História Por favor não desligue - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Layla Heartfilia, Natsu Dragneel
Tags Drogas, Natsu
Exibições 35
Palavras 1.478
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Survival, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Desculpem a demora, demorou um pouco pra pensar na capa do capítulo e editar.

Prometo que posto outro ainda nessa semana.

Capítulo 8 - Eu faço qualquer coisa.


Fanfic / Fanfiction Por favor não desligue - Capítulo 8 - Eu faço qualquer coisa.

É fácil a gente descer ao fundo do poço... O difícil é sair dele. A minha vida ficou tão sem sentido! Nada parecia dar certo. Ficar de recuperação era um pesadelo, passar de ano, outro. Sem falar em conseguir grana pra droga. Eu vivia agitado, angustiado, deprimido... A Lucy só me olhava de longe, meio ressabiada. Eu devia parecer um bicho-do-mato pra ela.

Também, pudera! Eu nem ligava mais pra minha aparência, desleixei até em questões de higiene... Não tomava banho ou trocava de roupa, sem ligar mais pra nada. Meu hálito (eu sabia por sentir o dos outros da turma) cheirava a erva queimada.  A boca vivia seca, por dentro e por fora, até a garganta, os lábios também rachavam como se fosse época de frio. E como a gente fumava os baseados até o fim, pra aproveitar bem, o indicador e o polegar ficavam manchados por causa das queimaduras.

Vivia gripado, saía de resfriado e pegava outro, acho que a minha imunidade baixou porque eu não comia direito, além de ter uma tosse constante. Desse jeito, com essa beleza de figura, como eu podia esperar que a Lucy se interessasse por mim?

Na escola, claro, o Jellal foi ganhando terreno... Todo certinho, bem-arrumado mesmo nas roupas simples dele, ele parecia sempre ter saído do banho. Eu precisava reconhecer, ele parecia sempre ter saído do banho. Eu precisava reconhecer, ele era do bem. Ninguém podia pôr defeito: nem professor, nem os coroas, droga! E se juntou com a Lucy numa dupla de geniozinhos – um curtindo a inteligência do outro. Podia ter coisa pior? Pra mim, naturalmente, porque eles tavam nas alturas!

E quando eu ficava pra baixo, tenso, precisava de mais droga. E pedia pro Laxus:

– Veja se me descola uns bruxos que eu tô na pior...

– Tem grana, cara?

– Deixe que eu arrumo.

A coroa tava ficando desconfiada. Era tanta grana extra que eu perdi! Vivia de óculos escuros por cima das lentes de contato pra não dar bandeira, ás vezes nem conseguia usar lentes de tão congestionados que ficavam os meus olhos...

Flagrava os coroas cochichando... Quando eu chegava perto, mudavam de assunto. Será que desconfiavam de alguma coisa? E o pai falava:

– Você anda tão desleixado ultimamente. Natsu, parece que nem toma banho. Com tanta roupa de grife, tá com cara de peão de obra. Veja se toma jeito, rapaz, corte esse cabelo, fiquei com aparência de gente!

Depois de puxar o baseado o difícil era dirigir. A gente perdia a coordenação motora, não tinha mais reflexo rápido, noção de espaço, um saco! Um dia eu massacrei o carro da coroa, escapei por um fio... Tava no seguro, ficou um mês na oficina. O Igneel ficou passado, foi um auê lá em casa. A Grandine, então, só dizia:

– O que aconteceu, Natsu? Você mudou tanto que ás vezes eu até penso que tenho um estranho aqui em casa. Esses seus olhos vivem vermelhos... Deve ser algum problema com as lentes, vou marcar um oftalmologista.

Dessa vez não teve jeito: caí de cama com “gripe”. Aliás, eu vivia gripado. Fiz o maior escarcéu, e a Grandine desmarcou o oculista. Só que ela punha o termômetro e estranhava:

– Você com todo esse mal-estar, calafrios, e nem tem febre. Coisa mais esquisita!

Tava ficando ruço, era mentira de todo lado. Eu me sentia perdido. Dava bandeira, deixava sinal pra que me encontrassem... e nada! Cada vez me sentia mais abandonado e sozinho, como se não tivesse família, nem ninguém. Um desespero, uma angústia... Não via mais graça em nada, sem objetivo de vida, sacou?

Nem um sonho pra me agarrar, assim como bóia, salva-vidas. Eu queria, mas eu queria tanto ter um sonho grande, bonito, que fosse assim como um oásis no meu deserto... uma luz me guiando, me animando a ter tantos colegas lá do colégio, tão tranquilos, na deles, na maior...

E me perguntava por que comigo tinha de ser tão diferente, qual a razão de viver assim tão desesperado.

Sozinho eu não conseguia achar a solução – o fora da Lucy tinha sido a última gota, daí afundei pra valer. Quando mais sentia pena de mim mesmo, mais transava droga... e, quando mais transava, mais ficava na pior, porque, logo depois de bater o efeito – que o corpo vai acostumando e pega tolerância –, eu caía na real, e a realidade era demais pra mim, não suportava viver nela. Então precisava de mais droga, pra voltar praquele mundo dourado, de euforia e luz, que eu sabia era postiço – apenas miragem lá no meu deserto –, mas que ainda assim me ajudava a suportar o horror em que se transformou a minha vida!

Eu tinha plena consciência disso, e essa consciência latejava dentro de mim como um abscesso... que eu devia ter encarado, furado, pra sair todo o pus... Mas eu deixava lá latejando, queimando, cobrando, me matando aos poucos...

E fazia de conta que era feliz, na companhia de Laxus, do Lyon e do Rufus, e agora também da Lisanna, a turma mais da pesada do colégio, de quem todos fugiam, principalmente a Lucy. Fazer parte daquela turma parece que agradava uma parte de mim meio escura, escondida, que eu não conhecia bem e da qual tinha até medo... Isso era mais forte que eu, que a vontade de sair dessa, sei lá, de crescer...

Da erva para o pó foi um passo, lembro muito bem: o Laxus deu uma festa na casa dele, num fim de semana, quando os coroas estavam viajando, como sempre faziam.

Convidou assim o pessoal mais chegado, além da turma. E a Lisanna trouxe a turma dela também, uma tribo de mataleiros de moto, roupa de couro, um sarro.

No meio do auê, o Laxus veio todo importante, com uma bandeja na mão. Na bandeja tinha uns papelotes com um pó branco e cristalino.

– Chegou a hora da velhinha – disse o Laxus. – Só que em vez de apagar a gente vai chegar...

Então, o Laxus fez umas carreirinhas em cima do tampo da mesa, que era de espelho, batendo bem com a gilete, pra separar o pó. E convidou um por um (a maioria ali transava droga) pra cheirar uma carreirinha. Teve cara que fez canudinho com nota bem nova de dólar, estalando, só pra dar status.

O Laxus me avisou:

– Vá devagar, que, na primeira, a gente nunca sabe a reação do corpo, né?

– Você já cheirou antes? – perguntei, admirado.

– O neném aqui é você – riu o Rufus. – Você é a debutante: Vá nessa, meu!

Fiquei passado, eles eram tão meus amigos, e faziam coisas sem mim. Eles iam ver. Fui com tudo. Embarquei na nave espacial e fiz a viagem...

A cocaína é uma armadilha, percebi quando já era tarde. Ela dá uma ilusão danada de que você pode fazer tudo, na melhor. Acho que é por isso que tanta gente, artista, executivo, profissional liberal, jornalista, cai nessa armadilha.

Quando eu cheirava a farinha, a vida ficava fácil, me sentia capaz de tudo: de estudar, de compreender até matemática, de jamais ficar de recuperação ou repetir de ano. Eu virava herói, guerreiro, um cara com superpoderes. O mundo tava ali, do mesmo jeito, cheio de misérias e dores, mas eu era um vencedor. Porém, a sensação durava pouco, e de repente eu caía na real, e me sentia de novo um verme!

Então, pra garantir aquela sensação de plenitude, de conquista do mundo, eu cheirava mais... Tinha cara que esfregava o pó nas gengivas... Aquilo era uma muleta, como se a gente tivesse uma perna só e precisasse de ajuda pra poder andar, correr, competir, vencer!

O grama do pó custava cada vez mais barato, mas pra gente ainda era caro. E, se diminuía de preço, aí pintava o maior medo, porque os caras misturavam uma porção de coisas pro pó render: Iydocaína, pó de vidro, talco, sei lá quantas porcarias mais... Mas o Laxus garantia que era da pura... Assim podia cobrar caro pela nossa ilusão de felicidade. Mesmo assim dava medo: se era da pura era superforte, não se podia errar na dose...

Então... eu entendi o Igneel, aquele garoto que tinha morrido de tanto xarope. Porque quando a grana acaba e o desespero para conseguir a droga é insuportável, a gente é capaz de fazer as coisas mais terríveis.

Quando a Grandine e o Igneel me negaram mais grana eu apelei, parti pra ignorância: fiz o diabo lá em casa, quebrei tudo o que vi pela frente! Nunca vou esquecer o olhar de espanto dos coroas, como se tivessem um marginal diante deles:

– Que é isso, Natsu, você enlouqueceu?

– Será que você está doente? Com esse olhar tão estranho...

Queria grana, só isso, mais grana e grana... Com o pó eu não sentia fome, nem sede, nem cansado. Com o pó eu ficava calmo, era um rei! Pra conseguir o pó eu faria qualquer coisa!


Notas Finais


Nos vemos na próxima e bye.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...