História Photographie - Capítulo 23


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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Karin, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Suigetsu Hozuki
Tags Akatsuki, Drama, Exibicionismo, Fetiche, Fotografia, Fotos, Hentai, Kohana, Naruto, Romance, Sakusasu, Sasusaku, Voyeurismo
Exibições 548
Palavras 8.016
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Festa, Harem, Hentai, Josei, Lemon, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Visual Novel, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Não preciso me desculpar hoje porque, olha só, eu estou super adiantada. Att a pouco tempo e estou aqui, linda e bonita, perdendo uma noitada, apenas para satisfazer o prazer de vocês.

Não tava rolando recomendação há algum tempo, mas eu voltei a ler e tenho uma TRILOGIA FODIDA PARA RECOMENDAR PARA VOCÊS.

LEIAM
SABOREIEM
SE PERCAM
TENHAM INCONTÁVEIS ORGASMOS

Função CEO: A Descoberta Do Prazer/Amor/Verdade

Em primeiro lugar, tenho que ressaltar que, para quem leu e quem lerá depois disso, essa história é tudo, menos cliché. De começo eu já me identifico completamente com a protagonista. Embora as estórias tenham quase sempre uma protaginista timida, recatada e do lar, Melissa Simon é completamente diferente. Ela é timida do jeito idiota da força. O primeiro capítulo parece ter sido baseado em meu primeiro dia na faculdade, sério. Mesmo que não pareça, eu sou muuuuuuuuuuito tímida e insegura.

#SOMOSTODOSMEL

Aparentemente se trata de mais um romance sub versus dom. Nao, não é. Robert Carter é muito mais do que um dominador com sede de fazer sexo (embora seu apetite sexual seja invejável). Melissa e Robert são um contraste e tanto, mas, quando a senhorita Simon entra em modo ~fodac~o negócio vai ficar sério.

Repleto de amor, traição, segredos e "proibidoes", Função CEO é uma interessante história sobre um cara fodido e uma MULHER levando a vida assim, de boas, apenas querendo se dar bem no emprego. Ambos se envolvem, rola muito sexo e todos os problemas parecem nunca ter fim.

Mas, sobretudo, sabe o que é mais legal? A autora é brasileira, especificamente, baiana. Não sei vocês, mas é o primeiro livro de romance/erótico que eu leio do Brasil. EStou extremamente orgulhosa e ela já entrou para o meu rank de autoras favoritas.

LEIAM ISSO, PELO AMOR DE DEUS!

Agora, boa leitura :3

Capítulo 23 - Aquele Que Está Ferido


Photographie

Escrito por Kohana

 

Capítulo Vinte E Três: Aquele Que Está Ferido

Sasuke tinha uma filha. Se ela me dissesse que ele tinha uma capivara presa no quarto, eu acreditaria facilmente. Mas uma filha? Puta merda. Eu andei pela sala, balançando a cabeça e arrancando meu cabelo tão bem hidratado e cortado. Não importava o quanto eu pensasse em Sasuke como pai de uma criança, ainda era uma ideia totalmente absurda, mesmo eu tendo pessoalmente ouvido sobre isso da própria mãe. Aquela mulher que parecia saber exatamente a hora em que tinha que foder a minha vida. Eu realmente não gostei dela.

Não conseguia relacioná-lo com a imagem de pai. Sasuke não fazia o tipo “paizão do ano”, na verdade, não fazia estilo de pai nenhum. Eu sabia como era um bom pai. Tive a imagem perfeita de Alexander durante anos. Qualquer pessoa que visse seu rosto sempre alegre e orgulhoso sabia que ele era pai de três meninas; esse era o assunto que ele entrava há cada oportunidade que tinha. Eu achava ridículo na época ser tão endeusada, mas, depois, tive total e completo orgulho do pai que eu tinha.

Eu não sabia se estava com raiva por Sasuke por ele ter omitido algo tão importante, se era por ele estar tão indiferente a minha atual histeria ou, bem mais provável, se era por ele não parecer em nada com um bom pai. Era o contrário, na verdade. Meu namorado – ainda, talvez – era super carinhoso, mas, isso era comigo. A garota que ele estava comendo. E sua filha? Por que não estava aqui?

Eu pensei em todas as vezes que vim para o seu apartamento. Não eram muitas as vezes, porém, em nenhum momento, notei algum traço de ansiedade para que eu fosse embora. Ele sempre queria mais e mais. Reclamava quando eu precisava mesmo ir. Não havia nenhum sinal de que uma criança morava ali. Nada de sandálias jogadas pela sala, toalhas da Barbie no banheiro, desenhos na geladeira... nada.

Até aquele momento, eu pensei que Sasuke não diria nada. Ele parecia pensativo, sua expressão inabalável. Pegou o celular que eu lhe entreguei e apenas disse um rápido “te ligo depois”, sem esperar resposta. Eu imaginava que ela não precisava, afinal, já tinha jogado a merda no ventilador.

- O que Marjorie te disse? – Marjorie. Então era esse o nome da vadia destruidora de corações. Ele me olhou sério, com sua voz cheia de autoridade e persuasão. Eu fiquei irritada. Sasuke não ia fazer aquele jogo comigo, não naquele momento.

- Disse que você teria tempo para a mãe da filha dele – respondi, trocando o peso dos meus pés. Na verdade, eu estava até um pouco orgulhosa de mim. Não tinha derramado as tantas lágrimas que queria e estava sobre controle. Até quando, eu não sabia.

- Sakurra...

- Não – levantei a mão, silenciando – Se você vai dizer que é “complicado” ou que “não é da sua conta”– desenhei aspas no ar, olhando-o diretamente – pare agora mesmo. Eu conheço  esse discurso e, para ser sincera, estou exausta dele. Se a sua intenção não é me explicar porque porra você decidiu esconder de mim uma filha, então, pode parar. Eu vou embora.

Eu marchei em passos cuidadosos de volta ao quarto. Peguei minhas roupas na poltrona e comecei a me vestir. Sentia meu peito cheio de determinação e raiva. Eu estava certa de que me afastar de Sasuke imediatamente era a melhor solução para me manter assim, por pelo menos, até a chegada em casa. Eu choraria o restante da noite e me odiaria por ser tão burra e amá-lo a ponto de cogitar passar por cima de tudo, até mesmo de suas mentiras, apenas para tê-lo comigo sempre. No entanto, ele estaria longe e os arrependimentos sumiriam quando eu percebesse que estava certa. Sim. Eu estava completamente certa por estar completamente irritada; mas estava, também, totalmente desesperada com a possibilidade de não tê-lo mais.

Merda, já sentia as lágrimas em meus olhos só de imaginar minha vida sem ele. Me sentei na cama e apoiei meu rosto em minhas mãos. Ouvi a porta sendo fechada, contudo não ousei a olhar naquela direção. Eu estava pensando que, quanto mais eu me envolvia com Sasuke, mais tudo parecia errado. Como se o destino não quisesse que ficássemos juntos. Quando ficávamos bem, algo vinha e acabava com a minha paz de novo.

- Sakura – sua voz estava mais suave, receosa e, notei com surpresa, medrosa. Como um gato acuado. Eu levantei meu rosto e o vi. Sabe se lá de onde ele arrumou uma calça moletom, mas agora a toalha não mais estava enrolada em sua cintura. Creio que ele sabia que não seria bom para a minha sanidade brigar com ele de toalha. Na verdade, seria injusto.

- Eu sei o que está sentindo. Está brava, e deveria estar – ele parecia pensativo, como se as palavras viessem em sua mente e ele apenas falasse. Bom. Óbvio que eu tinha que estar brava, aquilo não era uma novidade – Você precisa saber que não está sendo fácil para mim também. Na verdade, é uma história... hum, complicada, que vai muito além do que você deve estar pensando.

Sasuke não fazia ideia do que eu estava pensando. Nem eu fazia. Eu apenas estava sentindo, em silencio, a insegurança, incerteza e tristeza me consumir. Deixaria para sofrer com meus pensamentos depois. Ele suspirou.

- Apenas... amour, eu sei que é difícil, mas confie em mim.

Eu tive que rir. Um som sarcástico e malvado que eu desconhecia saindo de minha boca. A minha reação as suas palavras não poderia ser pior: era engraçado, de uma forma ruim, que ele me pedisse confiança depois de tudo.

- Confiar em você? Como posso confiar em uma pessoa que não conheço? Pior! – me levantei, sobressaltando no chão e me aproximando dele – Em uma pessoa que é incapaz de confiar em mim?

- Mas é claro que eu confio em você, Sakura! – ele não gritou, mas sua voz estava em uma conotação irritada que me deixou ainda mais – Você não estaria aqui, agora mesmo, se eu não confiasse.

- Confiar é mais do que dividir uma fantasia erótica, Sasuke. – eu falei, ele arregalou os olhos. Tenho certeza que meus pensamentos, voltando aquela noite no restaurante, quando ele não só disse, mas me mostrou do que realmente gostava, foram reflexo dos dele -  É lembrar que, quando se diz “eu te amo”, deve lembrar de contar também sobre a comida favorita, os gostos musicais e, sobretudo, que tem uma filha!

Minhas palavras foram um tiro no escuro, mas o acertaram em cheio. Sasuke não disse com todas as palavras que me amava, porém, havia dito algo muito próximo com suas palavras carinhosas e tudo mais. Tentei não me apegar aquilo para não diminuir a minha raiva e tive que fazer um bom esforço para isso.

 - Eu iria te contar.

- Por favor!

- Me deixe falar – ele impôs, firme o suficiente para me calar e escutar. Ele estava destemido, arfando levemente e segurando as mãos em punhos. Um claro sinal de que estava perdendo a paciência comigo. – Será que você me ouviu? Não é algo fácil! Estava esperando a hora certa para te contar, chere... por favor, confie. Em. Mim.

Eu abri a boca, inconformada. Ele ainda fazia aquele pedido. Francês idiota. Andei pelo quarto como um furação, pensando e pensando. Suas palavras ficaram no ar, no silencio que se seguiu e, só então, eu consegui entender perfeitamente o que ele disse. Saya. O nome da filha dele era Saya. Caralho. O nome da filha dele era Saya!

- Eu sei – ele respirou fundo, como se ouvisse meus pensamentos – Você não podia imaginar. Saya tem... um temperamento difícil. Vive ligando para mim, porque só eu posso acalmá-la. Acredito que algumas vezes você presenciou isso. A maior parte do tempo estou com você. – um traço de culpa e melancolia passou por aqueles olhos negros. Olhos tão profundos e, quase sempre, intimidantes. Eu pensei em Sasuke acalmando a pequena Saya. Dizendo que a amava. OU dizendo que precisava desligar porque estava com sua namorada? Merda, a menina devia me odiar. Eu estava roubando o pai dela, de uma forma indireta ou direta. Ele estava comigo, não com ela.

- Por que ela não está aqui? Por que você precisa acalmá-la? Droga, Sasuke, eu preciso de uma explicação clara!

Seus olhos se arregalaram ante a minha acusação. Não deixaria por menos. Eu estava irritada, brava, mas, sobretudo, decepcionada. Sasuke não era de longe o tipo de pai que eu iria querer, um dia, para meus filhos.

O pensamento fez um calafrio de medo passar por meu corpo. Só de pensar nisso minha cabeça girava.

- Eu odeio isso... odeio estar no lugar dela. Merda, Sasuke, que merda. Por que você só consegue me fazer odiar a mim mesma?

- Sakurra, do que está falando?

Eu respirei fundo, contendo as lágrimas. Não adiantou, duas dela caíram, porque já estavam perto demais para evitar.

- Aquele dia... – não consegui mais dizer nada, soluçando com a mão na boca enquanto me sentia humilhada e totalmente suja – Droga, eu odeio você. Que tipo de pai é você?

Novamente, um tiro. Não sei que tipo de lembrança se passou na mente de Sasuke quando seus olhos desviaram-se para qualquer lugar que não fosse eu, mas era dolorosa. Não dolorosa do tipo que nos faz gritar ou chorar, mas dolorosa do tipo que sangra e não cicatriza. Era isso. Sasuke tinha uma ferida não cicatrizada que, naquele momento, foi cutucada por mim.

Seu momento foi tão rápido quanto o soco que ele deu contra a parede. Eu saltei para trás, colocando as mãos em minha boca, me impedindo de gritar e, sobretudo, de meu coração saltar por ela. Ele dizia coisas em francês, enquanto eu tentava me decidir se ia embora ou continuava ali, vendo Sasuke, meu homem, se despedaçar.

Só consegui pensar em algo quando ele gemeu. Sua cabeça estava contra a parede e sua mão tencionada contra ela. Eu não pensei bem quando corri até onde ele estava, peguei sua mão e a analisei. Estava vermelha, começando a ficar roxa. Ficaria com um grande hematoma amanha, com certeza. Eu ergui meus olhos e ele estava lá. Totalmente derrotado, culpado e, mesmo que eu insistisse que não era verdade, chorando.

Meu Sasuke de onze anos, chorando sem encontrar seu rumo.

- Você tem razão. Sou um lixo de pai e claramente um lixo de namorado. – sua voz era cheia de dor e, mais uma vez, culpa. Meu coração enfraqueceu. Do que ele tanto sentia culpa? Toda a raiva que eu sentia até agora, evaporou. Só restava angustia, culpa e preocupação. Ele colocou a mão machucada em meu rosto, seus lábios numa linha rígida – Sou também um homem egoísta, Sakurra, confesso. Eu queria te deixar ir, pois sei que não sou o melhor para você. Só não... não consigo. Não sou nada mais que um corpo sem alma sem você, miel. Por favor, eu imploro, não vá.

Todo os meus sentidos estavam em alerta. Meu corpo estava parado, no entanto, algo bem no fundo da minha mente dizia para eu dar um fim naquilo. Por outro lado, havia meu amor, minha devoção e incapacidade de abandonar Sasuke, porque eu era independente dele, tanto quanto aparentemente ele era de mim. Suspirei.

- Não vou a lugar algum. – minha voz era fraca, minha vontade ainda mais. Ainda sim, eu queria ficar longe de Sasuke. Pensar um pouco. Ou não pensar em nada. Apenas... decidir o que faria dali em diante.

Eu o levei até a cama, mesmo que não precisasse. Tirei a minha calça jeans, e Sasuke me avaliou a todo tempo. Não tinha nenhum traço de perversão, era mais como se isso o desse mais certeza de que eu ficaria. Pra onde iria sem calças? Puxei a coberta como se ele fosse um menininho. Fiquei de lado e ele segurou em mina cintura, se aconchegando em meu corpo. Não conversamos mais. Eu fiquei perdida em pensamentos e, em vinte minutos, já podia sentir a respiração profunda de Sasuke contra a minha nuca.

Eu olhei para trás e chequei se ele estava mesmo dormindo. Tirei lentamente sua mão da minha cintura e ele gemeu um pouco, mas não acordou.  Fui para a sala na pontas dos pés e, quando cheguei a janela, desabei. Só percebi minha respiração presa em meus pulmões quando comecei a gemer e a derramar lagrimas. Logo me estabilizei e, com medo de Sasuke aparecer e me encontrar daquele jeito, fui para a cozinha procurar algo para comer.

Fiz um sanduíche e tomei um copo de leite. Meus pensamentos voavam, no entanto o choro já não vinha mais. Eu sabia que não estava magoada tanto pela mentira, mas por todas as constatações: Sasuke me omitiu uma filha; essa filha não estava com ele. Tendo sua atenção e recebendo o seu carinho, mas sim implorando por ele em algum lugar do mundo; ele estava sofrendo por algo, mas não me dizia o que era.

Suspirei. Era mesmo uma loucura. No que eu tinha me metido? Se eu soubesse que levá-lo para o meu pequeno – e não tão confortável – apartamento, iria me levar a tudo isso, honestamente, teria pego outro caminho.

Eu não queria complicações, nada que me deixasse em alerta. Embora realmente a minha vida monótona deixasse a desejar, eu gostava de não ter que me preocupar com câmeras em cada esquina, filhas omitidas e segredos sombrios de um namorado totalmente suspeito. Acima de tudo, eu gostava de não pensar nele todas as horas do dia, ao mesmo tempo em que querendo o deixar para sempre, morrendo de medo de estar longe dele. Sasuke e eu tentamos isso uma vez e, para a nossa infelicidade, não deu certo. Não funcionávamos separados e, eu sabia, minha vida perderia o rumo caso eu fosse obrigada a me separar dele.

Por outro lado, tinha a Saya. A pequena Saya. O que ela pensava de mim? Duvidava muito se ela sabia da minha existência. Será que me odiaria? Eu me odiaria, com certeza. Estava usurpando um tempo que era seu por direito. No entanto, pouco sabia sobre o relacionamento de Sasuke com Saya. Se ele era presente, carinhoso ou qualquer outra coisa que não me fizesse pensar que ele era um péssimo pai.Eu preferia que ela me odiasse e me obrigasse a me afastar dele, do que constatar que ela sentia a sua falta.

Eu fui para o quarto do piano. O único lugar que eu ainda me sentia bem naquele apartamento. Fechei a porta e toquei diversas musicas. Me senti melancólica por diversas vezes e chorei mais umas enésimas. A música tinha esse efeito em mim. Como se a letra fosse exatamente o que eu estivesse passando, mesmo quando falava de garotas em Miami Beach ou meninas de maiô comendo pipoca.

Em certo momento, dormi ali mesmo, apoiada no piano que era da mãe de Sasuke. Acordei com dedos alisando minha nuca, indo para dentro de meus cabelos e passando por meu pescoço. Sorri, deliciada. Por um momento, esqueci da noite passada e me lembrei de como adorava acordar assim. Porém, como um flash back, ela veio rapidamente, me fazendo sobressaltar na cadeira.

- Ai – gemi, quando tive consciência de que dormi de mal jeito e meu pescoço doía demais.

- Com calma, petit. Com calma. – ele murmurou, estava em pé em minha frente, me olhando como se eu fosse uma miragem. Abri a boca para falar, mas ele fechou os olhos e suspirou. – Bom dia.

-Bom... dia – murmurei, ainda sonolenta. Ele estava usando uma blusa cinza, com a mesma calça moletom de ontem e o cabelo molhado, indicando seu banho. Desviei os olhos e tentei focar em outra coisa que não fosse sua beleza exorbitante.

- Achei que você tivesse ido embora. Eu...

Seus ombros caíram, ele passou os dedos por seu cabelo um pouco maior e lambido para trás e sua cara de sono quase me fez rir. Quase. Ele ainda estava acabado e, pelo que percebi, só a menção de eu ter ido embora, o fez ficar desesperado. A imagem de Sasuke correndo pela casa a minha procura me fez suspirar deliciada, porque eu sabia que era o mais provável. Nossa. Sasuke conseguia me deixar brava, depois apaixonada e, por fim, incrivelmente apaixonada com raiva por me sentir assim quando não devia.

- Eu sei o que parece, entendi isso só depois, quando pensei melhor – ele passou a mão em meu cabelo, um leve carinho que me fez suspirar. Eu adorava suas caricias. – Acredite, eu não sou o melhor pai do mundo. Com certeza não serei o melhor namorado, mas eu tenho motivos sérios para ter adiado essa conversa. – eu fiz menção de falar e ele levantou a mão, me impedindo – No entanto, Sakura, não pense em nenhum momento que eu a priorizo mais do que Saya e, muito menos, que priorizo Saya mais do que você. Vocês duas são tudo para mim. Meu amor por cada uma é diferente, mas intenso. Aquele dia... quando você fez eu escolher entre você e ela, eu apenas... queria lhe dar uma chance. Te dar outro caminho.

Eu fiquei chocada, sem saber o que falar. Puta merda. Eu realmente não sabia o que dizer.

- Eu sei que é ridículo, porque eu fiz você vir até a mim. Ainda sim – ele pausou, abaixando-se para ficar em minha altura. Seus dedos desciam pelo meu antebraço e ele acompanhava com os olhos como se aquilo fosse uma obra prima, quando me olhou, suas Iris negras estavam cheias de amor e carinho. – Eu queria que você tivesse uma escolha. Que tivesse a chance de se ver livre de mim. Aquilo foi só uma desculpa, queria que pensasse que existia outra mulher. Você é muito ingênua ás vezes. Olhe para mim, chere, como eu poderia ter outra mulher se estou completamente louco por você?

Eu senti a minha boca secar. Deus, até quando você atiraria bombas em cima de mim? Eu quis, por uma infinidade do tempo, que aquilo fosse realmente o fim. Me ver livre de Sasuke. Me ver livre do meu amor por ele, sobretudo. No entanto, aqueles foram os piores dias da minha vida. Não queria revivê-los nunca mais. Agora, muito menos. Toda a minha raiva deu lugar ao medo de perdê-lo.

- Eu só... – eu olhei para os meus pés, respirando fundo – Ás vezes penso que você não está nessa como eu. Quantos segredos vou ter que descobrir até não conseguir mais ficar com você? Não quero um relacionamento de mentiras, Sasuke. Eu te amo, muito. Mais do que eu gostaria, para ser honesta. Mas eu preciso de mais.

- Vamos manter o nosso acordo de pé, oui? – ele soou rápido e desesperado, segurando minhas mãos como se eu fosse desaparecer a qualquer momento. Seus olhos inchados pelo recente sono estavam arregalados com esperanças e ideias – A viagem, petit. Você me deu uma chance. Vou reivindicá-la, apenas... espere um pouco mais. Até voltarmos, te contarei tudo.

Eu pensei, pensei e pensei... A verdade é que eu esperaria, com toda certeza, mas não queria dizer que aceitava tão rápido. Sasuke ainda tinha muitas coisas para me explicar. Por enquanto, eu apenas tentaria me manter firme. Por Sasuke, Saya e, principalmente, pelo meu amor.

- Então... você vai? – seu sorriso se transformou em algo divertido e amoroso. Eu me derreti. Pronto, e eu tinha perdido mais uma vez. A expectativa de ter Sasuke em minhas terras, em meu lar, na minha casa, era grande demais para me manter indiferente.

- Não perderia essa chance por nada, meu amor.

Meu sorriso era tão grande que eu não conseguia mais esticar meus lábios. De repente, minha animação evaporou. Sasuke percebeu. Me olhou como se estivesse prevendo toda a briga de novo.

- E... Saya? Você a levará?

Ele desviou os olhos, apertando os lábios numa linha rígida. Puta merda. Eu não queria recomeçar tudo de novo, tínhamos entrado num acordo, mas foi impossível não pensar nela. Ainda não sabia onde ela estava e isso estava me tirando o sossego.

- Saya ainda não sabe... – ele parou, sem saber o que dizer; na verdade, como dizer. Todo o meu animo foi completamente embora. Então era isso. Ela realmente não sabia que eu existia. Sorri um pouco, mesmo que fosse impossível disfarçar a minha decepção. Sasuke voltou a fazer caricias em meu rosto – Vou lhe apresentar ela em breve, prometo. Se tudo ocorrer bem... até podemos levá-la, oui?

Se tudo ocorresse bem. O que poderia dar errado? Ah, claro. Ela me odiar e me mandar embora da vida de Sasuke.

- Oui – disse, desanimada. Queria que Saya gostasse de mim, que ela não me visse como uma madrasta malvada que estava roubando seu pai. Mas a todo momento essa parecia a hipótese mais provável. Não sabia se era por causa da minha paranoia ou se acreditava veemente que Marjorie, a mulher que eu não conheço, mas já odeio profundamente, faria a minha caveira para ela. Fiz uma careta com o pensamento.

- O que foi?

- Nada.

Sasuke ergueu uma sobrancelha, me avaliando com carinho e preocupação. Antes que ele dissesse alguma coisa ou me persuadisse a contar sobre os meus problemas – cujo eu mesma não queria pensar – passei meus dedos por seu rosto e sorri.

- Não quero brigar com você. Podemos esquecer isso?

Ele fechou os olhos, como se eu não o tocasse a mil anos. Puta que pariu. Sua respiração estava presa e, quando seus olhos negros me fitaram de novo, estavam queimando. Como passamos de despedaçados para totalmente excitados? Meu corpo ansiava pela expectativa e eu nem vou dizer como estava lá embaixo. Tremi todinha.

- Seu pedido é uma ordem, senhorita Haruno. – ele me levantou, pegando em meu rosto e o alisando. Eu estava na altura de sua cintura agora, podendo ver exatamente sua ereção por baixo do tecido da calça. Puta merda, puta merda, puta merda... eu prendi  respiração, erguendo os olhos para sua expressão de quem estava prestes a capturar sua caça.

- Com fome? – droga, minha voz não atendia aos meus comandos. Eu não queria ceder tão fácil.

Sasuke segurou a minha bunda, só então me fazendo perceber que eu estava apenas usando uma regatinha velha sem sutiã e minha calcinha. Com um impulso, ele conseguiu me levantar e me colocar sentada no piano. Eu segurei um grito, segurando também em seu ombro.

- Oui, mon amour. Muita fome. – seus dedos roçavam no elástico da minha calcinha, subindo e descendo como uma promessa silenciosa. Arfei. – Quero te comer. Agora.

- Sasuke, não – minha voz dizia completamente o contrário do que eu queria, porém, eu tentei.

Sasuke ergueu uma sobrancelha, esticando um lado de sua boca num sorriso de morder bochechas. Caralho, como eu amava aquele sorriso. Seus olhos estavam divertidos por causa da minha vontade não explicita.

- Por que não?

- Por que não! – arfei ao sentir seu dedo entrar pela calcinha e, rapidamente, voltar. Merda, ele estava me torturando.

- Não parece que você não quer – sua voz estava rouca, como um ronronado, enquanto seus lábios se arrastava pela pele do meu pescoço – Ah, chere, seus lábios são tão perigosos. Podem me tirar a vida e, no entanto, seu corpo consegue completamente corresponder as minhas expectativas.

Eu queria dizer que ele fosse para o inferno, mas gemi assim que sua mão espalmou pela minha barriga, descendo letamente até meu umbigo. Fez uma leve pressão ali, porém que foi capaz de me fazer deitar em cima do piano. Puta que pariu. Seria ali? Não, era uma ofensa a sua falecida mãe. Mas a ideia de transar, de novo, em cima do piano, era tão convidativa. Ele segurou pelas minhas pernas e as abriu completamente. Seus olhos percorriam minha feminilidade ainda não exposta. Eu corei. Ele riu, sacana.

- Adoro quando você fica com essas bochechas vermelhas - ele riu de novo, se esticando em cima do meu corpo e alcançando meus lábios. Não me beijou, apenas sussurrou – Quero vê-la ficar vermelha enquanto eu fodo sua boca com tanta força que você pedirá mais.

Ai, minha santa! Por que Sasuke era tão irresistível? Ele estava sem controle a menos de dois minutos e, agora, estava aqui, totalmente seguro e determinado a me foder. Literalmente. Novamente, tudo lá embaixo tremeu, como um terremoto. Os que Sasuke causava. Huum... como eu poderia negar que gostava disso? Eu adorava esse Sasuke. Dominador. Seguro. Safado. Sujo. Nunca imaginei que alguém pudesse me fazer sentir dessa forma, tão devassa.

- Então me fode. – murmurei, para seu balsamo. Seu sorriso me lembrava Scar, do Rei Leão. Um antagonista. Um vilão. Mas quem se importava? Eu precisava dele.

Quando já podia sentir a respiração de Sasuke e o presságio de um daqueles beijos de fazer esquecer que existiam pulmões que serviam para respirar, meu celular tocou. Alto, em bom som. Nunca odiei tanto Jon Bon Jovi como naquele instante, enquanto ele cantava It’s My Life para me alertar de uma ligação.

- Ignore. Quebre, não sei. Eu vou te foder, nem que seja a última coisa que eu faça. – minha boca salivou com a promessa, mas era impossível ignorar o meu celular.

- Pode ser algo importante, Sasuke. Talvez Hinata ou Tom. – eu me levantei, empurrando seu abdome perfeito para longe de mim antes que eu seguisse suas ordens. Sasuke se afastou com muito custo, rolando os olhos como uma criança que é impedida de comer doces antes do jantar. Quis rir, mas fui em direção do meu celular antes que não conseguisse mais.

- Sakura? – era a voz de Ino – Sakura, merda, onde você está?

- Huum... estou no apartamento de Sasuke – eu fui cuidadosa, estranhando sua voz longe e um pouco diferente – Aconteceu alguma coisa?

Ela ficou em silencio, então ouvi um gemido e um som estrondoso. Ino estava chorando?

- Eu briguei com Gaara, Sakura. Merda... ele está furioso. – ela falava sem parar, rápido demais para que eu raciocinasse rápido – Ele acha que eu o traí . Acredita? Estou com muita raiva.

- Calma, Ino. Me explica isso direito. Por que Gaara acha que você está o traindo? – Sasuke se levantou, ficando ao meu lado. Parecia atento a conversa, principalmente quando citei o nome de seu amigo.

- Bem... talvez, huumm, talvez eu tenha dado a entender quando constatei algumas coisas por mim mesma – merda, aquela era Ino. Impulsiva, imprudente e paranoica. Eu sentia pena de Gaara, mais do que dela. Ino sabia ser uma maluca quando queria – Sai me chamou para almoçar. Estávamos abraçados quando Gaara chegou, totalmente fora de si e deu um soco certeiro no nariz dele. Tadinho. O coitado nem viu de onde veio.

- Gaara bateu em Sai?

Eu fechei os olhos, respirando fundo antes que xingasse Ino completamente. Que loucura! Só de imaginar meu melhor amigo naquela situação me doía o coração. Quando olhei para Sasuke, ele parecia ter entendido tudo, pois sua mandíbula estava tensa e seus olhos pegando fogo. Puta que pariu. Eu também tinha feito Sasuke sentir ciúmes de Sai e, merda, ele poderia estar nessa situação comigo também. Precisava resolver isso.

- Ahh... por favor, por favor. Eu preciso de você. Sei que você está vivendo nas nuvens com seu francês gostosão, mas me faz companhia, só dessa vez. – sua voz era manhosa e dramática, mas funcionou, porque me atingiu em cheio. Eu estava sendo uma péssima amiga ultimamente. Precisava dar apoio a Ino nem que fosse para puxar sua orelha.

- Ok, estou indo para a casa – assim que disse isso, uma infinidade de rápidos acontecimentos seguiram-se: primeiro, Sasuke arregalou os olhos e abriu a boca, incrédulo e totalmente irritado. Depois, pegou o celular da minha mão rapidamente falou com Ino. Quando eu percebi o que ele estava fazendo, era tarde demais. Eu estava pulando para tentar alcançar seu braço para que ele me devolvesse o celular, mas era em vão. A diferença de altura era a minha maior inimiga agora. Sasuke, com apenas uma mão em frente ao meu corpo, impedia que eu me aproximasse mais do que devia dele.

- Senhorita Yamanaka, sou eu. Sasuke. – ela disse algo que o fez fazer uma careta de desagrado, mas continuou – Por favor, não grite. Sakura está impossibilitada de sair de minha casa agora, então mandarei Juugo buscá-la. – ele teve que afastar o celular do ouvido enquanto sua expressão se tornava irritadiça de novo – Sim, ela está bem. Oui. Oui. Oui... – ele parou, ouvindo-a – Colabore comigo, sen... Ino. Entendo que você precisa de sua melhor amiga nesse momento, no entanto eu também preciso da minha namorada. Podemos entrar em um consenso, oui?

Ele continuou ouvindo-a, fingindo que estava totalmente calmo. Mas eu sabia que não estava. Sasuke era controlador e odiava ser contrariado; enquanto Ino era mestra em contrariar. Aquilo parecia uma reunião de negócios que não teria fim e, quando percebi, já tinha desistido de pegar o celular e apenas aguardava, mal-humorada. Por fim, Sasuke e Ino pareceram chegar há um consenso e Juugo iria mesmo buscá-la.

Quando desligou, discou do meu celular mesmo para Juugo.

- Sasuke. Quero que vá até a casa da senhorita Yamanaka e a traga para meu apartamento – ele arriscou a olhar para mim, me transmitindo várias coisas: receio, preocupação e determinação. Ergui uma sobrancelha para esse ultimo – Quero que passe no apartamento de Sai e o traga aqui também.

Aparentemente, Juugo estava tão surpreso quanto eu, pois hesitou – Apenas faça o que eu mando, Juugo. Obrigada.

E desligou. Eu o olhei boquiaberta. Claro que era uma cartada. Sasuke cansou de provar, e dizer, que não jogava com regras. Ele sabia que estava furiosa por seu atual show e mandou buscar meu amigo. Então ele sabia da importância de Sai na minha vida. No entanto, se ele estava pensando que iria me dobrar fácil assim, estava muito enganado.

- Nem pense que irá me fazer ficar calada com isso – cruzei os braços contra o peito, o encarando séria – Que porra você pensa que está fazendo? Não te dei autoridade para pegar meu celular, muito menos tomar decisões por mim.

Ele me olhou surpreso, claramente sem esperar por aquela reação. Numa fração de segundo, ele me olhava divertido, com um sorriso torto nos lábios.

- Que boca suja, Sakurra.

Eu apertei os lábios, irritada demais para voltar atrás. Eu sabia que esse não era o meu temperamento, mas Sasuke estava me tirando do sério com sua leviandade.

- Vá a merda, Sasuke! – apontei um dedo em sua direção, furiosa – Que seja a última vez que você faz isso, entendeu? Já basta você ser um controlador stalker de uma figa!

- De uma figa? – ficou confuso com a palavra, mas ainda se divertia.

- Juro que vou quebrar sua cara se não sumir com esse sorriso – ele balançou a cabeça, ficando sério, mas eu ainda via em seus olhos que queria rir. Eu abri a boca várias vezes, mas no fim gemi em descontentamento. Não dava para brigar com Sasuke.

- Ok, chere, me desculpe! – ele levantou as mãos em defesa, mas de novo, aquele sorriso torto estava lá – Mas confesso que adorei te ver nervosa. Fico imaginado as coisas que poderia fazer com esse seu gênio explosivo.

Eu balancei a cabeça, indignada. Como ele podia pensar em sexo no meio do meu “momento”? Bufei e fui em direção a saída, mas sua mão me agarrou e eu choquei contra seu peito.

- Tudo bem, tudo bem. Calmament, petit – ele segurou minha cintura, enquanto eu me debatia para sair de seus braços – Sinto muito, fui um pouco impulsivo. Vous êtes si compliqué – ele falava em francês, mas eu não estava prestando atenção para entender, apenas ouvia sua voz ficando irritada – Sakurra, pare com isso! Estou tentando conversar com você!

- Vai me obrigar a te escutar também? – gritei, assustando-o de novo. Sasuke estava tendo muitas dessas reações hoje e, confesso, eu até tinha um sentimento de vitoria quanto a isso. Ele parecia saber de tudo sobre mim, então era bom provar que ele não me conhecia tão bem quanto parecia – Odeio que me controlem, Sasuke. Entenda isso. Enquanto estivermos jogando ou na sua cama, eu não me importo – minha voz saiu mais baixo do que eu queria, embora ainda estivesse com raiva e um pouco excitada agora – Mas na minha vida, mando eu! Eu me desvinculei da família Zonatelle justamente por ser incapaz de assistir os outros tentando me manipular como se eu fosse uma marionete.

Seu corpo tremeu e ele ficou sério. Várias lembranças pareceram passar pelos olhos arregalados de Sasuke e em sua expressão, a culpa, o medo e a preocupação estavam de novo. Quem estremeceu fui eu dessa vez. Não queria vê-lo daquela forma de novo, mas Sasuke parecia, novamente, abalado com a nossa situação. Ele fechou os olhos e apertou sua mandíbula, parecendo lutar contra algo. Raiva. Rancor. Magoa. Várias coisas, ao mesmo tempo.

- Tem razão. Eu não devia ter feito isso – sua voz estava baixa, sem nenhum resquício de diversão como antes, apenas honestidade – Sinto muito, apenas... – ele respirou, lutando e lutando ainda – Não queria que você fosse embora. Não quero me afastar de você. No entanto, se você quiser ir, chere... então...

Ele não conseguiu completar, ideia de estar afastado de mim parecia assombrá-lo. Era isso, então. Ele estava sendo assombrado, por mim, tal como eu era sempre assombrada pelas angustias e medos em relação a ele. Minha raiva se dissipou. Como poderia? Aquele homem em minha frente, estava sofrendo por mim.

- Não quero ir – minha voz soou fraca e seus olhos esperançosos me alcançaram – Droga, Sasuke, se me queria aqui, bastava pedir. Eu daria um jeito, querido. Odeio pensar que alguém quer me controlar. Odeio pensar que você quer me controlar. Apenas... não faça mais isso.

Eu sabia que a única coisa que poderia acabar com o meu relacionamento com Sasuke era isso: ele tomar as minhas decisões. Não admitiria. Enquanto fosse excitante e se limitasse aos nossos jogos de flerte, eu aceitaria. No entanto, nunca o perdoaria se agisse como os Zonatelle, que tentaram e falharam em me controlar.

Ele acenou, ainda perdido em culpa e pensamentos. Eu daria qualquer coisa para ouvir seus pensamentos agora. Parecia que, naquele momento, Sasuke tinha todas as minhas respostas neles. A vontade de questioná-lo era forte, porém, não fiz. Não aguentava mais brigar.

- Estamos bem?

Ele sorriu, mas não era sincero.

- Me diga você.

Eu sorri, me aproximando dele e passando por cima do nó em minha garganta e, sobretudo, do meu orgulho. Eu não queria aquele clima pairando sobre nós.

- Estamos bem – eu abracei sua cintura, beijando os cabelinhos negros de seu peitoral – Eu te amo.

E então meu sorriso de mordida de bochechas. Minha nossa. Eu realmente amava aquele sorriso.

- Eu te amo mais.

Tomamos café em silencio. O clima ainda parecia ruim. Eu assistia ao noticiário enquanto Sasuke fazia panquecas. Só conseguimos amenizar o clima quando ele pegou sua câmera e começou a tirar fotos de mim, intitulando o “ensaio” como: “como a minha namorada é linda pela manhã”. Deliciada pelo seu repentino bom humor e a sua vontade de varrer para longe a nossa recente briga, fiz caretas e entrei na brincadeira. Foi gostoso. Parecíamos realmente um casal.

Assim que terminei de comer minhas panquecas, ele deu a volta em sua ilha perfeita e me abraçou. Foi um abraço que dizia varias coisas: principalmente a intensidade de seus sentimentos. Ele pediu novamente que eu o perdoasse e, totalmente apaixonada, eu o fiz com sinceridade dessa vez. Nós demos alguns amassos e, quando tudo estava esquentando de novo, a campainha tocou. Fiquei frustrada por um momento, no entanto, quando percebi que era meus amigos, fiquei em êxtase e corri em direção a porta. Ouvi Sasuke me chamar, no entanto, abri a porta com um enorme sorriso.

- Minha nossa senhora das vadias desavisadas – Sai gritou, escandaloso como sempre, enquanto levava suas mãos ao rosto – Sakura, pelo amor de Deus! Vá colocar uma roupa antes que meus olhos sangrem!

Só então eu me dei conta de que estava usando apenas minha regata e calcinha. Puta merda! Instantaneamente, corei. Juugo, ouvindo o escândalo de Sai, mal deu um passo antes de se virar de costas. Totalmente sem saber onde me esconder, e querendo muito enfiar minha cara no chão, olhei para Sasuke. Seus olhos queimavam de ódio e eu sabia que estava fodida. Sabe como Deus, ele tinha um shorts meu em suas mãos e, em total silencio, me entregou. Eu abri a boca várias vezes, tentando falar alguma coisa, totalmente humilhada.

- Se vista. – ele rosnou, impaciente por eu ainda não ter feito isso. Vesti rapidamente o shorts jeans e me virei em direção aos meus amigos. Juugo não estava mais ali. Coitado!

- Ah, essa é minha amiga – Ino me abraçou e, por um momento, todo o meu desespero se foi. Senti seu abraço e a sensação de casa me pegou em cheio. Caramba! Nem parecia que morávamos juntas – Sempre causando polemica, mesmo quando não quer. Tenho tanto orgulho de você.

Eu fiz uma careta ante sua cara-de-pau. Procurei em seu rosto qualquer menção de que ela estivesse muito triste, porém, só encontrei seu grande sorriso e os olhos levemente avermelhados. Ela tinha chorado, estava desesperada, mas estava agindo como se tivesse controle da situação. Pelo menos para Sasuke, pois eu e Sai a conhecíamos o suficiente para saber que era uma farsa. 

- Acho que a causadora de polemica aqui é você, Ino. – Sai atravessou a porta, totalmente seguro de si e com seu rosto deformado.

- Puta merda – ele fez uma careta ante a minha exclamação e Ino se encolheu, envergonhada.

Seu olho direito estava pequeno pelo inchaço e nas pálpebras inferiores tinha uma mancha ficando roxo escuro, indo até próximo ao seu nariz. O nariz tinha um corte levemente profundo, nada muito grave, mas a imagem não era bonita. Havia um corte na lateral de sua boca um pouco mais profundo. Eu levei as mãos a boca e fiquei em choque.

- Gaara te deu um murro ou arrastou sua cara no asfalto? – eu me vi perguntando, enquanto ele me olhava como se pudesse me matar com seus olhos cinzas.

- Há há, muito engraçado. Ai – e gemeu, possivelmente porque até falar doía – Vocês ainda vão me matar um dia.

- Eu já pedi desculpa – Ino gemeu, olhando para Sai com olhos pidões – Não pensei que ele fosse agir assim. Por favor, me perdoa.

Sai se manteve irredutível, mas com certeza não estava bravo. Ele passara por coisas piores, com certeza. No entanto, mantinha-se firme em não olhá-la muito. Ino deixou seus ombros caírem com decepção. Ela melhoraria.

- Vem, vamos cuidar disso – eu o puxei para mim, segurando em sua mão. Um calafrio correu a minha espinha e Sai estremeceu. Era como um aviso, não o meu corpo reagindo ao de Sai. Quando eu olhei para Sasuke, entendi bem o que aconteceu.

Sua mandíbula estava travada, seu corpo ereto e suas mãos em punhos. Ah, não! Seus olhos estavam vidrados em minhas mãos juntas a de Sai. Eu me sentiria totalmente bem se fosse em outro caso, no entanto, mais um soco em Sai e ele desmontaria. Eu quase podia ver a aura assassina de Sasuke se formular em volta de seu corpo.

- Ah, não, não... – ele balançou a cabeça repetidamente, me olhando com ódio – Não vou apanhar de novo, sem essa. Esclareça essa merda ou, eu juro Sakura Haruno, Zonatelle ou o caralho a quatro, te jogarei dessa escada com Ino em seu encalço.

Ino abriu a boca, indignada. Quem pudera! Não estava tirando a minha culpa, afinal eu fiz sim Sasuke ter ciúmes de Sai, no entanto ela era a maior culpada. Olhei meu amigo boquiaberta. Sai parecia totalmente sério em sua ameaça. Sasuke parecia ainda mais irritado por isso, me olhado como quem dizia claramente “me dê uma explicação ou eu o jogarei da escada”. Merda, a ideia de trazer Sai era dele, não minha.

Respirei fundo três vezes antes de encarar meu namorado indiferentemente.

- Sai é gay.

- O quê? – eu parecia ter falado grego. Rolei os olhos.

- Pelo amor de Deus, ele acabou de dar um show aqui! Não me diga que não percebeu. – Sai abriu a boca para me xingar, mas foi interrompido por Sasuke.

- Porra, Sakura. Como assim?

Todos, inclusive eu, o olhavam confusos. Ino estava o olhando com os braços cruzados contra o peito, com um traço de mal humor que surgiu do nada. O que será que ela tinha dito a ele? Respirei fundo. Era obviamente claro que Sai era gay. Certo de que, se fossemos mencionar Tomás, que muito era afeminado, mas parecia nutrir uma paixão por sua secretaria, julgar não seria uma boa. No entanto, Tomás, ao contrário de Sai, não recusava um nude assim, eu tinha certeza.

- Sai é meu melhor amigo e é gay. Simples. Ele não gosta da mesma coisa que você – ele pareceu processar lentamente, como se aquele fosse um problema de física extremamente difícil. Várias nuances se passaram por seu rosto. Entendimento, ultraje, humilhação e, por mim, irritação.

- E você só me fala agora? – ele me olhou com olhos fulminantes. Merda. – Sabe quantas coisas eu quis fazer com ele agora? Na verdade, é melhor não saber – ele riu com maldade, Sai estremeceu. – Merda, como você quer me cobrar informações importantes, quando você menti para mim?

Eu sabia do que ele estava falando. Saya. Senti todo o meu corpo tremer como se fosse explodir em raiva. Não, merda, mais uma briga. Eu estava batendo a minha cota aquele dia. Me obriguei a lembrar que meus amigos estavam ali e, embora fossem tudo para mim, aquele não era o momento de brigar com Sasuke. Respirei fundo várias vezes e, aparentemente, meu silencio o intimidou e o fez colocar na balança a diferença entre eu omitir a sexualidade de Sai e ele omitir uma filha de mim, que era sua namorada. Bom. Sinta o gosto da derrota, Sasuke Uchiha.

- Eu não vou discutir com você. Sim, foi errado não contar isso para você – disse, mas olhei para Sai, que suspirou em alivio – Sai é meu amigo e não merece ser usado para causar ciúmes a quem quer que seja – dessa vez, olhei para Ino, que parecia envergonhada – No entanto, não tente comparar isso ao que você fez. E se lembre que eu ainda estou aqui.

Eu ainda não estava acostumada a desarmar Sasuke, mas confesso, adorava a sensação. Mesmo ele tendo omitido um fato importante de sua vida, eu não tinha ido embora. Estava esperando o dia em que viveríamos um relacionamento saudável. Sem dizer mais nada, puxei Ino e Sai para o quarto do piano e me tranquei lá com eles, deixando Sasuke com seus pensamentos. Se ele não queria me contar, era bom mesmo ficar um pouco de castigo pensando no que fez. Nenhum dos meus amigos fizeram perguntas, no entanto, conhecendo-os como conhecia, sabia que estavam se roendo para descobrir o que Sasuke havia feito. Não disse nada. Não era algo que eu deveria sair contando, mesmo que precisasse muito desabafar com alguém.

Eu fiz curativos nos hematomas de Sai, enquanto ele chiava e contava detalhadamente sobre como Gaara os flagrou e entendeu tudo errado. Foi uma bagunça!Embora Ino e Sai tivessem tentado explicar a situação, ele ficou enfurecido e partiu para cima de Sai. Os seguranças do restaurante tiveram que levá-lo para fora. Ino disse que estava tentando ligar para ele, porém, ele não atendia. Mesmo que pensasse e estivesse chocada, não conseguia imaginar a cena; Gaara era tão... certinho e cavalheiro. Que loucura.

- E, para piorar, Ino insinuou que estava mesmo comigo. – Sai estava irritado, segurando contra o rosto uma copressa de gelo que eu havia trazido para ele.

- Eu... bem, eu pensei que ele estava saindo com umazinha lá – ela rolou os olhos, pensando na tal “umazinha” – É claro que eu queria dar o troco; sei que Sai é meu melhor amigo, mas porra! Eu queria fazer ele sentir o mesmo gosto amargo que eu senti.

- Mas você tem certeza que ele ficou com a tal garota?

- Ah, não, não mesmo! – sua voz estava chorosa e seus olhos azuis medrosos – Só pensei nisso agora. Gaara seria incapaz de me trair. Droga... eu estraguei tudo.

Depois disso, Ino finalmente chorou e contou como estava arrependida. Nem Sai pode manter sua armadura de magoa e a consolou, dizendo que estava tudo bem. Eu disse que era melhor ela esperar a poeira baixar, que logo logo tudo se resolveria. Mas a minha melhor amiga estava totalmente decepcionada e negativa quanto ao seu relacionamento com Gaara.

Embora as noticias fossem ruins, eu estava muito feliz. Meus melhores amigos estavam comigo e eu não conseguia imaginar quando foi a ultima vez que ficamos os três assim, juntos de verdade, sem pressa ou namorados loucos. Sai, totalmente recuperado de seu momento, disse que estava saindo com um cara, que eu descobri ser o cara que eu encontrei no sofá aquele dia que saímos. Ino parecia muito mais animada enquanto ria das aventuras que Sai contava. Era como se tivéssemos voltado ao tempo em que tudo o que eu tinha era a amizade deles e, só isso, me bastava.

Agradeci pelo apartamento ser enorme e não termos encontrado Sasuke. Ele devia estar em seu escritório e, mesmo eu estando absorta pela presença dos meus amigos, não conseguia deixar de pensar no que ele estava fazendo. Será que estava ligando para Saya? Meu corpo estremecia com a ideia e ansiedade. Eu queria muito conhecê-la, ao mesmo tempo que queria adiar esse encontro.

Meus amigos passaram a tarde toda comigo, mas tiveram que ir embora uma hora. Quando  foram embora, o apartamento pareceu muito grande, muito silencioso e, sobretudo, muito solitário. Sasuke não apareceu em nenhum momento. Eu queria o ver, me desculpar de novo. Também queria ouvi-lo se desculpar e, então, faríamos amor e tudo estaria bem de novo – com exceção dos seus segredos entre nós, mas eu fingiria que não estava os vendo por enquanto.

Como estava exausta, fui para o seu quarto. Ele não estava lá. Eu me deitei e tentei dormir. Não conseguia. Comecei a esperá-lo. Ele teria que aparecer uma hora, mas não apareceu. Não queria acreditar que ficaríamos assim, me agarrei a esperança de que ele não estivesse com raiva e que o clima não ficasse tenso de novo. Pua que pariu, já era a terceira vez só hoje. Em algum momento eu adormeci com as minhas incertezas e medos.

Acordei com aquela familiar caricia em redemoinhos em minhas costas. Beijos em minha nuca. Outros dedos em minha cintura, indo e voltando dentro do shorts. Eu estava esfregando as minhas pernas inconscientemente, ouvindo aos poucos, meus próprios gemidos, sentindo prazer enquanto dormia apenas com seus dedos roçando a minha pele.

O que aquele cara era? Caramba!

- Sakurra, miel, acorde. – sua voz estava rouca, carinhosa e excitada.

Minha mente foi acordando do sono, o que era difícil quando aquela caricia me deixava ainda mais sonolenta. Eu virei meu rosto para trás e fui surpreendida por um rápido beijo e seus olhos negros, profundos e... apaixonados. Sorri com a constatação.

- Acorde, chere.

Seu sorriso era enorme e, por um momento, eu quis questionar. Ele estava sorrindo muito. Então eu reparei que já era noite, pela janela aberta e a cortina esvoaçante. Cacete, eu dormi tanto assim? Me levantei abruptamente, no entanto, quase voltei com o susto que levei ao me deparar com aquela tela enorme, não! Gigante, pendurada na parede em frente a cama. Estava rodeada por velas, que tinham um cheiro muito bom e iluminavam bem o quarto. Eu fiquei parada, sem saber o que fazer, apenas olhando aquele enorme mosaico de fotos minhas e de meu namorado.

- Sasuke...

Eu realmente não sabia que palavrão poderia expressar melhor a minha surpresa, então, apenas encarei mortificada o que o amor da minha vida tinha feito enquanto eu dormia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Sem Vish dessa vez. O que será que o nosso francês tá querendo?

CAPÍTULO REVISADO BEM RAPIDAMENTE PQ EU TO COM SONO


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