História Please, Die! - Capítulo 4


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Categorias Harry Potter
Personagens Harry Potter, Hermione Granger, Lord Voldemort, Ronald Weasley, Rose Weasley, Scorpius Malfoy, Tom Riddle Jr.
Tags Drama, Harry Potter, Malfoy, Mistério, Riddle, Romance, Rose, Scorpius, Tom, Weasley
Exibições 50
Palavras 2.175
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Baile


POV Rose

Essa foi a última semana para a preparação do baile, ou seja, arranjar vestido e pares. Ninguém me convidou, mas eu finjo que estou bem e ignoro as conversas sobre o baile. Muito triste, recebi o vestido que minha mãe me mandou. É de fato lindo, a cor escura e os sapatos de salto pretos. Eu não entendo nada de moda, porém me apaixonei pelo que ela mandou. Passei os dedos pelo tecido macio, que jamais sentiria de outra forma. Eu não tenho acompanhante e não quero ouvir as piadas que Scorpius fará a respeito.

Saio do dormitório com uma preguiça notável. Murta está toda amuada comigo, pois descobriu que passei tantas tardes na companhia do desprezível Hunter. Criei uma enorme antipatia com ele, quase tão grande a aversão que tenho por Riddle. Meus sonhos agora são recheados dos dois: Riddle sempre me matando, Hunter me salvando e depois matando. Nessas ocasiões eu simplesmente não consigo mais adormecer e fico rabiscando um caderno trouxa que insisti em trazer.

O final do ano se aproxima em uma calmaria inesperada. As mortes não se repetiram e minha mãe já avisa que meus primos e meu irmão logo voltarão. Porém acho isso uma idiotice, já que o Natal está quase chegando. Então meu período de relativamente um pouco de paz acabou, com a minha família de volta as críticas só vão piorar. Passo pelo Salão Principal e logo me decepciono. Apesar das mesas estarem lá, a decoração do baile está começando a ser colocada. Fugi de cabeça baixa.

Vou me esgueirando pelo corredor, tentando passar despercebida até chegar no banheiro. Quando alcancei, um pouco sem fôlego, o banheiro, dei um grito altíssimo. O banheiro estava inundado de sangue e Isabela Grace estava no chão, o corpo aberto e a carne rasgada. Murta não estava lá. Gritei por ela enquanto lágrimas de pânico escaparam dos meus olhos. Que merda, será que ninguém vai me resgatar dessa cena de filme de terror? Aproximo-me relutante. A ajuda está chegando, penso em pânico.

Os cabelos loiros estão espalhados sob uma imensa poça de sangue, suas pontas totalmente mergulhadas. Seus olhos abertos estão úmidos e com um vazio. Sua boca está aberta, como em um grito interrompido. Seu uniforme rasgado, no padrão de seus ferimentos. Como se garras a tivessem rasgado. Em suas mãos, uma corrente prata brilha, com uma cobra em sua ponta. Olhei para a porta. Tudo deserto. Lentamente estendo minha mão até a corrente gelada. Tão linda. Brilhando. Sem uma gota de sangue.

Um impulso poderoso toma conta de mim. Por que deixar artefato tão esplêndido ao lado de um cadáver ainda quente? Quase como possuída, fecho a mão em volta da corrente. Volto correndo para porta e torno a gritar, gritar e gritar! Até alguém aparecer. E mesmo quando o corredor fica cheio de alunos, os professores chegam e Hunter começa a me encarar, permaneço com a corrente entre os dedos.

A morte de Isabela gerou um pânico que eu nunca vi. Pessoas gritaram e desmaiaram, a enfermaria ficou lotada. Parecia que todos se faziam uma única pergunta. Se até Isabela Grace, rica, bonita e popular foi atacada, quem estaria a salvo? Em uma semana normal, o castelo estaria vazio agora. Porém as pessoas decidiram permanecer até depois do baile. Isso não faz nenhum sentido, diga-se de passagem. Adolescentes e seus hormônios. E eu? Estou mergulhada em um lago profundo, tentando desesperadamente chegar a superfície. É como nos meus sonhos.

Estou naquela sala imensa, cheia de retratos que conversam sobre o motivo de eu estar ali. Hogwarts sob ataque. Uns parecem ofendidos com isso, como se a honra de Hogwarts estivesse sendo manchada. Outros preocupados. E um retrato em particular não esboça reação alguma, observa tudo com ar de tédio e depois desaparece, murmurando algo como Black. Olho discretamente para o retrato de Dumbledore. Meus pais o conheceram e dizem que ele foi o maior bruxo de todos os tempos. Que era bondoso e sábio. Ele me observa com uma expressão fria. Como se soubesse que a corrente que agora carrego no bolso não é minha e que ela é perigosa. Toco-a. Gosto dela. Vou mentir e ficar com ela.

O diretor Longbottom chega com um sorriso que não se estende aos olhos. Conheço-o desde sempre. Amigo íntimo da família. Mesmo assim não sorrio, era sempre ele que nas festas de final de ano comentava sobre meu péssimo desempenho escolar. Apodreça no inferno, diz uma voz ávida dentro de mim. É minha consciência e tenho que concordar com ela. Ele se senta e cruza as mãos, com ar preocupado. Reviro os olhos.

— Rose. — Diz ele com um falso carinho na voz. Preferia que ele me chamasse de senhorita. E que não tivesse essa voz tão irritante. —Me conte como descobriu aquela cena horrível no banheiro. — Todos os retratos fazem silêncio. Sorte minha ele ter demorado tanto para aparecer, o que facilitou minha ideia de inventar uma história convivente.

— Achei ter ouvido alguém gritar. — Comecei com uma voz fraca, como se estivesse assustada. — Pensei que poderia ser o fantasma do banheiro. — Não quero parecer íntima da Murta. — Quando cheguei lá vi Isabela e comecei a gritar. Ninguém apareceu. Eu me aproximei um pouco. — Encolhi os ombros, para parecer frágil. — Vi os cortes e voltei a gritar. Aí todo mundo veio.

Ele me olhou com uma expressão de pena, verdadeira. Em voz baixa disse que estava tudo bem e que eu poderia ir embora. Agradeci e sai da sua sala. Praticamente voei pelos corredores até chegar ao meu dormitório. Ao chegar lá peguei o primeiro espelho e olhei fixamente o meu reflexo. Nenhuma palidez. Nenhum vestígio de lágrimas. Quando você se tornou tão dissimulada e baixa, Rose Weasley? Indagou minha consciência. Não a respondi.

O baile é amanhã. Faz dois dias que Isabela morreu. Vi de relance os pais dela. Vi o rosto choroso de Martha. Fui tomada por um acesso de lágrimas e sem nenhum banheiro para me acolher, chorei na sala mesmo. Todos me olharam como se eu estivesse chorando por ter visto a cena deplorável no banheiro. E talvez fosse isso mesmo. Mas simplesmente não sei pelo que chorei.

Mesmo com a atmosfera ainda tensa pela morte recente, as pessoas parecem mais animadas por causa do baile. O baile ia ser cancelado, se não fosse o protesto ardente dos alunos. Os professores ficaram horrorizados, consideraram um tremendo desrespeito com a memória de Isabela, mas por fim o diretor decidiu que haveria um baile e Hogwarts fecharia antecipadamente, teríamos férias estendidas. E eu ainda não tive notícias da Murta. Tudo isso e mais o baile próximo está me enlouquecendo. Recebi outro berrador. Minha mãe está exigindo que eu volte para casa. Isso agradou muito a Scorpius, que conseguiu ótimas piadas após o acesso de raiva da minha mãe. Eu chorei como nunca. Eu encontrei um cadáver e tudo que ela pode fazer é me criticar?

Meu único consolo é a corrente prata que reluz alegremente dentro do meu baú, no meu quarto. Estranhamente quando eu a toco lembro de Riddle. Lembro de Hunter e que nenhuma lágrima por Isabela escorreu por seu rosto belo.

O baile de Hogwarts é bem formal. Vestidos longos. Trajes completos. Mesmo assim, o vestido que minha mãe me mandou parece ter algo errado. Sabendo que poderia levar até uma advertência, corto o vestido, dizendo adeus a formalidade. Só estou indo ao baile porque não quero ser a única pessoa a não aparecer. E talvez, apesar das piadinhas do Malfoy, eu talvez consiga parar de me preocupar por um segundo. Não vi mais Murta. A imagem do corpo de Isabela não sai da minha cabeça. Coloco meus sapatos de salto. Faço uma maquiagem bonitinha. Pego um bolsa discreta. Uso de poções para o cabelo ficar brilhante e formar uma cascata de ondas. É a primeira vez que me olho no espelho e me sinto bonita. Pode ser um bom baile, diz minha consciência, sendo positiva uma única vez na vida. Respiro fundo. Não adianta nada ficar aqui e lamentar por Isabela. Não adianta ficar aqui e desejar que o banheiro não esteja interditado. Não adianta ficar aqui balançando a corrente minúscula nas mãos, como se ela pudesse fazer tudo mudar. Não há como fazer os segundos passarem mais vagarosamente. Então abro a porta e começo a caminhar em direção ao baile.

Ao chegar ao salão todo decorado em prata e preto me arrependo consideravelmente do corte no vestido. As garotas usam vestidos longos e elegantes. Encolho-me. Porém, Scorpius me olha quando eu entro. Não é expressão atual de desdém e nojo. É algo entre surpresa e certa admiração. Acho que estou enlouquecendo. Abaixo a cabeça e passo longe dele e seu lindo par. Tento não parecer muito incomodada. Mas eu estou. Estou sozinha aqui. E estou com um vestido curto. É como se eu fosse um recorte inserido em uma cena que já está completa.

Tento dissipar minha tensão com cerveja amanteigada. Por Merlin, eu nunca vou cansar desse gosto! Enquanto bebo nem percebo que minha cabeça se move no ritmo da música e ataco os pratos salgados da festa. Então vem a parte divertida: ver quem está aqui e como está. Vejo Anabeth, aluna do quinto ano, dançando com Timmy. Eles fazem um par estranho, ela tão alta e ele tão baixinho. Ela dança mal e ele se move com exatidão. É uma cena desconcertante no final. A acompanhante do Malfoy, cujo o nome eu não sei, é linda, loira e está deslumbrante. Mesmo assim ele me olha com certa frequência. Ruborizo e continuo bebericando a cerveja.

Procuro Hunter. Mas por que ele estaria aqui? A namorada dele morreu. Os professores tentaram tanto cancelar o baile, já que é muito inapropriado depois de uma morte. Mas os alunos fizeram protestos, dizendo que é Hogwarts precisa para o astral melhorar, a despida definitiva já que não haveria um último banquete. Mentira feia essa, replica minha consciência. Ignoro como sempre e acabo aceitando o pedido de um menino que nunca vi, mas é bonitinho, para dançar. Ele dança bem, mas sua conversa é insuportável. Depois de duas músicas disfarço e fujo dele.

Acabo indo parar na mesa de doces. Tão pequenininhos e maravilhosos. Pego um que tem o leão da Grifinória. Seu sabor é magnífico. Até que não está tão ruim. Não ouvi uma piada de Scorpius e até dancei com alguém. É, ponto para Rose Weasley!

Saio do baile um pouco tonta. Sinto-me tão vazia. Achei que ir ao baile mudaria meu humor. Mas não. Pois ainda vejo as amigas de Isabela chorando enquanto passo e vejo o lugar vago que ela deixa nas aulas. Odeio me sentir assim, gostaria que Murta me ajudasse. Então desvio o meu caminho do dormitório e vou para o banheiro. Uma grande placa está pregada, proibindo qualquer aluno de entrar. Ignoro o aviso e respiro fundo, esperando que não aja feitiços de alarme. Entro e vejo que tudo está limpo, não há sangue.

— Murta? — Pergunto com voz fraca e temerosa. Ela me acusará de sumir. E ela ainda vai poder me contar sobre o assassinato e aonde estava na hora. Talvez no banheiro dos monitores.

Porém, a forma fantasmagórica que surge não é a minha amiga. Sem óculos, o cabelo solto, o corpo reluzindo de forma assustadora. É Isabela Grace que me encara, com os olhos arregalados e com a boca aberta da mesma maneira que quando a encontrei. Observo enquanto sua voz aguda é projetada com grande potência. Ela grita desesperada. Um grito que pode até chamar a atenção de quem está no baile. É um grito de horror, medo. Então me viro, procurando outro invasor, alguma coisa assustadora. Mas não. Só eu e ela nesse banheiro.

— O que está acontecendo aqui?! — A voz do inspetor me tirou da escuridão que eu mergulhei desde que Isabela gritou. É como nos meus sonhos, é como me sinto após mergulhar no lago. Meus olhos estão cheios de lágrimas. E os alunos já estão no corredor. É como ser pega em flagrante na cena de um crime. Uma sensação quente de vergonha e medo se espalha pelo meu corpo.

Vejo então o diretor abrindo caminho. Meu estômago se apavora e minha consciência emudece. A primeira lágrima escorre.

– É ELA! — Tornou a se pronunciar a fantasma de Isabela. — ELA É A PESSOA QUE ME MATOU!

O engraçado é que ouço os gritos que se seguem em segundo plano. Vejo o diretor me puxar pelo braço como em um filme. Vejo os alunos abrindo caminho e me olhando chocados. Não tenho voz para protestar. Estou mergulhando no lago, como Riddle sempre me pede. É como uma nuvem espessa. Estou entorpecida, meus sentidos largados ainda no banheiro. Sei que vou desmaiar quando sou levada a sala mais próxima. Ainda vejo tudo nublado. Até ver em que sala estou. A sala do pior monitor em Hogwarts.

Finalmente, uma onda de calor percorre meu corpo e acordo do meu torpor. E só então percebo que estou muito, muito encrencada.



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