História Por Que Eu? - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Karin, Kizashi Haruno, Mebuki Haruno, Mei, Naruto Uzumaki, Sai, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju
Tags Adolescência, Drama, Gravidez, Naruhina, Saiino, Sasusaku, Shikatema, Suikarin
Visualizações 366
Palavras 5.049
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Ecchi, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oie! ^^

Capítulo 13 - Pode Gemer O Quanto Me Ama?


Verão

22 Semanas

 

– Mãe, eu não sei o que fazer – Confessou o rapaz transtornado. – Eu amo muito a Sakura, e ela parece retribuir, mas as vezes eu sinto que – desviou o olhar para o porta-retratos na estante que continha uma foto dos dois.

 

Na foto em questão, Sai abraçava a garota por trás, ambos com enormes sorrisos no rosto. As mãos do rapaz tocavam sua barriga com ternura. A fotografia havia sido tirada pela mãe dele, no jardim de sua, nada humilde, casa.

 

O barulho incessante dos dedos da mulher sobre o teclado, aumentavam ainda mais a sua inquietação. A sua mente parecia prestes a entrar em colapso. Passou as mãos no rosto, mordeu a bochecha.

 

Amava Sakura, porém não sabia a verdadeira intensidade de seus sentimentos. Precisava de respostas, e quem melhor que sua mãe para lhe dar conselhos sobre amor? Ela era quem melhor entenderia, e saberia interpretar a situação.

 

Havia um misto de sentimentos dentro dele. Queria Sakura para si, ter uma vida ao lado dela. Queria aquele bebê para si, havia despertado um instinto paterno sobre aquele menino. Queria protege-lo. Queria ser o marido e pai que eles mereciam. Mas uma parte, uma pequena parte, insistia que faltava algo.

 

Esse algo, na sua visão, era um filho apenas deles. Um bebê seu e de Sakura. Assim que o menino nascesse, e tivesse com certa idade, teriam mais um filho. Um filho apenas deles. Uma criança para esfregar na cara de Sasuke Uchiha.

 

– Ela está passando por um momento difícil, meu filho, você precisa compreender.

 

A mulher escrevia em seu computador, sem desviar os olhos da tela, os dedos ágeis davam vida aos personagens do novo romance. Sai, batia o pé no chão impaciente. A mulher sorria da inquietação do filho. A famosa escritora, H.K., estava no terceiro volume de sua saga.

 

– Tenho medo, mãe. Medo dela não ter esquecido o Sasuke.

 

Retirando os óculos, Hanare atentou-se ao filho. Detestava ver seu menino tão ansioso. Pelo pouco que conhecia de Sakura – das raras vezes em que os visitara –, sabia que a garota nutria sentimentos por seu filho.

 

– Não seja bobo, menino, eu vejo o modo como ela o olha. Tem amor ali. É claro que ela deve sentir algo por seu primo, mas pense bem, ela vai ter um filho dele. Um filho, é um laço eterno, eles sempre serão os pais daquela criança.

 

– Não me lembre que somos da mesma família. – O rapaz saiu batendo a porta do escritório.

 

Ela girou na cadeira mordendo a perna dos óculos. Sai precisava resolver isso, ela sabia que em parte a culpa era sua, mas o que faria para resolver? Como fazer Sasuke e Sai fazerem as pazes?

 

– O que eu faço com essas crianças?

 

...

 

O silêncio se estendia entre os dois. A proximidade ao invés de ajudar atrapalhava. Sasuke estava nervoso, tinha medo de tudo o que estaria por vir, caso levassem aquilo a frente. Não queria parecer rude, porém não via meio mais fácil de dizer aquilo. Não havia maneira de amenizar a situação. Era tão difícil para ele quanto para ela. – Suspirou. – Tinha que dizer, por mais magoada que ela ficasse. Um dos dois precisava ter os pés no chão.

 

– Sakura, não podemos ter esse bebê – Tentou contato visual, porém ela desviou o olhar. Sasuke já esperava esse tipo de reação dela.

 

– ...

 

– Sakura, por favor, olhe para mim – Ele pediu em um tom baixo, mas sua voz estava tremula. Segurou o rosto fino da menina, que nada dizia. Estava em choque por ouvir aquelas palavras saírem da boca do rapaz – olha para mim! – Apontou para si mesmo e ergueu os braços. Logo sua voz se alterou e saiu quase como um rosnado – Como posso ser pai, Sakura? Como vou criar um bebê? – Ele não desviava os olhos dela – Eu não tive um pai, não sei como um pai deve agir. Não sei o que é ter uma família.

 

Sakura virou o rosto cheio de lágrimas, iria sair do quarto quando o rapaz segurou o seu braço. Ela sabia dos problemas dele. De seus transtornos psicológicos, de suas dúvidas, suas angustias e seus medos. Mas mesmo assim, jamais imaginou que logo ELE, seria capaz de rejeitar uma criança. Estava nervosa, não queria continuar ali, não queria mais olhar para ele.

 

– Como posso? – Perguntou quase em um sussurro –  E se eu for um monstro? – O rosto estampando toda sua agonia. Seu peito doía, nunca foi tão sincero com outras pessoas, como era com ela. E isso o assustava.

 

Sasuke não se abria assim nem mesmo com Itachi. Após seus pais não acreditarem quando lhes contou o que vinha acontecendo, o menino se fechou. Era melhor guardar para si próprio do que virar motivo de chacota.

 

– Você não é um monstro, Sasuke – Desarmada a menina soltou seu braço do agarre, e segurou o rosto do rapaz entre as mãos – Se o fosse, não estaria preocupado com o destino desta criança.

 

Pegou a mão dele, cautelosa – Pois ele era como um cão assustado, que a qualquer movimento brusco e inesperado, atacaria ou fugiria correndo de medo – E com cuidado a colocou sobre seu ventre. Ele olhou-a admirando seus orbes verdes, desceu o olhar para a pequena saliência que começava a despontar, e então sorriu.

 

– Tenho medo, Sakura – Uma lágrima brotou de seus olhos. Tinha tanto receio, mas apesar de tudo, Sakura lhe dava esperanças. Ela fazia as coisas parecerem mais brandas. Ela tentava consola-lo de algo que não possuía reparo.

 

Ele sabia que estava quebrado, também sabia que não tinha conserto para isso. Mas estar com ela, o fazia crer que as coisas poderiam ser melhores. Com Sakura, o futuro parecia... bonito. Era grato por ela nunca tocar no assunto daquela noite.

 

– Você não teve culpa do que fizeram com você – O rapaz endureceu, apenas ao ouvir menção do fato que mais lhe atormentava todas as noites. Odiava tocar naquele assunto, principalmente quando sentiam pena dele.  – Você era só uma criança – Sakura deixou suas emoções a dominarem e lágrimas molharem seu rosto. Sentia-se mal por toda dor sofrida pelo rapaz.

 

– Não quero falar sobre isso – Sasuke soltou as mãos de Sakura, que seguravam seu rosto e braço, virou-se de costas para ela, um tanto transtornado. Em seguida se retirou do quarto, deixando a menina atordoada. Memórias invadiam sua mente sem permissão, causando-lhe ainda mais desconforto. Ele bateu a porta sem dizer mais nada.

 

– Idiota! Idiota! – Sakura batia as mãos na testa, se martirizando por ter tocado no assunto. Ela sabia o quanto era deliciado, e que Sasuke se recusava a dizer para alguém além dela.

 

...

 

Sasuke dirigiu através da chuva forte que caia na cidade. Se sofresse algum tipo de acidente, seria um alivio para sua alma perturbada. O barulho da agua contra o capô do carro o deixava ainda mais irritado.

 

Odiava ser assim. De todas as pessoas do mundo, por que justo com ele? Com tantas pessoas ruins no mundo, com tanta gente que merecia, por que logo ele? Afinal o que Deus queria? Já não havia sofrido o bastante?

 

As memórias de sua infância invadiam sua mente, a voz de Sakura rondava suas lembranças. Ele sabia que não era culpado. Não precisava dela para lhe dizer isso.

 

– Tio, tio – O menininho pulava pedindo atenção – Olha tio, eu tirei dez – não parava de saltar com a folha em mãos.

 

– Calma, Sasuke – o mais velho repreendeu o pegando no colo. – Não me interrompa quando estiver ao telefone, menino – ele bagunçou os cabelos do garotinho com uma mão.

 

– Eu tirei um dez – fez questão de frisar, enfiando a folha na cara do tio.

 

Madara suspirou colocando o pequeno Sasuke no chão. Pegou a folha que era quase esfregada em seu rosto, e analisou. Sorriu ao ver todas as perguntas respondidas corretamente.

 

– Veja isto, Shisui – chamou seu filho lhe entregando a folha – Sasuke-kun se saiu muito bem na sua prova, não acha? – O menino correu os olhos sobre a folha e devolveu ao pai.

 

– Sim, papai. Ele foi muito bem – sorriu para o primo dois anos mais novo.

 

– Ele merece um prêmio não acha? – Shisui ficou tenso, seus olhos viraram institivamente para o pai.

 

– Eu, não sei – Deu de ombros.

 

– Ora, vamos garoto! – Estimulou o filho abraçando seus ombros.

 

– Você vai adorar, Sasuke – Shisui sorriu.

 

 

Ele parou o carro no acostamento. Depois de tudo, seu passado ainda o atormentava. Teve tantas mulheres quanto podia em sua cama. E teria muitas mais ainda. Adorava o prazer de tê-las submissas a ele. Entregues ao seu toque, entregues a ele.

 

“Quem é a minha putinha? Geme pra mim, geme minha vadia gostosa”

 

Ligou o carro e adentrou os portões altos do cemitério. A chuva parecia ter espantado as almas vivas daquele lugar o deixando ainda mais sombrio. Ao estacionar, desceu e caminhou até o seu destino.

 

Seus pés pareciam pesar uma tonelada sobre a rua calçada de cascalhos. O som dos passos apressados, sua respiração acelerada, e as gotas grossas, formavam uma sonata mórbida em seus ouvidos.

 

Não se importando com a lama em suas roupas, ele se sentou diante a lápide do tio. As lágrimas misturadas a chuva escorriam por seu rosto contorcido em dor.

 

– Por quê? – Gritou para a foto sorridente. – Por que teve de ser assim?

 

Logo após a morte de Izuna, foi quando tudo começou a dar errado na vida do pequeno Sasuke. Primeiro, ele perdeu o tio, depois o melhor amigo, e em seguida sua inocência, um tempo depois perdeu o primo, e por último perdeu sua fé na humanidade.

 

Ele encarava o mármore como se fosse seu tio. Passou a mão pelos cabelos, fazia exatos seis anos desde a morte do tio, e com ela o início dos problemas. Sua tia havia renunciado ao nome Uchiha, se casando com um homem rico com um capital cinco vezes maior que o de sua família. Isso foi suficiente para abalar as frágeis estruturas familiar Uchiha.

 

Itachi passou a ser o herdeiro principal da companhia, porém renunciou dizendo que jamais iria ficar o dia todo preso em um escritório – e por alguma razão estranha, a decisão de um menino de treze anos foi mais relevante do que a de dois adultos.

 

O segundo na linhagem de sucessão era Shisui, mesmo sendo o mais velho dos primos, com quatorze anos, ele era o terceiro na lista. Estava tudo indo muito bem, até aquele fatídico dia. Sasuke chamava aquele dia como o dia que nunca deveria existir. Ele costumava fingir que não existia, e se alguém tocasse no assunto, simplesmente dizia: “Esquece isso”.

 

Com o acidente sofrido por Shisui, Sasuke passou a ser o herdeiro principal. Porém tudo o que um menino de doze anos quer é brincar. Mas a responsabilidade veio junto da certeza que fracassaria. Seu pai fazia questão de esfregar o quão insatisfeito estava com aquilo a cada segundo.

 

Sempre que tinha a oportunidade, Fugaku falava sobre como sua importante companhia iria à falência assim que o caçula assumisse ao controle. Sasuke sentia-se ainda pior. Seu pai nem ao menos tentava disfarçar. Tudo seria tão mais fácil se ele pudesse abandonar tudo. Sumir, ou quem sabe até mesmo morrer.

 

Como em resposta as suas preces, uma trovoada alta reverberou por todo cemitério o iluminado. Sasuke atentou-se a lápide e com a voz tremula se defendeu.

 

– Eu não posso suportar. Você entende? Esse fardo. Ele não é meu. Sai deveria assumir tudo. Ele é o herdeiro principal.

 

As mãos de Sasuke cravaram-se no chão, a vontade de gritar era grande, e sentia sua respiração falhar em meio aos soluços. Tudo podia ser facilmente resolvido, era só uma questão de seu tio e seu pai imporem seus direitos. Um estrondo mais forte e uma luz forte clareou seus pensamentos.

 

– O que está fazendo? – A voz altiva soou de suas costas, fazendo com que Sasuke ficasse tenso.

 

Não estava pronto para aquele tipo de confronto agora. Mas ao seu ver, seu tio achava que era a hora de tudo aquilo acabar, e talvez, tivesse razão.

 

– Há quanto tempo está aqui? – Perguntou receoso. Demonstrar fraqueza ante seus inimigos não era algo bom.

 

–Não me respondeu, Sasuke. O que faz no tumulo do meu pai?

 

O rapaz se abaixou depositando um pequeno buquê diante a lápide. Juntou as mãos e fez uma breve reverência. Sasuke observou o primo sentar-se ao seu lado em meio a lama. Tensos, os dois encararam a foto de Izuna. Não sabiam o que dizer na presença um do outro.

 

– Sempre que busco por respostas, costumo vir aqui. – Sasuke respondeu após um longo período em silêncio.

 

O rapaz ergueu a sobrancelha confuso. A perna dobrada batia com o pé no chão demonstrando sua ansiedade.

 

– Sempre visita meu pai? – Sai estava realmente surpreso pela afirmação de Sasuke.

 

– Correção, eu não visito o seu pai, eu visito o meu tio. – Sasuke cutucou irritado.

 

Sai suspirou. Sabia que todos os Uchiha guardavam uma grande mágoa dele, mesmo que não tivesse culpa alguma. O que uma criança poderia fazer? Ele queria agradar a mãe, após alguns meses a vendo chorar pela morte do pai, finalmente possuía um meio de vê-la feliz. Ele ia se defender, mas Sasuke não lhe deu tempo.

 

– Você se diz filho dele, mas usa o sobrenome daquele homem – Cuspiu as palavras carregadas de ódio e mágoa. – Você renunciou ao seu nome, e ainda se diz filho de Izuna. “Prazer sou Sai Kaneko” – ironizou – Como pôde? Como consegue dormir à noite?

 

Sasuke poderia continuar a acusa-lo durante toda a noite, porém um relâmpago passou como um dragão elétrico bem ao lado dos dois. Sai abaixou a cabeça, e Sasuke arrumou a postura.

 

– Desculpa! – Pediram em uníssono para a foto.

 

O cemitério se iluminou enquanto um som ensurdecedor se propagou pela cidade. Sasuke ergueu a cabeça para ver o primo, e este lhe olhava com olhos assustados. Engoliram em seco, esperando pelo próximo raio que cairia, porém ele não veio.

 

– Me desculpa! – Sasuke virou o rosto para o lado constrangido – Por tudo. Por sempre implicar com você. Por dizer que não é da família. Por te bater. Por xingar sua mãe...

 

– Já chega, já entendi – Sai sorriu minimamente – Desculpa por te abandonar quando você mais precisou. Desculpa por não estar lá quando o Shisui... – as palavras sumiram dando lugar as lágrimas. Era tão doloroso para ele quanto para Sasuke.

 

Os dois se abraçaram, e por alguns minutos, era como se voltassem a ser apenas duas crianças inocentes. Deixaram sair tudo o que estava guardado dentro de si através das lágrimas. Juntos lavaram suas almas, liberando o peso que os consumia, liberando o perdão que não sabiam estar prendendo. E sem que percebessem a chuva cessou.

 

...

 

Verão

24 semanas

 

 

Desde o dia em que Sasuke esteve em sua casa, Sakura decidira que não esperaria nada da parte dele em relação ao bebê. Claro que no dia em questão ela chorou, e ainda se culpou pelo modo como lidou com a situação, mas por fim percebeu que não havia feito nada de errado.

 

Depois que Sasuke saiu de sua casa atordoado, desesperada Sakura ligou para Karin, e as duas conversaram por horas. Ela percebeu que a ruiva era uma confidente melhor que suas amigas. Karin não a julgava, muito menos espalhava seus segredos.

 

Conversaram muito, e a moça ajudou a lidar com seus temores. Sakura ficava a cada dia mais surpresa com a sabedoria demonstrada pela ruiva. Ela sempre tinha bons conselhos, fazendo-a aparecer mais velha do que realmente era. Mas em alguns momentos ela parecia tão imatura quanto uma pré-adolescente.

 

A casa da ruiva aos poucos se tornava uma extensão da sua própria. Karin andava de um lado ao outro impaciente. As roupas estavam todas espalhadas pela cama, e Sakura sorria do desespero da menina. A música baixa deveria fazer o trabalho de relaxar a ruiva, porém só fazia com que se sentisse ainda mais ansiosa.

 

– Sabe que pode usar qualquer coisa que ele vai gostar, né? – Sakura perguntou pegando uma almofada e colocando sobre o colo.

 

Karin lançou-lhe um olhar inconformado. Ela estava dando seu melhor para estar apresentável no encontro com Suigetsu, e Sakura fazia pouco caso de seu trabalho árduo. Ela entendia, que para a menina, a roupa para um encontro era algo simples, levando em conta o estado em que se encontrava.

 

– Eu sei que é bobeira para você, mas para mim é tão importante quanto descobrir o sexo do bebê. – Explicou.

 

Sakura parou de rir. Não era do seu feitio zombar dos problemas alheios, principalmente quando a pessoa em questão era Karin. As duas haviam se tornado boas amigas, e a rosada até mesmo arriscava a dizer que eram melhores amigas.

 

– Desculpa – pediu constrangida – Às vezes eu esqueço como é ser uma adolescente normal, com problemas normais.

 

Horrorizada, Karin se jogou aos pés da amiga, segurando suas mãos entre as suas.

 

– Nunca mais diga isso, ouviu? – Sakura arregalou os olhos – Você é uma adolescente normal, Sakura. Uma adolescente normal que terá um bebê. Um lindo bebê, com um homem lindo, mas que precisa ser lapidado.  

 

Sakura sorriu sentindo as lágrimas se formarem em seu rosto. Karin era sem dúvidas a menina mais incrível que já conhecera. – E ela deveria parar de se deixar levar pelos malditos hormônios da gravidez, que a faziam chorar por tudo.

 

– Obrigada, Karin – ela abraçou a amiga. – Obrigada por estar ao meu lado nos momentos mais difíceis. – Karin ia abrir a boca, mas Sakura não a deixou – Eu preciso agradecer sim. Pois você esteve ao meu lado, quando até mesmo minhas melhores amigas me abandonaram. Quando todos viraram as costas para mim, você me estendeu a mão. – Sorriu.

 

– Ah, sua chata, não me faz chorar – Ralhou secando os olhos antes que escorresse borrando a maquiagem.

 

...

 

A porta da sala bateu, e Itachi bufou irritado. – Sabia quem era – Seu irmão parecia a cada dia mais irritado, e ele sabia que era por causa dos pais. As coisas não iam bem para o Uchiha mais novo, Fugaku havia decido que Sasuke trabalharia para manter seus gastos. “Aprender a ter responsabilidades”, ele havia dito. Mas itachi sabia que era apenas um jeito de castigar o garoto.

 

Sasuke estava trabalhando como vendedor em uma loja automotiva, pois seus pais acharam melhor ele aprender a “se virar sozinho”. Itachi achava tudo aquilo um absurdo, sua família era rica, poderiam nadar em uma piscina de dinheiro se assim o quisessem. Poderiam arrumar uma vaga para Sasuke na empresa da família. Que aliás ele era o próximo herdeiro principal.

 

Sasori levantou, se Sasuke havia chegado, era hora de ir embora. Não suportava ficar no mesmo ambiente que o rapaz, sua vontade de o matar não havia passado, mas tentava manter a paz.

 

– Está tarde, já vou indo – Deu um soquinho no ombro de itachi e se dirigiu para a porta.

 

Sua mão já estava na maçaneta quando ouviu algo inusitado. Por instantes pensou estar fantasiando, mas quando ele perguntou pela segunda vez, soube que era real.

 

– Como está sua irmã? – A voz de Sasuke parecia abatida, e por um segundo Sasori sentiu pena do garoto.

 

– Está bem, fez alguns exames essa semana. – Virou para trás para responder. Ele era o pai do bebê afinal de contas, era justo saber como estava a saúde do filho. – Sabia que a gravidez dela é de risco? – Sasuke balançou a cabeça.

 

– Não tenho a visto muito. – Confessou – Algum risco de perder o bebê? – Questionou preocupado.

 

– Pouco. Já passou mais da metade da gestação. Ela está se cuidando, fazendo dietas, evitando esforços desnecessários, e principalmente, tentamos manter o ambiente o mais calmo possível para ela não se estressar.

 

Sasuke sentiu um arrepio subir por sua nuca.

 

...

 

Sai estava irritado. A empresa de seu padrasto parecia prestes a ruir, e ele sabia que isso logo aconteceria. Ele era jovem e inexperiente, tudo parecia complexo demais aos seus olhos.

 

Cansado ele deitou a cabeça sobre a mesa, as paredes pareciam rodar e zombar de sua tragédia. Estava apaixonado pela garota mais perfeita que já conhecera, porém, ela estava grávida de outro cara.

 

Tudo o que ele queria era um pouco de paz. Geralmente ele encontrava isso no escritório, mas dessa vez ele encontrou um caos grande demais.

 

Talvez devesse voltar para casa, tomar um banho quente, tentar relaxar, mas sua cabeça continuava a dar voltas e voltas sem sair do lugar. Quando sua vida havia se tornado tão amarga? Essa era uma pergunta sem respostas para ele.

 

Seu celular tocou tirando sua mente do loop infinito em que se encontrava. Ao olhar o visor ficou desconfiado, era um número desconhecido.

 

– Alo! – A voz altiva ressoou pela sala silenciosa.

 

– Sai? – Uma voz feminina invadiu seus ouvidos fazendo um alarme soar em sua mente.

 

– Sim? Quem é? – Não costumava receber ligações de mulheres, e quando recebia ou eram Sakura e sua mãe, ou ligações da empresa – e essas nunca eram tão informais a ponto de chama-lo pelo primeiro nome.  

 

– É Ino, desculpa ligar a essa hora – Ino. O nome fez um eco em sua mente. – Sai? – Perguntou após um longo período de silêncio – está aí?

 

– Sim! – Respondeu após limpar a garganta. – Estou ouvindo.

 

Os dois ficaram em silêncio. Sai não sabia o que a loira queria, mas tinha certeza que coisa boa não era. Ino não era confiável aos seus olhos.

 

– Eu... – choramingou fazendo o rapaz arrumar a postura – não sei... Eu.... Só... – as palavras eram entrecortadas por longos suspiros e Sai percebeu que ela se forçava a não chorar – me desculpe. Foi um erro. – Só após alguns segundos de silêncio foi que o rapaz percebeu que ela havia desligado.  

 

Após um período refletindo, uma dúvida ainda assolava a mente do jovem. Como ela conseguiu seu número? E por que ligou para ele?

 

...

 

Na casa dos Uzumaki, Sakura almoçava sentada à mesa. Sentia-se uma intrusa, como se sua simples presença profanasse a comunhão daquele lar. Ela era “a garota grávida”. Aquela que havia se tornado o maior exemplo de “não seja como essa menina”, e estava assentada a mesa com uma família cristã.

 

Esperava a qualquer momento pelos julgamentos provenientes dos adultos, mas para sua surpresa e alívio, tal coisa não aconteceu. A família de Karin era realmente muito agradável, talvez tanto quanto a sua.

 

A senhora Uzumaki era um amor de pessoa, e lembrava muito sua própria mãe quando estava nervosa. O senhor Uzumaki, era muito bonito e aparentava ter menos idade do que realmente tinha.

 

– Como é ter uma vida crescendo dentro de você, Sakura-chan? – Naruto perguntou enquanto enchia a boca com um pedaço enorme de lasanha.  

 

– Não fale de boca cheia – Kushina ralhou dando um tapa na cabeça do filho.

 

– Desculpa – Pediu terminando de engolir o alimento.

 

– Não te criei para ser um troglodita – murmurou a mais velha, fazendo o marido sorrir.

 

– Ele é só um menino, Kushina – apaziguou com seu jeito tenro de ser.

 

O clima agradável foi interrompido pelo toque do celular de Naruto. O rapaz ficou vermelho, o constrangimento estampado no rosto foi substituído pelo branco. Sua mãe o mataria. Celular na mesa era algo proibido, e Kushina levava suas regras muito a sério.

 

Rapidamente ele desligou o aparelho o arremessando para longe – que no caso foi o sofá da sala. – Logo a paz reinou, e o assunto principal era a namorada misterioso do pobre rapaz.

 

– Ele fica a noite toda conversando com ela no celular – Declarou Karin, que tinha o quarto ao lado do irmão.

 

– Outro dia ele estava que era só sorrisos, enquanto escrevia no celular – Kushina suspirou com um olhar apaixonado – parecia seu pai quando me escrevia cartas de amor.  

 

– Cartas de amor são tão ultrapassadas – pontuou Karin enquanto levava uma colher de bolo aos lábios.

 

– Na minha época – Começou Minato – não existiam esses smartphones tão avançados. Celular era apenas para fazer ligação, e quem possuía um era considerado rico. As crianças não ficavam presas em um mundo virtual, elas corriam e brincavam na rua. Levavam uma vida saudável. Não era como hoje em dia.  

 

– Papo de velho não, papai – Pediu Karin sorrindo. – Você está muito novo para falar assim.

 

– Mas quem é a garota? – Sakura perguntou curiosa.

 

O loiro parecia um pimentão com peruca. Engasgou-se com o bolo, tendo que ser socorrido pelo pai que lhe deu leves batidinhas nas costas.

 

– Não tem garota nenhuma – se defendeu.

 

– Pai – Karin levantou assustando a todos – Chame o pastor, um padre, ou exorcista, seja lá o que for. Eu não quero um irmão gay!  

 

Minato olhou para a filha boquiaberto. Primeiro, porque ele era o pastor. Segundo, padre? Aquela menina andava vendo filmes demais. E terceiro, mas não menos importante, quando foi que sua menina se tornara tão intolerante?

 

– Karin, sente-se – ordenou – seu irmão não é gay. E se o fosse, não haveria problemas. Ele –ainda pertence a esta família.  

 

A menina abaixou a cabeça constrangida, sabia que estava errada. Nunca deveria ter dito aquelas palavras. Era certo que seria ralhada.

 

– Me desculpe – sussurrou.

 

– Onde está o seu amor ao próximo, Karin? – Perguntou o irmão – amai ao próximo como a ti mesmo. Lembra? – Sakura colocou o cabelo atrás da orelha, observando a cena.  

 

– Chega disso. – Minato decretou cansado. – Tenho que ir para a igreja. Haverá uma reunião com os lideres hoje.

 

Naruto se retirou sem terminar sua sobremesa. Estava chateado com o julgamento de sua irmã. Ele só não queria sair por aí dizendo que tinha uma garota, porque, na verdade não tinha. Ele estava trabalhando. Fazendo a obra de Deus, cuidando dos feridos, levantando os caídos. Essa era sua missão como cristão.

 

– “Ide e pregai o evangelho a toda criatura.”

 

E se a criatura em si, fosse uma menina, que mal havia? Ele não discriminava as pessoas por sexo, religião, idade ou sexualidade.

 

Karin havia ficado desconcertada com a situação causada por si. Sabia que estava errada. Não deveria ter falado assim do irmão, principalmente na frente de Sakura. O que ela pensaria?

 

– Me desculpe por isso, Sakura – pediu – isso foi muito inapropriado.

 

– Tudo bem – ela sorriu. – Sua família não chega nem perto das coisas que minha família faz. – Confortou.

 

...

 

Era madrugada e Ino estava encolhida sob as cobertas. O corpo coberto por hematomas. Consequências de irritar Sasuke até o seu extremo.

 

O rapaz odiava ser pressionado, e mesmo sabendo, ela ainda o fazia. A última briga chegou a dimensões catastróficas assim que o nome de Sakura fora mencionado.

 

A loira chegou a perguntar como seria, se fosse ela ao invés de Sakura, a estar grávida. Por mais que odiasse admitir, sentia inveja da menina, porém, nunca, jamais, em hipótese alguma queria estar em seu lugar.

 

Não se sentia apta a ter um bebê. Não queria ter uma vida dependendo de si para tudo. Mal sabia cuidar de si mesma. Por mais que morasse praticamente sozinha, sabia de suas limitações. E ao contrário do que parecia, não fazia questão de demonstrar maturidade.

 

– Eu não aceito isso Sasuke. Está me ouvindo? Se decidir fazer a coisa certa – sua voz altiva diminuiu, apontando sua fraqueza – Acabou tudo.

 

Sasuke estava transtornado, havia ingerido uma alta quantidade de álcool. Sua cabeça dava voltas e ele podia ver claramente três loiras a sua frente, ambas com as mãos na cintura, apontando o dedo longo e fino em seu rosto.

 

Meio cambaleante, andou até a cama se sentando, apoiou os braços nas pernas e passou as mãos pelos cabelos negros.

 

– Primeiro – Ergueu um dedo para a menina – Eu não quero discutir com você. – Apontou para a loira do lado esquerdo – e segundo, manda essas duas embora, não preciso de testemunhas – apontou para as duas da direita – assim parece que estou em um tribunal.  

 

Ino arqueou a sobrancelha em descrença. Ele só podia estar brincando. Ela riu desacreditada, balançou a cabeça a irritada – movimento que Sasuke viu ser imitado pelas outras duas.

 

– Ino, eu não estou brincando – sua voz saiu arrastada – Eu juro que vou jogar elas para fora do quarto.  

 

– Sasuke, está louco?

 

Era uma brincadeira. Ele tinha que estar brincando. Por mais que estivesse acostumada aos exageros de Sasuke em relação a bebidas e drogas, nunca o vira tão alterado.

 

– Você vem até minha casa quando eu não estou, entra no meu quarto sem minha permissão, e eu sou o louco? – Bradou se levantando de maneira sorrateira.

 

A loira engoliu seco, Sasuke não era nenhum santo, mas nunca havia a ameaçado assim, de maneira tão lúcida. Mesmo que estivesse alcoolizado, ele ainda era ele, ainda controlava seus pensamentos.

 

– Sasuke... – ela recuou assustada. – Amor?

 

– Amor? – Ele começou a rir como se ouvisse a melhor piada – Sério? Em todo esse tempo que estamos juntos – olhou ao redor do quarto pegando um retrato dos dois e jogando para ela – você nunca, nem ao menos uma vez me chamou de amor – voltou a rir compulsivamente – agora, vem você com esse ar de inocência. – Ele ia prosseguir mas parou de repente – Já disse para vocês saírem. – Gritou fazendo a moça se encolher.  

 

– Sasuke-kun – suplicou.

 

– Uma vez – Seguro o pescoço fino com uma das mãos a empurrando até a parede – você perguntou o que ela tem – o olhar de Sasuke começava a nublar, sinal claro de sua perda de controle. – Que você não tem.

 

– Tudo bem Sasuke, não precisa falar. – Murmurou controlando as lágrimas.

 

– Não, você queria saber, agora vai ouvir. – Ele a jogou com força sobre a cama e se colocou por cima dela – Ela me disse em um dia, o que você nunca me disse em mais de um ano de namoro – Sorriu presunçoso – ela disse “Oh Sasuke-kun, Isso! Assim! Ah eu te amo” ela gemia pondo todo seu amor para fora. E você – ele desceu o rosto até o pescoço dela – pode gemer o quanto me ama? Ou é incapaz de amar um monstro como eu? – Lambeu a pele delicada – Eu sou um monstro amor – ele beijava o pescoço dela.

 

– Não, Sasuke, você não é. – Contradisse com medo. Ele não era um monstro, ou pelo menos não deveria ser.

 

– Tão ingênua. Você apenas diz isso, pelo fato de se comparar a mim. Mas não somos iguais Ino. O que eu passei, você nunca saberá. Ou melhor – seu sorriso se alargou – quer saber como foi? Deixa eu te mostrar.

 

As lembranças invadiam sua mente, ela havia ligado para Sai, pois era o único menino em quem confiava. Não por o conhecer, mas sim pelo caráter do rapaz. Sabia que ele não espalharia para todos na escola o que Sasuke fizera com ela.

 

 


Notas Finais


Obrigada por ler! ^^


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