História Por Detrás do Sorriso - Capítulo 35


Escrita por: ~

Postado
Categorias SHINee
Personagens Jinki Lee (Onew), Jonghyun Kim, KiBum "Key" Kim, Minho Choi, Taemin Lee
Tags Darkfic, Jongyu, Minkey, Mpreg, Omegaverse, Onhyun, Taekai
Visualizações 256
Palavras 7.457
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá amores. Saudades minhas e de PDDS?
Como se costuma dizer quem está vivo sempre aparece, logo aqui estou eu, depois de meses de bloqueios mentais que deixaram as histórias todas por continuar/ terminar...
Entramos oficialmente na recta final da fic este é o capitulo numero 35 de 40 capitulos... a partir daqui será só fechar mistérios e resolver situações :D
Espero que gostem do capitulo, ele está mais ou menos revisto, mas desculpem qualquer erro...

Capítulo 35 - Acusação


Fanfic / Fanfiction Por Detrás do Sorriso - Capítulo 35 - Acusação

Os flocos de neve desciam quase que lentamente do céu até à terra. Era de noite e duas figuras passavam lentamente pelo parque escurecido àquela hora. Pequenas montanhas de neve reluziam em branco ou formavam pequenos montes de sombra sobre as ruas por causa das luzes dos candeeiros.

 

- Não queres mesmo que eu o leve? Ele é pesado... - Questionou Taemin vendo o filho adormecido e aconchegado, com as mãos presas à volta do pescoço de Jongin, contra o corpo do mesmo, que o agarrava firmemente apenas com um braço. Na realidade Sam Su não era assim tão pesado.

 

- Não. - Respondeu Jongin com um sorriso e apertando de forma singela o corpo da criança, dando a perceber que não a queria fora dos seus braços, pelo menos não naquela altura.

 

Taemin tinha chamado Jongin para passar a tarde com ele, Sam Su e os seus sobrinhos. Ao contrário do medo de Jonghyun, os sobrinhos não estranharam nada a presença de Taemin, afinal eram família. Na realidade acordaram entusiasmados por ver Sam Su e Taemin e ficaram ainda mais entusiasmados, quando Taemin lhes contou que Jonghyun e Jinki tinham ido dar um passeio romântico. As duas crianças não podiam estar de outra maneira, os pais estavam reunidos e poder chamar de Jinki de tio não era nada mau. O único que ainda não compreendia muito bem era Sam Su, que apesar de sobre-dotado, na sua inocente idade de 6 anos, e mesmo tendo a maior queda por Jongin, ainda achava as relações humanas e as suas ligações nojentas. “Que nojo, um beijo!”

 

Jongin chegara pela tarde. Como estava frio e a nevar todos concordaram que o melhor seria ficar por casa a desfrutar do quente, a comer batatas fritas e a beber os refrigerantes mais calóricos (que Jongin tinha trazido da rua) e a jogar monopólio e o “descobre o mentiroso”. Mas isso foi só até Taemin e MinHyun descobrirem que Jongin tinha tido formação de dança clássica e acabarem por arrastar o dito alpha pelas escadas abaixo até ao estúdio de dança para o obrigar a mostrar os seus dotes. Apesar de destreinado, pois não dançava há anos, Jongin não se mexia mal e ainda tinha a elegância de um bailarino. Ele mostrou os seus movimentos longos perante o sorriso largo de Taemin, o deslumbramento de Sam Su e os aplausos de MinKi e MinHyun.

 

No fim da tarde acabaram todos nos balneários depois de duas horas de danças, algumas coreografias inventadas por todos e corpos suados e roupas molhadas. Estar ao lado de Jongin nos balneários mostrou ser uma das maiores provações na vida de Taemin. Jongin era incrivelmente belo e, apesar de magro tal como Taemin, ele tinha músculos marcados sobre aquela pele amorenada. Os olhos de Taemin tinham ficado, sem que o mesmo tivesse poder sobre as suas próprias reacções, colados ao corpo de Jongin, logo que este retirou a camisola suada, deixando ao ar os seus perfeitos abdominais. E Jongin tinha sorrido para ele e questionado “Para onde estás a olhar?”. Taemin tinha virado um tomate e respondido que estava a olhar para o seu corpo sujo e a pensar que talvez ele fosse entupir os canos com toda aquela sujidade. Jongin tinha-se simplesmente rido e a falta de uma resposta deixou Taemin ainda mais sem graça.

 

Ao contrário daquilo que Taemin sabia que Kibum pensava, Taemin não estava a descobrir nada, porque ele já sabia, e já sabia há muitos anos. Taemin gostava de alphas mesmo sendo um alpha. Na realidade, se ele fosse profundamente honesto com ele mesmo, era cada vez mais difícil estar ao lado de Jongin, porque aquilo que começara com um arrufo e mudara para uma amizade estava a tornar-se algo mais. E pela experiência, Taemin sabia que não podia fazer nada para mudar a maneira como se sentia. Ele não podia impedir-se de pensar o quanto Jongin tinha um bom coração. O quanto era bom falar com ele, o quanto era bom saber que Jongin o ouvia, o quanto era bom poder ser quase 100% verdadeiro. Jongin era a única pessoa que sabia de toda a sua história. Sabia do seu irmão, do que fizera para sobreviver e para chegar onde estava agora, mas a única parte que não sabia era aquela parte. A parte de que Taemin era um alpha que gostava de alphas.

 

Depois do banho tomado, e de roupas roubadas ao dono da casa, e de ajudarem as crianças com os seus próprios banhos, Minho tinha aparecido para levar Minki e Minhyun. Um sorriso verdadeiro alastrou-se pela cara de Taemin ao saber que Kibum estava em casa de Minho e que por lá continuaria os próximos tempos, provavelmente o resto da vida.

 

Com a partida de Minho e dos sobrinhos, Jongin e Taemin tinham decidido partir pela cidade e arranjar um lugar divertido para comer com Sam Su. Tinham acabado num pequeno parque de diversões montado temporariamente por causa de uma feira de artesanato. Mesmo com a neve e com o frio inerente, eles acabaram por se divertir. E a diversão foi tanta que ao final da noite o pequeno Sam Su estava adormecido no colo de Jongin.

 

Os dois amigos caminhavam em silêncio, mas simplesmente porque estavam a apreciar a presença um do outro. Taemin conservava um sorriso pequeno nos lábios e os seus olhos curvavam-se ligeiramente em luas crescentes. Aquelas luas significavam alegria. Era talvez a coisa que mais o tornava parecido a Jongin, a forma como os seus olhos sorriam. Para desgosto de ambos, aproximaram-se rapidamente da casa de Taemin.

 

- Bem é aqui. - Disse Taemin olhando para a porta do seu prédio, a nova casa que ele especialmente tinha alugado para a si e para o seu filho.

 

- Posso entrar? - Questionou Jongin.

 

- Hã? - Aparvalhou-se Taemin. Jongin queria subir para a sua casa áquela hora da noite?

 

- Posso entrar? Há algo que te quero dizer...

 

 

oOo

 

O inverno estava instalado sobre a pequena cidade. Jonghyun espirrou alto e estremeceu de frio enquanto descia as escadas devagar para ir abrir a porta da escola. A campainha tinha tocado ele apenas supunha que era o seu recepcionista, ou o seu professor temporário de dança, o Taemin. Ou os dois. Afinal fazia duas semanas que ele suspeitava que alguma coisa se passava entre os dois (o sorriso de Jongin era a prova mais do que concreta disso), mas como o par ainda não tinha dito nada, talvez por receio, ou por ser algo ainda recente. Jonghyun e os restantes membros daquela elaborada família, divertiam-se simplesmente a observar os dois adultos mais novos do grupo. Isto para concluir que existiam muitas manhãs em que eles chegavam juntos.

 

As suas manhãs estavam também agora eram mais livres e mais desanimadas. Há uma semana que Jonghyun vivia sozinho, uma vez que Kibum e os meninos se tinham mudado para o casario de Minho. Agora já não tinha duas pestes para acordar, nem pequenos almoços para fazer ou conduzir os dois sobrinhos para a escola. Mas apesar de se sentir solitário, Jonghyun estava feliz pelo irmão. Kibum estava finalmente onde devia de estar. Ao lado de Choi Minho.

 

- Bom dia Alegria!!! - Desejou Jongin assim que a porta de vidro foi aberta, tinha um sorriso estampado no rosto que ia de orelha a orelha. Era quase nojento todo aquele brilho de amor que lhe saía dos dentes, pelo menos, levar com aquilo pela manhã era algo que Jonghyun dispensava. Mas não havia nada a fazer, Jongin encontrava-se na era cor de rosa da paixão. A melosidade corria-lhe no sangue. Não que Jonghyun pudesse criticar muito...

 

- Bom dia Jongin. Estou a ver que vens de casa do Taemin. - Correspondeu deixando o recepcionista passar para que pudesse ir para o seu posto e começar a trabalhar.

 

- Sim, vim. Passei lá a noite. - E não será a ultima, pensou Jonghyun. - Recebi uma coisa pela primeira vez na vida e soube muito bem.

 

O mais novo estava incrivelmente enérgico naquela manhã. Não é como se ele e Taemin tentassem esconder que estavam num relacionamento, ou que a sua amizade tinha evoluído, porém ainda não tinham oficializado nada perante os seus mais próximos em palavras, ainda não tinham “saído do armário” como casal. No entanto, também falavam como se já o tivessem feito, pelo menos quando estavam excitados, ou até se darem conta do que estavam a dizer. E era meio engraçado como ficavam embaraçados quando se davam conta que estavam a falar um do outro de maneira “estranha”, embora não soubessem que os outros não viam as coisas como se fossem estranhas.

 

- O quê? - Questionou Jonghyun, que sabia que Jongin estava ansioso por contar.

 

- Flores! Eu já dei muitas flores na vida, mas nunca tinha recebido nenhumas. Sabe tão bem receber flores. Olha, eu até tirei fotos... - Ele puxou pelo telemóvel e mostrou as várias fotos que tinha tirado ao ramo de flores que Taemin lhe tinha dado. - Hyung ajuda-me! Eu tenho que lhe comprar algo em troca!

 

- Porquê?

 

- Como assim hyung? Não é óbvio? Ele deu-me flores. Eu tenho que dar algo em troca. - Ah, pensou Jonghyun, então eles eram este tipo de casal. De dar e receber. Chegariam ao fim do mês sem dinheiro.

 

- Chocolate? - Sugeriu Jonghyun sem grande interesse em ajudar e já dando alguns passos para os seus afazeres. Tinha uma aula para preparar.

 

- Chocolate. Sim. É uma boa ideia. Mas que tipo de chocolate? Algo com recheio de banana. O Taemin adora o sabor de banana... - Calou-se de repente e as suas bochechas ficaram incrivelmente escarlates, como se se tivesse lembrado de algo embaraçoso, depois caiu sobre as mãos escondendo a cara e a rir-se feito senil.

 

- Sim. Imagino que neste mundo todos gostem de uma boa banana.

 

- Ah, hyung não fales assim. - Pediu Jongin no meio do seu embaraço e rindo ainda mais alto.

 

- Eu vou ali vomitar um arco-íris e preparar o meu trabalho. Até já. - E Jonghyun pôde finalmente dirigir-se ao seu estúdio, deixando Jongin no seu reboliço apaixonado. Mas mal Jonghyun desapareceu a porta da escola foi aberta por duas figuras fardadas, dois alphas. Dois policias.

 

oOo

 

Jinki subiu a rua em direção à escola de música de passo apressado. Tinha uma óptima noticia. Tinha uma grande noticia. E a primeira pessoa com quem queria partilhar essa noticia era com Jonghyun. Não só porque era o seu namorado, o seu parceiro de vida, mas porque também ele estivera envolvido. Tinha sido gracejado com uma sã chamada do seu advogado nessa manhã e por razões obviamente geograficas, Jonghyun, não estava longe.

 

Ele passou pela porta de vidro onde instantes antes o seu próprio primo tinha entrado com todo aquele ar apaixonado, porém Jinki encontrou Jongin com outro tipo de ar. Jongin estava claramente preocupado e assim que o viu deixou o balcão da recepção e foi ter com Jinki. Estava mais do que preocupado, estava aflito.

 

- Hyung, ainda bem que apareceste! Ia agora ligar-te. - Jinki ergueu uma sobrancelha em questão. - Entraram agora dois alphas para falar com Jonghyun. Dois policias. Eles vinha com um ar sério. Tinha um papel qualquer... eu acho que é um mandato de detenção...

 

- Um mandato de detenção? Dois policias? E Alphas? - O ar de Jinki tornou-se perigosamente grave. Não gostava daquilo. Aquilo era estranho. Era estranho não só por serem policias, mas também por serem alphas. Na sociedade, quando se tratava de justiça, normalmente, apesar de não ser uma norma escrita ou formalizada na lei, havia sempre o cuidado de colocar alphas e ómegas em separado. Perante as perguntas do primo, Jongin apenas mordeu os lábios e confirmou com a cabeça. - Eu vou ver o que se passa...

 

- Estão no estúdio de música.

 

Não perdeu tempo e dirigiu-se rapidamente para a porta do estúdio. Nem sequer bateu à porta, entrou logo e deu de caras com Jonghyun, de pautas na mão, meio encurralado pelos dois alphas contra o piano de cauda. Aos olhos de Jinki ele parecia realmente pequeno e indefeso. Tinha que o tirar dali. Algo dentro de Jinki queria que ele se atirasse aos policias para os afastar do seu ómega. No entanto, aquela pequena raiva desapareceu quando percebeu que os próprios policias estavam confusos.

 

- O senhor é mesmo o Kim Jonghyun? É mesmo um dos donos desta escola? - Havia claramente uma exclamação de duvida naquelas palavras. Ainda não tinham reparado na entrada de Jinki, que se manteve na porta por mais um pouco, a escutar a conversa.

 

- Sim, sou. - Confirmou Jonghyun, parecia que não era a primeira vez que confirmava que Kim Jonghyun era o nome da sua pessoa. - Se quiser eu posso mostrar a minha identificação...

 

Mesmo sem um dos policias lhe pedir expressamente para o fazer, Jonghyun pousou as pautas sobre o piano e retirou a sua carteira para fora das calças, de lá tirou o seu cartão de identidade e deu-o a um dos policias, que conferiu dessa maneira que Jonghyun dizia ser quem era.

 

- O senhor não é um alpha... - Constatou aquele que não tinha o cartão de identidade na mão. Era verdade, cada vez mais Jonghyun era reconhecido como ómega, pois o seu cheiro estava novamente activo.

 

- Não, eu não sou. - Jonghyun olhava para os dois policias cheio de duvidas. Mas o que estavam aqueles dois ali a fazer? Não se lembrava de ter feito algo ilegal, se calhar era alguma multa de estacionamento ou de excesso de velocidade, ele sabia que por vezes se excedia. Será que ia ficar sem carta de condução? Também não achou estranho estarem a perguntar sobre o seu género, pois era uma pergunta recorrente na sua vida. Era como uma coisa casual.

 

- Bem... er... isto... deve haver algum engano... mas temos que pedir ao senhor que nos acompanhe. - Pediu um dos policias com amabilidade na voz e talvez um pouco de remorso.

 

- Que vos acompanhe? Onde? - Ele não podia ser detido por causa de uma multa, ou podia?

 

- O senhor conhece Bang Kwang Ji? - Questionou um dos policias.

 

- Bem, sim. Ele foi um aluno meu até há uns meses atrás.

 

- Sr. Kim, nós temos um mandato de detenção em nome do senhor. O senhor tem que vir connosco para a esquadra, onde iremos proceder a um interrogatório e depois será apresentado ao juiz. - Explicou o mesmo policia que lhe estendeu o papel onde estava a prova de que um juiz o tinha mandado prender. Para Jonghyun aquilo estava a ser apenas uma piada de mau gosto, até que finalmente recebeu o papel entre as suas mãos e o leu. Ele era um réu. Era acusado de desvio de menores, assédio sexual e violação. O menor em causa era Kwang Ji.

 

- O que é que se passa aqui? - Jinki finalmente intrometeu-se depois de ver os olhos de Jonghyun abrirem qual quanto duas bolas de ténis e depois a ficarem repletos de lágrimas. A sua aparição fez os dois policias sobressaltarem-se. Jonghyun por seu lado parecia que já tinha dado por ele anteriormente, pois não apresentou surpresa.

 

- Jin... ki... - Tremelicou Jonghyun. Sentia o mundo a ficar turvo, a rodar, a fugir-lhe debaixo dos pés. Um nó ia ficando cada vez mais apertado na sua garganta. Ele estava a ser acusado das coisas mais inimagináveis de se ser acusado. De coisas nefastas. Rapidamente Jinki estava ao seu lado aparando-o e vendo o que estava escrito naquele maldito mandato. Ele nem sequer quis acreditar no que os seus olhos liam.

 

- E o senhor é...? - Quis saber o agente.

 

- Lee Jinki. Eu sou o companheiro de Jonghyun. - Disse-o veemente. - Que tipo de acusação é esta?

 

- Isto não deve passar de um mau entendido. Acontece que foi apresentada uma queixa-crime contra Kim Jonghyun vinda do progenitor de Bang Kwang Ji.

 

- Mas não é preciso provas para mandar prender alguém? Que eu saiba uma acusação não manda ninguém para a cadeia! - Rugiu Jinki, os seus braços já estavam à volta do corpo de Jonghyun, enquanto este aterrorizado parecia ter perdido o som da sua garganta e chorava silenciosamente apoiado no corpo do cozinheiro.

 

- Bang Kwang Ji testemunhou. - Então tinha sido isso. Jonghyun finalmente soluçou.

 

- Esse tal de Bang Kwang Ji mentiu!

 

- É isso que estamos a tentar averiguar Sr. Lee. É isso que o Juiz vai apurar uma vez que Kim Jonghyun for apresentado a tribunal. - Explicou o policia de forma calma, ao perceber que Jinki estava lentamente a perder a paciência.

 

- Quando é que ele vai ser apresentado a tribunal?

 

- Esta tarde.

 

- E até lá ele vai estar fechado com um bando de criminosos que podem colocar a vida dele em perigo. Se vieram dois alphas buscá-lo é porque pensaram que ele era um alpha. Foi esse tal de Kwang Ji que vos disse?

 

- É por isso que achamos que deve ser um mal entendido...

 

- Mal entendido o tanas! - Rosnou Jinki cortando a fala do policia violentamente. - Esse rapaz, seja lá ele quem for, está a mentir! O meu companheiro não vai para um antro de alphas perigosos enquanto espera para ser ouvido pelo idiota do juiz...

 

- Acalma-te Jinki. - Pediu a voz chorosa, mas calma de Jonghyun. Que de alguma maneira tinha superado o choque inicial e que agora limpava as lágrimas com as pontas da sua camisa. Os olhos vermelhos e inchados de Jonghyun fizeram o coração de Jinki parar um momento, como se conseguisse sentir a dor do ómega, como se partilhasse com ele esse laço.

 

- Jonghyun... Baby...

 

- Eu não tenho opção a não ser ir com eles. - Resignou-se olhando para os dois policias. Um mandato judicial era para ser cumprido. - Podes ligar ao Dr. Park? Talvez ele me possa ajudar também, agora assim de repente não me consigo lembrar de mais nenhum advogado...

 

A admiração de Jinki pela força de Jonghyun cresceu imenso naquele momento. O professor de música estava a conter os seus nervos para ficar mais lúcido.

 

- E podes pedir ao Jongin para cancelar as minhas aulas hoje e para avisar os alunos, por favor? - Jinki apenas concordou com a cabeça. - E não digas nada ao Kibum. Ele não precisa de levar com um stress destes. E precisamos de ser discretos. Mesmo não sendo verdade, uma acusação destas podes destruir a escola...

 

- Não penses nisso agora Jjong... - Pediu Jinki acariciando o rosto do ómega. Ele trataria de tudo. Ele falaria com o Dr. Park, ele falaria com Jongin, ele até podia ir até essa pessoa de Kwang Ji para o destruir naquele preciso momento. O cozinheiro sabia o quanto a escola significava para Jonghyun e Kibum, também isso, ele não deixaria que fosse desfeito, principalmente por causa de uma mentira, embora ele soubesse como a sociedade funcionava. Podia ser apenas uma acusação, mas essa acusação podia levar a rumores e os rumores levavam aos julgamentos das pessoas simples. Traduzindo, isso podia fazer com que a escola perdesse os seus alunos. E sem alunos a escola não sobreviveria. E depois do que Jonghyun e Kibum tinham lutado para estar onde estavam, era injusto perderem por causa de uma mentira. Além disso, eles viviam daquilo e eram felizes daquela maneira, o que poderiam fazer mais que não fosse cantar e dançar?

 

- Senhor, eu garanto pessoalmente que ele não vai para nenhuma cela. Ele ficará comigo até ser apresentado a juiz. - Garantiu um dos policias. Certamente não fazia parte do seu trabalho, mas também mostrava que a policia tinha bons instintos para as coisas injustas, mesmo que eles tivessem que ser imparciais. No entanto, eles levariam Jonghyun com eles, cumpririam o seu dever e, ao mesmo tempo, preservavam a integridade de Jonghyun.

 

- Por favor, cumpra essa sua palavra. Eu vou-lhe cobrar por isso. - Falou de forma estoica, com as suas mãos a apertarem ligeiramente o corpo de Jonghyun.

 

- Nós temos de ir senhor. Quanto mais depressa resolvermos esta situação melhor. - Jonghyun meneou a cabeça em compreensão. Depois olhou para Jinki e desta vez não conseguiu esconder a sua preocupação, mesmo com toda a força do seu espírito. Ele tinha medo, não de não provar a sua inocência, mas do que daquele dia podia vir a resultar. E Jinki compreendeu isso, mesmo sem que Jonghyun verbalizasse.

 

Jinki envolveu o rosto de Jonghyun com a suas mãos quentes e fez os seus olhos se conectarem. Pequenas lágrimas formaram-se nos olhos de Jonghyun, mas com os seus dedos Jinki não consentiu que elas caíssem. O ómega estava a ser forte, mas verdadeiro.

 

- Amor, vou já falar com o Park para ir imediatamente ter contigo. - Havia energia nas palavras de Jinki, confiança e cuidado. E isso fazia Jonghyun sentir-se mais calmo. - Tudo se vai resolver. Eu vou tratar das coisas por aqui e irei ter contigo o mais brevemente possível, ok?

 

- Obrigado Jinki...

 

- Não me agradeças. Isto não é uma situação para agradecimentos. Isto é para ser resolvido rapidamente para regressares a casa.

 

Jonghyun concordou com a cabeça. Eles trocaram um beijo rápido. Os policias, compreensivelmente, deixaram que Jonghyun fosse buscar um casaco e sobre a supervisão de Jinki partiram com Jonghyun de forma calma e sem aparato. Enquanto via o carro a afastar-se, já o cozinheiro tinha o telemóvel na mão e chamava o advogado com urgência. Obviamente que o Dr. Park se dirigiu imediatamente para a esquadra onde Jonghyun seria interrogado antes de ser ouvido pelo tribunal.

 

oOo

 

Horas mais tarde na sala de audiências havia um silêncio desconfortável, apenas interrompido por alguns sussurros. Jinki estava um misto de arrepiado e furioso, sentado fora do circulo de justiça, ele apenas podia observar. Ele tinha que ficar quieto e calado. Mas era difícil quando tinha o chamado Kwang Ji e o seu pai mesmo perante os seus olhos e sabia que eles eram os causadores daquele penoso dia. Jonghyun e Dr. Park também estavam presentes, obviamente, e sentavam-se no lado oposto ao do acusador. Apesar de tudo, pensou Jinki, Jonghyun aparentava estar calmo.

 

O juiz entrou e eles levantaram-se em sinal de respeito. Trazia consigo a sua equipa, mais dois juízes que apenas serviam como testemunhas e para escrevem o sumário da ocorrência. O juiz encarregue do caso mandou-os sentar e iniciou a audiência relembrando a todos que estavam a ser filmados. Jonghyun tinha sido interrogado de manhã pela policia, para que o juiz tivesse tempo de ter um relatório sobre a situação e pudesse comparecer a uma audiência à tarde. Segundo aquilo que Dr. Park tinha explicado aquela era apenas uma audiência preliminar. Dali resultaria, ou a continuação do julgamento, com a possível prisão de Jonghyun; ou o encerramento do caso com a mostra de provas em contrário ao testemunho do acusador.

 

A palavra foi primeiramente dada ao advogado de Kwang Ji que tinha nos seus ombros a tarefa de apresentar o caso ao juiz. Os advogados falariam primeiro e só depois é que seriam ouvidos o queixoso e o arguido.

 

- Meritíssimo Sr. Juiz, eu estou aqui para apresentar o caso do meu cliente, em nome do queixoso Bang Kwang Ji. - Começou o advogado que lançou um certo olhar acusador a Jonghyun. Levantou-se para apresentar o seu caso, mas não saiu de perto de Kwang Ji e do seu respetivo progenitor. Kwnag Ji nem sequer levantava a cara, o seu cabelo estava longo e de cabeça baixa as mechas de cabelo tapavam-lhe o rosto. - Até há alguns meses atrás o meu cliente era estudante na escola de dança e música, onde o arguido é professor e, segundo apurei é também o dono da mesma. Foi lá que o meu cliente e o arguido se conheceram. Segundo aquilo que Bang Kwang Ji testemunhou, Kim Jonghyun, professor de música, gostava de o favorecer bastante.

 

- Posso pedir ao meu colega que explicite o que quer dizer com “favorecer”? -Intrometeu-se o Dr. Park. - Aproximava-se de Kwang Ji de forma inapropriada? De que maneira?

 

O juiz ordenou a continuação com as resposta adequadas e sem mais interrupções. O Dr. Park parecia também não gostar daquela situação. Estava furioso com a injustiça.

 

- Ao que parece dava-lhe grande parte das aulas práticas. Ele ficava sempre com solos de piano. Tinha sempre palavras favoráveis ao parecer do aluno. E sim, existiram, aulas privadas. - Um sorriso sarcástico cresceu no rosto de Park, mas desta vez não disse nada, como se tivesse que guardar tudo para quando fosse a sua vez de falar. - Porém um dia, depois de uma das aulas o senhor Kim Jonghyun incitou o meu cliente a dar-lhe um beijo. E Kwang Ji, na sua inocência de adolescente assim o fez. Porém o arguido quis mais e foi nessa altura que Kwang Ji recusou a investida sexual de Kim Jonghyun. Isto levou à expulsão de Bang Kwang Ji da dita escola, sem qualquer reembolso monetário das aulas já pagas. A história não ficou, no entanto, por ali. Kim Jonghyun seguiu durante semanas o meu cliente, menor, até que o apanhou sozinho e finalmente finalizou os seus intentos.

 

Por fim o advogado de Kwnag Ji saiu detrás da secretária e foi até ao juiz para lhe apresentar uma pasta de provas.

 

- Há alguns meses atrás, Bang Kwang Ji entrou no hospital por volta das três da manhã. Aqui está o relatório médico feito nessa noite. Comprova que o meu cliente foi sexualmente agredido, porém, nessa altura ele não quis apresentar queixa e não houve uma recolha oficial de provas. Mas novos desenvolvimentos alteraram a prespectiva deste vir a ser apenas mais um caso anónimo.

 

Jinki achava ridícula a maneira de falar daquele advogado. Era como se estivesse à frente do próximo grande caso mediático do país. Se calhar era isso que ele queria, afinal “professor viola aluno” vendia bastantes machetes de jornal, mas Jinki sabia que ele acabaria longamente desiludido.

 

- Kwang Ji soube no final da semana passada que se encontra grávido de exactamente o mesmo tempo em que ocorreu o ataque. O meu cliente não teve qualquer outro tipo de experiência sexual, por isso, peço ao Meritíssimo Juiz que proceda à detenção de Kim Jonghyun e exija um teste de ADN para se puder comprovar o que vem no relatório médico. - Com um ultimo olhar sobre Jonghyun, que se sentiu pequeno, humilhado e revoltado, pois sabia que não tinha nada a ver com aquilo e no entanto estava enfiado naquele embrulho confuso, o advogado voltou a sentar-se e passou a palavra ao Dr. Park.

 

 

- Meretissimo Juiz, vamos ser breves. Kim Jonghyun não fez nada do que o queixoso o acusa. Mas vamos aos factos. As aulas privadas de que o meu caríssimo colega fala, foram pagas e pedidas por Kwang Ji, nem sequer foram sugeridas por Kim Jonghyun. Segundo aquilo que o meu cliente me contou Kwang Ji é um pianista exímio e isso, talvez explique o porquê de ele receber tantos solos práticos. Quanto ao receber elogios... normalmente um professor deve congratular os seus alunos pelo bom trabalho. Porém, ao que parece, Kwang Ji pode ter confundido as coisas. É normal isso acontecer quando somos adolescentes. E por causa disso desenvolveu uma paixoneta pelo seu professor. No entanto, comportamento o sedutivo de Kwang Ji para com Kim Jonghyun pode ser testemunhado pelos colegas que frequentam a escola. Esse beijo, realmente ocorreu, não da forma como o meu colega o disse, mas foi a causa, não da expulsão de Kwang Ji, mas do seu afastamento temporário. Nesse mesmo dia, Kim Jonghyun informou o pai de Kwang Ji sobre a situação. Penso que o mesmo pode testemunhar isso e se for necessário podemos procurar pelo registo da chamada.

 

Enquanto o Park apresentava a sua contra-argumentação, Jinki observava Jonghyun. Aquele idiota estava a pensar no que poderia ter acontecido a Kwang Ji para chegar àquele estado e estava preocupado. Como é que Jonghyun estava preocupado com a pessoa que o acusava? Bem, isso só fazia dele a pessoa mais altruísta e compreensiva que alguma vez Jinki iria conhecer. Como é que ele podia estar naquela situação e pensar na situação do seu antigo aluno? Jonghyun tinha que aprender a preocupar-se com ele primeiro. Mas claro estava na natureza dos ómegas serem mais preocupados com os outros do que com eles mesmos.

 

- Quanto à gravidez, se o Meritíssimo, assim o demandar o meu cliente estará completamente disposto a fazer o teste de ADN, mas penso que será completamente inútil, pois é cientificamente impossível Kim Jonghyun ter engravidado Bang Kwang Ji. Antes de explicar porquê, quero deixar claro ao queixoso que acredito que tenha sido atacado, afinal há um relatório médico que o testemunha, e lamento profundamente que o tenha acontecido, espero que encontre o responsável. Mas relembro que mentir quando dá o seu testemunho perante as autoridades é crime e é um crime também de ofensa à identidade pessoal do meu cliente. – Ah, observou Jinki em silêncio, o Dr. Park era brilhante, simplesmente brilhante. Estava a deixar Kwang Ji nervoso com aquele “porquê” por explicar. Os olhos de Kwang Ji finalmente apareceram atrás do longo cabelo quando ele elevou o rosto.

 

- Dr. Park, eu penso que esse tipo observação deve ser feita pelo tribunal não por si. Por favor, apresente apenas a defesa do seu cliente. - Pediu o juiz numa voz completamente neutra.

 

- Com certeza, Meritíssimo. - Dr. Park finalmente saiu do lado de Jonghyun e entregou um documento ao juiz. - Todos nós sabemos que Bang Kwang Ji é um ómega. Por favor, Meritíssimo Juiz, o que lhe entreguei agora são dois documentos que comprovam a natureza de Kim Jonghyun. A certidão de nascimento do mesmo e o um certificado da Conservatória Nacional com os seus dados pessoais. Senhor, queira dizer ao queixoso, pelos seus lábios, o que lê ai, por favor?

 

O juiz leu os documentos por alguns segundos, tentando encontrar algo que não tivesse correcto, mas então uma interrogação chegou ao rosto do juiz, que olhou de soslaio para o arguido e depois para o queixoso.

 

- Kim Jonghyun é um ómega? - Interrogou de forma retórica o juiz.

 

- Exacto. A sua aparência pode não o indicar, mas não estamos aqui para sermos preconceituosos com o exterior das pessoas, Kim Jonghyun é um ómega. E como sabemos é cientificamente impossível um ómega engravidar outro ómega. E se ainda restarem dúvidas tenho aqui ainda este documento... - Ele foi até ao juiz e entregou o mesmo. - Há quatro anos atrás Kim Jonghyun teve um bebé, esse documento é o certificado de nascimento de Kim Bin Hyun, o seu filho. Mas infelizmente o bebé não sobreviveu. Porque falo nisto? Porque o trauma de perder o filho levou a que o meu cliente deixasse de entrar em ciclos e por causa disso de emitir o cheiro característico da sua natureza. Essa ausência de cheiro pode ter confundido Kwang Ji. O que peço ao tribunal é que a queixa seja imediatamente retirada e que deixem o meu cliente sair em paz, sem quaisquer consequências para Bang Kwang Ji, pois o meu cliente não quer apresentar qualquer tipo de queixa.

 

Dr. Park voltou para o lado de Jonghyun que claramente tentava controlar as suas lágrimas. O cozinheiro sabia que falar do filho era penoso para Jonghyun, principalmente naquele tipo de situação. Um grito, no entanto, surpreendeu todos. Kwnag tinha saído do seu assento e atravessava a pouca distância que havia entre o seu lado da sala e o lugar onde se encontrava Jonghyun. Os seus olhos estavam terrivelmente abertos, parecia quase maníaco.

 

- A CULPA É SUA! - Ele lançou-se por cima da secretária de encontro ao corpo de Jonghyun que saltou em sobressalto, mas sem sair do lugar. Com as mãos estendidas ele agarrou no colarinho de Jonghyun, mas então parou de repente, em choque, ou assim toda a sua expressão facial dizia. Havia cheiro em Jonghyun, não era intenso, mas era percetível estando àquela distância. E mais que o cheiro natural de Jonghyun, havia um cheiro de um alpha sobre a sua pele. Jonghyun pertencia a outra pessoa.

 

- Como? Como é que a culpa é minha Kwang Ji? - Supostamente o queixoso e o arguido não se deviam falar, mas foi impossível para Jonghyun controlar a sua boca. Ele queria saber porque estava ali, porque estava a ser alvo daquela injustiça. Porque estava a ser acusado de uma coisa nefasta e nojenta que fazia o seu estômago doente. As lágrimas paradas nos seus olhos escorreram e toda a sua dor mostrou-se naquele momento.

 

Aquele miúdo tinha passado por uma provação enorme e as emoções de Jonghyun oscilavam entre a preocupação e a raiva contra ele. Ele preocupava-se com Kwang Ji, mas tinha-lhe raiva pela acusação. Além de que tinha raiva da vida. Ele já não tivera o suficiente da vida como castigo. Será que não podia ser feliz? Ele já não sonhava com espectáculos, com dinheiro ou ser famoso, como passara grande parte da sua vida a sonhar, ele queria apenas a sua escola, a sua música e, embora fosse um sonho mais recente, passar o resto da sua vida ao lado de Jinki, envelhecer ao lado do homem que amava. Porque tinha Kwang Ji vir tentar destruir isso? Porque tinha que o fazer falar do filho num lugar daqueles?

 

- O que é que eu te fiz para me estares a fazer isto? - Perguntou Jonghyun de cara vermelha, pois ele tentava conter o choro. Jinki queria saltar do lugar onde estava e arrancar Jonghyun dali para fora. Ele não merecia aquilo, não merecia sofrer mais, chorar mais. Jonghyun fora tão corajoso, dera a volta por cima na vida depois de ter estado num poço escuro. Jinki sabia apenas de uma coisa, ele estaria ali para Jonghyun durante e depois desta tempestade. Ele não deixaria Jonghyun afundar. Jonghyun não estava sozinho, nunca seria deixado sozinho.

 

- O professor negou-me! - Rugiu Kwang Ji ainda com as mãos nos colarinhos de Jonghyun. Algures na sala de audiência o juiz mandou que Kwang Ji voltasse ao seu lugar, que podia dizer o que tinha que ser tido sentado e não sem cima de uma secretária prestes a agredir o possível réu. - Eu dar-lhe-ia tudo! Eu ainda lhe posso dar tudo professor, só tem que me aceitar, eu amo-o Professor!

 

- Tu estás a fazer tudo isto porque eu te dei para trás? - Jonghyun não pensou que podia ficar ainda mais chocado, mas era um facto é que ficou.

 

- Era a única forma de o voltar a ver Professor! - Os olhos de Kwang Ji estava extremamente abertos, pareciam fora daquele mundo e Jonghyun reconhecia bem aquele tipo de olhar, aberto e vermelho, não fazia muito tempo que Kwang tinha estado a consumir. Sim, a consumir coisas ilegais. Coisas que Jonghyun conhecia bem de mais.

 

- Tu estás drogado?

 

Jonghyun sofreu um segundo sobressalto quando as mãos de Kwang foram puxadas para longe do seu corpo. Dois policias ómegas puxavam Kwang Ji para longe.

 

- EU AMO-O PROFESSOR! NÓS PODEMOS FICAR JUNTOS! PODEMOS SER FELIZES JUNTOS! - Os berros de Kwang Ji continuaram a ser ouvidos até que a porta da sala se fechou. O juiz tinha ordenado a retirada de Kwang Ji da sala. Com a saída do queixoso em conjunto com o seu progenitor a sala caiu num silêncio horroroso. Jonghyun limpou as suas lágrimas numa expressão lívida. Ele ainda tentava perceber o que é que tinha acabado de suceder.

 

- Vamos dar por encerrada esta audiência. Ordeno a libertação imediata do professor Kim Jonghyun. Todas as queixas serão retiradas contra o arguido, que será considerado inocente. Ordeno também o internamento imediato de Bang Kwang Ji para tratamento e apuramento da verdade.

 

- Mas Meritíssimo... - O advogado de Kwang Ji parecia querer dizer mais alguma coisa, mas foi interrompido quando o juiz falou:

 

- Sr. Kim Jonghyun vai querer apresentar queixa contra Bang Kwang Ji por desrespeito à sua integridade individual ou por difamação? - O olhar do juiz dizia que ele não estava contente com que acabara de se passar na sua audiência, mas com certeza que ele já devia ter visto pior.

 

- Na... não... - Respondeu Jonghyun. Claramente ainda de pensamento bloqueado. As coisas estavam a correr rápido demais. Mas o descontrolo de Kwang Ji tinha tido esse efeito.

 

- Tem sorte do Sr. Kim Jonghyun não querer apresentar queixa, senhor, quer dizer mais alguma coisa? - O advogado de Kwang negou com a cabeça, completamente derrotado. Ele não tivera uma vítima como cliente, ele tivera um louco.

 

- Dou esta sessão por encerrada. - O martelo da justiça foi batido e o juiz mandou a saída de todos, sendo ele mesmo e a sua equipa os primeiros a sair. Não aguentando mais, Jinki levantou-se e correu para ir abraçar o namorado. Fora apenas um dia, mas fora um dia cumprido e angustioso.

 

- Jinki... - Tremelicou Jonghyun ao sentir o cozinheiro ao seu lado. Levantou-se finalmente da cadeira e ficou a mirar o alpha sem saber como reagir.

 

- Acabou amor. Acabou! - Foram as palavras de Jinki que finalmente o fizeram desabar. Ele agarrou-se a Jinki com força, chorando o seu coração de dentro para fora. Enterrando-se contra o corpo do outro e soluçando alto. Mais uma provação da vida. Mais uma provação que ele passara.

 

Ao lado do casal o Sr. Park arrumava os seus papeis e sorria. Ele gostava quando o seu trabalho como advogado tinham aqueles dias que lhe davam razão para continuar a fazer o que fazia. Com uma mão puxou do seu telemóvel e mandou mensagem a uma pessoa especifica dizendo simplesmente “tudo acabou em bem”.

 

oOo

 

Era de noite quando Jonghyun e Jinki regressaram à escola, ou melhor, à casa por cima da escola. Na expressão de ambos havia o alivio, mas mais do que alivio havia o cansaço. Jinki nem sequer esperou que Jonghyun lhe perguntasse, ele simplesmente entrou. Foi em silêncio que subiram as escadas e se foram sentar no sofá, Jinki falou em comida, mas a única coisa que Jonghyun queria fazer naquele momento era sentar-se com Jinki, ter os braços do mesmo ao redor do seu corpo e sentir-se amparado. Inevitavelmente ele recomeçou a chorar.

 

- Então, babe? - Jinki não queria sorrir quando tinha Jonghyun a chorar, mas era quase impossível naquele momento, por isso, sorriu singelamente. Ele nunca tinha conhecido ninguém que conseguisse chorar tanto e isso era demasiado fofo para Jinki resistir. Abraçou Jonghyun e trouxe-o para o seu colo onde o deixou aninhar-se contra o seu corpo.

 

- Eu sei que sou um bebé chorão... que quando começo não consigo parar de chorar... - Soluçou Jonghyun, sentido a mão de Jinki acariciar-lhe os cabelos.

 

- Não faz mal, Jonghyun. Isso só mostra o quanto ligado ao mundo és. - Elogiou Jinki limpando as lágrimas de Jonghyun. - Mas chega de chorar ainda vais ficar desidratado com tanta água.

 

O comentário descontraído de Jinki trouxe um pequeno sorriso a Jonghyun. Era daquilo que precisava. De estar ao lado de alguém que lhe conseguia arrancar um sorriso para serenar a sua dor da mesma maneira que lhe lambia lentamente as feridas. Ao lado de alguém que não tinha medo de o abraçar, onde se podia seguir seguro ao mesmo tempo que confiante em si mesmo. Com Jinki, Jonghyun sentia que não era menos ou mais que o alpha. Ele sentia que eles se completavam um ao outro. Não se conheciam nem há um ano, mas Jonghyun conseguia prever que eles se conheceriam por muitos e muitos anos por vir.

 

- Passa-se alguma coisa com a minha cara? - Questionou Jinki ao perceber que os dois olhos de Jonghyun estavam penetrantemente colados ao seu rosto. Um sorriso meio embaraçado chegou ao rosto de Jinki ao ser olhado daquela maneira. O professor apenas sorriu e soltou um suspiro alto. Um pesado peso saia-lhe do peito e ele deixou-se descontrair contra Jinki, como se todo o seu corpo tivesse sido varrido por uma dormência repentina. Fechou os olhos e ficou a ouvir o coração de Jinki. Apesar de confuso, Jinki continuava ali, continuava com os seus braços à volta de Jonghyun, continuava a passar os seus dedos pelos cabelos do ómega. Continuava ali com a sua presença.

 

- Amanhã... achas que amanhã podes ir comigo àquela igreja perto do lugar onde Jongin e Sam Su viviam?

 

- Er... claro.

 

- Quero lá ir pôr uma vela para o meu BinHyun e quero mostrar-te o café que vende uns óptimos croissants de chocolate. - Jinki concordou de boa vontade e Jonghyun inspirou o cheiro na pele do namorado. Há quatro anos atrás ele tinha amaldiçoado a sua condição de ómega, tinha amaldiçoado os cheiros, tinha amaldiçoado a crueldade da vida que lhe tinha roubado a pureza do seu filho. Mas agora não havia cheiro mais maravilhoso que o cheiro de Jinki. De alguma forma, Jinki tinha feito despertar em si os seus instintos mais primários. A sua vontade de cheirar, a sua vontade de querer saber que Jinki era seu, a sua vontade de querer ser de Jinki. Não era de qualquer, era apenas Jinki.

 

- Esperemos só que desta vez não haja ninguém a tentar bater-nos. Acho que não aguento outra investida contra o meu para-choques.

 

Jonghyun gargalhou. Cansado, ainda um pouco confuso sobre o seu cumprido dia, mas a cicatrizar nos braços da pessoa que lhe provava a cada dia que estava ali para ficar para sempre, para os bons e para os maus momentos, para o passado e para o futuro.

 

- Obrigado Jinki. Obrigado por seres o meu suporte. - Ele interligou os seus dedos com os dedos do namorado. - Obrigado por aturares as minhas lágrimas, por me fazeres rir e por estares aqui neste momento. Obrigado por me prestares auxilio e conforto. Obrigado por não me obrigares a ser mais do que aquilo que sou. Obrigado por me aceitares. E por não pedires nada em troca.

 

- Tu achas mesmo que não me deste nada em troca? - A questão deixou Jonghyun, por instantes, um pouco confuso. Mas em Jinki havia apenas um calmo e afectuoso sorriso que se estendia calmamente aos seus olhos. - Tu ajudaste-me sem pedir nada em troca. Tu fizeste-me acreditar no amor novamente. Tu ajudaste-me a ultrapassar barreiras a ver o mundo de uma forma mais humana, com menos raiva. Ajudaste-me a ser mais compreensivo e a não julgar tanto. Obrigado por isso. Por fazeres o meu mundo melhor. Por não pedires de mim o que eu tenho de material, mas por puxares pelo meu coração. Obrigado pelas tuas palavras e conselhos. Se calhar, se não fosse por ti, a esta altura ainda estaria casado e a lutar inutilmente pela custódia do meu filho. Tu vieste melhorar o meu mundo...

 

- Espera! - Cortou Jonghyun. Para os dois foi como se uma melodia romântica tivesse acabado de ser desligada depois das palavras bonitas partilhadas. - O que é que tu disseste?

 

- Tu vieste melhorar o meu mundo...

 

- Não, não, não. Antes disso?

 

- AH!!!! Sim, Jonghyun! - Foi como se algo tivesse reiniciado no cérebro de Jinki. O que o tinha levado a procurar Jonghyun pela manhã. Com a acusação, com a preocupação com Jonghyun, Jinki tinha simplesmente esquecido. - Kim Jonghyun, eu sou oficialmente divorciado. E Ban Su concordou com a guarda partilhada de Ban Ji. Era isso que eu te vinha dizer de manhã.

 

- Oh meu deus Jinki... - Jonghyun parou sem se conseguir expressar. Agora existiam lágrimas de felicidade nos olhos do ómegas, mas estas não caíram, ficaram apenas a pairar nos seus olhos tornando-os brilhantes. - Oh meu deus Jinki, estou tão feliz. Vais puder finalmente ver o teu bebé. Mais do que isso. Se é uma guarda partilhada, quer dizer que ele vai passar alguns dias contigo, não é?

 

Jinki apenas confirmou com a cabeça e depois recebeu os lábios de Jonghyun contra os seus. Era um beijo ligeiramente salgado pelas várias lágrimas que já tinham cruzado as bochechas de Jonghyun nesse dia, mas ainda assim, era uma chave a fechar uma porta. Aquele tinha sido o melhor momento para dar aquela noticia a Jonghyun, pensou Jinki depois de ver os seus lábios abandonados. A noticia deu energia a Jonghyun que se levantou do sofá e anunciou que ia preparar o jantar, relembrando aos dois que mal tinham comido durante todo o dia. 


Notas Finais


Eu voltarei ao momento Taekai interrompido no proximo capitulo, vocês depois compreenderam por quê... O que vocês acham da evoluição da situação de Jonghyun? eu tenho tentado fazê-lo sair lentamente do seu trauma e espero que isso tenha sido perceptivel, da mesma maneira com a situação de Minho e Kibum... espero que seja perceptivel a sua evolução gradual... se há coisa que me irrita nas histórias é das duas uma, ou o autor demora muito a desenvolver ou desenvolve tipo relampago a situação... em que pé é que vocês acham que estou? No chato, no relampago ou no ponto certo?

enfim, o proximo cap vai ser muito especial... Taemin vai rever umas pessoas muito especiais do seu passado... Jonghyun vai panicar (entrar em panico), mas por causa dessa situação, vai ajudar Minho e Kibum a darem "um passo em frente"... curiosos?

Beijos


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