História Playing Cupid - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Shugo Chara!
Tags Amuto, Kutau, Shugo Chara
Exibições 16
Palavras 7.738
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Último capítulo... Eu me apeguei tanto a essa fic, que agora estou triste porque acabei :,( Espero que gostem ♥

Capítulo 6 - Lightning


“Eu atravessaria um deserto e um oceano
para me livrar da dor
da sua tempestade”
- Lightning (Little Mix)

PoV – Amu:

Naquele momento pude entender o que era a felicidade inexplicável à qual Utau se referiu certa vez. Uma vontade enorme de ter Ikuto junto a mim, e que só de pensar nisso, tudo parecia melhor. Quando eu e Ikuto nos afastamos, pude perceber o quão rápido o meu coração batia, e que eu ainda estava tremendo.

Ikuto e eu nos olhamos calados e sem expressão no rosto, mesmo com o que tinha acabado de acontecer. Ele voltou a acariciar o meu rosto, lenta e delicadamente. Eu estava me sentindo tão bem que nem parecia que ainda tinha uma barreira que nos separava.

Quando o mundo real pareceu voltar, ou melhor, quando eu voltei pra ele, segurei os pulsos de Ikuto para fazê-lo parar. O rapaz o fez no mesmo instante e afastou suas mãos de mim, eu me afastando do lado dele no banco.

- Você ainda vai embora. Do que adianta? – Foi tudo o que consegui dizer.

Ikuto me olhou espantado.

- Adianta em muita coisa – Respondeu ele – Eu sei que você gosta de mim do jeito que eu sempre quis que gostasse, e agora isso é mais um dos motivos que tenho para voltar.

- O problema é que você não pode se comprometer a mim enquanto estiver lá – Falei – Lá vão ter outras garotas e...

Fui interrompida por uma risada de Ikuto.

- Aqui também tem milhares de garotas – Disse ele – E durante toda a minha vida, eu nunca achei alguém que gostasse do jeito que gosto de você. Lá não vai ser diferente.

Era difícil de acreditar que eu significava tanto para Ikuto, mas o jeito singelo que seus olhos me encaravam diziam-me que era a verdade.

- Você realmente gosta de mim? – Perguntei em voz baixa.

Eu precisava ouvir isso dele para ter mais certeza ainda. O sorriso que ele mostrou foi tão sincero que me fez arrepiar.

- Você... – Ele olhou para cima, como se estivesse procurando palavras – Eu não tenho palavras pra descrever o que você é pra mim.

Os arrepios vieram mais uma vez. Não soube como responder àquilo. 

- Eu sei que fui um idiota, imbecil, e mais um monte de coisas por não ter te contado que ia embora desde o começo – Ikuto continuou – Mas eu peço que me perdoe. Não quero ir pra longe sabendo que não estamos bem um com o outro. Ainda mais depois do que descobri e do que acabamos de fazer.

Um lado de mim dizia para que eu não o perdoasse. Ele me magoou bastante, e eu ainda estava triste. Já o outro, me empurrava para os braços dele para que no final tudo ficasse bem.

Se fosse com Kukai e Utau? O que eu diria para a minha amiga fazer? Com certeza ia sugerir que ela seguisse os seus sentimentos e o perdoasse, pois o que importa é que eles se gostam muito. E eu já sabia que Ikuto também gostava muito de mim.

- Você é um idiota, imbecil, estúpido, ridículo – Falei – Mas eu não vou conseguir ficar tanto tempo com raiva de você. Muito menos tanto tempo longe de você!

Percebendo que lágrimas estavam prestes a surgir, tentei manter a calma. 

- Eu também não sei como vou conseguir ficar tanto tempo sem implicar com você – Disse ele sorrindo de lado.

E mais uma vez as mãos dele foram parar nas minhas bochechas. Ele levantou o meu rosto em direção do seu lentamente e me fez olhar bem nos seus olhos.

- Não importa onde eu esteja, não importa a nossa distância – Ele falou – Eu sempre vou voltar por você.

Aquele lado sério de Ikuto não era comum de se ver. Ele mostra seu lado brincalhão na maioria das vezes, mas mesmo assim, eu gostava de todos os seus lados. E eu queria muito continuar a ouvir ele dizendo coisas bonitas para mim. 

Estávamos prestes a nos aproximarmos mais uma vez, mas por incrível que pareça, tive que impedir.

- Obrigada, Ikuto – Falei envergonhada – E não é que eu não acredite nas coisas que está dizendo pra mim, mas o fato é que não sabemos o rumo que as coisas vão tomar quando você estiver lá e eu estiver aqui – Falei – E é por isso que nada pode acontecer entre a gente agora.

Ikuto afastou suas mãos de mim. Indicava que eu o havia deixado bravo ao dizer aquelas coisas. Não era a minha intenção...

- Você não confia em mim – Disse ele.

Dessa vez quem se indignou fui eu.

- Confio – Corrigi – E é por isso que eu vou te esperar.

Se eu não confiasse nele e nos sentimentos que acabara de descobrir que tinha por mim, não daria uma chance para ele, não é mesmo?

- Se formos ter algo concreto agora, será ainda mais doloroso quando você for embora – Continuei – Tanto para mim, quanto pra você.

Ikuto não respondeu nada. O rapaz encarou a praça vazia, com um olhar de quem está analisando o que acabou de ouvir. Eu queria muito que ele entendesse o meu ponto. Não podemos nos comprometer agora, como ele pretendia que acontecesse. As coisas entre a gente não são tão simples assim.

- Eu vou te esperar – Repeti – Não vou desistir de você.

Quando terminei de dizer isso, Ikuto voltou a me encarar. Ainda estava sério.

- Eu também não vou desistir de você – Disse ele – Se a sua vontade é esperar eu voltar, tudo bem. E pensando bem, você tem razão.

Fiquei aliviada por ele ter compreendido.

- Seria mais doloroso, se é que isso é possível – Continuou Ikuto – Mas você sabe que essa ida para fora do país é muito importante para mim, não sabe?

- É claro que sei! – Exclamei – Você sempre falou sobre isso. Eu só não imaginei que fosse ser agora – Suspirei.

- Desculpa...

Balancei a cabeça.

- Eu já falei que não vou conseguir ficar com raiva de você – Eu disse – Já resolvemos isso. E acho que já resolvemos o resto também.

Ikuto assentiu, mas com uma expressão de lamento no rosto. É claro que ele queria que resolvêssemos melhor a questão sobre nós dois. Eu também queria, mas dada as circunstâncias, o que eu disse a ele era a única solução.

Eu queria sentir os lábios dele de novo. Queria que ele continuasse a fazer carinho no meu rosto. Queria que ele me envolvesse em seus braços mais uma vez... Mas eu precisava fazer o imenso sacrifício de me conter.

Fazia tempo que eu não dormia tão bem quanto dormi aquela noite, e o que me ajudou a ficar assim foi o que houve entre Ikuto e eu. Nunca me esqueceria de como foi me envolver nos braços dele e muito menos o quão bom foi beijá-lo... Eu simplesmente estava muito feliz, nem parecia que logo ele ia embora.

 

*****

 

Quando cheguei à escola, entrei na sala de aula saltitando, mas Utau e Kukai sequer notaram a minha chegada. Estavam em seus lugares, mas bem próximos um do outro, e rindo. Algumas pessoas ao redor falavam para os dois:

- Que golaço!

- Quem tem limite é município!

- Quem tem freio é bonde!

- Quero um workshop de como sair da friendzone!

E outros comentários do tipo, que me fizeram rir. Em seguida, fui em direção de meus amigos

- Oi, casal! – Falei assim que me aproximei deles.

Os dois me olharam, sorrindo.

- Que lindos! – Eu disse emocionada – O shipp que eu juntei! Amo vocês!

- Parece que a noite foi boa ontem – Kukai comentou.

Se alguém ouviu o que ele disse deve ter pensado besteira.

- Foi ótima – Concordei.

- Eu sei que não foi nada demais, mas por favor, não esqueçam que meu irmão está envolvido – Lembrou Utau – E isso é estranho.

Kukai riu.

- Você vai ter que se acostumar – Disse ele.

- Ainda bem que tenho um ano para não ver isso – A garota retrucou – É brincadeira, Amu! – Acrescentou rapidamente.

Me sentei em meu lugar, ao lado deles.

- O Ikuto me contou que vocês conversaram sobre como serão as coisas daqui pra frente – Utau voltou a falar – Está tudo bem?

- Sim – Respondi – Aliás, eu estou muito feliz por terem me ajudado. Mesmo tendo entregado aquela carta super embaraçosa pro Ikuto...

- Eu não entreguei nada – Utau se defendeu – Foi o gênio aqui. Por mais que tudo tenha dado certo no final, ainda acho que seria melhor vocês terem se resolvido depois da viagem.

- Discordo – Kukai interrompeu – Assim foi bem melhor. Não é, Amu?

- Já aconteceu e está tudo ok. Agora a vida segue! – Falei – Só resta esperar.

 

*****

 

Depois de um mês de Ikuto e eu nos segurando para agirmos apenas como amigos, havia chegado o dia de sua ida. Eu, Utau e Kukai combinamos de ir juntos para o aeroporto depois da aula para nos despedirmos.

Eu pensei que fosse ficar mais nervosa naquele dia, entretanto, não estava me sentindo tão mal. Convenci a mim mesma que já havia aceitado que ele ia embora.

Quando entrei na sala de aula, encontrei uma Utau sentada em seu lugar de braços cruzados e brava. Fui imediatamente em direção dela e perguntei o que havia acontecido.

- Nada – Ela respondeu – Nada de mais.

Lancei um olhar duvidoso, mas mesmo assim ela continuou calada.

- Cadê o Kukai? – Perguntei.

- Por aí – Ela revirou os olhos.

Então comecei a entender.

- Vocês brigaram?

- Não – Disse Utau.

- Então o que aconteceu? Ele fez alguma coisa pra você? – Insisti.

Utau suspirou e se levantou da cadeira. Pegou no meu braço e me levou até a parede da sala onde ficavam as janelas. Nelas se podia parte do pátio da escola, e assim que nos aproximamos de lá, identifiquei Kukai no meio de uma multidão de alunos. Estava ele e uma garota do clube de líderes de torcida conversando.

- Bonito – Disse Utau de repente – Que bonito, ein! Que cena mais linda, será que eu estou atrapalhando o casalzinho aí?

Não pude me segurar. Comecei a rir na mesma hora e Utau cruzou os braços, voltando ao seu lugar. Parei com as risadas e fui atrás dela.

- Parece que tem alguém com ciúmes aqui – Falei divertida com a situação.

- Não é isso – Ela suspirou – Ele sabe que eu odeio as líderes de torcida e mesmo assim fica de “papinho” com elas. Aquelas garotas sempre deram em cima dele descaradamente e...

- Se não é ciúme não sei o que é – Interrompi.

Utau virou o rosto e eu ri novamente.

- Isso é normal, relaxa – Falei – E eles só estão conversando!

Utau não disse nada, e eu me sentei em meu lugar. A primeira aula era biologia e eu esperava que a professora não tivesse corrigido a prova. Ela já estava demorando um século para fazer isso, por que não mais um pouco? Eu não estava no clima de receber aquela nota.

Minutos depois Kukai apareceu na sala de aula.  O garoto notou no mesmo momento que a namorada estava brava e foi imediatamente para o seu lugar, atrás dela.

- O que houve? – Perguntou ele, preocupado.

Utau não se virou para trás para responder, ignorando-o.

- Me responde, amor – Ele insistiu – O que foi?

- Não me chame assim – Disse ela.

- Você ta brava comigo?

- Talvez – Respondeu a loira.

O garoto me olhou sem entender, mas não consegui explicar porque estava com uma vontade imensa de rir. E, para nossa surpresa, Utau de repente se virou para trás.

- Só acho engraçado que agora a pouco você estava conversando todo felizinho com aquela líder de torcida, deixando ela dar em cima de você como sempre, e ainda por cima chega aqui comigo se nada tivesse acontecido! – Ela esbravejou.

Kukai olhou para mim incrédulo e depois começou a rir. Utau virou o rosto.

- A gente só estava falando sobre o campeonato de semana que vem – Ele explicou – Nada demais.

O garoto então se inclinou em direção dela e a abraçou por trás.

- Me solta – Utau pediu – A professora já vai chegar.

- Só se você me disser que está tudo bem e parar de ficar com raiva de mim – Disse ele – E eu quero um beijo.

- Pede pras líderes de torcida – Implicou Utau – E me solta!

O garoto suspirou e fez o que ela pediu.

- Depois eu converso melhor com você – Disse ele – Como está o coração, Amu?

- Felizmente, batendo – Respondi.

Eu sabia que ele estava se referindo à ida de Ikuto, mas eu estava tentando manter a maior calma o possível.

- Estou normal – Continuei – Acho que já me acostumei com a ideia.

- Ainda bem – Disse Utau – Não vou precisar ficar te consolando o dia inteiro.

Esperava que também não fosse necessário.

- Se alguém não tivesse entregado aquela carta pro meu irmão, você não sofreria tanto – Reclamou Utau.

- Faz um mês que isso aconteceu – Kukai interrompeu – Ainda vai implicar comigo por causa disso?

- O que era pra acontecer, aconteceu – Falei – Não adianta dizer nada.

Se pensar por um lado, foi bom termos “nos resolvido” antes dele ir embora. Com isso, pude perceber o quanto confiamos um no outro, o quanto gosto dele e o quanto ele gosta de mim. Isso até me deixava melhor diante do que estava preste a acontecer.

E então, para completar minha aflição, a professora de biologia, uma mulher alta de cabelos e olhos escuros, entrou na sala, e com um pacote. Provavelmente as provas corrigidas!

- Bom dia – Disse a Sra. Cykes – Vou começar a entregar as provas, quero todos em silêncio, por favor.

Lancei um olhar desesperador para Kukai e Utau, mas apenas o garoto o viu. Utau, olhava para a frente, tranquila com o que quer que estivesse por vir. A Sra. Cykes abriu o pacote que carregava e de lá tirou as provas, colocando-as em cima de sua mesa. Pegou a primeira:

- Amu Hinamori – Chamou ela.

Meu corpo inteiro gelou. Eu odeio ser a primeira a ser chamada em uma entrega de provas, ainda mais se tratando de biologia! Nunca se sabe se a professora as organizou da pior nota para a maior, vice-versa, ou aleatoriamente. Em ordem alfabética soube que não era pois não sou o primeiro nome da turma.

Levantei-me e fui até a mesa da Sra. Cykes, tremendo. Quando a mulher me entregou a prova, sorriu de lado. Eu a peguei de sua mão e fui para a minha mesa, sem olhar a nota.

Quando me sentei novamente, tive coragem de olhar.

- Amu? – Utau chamou – Você foi muito ruim?

Ela e Kukai deviam ter visto a reação que tive quando vi a nota.

- N-não – Falei e encarei os dois – 9,3. Mais de 6 pela primeira vez no ano! – Exclamei, alegre.

Os dois sorriram para mim, surpresos.

- Parabéns! – Disse Kukai, alegre.

- Não acredito – Utau falou – Você disse que tinha ido tão mal...

- Aparentemente, não fui – Falei.

Mal podia acreditar naquilo!

- Não pode ser real – Falei.

- Mas é – Interrompeu Kukai – E quem sabe não é um sinal?

Olhei para ele sem entender e vi Utau voltando a se virar para frente, desinteressada no garoto.

- Sinal? – Perguntei.

- Uma nota boa no dia da partida do Ikuto – Disse ele – Pode ser um sinal de que não vai demorar pra ele voltar.

Dei uma risada. Era incrível como Kukai sempre tenta dizer algo para deixar as pessoas bem, não importa pelo que estejam passando. Mas confesso que esperava que fosse um bom sinal mesmo.

 

*****

 

Quando entrei no aeroporto percebi que eu não estava tranquila quanto antes. E no momento em que eu, Utau e Kukai (que já tinham se resolvido) encontramos Ikuto e seus pais no imenso local, foi pior ainda.

Os pais dele estavam claramente nervosos. Pude perceber também que sua mãe, Souko, segurava o choro. Entretanto, os três ficaram felizes ao nos ver.

- Que bom que vocês chegaram – Disse o Sr. Tsukiyomi.

- Pois é – Ikuto concordou, olhando diretamente para mim.

Muito discreto, só que não. Mas eu nem pude reclamar, pois me atirei nos braços dele, abraçando-o.

- O embarque começa que horas? – Perguntei a ele, ainda no abraço.

- Daqui a uma hora – Ele respondeu.

Enfim o soltei, e ele sorriu para mim. Eu era incapaz de fazer o mesmo.

- Será que a gente pode entrar na conversa também? – Perguntou Utau.

E foi aí que eu voltei ao mundo real e me dei conta de que estávamos sussurrando e seus pais, sua irmã e seu cunhado nos observavam calados. Comecei a ficar com vergonha. Será que dava para notar que eu e Ikuto não erámos exatamente só amigos?

Um tempo depois, a minha família e a família de Kukai também chegaram ao aeroporto para se despedir de Ikuto. Enquanto os pais conversavam e Ikuto conversava com os irmãos de Kukai e com Ami, eu e meus amigos nos afastamos dos grupos.

- Amu, fica calma! – Disse Utau – Você não parece nada bem.

Suspirei.

- Eu estou aflita – Falei – Não acredito que o dia chegou. Parece que a ficha só caiu agora.

- Chegou e não da pra fazer nada pra mudar isso – Utau reforçou.

Kukai lançou um olhar de repreensão pra namorada.

- O que foi? – Ela questionou – Eu só estou dizendo a verdade.

- Não precisa falar dessa maneira – Interrompeu o outro – Não com a Amu desse jeito!

- Ela tem razão, Kukai – Me pronunciei – O que eu posso fazer? Eu só queria poder me despedir dele melhor...

Abaixei a cabeça, lamentando mentalmente por não ter como dar mais que um abraço em Ikuto na frente de todos.

- Podemos dar um jeito nisso – Disse Kukai em tom animado.

 

*****

 

Utau não concordou muito no começo, mas acabou cedendo e ela e Kukai inventaram que precisávamos afastar Ikuto um pouco para conversarmos com ele. A loira não parecia muito feliz com aquilo, e eu sabia o por que.

Desde o começo, Utau não queria que as coisas entre eu e Ikuto avançassem porque ele ia embora, pois deixaria nossa situação ainda pior de se suportar. Mas eu não achava que um beijo de despedida faria algum mal!

Além disso, no fundo eu sabia que seria muito estranho ela me ver com seu irmão. Eu descobri que esse fato era mentira por trás da maneira como ela reagiu a isso há um tempo atrás, mas do mesmo jeito, eu sentia que ela tinha esse sentimento de estranheza quanto a nós dois.

Quando nós quatro nos afastamos o suficiente de nossas famílias, eu e Ikuto ficamos frente a frente um do outro e demos as mãos.

- Bom, divirtam-se – Disse Kukai.

- Vocês tem cinco minutos – Utau mostrou o celular – Eu estou de olho.

E assim, a loira puxou o namorado e eles se afastaram dali. Ikuto e eu rimos, e depois voltamos a nos olhar.

Não pude evitar em pensar no quanto ele estava lindo naquele dia. Parecia que estava mais que o normal, e só podia ser uma força do Universo querendo me torturar.

Ikuto me puxou para um abraço e eu o apertei o máximo que pude. Felizmente consegui segurar as lágrimas quando nos afastamos e ele também tinha uma expressão triste no rosto.

- Eu vou sentir tanto a sua falta – Falou o rapaz – Você não faz ideia.

Não consegui dizer nada. Me aproximei dele de novo, deixando nossos rostos a um palmo de distância e envolvi os meus braços em volta de seu pescoço. Ikuto então puxou o meu rosto para mais perto e nossos lábios se tocaram.

Era tão boa aquela sensação que me perguntei como eu conseguiria ficar tanto tempo com vontade de beijá-lo e não podendo.

 

*****

 

~ Um ano depois ~

 

Foi difícil. Eu e Ikuto trocávamos mensagens constantemente na internet, além de chamadas de vídeo. Isso até compensava um pouco, mas não parecia ser o suficiente para me deixar satisfeita.

Me sentir sozinha foi uma das piores coisas. Utau e Kukai estavam namorando, e como eu já sabia que fosse acabar acontecendo, eu me senti excluída em certos momentos. É claro que eu não os culpava por tais situações, e eles tentavam não me deixar assim sempre que podiam, mas acontecia.

 Ver aqueles dois cada dia mais felizes por estarem juntos me deixava maravilhada! Antes de começarem a namorar juntos, eu tinha a impressão de que algo estava faltando. E era aquilo! O que faltava era o amor dos dois!

E mesmo me sentindo mal por vê-los e não ter Ikuto comigo, eu ao mesmo tempo me sentia feliz pelos dois. Eram os meus melhores amigos, e tudo o que eu mais queria para eles estava acontecendo!

E, é claro, a vontade de ver Ikuto era algo insano. Não estava mais me aguentando por causa disso!

 

*****

 

Depois de um longo dia de aula, ao chegar em casa fui direto para o meu quarto, pronta para fazer mais coisas de escola. Nem parecia que era uma sexta-feira!

Liguei o meu computador e me sentei à frente dele, pronta para começar o trabalho de química que eu precisava terminar para a semana seguinte. Antes de tudo suspirei, sem paciência para iniciar a tarefa.

Felizmente, algo apareceu para me fazer desistir de prosseguir. Recebi um pedido de chamada de vídeo de Ikuto, e não pensei duas vezes para aceitar.

Ikuto apareceu na tela, sorrindo. Ele estava na sala de seu apartamento, como pude perceber pelo fundo de parede branca. Sim, eu sabia as características de tudo, já que sempre pedia que Ikuto me mandasse fotos dos lugares aonde ia e ficava.

- Ikuto! – Exclamei – Como você está?

- Estou ótimo, e você? – Perguntou ele.

- Estou bem – Falei.

Ótima eu não estava, mas fazer o que...

- Minha irmã e o namorado dela não estão aí? – Ele perguntou.

- Os dois saíram hoje depois da aula – Falei – Eles me chamaram para ir junto, mas eu voltei pra casa. Dava para perceber que só chamaram por educação mesmo, eu sei que eles queriam ficar sozinhos – Dei de ombros.

- Que pena – Disse Ikuto – Eu queria que todos soubessem o que tenho pra contar logo...

- O que? – Gritei – Saber de que?

Vi pela tela do computador que os meus olhos estavam brilhando. A possibilidade de Ikuto dizer o que eu tanto queria era alta, e se tornou mais ainda pelo sorriso que ele deu.

- Eu vou voltar...

Abri um largo sorriso no mesmo momento. Aquela era a melhor notícia de todas!

- Vai? Quando? – Perguntei superanimada.

- Mês que vem – Ele respondeu – Eu bem que queria voltar mais cedo, mas ainda tenho que resolver umas coisas por aqui.

- Pelo menos você vai voltar – Sorri – Nem acredito. Parece que faz uma eternidade que você está aí!

Sinceramente, um ano parecia pouco para o tempo em que ele esteve fora.

- Eu mal posso esperar para te ver de novo – Disse ele de repente.

Mesmo estando longe, Ikuto ainda tinha o poder de me deixar toda arrepiada com suas palavras, e pelo jeito que as dizia. Tentei ficar normal diante daquilo, mas pude ver que estava levemente corada.

- E-eu também – Falei – Mal posso esperar para te ver e te abraçar de novo – Sorri.

Ikuto me lançou um olhar malicioso.

- Só me ver e me abraçar? – Perguntou ele – Não está com vontade de fazer mais nada comigo?

Fiquei ainda mais vermelha.

- Na verdade... – Iniciei meio envergonhada – Tem outra coisa.

Ele sorriu mais ainda.

- Eu também – Concordou Ikuto.

 

*****

 

PoV – Normal:

No dia seguinte, quando o casal chegou à casa dos Hinamori, foi recebido pela irmã mais nova de Amu. A garotinha os cumprimentou e mandou Kukai e Utau entrarem em sua casa.

- Minha irmã não está, mas podem esperar por ela – Disse Ami – Aliás, eu já disse que...

- Que escorpião e leão formam uma combinação interessante? – Utau interrompeu – Sim. Você diz isso sempre que vê a gente! Agora pode chamar sua mãe, por gentileza? Queremos conversar com ela.

- Comigo? – Perguntou uma voz conhecida.

Midori Hinamori, uma mulher de cabelos castanhos e olhos claros, como os de Amu, surgiu na sala de estar. Ela cumprimentou Kukai e Utau, e o casal fez o mesmo.

- Sobre o que querem falar? – Ela quis saber, surpresa – Alguma coisa sobre a minha filha?

- Digamos que sim – Respondeu Kukai.

Ami se aproximou deles, com interesse, mas a mãe logo a repreendeu.

- Acho melhor você dar licença – Disse ela à filha.

- Mas mãe...

- Não tem problema – Interrompeu Kukai – Ela pode ficar aqui se quiser.

A Sra. Hinamori assentiu e se sentou em uma das cadeiras da mesa que havia na sala. Ami ficou ao lado da mãe, animada, e Utau e Kukai se sentaram do outro lado da mesa, a frente delas.

- Podem falar – Disse a mais velha – O que tem a minha filha?

Utau decidiu ser a primeira a se pronunciar.

- Não só sobre ela – Iniciou.

- Sobre o Ikuto também? – Perguntou a Sra. Hinamori.

Utau e Kukai trocaram olhares surpresos.

- Vocês acharam mesmo que eu não percebi que aqueles dois ficaram diferentes um com o outro um tempo antes do Ikuto ir embora? – Perguntou Midori – Eles estavam juntos, não estavam?

Mais uma vez a Sra. Hinamori pegou o casal de surpresa. Nem Kukai nem Utau imaginava que a mulher diria algo daquele tipo. Ambos esperavam que ela ficasse surpresa ao mencionarem Ikuto e Amu.

Utau e Kukai hesitaram antes de responder àquela pergunta. Por mais que tivessem decidido conversar com a Sra. Hinamori sobre Amu e Ikuto antes do rapaz voltar, era difícil explicar, justo pra mãe da amiga, sobre seu relacionamento com Ikuto.

- Mais ou menos – Kukai decidiu responder – Eles acabaram decidindo não ter nada sério até que o Ikuto voltasse.

Midori assentiu, nem um pouco surpresa. Enquanto isso, Ami observava a conversa calada, mas pela expressão em seu rosto, parecia estar gostando do assunto.

- Fizeram bem – Ela opinou – Mas o que exatamente vocês estão querendo me dizer?

Kukai e Utau mal podiam expressar o quanto estavam aliviados por até aquele ponto a Sra. Hinamori não ter reagido mal quanto aquele assunto.

- A gente está planejando um reencontro entre os dois – Explicou Utau – O meu irmão disse pra Amu que volta mês que vem, mas ele vai voltar sexta-feira. Quer fazer uma surpresa a ela.

Ami sorriu, admirada, e a mãe ao seu lado também pareceu interessada.

- Querem a minha ajuda com alguma coisa? – Ela perguntou.

- Sim – Utau respondeu de imediato – Quero que você e o Sr. Hinamori conversem com o Ikuto antes da aula acabar, nessa sexta-feira.

- Ele gosta muito da Amu – Kukai continuou – E já quer chegar e ir logo conversando com vocês sobre isso.

Midori lançou a eles uma expressão confusa.

- Bom, é que ninguém tinha ideia de como vocês reagiriam aos dois juntos – Utau explicou – E a gente sabe como o pai da Amu é. Mesmo conhecendo o Ikuto desde pequeno, não sabemos se ele aceitaria com tanta facilidade que a filha namorasse um cara mais velho e...

- Agora estou entendendo – A mãe de Amu interrompeu – Por mais que eu esperasse que fosse o Ikuto que me pedisse isso.

- Ele ia fazer de qualquer jeito – Kukai apressou a dizer – Mas é que eu e a Utau decidimos adiantar as coisas.

- É sempre bom adiantar as coisas – Interrompeu Ami – E eu super apoio minha irmã e o Ikuto, só para constar!

Utau lançou um olhar debochada a garotinha.

- Também acha que os signos deles se combinam? – Mas não esperou Ami respondeu e se dirigiu a mãe dela – O que você acha, Sra. Hinamori?

- Eu acho que é uma conversa muito necessária – Ela respondeu – Vejo que vocês dois estão muito preocupados com isso.

Kukai deu uma risada.

- Eu não sei se a Amu comentou com a senhora, mas ela e o Ikuto foram meio que os nossos cupidos – Disse o garoto – E agora nós queremos ser os deles.

Foi a vez de Midori rir.

- Ela sempre me fala disso – Disse ela – Sempre diz que se não fosse por ela e por Ikuto vocês dois não estariam juntos.

- Também não é assim – Interrompeu Utau – A Amu adora exagerar. Eles contribuíram, mas a maior parte foi nossa!

Kukai concordou.

- Mas enfim... – Ele disse – Estamos de acordo?

- Claro que sim, não é mamãe? – Ami perguntou para a mais velha.

A Sra. Hinamori esboçou um sorriso.

- Podem contar comigo – Disse ela – E foi até bom vocês adiantarem isso. Tenho que ver com antecedência o que meu marido vai achar dessa história – Ela deu um risada – Mas podem ficar tranquilos, creio que vai ser como foi com vocês, sem problema nenhum.

 

*****

 

Utau e Kukai saíram da casa dos Hinamori e foram para a casa da garota. Se sentaram no sofá da sala para conversar.

- Agora temos que dizer ao seu irmão para ele não se preocupar com os pais dela – Disse Kukai – Eu mal posso esperar para ver aqueles dois juntos, Utau! A gente precisa ajuda-los!

- Nós vamos fazer isso – Ela disse – Logo, logo, o meu irmão volta e a gente ajuda.

Kukai assentiu, e deitou a cabeça no ombro dela. Utau passou a mexer nos cachos do namorado, coisa que já fazia antes, pois adorava o cabelo dele, mas quando começaram a namorar se tornou ainda mais frequente. Kukai também adorava quando ela fazia isso.

Havia pouco mais de um ano que os dois estavam juntos, embora nenhum deles pudesse acreditar que finalmente tinha acontecido. Ainda parecia algo fora da realidade, por ser o que parecia tão impossível para os dois.

O garoto viu que Utau sorrira repentinamente e se sentiu ótimo. Nada para ele era melhor do que vê-la sorrindo.

- Eu já te falei isso algumas vezes – Disse ela – Quer dizer, poucas – Corrigiu.

Ela deixou de mexer no cabelo dele, e o garoto levantou a cabeça para a encarar. Utau aproximou mais seu rosto do dele.

- Acho que não falei o suficiente que... – Ela continuou – Eu amo você.

Um sorriso se formou no rosto de Kukai. Era verdade que Utau dissera aquilo raríssimas vezes, e embora ele não se importasse, porque sabia que dizer coisas assim não combinava com ela, sempre que a namorada dizia, ele se sentia a pessoa mais feliz do mundo.

- Espero que seu irmão e a Amu sejam tão felizes quanto a gente – Kukai falou – E, aliás, eu também amo você.

Utau então se inclinou em direção do rosto do garoto ao seu lado e o beijou. O outro continuou a beijá-la e os dois se sentiram ainda mais felizes.

 

*****

 

PoV – Amu:

Aquela sexta-feira havia começado de maneira muito estranha. A primeira coisa foi que eu acordei sem o meu despertador, uma hora antes dele tocar, e não consegui mais dormir. Aceitando esse fato doloroso, desativei o alarme do celular e me levantei da cama.

Ao me levantar, tropecei no par de chinelos que deixei na noite anterior ao lado da cama, e tive uma “linda” queda. “Tudo bem, a vida segue”, pensei.

Como me arrumei mais rápido naquele dia, pois havia acordado mais cedo, parecia até que eu estava com muita vontade de ir para a escola.

No caminho para lá, me veio à mente que talvez eu me sentisse diferente porque minha tpm poderia estar se manifestando. Embora nunca tivesse ficado daquele jeito em tais circunstâncias, considerei e continuei o caminho para a escola.

Era estranho chegar lá antes dos meus amigos, aliás, eu que sou sempre a atrasada! Porém, naquele dia, parecia que quem ia se atrasar era a Utau.

- Por que será que a Utau está demorando tanto? – Perguntei a Kukai – Faltam 3 minutos pra aula começar, e ela nunca se atrasa...

- Ela me disse que vai chegar na segunda aula hoje – Kukai explicou – Parece que precisa ajudar o pai com algumas coisas da loja.

Desde que o Ikuto foi embora, Utau tem ajudado muito o seu pai na loja. Agradeci mentalmente por Ikuto estar perto de voltar e voltar a tomar seu posto na loja.

 

*****

 

O resto do dia foi normal, por incrível que pareça. Até que, mais tarde, quando a aula acabou (era um dos dias que ficávamos o dia inteiro na escola), eu estava morrendo de vontade de me jogar na minha cama e descansar, mas infelizmente Utau me impediu.

- A senhorita chegou atrasada hoje e pensa que tem moral para me pedir que fique mais um pouco na escola para estudar? – Perguntei indignada.

- Você precisa de ajuda em biologia – A loira insistiu.

O tempo passa, e os meus problemas com essa matéria não.

- A prova é daqui a um mês – Argumentei – Não preciso disso agora. E por que não vamos pra minha casa? Tem que ser na escola?

- Se formos pra casa de alguém você vai se distrair com mais facilidade – Kukai explicou.

O casal estava na minha frente, me impedindo de sair da sala de aula. Só restava nós três no local. Suspirei.

- Tudo bem – Falei – Mas acho que não vão deixar a gente ficar aqui.

- É só irmos pra biblioteca – Utau deu de ombros.

Sendo assim, nós três nos dirigimos ao local. Durante o caminho, Kukai e Utau trocaram algumas palavras entre eles, mas não pude escutar nada.

- O que é que vocês estão cochichando aí? – Perguntei desconfiada.

- Nada – Utau respondeu – Coisa nossa.

- Pois saibam que eu não estou a fim de segurar vela hoje – Falei – Então podem ir parando por aí.

 

*****

 

Quando saímos da escola, depois de uma longa hora estudando biologia, comecei a ter a mesma sensação que tive de manhã quando acordei. Era como uma ansiedade, algo estranho.

- Vamos dar uma volta? – Kukai sugeriu.

- Vocês querem falar algo pra mim – Afirmei imediatamente, desconfiada – Acham que não percebi que estão estranhos desde que fomos pra biblioteca?

Kukai e Utau não demonstraram reação.

- Sim, é isso – Disse o garoto – A gente precisa falar com você.

- É muito importante – Acrescentou Utau.

Os olhei ainda mais desconfiada.

- Ah sim – Eu disse – E é sobre o quê?

- Não podemos dizer nada, por enquanto – Utau falou.

Pude ver em seus rostos que ambos estavam ansiosos. Esperando que aquilo fosse um bom sinal, eu disse:

- Então vamos logo porque vocês estão me matando de curiosidade!

 

*****

 

Desde o ocorrido naquela pracinha há um ano antes, eu nunca mais deixei de pensar naquilo quando passava por lá. Foi ali que eu e Ikuto nos beijamos pela primeira vez, e foi o melhor momento e a melhor sensação de todas!

Quando nós três estávamos prestes a virar a esquina que dava para uma das ruas da praça, meu coração acelerou e eu fiquei completamente paralisada. Comecei a tremer com o susto que levei assim que comecei a ouvir um som muito familiar: um violino tocando.

Utau e Kukai sorriram para mim, e eu não soube o que aquilo queria dizer.

- Vá logo – Disse Utau – Tem alguém te esperando.

- O-o quê? – Perguntei – Como assim...

- É isso mesmo, Amu – Kukai falou – O Ikuto está naquela praça. Surpresa!

Não podia acreditar naquilo.

- M-mas...

- A gente sabe que ele te contou que só vinha mês que vem – Disse Utau – Parece que alguém te enganou.

- Eu não fazia ideia – Falei surpresa – Não estava preparada para isso.

Então tudo fazia sentido. Era por isso que o dia estava tão estranho. Será que eu estava sentindo que Ikuto ia voltar? Não, era loucura demais pensar assim. Pedi mentalmente para que as coisas continuassem estranhas assim que eu o visse.

Não disse mais nada, e saí correndo dali, em direção da praça. A música foi ficando mais alta, e assim que avistei a pracinha, pude reconhecer de longe a figura de um rapaz alto que usava camisa cinza e calças escuras, de cabelos azuis.

Parei de correr antes de chegar à pracinha. Ikuto estava de costas para mim, e ainda não tinha percebido que eu estava ali. Fiquei parada por um tempo, assimilando o fato dele estar mesmo ali.

Olhei para trás ao ouvir passos, e dei de cara com Utau e Kukai, que tinham ido junto comigo sem eu ter percebido. Ambos sorriam para mim e Kukai indicou a praça, como se pedisse para eu ir logo.

Andei até Ikuto devagar. Parecia um sonho! Depois de tanto tempo sem vê-lo... Ali estava ele, bem na minha frente! Eu não parava de tremer, e tive até vontade de chorar. Eu sentia tanto, mas tanto a falta de Ikuto!

Não me aproximei mais por conta do nervosismo, e continuei parada. Ikuto terminou de tocar a música no instrumento e andou até o banco mais próximo, ainda sem me ver. Lá estava a bolsa de seu violino, onde ele guardou o instrumento com cuidado.

Quando o rapaz de cabelos e olhos azuis se virou, finalmente deu de cara comigo. Ele levou um susto ao me ver parada daquele jeito, mas na mesma hora se recompôs e abriu um sorriso. Eu ainda não conseguia me mexer, mas felizmente, Ikuto foi até mim.

Ele me abraçou, envolvendo-me em seus braços. Eu o apartei ainda mais, e senti lágrimas começando a cair. Sentir o cheiro dele de novo me deixou ainda mais emocionada por reencontrá-lo.

Depois do que pareciam séculos, Ikuto finalmente me soltou, e eu fiz o mesmo com ele. Nos encaramos pela primeira vez em um ano, e pude confirmar ainda mais o quanto ele estava lindo.

- Você ficou mais alta – Disse ele – E mais bonita.

- V-você também – Falei, ainda chorando.

Ikuto enxugou minhas lágrimas com seus dedos, e sorriu.

- Você devia parar de chorar – Ele sugeriu – Eu senti tanto a sua falta!

Ikuto enxugou minhas lágrimas mais uma vez. Respirei fundo para me recompor, e sorri de leve.

- Eu estava morrendo de saudades! – Falei – Por que você fez isso comigo? Por que demorou tanto?

- Desculpa a demora – Disse ele – Mas agora estou aqui, não estou?

Ikuto e eu sorrimos um para o outro, mas logo após fechei os olhos quando percebi que ele passou a se aproximar do meu rosto. Eu estava esperando tanto tempo para ter a sensação maravilhosa que era beijá-lo, que meu coração acelerou mais do que o normal.

Enquanto nos beijávamos, passamos a nos abraçar. A sensação era ainda melhor daquele jeito, nos braços dele. Quando nos afastamos, completamente sem ar, Ikuto voltou a sorrir para mim.

- Desculpe interromper – Ouvi Kukai dizer – Mas posso falar com o meu amigo agora?

Olhei para trás e lá estavam Utau e Kukai. Se minha amiga tiver visto eu e Ikuto nos beijando, isso explicava o olhar de desconforto que ela apresentava. Bom, ela ia ter que se acostumar...

Ikuto e Kukai se abraçaram, daquela maneira que todos os rapazes fazem, com tapinhas nas costas e tudo.

- Cuidou bem da minha irmã? – Perguntou o mais velho.

- Óbvio! – O outro respondeu.

- Eu acho bom – Ikuto cruzou os braços.

Utau revirou os olhos e os dois riram.

- A gente conversa mais depois – Disse Kukai – Você tem algo mais importante pra resolver, não é mesmo?

Ikuto assentiu e deu tchau para a irmã e o cunhado.

- Até logo, gente – Falei para meus amigos.

- Divirtam-se – O garoto falou.

- Até – Disse Utau.

 Ikuto e eu observamos os dois saindo da praça. Quando o casal sumiu de nossas vistas, o rapaz ao meu lado segurou as minhas mãos e me puxou para o banco ao lado onde havia deixado seu violino.

Abracei o braço do rapaz ao meu lado e sorri para ele, que sorriu de volta. Ikuto se inclinou mais uma vez em minha direção e me beijou. Quando nos separamos de novo, meu sorriso estava ainda maior.

- Você aguentou mesmo me esperar por todo esse tempo? – Ele perguntou.

- Sim – Respondi – Acha mesmo que eu ia desistir de você? Você também não desistiu de mim.

- E não vou – Ele interrompeu – Quando estive na Áustria tive mais certeza disso. Sempre que alguma garota tentava se aproximar de mim, eu tinha ainda mais certeza que não queria nenhuma delas.

Era verdade. Os olhos dele me diziam que era.

- Ninguém nunca vai conseguir ser o que você é pra mim – Ele continuou – E é por isso que eu quero que você seja minha namorada.

Fiquei espantada. A gente mal tinha se falado pessoalmente direito, depois de um ano, que ele já estava falando sobre namoro?

- Isso foi um pedido indireto de namoro? – Perguntei – Não acha que é rápido de mais para nós...

- Meio que foi – Ele riu – E pode ficar tranquila, pois eu já conversei com os seus pais e...

O espanto ficou ainda maior.

- V-você fez o quê? – Perguntei.

- Falei com seus pais – Ele repetiu – Minha irmã e o Kukai me aconselharam a fazer isso. Eu conheço o seu pai, e achei que ele não aceitaria nós dois juntos com tanta facilidade, mas devo dizer que não foi difícil falar com ele.

- Pera, você já falou com eles? – Perguntei novamente – A Utau e o Kukai te disseram para fazer isso? É muito coisa nova para a minha mente processar.

Ikuto riu.

- Foi isso mesmo – Ele respondeu – Já está tudo certo. Queria garantir isso o mais rápido o possível.

Aquilo realmente havia sido rápido demais. Eu nem imaginava que Ikuto já ia voltar, e quando ele volta, ainda pede permissão aos meus pais para que a gente namore. Era muita coisa para acontecer de uma vez só!

Tive vontade de pedir para que esperássemos por mais um tempo para oficializarmos nossa relação, mas antes de dizer qualquer coisa, pensei melhor. Ficar com Ikuto era o que eu mais queria! Por que eu complicaria as coisas mais uma vez? Ele já tinha voltado, e não nos restava mais nada a fazer.

- Eu amo você – Falei, puxando-o pela camisa para mais perto do meu rosto.

E nos beijamos mais uma vez. Eu não precisei nem dizer que aceitava o pedido.

 

*****

 

~Um mês depois~

 

Após a escola, Kukai e eu fomos com Utau para a casa da garota. Ao chegar lá, subi para o quarto de Ikuto, enquanto os meus amigos ficaram sozinhos na sala.

A porta do quarto do Ikuto estava entreaberta, então já fui entrando sem bater antes. Ikuto encontrava-se sentado em sua cama, mexendo no celular. Porém, ao me ver, deixou o aparelho de lado e sorriu.

Eu fechei a porta do quarto atrás de mim e me aproximei. Ia me sentar ao seu lado, mas Ikuto me puxou e acabei sentando em seu colo. Depois, recebi um beijo caloroso de meu namorado.

Quando nos afastamos, um barulho alto me fez levar um susto, e deixou Ikuto surpreso também. Olhamos em direção da janela do quarto e vimos que estava chovendo, logo aquilo só podia ter sido um trovão.

- Adivinha quem não trouxe guarda-chuva? – Eu ri.

- Se ainda estiver chovendo quando você for embora eu te levo – Tranquilizou Ikuto – Ah, e eu preciso te contar uma coisa.

O encarei com curiosidade. Ele ficou quieto.

- Você não vai embora de novo, vai? – Perguntei desconfiada.

Ele riu.

- Não – Respondeu – Só vou de novo se for pra te levar junto! E o que quero contar é que eu e meu pai estamos planejando abrir um espaço da loja para aulas de música.

Ao ouvir aquilo, sorri animada.

- Que ótima ideia! – Falei – Vou participar com certeza!

- Vai ser para crianças – Ele interrompeu – Mas se quiser aulas particulares...

Um sorriso malicioso se formou em seu rosto e eu dei um tapa em seu ombro.

Mais um trovão disparou.

- Podia faltar luz pra gente ficar no escurinho – Disse ele ainda em tom malicioso.

Fiquei sem reação, e Ikuto me puxou para mais perto dele. O sorriso que ele esboçou para mim me fez sorrir também.

- Você é um idiota – Falei – Mas amo você mesmo assim.

- Eu também te amo – Ele respondeu – Chatinha!

Não me segurei e inclinei-me para ainda mais perto, beijando-o.

Posso dizer que foi estranho e ao mesmo tempo bom ter que me acostumar com a ideia de um namoro de uma hora para outra. Estranho porque eu não esperava que Ikuto chegasse no dia que chegou, e além disso, ter um novo tipo de relação com alguém que se conhece há anos não era tão fácil de se lidar.

Eu vi o progresso do relacionamento de Kukai e Utau, e comigo e com Ikuto foi praticamente o mesmo. No começo, eu e ele parecíamos desconhecidos. Estávamos começando a ver outro lado de nós mesmos, um mais carinhoso e romântico. Mas, com um tempo, conseguimos misturar isso com o que já éramos antes.

As provocações de Ikuto continuaram, como já era de se esperar, mas ele também não deixava de tentar fazer de tudo para me ver feliz. A cada momento eu tinha mais certeza do quanto o amava.

Um ano antes, quando eu comecei a me preocupar com meus sentimentos, e também a desconfiar sobre o que havia entre meus melhores amigos, eu nem imaginava o quanto tudo ia mudar!

Eu me sentia realizada com Ikuto, e também vendo Utau e Kukai juntos. Nada podia ser melhor do que ter alguém com quem se pode dar todo o carinho e amor do mundo!

Uma vez disse a Ikuto que amor de verdade era algo que estava faltando nos casais atuais. Também disse que Utau e Kukai me davam esperanças para que eu encontrasse o que era o amor de verdade, e com Ikuto, pude provar que havia encontrado.

Eu aprendi a aceitar os meus sentimentos, e ajudei os meus amigos a fazerem o mesmo. Por mais que esse negócio de se estar apaixonado faça você parecer um idiota por ficar mais sensível e não parar de pensar na pessoa, é sim uma coisa boa, um sentimento lindo que muita gente de alguma maneira despreza.

Encarar os sentimentos nos faz encararmos a nós mesmo, e a encarar o que queremos. Eu quero que todos consigam encontrar o amor que meus amigos, Ikuto e eu encontramos. Eu sei que poder ser muito difícil que tudo dê certo, mas, se precisar de ajuda, já sabe não é?


Notas Finais


Espero que tenham gostado! Essa história é muito, mas muito mesmo, importante para mim. Estou escrevendo ela há um bom tempo, e tive a ideia faz anos, mas só consegui "colocá-la no papel" e postá-la esse ano. Eu me apeguei demais a ela, e já estou com saudades da enrolação do Kukai e da Utau, das provocações do Ikuto, e das loucuras da Amu ♥♥♥
Quero agradecer a todos que acompanharam a fic, e pedir para que comentem o que acharam do final e da fic toda em si. Muito obrigada mesmo!
*vai pro canto e chora porque a fic acabou*
*volta*
Não sei quando vai aparecer uma ideia para uma nova história, então... Até mais!
Bjsss


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