História Por favor não desligue - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Layla Heartfilia, Natsu Dragneel
Tags Drogas, Natsu
Exibições 64
Palavras 2.002
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Survival, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Desculpe a demora gente, estava meio ocupada.

Bom, ta ai espero que gostem.

Capítulo 5 - Ovelha Negra


Fanfic / Fanfiction Por favor não desligue - Capítulo 5 - Ovelha Negra

Engraçado, de repente eu comecei a ver a tia Porlyusica com outros olhos. Ela não era só do bem, a tia viúva que ficara cuidando de mim. Ela era legal, uma super-mais-velha! Nossa, eu deixei ela quase louca! Em vez dos coroas, foi ela quem me contou toda a sua viagem pela Europa... Eu fazia uma ideia tão errada, diferente: ela contando, ficou tudo tão legal, um grande barato.

Só pra dar uma ideia, fiquei vidrado no museu de cera da Madame Tussaud, uma francesa que viveu na época da Revolução Francesa. Ela aprendeu a fazer imagens de cera, e se inspirava em personagens célebres que eram levados para a guilhotina em praça pública. Depois ela mudou para a Inglaterra, e ficou famosa por lá. E hoje existe em Londres um museu de cera com o seu nome, que tem imagens de personagens famosos do mundo inteiro em tamanho natural.

Foi tão gozado quando a tia Porlyusica também contou que, quando quis sair do museu, perguntou pra uma mulher fardada onde era a saída. E todo mundo caiu na gargalhada, porque ela falava com uma figura de cera tão sensacional e perfeita que parecia mesmo um policial de verdade.

Eu fiquei triste quando a tia Porlyusica foi embora. Queria que ela contasse mais... Ela foi a primeira pessoa que bateu uma caixa direito comigo naquela casa, que me tratou como gente... além de me contar tantas histórias legais.

Quando ela foi embora, fiquei ainda mais sozinho. Tentei pedir pra Grandine contar também das suas andanças pela Europa, como a tia Porlyusica, mas a mãe foi direta:

– Quer saber, abra a enciclopédia. Tá tudo lá. Muito melhor do que eu poderia explicar.

– Aliás, você nem saberia explicar muito ­– ironizou o pai. – Pela atenção que você prestou na viagem...

– Já vem você implicando do novo comigo – rebateu a mãe, e, antes que o nível baixasse, o pai mudou de assunto.

Que falta me fez a tia Porlyusica!

 

Olhe, eu não sou um cara do mal. Fiquei fissurado em drogas, mas é tudo uma questão de cabeça, entende? Se a minha cabeça andasse legal, não tinha chegado no fundo do poço.

Primeiro que eu me sentia muito sozinho, já falei isso, mas nunca é demais repetir. Era uma solidão muito grande, como se eu tivesse perdido no mundo. É gozado até parece que eu não tinha ninguém, uma sensação esquisita, irreal.

Acho que é porque eles não conversavam muito comigo, nunca houve diálogo aqui em casa. Gostaria que eles sentassem comigo e perguntassem: “Tudo bem, filho? Tá sentindo firmeza? Ou tá ruço? Pintou bobeira?”.

Eu queria também chamar eles de pai, mão, como todo mundo. Parece bacana chamar os coroas pelo nome, mas me deixa um sentimento estranho, de que eles são meus companheiros, não meus pais. Eu queria que eles fossem pais de verdade, dando ordem, exigindo, cobrando... se preocupando comigo! Liberdade demais sempre dá a impressão de que eles não ligam a mínima pra mim.

Acho até que posso ser injusto com eles, eles estavam na maior boa-fé. Confiavam em mim, quer dizer, não era bem confiança, acho que nem por sombra imaginavam que o filho deles pudesse estar se drogando, nem passava pela cabeça deles... Sabe, são pessoas que pensam assim: “Nada nos atinge, porque temos posição, dinheiro, amigos importantes... Essas coisa são pra pivete, filhos dos outros, não pra filho da gente...”

Mas o “filho da gente” tá lá no colégio com a turma dele. E ás vezes conhece outras turmas da pesada... E começa assim: um traz cola, outro, lança-perfume, cheirinho-da-loló, vidro de benzina, depois aparece xarope, e por aí vai...

Quando percebe tá na maior fissura, não passa mais sem drogas. Por quê? Ora, por quê! Se você tem um negócio que dá prazer, o maior barato, aquela sensação de estar no paraíso, pra que você vai voltar pra sua vidinha besta, sem graça, de solidão e tristeza?

Então a gente vai mais fundo... cheira mais inalante, bebe mais xarope, e não vive mais sem essa euforia... Só que a droga vai fazendo cada vez menos efeito, o corpo fica acostumado, então a gente volta cedo demais pra tristeza antiga, fica “down” rapidinho... Aí corre pra droga de novo, aumenta a dose, porque a gente não aguenta a fissura e não dá mais pra viver como antes.

Ás vezes olho no espelho e tenho medo do que vejo: tenho só dezoito anos e pareço bem mais velho. Então lembro daquelas palestras que faziam no salão do colégio, quando vinham especialistas falar sobre drogas. A turma toda enchia o salão com a cara mais santa do mundo – e o panaca falando lá na frente sem parar: que as drogas mexem com os neutransmissores, as substâncias que fazem a comunicação entre os neurônios... quer dizer, bagunça tudo lá no cérebro e pode levar até á morte... O sujeito explicando, todo sério, e a gente na maior gozação:

– Vai ver os neurônios dele é que não tão com nada...

– Faça ele dar uma cheiradinha que ele vai adorar. Não sabe o que está perdendo...

Não serviam pra nada aquelas porcarias de palestras, pelo contrário: tinha quem saísse ardido de curiosidade pra experimentar, e até pedia:

– Como é, veja se me arruma um cheirinho aí, deve ser dez, do jeito que o cara falou... Quero ficar ligado nessa.

Os professores estavam todos contentes, missão cumprida, o diretor do colégio idem, todo importante pelos corredores. Mal sabiam eles que ali tinha gente que transava droga a mil, e não era pipoqueiro nem dono de cantina que punha a droga pra dentro do colégio: os próprios alunos eram os fornecedores, ou, como o pessoal diz “os aviões” que traziam a encomenda e, como eram também dependentes, recebiam dos traficantes em espécie.

Não, não tô falando só dos inalantes que a gente comprava em qualquer loja de ferragem ou mesmo na farmácia – tô falando de coisa mais brava: de erva e de pó. Isso eu conto daqui a pouco, deixe eu falar sobre a vida no colégio.

Eu era péssimo aluno, quer dizer, fiquei... Antes, ainda maneirava, pegava uma ou outra recuperação, faltava ás aulas por preguiça. Ia devagar mas ia. Isso até a transa com as drogas.

Daí... piorou. Fiquei muito agitado, nervoso, não tinha paciência com os professores, nem com os colegas, com ninguém. Tudo era motivo de rebeldia, agressividade, grosseria. Volta e meia era suspenso das aulas. Os professores ficaram de marcação comigo e com a minha turma, que era conhecida ali no colégio, ninguém queria a gente na classe, mandavam a gente de lá pra cá... Acontece que o colégio era particular, custava uma fortuna, e o meu pai e o pai do Laxus, por exemplo, tinham sido alunos do colégio, e muitos bons alunos... Então o diretor fazia média, maneirava. Mas a nossa turma era a ovelha negra da escola.

Eu não estava nem aí... Quando dava na telha, aprontava mesmo. E as vítimas tanto podiam ser colegas, como professores.

Como aquele dia, foi genial! A gente embrulhou uma caixa com papel de presente e deixou em cima da mesa da professora de História. Ela era um tribufu, não tirava os óculos e parecia sempre de mal com a vida. E ainda por cima não largava de uma bolsa triângulo-das-bermudas, onde ela tentava em vão achar alguma coisa...

Então falamos pro Jellal, aquele zé-mané, que era aniversário da professora e que ele, como representante da classe, era quem entregaria o presente...

– E o que foi que vocês compraram? – quis saber ele.

– Ah, é surpresa! – eu disse. – Na hora você vê.

A dona Sayla entrou na sala e o Jellal, todo importante, levantou e pegou a caixa lá na mesa:

– Com licença, dona Sayla. Em nome da classe ofereço esta lembrança, com votos de felicidade...

– Por quê? – disse a professora, espantada...

– Ué, não é o seu aniversário? – O Jellal foi pego de surpresa. Mas eu levantei, na maior seriedade, e expliquei:

– Desculpe, nós pensamos que fosse seu aniversário é só no final do ano – disse ela ressabiada.

– Abra, vá, dona Sayla, a gente gastou toda a mesada pra comprar pra senhora – insistiu o Laxus, fazendo cara de bom garoto.

O Jellal era o queridinho da dona Sayla. Aliás, era o queridinho da maioria dos professores. Pudera, era o melhor da classe. Tinha todas as lições em dia, os cadernos em ordem, estudava pra prova, era educado, respeitoso, credo, cê-dê-efe de primeira, dava até nojo! E ainda por cima era covarde, porque ficou de bico calado quando o Laxus falou aquilo.

– Muito bem – disse a dina Sayla, decidindo abrir o pacote. Afinal, não podia fazer desfeita pro queridinho dela, né?

A rã pulou bem na cara da dona Sayla, que caiu dura no chão. Foi tudo mundo parar na diretoria... principalmente o Jellal, que se descabelava, jurando por todos os santos que não tinha nada a ver com aquilo. Só que ele fizera o discurso de entrega, e era difícil provar a própria inocência. Então, furioso, ele jurou a maior vingança:

– Seus cretinos, me botarem nessa história da rã. Sabe o que eu devia fazer, sabe?

– O quê? – perguntei meio assustado. Afinal, tínhamos telhado de vidro, eu e o resto da turma. E o Jellal sabia.

– Só que não vou fazer – disse o Jellal –, porque senão vocês vão ser todos expulsos do colégio e pinta o maior escândalo...

– Eu posso dizer que você é o “avião” que traz a droga pra dentro do colégio – enfrentou o Laxus. – Em quem eles iam acreditar, hein? No filho do empresário ou no filho do porteiro?

O Jellal ficou com os olhos cheios de lágrimas, até me deu pena, ele era do bem. O Laxus era o maior sádico, também não precisava ameaçar o garoto. Mas eu não podia recuar na frente da turma, podia?

– É o Laxus tá certo, fique de bico calado, senão espirra pra você e não vai ser moleza – completei.

– Sabe qual é o meu consolo? – disse o Jellal, um brilho estranho nos olhos.

– Qual é? Um dia vai ficar rico? – provocou o Rufus. – Só se ganhar na loteria...

– É que vocês não vão dar nada na vida – disse o Jellal. – Vão virar lixo, com essa porcaria toda que vocês usam. Eu já passei de ano, nem preciso de exame...

– Filho da mãe! – O Laxus se atracou com o Jellal e os dois rolavam no chão. Foi um alalaô! Antes que o pessoal da vigilância percebesse, eu e os outros da turma do deixa-disso separamos os dois. E o Jellal ainda falou, meio engasgado:

– Vocês são uns interesseiros que sempre fingiram gostar de mim, só pra eu ensinar vocês. Pensam que não sei? Não sou otário, não. Mas a minha vingança é que não ensino mais ninguém, e vocês todos vão se ferrar.

O pior é que era verdade. Naquela semana tinha prova de matemática... Sem o Jellal tava todo mundo ferrado mesmo.

Então a gente começou a bolar uma tática de guerra, porque a questão era brava: como amaciar o Jellal e fazer ele voltar pra turma? Depois, todo mundo morria de medo que ele abrisse a boca... A gente sabia que ele não era um alcaguete, mas na hora da raiva, né, quem podia garantir?

Fizemos uma comissão e cada um deu um palpite:

– Pena que o carinha não transa nada, senão a agente entupia ele com droga – disse o Laxus.

– Já sei – disse o Rufus. – Ele morre de vontade de ter uma bicicleta.

– E onde a gente vai arranjar uma? – perguntei. – A mesada vai toda pras drogas.

– Eu não falei em bicicleta nova, cara – replicou o Rufus. – A gente descola uma de segunda mão e adoça o garoto. Quem tem mais de uma bicicleta em casa?

– Deixe comigo – disse o Laxus. – Eu descolo uma. Vamos ver se esse besta afina ou não afina...

A bicicleta era toda prateada e tinha dez marchas. A gente deu uma boa polida nela, ficou dez, uma joia. Será como dizia o Laxus, que cada um tinha o seu preço? Até o Jellal?


Notas Finais


Até a próxima, beijos.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...