História Point of Retreat (Yoonmin) - Capítulo 49


Escrita por: ~

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Categorias 24K, 2NE1, Bangtan Boys (BTS), Big Bang, Black Pink, EXO, Got7, Monsta X, Neo Culture Technology (NCT), WINNER
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Cl, Cory, G-Dragon, Hongseob, Jackson, Jaehyun, JB, J-hope, Jimin, Jin, Jinyoung, Jungkook, Kai, Lay, Lisa, Mark, Min Hyuk, Mino, Rap Monster, Sehun, Suga, Suho, SungOh, T.O.P, V, Youngjae, Yugyeom
Tags 24k, 2jae, Bangtan, Bigbang, Blackpink, Bts, Exo, Fanfic, Got7, Markson, Memory Forward, Romance, Suspense, Winner, Yaoi, Yoonmin
Visualizações 34
Palavras 4.419
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Ficção, Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


E cá estou eu, de volta com um cap. para vocês. Esclarecedor, mas esclarecedor muito sutilmente. Ahsuahasuhsa.

Comeback do Monsta X me deu inspiração.

E adivinha quem alucinou ouvindo Divina Commedia? >stan do gdragão aqui<

Enfim, tá aí o cap. de vocês, depois de um milênio.

Boa leitura.

Capítulo 49 - Twenty-eight


Uma semana inteira se passou desde nosso curto período em Vegas.

Jimin e eu conhecemos alguns dos casinos mais famosos, entre eles o El Dorado, uma construção derrubada há alguns anos pela polícia, algo sobre alguma máfia e coisas do tipo, e outro chamado Cloud9. O último fora fechado, mas reabriu um ano e alguns meses depois, reformado e sob uma nova direção, claro.

Em uma das últimas noites, Tae me chamou para outra festa.

Eu nunca ingeri drogas, mas estavam oferecendo em bandejas naquela, então decidi experimentar. Era uma coisinha bonitinha, em formato de estrelinha azul, e bastante parecida com algumas balas que eles vendem no Japão. Só deixam você usar uma por vez, o que é bastante irônico, já que os “garçons” passavam de um lado para o outro com coquetéis em bandejas.

No dia seguinte, acordei no chão do quarto de Taehyung com sangue seco manchando meu rosto e entendi porque não dá para abusar de Stellar: não é difícil ter uma overdose.

Tanto ele quanto eu decidimos que uma vez é o bastante.

Agora estamos em San Francisco. Tae está na mesma praia que Jimin e eu, aconchegado, a alguns metros de distância, sobre uma toalha de banho esticada sobre a areia. Ele está mais bronzeado, por ter chegado antes e tomado mais Sol.

Não notei sua presença até levantar para comprar sorvete, quando ele me seguiu com um sorriso divertido nos lábios. Jimin veio até nós alguns segundos depois, comentando sobre ter esquecido seu protetor solar no carro e estar com preguiça de buscar. Então Tae virou-se para ele e disse “pega o meu”.

Eu ri enquanto Jimin se cobria com o líquido branco, esfregando sobre a pele até ela estar reluzindo sob o Sol. Ele nem percebeu que Tae e eu já nos conhecíamos. Na verdade, ele não prestou muita atenção, estava focado em sorrir para mim como um bobo e comentar sobre essas serem as melhores férias em nossa vida juntos.

Assenti, me inclinando para beijá-lo, antes de pegar nossos sorvetes. Quando me virei, Tae havia desaparecido. Não sei para onde ele foi, já que as praias da Califórnia sempre lotam nos verões e ele sumiu em meio à multidão, mas eu sempre poderia mandar uma mensagem. Além do que, estávamos na terra da liberdade. Nada de ruim poderia acontecer aqui.

Deus, como eu sou otimista.


 

. . .


 

— Eu estive pensando em fazermos algo meio doido — Jimin comenta, correndo os dedos pelo cabelo a fim de tirá-lo dos olhos.

— Por exemplo?

— Uma tatuagem — sugere ele, sorridente. — Tipo… um Sol e uma Lua, algo do tipo, nada muito romântico, mas que tem um significado. O que você acha?

Levanto as sobrancelhas, umedecendo os lábios e me esticando preguiçosamente. É fim de tarde em San Francisco, e estamos na praia novamente. Amanhã estaremos em Santa Monica nesse mesmo horário, mas, por enquanto, estar tão perto de uma paisagem linda como o mar e a Golden Gate sobre ele são suficientes.

Cruzo os braços sobre o peito, pensativo.

— Tudo bem, mas precisa ser em um lugar não visível — comento, esfregando o rosto com a mão. — Não quero que tenhamos problemas por causa disso.

Ele assente, estendendo a mão na minha direção. Eu a pego, entrelaçando meus dedos aos seus. Nossas mãos ficam lá, pendendo entre as espreguiçadeiras, por alguns momentos, antes de nos soltarmos e levantarmos para pegar nossas coisas e voltar para o hotel.

— Tem um luau em Santa Monica essa noite — informo, olhando de relance para Jimin enquanto deslizo os dedos pela tela de meu telefone, dando uma olhada no Weibo enquanto caminhamos para o carro. Tae me mandou mensagem falando sobre a festa, por isso digo à Jimin. “Nada de drogas”, texto para Tae. Ele manda um emoji de sorriso. — Vamos passar lá?

— Parece bom — replica Jimin, girando as chaves do carro no indicador, antes de destravá-lo. — Ah, saudades da universidade. Me sinto velho, Yoongi.

— É porque você está — provoco, sorrindo para ele assim que suas sobrancelhas se franzem em irritação ao me encarar. — Brincadeira. Não sei porque você cisma com isso. Vinte e quatro anos é bem jovem, sim.

— Você tem dezenove — resmunga ele.

— Então! — Levanto a mão para contar nos dedos. — São só cinco anos de diferença! Cala a boca, não quero mais ouvir você dizendo que está velho, Park.

Ele suspira, deslizando para o banco do motorista. Eu sento-me sobre o do carona, batendo a porta e puxando o cinto sobre meu peito.

— Falando na minha velhice — Jimin começa, apoiando as mãos sobre o volante. Eu o encaro com uma expressão irritada, e ele balança a cabeça, exibindo um de seus sorrisos gentis para mim. — Relaxa, vou parar de falar sobre o fato de eu estar quase na metade dos cinquenta. — Reviro os olhos. — Lembra que conversamos sobre você ir para a SNU? Então, já pensou no que vai cursar, se ainda quiser ir? Esse é o seu último ano.

Ele nos põe na estrada, ligando o rádio em um volume baixinho enquanto dirige pelas ruas ainda apinhadas de gente de uma das cidades mais lindas dos Estados Unidos. Penso comigo mesmo sobre isso. Já está em meus planos cursar alguma coisa nos próximos anos. É meu último ano na escola, graças aos céus. Mas, quando tiro um tempo para pensar em algum curso, não consigo me imaginar correndo entre os universitários, desesperado para entregar trabalhos a tempo. Eu quero liberdade. Se eu for para alguma universidade, se eu for aceito em alguma, será um milagre.

— Não sei se quero realmente cursar alguma coisa — replico, algum tempo depois, quebrando o silêncio que se instalou entre nós. — Quer dizer… é difícil conseguir algo bom trabalhando com música, e… bem, não tem muitas outras coisas que eu ache interessantes. Tipo, quem é que cursa Medicina por diversão?

Jimin ri suavemente, assentindo.

— Tudo bem — concorda ele. — Abra suas asas e voe, então, amor.

Reviro os olhos outra vez, balançando a cabeça.

— Você sabe como acabar com o clima da coisa, não é?

Ele dá de ombros.

— Mas… falando sério agora — recomeça, voltando-se completamente para mim quando paramos em um semáforo vermelho. Sei que ele vai dizer algo importante pela sua expressão calma e séria, o que é completamente irônico, com Jay Park tocando no fundo. — Você tem todo o tempo do mundo para pensar sobre isso, afinal você é quem sabe, a vida é sua.

Levanto uma sobrancelha, perguntando-me silenciosamente onde ele quer chegar com isso.

— Eu… Eu só queria dizer que, independente de qual seja a sua escolha, para qualquer coisa, por mim tudo bem. Eu te amo e vou entender, só você sabe o que é melhor para si mesmo. É por isso que eu sei que é importante te apoiar, e eu vou fazer. Independente de você estar errado ou não. Entende? — Ele desvia o olhar, pigarreando para limpar a garganta e parecendo extremamente nervoso. Foca-se na estrada, voltando a pisar sobre o acelerador. — Amor, eu vou estar do seu lado. Não importa o que aconteça. Tá?

Sem dizer nada, estico a mão na direção da sua perna, em um indicativo para que ele a pegue. Seus dedos se entrelaçam aos meus e os apertam, imprimindo força para disfarçar a tremedeira. Sei que suas mãos tremem quase descontroladamente quando está muito nervoso, já que o mesmo acontece comigo. Então ele tem uma mania de apertar os dedos uns contra os outros, ou de flexioná-los até o nervosismo passar.

Levanto nossas mãos unidas e beijo o dorso da sua, bem de leve, observando um sorriso caloroso surgir em seus lábios.

Nós ficamos em silêncio até voltar ao hotel, nossas mãos unidas o tempo inteiro, repousando ora sobre a minha perna, ora sobre a dele. Eu fico em silêncio porque ele sabe. Ambos sabemos. Eu não preciso dizer para que ele saiba que também o amo.


 

. . .


 

Somos lentos para arrumar nossas coisas e partir. Los Angeles é a próxima parada, mas eu quero conhecer Santa Monica e ter mais uma tarde agradável com Jimin amanhã. Não me importo de dormir no carro, já foi comprovado por nós dois que é uma experiência bem agradável.

Nos deitamos juntos na cama, as laterais de nossos corpos pressionadas uma contra a outra, nossas mãos com os dedos entrelaçados no pouco espaço livre entre nós, nossos ombros pressionados um contra o outro.

Encaro o teto, vendo as luzes da cidade iluminarem o quarto e marcá-lo no formato das janelas. A noite caiu muito rápido, e o céu escuro parece muito mais atraente agora.

— O que vamos fazer depois daqui? — Jimin murmura.

Giro a cabeça para olhar para ele; seus olhos estão fechados, os lábios entreabertos e úmidos, como um convite silencioso para que os beije. E eu vou, mas não agora. Jimin atiçou minha curiosidade.

— Como assim? — questiono, apoiando-me sobre o cotovelo para observá-lo mais de perto.

— Depois de tudo isso. Depois dessa viagem — explica, abrindo os olhos e encarando os meus. — O que vamos fazer?

Mordo o lábio, pensativo.

— Outra viagem? — tento.

Ele se eleva sobre os cotovelos, balançando a cabeça.

— Não. Não isso — murmura, desviando o olhar para as janelas. Mesmo sob a luz parca, consigo ver quando ele cora. — Como… como é que a gente fica?

Mesmo sem entender exatamente o contexto da frase, agarro seu queixo e colo meus lábios nos seus, curvando-me sobre ele e empurrando-o para deitar de costas novamente.

Exploro sua boca com a língua lentamente, segurando seu rosto para mantê-lo parado no lugar. Mordiscando seu lábio inferior antes, aumento a distância entre nós, a fim de observar sua expressão, agora calma, um de meus antebraços apoiado com cautela sobre seu peito.

Sustento seu olhar tranquilo, devolvendo a expressão suave com um sorriso.

— A gente fica junto — sussurro, afastando-me mais, para sentar sobre os calcanhares, batucando com os dedos sobre sua barriga.

— O quê? — questiona ele, segurando meus dedos para conter o movimento, que eu sei que ele acha irritante.

— Você perguntou como a gente fica — explico, me aproximando do seu rosto quando ele se inclina para cima até estar sentado. Me aproximo até beijá-lo novamente, então me afasto, sorrindo, e estendo a mão para bagunçar seu cabelo. — A gente fica junto.

— Promete?

Não sei o porquê de tanta apreensão da parte dele, quando minhas escolhas são tão óbvias, mas se precisa de uma afirmação, eu darei.

— Prometo.


 

. . .


 

Eu mudei de ideia sobre ir com Jimin para o luau em Santa Monica. Na verdade, eu estava pensando seriamente em dispensar Tae para ficarmos andando a esmo na praia, mas repensei minha hipótese de deixá-lo sozinho. Tae é boa companhia, além disso, é só uma noite.

Então aqui estamos. Jimin parece entretido com seu telefone, e Tae se aproxima para falar comigo. O som da música é bem alto, as pessoas gritam bem alto, é tudo muito liberal. Varrendo o local com os olhos, procuro garrafas de Soju, esquecendo-me brevemente que não estamos mais na Coréia. Aqui eles bebem cervejas e outros drinks esquisitos, não nosso costumeiro destilado.

— Me diga que esse país não é incrível — Tae pede, balançando a cabeça e um copo de bebida no mesmo ritmo.

— Ok. Esse país não é incrível — faço, obtendo um sorriso seu como resposta.

— Eu não quero voltar para a Coréia nunca mais — afirma ele. — Nunca mais. Acho que vou dar um jeito de ficar por aqui.

Balanço a cabeça.

— Qual é. A Coréia é o nosso lugar, Tae — comento, segurando seu braço para ajudá-lo a manter-se de pé quando se prova bastante bêbado ao cambalear levemente. — É claro que você vai voltar. Não dá para ficar longe de casa por muito tempo.

Ele ri, afastando-se ao conseguir se desvencilhar de mim, embora com alguma dificuldade.

— É claro que não vou voltar — reclama em resposta. — Não vivo. Você não me conhece completamente Yoongi, eu odeio a minha casa. Quanto mais longe dela, melhor.

Estou prestes a segui-lo e conversar com ele sobre suas palavras, coisas ruins demais para serem ditas por alguém tão jovem, mas Jimin joga o braço sobre meus ombros, puxando-me para perto em um abraço carinhoso, e eu observo Tae caminhar a passos largos na direção da água, parando quando está com os pés dentro dela, afundado até os tornozelos.

A luz da lua, além da fogueira acesa, ilumina o local. Ele está vestindo branco e, por um momento, penso que se parece bastante com um anjo, mas então ele cambaleia novamente, balançando a cabeça e erguendo a mão para tocá-la, e eu sei que ele é só um garoto novamente.


 

. . .


 

Los Angeles surge no horizonte, junto com a manhã. Eu dormi muito mal noite passada. Esqueço que o álcool não tem efeitos bons sobre seu corpo quando você passa algum tempo sem ingeri-lo. Não tem efeitos bons de qualquer maneira.

Levantei duas vezes para vomitar em uma lata de lixo perto do carro. Na segunda, eu já estava mais consciente, e peguei Tae dormindo de costas na areia gelada, por volta de 5:00am, todo desgrenhado e levemente molhado de água do mar, o cabelo grudando no rosto.

Me abaixei ao seu lado e o chamei baixinho. Ele reclamou alguma coisa ininteligível, então eu estapeei seu rosto com o máximo de delicadeza possível, a fim de acordá-lo e mandá-lo para o seu carro em segurança, apesar de acreditar que ele não teria condição alguma de dirigir.

Quando consegui enxotá-lo de volta para seu veículo, desabei sobre meus próprios pés na areia da praia, sentindo a cabeça latejar na parte de trás. Demorei um bom tempo para recobrar os sentidos por completo. Algo parecia muito errado ali. Senti algo quente molhar meu lábio e, ciente de que não poderia ser saliva, levantei a mão. Meus dedos voltaram manchados de um vermelho-escuro.

Limpei o máximo que consegui com água do mar, então voltei cambaleando para o carro, o mau pressentimento de que algo ruim aconteceria em breve tomando conta de mim.

Tem algo errado.

Eu sei que tem.

Já faz um tempo que estou com a sensação, e não é de hoje. Faz dias, talvez até meses. Algo pesa sobre mim, tem algo que não encaixa, que não está certo, mas não sei o que é, então também não sei como consertar. Eu apenas ignoro.


 

. . .


 

Tae e eu caminhamos a passos lentos ao redor da piscina. São quase 4:00am, e eu o chamei para dar uma volta porque não estava me sentindo bem e não queria incomodar Jimin, já que foi ele quem dirigiu o trajeto todo, enquanto eu dormia, exausto.

Tae também parece cansado, mas sei que posso recorrer a ele agora. Afinal ele respondeu minha mensagem o mais rápido possível. Não estava dormindo.

Nós dirigimos para a praia mais próxima. Ele guia o carro com lentidão, parecendo preocupado em manter o movimento suave para que eu não me incomode, ou algo do tipo. Estacionamos e saímos, pisando sobre a areia e pegando as coisas no porta-malas.

Caminhando a passos lentos para um ponto não específico, nos instalamos lentamente, sentando lado a lado. Tae também está esquisito hoje, mas talvez seja apenas os efeitos colaterais de ter bebido até seu fígado dizer chega.

— Acho que você nunca me contou por quê fugiu de casa — comento, deslizando mais para cima em minha espreguiçadeira.

Ele está esticando-se como um gato logo em frente, relaxando os músculos e depois flexionando-os de novo. Somos apenas nós na praia. Bem, faz sentido. Ninguém vai pra praia às 4:00am. Mas claro que nós não somos todo mundo.

— É uma longa história — diz ele, já desviando do assunto ao se afastar um pouco, puxando a camisa branca pela cabeça.

— Sim, sim. E nós temos bastante tempo — insisto, inclinando-me para frente e levantando os joelhos.

Vejo seus ombros subirem com a respiração, e seus olhos encontram os meus. Ele joga sua camisa branca na minha direção, abrindo os braços como se esperasse que algo caísse do céu. Tem uma cicatriz escura na clavícula, e o cabelo ainda estava bagunçado de termos acordado e corrido para o mar.

— Anda. Conta pra mim.

Lentamente, ele abaixa os braços, se afastando mais da água para vir até mim.

— Tá bom — diz, com um suspiro, sentando-se na espreguiçadeira ao lado e esticando a mão na direção do copo de suco de laranja que eu acabara de servir. — O que você quer saber?

Tudo — respondo, deitando de lado para observá-lo, ansioso.

Ele suspira novamente, passando a mão pelo cabelo e depois bebendo um gole do meu suco. Apoia os cotovelos sobre os joelhos, e então se volta para mim novamente:

— Certo. Começou quando eu tinha doze anos. E é uma história sobre pessoas de papel.

Eu rio da sua afirmação, interrompendo-o e fazendo minha cabeça doer. Tae ergue uma sobrancelha, sério, e me esforço para deixar minha expressão o mais neutra possível. Eu ri por causa da forma como ele falou, não porque é realmente engraçado.

— Meus pais são pessoas que adoram criar problemas. Eles têm uma vida difícil, e era mais difícil ainda comigo lá, porque sempre fui encrenca — murmura, fechando os olhos ao deitar-se de costas em sua espreguiçadeira. — Então, uma vez, quando jovem, eu meio que fugi. Queria ajudá-los, pensava que uma boca a menos para alimentar poderia fazer diferença, mas no fim de tudo meus pais quase foram presos por negligência. Então eles ficaram com Jiyeon, e eu fui para o orfanato em Seoul. Até que era legal lá. Os donos da casa eram meio rabugentos, mas tinha crianças de todos os lugares. Eu me sentia seguro.

Ele bagunça o cabelo, enrolando os dedos nos fios e desviando o olhar, parecendo constrangido.

— Então veio Choi pra foder com tudo — suspira. — Eu tinha quinze anos quando ele me adotou, e praticamente fui levado só por ser bonito. Porque ele precisava de um modelo para suas fotografias de merda e eu seria perfeito. Enfim. Ele mora na Auckland há muito tempo, mas me chutou para ficar com Jiyong enquanto não precisava de mim para alguma nova exposição que estivesse se aproximando. Jiyong é o típico paizão. Ele é meio escroto de vez em quando, mas nunca me tratou mal e eu me divertia bastante com ele. Com ele e com Baekhyun.

— Baekhyun? — questiono, curioso.

Tae ri.

— Meu melhor amigo. Ou ex-melhor amigo. Ele começou a estudar Enfermagem e se fechou para todos. Mas é um cara legal. — informa, sorrindo com prováveis lembranças. — Ele vivia lá em casa, e me ensinou muita coisa. Baek usa… usava muito o termo “pessoas de papel”, eu peguei isso dele. Pessoal de papel é alguém em quem você não pode confiar, sabe? Que mantém diferentes aparências com diferentes pessoas, como se usasse uma máscara. Também é sinônimo de pessoas vazias, com nada a oferecer. Como o Choi.

Sentando-me, esfrego os dedos em meu joelho, observando Tae à distância. Ele é realmente bonito, do tipo que você gosta de olhar, como o JB, como o Jimin, como Jungkook. Era isso que eu estava assimilando. Eles tem o mesmo tipo de beleza natural e simples, mas marcante. A diferença é o fato de Tae transmitir algo mais em sua aparência do que só a beleza. Você sente como se precisasse estar perto dele, como se ele fosse um ímã, um Sol com planetas gravitando em volta, e eu provavelmente sou um deles.

— Então Choi é uma pessoa de papel? — questiono.

Ele assente, e eu vejo quando seus dedos enrolam-se no cordão preto que ele usa ao redor do pescoço, trazendo-me a lembrança da borboleta com o “viver para sempre” gravado nela. Seus dedos brincam com a cordinha, puxando-a e enrolando-a, antes de soltar, que é quando meus olhos encontram os seus e percebo que ele estava me observando da mesma forma que eu o observava; curioso, apreensivo.

— E Jungkook também.


 

. . .


 

Detesto ser afetado por coisas do passado, principalmente por lembranças que eu queria que se perdessem para sempre, como é o caso quando Jimin me leva até o aquário do parque de diversões mais famoso de San Diego. Não é culpa dele, claro, e não tem muito que eu possa fazer sobre, além de aguentar, então seguro sua mão, sentindo a liberdade de poder mostrar que somos um casal sem receber olhares esquisitos de todos os outros que não são como nós.

Enquanto caminhamos e Jimin joga conversa fora sobre os animais marinhos e sobre uma tartaruga que ele teve quando criança e que morreu de fome porque se esquecera de alimentar a coitada, eu assinto para tudo, prestando o máximo de atenção nele, fingindo que não estou pensando em nada além de nós dois, mas minha mente está oscilando entre aqui e meu terceiro encontro com Jungkook.

Não faço bem o tipo romântico, então… não sei se você vai gostar — disse ele, fazendo uma leve mesura ao abrir a porta para mim.

Semicerrando os olhos, curioso, dei um passo para dentro do recinto às escuras, esperando que alguma coisa esquisita acontecesse.

O máximo foi sua mão se apoiando nas minhas costas, bem no espaço entre as omoplatas.

Olha onde estamos — eu disse, fazendo um gesto abrangente para a construção térrea feita inteiramente de vidro, rodeada por água e peixes. Um restaurante subaquático. — Nem precisa de romance.

Ele riu, guiando-nos para a mesa localizada no centro do recinto. Logo atrás dela, a poucos metros de distância, uma cortina muito fina nos separava de uma cama de tablado baixo, coberta com lençóis brancos e azuis.

Certo. Entendi o romance.

Jantar à luz de velas — explicou, indicando a lâmpada esquisita pendendo do teto sobre a mesa, iluminando os pratos, talheres e taças, deixando o recinto ao redor parcamente claro. — Debaixo d’água.

Sorrindo, me sentei em uma das cadeiras. Ele ocupou a outra, depois de tirar seu paletó escuro e deixá-lo sobre o encosto.

À melhor coisa que aconteceu nas nossas vidas — murmurou, levantando sua taça de vinho branco. Eu sabia o que era apenas pelo cheiro. Bebemos muito disso. Levantei a minha também. — E a nós dois. Porque nós merecemos.

Sim. Nós merecemos.

Quero sair desse raio de aquário o mais rápido possível, então simplesmente paro de andar abruptamente, atraindo a atenção de Jimin, que para também. Seguro seu rosto e o beijo de forma que ele sinta que eu quero ir para outro lugar. Um beijo desesperado, cheio de urgência, e correspondido, apesar de ele tentar impor seu ritmo lento, o que não funciona porque eu ainda quero correr daqui como um coelho fugindo de uma armadilha.

Nós nos separamos com último beijo casto, então eu pego sua mão novamente e caminho a passos rápidos para fora do recinto, voltando para a superfície segura.

— Você está bem? — Jimin pergunta, rindo enquanto se apressa para me seguir. — Pensei que gostasse de peixes.

— Eu gosto — digo, sorrindo para ele. — Enrolados em alga. Estou com fome.

Jimin revira os olhos, e nós caminhamos para o estacionamento, conversando sobre qualquer restaurante interessante onde possamos parar para almoçar.


 

. . .


 

Tae está tentando impressionar alguém. Detecto nele os artifícios de Han para chamar a atenção dos garotos da escola quando éramos jovens. Deu certo com Minseok, aparentemente. Delineador escuro nos olhos, uma aparência desalinhada de quem acabou de sair da cama e aquele sorriso brilhante, de alguém que está feliz e satisfeito com alguma coisa.

Nós caminhamos pelo estacionamento, saindo da boate sem graça onde uma festa estilo anos oitenta estava rolando. De repente, vendo os carros, barreiras e tudo levemente vazio ao nosso redor, com poucos lugares sobre os quais você pode subir… tenho uma ideia.

— Tae? — chamo.

Ele estava tagarelando sobre alguma música que ouviu recentemente, dançando suavemente ao ritmo dela, mas se volta para mim assim que ouve minha voz.

— Que foi? — questiona.

— O chão é lava! — grito.

Seus olhos se arregalam, e ele varre o local, em busca de algo sobre o qual subir enquanto pula de um pé para o outro. Eu rio, pulando também.

— Ah, Yoongi — reclama ele, correndo desesperado para o centro do estacionamento, onde há uma espécie de elevação de meio metro de altura, algo como um degrau circular, que sustenta um poste com uma bandeira branca. — Que hora pra isso!

Vou atrás dele, que salta para cima da construção de concreto, agarrando minha mão para me ajudar a subir também.

Seguro no poste para não cair, precisando ficar com metade dos pés pendendo para fora do concreto circular, já que ele é bem rente ao poste, o que torna difícil manter-se sobre ele equilibrado.

Eu rio, segurando Tae pelo cotovelo quando ele ameaça cair.

— Eu deveria deixar você aí — resmunga, balançando a cabeça, mas rindo também. — Para se virar com seu chão de lava.

Rio mais ainda, encostando a lateral do rosto no metal do poste para manter-me mais firme. O céu escuro sobre nós está tomado de estrelas. É uma noite linda, como todas as outras têm sido.

— Tudo bem — digo, olhando para Tae, que ainda tem um sorriso em seus lábios. — O chão não é mais lava, já podemos descer.

Balançando a cabeça, ele salta primeiro, estendendo a mão e puxando-me com certa falta de delicadeza para o chão, quase me derrubando.

— Que isso? — resmungo, acotovelando sua costela.

— Vingança.

— Vou transformar o chão em lava de novo — ameaço, arrancando mais uma risada dele.

— Vou jogar você na lava.

Enganchamos nossos cotovelos e seguimos andando calmamente pelo estacionamento e pelas ruas de Los Angeles.

— Eu sempre quis vim para cá — comenta ele.

— E por que nunca veio? — questiono.

Tae dá de ombros.

— Acho que eu só não tinha coragem — replica, enfiando as mãos nos bolsos, apesar de eu continuar com o braço enganchado no seu. — Mas aí você apareceu.

— Eu apareci — brinco, movendo os dedos como imagino que um feiticeiro faria ao jogar um feitiço. — E você virou um super-herói.

Tae balança a cabeça, rindo.

— As vezes eu fico confuso. Não sei se você tem quinze anos ou vinte e nove — comenta, observando-me de cima.

Faço uma careta, franzindo os lábios.

— E isso que você falou está errado — informa, desvencilhando-se de mim para caminhar pelo meio-fio, na ponta dos pés. Ele estende a mão, e eu a pego, tentando desviar de pessoas pelo caminho para continuar segurando seus dedos enquanto ele guia a si mesmo com passos suaves como os de um gato sobre o espaço estreito.

— O que está errado? — pergunto, franzindo as sobrancelhas.

Ele sorri ao olhar para mim.

— Sobre eu ser um super-herói — replica, puxando-me para perto ao descer para a rua. — Como eu sou o super-herói se foi você quem me salvou?


Notas Finais


O Tae é tão fofíneo, nem parece que desgraça a minha existência.

To reconstruindo Yoonmin, povo, vamo com calma. Isso vai ser bom. Espero que tenham pego as referências desse cap., porque tava cheio.

Tenho tantos planos. Ahsahuashas. :}

Os próximos caps. provavelmente virão mais rápido; não é uma promessa, mas eu vou me esforçar.

~Chu


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