História Pilares de Areia - Capítulo 21


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shizune, Tsunade Senju
Tags Drama, Família, Milk, Naruto, Romance, Sakura, Sasuke, Sasusaku
Visualizações 392
Palavras 3.690
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Título: Eu não sou o mesmo que eu era com você - Capsize (feat. Emily Warren) Frenship
.
Betado por Alice Alamo <3

Capítulo 21 - Im not the same as I was with you


 

 

Ino me olhava com o cenho franzido e um sorriso iminente, quase desabotoando sua face, mas ainda não. Ela ainda tentava assimilar aquele ímpeto sonhador que entrara em sua loja como um furacão.

— Espere um pouco! Você está muito elétrica! Disse tudo muito rápido e esse sorriso tão grande está me assustando, faz muito tempo que não o vejo — disse dando a volta no balcão para conversar melhor comigo. Revirei os olhos para o seu comentário tendencioso e repeti de forma bem resumida tudo o que eu dissera antes em um fôlego só.

— Tive a ideia de fundar um hospital infantil, mais especializado em psiquiatria, porém voltado para as crianças em geral.

— Isso eu entendi. Aí onde eu entro nisso?

— Eu quero sua ajuda.

— Mas, Sakura, eu entendo de homens, porrada e flores. — Ergueu os braços exibindo a lindíssima floricultura que ajudava a mãe a administrar. — E, ultimamente, nem dessas coisas eu tenho dado conta.

— Mas também pertence a o clã que mais entende e domina a psique humana.

Ino respirou fundo e fitou Sakura com menos entusiasmo. Ponderou um pouco antes de dizer, porém disse mesmo assim:

— O fato de eu ser uma Yamanaka não implica que sou tão boa nisso, Sakura.

— Ino, crescemos juntas, em todos os sentidos, eu acompanhei-a aprimorar seus jutsos, seu kekkei genkai...

— Eu nunca estive nem sequer próxima de alcançar o meu pai.

— O seu pai foi um shinobi excepcional, Ino. Não se equiparar a ele não quer dizer que você seja ruim ou não seja capaz. Vamos lá, você é mais confiante do que isso. — Segurei suas mãos.

— Talvez eu não seja mais. — Deu as costas caminhando para detrás do balcão.

— O que houve com você, Ino? Você aspirava autoconfiança.

— Algumas coisas mudaram para mim também, Testuda — disse em um tom baixo, olhando-me por baixo das sobrancelhas. Os olhos azuis um tanto opacos.

Olhei ao redor, não havia muita gente na loja. Propus ajudá-la a atender todos os clientes para que depois pudéssemos tomar um chá em algum lugar. Ino aceitou depois de duas ou três negações, contudo, parecia necessitada demais para recusar um ombro amigo. A minha ideia poderia ajudar nós duas a nos recuperarmos de qualquer incômodo que tenhamos sentido ultimamente.

Levei Ino a uma pequena e charmosa cafeteria aberta há algumas ruas dali. Tsunade me apresentara o aconchegante local nos meus dias de confinamento no seu quarto de hotel. O estabelecimento era perfeito não só pela sua aparência, sossego ou especiarias, era um local pouco frequentado, ideal para ficar só com seus próprios pensamentos. A cafetaria também tinha a cara da Ino, a dona apostava na decoração e esta foi a primeira coisa que fez Ino amar o lugarzinho assim que entrou.

— Como eu nunca estive nesse lugar antes? — ela comentou, encantada, ao sentar-se numa mesa no fundo do estabelecimento.

— Chocolate quente, Sakura-san? — perguntou Choko, a dona do Mōfu Kōhī¹, ao aproximar-se da nossa mesa.

— Dessa vez quero um chá de limão com bastante açúcar. E você, Ino?

— Pode me trazer o chocolate quente. — Assim que Choko afastou-se com os nossos pedidos anotados, Ino perguntou — Por que esse nome tão...

— Estranho? — Ela afirmou. — Imaginei que fosse perguntar. Bem, é uma longa história, uma história que demoraria horas para eu contar, mas o significado geral é que o objetivo desse local é aquecer, aconchegar e acomodar as pessoas. Os poucos clientes que frequentam a cafeteria vêm aqui para chorar, ficar sozinho, e, conforme os anos passavam, ficou conhecido popularmente como a “cafeteria das lágrimas”. Choko não gostou muito do apelido e resolveu renomear o lugar que antes chamava-se Choko Kōhī para “Cafeteria Cobertor”, pois ela acredita que enrolar-se em um cobertor é uma ótima tática para vencer a tristeza e também as lágrimas.

— Mas que história boba! — Ino riu baixinho.

— Eu achei linda. — Dei os ombros e comecei a brincar com um dos guardanapos em cima da mesa.

— Então aqui é o point para você se sentar e se sentir mal por qualquer coisa que tenha acontecido lá fora?

— Mais ou menos isso.

— Faz bem o seu estilo dramático.

Olhei para Ino de canto de olho um pouco magoada, afinal, eu não era dramática porque queria, porém ela não era obrigada a saber ou entender os meus motivos. De qualquer forma, não era de todo uma mentira que aquele local parecia ter sido feito para mim.

Choko chegou com as bebidas antes que Ino terminasse sua introdução para um pedido de desculpas. Eu não queria ouvir mais um “sinto muito” porque meus problemas pessoais já não estavam mais atrelados àquele lugar e também não tinham nada a ver com a conversa que teríamos.

— Hoje venho aqui porque me sinto aconchegada. Choko atingiu o seu objetivo reformando esse lugar — comentei olhando ao redor.

— É um fato que o ambiente interfere nos sentimentos das pessoas.

— Sim, você sabe bem disso. Sabe as flores que trazem mais paz ao ambiente e as que deixam tudo com um ar turbulento.

— Kalanchoe sempre funcionam. — Apontou para os vasos das coloridas florzinhas pendurados ao longo de todas as paredes. — Agora me explique que plano era aquele.

— Fundaremos nosso próprio hospital, cujo principal objetivo é o estudo da psicologia da criança, porém teria o cunho pediátrico, também. Em todas as áreas: ortopedia, oftalmologia, dermatologia...

— Sakura, isso é algo muito...

— Incrível?

— Grande — Ino corrigiu. — Grande demais. Você é uma Iryō-nin excepcional, mas eu não tenho tanta bagagem para um projeto assim.

— Mas não seríamos só nós duas para tudo isso, Ino! Partiria de nós!

— Ainda assim, o que ambas sabemos sobre fundar um hospital?

— Eu administrei o Hospital de Konoha por muito tempo, Ino, e você também é uma Iryō-nin, que já trabalhou em hospitais como enfermeira e médica especialista em neurologia.

— Calma, calma! Eu só fiz um pequeno favor para Tsunade-sama. O caso nem era tão complexo. E eu não sou especialista.

— Para quem não é um Yamanaka, aquele caso era impossível. — Ino rolou os olhos.

— Sakura, eu sei que está muito empolgada com isso, porém eu não sei se sou a pessoa certa para ajudar. Como eu disse, é um projeto muito grande. Você precisaria comprar um terreno de Konoha grande o suficiente para construir um local assim, com suporte para tudo isso; precisaria de alguém que desenhasse esse projeto; alguém para construir; alguém para decorar (e nessa parte eu poderia ajudar, sim); precisaria dos equipamentos caríssimos, muitos até importados; precisaria de fundos para manter a energia, a água, os medicamentos, a comida, as roupas, os objetos descartáveis, o salário dos médicos, enfermeiros e outros funcionários; precisaria da autorização do Hokage...

— Eu já entendi, Ino. Eu pensei em tudo isso e farei tudo sozinha.

— É impossível.

— Não é. Está tudo aqui dentro da minha mente, eu só preciso de alguém que me ajude a colocar no papel e, em seguida, em prática. Não existe no mundo algo assim, voltado para as crianças, e sabemos que traumas infantis podem levar o mundo à guerra. Viemos de uma geração problemática, de crianças que sofreram demais. Eu convivia todos os dias com um homem que, quando criança, viu toda a sua família ser dizimada pelo próprio irmão, essa criança cresceu absolutamente sozinha e alimentou um ódio doentio por anos, o resto da história todo mundo conhece. Se alguém tivesse lhe estendido a mão, dado apoio emocional e psicológico, desse tratamento, talvez, a história do Sasuke fosse diferente. Ele seria um homem diferente. Ele seria um homem mais amoroso, amigável... Ainda poderíamos estar juntos. — Dei um gole no chá, engolindo o líquido e também o choro. Eu não iria chorar e não poderia envolver minhas emoções no meio disso, embora não fosse fácil desassociar uma coisa da outra. — O que estou querendo te mostrar é que a personalidade de uma pessoa é formada na infância, passar por traumas assim pode deixar feridas muito profundas, feridas que não cicatrizam, cuja dor reverbera por toda a vida desse indivíduo. Quando passei em frente ao orfanato e observei diversas crianças isoladas, quietas, pensativas, foi como enxergar um futuro cheio de adultos problemáticos, psicopatas, loucos para destruir o mundo, o mundo que nunca se importou com eles. Eu me importo e quero mudar essa história. Cortar o mal pela raiz. Talvez essa seja nossa chance de superarmos os meninos, sua chance de superar o seu pai, fazer algo que nem ele nem ninguém fez.

Depois de um longo silêncio, quando o fundo da minha xícara de chá só tinha açúcar e a caneca da Ino estava completamente vazia, ela falou:

— Eu te ajudo, Sakura. Mesmo sem saber exatamente como poderei fazer isso, eu te ajudo. Tenho estado triste porque tenho a sua idade e nem um marido para perder possuo. Meu objetivo na vida tem sido casar antes dos trinta, e isso é deprimente! Ora, eu nem me importava com isso há uns anos, contudo, tenho visto todos os meus amigos construírem sua carreira profissional, seus lares, suas famílias, enquanto eu apenas estanquei em missões Nível-C, bicos no hospital e atrás do balcão da floricultura. Sinceramente, acho que é um projeto surreal para dar certo, mas quero pelo menos tentar fazer algo grandioso antes que eu fique velha demais para isso.

Segurei sua mão por cima da mesa e sorri grata, afinal, no fundo, eu achava que ela não fosse aceitar.

— Vai dar certo, Ino. Tudo vai terminar bem para nós duas. — Ela colocou a outra mão por cima da minha.

— Vou torcer por isso. Agora quero que me explique essa sobrancelha horrorosa. Olha isso, está parecendo o Maito Gai! Essas unhas parecem de uma fazendeira colhedora de batatas. Pelo amor de Deus, Sakura! Você é uma mulher adulta, agora solteira! Como anda assim? — Ino começou do nada a falar alto, todas as pessoas que estavam na cafeteria escutavam o que ela dizia de mim. Tudo mentira, ela só queria me envergonhar para sairmos logo dali e fazermos o que ela queria: passar algumas horas em um salão de beleza. — A última vez que viu um cabelereiro foi quando eu te levei, não é? Que vergonha alheia! Saindo daqui vamos direto no salão dar um jeito nessa carcaça. Como pretende fundar um hospital com essa aparência? Está parecendo a Kurama, está até com bigode!

— INO!

.o0o.

O que eu achei que fosse levar uma tarde inteira, levou apenas um pouco mais de três horas. O movimento no salão estava baixo, era meio de semana e não haveria nenhum grande evento nos próximos dias para os quais as mulheres quisessem se arrumar, de modo que a ocupação das sete moças eram somente nós duas. Enquanto um pintava as unhas da mão, a outra pintava a dos pés, outra cuidava do cabelo e outra cuidava da pele. Ino e eu mal podíamos nos mexer com tanta gente em cima de nós duas, mas isso foi muito bom porque terminamos tudo rápido.

Nos distraíamos com jogos de palavras e, no fim, já estávamos imaginando o hospital que eu tivera a ideia de fundar há menos de doze horas. Ino agregou o seu negócio da floricultura ao projeto como atividade prática e terapia, o contato e o cuidado com a natureza poderiam ser revigorantes. As cores das paredes de cada ala, quantos andares, quantos quartos, o cronograma, as atividades, de quem iríamos pedir dinheiro... Tudo estava sendo discutido. As garotas que nos arrumava começaram a indagar, dissemos apenas que estávamos sonhando alto. Essa história de hospital infantil só poderia circular pela vila quando o projeto fosse mais do que o embrião que era; recém fecundado na minha mente e na de Ino.

Levando-a de volta ao trabalho — no qual ela ficaria apenas mais algumas horas, pois já anoitecia —, expliquei o que tinha acontecido naquela manhã:

— Eu estava vagando pela vila quando tive a ideia para o projeto. Estava muito chateada.

— Com o Sasuke?

— Com ele, sempre. — Revirei os olhos. — Mas dessa vez eu estava chateada com todo mundo. Como te contei, estou morando no quarto de hotel da Tsunade e já faz dois meses. Eles dizem que não estão de forma nenhuma me expulsando, mas que preciso tomar um rumo na minha vida. Eles estão sim me expulsando, isso é verdade, porém eles querem decidir quais rumos devo toma para minha vida.

— Sakura, eu sei que não tem nada a ver com o que você está falando, ou tem, não sei, mas essa postura deles pode estar relacionada ao que “supostamente” aconteceu no hospital? — A constatação de que Ino ouvira boatos me deixou um tanto assustada. Se ela sabia daquilo, mais pessoas deviam saber também. — Se não quiser falar, eu entendo, eu só queria saber como começou toda essa neura “deles” que também não sei quem são.

— Aconteceu algo grave no hospital dois meses atrás. — Respirei fundo e diminuí um pouco as passadas, já estávamos chegando à floricultura e não daria tempo de contar tudo. — Eu estava diretamente envolvida.

— Mas você não ficou ferida ou algo assim? — perguntou com cautela. — O que eu ouvi por aí foi que você foi atacada e sofreu uma parada cardíaca.

Ótimo, Naruto estava mesmo certo sobre terem “acabado” com os boatos. Não havia boatos sobre eu ter atacado alguém, mas sobre alguém ter me atacado, o que serve também de desculpa para eu ser afastada do hospital por “medida de segurança”.

— Eu não estava consciente... Contudo, foi mais ou menos isso que me disseram também — menti. — Eles agora querem tomar a frente das minhas decisões como se eu fosse uma criança indefesa. Eles, eu digo, Naruto, Shizune, Tsunade, até mesmo Shikamaru e Kakashi, e, claro, o Sasuke. Principalmente ele.

— Vocês não vão voltar, não é?

— Eu não posso afirmar isso, Ino. Temos um filho juntos; uma história. Eu não tenho ideia do que os boatos têm falado sobre o relacionamento que tínhamos, mas posso afirmar que esclarecemos muitas coisas que estavam mal resolvidas, embora nada tenha sido o bastante para fazer tudo ficar bem entre nós dois.

Ao fitar de soslaio a expressão de Ino de confusão e curiosidade, não pude segurar a risada. Já estávamos em frente à floricultura, e eu teria que ir embora. Ela queria que eu fosse direta, eu sabia, talvez confiar nela fosse uma boa forma de agradecimento pelo chá de auto estima e bons momentos que ela me proporcionou

— Posso confiar plenamente em você, Ino?

— Por toda a vida.

Com aquela afirmação instantânea e de tom honesto, eu só pude me oferecer para entrar e ajudá-la no que restava de turno da lojinha.

— Sasuke não me traiu; era uma missão estúpida para a qual ele havia sido resignado, com uma garota estúpida e com uma desculpa estúpida. Você pode pensar que, já que sei que foi tudo “mentirinha”, que fiz papel de louca por mais de um ano para nada (ainda bem), que eu devesse voltar para o Sasuke. A questão é que o que culminou na nossa separação foi bem mais do que a possibilidade de um par de chifres na minha cabeça. Eu era infeliz com ele, mesmo o amando. Eu não aniquilo a possibilidade de ficarmos juntos por conta desse sentimento, mas, ao mesmo tempo, acho difícil eu voltar para aquela casa, para aquela vida, viver o mesmo Sasuke e a mesma rotina... Eu não quero isso.

— Mas você disse isso a ele? Disse o que quer dele para que possam voltar a ficar juntos? Não quero atiçar o seu orgulho, contudo, todos veem que o Sasuke está acabado. É uma surpresa, confesso. Eu mesma não pensava que nada além do filho dele pudesse deixá-lo abalado desse jeito. Sasuke sempre teve uma áurea um tanto mórbida, agora por onde ele passa as flores murcham e as nuvens ficam cinzas. — Ri descaradamente de Ino e seus exageros. — Não me entenda mal, não quero dizer que seja simples para você, mas talvez não seja tão difícil.

— Pior que é. — Respirei fundo. — Eu quero ficar sozinha por um tempo. Conversamos bastante, disse tudo a ele, e ele disse que me esperaria.

— Nossa que coisa linda — comentou cruzando os braços e franzindo o cenho, novamente me fazendo rir.

— Acho que vou fazê-lo esperar um pouco.

— Justo. E por que os outros estavam se metendo na sua vida?

— Eles se veem no direito. Eles acreditam que estou psicologicamente e emocionalmente instável, como se eu não pudesse cuidar do meu próprio nariz. Sou uma mulher adulta e mãe! Aquilo me ofendeu de diversas maneiras. Eles querem decidir onde irei morar e o que eu vou fazer, já que fui afastada para sempre do Hospital de Konoha: se vou voltar a fazer missões, se vou lecionar medicina para jovens Iryō-nin...

— Você vai fundar o seu próprio hospital. — Ino sorriu e pegou minhas mãos. — E você vai fazer tudo sem a ajuda deles.

— Talvez precisemos da ajuda deles para algumas coisas...

— Ah, só um pouquinho, quase nada! Você vai mostrar o seu potencial.

— Nós vamos — garanti.

De repente, o sino da porta soou avisando-nos sobre um cliente no estabelecimento. O sorriso de Ino se desfez, então, eu olhei para trás para entender por que.

— Sasuke — disse com o menor dos entusiasmos.

— Então você estava se escondendo aqui? — indagou com o maxilar travado, caminhando até mim. Estava acompanhado do Shikamaru que ficou parado na porta de entrada observando a cena.

— Não estava me escondendo em lugar nenhum.

— Como você sai daquele jeito sem dar satisfação nenhuma e simplesmente desaparece?

Ino colocou-se à frente de Sasuke e disse em um tom firme:

— Ela não desapareceu, ela estava comigo o tempo todo pela vila.

— Esse assunto não é com você, Yamanaka.

— É com a minha amiga, e você está no meu espaço. Não admito que fale assim com ela.

— Ino, eu não quero confusão, deixe ele falar o que quer. — Ino deu espaço, mas não desviou o olhar do Sasuke um minuto sequer. — Eu estou bem, Sasuke.

— Não, você não está. Tem que ficar próximo da gente até melhorar.

— Para quê? Para que ficar ali com vocês me tratando como uma criança, uma enferma que não pode tomar suas próprias decisões ou atitudes, não pode ir à esquina sem ser vigiada, não pode ficar com seu próprio filho sem ser questionada?

— Não precisamos mencionar o que aconteceu, Sakura. A Tsunade está cuidando de você. Todos estão. Já que não quer ir comigo para casa, pelo menos volte para o hotel.

— Vocês mesmos disseram que eu precisava de um lugar para ficar, por que querem que eu volte?

Sasuke não soube me responder de imediato, estava visivelmente nervoso. Os olhos... eram os mesmos olhos da manhã em que o deixei no Distrito Uchiha. Os globos brancos com veias vermelhas, olhos apertados, os ossos do maxilar rígidos, os punhos cerrados, os lábios crispados, o cenho tão franzido que poderia juntar suas sobrancelhas. Aquele era um Sasuke antes inédito, hoje, frequente.

— Ela vai ficar comigo, Sasuke. — Ele desviou o olhar para Ino. — Aqui na floricultura tem um quarto nos fundos que quase nunca uso. Ela pode ficar aqui quanto tempo quiser, se quiser, — Ino olhou para mim para confirmar, e eu assenti. — Como amiga da Sakura, acho que o melhor agora é todos você a deixarem em paz. Se ela precisar de qualquer um de vocês, ela irá atrás, não vai, Testuda?

Assenti novamente fitando o Sasuke. Agradecia mentalmente por Ino estar falando por mim porque eu estava me sentindo muito indefesa e acuada com o Sasuke ali, com aquela situação... Até mesmo vergonha eu sentia. Como pude, de um dia para o outro, ficar tão dependente das pessoas?

— Sakura e eu passamos o dia juntas, Sasuke. Ela não está mentalmente instável, não está incapaz de fazer nada, está é muito magoada e vocês só estão piorando as coisas.

— Ino tem razão, Sasuke — Shikamaru interviu. — Você quer ficar mesmo com a Ino, Sakura?

— Sim.

— Vou pedir para alguém enviar suas coisas para cá ainda hoje.

— Obrigada — agradeci, fazendo uma breve reverência.

— Vamos, Sasuke — Shikamaru chamou uma segunda vez.

Sasuke não parava de me encarar. Eu lia seu olhar, suas expressões, seu nervosismo... Por que ele estava assim? Por que ele era assim? Por que dificultava as coisas?

— Pode vir amanhã, se quiser. Ino já está fechando a loja — falei, na esperança de ele ir embora sabendo que poderia voltar depois. Talvez o medo dele fosse esse, de naquele local eu repeli-lo totalmente.

Sasuke assentiu, mas não disse mais nada. Deixou com Ino um olhar desconfiado, talvez até ciumento. Arrancou uma rosa de um dos arranjos que estava próximo à saída da floricultura e foi embora esbarrando até no Shikamaru.

— Complicado. — Shikamaru suspirou exausto. Devia mesmo estar exausto acompanhando alguém tão complicado quanto Sasuke.

Ino me apresentou o quartinho confortável nos fundos da loja. Como ela usava frequentemente, estava limpo e arrumado. Jantamos salada de frutas e amêndoas, ela me deu uma cópia das chaves da loja e foi para a sua própria casa que era bem próximo dali, deixando-me só no quarto anexado à imensa estufa dos Yamanaka, inebriada pelo cheiro das flores, indagando comigo mesma por que Sasuke havia roubado uma rosa?

Na manhã seguinte, quando acordei, descobri. Uma hora antes da floricultura abrir e de Ino chegar, ouvi batidas na porta de vidro. Eu não havia dormido muito naquela noite, ficara fazendo esboços do projeto do hospital, de modo que ainda estava acordada naquele horário, umas sete horas da manhã. Receosa, abri a porta depois de tentar muitas chaves do molho que Ino deixara comigo na noite anterior. Quando abri, o suposto cliente já tinha ido embora, porém deixara um pacote à porta com uma rosa em cima.

— Sasuke?

Saí um pouco para fora, como eu estava vestida somente com uma camiseta velha que Ino me emprestara, não poderia ir atrás dele, seja lá para onde ele tivesse ido, mas sabia que tinha sido ele.

Peguei o pacote e entrei. Estava quente. Sobre o balcão, abri o embrulho, era meu café da manhã e, embaixo da embalagem, colado ao fundo do embrulho, estava um bilhete feito à mão:

“Você está linda”

E a rosa era mais uma cortesia. Roubada, mais ainda uma rosa. Um bilhete curto, com cheiro de rosa e a caligrafia dele.

 

Sasuke a cada dia estava se tornando um enigma para mim.

 



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