História Piano - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Oneshot, Originais
Exibições 10
Palavras 858
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Espero que gostem ♡

Fiz a one ouvindo a música First Love do Min Yoongi (Suga - BTS)

amo vcs ♡

Capítulo 1 - Único


Acordei.


Ótimo. Me levantei como sempre, tomei um banho rápido, coloquei uma calça jeans, uma blusa branca qualquer, um moletom preto e um tênis aleatório. Escovei meu cabelo e sai do meu quarto, indo para a cozinha.

 Hoje o tempo estava fechado, nuvens cinzas ocupando o lugar do sol, deixando o clima frio e úmido. O cheiro de café invadiu minhas narinas, e então pude acalmar-me um pouco. Depois de uns longos minutos, o café fica finalmente pronto, então coloco o líquido quente na xícara que estava na pia. Olho para o líquido e depois de alguns segundos assoprando, finalmente ergo a xícara, colocando a mesma na altura de meus lábios e em seguida sinto o líquido entrar em contato com minha língua, e logo senti aquele líquido passando por minha garganta e descendo até meu estômago.


Essa sensação de calma... tão falsa. Por que digo isso? O meu reflexo revela a verdade. Olhei para o vidro na porta do armário onde ficavam os pratos e copos, e vejo meu reflexo. Eu tinha os olhos inchados entregando meu choro da noite passada, olheiras gritando o fato de ter passado a noite em claro.


Mas hoje eu estava ansiosa, hoje iria visitar a loja de música da cidade, finalmente iria me encontrar com o meu remédio. Nessa tal loja, havia um piano, eu ia lá quase todo dia, apenas para tocar por algum tempo. Eu me sinto tão bem quando aperto aquelas teclas... é como se todas as noites em claro chorando e me lamentando não existissem mais, eu apenas me sentia bem. Eu precisava ser breve, precisava ir lá tocar um pouco para me acalmar da crise de ontem.


Assim que terminei o meu café, me levantei e sai em disparada, indo em direção da loja de música. Fui andando mesmo enquanto tentava não surtar por conta dos olhares curiosos dos meus "amados" vizinhos. Eu escutava a variedade de frases interrogativas que saíam dos lábios daqueles seres humanos.


"Ela não é a filha depressiva da Morgan?"


"Aquela é a Alasca? Como está acabada.."


"Coitadinha.."


"Meu Deus tenha misericórdia dessa garota"


Eu apenas fechei meus olhos em meio de tantos comentários e segui em frente. Logo vi a loja de música, saí correndo até a porta da loja. Mas a mesma estava trancada.


"Ela não poderia estar fechada esse horário, eu precisava de um remédio"


Então eu obtive a brilhante ideia de invadir a loja, para simplesmente tocar aquele piano. Eu precisava.


Olho para os lados e vejo uma pedra. Pego ela com a minha "força" e a jogo contra o vidro, o vidro se quebra e o alarme começa a soar.

Entro correndo por meio de vários instrumentos, eram de guitarras até saxofones, eram de pedaços de bateria até clarinetes, eram muitos instrumentos musicais, mas então mais à frente eu avisto o piano marrom de madeira que tanto admiro.


Corro até ele e sento no banquinho, e começo a tocar uma bela melodia.


"Quando sento no meu banco e aperto as primeiras teclas... eu esqueço de tudo. Esqueço da depressão, esqueço do mundo superficial e estúpido. Esqueço das minhas falhas, esqueço que estou sozinha e que nunca voltarei a ser feliz."


"Parado! É a polícia!"


Escutei uma voz rouca e forte, logo vi um homem vestido com um uniforme policial entrar, porém eu não parei de tocar. Eu precisava tocar, era meu remédio. Ele abaixa a sua arma que estava mirada para minha cabeça, ele apenas me observa cantar enquanto tocava. Logo outros quatro policiais entram correndo mas param ao me ver chorar e cantar com tanta vontade e com tanto sentimento envolvido.

Sentir as teclas lisas e gélidas sendo apertadas para baixo e sair uma música era o melhor sentimento que eu poderia sentir em toda a minha vida, se fosse para mim morrer, que morresse cantando.


Eu comecei a ver fogo por todo lado, mas não parei de tocar. Se fosse para mim morrer, que morresse cantando. Lembranças aparecem, minha mãe me dizendo que me amava pela primeira e pela vez, meu ex namorado me encarando enquanto se ajoelhava me pedindo em namoro, depois o mesmo se despedindo. Minhas amigas vindo se apresentar e também se despedindo.


Eram as minhas memórias. Então a memória mais importante veio à tona, apareceu minha mãe me ensinando a tocar piano. Ela sorrindo para mim enquanto eu apertava as primeiras teclas animada. Eu sabia que estavam saindo de forma totalmente errada, mas minha mãe sorria.

Depois daquele dia eu me viciei no instrumento como alguém vicia em Crack ou qualquer outra droga. Eu queria mais e mais. Se fosse para mim morrer, que morresse cantando.


"O que faz aqui?" -perguntei quando ele aparece.


"Te impedindo de pular".


"Tarde demais".

Então eu pulo.

Eu sinto o vento bater contra meu rosto, meu cabelo voando.

Escuto os batimentos falharem na cama do hospital.

Consigo sentir a dor da chama se alastrando sob minha perna esquerda.

Começo a sentir as mais profundas águas do oceano entrando em meus pulmões.

Consigo sentir a corda em volta do meu pescoço.

Sinto o gosto da arma que estava em minha boca.

Vejo o chão.

O som do batimento para.

A chama se apaga.

A água some.

A corda se desfaz.

A arma evapora.

Apenas escuto meu dedo escorregar para a nota errada.


E de repente tudo fica preto.


Se fosse para mim morrer, que morresse cantando.



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