História Playing Favorites - Capítulo 34


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescência, Amizade, Amor, Colegial, Descoberta, Drama, Família, Incerteza, Inocencia, Meninos, Romance, Yaoi
Exibições 149
Palavras 1.260
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 34 - Capitulo 33.


- O que você faz aí sozinho? – perguntei, encontrando Caleb sentado na calçada, do lado de fora do nosso colégio.

- Esperando por você. – respondeu ele.

- Você não está mais chateado comigo? – perguntei. E ele balançou a cabeça dizendo que não.

- Aquilo foi besteira. Acho que fiquei com ciúmes.

- De mim? – perguntei.

- Não. Da barba que ele precisa fazer. – ele disse, e riu. Mas eu não achei graça alguma.

- Engraçado. – ironizei.

- Tenho uma coisa para te contar. O porquê eu fui até a sua casa ontem. Não foi só para me certificar de que você não havia feito outra besteira. - disse ele.

- Não faço besteiras o tempo todo. – me defendi, e ele voltou a rir, outra vez, sem que eu achasse graça.

- Tente se manter vivo. OK? – ele falou. – Suas ações deixam todos malucos.

- A maior besteira que eu fiz foi me apaixonar por você. – falei. Sem ter a intenção de ofendê-lo, era pra ter soado engraçado, mas ele abaixou a cabeça, como se estivesse concordando com o que eu havia dito.

- Hei. Eu estou brincando. – disse eu.

- Eu sei. Mas talvez isso tenha um fundo de verdade. – falou ele.

- O que você quer dizer? – indaguei.

- Quero dizer que, talvez isso tenha um fundo de verdade. – ele repetiu.

- Por quê? Olha, o Mark e eu estamos apenas... – comecei a me explicar, mas Caleb me interrompeu.

- Não tem a ver com esse tal de Mark. Tem a ver comigo, e você, e o que fomos.

- O que fomos? Porque você está falando no passado?

- É. Não que não seremos algo. – ele disse, com a língua enrolada. – Você sabe. Amigos. Amigos desde sempre.

- Amigos desde sempre? – indaguei. Não estava gostando do rumo daquela conversa. Ele estava acabando comigo.

- Meu tio me chamou para passar um tempo com ele. Ele disse que vai me ajudar a integrar a uma turma, num curso de designer, no instituto que ele trabalha em Londres. E eu vou poder terminar meus estudos lá. E vrrrrm... Direto para faculdade. Você sabe que eu adoro quadrinhos.

- Londres? – perguntei, ignorando todo o resto.

- É. Londres. – ele repetiu.

- Nossa isso é longe. Digo. Isso é bom! Parabéns. – Tentei me mostrar o mais empolgado possível. Mesmo que isso significasse que iriamos nos separar, e eu não poderia mais vê-lo com frequência. – Fique de pé para que eu lhe de um abraço. – Pedi e com muita preguiça ele se levantou, e eu o trouxe para um abraço apertado. E nesse momento, eu desejei pretensiosamente que pudesse ter o poder de convencê-lo a ficar. Que ele desistisse de tudo por minha causa. Mas é claro que não iria, nem deveria. Eu me sentiria horrível e feliz ao mesmo tempo, caso ele fizesse isso.

E me desculpe Caleb, se não pude ficar inteiramente feliz por essa sua conquista.

- O problema é que eu tenho que embarcar depressa. – disse ele.

- Ah. – falei, sem saber o que dizer de verdade. - Quando?

- Amanha. - respondeu ele.

- Ouh.

Pois é. Mas Hei. Tenho uma coisa pra você. – Disse ele, se afastando do abraço para pegar sua mochila no chão. Ele abriu o zíper, e tirou de dentro seu baralho.

- Já sei? – eu disse, ainda tentando parecer bem, e extremamente feliz por ele. – Quer que eu tire uma carta?

Caleb sorriu, e me estendeu o baralho. Retirei uma carta.

- Não me mostra. – disse ele. – Só coloca de volta.

- Você não tem outro truque? – eu perguntei, e ri sozinho. Porque ele permaneceu sério.

- Só coloca de volta. – ele pediu, e eu assim fiz.

Houve uma pause, e segundos que mais pareceram horas de silencio entre nós.

Depois ele disse:

- Me desculpe pelo que te falei outro dia. Não quero que ache que estou fazendo isso pra esquecer você, porque a gente não deu certo.

A gente não deu certo”. Essas palavras feriram profundamente minha alma. Acho que até agora sinto meu coração sangrar por ele ter pensado assim. Porque a gente deu. A gente deu supercerto.

Mas é claro que eu não discordei dele.

A forma diferente como ele me olhava, como se eu fosse alguém que ele estava disposto, não necessariamente a esquecer, mas deixar no passado junto a suas outras lembranças felizes e que passaram, fez-me de alguma forma, tentar convencê-lo que era exatamente nesse lugar, que eu estava disposto a encaixa-lo também.

- Sua carta. – disse ele. E assim que eu a segurei, os braços do Caleb subiram e envolveram a minha volta.

Era um abraço apertado, com gosto de adeus, e lágrimas que nenhum dos dois deixou cair. Pelo menos não ali.

- Tchau, Ian. – ele disse, como se eu não fosse vê-lo mais. Como se eu não fosse aparecer na casa dele só para olhá-lo mais uma vez, mesmo que essa visão significasse que ele estava me deixando.

Eu olhei para ele caminhando por aquela rua, não dei um passo. E ele desapareceu do meu campo de visão antes que eu pudesse gritar para ele que ele havia finalmente acertado a carta.

Um Valete de coração.

No dia seguinte ele partiu.

Não fui ao aeroporto nem nada, me despedi breve, e sem dizer uma palavra, em frente ao portão da casa dele, e todo o nosso momento foi ofuscado, porque a mãe dele não parava de chorar.

Comecei a sentir saudade dele, assim que ele entrou no táxi e eu soube que aquilo era verdade, estava acontecendo. Caleb me deu um último olhar enquanto o veiculo deslizava pela rua.

Dei um aceno breve, o assistindo acenar de volta e fazer uma careta contra o vidro da janela do táxi.

Sabia que se eu quisesse vê-lo essa noite, eu teria que fechar meus olhos e sonhar.

Depois dele, dentro do vazio onde ele me atirou, eu chequei os e-mails e minhas redes sociais todos os dias, mas Caleb parou de responder após as duas primeiras semanas.

- Ian. Você precisa comer. – a mamãe falou, depositando um prato assustador de aveia na minha frente.

- Dispenso. – disse eu, e empurrei o prato pela beirada.

- Você pode fazer outros amigos. – disse ela. E depois limpou o nó da sua garganta para continuar. – Conhecer outros rapazes.

Eu olhei para ela, com um olhar desprezível. Eu não acreditei que ela estava me dizendo aquilo. Como se Caleb fosse alguém facilmente substituível.

- Porque ele não me responde? – eu perguntei, e era uma pergunta para mim mesmo. Uma pergunta que só Caleb poderia responder.

- Talvez tenha ficado sem sinal, devido a alguma tempestade. – disse o papai.

- Ele está em Londres. Não no bairro vizinho. – falei, certo de que tempestades horríveis, e ventos fortes só acontecem na Carolina do Norte. Sei que estou errado. Mas o que pode haver de horrível com Londres?

- Não fique assim. Criatura. – o papai falou. – Quer ir com seu pai na plantação hoje? O Natal é semana que vem, podemos fazer as compras para a ceia. O que você acha?

- É. – concordei com a ideia. – Pode ser legal.

- Então levante sua bunda dessa cadeira, e coloque um casaco. Nem vai sentir falta daquele moleque ao lado do seu pai.

Papai estava tentando ser legal. Mas no fundo eu estava pensando o contrario. Seriam horas longas do meu dia. Mas uma boa oportunidade de escolher o que eu quisesse comer, e quem sabe, eu pelo menos ficaria livre dos preparos horríveis da mamãe, aqueles que ela acha sempre tão sofisticados. 



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