História Por favor me chame de Professor! - Capítulo 8


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Boyslove, Boyxboy, Comedia, Romance
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Palavras 4.876
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Comédia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Cross-dresser, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - Capítulo 7


Yuuto ajeitou a mochila e abraçou sua avó. Então fez o mesmo com o homem ao lado dela, seu avô.

— Obrigado por tudo.

— É, valeu — disse Yuuka, fazendo o mesmo. — É tão bom relaxar e comer a sua comida, vovó.

— Quando vocês vão visitar de novo? — o senhor perguntou com sua voz grave.

Os irmãos trocaram olhares rápidos entre si.

— Estaremos aqui pro festival — respondeu Yuuka. — Nem em sonhos eu perderia esse ano.

— O do ano passado foi muito bom. — O senhor riu. — Yamamoto bebeu pra celebrar seu…

Enquanto sua irmã e avô conversavam sobre o festival do ano passado, Yuuto afastou sua avó dos dois para falar com ela.

— Mais uma vez, obrigado por me ajudar com isto — sussurrou o professor, batendo na mochila com sua mão livre.

A senhora sorriu e acenou com a mão.

— Já disse que gosto de ajudar você. Mas nunca pensei que faria um vestido desses — disse, rindo, suas bochechas um tom cor-de-rosa. — Apenas lembre-se de tirar fotos. Adoro ver você nessas roupinhas fofinhas, mas preciso dizer que algumas são um tanto provocativas demais.

Yuuto mostrou um sorriso nervoso e soltou uma risada aguda.

— Qual é, vovó. É tudo em prol da arte — disse, tentando mudar de assunto. Nunca mais mando uma foto pra ela, Yuuto fez uma nota em sua cabeça. Até hoje, o professor mostrou apenas as fotos normais, somente as que ele pensou que sua avó aguentaria.

Graças aos céus ela não sabe do meu blog. Se ela visse as fotos com minissaias… ou as em uniformes de natação… e os combos? Aposto que ficaria doida, pensou. Nem cogito as pinturas do Seiji-kun… Pensar no artista fez Yuuto olhar para sua bolsa, seu rosto ficando quente. Se a vovó soubesse por qual motivo quis este cosplay, ela com certeza teria um ataque.

— Terra para irmãozinho. — A voz de sua irmã trouxe sua mente de volta. — Precisamos ir. — Yuuka envolveu o braço no pescoço dele e o arrastou.

Eles se despediram de seus avós novamente antes de passarem pelas catracas. Quando escutaram o sistema de som avisando que o metrô estava prestes a partir, os dois correram. Ainda que fosse uma hora agitado do dia, o vagão estava bem vazio, então foi fácil arrumarem acentos.

— Que sorte — disse Yuuka, tirando a grande mochila das costas. Ela a colocou no chão, entre as pernas, e sentou. Yuuto sentou ao lado dela, colocando sua bolsa no colo. — Nunca que arrumaríamos assentos tão bons nesse horário se fosse na cidade.

— Pois é. — Yuuto inclinou sua cabeça para trás e fechou os olhos, apreciando o movimento rítmico.

— Eles pareciam melhores do que ano passado — disse Yuuka após um período de silêncio.

— Sim — Yuuto concordou. — É difícil pra eles, mesmo depois de vinte anos.

— Ver os filhos dos amigos deles se reunirem deve ser difícil. Especialmente a Tanaka-san. Ela era a melhor amiga da mãe quando crianças.

— Eu gosto das histórias dela.  Ela faz a mãe parecer uma delinquente vida louca quando jovem — disse o professor, rindo. Yuuka riu também. — A vovó me contou que queria manter o passado da mãe escondido de nós.

— Falando na vovó. — Yuuka virou-se para seu irmão. — Você praticamente ficou toda a Golden Week com ela. — Sua irmã franziu o cenho. — O que vocês dois estavam costurando?

Ela já sabe que eu estava costurando, pensou Yuuto, agarrando a bolsa em seu colo por reflexo.

Yuuka esticou a mão e pegou a bolsa, abrindo o zíper o suficiente para ver um tecido branco cheio de babados. Os olhos dela se arregalaram e um sorriso surgiu em seus lábios.

— Isso é um…

O professor pegou a bolsa de volta e fechou o zíper o mais rápido que pôde.

— É um cosplay! — disse, um pouco alto demais. Algumas pessoas voltaram sua atenção para os dois. Yuuka teve dificuldade para respirar e cobriu a boca com as duas mãos enquanto Yuuto corava.

Quando a risada finalmente parou, ela respirou fundo e voltou-se para o irmão.

— Estou surpresa. Você sempre recusa ajuda dos outros, dizendo que vai fazer tudo sozinho. Qual é a da mudança repentina?

Yuuto brincou com os dedos, evitando os olhos da irmã.

— Esse cosplay apareceu num mangá faz poucas semanas. Não tinha como eu terminar sozinho tão rápido.

Ela franziu o cenho.

— Por que a pressa? Não tem evento nenhum ou competição nesta época…— Yuuka inclinou a cabeça. Seu rosto se acendeu com um sorriso no segundo seguinte. — É pro seu namorado! — Mesmo percebendo a verdade, ela manteve a voz baixa. — Você quer se fantasiar e servir de modelo para seduzi-lo! — Yuuka sussurrou excitada.

Ele não podia negar as palavras dela. Ela está completamente certa, ele pensou, vermelho. No momento que viu o cosplay no mangá, Yuuto se imaginou usando o vestido cheio de babados. Enquanto calculava quanto tempo levaria para costurar, a ideia surgiu. Ele sabia que Seiji-kun adoraria vê-lo usando e gostaria de pintá-lo no mesmo instante. Quem sabe, seguindo o clima, eles poderiam ficar juntos novamente, ou talvez até seria o bastante para fazer o artista se lembrar da noite que tiveram.

Yuuka colocou os braços em volta de Yuuto e o puxou para mais perto.

— Não consigo acreditar que meu irmãozinho perdeu a outra virgindade com um homem — disse, baixinho. — Estou tão feliz. — Yuuto continuou quieto, seu rosto queimando ainda mais.

Quando ele chegou em casa após aquela primeira noite com Seiji-kun, sua irmã perguntou na mesma hora se aconteceu alguma coisa. Yuuto tentou evitar falar sobre a noite; a última coisa que queria era sua irmã descobrindo que tinha dormido com um homem. Mas ela notou que ele estava caminhando de um jeito estranho e logo soube. Yuuka nunca pareceu tão feliz, gritando que finalmente presenciou um caso real de boys’ love em sua vida.

— Quero conhecer seu namorado. Quero, digo, preciso conferir com meus próprios olhos se ele é digno de ficar com meu irmãozinho — disse Yuuka, abraçando ele e bagunçando seu cabelo. Quando ela notou que Yuuto não tentou se desvencilhar, ela o soltou e olhou para o rosto dele. — O que foi?

Yuuto olhou para o chão, de ombros caídos.

— Ele não é… meu namorado… — disse, em voz baixa, sentindo uma dor no peito. Embora o professor tivesse admitido para si mesmo, ele nunca pensou que dizer em voz alta doesse tanto.

— Yuuto… — Yuuka o abraçou de novo, dessa vez sendo mais gentil. — Você o ama, né?

— Sim… — ele sussurrou, quase imediatamente. Nem precisou pensar.

— Maninho. — Ela fechou os olhos e descansou a cabeça na dele. — Você vai encontrar várias dificuldades, mas lembre-se que estou sempre aqui para ajudá-lo.

— Obrigado, mana — disse, fechando os olhos também.

O resto da viagem passou em silêncio, mas Yuuto tinha um pequeno sorriso nos lábios. Ainda que sua irmã o provocasse e tirasse uma com a cara dele, ela estava lá para ajudá-lo sempre que precisasse.

Já era noite quando eles chegaram. Quando saíram da estação, Yuuka foi para o ponto de ônibus bocejando, mas Yuuto ficou plantado no lugar.

— Não vai pra casa? — perguntou ela. O professor olhou para sua irmã, e então para o telefone em sua mão. Ele abriu e fechou a boca várias vezes, tentando encontrar as palavras certas. Yuuka o poupou o esforço, revirando os olhos de forma exagerada. — Tá. Vai encontrar seu namorado. Até mais tarde… ou não, dependendo de como as coisas forem — riu e então entrou no ônibus.

Yuuto sorriu e então virou para seu celular, procurando pelo nome certo. De repente sua respiração ficou rápida e curta, seu coração batendo mais rápido. Apesar de saber o número de Seiji-kun por um bom tempo, seria a primeira vez que o professor ligaria para seu ex-aluno. Respirando fundo, Yuuto pressionou a tela, levou o aparelho para perto da orelha e esperou. Ele nunca odiou tanto o som de chamada.

Após o que pareceu uma eternidade, a chamada foi atendida. Contudo, não houve resposta.

— Seiji-kun? — Sua voz saiu aguda. Só agora percebeu que estava prendendo o fôlego. Ele limpou a garganta algumas vezes. — Sou eu — disse com sua voz normal.

Seiji-kun demorou um pouco para responder.

— E aí. Já voltou? — falou com uma voz arrastada.

— Sim, e… — Ele apertou a bolsa com mais força e respirou fundo outra vez. — Tem algo que eu gostaria de mostrar a você. Está livre agora? — O estômago dele embrulhou.

Novamente, Seiji-kun demorou a dizer qualquer coisa.

— Sim, claro. — Yuuto escutou um bocejo. — A porta está aberta.

Seiji-kun encerrou a ligação antes que o professor pudesse dizer qualquer coisa. Ele não deveria deixar a porta aberta, pensou Yuuto, mas suspirou no instante seguinte, um pequeno sorriso surgindo em lábios. Ele acabou de acordar? Não é porque é um feriado que pode dormir o dia todo. Talvez que deva dizer alguma coisa… Yuuto dispensou a ideia com um aceno de cabeça. Ainda que o ex-aluno merecesse um sermão, isso não ajudaria em nada o professor hoje.

Ele chamou um táxi e em menos de vinte minutos o professor estava parado na frente da porta de Seiji-kun, batendo nela por hábito. Precisou de um segundo para se lembrar que estava destrancada. Rindo, ele abriu a porta.

Todas as luzes estavam desligadas e as cortinas impediam qualquer luz externa de entrar.

— Seiji-kun? — Yuuto chamou no meio da escuridão. Não houve resposta. Então ele realmente estava dormindo até agora… pensou o professor, suspirando. Após tirar seus sapatos e jogá-los na entrada, ele ligou as luzes e abriu as cortinas com o controle remoto, arregalando seus olhos ao ver o estado do apartamento.

Yuuto contou no mínimo sete garrafas na mesa de centro, mais algumas latas de cerveja aqui e acolá. Você se lembraria da noite que tivemos se não bebesse tanto, Seiji-kun, pensou o professor, esfregando seus olhos. Como posso te ajudar? A ideia ficou na sua mente enquanto limpava o lugar. Ele colocou tudo no balcão da cozinha, mas ainda havia cerveja em uma das latas. Yuuto olhou para ela e depois observou os arredores. Seiji-kun não estava em lugar nenhum. É para ajudar a relaxar um pouco, como a Sawa-chan diz, então ele bebeu.

— Bebendo a essa hora? — Uma voz rouca ecoou atrás dele.

Yuuto arregalou os olhos e virou, tossindo.

— Seiji-kun! Eu… Eu… — Ele jogou a latinha na pia. — Eu… não tenho nada a dizer em minha defesa — disse e baixou os olhos, corando. Droga! Por que ele tinha que aparecer justo agora? — E por que você está com isso, hein? — Ele mudou de assunto rapidamente, tentando manter um pouco de sua dignidade como professor.

— Eu… precisava de um tempo… — disse Seiji-kun na mesma voz rouca. Seu bafo fedia a álcool e quando ele esfregou os olhos, Yuuto viu que estavam vermelhos.

O professor olhou para Seiji-kun mais de perto. Seu ex-aluno tinha olheiras debaixo dos olhos, não havia feito sua barba irregular, sem falar do cabelo bagunçado e sujo. Ele ficou bebendo a noite toda? Yuuto engoliu em seco. Ainda que não fosse ajudar os objetivos do professor, ele precisava falar alguma coisa.

Porém, Seiji-kun foi mais rápido.

— O que você vai me mostrar?

Yuuto arregalou os olhos. Isso mesmo! Quase esqueci. Ele mordeu seus lábios e puxou a bolsa para mais perto, olhando entre ela e Seiji-kun. Agora que estou aqui… é embaraçoso demais. Ele respirou fundo, olhando bem nos olhos do artista. Essa é minha forma de confessar o que sinto!

— Eu terminei meu cosplay mais recente e fiquei pensando se você não queria… me pintar… — Sua voz sumiu enquanto ele ficava vermelho e desviava o olhar. Ainda que fosse a musa de Seiji-kun, era a primeira vez que o próprio Yuuto pedia para posar. Eu nunca pensei que seria tão embaraçoso!

Seiji-kun passou uma mão por seu rosto lentamente e então mostrou um sorriso cansado.

— Claro, tudo por minha musa.

Yuuto não se conteve e soltou um sorriso de orelha a orelha.

— Vou me trocar agora mesmo! — Ele correu até o banheiro.

É mais revelador do que pensei… O professor olhou para seu próprio reflexo, virando-se algumas vezes para vê-lo por completo. Ainda que eu queira seduzi-lo, isso é demais. Não é como se eu quisesse casar com ele, pensou, ficando vermelho no instante seguinte. Vim aqui confessar meus sentimentos e agora estou pensando em seduzir e casar com ele? Apesar dos pensamentos, Yuuto não conseguia deixar de sorrir. Ele olhou para seu reflexo de novo.

O cosplay realmente se parecia com um vestido de casamento, todo branco e com uma longa cauda. Também revelava mais da perna do que Yuuto pensou quando o viu no mangá. A vovó fez alguma coisa? Ao menos os ombros expostos e o laço no decote cobriam seu peito melhor do que ele esperava. Mas a abertura na saia, a dividindo em duas partes, era alta e mostrava bem acima do joelho. Alto demais… pelo menos é fácil caminhar com isso, pensou, tentando confortar-se, colocando as longas luvas brancas no devido lugar.

A barra da saia tinha alguns babados com um grande laço amarelo em ambos os lados. Por que a meia só vai até aqui? A meia branca, com pequenos laços amarelos em volta de seu tornozelo, era uma das mais longas que ele já usara, e mesmo assim revelava demais da coxa. Como ela usou isso? A única coisa que não se encaixava com a personagem era a falta de acessórios no cabelo e a gargantilha no pescoço. Acho que meu cosplay pode ser um pouco imperfeito só hoje. Não estava a venda ainda de qualquer jeito. E quem sabe o Seiji-kun prefira assim. É mais fácil de beijar meu pescoço desse jeito, Yuuto pensou, ficando vermelho de novo no instante seguinte.

Yuuto fechou as mãos, tentando parar a tremedeira nervosa, mas desistiu logo após. Seus dedos ainda estavam sensíveis. Ainda que eu tenha costurado por anos, me machuquei… pensou com um sorriso tenso. Até macacos podem cair das árvores, né. Sorte que o cosplay tem luvas, senão Seiji-kun veria os curativos. Ele ficaria preocupado? O professor parou por um momento para imaginar.

Em sua cabeça, Seiji-kun seguraria as mãos de Yuuto gentilmente, perguntando se doíam. Yuuto diria um pouco, e o artista lamberia os dedos, dizendo que ajudaria. Então por que você está olhando para mim? Yuuto ficou quieto, contudo, apreciando o toque da boca, e então do nada, Seiji-kun beijou a mão do professor, movendo-se gentilmente até seus lábios chegarem ao pescoço de Yuuto.

Ele parou, olhou nos olhos do professor e no instante seguinte fechou os seus, e os lábios dos dois se encontraram. Começou gentil, mas depois Seiji-kun ficou selvagem, quase como se fosse outra pessoa, beijando-o com paixão, mas ainda era o homem que Yuuto ansiou por tanto tempo. Ainda beijando, Seiji-kun empurrou Yuuto contra a parede enquanto tirava suas roupas. Quando Yuuto estava nu, com seu membro já duro, ele arrancou as roupas do professor, virou-o e então…

Não é hora de ficar sonhando acordado! Se eu quero tornar isso realidade, preciso de atitude! Ele pensou, tentando controlar sua mente. Yuuto sonhara e imaginara tanto sobre aquela noite que aquilo o perseguia, a dor em seu coração sempre crescendo. Toda vez que se lembrava, ele sentia prazer com aquelas memórias. Mas já não era o bastante. Quero mais. Mais do que sexo, eu quero ele… quero que fiquemos juntos…

Ele olhou para seu reflexo pela terceira vez. Espero que o Seiji-kun goste deste cosplay… Eu deveria ter usado uma peruca, pensou, arrumando seu cabelo novamente. Apenas alguns cosplays funcionavam sem uma peruca. Esse não era um deles, e mesmo assim, ele decidiu não usar a peruca rosa. Quero que o Seiji-kun olhe para mim, disse para si mesmo novamente. Quero mostrar a ele meus sentimentos, mas… isto é o suficiente para fazê-lo lembrar de nossa noite?

Yuuto respirou e inspirou, acalmando seus pensamentos. Eu vim aqui planejando isso. Reforçando sua decisão, o professor destrancou a porta com mãos suadas e saiu do banheiro. Seus olhos rastrearam o quarto, procurando pelo homem que desejava. Seiji-kun estava organizando o cavalete e o banquinho naquele instante, sem notar que o professor estava no mesmo recinto que ele.

Yuuto se aproximou perto o bastante e, mesmo com a diferença de altura, o professor cobriu os olhos de Seiji-kun.

— Adivinha quem é — disse com um sorriso nos lábios.

O ex-aluno tirou as mãos e se virou. Seus olhos vagos precisaram de um segundo para se focar no professor.

— Um cosplay que nunca vi — disse numa voz baixa, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios.

— É porque acabei de terminar. Levou o feriadão todo pra terminar a tempo, mesmo com ajuda — disse Yuuto, mal contendo seu sorriso. Ele girou algumas vezes com os braços abertos, mostrando cada ângulo do cosplay. Quando parou, se sentiu um pouco tonto e caiu em cima de Seiji-kun, que o segurou. O professor ficou vermelho e olhou para cima, sorrindo. — O que acha? — perguntou quando se levantou.

Seiji-kun o observou de cima pra baixo e ofereceu uma mão. Yuuto aceitou e o ex-aluno o girou.

— Suas habilidades nunca cansam de me impressionar — disse, o sorriso aumentou um pouco. — É maravilhoso.

Um grande sorriso surgiu nos lábios de Yuuto.

— Obrigado! — Ele quase gritou, suas bochechas ficando mais quentes. — Se você diz que é maravilhoso, então todo o trabalho compensou. — Ele já esperava um elogio de Seiji-kun, e mesmo assim foi o bastante para deixá-lo com toda aquela felicidade. As incontáveis horas trabalhando no cosplay desde que o viu, toda a vergonha que sentiu ao pedir ajuda para sua avó, todas as perguntas que ela fez e ele precisou evitar… Yuuto se esqueceu de tudo ao ver o sorriso de Seiji-kun. Mas seu verdadeiro objetivo começaria após a sessão deles. — Vamos começar!

Ele se virou na direção do sofá na mesma hora, mas antes que desse um único passo, Seiji-kun o puxou para mais perto, o abraçando por trás.

— Não estou no clima para pintar — sussurrou.

Yuuto levou um segundo para entender o que acabou de acontecer. Ele ficou vermelho e continuou quieto, esperando que o pintor falasse mais. O ex-aluno não falou. Apenas abraçou o professor com mais força.

Yuuto entendeu por que Seiji-kun o abraçava daquela forma. Eu já disse… não vou sumir, Yuuto falou em sua cabeça, colocando as suas mãos sobre as do artista. Como eu disse naquela noite, pensou, lembrando-se das próprias palavras. Foi logo após a primeira vez deles, quando o artista parecia quase desesperado e implorava que Yuuto não o deixasse.

Pela primeira vez, a memória da noite deles não atiçou o desejo de Yuuto. Agora, ele se esqueceu daquilo, esqueceu do motivo pelo qual estava lá, para começo de conversa. Yuuto até esquecera sobre seus próprios sentimentos. Eu sou um idiota. Pensei apenas em mim mesmo… Eu deveria ter percebido que alguma coisa estava errada com Seiji-kun. Ele deixou até esses pensamentos de lado. Tudo que importava agora era o desejo do professor de confortar o homem que o abraçava.

As mãos de Yuuto procuraram pela cabeça do artista, acariciando-o gentilmente.

— Seiji-kun… aconteceu alguma coisa? — Sua voz não foi mais alta que um sussurro.

O artista continuou quieto e Yuuto não pressionou. O professor apenas aguardou, deixando o tempo passar. Esse é o mais próximo que podemos estar, por enquanto, pensou, fechando os olhos, sentindo o calor de Seiji-kun, escutando a respiração de Seiji-kun, escutando o coração de Seiji-kun bater tão rápido quanto o seu.

Yuuto não fazia ideia de quanto tempo ficaram daquele jeito.

— Tem algo errado comigo — Seiji-kun disse de repente, suas mãos deslizavam para entre as pernas do professor.

— O quê? — Yuuto disse por reflexo. Seus olhos se arregalaram e suas bochechas ficaram ainda mais vermelhas ao mesmo tempo.

— Preciso de você. — A mão de Seiji-kun levantou a saia e foi para dentro da roupa íntima de Yuuto, segurando o membro do professor.

O toque foi o bastante para fazê-lo crescer, mas Seiji-kun acariciava a virilidade de Yuuto até que latejasse, então mexeu a mão para cima e para baixo.

O professor tremia no local em que seu estudante o tocava, o calor espalhando por todo seu corpo. Em poucos segundos, sua mente estava entorpecida, e ele teria gemido se não tivesse mordido os lábios.

— Por que você está fazendo isso? — Yuuto conseguiu perguntar por entre os dentes. Seiji-kun não disse nada, suas mãos se mexendo mais rápido. — Ah! — Apesar de tentar seu melhor, o gemido escapou dos lábios do professor.

— Preciso de você. — Seiji-kun disse novamente. Para Yuuto, a voz veio de longe, chegando até ele em meio ao prazer, mal sendo notada sobre os próprios gemidos abafados dele. A mão se moveu mais e mais rápido, deixando seu corpo quente da cabeça aos pés. — Quero você.

Eu quero… você… também, conseguiu pensar. A mente de Yuuto ficou em branco e tudo com que ele se importava agora era o prazer que vinha daquela mão, daquele homem.

O professor estava prestes a chegar no prazer, cada movimento o deixando mais perto. Ele deu tudo de si para pensar em outra coisa e prolongar o momento.

Está vindo… ele pôde sentir. Embora tenha falhado, não se importou nem um pouco.

— Haa… — Seu sêmen saiu.

Respirando com dificuldade, seu rosto queimando, sua mente ainda distante, presa no prazer, Yuuto virou sua cabeça e olhou para Seiji-kun.

O artista levantou a mão com o sêmen de Yuuto, olhando para ele. Depois o lambeu de uma vez. O professor arregalou os olhos, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Seiji-kun levou os dedos para a boca de Yuuto.

O cheiro era forte… antes que percebesse, o professor se moveu e tinha o dedão dentro da boca, sua língua se contorcendo em volta do dedo de Seiji-kun. O gosto de seu próprio sêmen fez o membro de Yuuto atiçar de novo.

Seiji-kun tirou a mão da boca de Yuuto, virou o professor e o beijou.

O professor o beijou de volta, tentando colocar os braços em volta do artista. Ele não tinha forças para levanta-los. Então ele agarrou a camisa de Seiji-kun, puxando-o para mais perto.

Estou… com o Seiji-kun… outra vez. Quando eles se separaram, Yuuto olhou nos olhos do homem que ansiara por tanto tempo. Eles estavam selvagens, como naquela noite, mas havia algo de diferente. Naquela noite, aqueles olhos castanhos tinham um brilho de desejo, um que o professor não pôde resistir. Mas hoje estavam apenas selvagens e profundos.

Seiji-kun o beijou de novo, e agora Yuuto notou que também tinha algo faltando nos beijos. Ele não sentiu o desejo, como se a mente do artista não estivesse lá. É mesmo… aconteceu alguma coisa com ele… Não era hora para aquilo e o membro de Yuuto reagiu, o sangue fluiu de volta para seu lugar de origem.

Yuuto finalmente conseguiu levantar os braços. Ele colocou as mãos no peito de Seiji-kun e o empurrou gentilmente. O artista se afastou por um momento, e depois voltou, beijando o professor no pescoço. Apesar de tudo, Yuuto sentiu o calor se espalhar de onde aqueles lábios o tocavam. Mas foi diferente de antes; seu membro não endurecia.

— Seiji-kun, eu sei que aconteceu algo — ele disse.

Seu ex-aluno parou de beijá-lo por um instante.

— Não quero falar sobre isso. — O artista começou a beijá-lo de novo.

Yuuto sabia que não podia forçar o Seiji-kun mais, então decidiu perguntar outra coisa, algo que andava no fundo de sua mente.

— Por que… você está fazendo isso? — Ele engoliu em seco. O professor queria isso, queria Seiji-kun, mas parte dele temia que acabaria como a primeira vez. Ele não conseguiria suportar se Seiji-kun só estivesse fazendo aquilo para esquecer o que quer que tenha acontecido.

— Faz diferença? — ele cuspiu as palavras, desfazendo os laços no cosplay de Yuuto. — Já fizemos antes.

Sua mente e língua foram enrolados pelos lábios de Seiji-kun, mas Yuuto ouviu.

— Você… se lembra?

— Nunca esqueci — disse Seiji-kun.

Yuuto sentiu um aperto no coração.

— Por que você mentiu?

— E importa? — Seiji-kun desfez os laços do cosplay do professor com brutalidade, quase rasgando. As roupas caíram para os tornozelos de Yuuto. — Você me quer, de qualquer forma. Você veio aqui por isso. — Ele chupou um mamilo de Yuuto e apertou o outro. — Estou fazendo o que nós dois queremos.

— Pare.

Você mentiu para mim…

— Seu corpo diz o contrário — respondeu Seiji-kun, com sua mão deslizando para a barriga do professor.

Yuuto olhou para baixo. Sua masculinidade estava crescendo de novo. O professor agarrou a mão.

— Pare — ele disse de novo, numa voz mais forte dessa vez.

Seiji-kun o ignorou e beijou os lábios do professor de novo, com a mão livre na nuca de Yuuto. Ele liberou a outra mão e a colocou na parte inferior das costas de Yuuto. O professor queria se separar dele, mas o ex-aluno era forte demais.

Com um movimento rápido, a mão do artista foi para dentro da roupa íntima do professor outra vez e ele deslizou um dedo dentro de Yuuto.

— Você gostou tanto disso naquela noite, então por que está resistindo hoje? — perguntou Seiji-kun quando eles pararam de se beijar. Ele moveu o dedo, procurando o ponto de prazer do professor. — Devo dizer, nenhuma garota montou no meu pau daquele jeito. Você é o mais selvagem de todos com quem já transei, e já peguei umas garotas bem doidas. — Os dedos ficaram mais rápidos.

— Idiota… — Yuuto conseguiu dizer entre os gemidos. — Você acha que isso me deixa feliz? — Seiji-kun não disse nada. — Você mentiu para mim — disse Yuuto, em voz baixa.

Ele bufou.

— Foi mal — disse o artista antes de enfiar um segundo dedo dentro.

Yuuto tomou todo o ar que pôde na hora.

— Pare! — gritou com tudo que tinha em seus pulmões.

— Você me deseja, — disse Seiji-kun, sem hesitar por um segundo — tanto quanto eu te desejo. — Ele tirou os dedos e então abaixou suas calças. O membro dele estava duro e latejava tanto quanto o de Yuuto.

— Eu não desejo o você de agora! — gritou, as lágrimas ameaçando cair. — Quero o Seiji-kun que amo… — disse, em voz baixa, chorando.

Seiji-kun virou o professor, segurando o braço de Yuuto. Com sua mão livre, ele puxou as calcinhas do professor para baixo e pressionou sua mão contra as costas do cosplayer.

Isso está errado. É completamente diferente daquela noite, pensou Yuuto, as lágrimas caindo silenciosamente.

Seiji-kun estava prestes a enfiar seu membro dentro de Yuuto. O professor podia sentir a ponta pressionando contra ele.

— O que tem de errado com você? — sussurrou Yuuto.

Por um momento, não aconteceu nada… e então tudo se foi. O membro pressionado contra sua bunda, a mão nas suas costas, a que segurava sua mão… tudo isso sumiu.

Seiji-kun soltou o professor e caiu no sofá.

Yuuto conseguiu permanecer de pé. Ele puxou sua calcinha de volta e virou-se rápido, seus braços levantados em posição defensiva… mas não era necessário. Seiji-kun não estava nem olhando para ele.

— Você tem razão… o que tem de errado comigo? — Ele colocou as mãos no rosto, seus ombros tremendo. — Tem tanta coisa errada… Eu… Eu… Eu quase machuquei você… — chorou Seiji-kun. — Me desculpe… me desculpe… me desculpe… — ele murmurou as palavras de novo e de novo.

O professor ainda estava com as mãos levantadas, mas se aproximou devagar. Ele nunca viu o homem que queria daquela forma. O que poderia ter… de repente, ele soube. Yuuto soube o motivo pelo qual Seiji-kun fez tudo aquilo.

Ainda que o artista amasse provocar Yuuto, ele nunca o machucaria, não em sã consciência.

O professor sabia o porquê de seu ex-aluno passar a noite toda bebendo. Ele podia sentir a dor de Seiji-kun agora.

Sem hesitar, Yuuto abraçou Seiji-kun o mais forte que pôde.

— Pare… — ele disse com um sussurro fraco por entre as lágrimas. — Não mereço você… Eu não mereço estar perto de você.

Agora foi a vez de Yuuto ignorar as palavras de Seiji-kun.

— Mas ainda estou aqui.

Seiji-kun congelou por um momento.

— Quase… fiz algo imperdoável…

— Mas você parou — disse o professor com uma voz baixa, porém firme. Ele desfez o abraço e olhou nos olhos de Seiji-kun. O artista parou de chorar e olhou de volta. — Não importa se tem algo errado com você ou não, não importa se está quebrado ou não, eu… — Ele hesitou, ficando vermelho. Seu coração batia loucamente, como na noite em que ficaram juntos pela primeira vez. Só agora ele percebeu o quão próximos seus rostos estavam. Seja homem, Yuuto, ele disse para si mesmo e respirou fundo: — Eu amo você.

Seiji-kun arregalou os olhos e então as lágrimas caíram novamente.

— Eu não mereço você. — Ele abaixou os olhos, encarando o chão.

Yuuto agarrou o queixo de Seiji-kun e o levantou, forçando o artista a olhar nos olhos do professor. Ele podia sentir todo seu rosto queimando, mas ainda se inclinou para mais perto, dando um beijo gentil nos lábios que ansiou por tanto tempo.

— Mas ainda assim você me tem — disse Yuuto com um sorriso gentil. O ex-aluno ficou mudo.

Seiji-kun chorou e abraçou Yuuto com força, quase como se estivesse com medo de soltar e perder aquele homem.

— O meu avô… ele… — Seiji-kun engasgou as palavras para dentro.

Yuuto entendeu. Dizer tudo em voz alta tornaria irreversível no coração do artista. Em vez de palavras, o professor apenas abraçou o homem que amava de volta. Agora, Seiji-kun precisa de meu apoio, e darei tudo que tenho, pensou Yuuto.



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