha explicado isso antes e estava apenas repassando para mim. — Já passei as duplas de cada um. A pessoa ou as pessoas que ficaram com a senhorita Ma... com a senhorita aqui, podem falar. Já estamos indo. — ela falou, e tentando esconder o rosto vermelho por não ter conseguido falar meu nome, saiu da sala.

Uma grande porção das pessoas na sala saíram junto dela, não se dando nem o trabalho de olhar para mim, o que me deixou um tanto desconfortável e sem ação. Tipo, não era possível que eu não tenha ficado em dupla/trio nenhum, mas também seria bem babaca da parte da(s) pessoa(s) não falar nada e me deixar ali, plantada e com olhar de peixe morto. Certeza de que foi algum coreano tradicionalista implicando por eu ser estrangeira e estar chegando atrasada. Ah, maldito sejam esses ideais...

Uma mão pequena e delicada tocou meu ombro, e eu abaixei o olhar para encarar a pequena criatura reluzente que não me olhava. Sua roupa consistia em cores claras, como sempre, em uma saia rendada branca e uma camisa social amarela. Os cabelos — grande provavelmente pintado — loiros estavam soltos em uma cascata de cachos reluzentes, com suas grandes mexas soltas na frente. Ela não sorria, nem olhava pra mim, mas eu podia ver o leve gloss rosa em seus pequenos lábios e suas feições asiáticas delicadas. Ela parecia estar incomodada.

— Vamos para a área de moda. — Naomi disse simplista, sequer me esperando processar o fato de que éramos uma dupla, e já saindo da sala de aula.

Sabe quando você precisa pedir dinheiro pro seu pai por algum raio de motivo e você espera ele chegar em casa? Ai ele chega em casa estressado pra cacete e você fica tentando achar uma brecha no mau humor dele pra pedir o dinheiro que você precisa pra, tipo, ontem? Pois é, eu me sentia assim perto de Naomi Kobayashi.

A cada momento que passávamos juntas em um silêncio eterno, eu roía minhas unhas para não explodir tudo que eu tenho remoendo em meus pensamentos há dias. A cada curtas palavras que ela me dava, na maioria das vezes instruções, eu tentava puxar para assuntos banais para que possamos ter uma certa intimidade, mas nada. A loira não dava brecha alguma para mim. Eu não era uma pessoa curiosa, se você me falasse que tem algo para me contar mais tarde eu ia te pressionar um pouco, mas ia logo desistir e esquecer disso até o “mais tarde”. Mas quando o assunto era algo desse tipo, do tipo que faz uma das garotas mais alegres que você já conheceu ficar a beira das lagrimas e repetir que “não te odeia, mas adoraria”, é impossível não querer virar o Sherlock Holmes.

E eu meio que fiz isso.

A família Kobayashi era rica, rica pra cacete no Japão, mexendo com coisas de micro chips em celulares e tal. O pai dela, Miro Kobayashi, era um dos CEOs mais bem pagos da Ásia, e uns que mais tinha percentual de lucro por ano no continente. A mãe dela, Keiko Kobayashi, é acionista em uma empresa de cosméticos e sócia de um badalado consultório de cirurgia plástica em Hong Kong. As duas irmãs mais velhas, pelo que vi em fotos e matérias espalhadas pela internet, tinham seguido a mesma essência do caminho da mãe: uma virou cirurgiã plástica e a outra, modelo de cosméticos. Parecia a família socialite japonesa favorita de Tóquio, tanto é que mesmo com o nome “Kobayashi” sendo bem comum, não foi difícil identificar a família. Entretanto por pouco, muito pouco, eu não saberia que Naomi fazia parte dela.

Os meus lençóis não eram tão branco quanto o meu rosto quando descobri que Naomi, na verdade, era Eiko e — eu sabia! — morena. Pelo que entendi, já que se falava muito pouco dela, a terceira filha do casal nunca quis e nunca gostou de aparecer na mídia. Conseguiu um mandato judicial aos doze anos que proibia seus responsáveis de expor ela na mídia sem sua autorização, e praticamente não saia de casa sem uma touca na cabeça. No começo, isso parece que foi manchete no Japão todo, mas depois de um tempo os paparazzi foram cansando da menina que nunca mostravam o rosto e restringiram a família a apenas quatro pessoas. Era só isso que eu sabia de Eiko, isso e que ela foi cursar faculdade fora do país natal. Eu nunca saberia que Eiko era a loira que eu conheço, nunca mesmo, até ver uma foto da garota com seus onze anos — era o mesmo rosto, os meus lábios e os mesmos olhos de Naomi.

Com o meu trabalho de Sherlock bem sucedido, tudo que eu precisava era confrontar a garota. Mas eu sabia que não podia fazer isso de cara. Digo, eu xeretei a vida dela pra cacete e se ela hoje está aqui, na Coreia, com outro visual e outro nome, é porque ela não quer ser associada a imagem de Eiko Kobayashi. Mas, porra, eu me sentia uma latinha de coca-cola agitada e com Mentos dentro, louquinha pra explodir.  

— Segure os pregadores aqui pra mim por favor, vou puxar mais o arame. — falou a loira ao meu lado e, sem esperar a minha resposta, foi para o outro lado da arvore, me fazendo ir par ao lugar onde ela estava e começar a pregar as fotos.

Uma foto de um cachorro, um par de velhinhos e outra de um pé de banana. Nada que pudesse ocupar minha mente de todas as incontáveis — e indiscretas — perguntas que eu queria fazer.

— Então... — comecei, tentando puxar naturalmente o assunto. — Você nasceu em Tóquio mesmo?

Mas a garota me ignorou, apenas puxando o arame com força e dando mais duas voltas ao redor de um galho seco.

— Ok, então... Osaka? — arrisquei, tentando lembrar de outros destinos japoneses. Ela me ignorou de novo. — Hm... Nara?

— Por que não pode simplesmente esquecer o que eu te disse outro dia e me deixar em paz? — ela disse curta e grossa, sem me olhar, se aproximando quando o arame já estava bem colocado. — Pode sair. — ela disse simplesmente, me empurrando par ao lado e voltando a colocar as fotos.

Eu não sou a pessoa mais calma do mundo. Ah, não sou mesmo. Se eu gostar de você, eu posso ser a pessoa mais amável e adorável que você já conheceu. Se eu estiver em uma mau dia ou você pisar no meu calo, você pode se arrepender de ter me conhecido. E Naomi estava começando a pisar no meu calo.

Olha aqui garota, na moral...

— O que? — ela perguntou com uma expressão confusa, olhando pra mim pela primeira vez no dia.

Eu estava prestes a explodir achando que ela estava debochando da minha cara, quando percebi que eu tinha falado em português. Pigarrei de vergonha e voltei a falar em coreano:

— Escuta Naomi, eu não sei o que tá acontecendo ou pelo que você está passando, mas eu só não sei porque você não deixa eu saber. — desabafei, vendo que ela voltava a colar os polaroides no arame. — Sei que não somos tão próximas assim mas eu tô vendo que você está mal e eu quero de ajudar. Você não tem que ter medo de falar, você pode compartilhar tudo comigo. Não vou te julgar.

— Você fala como se eu tivesse um segredo obscuro guardado. — disse irônica, e eu revirei os olhos, me perguntando se Li e Sun Hee não tinham razão.

— Bem, não fui eu que fugi do meu país e mudei de nome, não é mesmo? — joguei na lata, e peguei um polaroide para colocar no arame.

Me abaixar, pegar a foto, pegar o grampo, praticamente colar no arame. Foi o tempo que eu precisei pra perceber a merda que eu tinha feito.

Naomi...

— O que você disse? — ela perguntou calma e assustadoramente, o que me fez apenas chamar o nome dela de novo, sem saber ao certo o que fazer. — Você pesquisou sobre a minha vida Lena?

Por um segundo, minha vida passou por diante dos meus olhos. Eu pequena correndo atrás de Henri, a risada grossa de meu pai, minha mãe me vestindo de fada no meu aniversário de três anos, o leve lampião de memorias que tenho sobre o funeral do meu pai, Samuel chorando meu nome e me implorando para brincar, eu cortandoi meu cabelo pela primeira vez, Henri trazendo a primeira namorada para casa, Sam ganhando a primeira guitarra, eu gostando do primeiro garoto, Benjamin nascendo... Tudo passou diante dos meus olhos e um frio congelou minha barriga, como se eu fosse morrer ali, naquele instante.

— E-Eu, hã, eu só...

Um grito alto de Naomi cortou minha fala, junto com a pronuncia raivosa de algumas palavras em outra língua (provavelmente em japonês, e provavelmente xingamentos). Me assustei por um momento, mas entendi que ela precisa de um tempo pra librar a breve raiva que estava sentindo, seja pelo fato deu ter pesquisado sobre sua vida ou de estar me metendo nela. De qualquer forma, nenhuma das duas foi uma coisa certa de se fazer.

Ela continuou assim por meio minuto mais ou menos, olhando par ao chão e falando cuspido palavras estupidamente rápidas, e eu senti que ela amaldiçoava até a sétima geração da minha família. Quando parou e começou a respirar fundo para se acalmar, se virou para mim e me encarou profundamente. Outra breve sensação de que eu iria morrer ali.

— Eu te pedi, muito claramente, para não se meter na minha vida. — ela disse, usando toda a força do seu ser para falar de forma calma e controlada comigo. — Por que raios você foi fazer exatamente o que eu te pedi pra não fazer?

Encarei-a com um pesar nos olhos. O que tinha de tão ruim na sua família pra mudar o nome, o visual e vir para outro país? O que tinha acontecido para que ela tenha ficado tão ressentida por ter perdido um concurso idiota? Li poderia ficar com raiva e ciúmes, e Sun Hee poderia achar ignorante da minha parte, mas eu não conseguia ignorar aquele instinto de que deveria ajudar a loira na minha frente, seja com ela me dando patada ou não.

— Porque eu sou sua amiga, Naomi, ou pelo menos tento ser. E eu quero te ver bem.

E por um momento, a armadura da loira se caiu. Não sei se já tinha dito isso pra ela assim, tão abertamente, tão nitidamente, mas estou feliz que tenha feito. Talvez ela não tenha percebido, mesmo depois de tudo, que eu quero o bem dela, e mesmo sendo xereta, não vou força-la a nada. Só quero que ela desabafe. Só quero que ela liberte esse sentimento ruim e sufocante que eu sei que está preso dentro dela.

Só quero que ela chore no meu ombro sem culpa.

— Eu... É uma história complicada. — ela disse simplesmente, parecendo frágil ao meu ver, o que me fazia querer abraça-la e guarda-la num potinho, a protegendo do mundo.

— Bem, nós temos até o meio dia e depois pra conversar. — falei, animadora. — Parece que depois daqui vão nos jogar numa sala pra colar os broches de visitante nas camisas que vamos distribuir e que uma dupla ou trio vai ter a “sorte” de ficar no caixa dos ingressos o dia todo. — falei, fazendo aspas com os dedos na palavra sorte, fazendo ela sorrir minimamente.

— Vai ser a gente, eu já olhei na lista da Sra. Jung. — falou a loira, me fazendo revirar os olhos e bufar de cansaço.

Por que tudo por aqui tem que ter eu no meio? (1)resmunguei na minha língua nativa, e quando olhei para Naomi, a vi mordendo a boca de nervosismos e botei a mão em seu ombro. — Vamos fazer assim: você não precisa me contar tudo agora, pode me contar ao longo do dia. Vamos ficar aqui de qualquer jeito mesmo. Só me deixa mandar uma mensagem pro meu irmão avisando. — pedi pra ela, e quando ela concordou coma cabeça, me afastei minimamente, mandei um SMS dizendo que demoraria bastante para chegar em casa, e voltei a ela. — Pronto. Quer começar?

Ela pensou um pouco no assunto mas, no final das contas, concordou com a cabeça, pegando mais fotos polaroides e colando nos arames, me fazendo imitar seus paços enquanto a encarava, esperando uma resposta.

— Eu sou a filha mais nova de um dos casais mais ricos do Japão. — falou simplista, colando as fotos enquanto falava. — E sim, eu nasci em Tóquio. Sei que já deve saber tudo isso, mas vou falar mesmo assim. — ela disse, e eu apenas concordei com a cabeça. — Meu pai mexe com tecnologia, minha mãe com estética. Minhas irmãs mais velhas seguiram o mesmo caminho estético da mamãe e trabalham junto com ela, uma como modelo dos produtos dela outra cirurgia pessoal da clínica da mamãe. Eles não tiveram filhos homens, e como desde pequena eu fui descoberta com uma capacidade cerebral bem... alta, digamos assim, papai sempre depositou muita esperança em mim. — falou e, a cada palavra que dizia, sentia o pesar em sua voz. Queria pedir que parasse e abraça-la mas, ao mesmo tempo, ainda queria ouvi-la, porque os sites de fofocas japoneses não tinham me contado isso. — Ele me chamava de pequena estrela e dizia que eu era uma gênia, que iria assumir os negócios da família com tecnologia. Ele queria que a mídia toda soubesse que a filha caçula dos Kobayashi iria herdar toda a empresa do pai. Eu não queria, então entrei com um processo na justiça. Eu ganhei. Logo em seguida eles... — senti a voz dela vacilar e instintivamente coloquei a mão em seu ombro, já prestes a falar que ela não precisa continuar. — Isso... é tudo que eu posso dizer por enquanto, desculpa.

Sorri acolhedora para ela a afaguei seu ombro com meus dedos.

— Está tudo bem, temos muito tempo ainda. — falei positiva, e olhei para o varal a nossa frente, que já estava completo. — O que acha de irmos para a área de tecnologia?

Depois da área de tecnologia, fomos para a parte veterinária — onde eu cacei Li, mas não a achei —, para a de psicologia — onde vi o crush da mesma, o Zhian, e admito, o garoto era bonito — depois para a de artes cênicas, plásticas, biológicas e filosóficas. Corremos praticamente o campus de humanas inteiro, e em nenhum momento ficamos em silencio. Assuntos aleatórios surgiam, assuntos banais, assuntos sérios, assuntos descartáveis e coisas que me fizeram conhecer mais ela e ela a mim. As barraquinhas de comida para os visitantes de hoje já estavam todas quase prontas, e o cheiro estava matando qualquer um, principalmente eu que não tomei café da manhã.

Naomi me passou seu numero e eu passei o dela, e estava prestes a comentar o quão o macarrão daqui é diferente do que o do Brasil quando a tal Sra. Jung nos encontrou e pediu que fossemos para a mesma sala do prédio de Comunicação para ajeitar as camisas. Olhei para o relógio, 11:13. Estava quase na hora da exposição.

Andamos apressadas até a sala e quando chegamos lá, nos encontramos com outros quatro garotos, três garotas e várias caixas de blusas verdes (que, pelo visto, era as que os visitantes iriam usar) para serem “abrochoadas”? Não sei ao certo a palavra passiva da ação “colocar um broche”. De qualquer modo, a Sra. Jung disse que todas as camisas com os broches iriam ser colocadas em uma caixa à parte, e que de 30 em 30 minutos ele viria para cá com mais blusas e pegando as já prontas. Ela disse que por falta de orçamento as camisas dos estudantes e professores (que não pagam taxa) tiverem que ser da mesma cor que os visitantes, então os broches teriam que ser muito bem colocados para que nenhum espertinho quisesse se passar por aluno e entrar de graça. Concordamos com tudo e a Sra. Jung foi embora.

Em poucos minutos, a sala se separou. Alguns meninos foram fazer suas camisas em um canto, outros meninos em outro, as meninas ficaram juntas no centro e eu e Naomi ficamos no cantinho, com duas caixas inteiras repletas de camisetas só para nós. Por vários minutos ficamos ali, colando broches em camisas verdes e conversando coisas aleatórias, enquanto a professora vinha com caixa e voltava com mais ainda. Não tínhamos saído da sala e não tínhamos ideia nenhuma de como estava o movimento lá fora, mas pelas arfadas e falas da Sra. Jung, as pessoas entravam cada vez mais na exposição.

Depois da quinta ou sexta vez que Jung vinha e voltava da nossa sala, o assunto entre eu e Naomi morreu. Não tinha mais o que se conversar, tudo já tinha sido debatido várias vezes e contado. Sabia que eu não tinha contado tudo da minha vida pra ela, e nem dela para mim, mas não sentia vontade de falar mais nada, e estava confortável assim. E ela também aparentava estar, até começar:

— Eu quero contar o resto da história. — disse, e na hora minhas orelhas se ergueram para ela.

— Pode falar, estou aqui. — a encorajei, voltando a colar os broches enquanto ela fazia o mesmo.

— Depois do meu pedido da justiça ser aceito, meus pais começaram a ficar distantes de mim. No começo foi raiva, porque acharam minha atitude imatura e infantil. Afinal, eram apenas algumas fotos e matérias. — ela disse e um tom distante, e desconfiei de que um dos pais dela já tenha falando aquilo, com essas palavras, para ela. — Eu gostava de tecnologia, ainda gosto, mas veja o meu lado; eu tinha onze anos e iria herdar um dos maiores impérios japoneses. Eu não queria isso, não queria tanta responsabilidade, queria poder ter o conforto de saber que, se algo desse errado, eu podia errar. Mas se eu fosse a CEO da empresa do meu pai, eu jamais poderia errar.

“Depois de um tempo a raiva passou, e ficou só o ressentimento. Meu pai não me elogiava mais pelas notas, nem mamãe me dava mais vestidos. Ela dizia que se eu não podia sair mostrando pra ninguém, qual era a graça de dar? Meu pai disse a mesma coisa sobre exibir minhas notas aos amigos dele. No começo eu fiquei triste, mas achei que era apenas birra deles e que logo iria passar. Bem... não passou. E com o tempo, eu aprendi a me acostumar.”

“Pensei que meu pai só fosse voltar a falar de mim com orgulho quando eu assumisse a empresa quando eu ficasse mais velha, o que pra mim já era algo irremediável na minha vida. Até que eu fui numa exposição de arte com a minha turma em Nagasaki, e eu me apaixonei. Era cada fotografia linda, em cada click parecia uma realidade diferente, diferente e distante da minha... então pedi para o meu pai pagar aulas de fotografia para mim, mas ele negou. A minha recente paixão não morreu, na verdade, só ficou mais forte. Eu não sabia se tinha talento, se levava jeito pra coisa de arte e fotografia, mas eu sabia que eu gostava, e isso era mais do que qualquer outra coisa que eu já tive na vida.”

Ela iria continuar falando, mas a entrada da Sra. Jung com dois estudantes coreanos cortou sua fala.

— Estrangeiras, vocês duas ai, peguem uma camisa sem broche e venham comigo, é a vez de vocês ficar no caixa. — ela disse, instruindo os meninos sobre o que deveriam fazer, enquanto eu e Naomi nos levantávamos, pegávamos a primeira blusa que vimos e fomos ao bainheiro.

Já devidamente trocadas, saímos às pressas de novo do prédio, e foi só aí que tivemos a dimensão do quão grande aquelas exposição estava. Enorme, pra ser mais exata. Centenas de coreanos, turistas, crianças, idosos e muito mais pessoas estavam ao nosso redor, vendo as fotos, se divertindo tirando algumas, comendo, bebendo, falando. Com certeza a UCA nunca esteve tão lotada quanto agora; pelo menos, não desde que eu cheguei. Mas não pudemos olhar muito, porque Naomi foi sensata e me arrastou pelo mar de gente até o caixa, atravessando as barraquinhas de comida. As barraquinhas de comida. Não fazia ideia do quão esfomeada eu estava até o momento que senti o cheiro de um kimichi sendo feito. Deviam ser, o que?, três, quatro horas da tarde? Não comida nada desde ontem, e eu sabia que não iria comer até quando chegasse em casa, depois do trabalho. Saeron foi gentil e compreensiva em deixa eu trabalhar só a parte da noite hoje e deixar eu fazer o dia todo no domingo, então eu tinha que correr aqui para chegar a tempo lá. Ou seja, sinto muito estomago, mas no momento você não é prioridade.

Um ronco alto do mesmo protestou meus pensamentos.

Corremos para a mesinha de ferro com vários ticketes em baixo e encaramos a enorme fila formada na nossa frente. Com um suspiro baixo de ambas, nos sentamos e sorrimos para o primeiro visitante.

 — Quantos ingressos vão ser?

Eu juro que repeti essa frase mais de 200 vezes. Definitivamente foi mais que 200 vezes. O cheiro das barraquinhas de comida estavam me matando, e a ideia de trabalhar com doces e salgados depois não ajudou em nada o meu animo. Queria poder dar uma pausa e poder ligar para Hoseok, pedir para ele me fazer rir e separar uma macarrão instantâneo pra mim lá na Big Hit, mas sabia que mesmo se isso acontecesse, ele provavelmente estaria ensaiando esse horário, ou então compondo ou então, descansando. E eu não queria atrapalha-lo em nenhuma dessas coisas, então simplesmente decidi esquecer disso e focar no dinheiro do troco.

Horas depois, eu olhei no meu relógio e vi que, se eu não corresse, chegaria atrasada. Muito atrasada.

— Tudo bem, não se preocupe, eu aguento sozinha. — respondeu Naomi sorrindo quando eu expliquei a situação. — Já estamos acabando por aqui, então o movimento vai ser pouco. Pode ir tranquila.

— Obrigada Nao, prometo que te recompenso depois. — falei, colocando meu casaco e agradecendo aos céus por já ter deixado minha bolsa com o uniforme no trabalho. — Ah, e quando eu chegar em casa eu te ligo, ok? Quero saber o resto dessa história. E se a Sra. Chung chegar...

—... falo que você está no banheiro e dou um jeito dela ir embora. — completou a loira, sorridente. — Eu já disse, não se preocupe. Pode ir.

Sorri em agradecimento a ela, correndo para rua e entrando no primeiro táxi que parou para mim. Era um gasto ruim pagar um táxi em pelo dia de semana, mas se eu fosse andando pra lá (mesmo sendo até que perto da universidade) eu não iria chegar a tempo de me trocar e arrumar sem que Saeron — ou pior, Jiyun — reclamasse. Então só entrei no carro, paguei o cara e disse onde era. Demorou menos de cinco minutos pra chegar, e quando chegou eu berrei um “obrigado!” pro taxista e entrei pela porta dos fundos pra cozinha, me encontrando direto com o vestiário. Cassei meu armário, o achei, coloquei minha senha, peguei minha bolsa e troquei de roupa o mais rápido possível, deixando meu cabelo do jeito que estava mesmo, guardando a bolsa, trancando o armário e entrando na cozinha.

O baque da porta fez Miha, que cortava alguma coisa, tomar um leve susto, sem pronunciar nada auditivo, coisa que nunca a vi fazer. Ao lado dele estavam os cabelos claros de Saeron, que me viu e sorriu para mim.

— Bem a tempo. — comentou, sorrindo para mim, me fazendo retribuir o sorriso. — Como foi à exposição?

— Puxada e cansativa, mas no final das contas, melhor do que fazer uma prova. — falei sorrindo de lado, fazendo a mais velha rir. — Como está o movimento?

— O de sempre. Os atrasados do almoço e alguns gulosos da tarde. Já pode ir por seu posto se quiser. — avisou ela educadamente e eu, entendendo o recado, passei pela porta da cozinha já me encontrando no restaurante/cafeteria.

Ambos estavam vazios, com as mesas sujas e cadeiras desarrumadas, mostrando que Saeron — talvez a ordens de Jiyun ou talvez por si própria — não tomou nenhuma iniciativa para adiantar meu trabalho. Suspirei baixinho quando vi isso e me aproximei de uma das mesas, vendo que tinha um homem com uma touca preta em uma das mesas mais afastadas, comendo uma torta que parecia ser alemã.  

Homem jovem, torta alemã, franja verde escapando da touca... quem mais poderia ser?

— Yoongi? — perguntou, me aproximando, surpresa mas com um sorriso nos lábios.

Ele levantou o olhar da torta e me encarou, e vi que tinham vestíbulos de suor em sua testa, provavelmente porque tinha acabado de sair do ensaio. E ele estava usando óculos quadrados? Desde quando Yoongi usa óculos? Bem, tem muitas coisas que não sei sobre ele, mas... ficou bastante bonito, de fato.

— Lena? — ele perguntou, uma expressão de dúvida estampada no rosto. — Pensei que não vinha.

— Eu peguei o turno da noite hoje, houve uma exposição da universidade hoje pelo Dia da Foto e estou lá desde manhã. — expliquei, e depois sorri sem mostrar os dentes para ele. — Como você está?

— Hã... Ah! Bem, bem, estou bem. — ele disse, um pouco atrapalhado, como se estivesse pensando em outra coisa, me fazendo rir. — Pensei que a cafeteria fechasse essa horário.

— E fecha, mas eu vou ficar até mais tarde fazendo os salgados congelados e o almoço de amanhã. — expliquei, e senti minha barriga roncar ao lembrar que teria tanto contato com comida e, mesmo assim, não poderia comer nada. — Aish. — murmurei.

— O que houve? — ele perguntou, parecendo preocupado... ou só curioso mesmo.

— Ah, não é nada demais, é só que... — meditei um pouco sobre incomoda-lo com os meus problemas, mas já que ele perguntou, falei: — Na verdade eu não como desde ontem a noite, e lembrar que vou ter que mexer com comida não deixa o meu estomago feliz... Enfim, espero que aproveite sua torta, vou voltar ao balcão.

 — Espera. — falou antes que eu pudesse me mover, e logo falou: — Pegue outra torta pra você e coma comigo.

Fiz uma expressão de dúvida por um momento, mas logo em seguida arregalei os olhos ao perceber o que ele propôs.

— O que? Não! Yoongi, não precisa, eu...

— Você disse que está com fome, e eu não vou deixar uma garota com fome assim como se fosse mendiga. — ele disse, como se fosse a coisa mais simples do mundo, e repetiu: — Pegue uma torta para você e coma comigo.

— Yoongi, se a minha chefe descobrir...

— Eu vou pagar as duas tortas, ok? E se ela reclamar, eu digo que eu mesmo pedi pra você ficar aqui. Eu sou o integrante da banda que sustenta esse empresa, não podem brigar comigo. — disse autoritário, como se ele não fosse desistir da ideia, e pelo visto de fato não ia. Quando ele viu que eu hesitava, revirou os olhos e bufou. — Vamos lá Lena, não seja orgulhosa. Pegue uma pra você.

E então, tudo se passou em um jato: eu concordando, pegando a torta, me sentando em frente a ele e, do nada, metade da torta já estava na minha boca.

— Deus, isso é tão bom! — resmunguei de boca cheia, e algo que ele poderia considerar como falta de respeito apenas o fez rir.

— Você parece uma criança, não consegue comer sem se sujar? — perguntou, ainda rindo, pegando um guardanapo e limpando meu nariz. Reparei que antes ele ficaria com vergonha e travado, mas que estava bem mais solto comigo, o que deu a impressão de que éramos íntimos. Fiquei feliz com isso. — Se quiser repetir é só falar, ok?

Queria dizer que não faria isso, que não precisava, mas o gosto da torta era tão bom que não queria perder tempo falando, então só concordei com a cabeça, mesmo sabendo eu não seria aproveitadora a ponto de pedir outro pedaço.

— Mas então, houve uma exposição do Dia da Foto na sua faculdade, uh? — perguntou ele, e eu concordei com a cabeça. — Foi divertido? — concordei com a cabeça de novo, e ele me deu um peteleco nela. — Aish, eu estou falando com você, responda direito!

— Desculpa. — murmurei com um bico nos lábios, mais por birra do que por dor, porque sabia que ele também não falava na ignorância. — Eu trabalhei do dia todo, sem parar, mas as pessoas pareciam se divertir e eu fiz uma nova amizade, então acho que o dia não foi perdido.

— Uma nova amizade? Com quem? — perguntou, interessado.

— Uma garota japonesa da minha sala, Naomi. — falei, voltando a comer a torta enquanto ele soltava um “ah” descompromissado.

Ele ficou me encarando enquanto eu terminava e raspava meu prato, e eu estava com tanta fome que nem me senti incomodada por isso. Quando terminei, limpei minha boca e encostei minhas costas na cadeira, suspirando.

— Nossa, eu precisava disso. — falei, fazendo ele rir. — Obrigado Suga.

Ele sorriu sem dentes para mim, me encarando com um olhar distante.

— De nada. — ele disse, sorrindo abertamente agora. — Sabe, essa é a primeira vez que você me chama de Suga, não?

Parei para pensa rum pouco, refletindo em todas as vezes que falei o nome dele.

— É, verdade. — comentei, sorrindo. — Acho que já temos intimidade pra isso, não?

Temi ser abusada demais com tal pergunta, mas ele nada fez além de rir e sorrir mais abertamente, ainda me encarando.

— É, já temos. — disse, com um ar sonhador. — Lena, o que acha de uma foto?

Isso me pegou de surpresa, me fazendo franzir o cenho. Ia falar alguma coisa, mas logo Yoongi apareceu agachado ao meu lado com o celular em mãos, o desbloqueando.

— Pra que isso Yoongi? — perguntei, sem entender ao certo.

— Para o Dia da Foto, oras. — ele disse, clicando na aba da câmera.

— Mas no Dia da Foto você não deve tirar foto com alguém que você se importa? — perguntei, enquanto ele levantava o celular no ar.

Exatamente. — falou, e sorriu lindamente para a câmera. — Sorria!

E, mesmo sem eu entender ao certo o que ele falo,, e ficar extremamente corada e de olhos esbugalhados quando finalmente entendi, naquele breve momento de inocência, eu obedeci Min Yoongi pela primeira vez: eu sorri para a foto. 


Notas Finais


(1) Porque se não acontecer, a fanfic não anda, não é mesmo garota?

SrtaKoreia aqui, e bem, acho que a Texugo já explicou a situação, e tudo que eu posso dizer é... desculpas. Eu cheguei a responder algumas leitoras falando que iria postar a fanfic logo (isso a um mês atras) e eu me envergonho por não ter conseguido organizar tudo antes de ficar completamente impossível de mexer no celular. Ainda estou sem ele, mas como eu não tenha aula esse semana, decidi tomar vergonha na cara e começar a fazer capítulos. E é isso que eu e a Texuga estamos fazendo.

Enfim, esperamos que tenham gostado, e até o próximo!

P.S.: Reflection virou meu jam, além de ser a versão cantada (pelo meu bias) da minha vida.


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