História Playing with fire - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Tags Camren, Fifth Harmony
Exibições 13
Palavras 3.921
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Bissexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oie =)
Eu sei, demorei para postar, mas eu estava sem paciência para escrever esses dias, pressão das provas e do colégio que inventou em fazer coisas logo no final do ano.
Bem, sem enrolação, boa leitura!

Capítulo 5 - Segura


Camila Cabello

Depois que Lauren foi embora lá por volta das quatro horas, fiquei repensando aquele momento no sofá. O que havia dado em mim? Eu deveria ter me afastado no primeiro instante, mas ao invés disso, me aconcheguei e gostei. Eu tinha gostado que ser abraçada por uma dominante, e depois tive a ousadia de fitá-la mesmo estando a centímetros do seu rosto.

Tento me repreender várias vezes, mas desisto no final, por que a verdade é que gosto da companhia de Lauren, ela consegue me acalmar e nunca se mostrou agressiva, pelo menos comigo por perto.

Também consigo ficar perto dela por quanto tempo quiser, seu cheiro me dá arrepios às vezes, no entanto, o arrepio é bom como se fosse uma deliciosa descarga elétrica percorrendo meu corpo.

Lá no fundo, eu deveria fugir, me afastar dela. Nunca mais conseguiria fazer isso, pois meu coração bateu diferente quando ela me abraçou, e meu corpo se aqueceu quando ela beijou o topo da minha testa, e minha loba meio que ronronou quando ela acariciou a minha cabeça.

-Não posso estar fazendo isso comigo mesma. -De repente as lágrimas vem.

Não consigo controlar o tornado de emoções que sinto. Medo de me machucar, ansiedade para vê-la de novo, angústia por pensar em ser traída, feliz em lembrar o tempo que passamos juntas. Nunca amei ninguém, tirando as pessoas que considerei e considero como a minha família. Mas uma vez, Dinah me contou me contou como é estar apaixonada:

Toda vez que ela surge, seu coração acelera e o corpo parece desejar para que ela te toque.

A única coisa que eu sabia sobre o amor era que o elo mais fraco sempre saía ferido, e eu sempre fui o elo mais fraco. Meu celular toca, me tirando dos pensamentos infelizes, é uma mensagem da Mani avisando para não me atrasar para o trabalho.

-Até parece meu pai. -Uma nova onda de tristeza me atinge.

Nunca conheci meu pai, minha mãe me contou que ele não aguentou a pressão de cuidar de dois filhos, já meu irmão disse que o nosso pai não me desejava. Teria voltado a chorar, mas a imagem de minhas três crianças me deram forças para erguer o rosto. Eu era tudo que eles tinham e ao mesmo tempo eles eram tudo que eu mais prezava na vida. Minha loba rosna como se falasse: Temos a Dinah, a Mani e a Lauren!

Não sei o motivo, mas sorrio como uma boba e me dou por vencida, enxugo as últimas lágrimas e começo a me preparar para ir trabalhar.

***

Como de costume, sai do hospital às três horas da manhã, ainda sem sono, demorei-me na floresta. O frio me deixou com as bochechas vermelhas, enrolei ainda mais o cachecol e continuei andando devagar. Durante o trabalho, várias vezes, me peguei pensando em Lauren, no modo como ela era compreensiva e paciente comigo.

De repente algo perfura a minha perna esquerda e eu grito de dor, olho para baixo e tapo a minha boca quando percebo que pisei em uma armadilha. Vejo minha calça se encher de sangue e começo a tremer, essa imagem vai me custar dias sem dormir.

Fico imóvel pois me mexer só piorará, olho em volta, o caçador que colocou isso não deve estar aqui a essa hora, mas de manhã ele virá ver o que conseguiu. Estou com medo de gritar e alguém vir e se aproveitar de mim, não posso admitir que parte de mim reza para que isso não seja obra dele. Barulho de uma única pessoa se aproximando me faz entrar em pânico.

Chamo pelas únicas pessoas que viriam me salvar: Dinah, Mani e Lauren. Segundos depois, um homem magro e com um cheiro ruim sai do meio da folhagem.

-O que achou da minha armadilha de prata? -Ele debocha me avaliando. -Você parece uma loba bem estranha...

A perna começa a arder por causa da prata, escondo a dor para não o deixar muito confiante.

-Que se dane as aparências, você vale dinheiro. -O homem ergue uma arma e aponta na minha direção.

Tento recuar, mas a dor me faz cair de bunda no chão, meus olhos se embaçam e a minha tentativa de parecer durona vai de água abaixo. Já havia levado um tiro de prata, na verdade, mais de um, e posso dizer que foi uma experiência horrível.

Ele prepara a arma e começa a rir, dizendo o quão fraca e inútil eu sou, mas já sei de tudo isso sem que ele diga. Fecho os olhos e peço proteção de Amaterasu, um instante depois o homem cai duro com o pescoço completamente torto. Arregalo os olhos e vejo Lauren surgir por trás do caçador, seus olhos me assustam pois vejo a violência neles. Volto a tremer e começo a encarar o chão, temendo o que essa Lauren possa fazer comigo.

Fecho os olhos com força até que sinto que a pressão da minha perna já não existe mais. Lauren desarmou a armadilha, a quebrando sem muito esforço. Tento encará-la, mas seus olhos me assustam, me mantendo afastada. Com uma mão, Lauren tenta acariciar minha bochecha, mas eu desvio aterrorizada.

-Camila? -Sinto que Lauren está voltando ao normal. -O que foi?

Nego sem olhá-la.

-Me deixe levá-la para sua casa. -Diz já se preparando para me pegar no colo.

-Por favor, não! -A fito assustada.

Ela para sem saber o que fazer, meus olhos vão de seu rosto até suas mãos, me encolho.

-Você está me assustando. -Digo a verdade.

Isso a afetou mais do que imaginava, Lauren pisca duas vezes e recolhe as mãos, sorri sem jeito e respira fundo, acalmando a sua parte mais sombria.

-Melhor agora? -Seus olhos não me assustam mais.

Assinto e ela se aproxima, me ajudando a levantar, fico sem apoiar a perna esquerda, mas isso não pareceu incomodá-la.

-Você precisa de cuidados. -Afirma.

-Estou bem. -Desvio o olhar. -Logo vai curar.

Lauren não me soltou ainda, seus olhos devem estar me observando atentamente.

-Olhe para mim. -Obedeço. -Sabe o quanto fiquei preocupada quando a ouvir me chamar daquele jeito?

-Eu sinto muito. -Começo a abaixar a cabeça, mas paro no meio do caminho e a ergo de novo. -E obrigada por ter vindo me salvar.

-O que eu quis dizer é que não vou deixar você sozinha, vou passar a noite com você. -Isso era decididamente uma ordem.

-Mas eu posso me cuidar sozinha, Lauren. -Comento sem jeito e envergonhada.

-De jeito nenhum. -Ela me pega no colo tão rápido que fico sem reação. -Vamos para a sua casa e lá cuidaremos dessa perna.

Já que não tenho mais escolhas, assinto devagar e me permito relaxar com seu cheiro. Era tão bom me sentir segura.

***

Além de uma cozinheira profissional, Lauren se mostrou bem habilidosa para fazer curativos. Conseguimos achar um remédio usado para acidentes com prata e apenas enfaixamos por que ele podia manchar qualquer tecido.

-Bom dia, Camila. -Ela está encostada no batente da porta.

Há quanto tempo ela deve estar me observando? Coro sentindo as bochechas esquentarem.

-Está se sentindo melhor? -Só agora percebo que ela está carregando uma bandeja com o meu café da manhã.

-B-Bom dia. -Mordo o lábio inferior tentando dissolver o nervosismo. -Estou bem, obrigada.

Lauren se senta ao meu lado e coloca a bandeja no me colo, seu olhar diz que devo comer tudo. Engulo em seco e começo pelos biscoitos, depois tomo um pouco de leite quente e por fim como um pequeno sanduíche.

Durante esse tempo, permanecemos caladas, eu com medo demais para falar qualquer palavra e Lauren ocupada demais me observando com um sorriso gentil.

-Obrigada, estava ótimo. -Coloca as mãos em cima da perna e abaixo a cabeça.

Seus dedos erguem meu rosto o virando em direção aos seus olhos.

-Não abaixe a cabeça, Camila. -Seus olhos verdes me paralisam por um instante e meu coração dá um salto no peito.

Por que agora ela tinha que me afetar tanto assim?

-Avisei a Normani de que você não irá ao trabalho hoje. -Afirma.

-Mas... -Sua mão aperta meu queixo com um pouco mais de força.

-Isso não é uma sugestão, Camila. -Seu tom é assustador.

-Desculpe. -Me encolho e desvio o olhar.

Mas sua mão me faz encará-la de volta, prendo a respiração sentindo meu corpo começar a tremer.

-Não vou te machucar. -Suspira, aliviando a pressão em meu queixo. -Mas você precisa saber que me preocupo com você, e a saúde não é brincadeira.

-Mas eu não posso simplesmente faltar! -Explico, aflita.

-Então me explique o motivo, Camila. -Agora ela está com raiva.

Minha loba me trai se escondendo na parte mais escura da minha mente, segura a minha mão esquerda impedindo que elas tremam mais ainda. Abro a boca para me defender, mas o que acabo falando não estava planejado.

-Eu sinto muito, por favor me desculpa... -Fico negando com a cabeça. -Eu nunca mais vou te desobedecer ou te confrontar, prometo.

Lauren arregala os olhos, estou tremendo incontrolavelmente, mas seguro as lágrimas, chorar só piora a situação. Então percebo o que fiz, estava com medo de Lauren, muito medo.

-Camila... -Primeiro me chama suavemente. -Já disse que nunca a machucaria.

Então eu explodo começando a dizer tudo que tenho em mente, e mesmo aterrorizada preciso desabafar.

-Como você quer que eu confie em você? Que acredite nas palavras de uma loba? Eu sou fraca! Eu tenho medo, e agora mesmo eu estava rezando para que você não me machucasse! -Começo a chorar sei que não é de tristeza, mas sim de raiva. -Por que você tinha de bagunçar tudo? Entrar na minha vida e começar a desestruturar o meu mundo?

Lauren fica calada, mas seus olhos indicam que está completamente confusa... continuo antes que perca a coragem.

-Não era a pessoa mais feliz do mundo, mas eu vivia do meu jeitinho sem ter medo de ninguém, com duas amigas que me deixam ter os meus segredos do passado sem ficarem me fazendo milhares de perguntas que possam me fazer ter pesadelos com ele... com meu irmão. -Minhas mãos começam a doer de tanto que eu as aperto. -Eu sou sozinha? SOU! E daí? Eu gosto dos humanos? Gosto e sabe por que? Porque eles não tem força para me machucar, mas os lobos tem!

-Eu sinto muito. -Ela se levanta sem tirar os olhos de mim. -Não vou mais te incomodar, Camila.

Dito isso, Lauren sai do meu quarto e quando ouço a porta da frente sendo fechada, começo a chorar mais ainda. Tudo que eu lhe havia dito era verdade, então por que parecia que tinha cometido um erro?

***

Dinah passou a tarde comigo, mas não contei a ela sobre o ocorrido mais cedo, porque ela com certeza diria que eu gostava da Lauren, e infelizmente, estava começando a achar que era verdade.

-Vou, Dinah. -Consigo sorrir levemente. -Obrigada por tudo.

Ela acena meio desconfiada e sai, fechando a porta atrás de si, me afundo no sofá e deixo os sons da televisão me desligarem do mundo real.

Um grito agudo me faz pular e procurar o controle desesperadamente, desligo a televisão e respiro fundo. Por que eu sentia que algo estava faltando? Sempre morei sozinha depois que fugi dele, então por que agora a casa parecia tão vazia?

-Isso não é amor! -Amasso uma almofada contra o peito. -É só no começo, depois vai passar.

Repito isso em minha mente e me levanto, minha perna ainda estava dolorida, mas nada que me impedisse de andar. Coloco um casaco e pego meu celular, enfio no bolso do casaco e saio de casa.

Já está bem frio, e sinto a falta do seu calor, balanço a cabeça e me concentro nas minhas crianças. Prometi que as veria hoje, por isso entro na floresta usando o caminho mais fácil para chagar na cidade. O caminho não é longo, mas hoje eu estava um pouco mais lerda graças a minha perna esquerda. E confesso que foi estranho andar bem devagar enquanto minha mente parecia estar bem longe.

Me lembro perfeitamente do dia que conheci Lauren, havia acabado de ser aceita na alcateia, uma pequena festa de boas vindas foi feita pela Dinah. Ela que me apresentou todas as pessoas da alcateia, exceto uma loba que não estava presente por ter outro compromisso.

Infelizmente, eu a encontrei quando estava indo para minha nova casa, não preciso dizer que petrifiquei quando seus olhos eram uma imensidão sem fim, me encolhi e tentei respirar fundo.

-Bem vinda, Camila. -Isso foi tudo o que ela disse antes de sorrir e passar por mim.

Finalmente chego a cidade, meu peito arde do esforço de quase carregar todo o meu corpo com apenas uma perna. Ergo o rosto para manter o equilíbrio e me dirijo ao bairro mais pacífico que existe na cidade, chego a uma pequena casa azul clara e toco a campainha.

Christian corre para me abraçar e me beija na bochecha, sorrio me sentindo bem mais à vontade e calma, mas não segura, minha loba me lembra. Talvez fosse isso que estava faltando, aquela segurança que Lauren me proporcionava.

-Você está bem? -Pergunta assim que entramos.

Como sempre, o aconchegante cheiro de uma família me faz relaxar.

-Muito bem. -Me sento em uma cadeira que há na cozinha. -Desculpe por ter vindo a essa hora.

-Não se preocupe, os meninos ainda não foram dormir. -Christian parece ler os meus pensamentos. -Só estão tomando um banho.

Banho me lembra se arrumar, e isso me lembra encontros.

-Aliás, você tem um encontro amanhã, certo? -Estou muito curiosa.

-Sim. -Ele cora e se senta ao meu lado.

-Como ela é? -Me sinto empolgada.

-Ela é linda, e tem um sorriso de arrasar. -Ele se exalta esquecendo a vergonha. -Ela faz eu me sentir bem, sabe? Ela não liga de eu morar apenas com meus irmãos, eu até falei sobre você e ela disse que gostaria muito de conhecer a pessoa maravilhosa que salvou três crianças.

Uma parte do vazio havia sido preenchida, ouço pessoas descendo as escadas e logo Sofia e Jered estão em meu colo, cada um em uma coxa. Eles riem e começam a me contar como foi a escola, gesticulam com as mãos e fazem efeitos sonoros com a boca, caio na risada quando Jered conta como foi dar o primeiro beijo na bochecha de uma garota. Horas depois, estamos na sala e os menores já dormiram no meu colo.

-Você poderia morar com a gente, Mila. -Christian olha nos meus olhos, pedindo por um sim.

Não posso lhe contar a verdade, dizer que sou diferente dele, que minha espécie vive depois da floresta num lugar chamado alcateia. Como não respondo, Christian muda de assunto.

-E aquela garota, a tal Lauren? -Ele ainda está me encarando, mas dessa vez, a curiosidade e evidente.

-Ela é só minha amiga. -Minto, pois agora somos apenas dominante e submissa distantes.

-Não vem com essa! -Faz um bico e cruza os braços. -Te contei sobre a garota que eu vou sair então tenho o direito de saber sobre a garota que está a fim de você.

-Lauren afim de mim? -Eu teria rido se não doesse tanto. -Nunca!

-Mila, eu vi o jeito que ela te admirou enquanto brincava com meus irmãos, e também vi como ela ficou doida quando descobriu que alguém já tinha te machucado. -Explica. -Ela é gamada em você, sério.

Escutar isso do meu quase filho fez meu coração se apertar, seria possível uma loba tão confiante gostar de uma fraca como eu?

-Você acha mesmo?

-Você gosta dela. -Afirma com um pouco de tristeza.

-Acho que sim, é complicado. -Isso resume o nosso relacionamento.

É estranho conversar com um adolescente sobre a garota que você possivelmente gosta.

-Bom, ela está completamente na sua. -Demoro um pouco para entender a gíria. -Tenho ciúmes, mas acho que poderia suportar uma garota que se importa de verdade com você.

-E você acha que ela se importa? -Porque estou alimentando esperanças?

-Se eu acho? -Ele ergue uma sobrancelha. -Eu tenho certeza, depois de ver como ela te olhava e ver como ela reagiu ao saber que você já sofreu muito... eu estou mais do que certo que ela se preocupa com você, e que ela quer mais do que apenas uma ficada de um dia.

Não sei porque, mas eu me levanto, atordoada e louca por respostas, me despeço de Christian meio sem jeito e saio apressada de volta para a alcateia.

***

Devo ter pirado de vez, eu estava prestes a bater na porta da garota que briguei esta manhã. Mal consigo respirar, todo o meu corpo me traiu, já estou tremendo de tão ansiosa. Fecho meus olhos para recobrar a paz, mas ao invés disso uma lembrança volta a minha mente:

Era meu primeiro encontro depois que escapei das garras do meu irmão, já estava há anos sem me relacionar com nenhum homem, então decidi dar uma chance ao meu amigo humano.

Isso nunca daria para um futuro, é claro, mas não estava pensando no futuro mesmo. Era só um jeito de acalmar um pouco a minha loba que ansiava por ser agradada.

Kyle era o nome dele, seu cabelo era escuro e seus olhos de um azul marcante, era um pouco maior do que eu e tinha um sorriso brilhante como daquelas propagandas de pasta de dente.

Ele era um cara engraçado e muito bonito, mas totalmente inexperiente, o que facilitou as coisas para mim. Foi muito mais fácil me acostumar com a sua presença e deixar as coisas fluírem.

Até que depois de dois anos de namoro, ele me pediu em casamento e eu surtei. Me casar significa estar presa, sufocada e submissa. Nunca mais o vi depois daquele dia pois eu me mudei, trocando número de celular e até de nome por um tempo, depois voltei ao original.

Moral da história, não fui feita para relacionamentos, mas talvez com a Lauren. Abro os olhos e bato de leve na porta, passos me fazem entrar em pânico. Lauren abre a porta, ela está com um short jeans curto e uma blusa grande que parece mais um vestido florido, tirando a minha fala por um minuto inteiro.

-Camila? -Ela está realmente surpresa. -O que houve? Você está bem? -E já se preocupa de novo.

-E-Eu estou bem. -Consigo voltar a respirar. -Eu só passei aqui para...

Por que as palavras não saíam? Depois de ensaiar tanto antes de bater na porta!

-Quer entrar? -Pergunta com cuidado. -Está muito frio para você ficar aí fora.

-Tudo bem. -Assinto e a acompanho para dentro.

Sua casa é arrumada demais para uma loba dominante, meus olhos avaliam o lugar, é tudo muito organizado e cheiroso sim, o cheiro dela esta por toda parte. Meu coração se acelera quando sua mão encosta em minhas costas me empurrando até a sala.

-Podemos conversar aqui. -Ela se senta e eu a acompanho. -Então, o que queria falar comigo?

Respiro fundo, encontrando a coragem que estava no baú... desde sempre.

-Tudo que eu disse hoje cedo era verdade... -Começo e ela já me interrompe.

-Camila, se veio me fazer lembrar que devo me afastar de você... -Mas eu a interrompo também.

-Mas aquilo era como eu me sentia no começo. -Ela me encara confuso. -Eu ainda sou fraca e realmente você bagunça a minha vida, mas você me deu algo que eu não tinha há anos... nem me lembrava mais como era dormir uma noite inteira sem pesadelos.

-O que você está dizen...

-Shhh... me deixa terminar. -Peço envergonhada. -Depois de ontem à noite, eu percebi que você me acalma porque me dá segurança, e a verdade é que confio em você, eu sempre confiei, só não entendia o motivo. -Afirmo mordendo o lábio inferior. -Mas agora eu sei o porque...

O silêncio nos mata, Lauren abre e fecha a boca pensando se deve falar ou não.

-É porque, desde o começo, você me tratou como se eu fosse uma loba normal, mas ao mesmo tempo você se preocupou com as minhas fraquezas ao invés de usá-las contra mim. -Afirmo sabendo que preciso que ela diga algo em resposta.

Mais uma vez o silêncio, mas dessa vez nossos olhares não se desviam, meu coração continua martelando contra o peito, Lauren se aproxima de mim e acaricia a minha bochecha.

-Sua perna melhorou. -Era isso o que ela tinha para dizer?

-Sim. -Respondo ao desviar o olhar.

Então suas mãos seguram o meu rosto e tudo que sinto em seguida são seus lábios em cima dos meus, os amassando possessivamente. Fecho os olhos, me concentrando em acompanhar o ritmo e, milagrosamente, logo me acostumo ao movimento de seus lábios e de sua língua explorando minha boca.

Solto um gemido rouco quando ela me coloca em seu colo, nossos corpos estão colados e não quero me afastar, pelo contrário, só quero me grudar mais a ela. Lauren rosna baixinho antes de iniciar mais um beijo, já encontramos um ritmo nosso.

E depois de anos esqueço que já tive medo de dominantes, esqueço que Lauren é a segunda em comando, esqueço que a irmã dela vai me odiar eternamente, esqueço o latejar da minha perna e esqueço que amanhã posso ser descartada.

Mal percebo que minha mão foi parar no seu cabelo, é macio e sinto uma necessidade tremenda de puxá-lo, mas controlo a minha loba e sinto sua boca se desgrudar da minha. Fico parada ainda com as mãos em seu cabelo e agora com as nossas testas encostadas, ambas respiramos tentando recuperar um pouco de ar. Ainda de olhos fechados, sinto que suas mãos continuam em minha cintura me apertando o suficiente para que eu não escape.

Se fosse antigamente eu com certeza teria fugido, na verdade, a Lauren nem teria conseguido me beijar pois estaria surtando com a ideia. Então por que agora a minha reação era tão diferente? Deveria estar em pânico por estar na casa de uma dominante e sentada no colo dela, me lembrar desse segundo fato me faz corar.

Lauren não diz nada nem eu, ela deve estar organizando a mente como eu estou fazendo agora, ou pelo menos tentando. Penso em abrir os olhos, mas logo desisto, ainda não tenho coragem de encará-la.

Só que dessa vez não era medo, era um sentimento confuso que nunca senti antes, todo o meu corpo parecia leve e tranquilo, já a minha mente estava trabalhando a mil tentando desvendar esse mistério que era Lauren Jauregui.

Meu coração dá um pulo quando Lauren começa a se mexer, meu coração dá outro pulo quando suas mãos sobem até as minhas costas, e então meu coração não para de martelar contra o peito quando Lauren começa a nos deitar.

Finalmente abro os olhos e sentindo que ela está no meio das minhas pernas, começo a ficar ansiosa, sinto um arrepio percorrer todo meu corpo e se instalar na minha parte mais íntima. O que está acontecendo comigo?

-Sei que deveríamos conversar primeiro. -Uma de suas mãos toca na minha bochecha depois em meus lábios, e só consigo ficar paralisada. -Mas podemos fazer isso depois, certo? -Lauren sorri de um jeito tão sexy.

Ela não espera que eu responda, porque de algum modo sabe que não tenho respostas. Então sua boca se apodera gentilmente da minha novamente e concluo que é perda de tempo tentar compreender o que meu corpo e mente estão querendo me dizer. Apenas deixo a situação fluir pois quando estou com Lauren, me sinto segura.


Notas Finais


Desculpem qualquer erro!


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