História Plants Are Friends - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias SHINee
Personagens Jonghyun Kim, Minho Choi, Taemin Lee
Tags 2min, Minho, Shinee, Shinee Fic Fest, Taemin
Exibições 166
Palavras 4.330
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eu sei que eu deveria estar atualizando minhas fanfics em andamento, mas cá estou eu postando outra 2min.
Essa foi a história que eu escrevi pra segunda edição do fic fest do shinee. Eu fiquei muito em dúvida sobre qual plot escolher, mas esse me lembrou Fleurissent então resolvi pegar.
A capa foi feita pela Carol (~coralins) pra fic fest e a betagem da história ficou por conta dos organizadores do fest também, então dessa vez não foi betado pela Alice como de costume.
Pra quem já leu quando as histórias foram postadas, espero que tenha gostado. E pra quem ainda não leu, espero que goste.
Boa leitura ♥

Capítulo 1 - Capítulo Único


Coloquei o telefone de volta na base e reclinei meu corpo contra a cadeira de couro acolchoada. Levei as mãos ao rosto, pressionando-as contra a testa, bagunçando meu cabelo em seguida, como se aquilo pudesse amenizar minha dor de cabeça. O estresse dos últimos dias caía sobre mim como um piano de corda feito de madeira maciça, tudo em consequência da construção de um novo shopping em uma área pouco afastada do centro de Seoul. Eu teria fugido para algum lugar qualquer e me isolado se soubesse os problemas que teria envolvendo aquele shopping. Eu cheguei a um ponto em que me perguntei se todo o retorno nesse investimento valia mais que minhas noites sem sono. Era um pensamento grave, uma vez que eu costumava ser alguém bastante mercenário.

O projeto para o shopping era promissor, o investimento era visivelmente compensador, e não havia nada que pudesse dar errado. O shopping se localizava em uma área perfeita para um centro comercial, o que me deixou deveras satisfeito. Tudo estava ocorrendo perfeitamente, até o momento em que ativistas ambientais resolveram aparecer para perturbar a minha paz.

Malditos ativistas.

Eles apareceram em dezenas, ocuparam a área reservada para a construção do shopping e se recusaram a sair enquanto a construtora não se retirasse do lugar. A área havia sido adquirida dentro das regulamentações e não havia nada que impedisse o projeto de ser levado adiante. Porém, na visão daquela gente desocupada, nós estávamos praticando um atentado contra o meio ambiente, como se fôssemos criminosos do mais alto escalão ou coisa do tipo. E desde então eles se tornaram o motivo para as minhas dores de cabeça. Além de ser pressionado a encontrar uma solução para esse problema, eu precisava lidar com outros deveres que meu cargo exigia. Chamar a polícia era a ideia principal, mas ter o foco da imprensa sobre a construção do shopping como sendo aparentemente um crime estava fora de cogitação, isso mancharia o nome do lugar antes mesmo que ele pudesse ser erguido.

O telefone sobre minha mesa de escritório tocou mais uma vez e eu mentalmente me preparei para ser pressionado novamente. Felizmente, daquela vez, eu apenas ouvi a voz fina da minha secretária anunciando a entrada de alguém.

— Pela sua cara posso ver que encontrou uma solução para se livrar dos ativistas — ouvi Jonghyun dizer ironicamente, depois de entrar e fechar a porta. Perguntei-me se havia algum momento do dia em que ele não debochava de algo. — Por que não chama a polícia e acaba com isso de uma vez?

— E ter a atenção da imprensa manipulando os fatos sobre o projeto? Fora de cogitação — respondi. Jonghyun sentou-se em uma das cadeiras em frente a minha mesa.

— Se eles continuarem acampando na área, a imprensa aparecerá cedo ou tarde, Minho — olhei para Jonghyun por um tempo, antes de levar as mãos ao rosto novamente. Minha vida estava arruinada.

— Eu posso recorrer a medidas silenciosas e ilegais? — fiz uma pergunta retórica. Eu não estava cogitando contratar mafiosos ou algo do tipo, mas eu não costumava desistir tão fácil das minhas ambições.

— Eu não estou afim de ter um amigo criminoso — Jonghyun respondeu. — Eu sei que você vai conseguir encontrar um jeito de tirá-los de lá, todos depositam confiança em você.

— Esse é o problema, todos depositam confiança em mim, o que gera uma pressão que está me matando — levei a mão ao meu queixo, pensativo.

— Então não se pressione, apenas pense.

Pensar me levava a ter mais dores de cabeça, mas, como eu havia dito, eu não era do tipo que desistia tão facilmente. Eu já havia tentado diversas maneiras de persuadir os ativistas, que partiam do gentil ao grosseiro. Talvez eu devesse optar por alternativas não muito justas.

— Vou voltar lá e resolver esse problema pessoalmente — me levantei, abotoando meu paletó. Jonghyun me acompanhou.

— Acha que dessa vez terá algum sucesso? Da outra vez, eles praticamente te expulsaram — eu andava seguido por Jonghyun, que exalava uma calmaria invejável. Tudo aquilo para ele era quase uma diversão.

— Não desta vez. Talvez eu devesse me render e ser mais amigável.

— Acha que vai ganhá-los com barganha?

— Eu estou começando a jogar baixo.

Quando cheguei ao lugar onde deveria estar acontecendo uma construção, me deparei com a mesma cena que havia visto da última vez que estive ali: pessoas aos montes segurando cartazes e gritando frases autoritárias. Era como se eles não tivessem saído daquele lugar em momento algum — e eu não duvidava que eles realmente não tivessem saído.

— Isso é ridículo — eu disse para Jonghyun assim que saí do meu carro.

— Quem dera eu tivesse toda essa determinação — ouvi Jonghyun dizer. — E não esqueça de ser amigável. Sorria.

Amigável era a última coisa que eu desejava ser naquele momento, mas eu sabia que agressividade não os faria sair de lá.

Observei-os de longe, segurando placas contra a construção do shopping e contra a destruição do meio ambiente, gritando as mesmas frases decoradas. Pude ver de longe alguém segurando um megafone e gritando palavras de motivação, para que ninguém se cansasse até que o objetivo tivesse sido alcançado. Eu não poderia esquecer esse mesmo alguém me olhando desafiadoramente nos olhos e cuspindo palavras de desprezo por mim, como se eu fosse o pior ser humano da terra.

— Não vamos deixar as bestas engravatadas tomarem nossa natureza! — ouvi o mesmo garoto com o megafone gritar.  

Quando me aproximei dos ativistas, eles puderam notar a minha presença e não demoraram em jogar suas frases ensaiadas contra mim.

— Vejam quem apareceu — ouvi a voz debochada vir do megafone, se referindo a mim. — Vieram se render?

— Nós viemos negociar — eu respondi.

— Nós não iremos negociar! — ele gritou com o megafone, o som agudo entrando por meus ouvidos e chegando como uma pontada forte na minha cabeça. — Vocês desistem de destruir o pouco que nos resta da natureza e nós prometemos nunca mais perturbá-los, a não ser que tentem destruir outro lugar.

— Nós não estamos destruindo, essa não é uma área preservada e não há animas silvestres aqui. Por deus, nós estamos no meio de uma cidade — eu disse, como se já não fosse óbvio.

— Existem pássaros que constroem seus ninhos aqui, assim como pequenos roedores, peixes que vivem no lago. Vocês perguntaram para eles se eles querem ter suas casas destruídas? Se coloquem no lugar deles! Se coloquem no lugar das árvores que vivem aqui há séculos! — eu não podia acreditar no que eu ouvia, aquilo tudo para mim era mais do que ridículo.

— Nós podemos levar os animais para um outro lugar preservado e—

— Balela! — ele gritou novamente e desta vez a dor na minha cabeça foi ainda mais forte, me fazendo fechar os olhos por alguns segundos e manter meu autocontrole.

— Que tal resolvermos isso pacificamente, sem agressões ou gritaria? — perguntei com uma calma que eu não sabia de onde havia tirado, respirando fundo em seguida. — A propósito, meu nome é Choi Minho.

A pessoa a minha frente baixou o megafone, o que me deixou aliviado, e me olhou com um sorriso torto. Talvez estivesse vendo o caos que eu mantinha por dentro e rindo da minha infelicidade. Aquele garoto me causava algo por dentro que eu não entendia exatamente se era vontade de amassar o rosto dele ou prazer de encontrar alguém tão insistente quanto eu.  

— E o que você propõe, senhor Choi Minho?  — ele perguntou. — E eu sou Taemin para você.

— Eu proponho que nós conversemos, para que eu possa ouvi-los e entender seus motivos, assim como vocês possam entender os meus.

— Seu único motivo é encher sua bunda de dinheiro, não seja hipócrita — ele disse, o mesmo olhar desafiador de sempre e o tom debochado, enquanto os outros começaram a murmurar em concordância. — Mas eu aceito sentar e conversar, só me diga onde e quando.

— Você parece o líder deles, que tal se nós almoçássemos juntos? — Jonghyun disse, após um tempo calado, forçando sutileza. Na verdade, eu sábia que ele se divertia com toda aquela situação, como se o pescoço dele também não estivesse preso na guilhotina.

— Tudo bem, eu aceito. E é importante que saibam que eu não como animais mortos e que vocês pagam a conta.

— Será um prazer almoçarmos juntos — eu disse, com a minha falsa simpatia, querendo matar Jonghyun ao mesmo tempo.

— Será um enorme prazer para mim também — Taemin sorriu, o olhar fixo no meu.

Talvez eu tenha incitado uma guerra.

Eu nunca deveria confiar em Jonghyun ou aceitar suas ideias, porque na primeira oportunidade que teve, me deixou sozinho em um restaurante esperando por um ativista desaforado. Pensei que naquele dia eu não sairia daquele lugar sem cometer um crime.

Escolhi um restaurante onde eu sabia que servia comida vegetariana, já que Taemin havia exigido aquilo. Enfurecia-me aquele garoto pensar que poderia exigir alguma coisa quando quem estava fazendo algo de errado era ele. Ele deveria ter me agradecido por não chamar a polícia, e logo me perguntei por que eu ainda não havia feito isso. Foda-se a imprensa, as pessoas esqueceriam disso em questão de dias e logo estariam suprindo seus desejos consumistas naquele shopping.    

Atrasado, Taemin chegou ao restaurante com suas roupas desleixadas, enquanto eu me adaptava ao lugar usando um terno, como de costume. Levantei-me para recebê-lo; Taemin sem muitas cerimônias se sentou na cadeira em frente a minha.

— Então, como vai ser? — ele perguntou.

— Pensei que nós pudéssemos almoçar antes de discutir sobre o problema — peguei o cardápio. Ele não pareceu muito contente, mas fez o mesmo.

— Tudo seria mais fácil se vocês fossem embora de uma vez — Taemin disse, com o rosto escondido pelo cardápio.

— Engraçado, pensei o mesmo sobre você e seus amigos.

Naquele dia, eu havia deixado meu autocontrole em casa. Ser gentil não mudaria nada e eu precisava mostrar que não estava ali para sair perdendo.

— Eu não entendo nada disso — ele jogou o cardápio para mim, o olhar entediado —, peça algo por mim que não tenha sido preparado às custas do sofrimento de algum ser indefeso.

— Quer um copo d’água? — perguntei, fechando o cardápio depois de decidir o que escolheria para mim e Taemin.

— Quando te vi pela primeira vez, não pensei que você pudesse ser tão bem-humorado.

— Eu faço o que posso.

— Zombando do meu estilo de vida.

— Você perguntou antes para as verduras e legumes se eles querem ser comidos? — O garçom recolheu os cardápios e fiz os pedidos. Àquela altura, eu pensei que não haveria mais nenhuma negociação entre mim e Taemin, mas, quando o fitei, ele me olhava com um sorriso torto no rosto, como sempre debochado, como se estivesse se divertindo com tudo aquilo e achando engraçado me ver perdendo a paciência.

— Você não é de se jogar fora, pena que nos conhecemos dessa maneira — Taemin disse.

Franzi o cenho, ignorando o que eu havia escutado. Se aquele garoto estava pensando que me ganharia flertando comigo, ele estava enganado — ou talvez não.  

— Você sabe que se continuarem lá, eu serei obrigado a chamar a polícia — fui franco.

— Nós sabemos, mas não vamos sair — ele disse com firmeza.

— Por que insistem tanto nisso? — perguntei. — Aquela nem sequer é uma área preservada. Se não eu, uma hora outra pessoa irá construir algo lá e eu posso ter certeza que ninguém mais irá ser tão gentil a ponto de negociar.

— Do mesmo jeito que você tem seus objetivos, eu tenho os meus — ele respondeu. — Não importa se será você ou outro a querer destruir aquele lugar, mas isso é o que eu defendo e eu não vou deixar ninguém me calar até o final da minha vida.

— Então você, assim como eu, não desiste tão fácil de nada. Mas por algum motivo dessa vez eu quero entrar num consenso. O que eu tenho que fazer para que isso aconteça?

Ele suspirou, antes de se encostar contra a cadeira e cruzar os braços. Talvez ele estivesse realmente cedendo a um acordo, ou estava apenas procurando as palavras para me dizer que não sairia de lá em hipótese alguma.

— Se você pudesse entender meu ponto de vista, entender realmente o quanto é importante, não somente para mim, mas para todo mundo, que o meio ambiente seja preservado, talvez pudesse haver um consenso.

Pela primeira vez, ele realmente havia sido sério e sincero em suas palavras, sem desprezo, sem deboche e cinismo.

E olhando para Taemin, eu vi nele algo que realmente me fez querer optar por outras alternativas e não somente chamar a polícia e expulsá-lo da propriedade da empresa. Ele era igual a mim, determinado e decidido. E eu sabia que nenhuma conversa mudaria a cabeça daquele ativista desaforado.

Eu não entendia por que ainda insistia em algum tipo de diálogo com Taemin, mas sem perceber eu me via fazendo aquilo. Talvez eu quisesse apenas fugir um pouco da pressão que caía sobre mim, ou eu estava apenas querendo ganhar tempo para achar uma solução para o problema chamado Taemin. Mas se ele queria que eu o entendesse, eu tentaria, mesmo que ele não quisesse ver meu ponto de vista.

— Eles o encontraram em cativeiro — Taemin disse, passando o dedo por entre um dos vãos de uma gaiola, apenas para chamar a atenção de um pássaro, que eu não sabia a espécie, preso dentro dela. Ele sorriu quando teve a atenção da pequena ave, como se realmente amasse aquele tipo de contato. — Ele será devolvido para seu hábitat logo, estão apenas cuidando dele por enquanto.

— Ele não me parece do tipo de pássaro que vive no meio de uma cidade — eu disse, não entendendo exatamente aonde Taemin queria chegar me levando para um abrigo de animais.

— É claro que ele não vive, mas antes vivia — ele se virou para mim e voltou a falar: — Você consegue imaginar essa cidade antes dos prédios e casas terem sido construídos? Esses animais aqui foram tirados de seus hábitats por contrabandistas ou porque tiveram seus lares destruídos. E tudo isso para quê? Dinheiro?

— Eu não sou um contrabandista e não quero destruir o lar de nenhum animal, Taemin. Por que acha que eu quero isso? — coloquei as mãos no bolso, esperando um resposta.

— Você pode não perceber, mas sua atitude é um incentivo para tudo isso — ele disse, referindo-se a todos os animais presos naquele abrigo.

Naquele momento, não neguei para mim mesmo que eu nunca havia pensado que meu trabalho pudesse ser um incentivo ao crime. Eu não negava ser bastante avarento, mas não pensava em causar mal a animais ou destruir a natureza. Porém, naquele dia com Taemin, eu entendi um pouco sobre o que se passava na cabeça dele e o que o tanto motivava.

Segui Taemin para fora do abrigo, andamos por um tempo apenas em silêncio. O barulho da metrópole costumava ser um incomodo para minha enxaqueca, mas naquele momento eu apenas refleti.

— Você entende que esse é o meu trabalho? É o que eu faço, não posso abrir mão de tudo isso — eu disse.

Parei, ainda com as mãos no bolso da minha calça social. Taemin parou em seguida.

— Eu entendo — Taemin respondeu —, mas você já pensou em algum momento achar uma solução que não favorecesse apenas você?  

— E se eu achasse? Isso faria com que vocês saíssem da construção? — perguntei.

— Talvez — Taemin respondeu e voltou a andar. Eu o segui. — Eu não acho que você seja uma pessoa ruim, mas, como eu já disse, nos conhecemos na hora errada.

— Queria ter me conhecido em outra situação? — perguntei, e ri soprado em seguida.

— Quem sabe — ele respondeu e sorriu para mim, correndo em seguida para o outro lado da rua até entrar em um ônibus.

Naquele dia, dirigi de volta para casa com as palavras que Taemin havia me dito rodando na minha cabeça. E enfim encontrei a solução para o meu maior problema.

Eu não podia mais lidar com a pressão que caía sobre mim. Por mais que eu tivesse tentado adiar e encontrar formas alternativas para que ambos lados não fossem prejudicados, a construção do shopping não poderia mais ser atrasada. Eu não tive escolhe a não ser ceder à pressão e deixar que chamassem a polícia, o que eu deveria ter feito desde o começo.

— Acha que dizer que a polícia está a caminho irá fazê-los sair de lá? — Jonghyun me perguntou. Estávamos os dois no escritório improvisado que havia sido construído no local onde o shopping seria erguido.

— O mínimo que eu posso fazer é tentar — respondi. Suspirei e saí do escritório, seguindo em direção ao amontoado de ativistas que havia por perto.

Taemin havia conseguido mexer com algo dentro de mim que me fazia ser menos egocêntrico. Ele ainda não queria enxergar meu ponto de vista, mas eu passei a enxergar um pouco o dele. Eu sabia que mudar minha atitude não alteraria em nada. Prédio, casas e shopping continuariam sendo construídos, mas quem poderia saber o que o futuro nos aguarda? Talvez minha mudança pudesse acarretar em outras e futuramente não seriam mais necessários ativistas tomando áreas e protestando contra a construção de algum lugar.

Aproximei-me devagar de Taemin, que logo notou minha presença. Ele veio até mim com o mesmo sorriso debochado de sempre.

— Encontrou uma alterativa? — ele perguntou. — Ou melhor, desistiu?

— Vocês precisam sair daqui — fui direto e sério. Não havia tempo para conversar, a polícia logo chegaria.

Ele parou por alguns segundos, sério daquela vez, me fitando.

— Você sabe que nós não vamos sair daqui — disse direto, assim como eu havia sido, mantendo a pose imponente. Ele não se deixaria intimidar diante de mim.

— A polícia está vindo, Taemin, vocês precisam ir embora — pedi mais uma vez.

— Então você finalmente chamou a polícia? — Seu tom era de decepção, assim como sua expressão.

— Eu não tive escolha.

— Foda-se, Minho! — ele esbravejou, descontando toda raiva em mim. — Foda-se você, esse seu projeto idiota e todos esses seus amigos imundos!

— Será que dá pra você me ouvir?!

— Te ouvir para quê?! Eu te ouvi, mostrei os meus motivos e a minha vida e tudo isso não valeu de nada para você! Você é um egoísta que só pensa em dinheiro! Eu não sei por que perdi meu tempo com um filho da puta igual você!

Pude ver três carros da polícia chegando. Eles foram pacíficos de início, pedindo para que os ativistas se retirassem, mas eles, como esperado, se recusaram.

— Se querem me tirar daqui, terá que ser à força — Taemin voltou a dizer, se afastando de mim até se juntar aos outros ativistas.

Tudo o que aconteceu em seguida já era o esperado. Todos eles persistiram em permanecer no lugar, e a polícia precisou usar seus métodos nada convencionais. Taemin foi o que mais se recusou a sair, gritando de forma agressiva, se debatendo quando os policias os seguraram, os xingando e quebrando mais outras dezenas de leis. Eu apenas observei sem poder fazer nada, até que todos finalmente foram retirados. Taemin, claro, foi levado preso.

Se Jonghyun estivesse comigo naquele momento, ele poderia dizer que eu estava louco ou debochar de mim e rir, mas eu sabia que o que eu estava fazendo era o certo. Nunca foi minha intenção fazer com que Taemin fosse preso, mas ele não foi tão gentil quando a polícia chegou para retirá-los e, diferente dos outros ativistas, acabou sendo detido. Pensei que o mínimo que eu podia fazer era pagar sua fiança, mesmo que ele declarasse ódio contra mim em seguida.

Esperei que ele fosse liberado. Talvez ele quisesse despejar palavras de desprezo contra mim novamente, mas não custava nada tentar. Eu queria que ele entendesse que fiz aquilo porque era necessário.

Assim que me viu, Taemin me fitou, cruzou os braços e sorriu cínico.

— Veio até aqui jogar na minha cara que conseguiu o que queria? — ele disse, o desprezo típico em evidência.

— Na verdade, eu paguei sua fiança — respondi.

— Obrigado por usar seu dinheiro imundo para isso. Então você realmente veio aqui jogar tudo isso na minha cara.

— Na verdade, eu vim conversar.

— Conversar como foi naquele dia, em que eu pensei que você tivesse sido sincero em entrar num consenso? Acho melhor não.

Ele passou por mim, indo embora. Pensei em apenas não dar importância e voltar para casa e finalmente descansar depois de tantos dias tendo dores e cabeça, mas, quando dei por mim, eu já estava indo atrás daquele garoto desaforado, defensor dos oprimidos.

— Eu realmente encontrei um jeito — eu disse, seguindo-o. Ele me ignorava, mas insisti. — Eu quero te mostrar algo.  

— O único jeito que você encontrou foi chamar a polícia para nos expulsar.

— Eu não fiz aquilo por vontade própria.

— Mas fez! — ele parou de andar e se virou para mim. Pensei que ele fosse me atacar a qualquer momento. — Você foi egoísta depois de ter feito toda aquela ceninha na minha frente. Eu realmente pensei que você não fosse uma má pessoa, mas eu estava engando.

— Será que você pode, por favor, me escutar e vir comigo para que eu te mostre algo?

— Por que eu deveria?

— Eu estou sendo educado.

Ele parou por um tempo, me encarando com os braços cruzados. Ergui meu braço apontando para o meu carro, tentando convencê-lo a me seguir. Taemin, ainda emburrado, abriu a porta do carro sem muita gentiliza e entrou.

— Se você estiver tentando me sequestrar, eu vou gritar.

— Garanto que eu só faço mal à natureza.

Levei Taemin até meu escritório. Assim que entramos, convidei-o para se sentar, mas ele recusou, como se estivesse em território inimigo e precisasse estar sempre alerta. Ele tinha razão, eu era o inimigo de qualquer forma. Eu estava destruindo aquilo que ele tanto preservava. Eu faria o mesmo no lugar dele.

— Melhor você me dizer de uma vez o que eu estou fazendo aqui — ele disse ríspido, ainda irritado comigo.

— Primeiramente, eu pensei em te mostrar uma maquete do meu projeto, mas não ficou pronta tão rápido.

— Eu não quero saber nada sobre o seu projeto idiota.

— Mas eu te garanto que vai te interessar. Por favor, sente-se — indiquei o sofá outra vez. Ele encarou-me mais uma vez, duvidoso, antes de se sentar a contragosto.

Sentei-me ao lado de Taemin, que balançava a perna, irritado. Peguei uma visão de seu perfil emburrado. Não pude deixar de rir internamente. De certa forma, eu gostava do jeito imponente de Taemin, e acho que foi aquilo que me fez prestar mais atenção nele e querer um acordo. Ele não tinha apenas feições bonitas e delicadas escondidas sob sua atitude forte, ele também tinha opiniões firmes e formadas e não tinha medo de ir contra qualquer pessoa. E eu não podia negar que tudo aquilo me atraía.

— Você vai dizer o que eu estou fazendo aqui ou vai continuar me encarando? — Saí de meus devaneios ao ouvir a voz de Taemin.

— Desculpe — eu disse. — Eu te trouxe aqui, na verdade, para dizer que eu fui sincero quando quis entrar em um acordo, mas eu não tive escolha senão chamar a policia. Isso não dependeu só de mim.

— Eu não ligo para suas desculpas.

— Eu sei que não. Mas sabendo que vocês não cessariam tão facilmente, eu propus um novo projeto e todos pareceram realmente interessados em me apoiar. Nós não vamos desistir de construir um shopping, mas dessa vez será um shopping sustentável.  

Ele me fitou por um tempo, me analisando, como se tentasse encontrar verdade nas minhas palavras. No primeiro momento, ele não me pareceu muito feliz, ainda incrédulo sobre o que eu havia dito.  

— Você está falando sério? — ele perguntou.

— Sim, eu estou — sorri. — Será o primeiro shopping sustável na Coreia. É um projeto inovador que chamará muito a atenção, nosso investimento será muito recompensado.  

— No final, tudo isso continua sendo por dinheiro — ele disse, ainda não muito feliz.

— Sim, continua sendo por dinheiro e sempre será por dinheiro, Taemin, esse é meu estilo de vida — eu disse, pausando por um curto tempo para tomar ar. — Mas, naquele dia, você me perguntou se eu já havia pensado em algo que não favorecesse apenas a mim e, bem, eu pensei. Dessa vez, não favorece apenas a mim.

Taemin se levantou, andou até a ampla janela do meu escritório, observando a cidade que aos poucos escurecia com a chegada da noite. Levantei-me e fui até ele, ficando ao seu lado. Ele não parecia muito convencido com o que eu havia dito, mas parecia pensativo em relação àquilo. Se ele discordasse, não haveria nada que eu pudesse fazer.  

— Não pense que eu vou parar de te perseguir tão cedo — Taemin disse, ainda fitando a cidade. — Eu não vou deixar você me enganar.

— Eu não pedi que deixasse.

Ele virou o rosto para mim. Sorri de canto para ele, e ele fez o mesmo ao virar o rosto para o lado oposto.

Por mais que Taemin tivesse sido uma das minhas maiores dores de cabeça, eu o agradecia por tentar me mostrar um lado diferente, que até então eu não entendia. Eu não deixaria de ser tão avarento, mas talvez a partir daquele dia eu tenha me tornado alguém menos egoísta.

— Eu vou fiscalizar essa obra todos os dias até que ela esteja pronta — Taemin voltou a falar, ainda escondendo o rosto. — Se eu vir qualquer coisa de errado, nós voltaremos.

— Eu estarei aqui te esperando.

Assim que Taemin voltou a me olhar, eu realmente não quis que ele parasse de me perseguir como antes. E quando ele se inclinou para me beijar, quando senti os lábios dele contra os meus, percebi que ele também queria o mesmo.

E, tão subitamente como me beijou, ele cessou o beijo, sem que pudesse haver uma resposta vinda de mim.

— Eu sabia que dentro desse terno todo engomado existia alguém com um bom coração — ele disse dando tapinhas contra meu ombro, antes de se virar e ir embora.

Sorri bobo, tanto pelo beijo quanto pelo elogio. Naquele momento, pensei que as dores de cabeça haviam valido a pena e sabia que Taemin faria questão de me trazer mais. Mas eu estava disposto a isso.


Notas Finais


Qualquer semelhança com o Taemin de Fleurissent não é mera coincidência.
Se você não conhece o SHINee Fic Fest >> http://shineeficfestbr.tumblr.com/


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