História Porcelain - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Magcon, Nash Grier
Personagens Personagens Originais
Tags Katherine Mcnamara, Mistério, Nash Grier, Porcelain, Romance
Exibições 88
Palavras 3.922
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Tell me everyday I get to wake up to that smile. I wouldn't mind it at all. I wouldn't mind it at all 🎶 ( é, essa música me faz sofrer demais)
Tudo bom, gente linda? Tudo na paz? Ah, que bom.
Quero agradecer pelos comentários e favoritos maravilhosos *-*. Vocês são os melhores leitores do mundo, reaaaal ❤.
Bom, esse é o capítulo mais importante de toda a fanfic. Espero encontrar todos vocês vivos no final nxnxnxnxxn parei u.u
Leiam ouvindo: Crash - Sum 41 e Porcelain - Marianas Trench.
Boa sorte e boa leitura.

Capítulo 6 - Fifith Collateral Effect of Say Goodbye


Fanfic / Fanfiction Porcelain - Capítulo 6 - Fifith Collateral Effect of Say Goodbye


                                    Clarissa Maycastle

Mudança; algo que sempre esteve presente  em minha vida. Algo que constantemente estou vivendo, mas que, agora, viveria internamente. Mas por quem eu estou mudando? Diante de todas as vezes em que tentei mudar, essa está sendo a mais desafiadora. Sejamos realistas, todas as vezes em que estamos em uma fase de mudança, em uma fase de nos tornarmos pessoas melhores, o mundo inteiro parece estar convocado para nos testar.

Naquele momento, estava acontecendo a aula de literatura- uma das minhas preferidas, inclusive -, e a Sra.Dawson ordenou que nos dividissemos em duplas ou trios para a discussão do conteúdo do trabalho.

Claro que era o meu dever aproximar-me de alguém e convidá-lo para fazer o trabalho comigo, porém além disso sempre ter sido um grande problema para mim, àqueles olhares não estavam ajudando nadinha. Pode parecer infantil da minha parte, mas garanto que se alguém estivesse na minha pele, sentindo e passando pelas mesmas dificuldades psicológicas que eu, com toda certeza, entenderia.

Eu não conseguia compreender qual tipo de problema eu tinha que afastava as pessoas de mim. Não conseguia entender de onde vinha tanta falta de sorte por Troye não ter conseguido ficar na mesma turma que eu. Não conseguia entender, principalmente, porque eu não conseguia mudar diante daquelas pessoas.

Na fileira do canto direito, estava Bettany Bailey, aquele tipo clichê de garota popular. Na verdade, ela era tão linda e socialmente decidida que eu tenho certeza que se ela tivesse um bom caráter, faria questão de deixar o meu anti socialismo de lado para ser amiga dela. Bettany estava analisando-me desde o momento em que a professora nos mandou dividir em duplas ou trios. À princípio, achei que ela quisesse fazer dupla comigo, mas depois que a vi sussurrando com uma das suas melhores amigas, notei que ela estava fazendo o mesmo que os demais; compartilhando um segredo sobre mim. Diferente do que ela achou, eu pude ouvir metade do seu cochico.

— Ela é uma incógnita pra mim - ela disse à morena da mesa de trás-, mas sabe, acho que devemos defini-la como uma louca qualquer. Não sei para que se isolar tanto!

Pois bem, nem eu mesma sabia. Eu não conseguia entender se adquiri algum tipo de trauma por ter sofrido tanto com as amizades que tive, ou se era mesmo apenas um efeito colateral de se dizer adeus. Apesar de querer acreditar, fielmente, na segunda opção, acho que a mais notável é a primeira.

Engoli em seco ao ver a sra.Dawson aproximar-se de mim. O barulho dos seus sapatos altos soaram tão estridentes, que nem mesmo, o falatório conseguiu abafá-los. Ela olhou-me por cima dos seus óculos de grau e abriu um sorrisinho meigo, mas um tanto forçado.

— Clarissa, não pretende fazer o trabalho? - perguntou, juntando os lábios, a fim de misturar o seu gloss cereja.
Comprimi os meus lábios, engolindo em seco.

— Sim, mas - pausei, passando a língua sobre os lábios- eu poderia fazer sozinha?

— Mas sobraram algumas pessoas, não entendo o motivo - ela insistiu.

Eu poderia explicar à ela tudo o que eu estava enfrentando internamente, mas os seus olhos percorreram pela sala de aula, como se ela estivesse analisando o que estava oprimindo-me. Então, voltando os seus olhos para mim, a Sra.Dawson comprimiu os lábios.

— Ninguém aqui é melhor ou pior que você, tudo bem? - assenti, sentindo uma pontada de vergonha de mim mesma.

Naquele momento, eu estava sentindo que havia voltado ao jardim de infância. Exatamente como quando caímos do balanço, a professora nos coloca em seu colo, nos aconselha a levantar a cabeça e voltar a brincar. Esse era o papel da vida, no final das contas, e não das pessoas. Entretanto, como uma adolescente de dezessete anos não conseguia levantar a cabeça, após uma simples queda do balanço? O que há de errado comigo? Seria esse meu jeito peculiar que está fazendo as pessoas enxergarem-me como uma louca? Ou seria outra coisa?

O sinal tocou, fazendo a Sra.Dawson virar os calcanhares e caminhar apressadamente de volta à sua mesa. Notei que alguém estava me cutucando quando senti uma leve massagem em meu ombro esquerdo, fazendo-me automaticamente olhar para trás.

Bem atrás de mim, estava Melissa Blarchard.

— Fiquei esperando alguém convidá-la durante a aula inteira - ela disse, revirando seus olhos verdes-, mas acho que o destino entendeu que nossas mentes juntas seriam brilhantes - abri um sorriso.

— Seria ridículo dizer que estou me sentindo uma idiota? - mordi o lábio inferior, franzindo o cenho.

— Seria ridículo se importar com o que eles pensam sobre você, isso sim! - ela piscou.- E então, como faremos isso?
                                                   [...]

Apesar de tudo ter acabado bem, eu não estava disposta a assistir à última aula, que era opcional, principalmente porque eu estava com um nó enorme dentro da garganta. Estava me sufocando. Era como um pressentimento ruim. Depois que saí de sala, ao lado de Melissa, disse à mesma que não estava me sentindo bem. Entretanto, eu iria diretamente para o trabalho.

— Então eu vou mandar uma mensagem, caso a diretora libere o auditório para fazermos o trabalho hoje à tarde, tudo bem? - ela perguntou, parecendo animada.

— Tudo bem - sorri.- Até logo, então - ouvi ela sussurrar uma resposta, enquanto me retirava.
                                                    [...]

Meu celular vibrou duas vezes em meu bolso, mas eu ainda estava carregando o pedido da mesa cinco. Revirei os olhos, sentindo levemente um estresse matinal de quem trabalha pesado, enquanto estuda.

— Obrigada, querida - a senhora da mesa cinco agradeceu, olhando apaixonadamente para o seu esposo. Eles pareciam estar comemorando algo, em um almoço romântico.

Assim que terminei o pedido, puxei o meu celular do bolso, olhando as duas mensagens de Melissa.

"[3h30min P.M] M. Blarchard: Até que a Sra.Lewis estava boazinha hoje.
 

[3h30min P.M] M. Blarchard: No auditório, às 5h.
 

[3h35min P.M]: OK. Até logo."

Assim que terminei de responder Melissa, vi que também havia uma mensagem da minha mãe, dizendo que precisava conversar comigo. Engoli em seco, já sabendo do que se tratava. Também havia uma do Troye, que alegava ter algo importantíssimo para conversar comigo. Bom, o que eu disse sobre as pessoas serem convocadas para nos testar?

— Se eu fosse seu patrão, iria ser demitida agorinha mesmo - era Ed, provocando-me. Olhei para ele, com as sobrancelhas erguidas. Ed estava usando a roupa engraçada do R60, que ficava ainda mais engraçada nele.- Só quis descontrair, você parece tensa.

— Problemas escolares, como sempre - disse, guardando o meu celular no bolso.

— Garotas problemáticas são naturalmente atraentes - ele comentou.

— Ei, meus jovens, é hora de trabalhar e não de flertar! - exclamou Chloe, assim que parou ao nosso lado.

— Nós não estamos flertando, Chloe - revirei os olhos.

— Não seria uma má ideia, não é mesmo? - Ed revidou.

— Estou surpresa, achei que seu caso garantido fosse a Chloe - pisquei, pegando o próximo pedido em cima do balcão.- Ah, obrigada por tirarem um pouco da minha tensão matinal - limitei-me em dizer, antes de sair, vendo claramente quão envergonhados eu havia deixado os meus colegas de trabalho.
                                                   [...]

Eram quatro e quinze quando o meu expediente chegou ao fim. Ed e Chloe ofereceram a chave para que eu ficasse sozinha com o restaurante para tocar, mas eu disse que não precisava. Além de ter que encontrar Melissa, eu queria deixá-los sozinhos para resolverem esse romance secretamente bobo dos dois. Todos sabem o quanto eles se gostam.

Pensei em ligar para a minha mãe vir me buscar, porém, eu queria mais do que nunca adiar nossa conversa. Por fim, limitei-me em pegar o Uber matinal. Pedi para que o motorista rodasse um pouco a cidade, apenas para que eu não chegasse tão adiantada à escola.

Enquanto observava a neve branca em todos os lugares da cidade e agradecia pelo carro ter aquecedor, observei a forma como as pessoas ainda estavam do mesmo jeito, desde que cheguei aqui. Porcelain era uma das cidades mais bonitas que morei, dona de pessoas com corações sensacionais. Eu fiquei me perguntando o que, de fato, havia acontecido com as pessoas da minha escola. Claro que não sou tão ingênua ao ponto de acreditar que somente existem pessoas boas no mundo, mas talvez, eu só tenha dado a má sorte de cair de paraquedas no lugar errado, assim como Troye e Jacob.
                                                    [...]

Os corredores de Porcelain High nunca estiveram tão vazios. Talvez, os alunos da tarde estivessem demasiadamente concentrados em suas aulas. Ou, talvez, eles são exemplares demais para cabulá-las. Apertei a minha bolsa sobre o corpo, quando passava pelo corredor de salas, ouvindo a gritaria dos alunos, fazendo-me retirar tudo o que eu disse.

O corredor do auditório estava completamente vazio e silencioso. Na verdade, tudo o que eu ouvia era o meu coração medroso batendo aceleradamente. Naquele momento, todo o pressentimento ruim, de mais cedo, veio à tona. Empurrei a porta do auditório, encarando o breu que se encontrava, então chamei por Melissa, adentrando à escuridão. Por fim, liguei a lanterna do meu celular à procura do dejuntor, mas tudo o que eu encontrei foi o palco do auditório repleto de objetos, os quais eu ainda não conseguia enxergar.

A porta do auditório bateu com força, assim que eu encontrei o dejuntor e eu acendi a luz. Encarei a porta, com o coração na mão, a encontrando fechada. Soltei um suspiro, caminhando em passos largos até a mesma. Girei a maçaneta e tive a certeza do que eu previa; trancada.

— Não, não, não - repetia, com os olhos apertados de puro medo.- Tem alguém aí fora? - gritei, socando a porta diversas vezes.- Eu estou aqui dentro, então vocês poderiam ter checado antes de fechar! - exclamei irritada.

Cansada de tanto gritar e bater na porta, lembrei-me dos objetos presentes no palco e virei-me. Minhas mãos trêmulas espalmaram a porta, enquanto deslizava o meu corpo até o chão, começando um choro desesperado. Nas paredes do palco, estavam fotos minhas, sozinha, enquanto os outros grupinhos estavam rodeados de pessoas. Haviam cartazes, com palavras cruéis em vermelho, que variavam entre "louca", "doente" e "vadiazinha problemática" em volta de uma enorme frase, em vermelho, que ditava "Contemple sua própria presença, vadia, já que está tão acostumada com isso." Por fim, mais não menos cruel, em cima do palco estava uma boneca, sentada à mesa com duas xícaras de chá. Parecia um show de horrores, porque a boneca era uma réplica minha.

Quem poderia ter feito aquilo, afinal?

Melissa seria cruel à esse ponto?

Não teria sido Bettany Bailey?

Eu estava em estado de choque, encarando tudo aquilo. Eu não queria mais gritar, nem ao menos lutar. Eu não queria e não conseguia. Pretendia ficar alí, até que alguém tivesse piedade, o que não foi preciso. A fechadura da porta estalou, fazendo com que a mesma fosse aberta. Afastei-me, encontrando o rosto de Melissa Blarchard, encarando-me assustada.

— Clarissa, o que aconteceu? - ela questionou, fechando a porta atrás de sí.

Indiquei o palco com um maneio de cabeça, fazendo a garota ao meu lado arregalar os olhos.

— Meu Deus! - ela exclamou.- Quem teria feito uma coisa dessas?

Só não me diga que foi você, pensei.
                                                   [...]

Depois que saí do auditório, ao lado de Melissa, a mesma disse para deixarmos o trabalho para outro dia, o que eu concordei de prontidão. Ela ofereceu-me ajuda para levar o caso à direção, mas eu já pressentia que estava encrencada o suficiente, então, eu disse que não precisava e que iria embora.

Agora, diante do espelho do banheiro masculino, onde ninguém jamais me procuraria, estou chorando, enquanto me sinto a garota mais estúpida e infantil do mundo. Estava recordando-me dos minutos que passei naquela cadeira, com o meu quadril doendo, tentando criar coragem de conversar com alguém, enquanto aqueles imbecis armavam um show de horrores pelas minhas costas. Estúpida.

Quando o primeiro soluço escapou do fundo da minha garganta, comecei a pensar no que eu teria feito de errado para presenciar tantos cochichos, olhares negativos e armações, como ando recebendo. E isso vem acontecendo desde o primeiro dia de aula. Ninguém, absolutamente ninguém havia vindo falar comigo sobre o que, de fato, estava acontecendo. Nem mesmo Troye.

Um enorme barulho de porta batendo fez o meu corpo saltar. Abri os olhos rapidamente, voltando a encontrar o meu reflexo no espelho; apenas isso. Virei-me de frente para as cabines, começando a checar cada uma delas. De todas, somente a terceira estava trancada.

— Qual é? Isso não tem graça! - resmunguei, forçando a porta a abrir.- Vocês não cansam de me atormentar?

Meu celular vibrou, fazendo com que eu o pegasse automaticamente. Era uma mensagem do Jacob, com quem eu não havia falado desde a noite anterior.

[5h45min p.m] Jacob: Eu sei que você está desejando, incansavelmente, o meu abraço. - McAllister.

Abri um sorriso aliviado. Eu sabia que era ele quem estava atrás daquela porta, e assim que ele a abriu, joguei-me em seus braços, começando a chorar compulsivamente.

— Ei, ei, ei... O que houve? - ele questionou, envolvendo seus braços fortemente sobre meu corpo, enquanto afagava meus cabelos.

Obviamente, eu continuei a molhar o seu moletom, o qual eu não fiz questão de checar a estampa. O cheiro do seu perfume estava impregnado nela e somente parei de senti-lo quando o meu nariz entupiu, pela quantidade de lágrimas que derramei.

— Parece que o papel de chorão não é só seu - eu disse, com a voz completamente embargada. Jacob soltou uma risadinha fraca, depositando um beijo no topo da minha cabeça.- Acho que eu adoraria roubar você por alguns minutos - voltei a dizer, olhando em seus olhos tão azuis quanto o céu em uma tarde de verão.

Então, ele ergueu uma folha, preenchida com palavras bastante desnecessárias, anunciando a sua detenção de cinco dias por cabular aulas, ou seja, ele deveria ficar à tarde inteira preso na sala de detentos durante cinco dias.

— Me pareceu bastante atraente o seu convite-piscou-, mas dessa vez, eu quem vou roubar você.
                                                      [...]

Não foi tão trabalhoso fugir da escola, como eu havia pensado. É só que, na verdade, ao lado do McAllister eu me sinto como a Katniss Everdeen; destemida, forte e capaz de passar por cima de qualquer circunstância que pudesse levá-la para uma cova. Ao lado dele, eu sentia-me ingrata por sempre estar reclamando e buscando agradar pessoas, quando na verdade, ele sempre está ali para mim quando mais preciso. Ele está sendo mais presente do que o meu melhor amigo, para ser sincera. E eu não culpo o Troye por isso, culpo a mim mesma.

— Já estamos andando há meia hora, não está cansada? - ele perguntou.

— Estou acostumada a caminhar - dei de ombros, ganhando um lindo sorriso dele.

Nós estávamos andando no acostamento de uma estrada durante meia hora, simplesmente porque não tínhamos um carro ou qualquer outro meio de transporte. Para um cara de dezoito anos, do terceiro ano do ensino médio, Jacob não era tão clichê quanto imaginei. Eu ainda não sabia, ao certo, qual era o seu real objetivo, mas eu sabia que não era ostentar motos, carros luxuosos e garotas.

Depois de várias sessões de buzinas, palavrões e riscos de vida que enfrentamos, senti-me aliviada assim que contemplei a brisa constante da maresia acariciar o meu rosto. Jacob ajudou-me a pular o acostamento, puxando-me pela mão até o fim da pequena passagem estreita e coberta de neve até a praia. O lugar era tão lindo, mas tão lindo que praguejei-me mentalmente por nunca ter o explorado antes. E o mais incrível era o fato de que, em uma cidade tão fria quanto Porcelain, havia uma praia.

As ondas frias e congelantes batiam fortemente sobre as rochas que nos cercavam, chegando leve até a areia congelada e levando de volta toda calmaria. E a medida que o ciclo recomeçava, os meus cabelos balançavam e o meu estresse e angústia eram levados para longe. Em um impulso, sentei-me sobre a neve, fechando os meus olhos somente para apreciar aquele momento, onde até o frio era agradável. Senti o corpo de Jacob se colocar ao meu lado, mas não ousei me mexer.

— Não precisa abrir os olhos para se abrir comigo, Clary - ele sussurrou, bastante próximo de mim, eu tinha certeza.- Estou cansado de fazer o papel de coitado, agora é sua vez - incentivou-me. Soltei um longo suspiro por já estar sentindo o nó em minha garganta sufocar-me, enquanto as lágrimas acumuladas já ameaçavam sair.

Quinto efeito colateral de se dizer adeus: compartilhar sua dor; vai chegar um momento dessa fase da sua vida, onde o destino irá cansar de lhe ver sofrendo sozinho e vai lhe enviar alguém com a alma mais pura que você já conheceu. Não pense que essa pessoa irá precisar de meses ou anos para conquistar sua confiança, porque quando almas semelhantes se encontram, o papel da confiança fica por conta do destino. E então, você irá dividir o seu fardo com ela; e verá que ele nunca foi tão pesado quanto você imaginou. Você se sentirá forte, completamente destemida e capaz de enfrentar qualquer circunstância. Por isso, nunca duvide do que o destino está preparando para você, porque você tem uma alma bela demais para permanecer sozinho. Olhe em volta e perceba se o destino já lhe enviou essa pessoa.Talvez, ela esteja ao seu lado agorinha mesmo.

— Eu sempre fui aquele tipo de garota rodeada de amigos, rodeada de pessoas que me amavam - comecei, mantendo os meus olhos fechados.- Era eu quem sempre aconselhava as pessoas e as colocava pra cima. Era eu a garota que passava horas tirando sorrisos das pessoas e que não se importava com a opinião alheia. Foi, então, que as mudanças começaram a acontecer e pessoas começaram a mostrar o seu verdadeiro rosto. Acho que nunca sofri tanto, em toda a minha vida, como há dois anos. E eu não sei ao certo se foi essa dor quem me tornou quem eu sou hoje. Isso é meio complicado, Jacob, porque as pessoas nunca desejam ser quem um dia elas foram, mas eu desejo. Eu não compreendo o motivo pelo qual você se aproximou de mim, mas quando estou com você, esqueço de todas as coisas que me fazem passar no ambiente daquela escola - ele sabia bem do que eu estava falando, já que eu tive que segurá-lo para não voltar à escola e procurar pelo culpado pelo acontecimento no auditório, o que acarretou em muita gritaria durante a vinda à praia.- Com você consigo ser eu mesma, entende? E tem mais... Diante de todas as mudanças as quais já enfrentei, você foi a melhor, sem dúvidas.

Quando abri os meus olhos para encará-lo, percebi o quanto eu já havia chorado. Eu havia colocado tudo para fora sem ao menos perceber e isso foi incrível. McAllister estava com os olhos presos ao mar e com um sorriso lindo nos lábios. Naquele momento, eu senti o meu coração bater tão forte dentro do peito, que eu achei que Jacob pudesse ouvi-lo. Seus incríveis olhos azuis encontraram os meus e ele fez o que sempre fazia em momentos como esse; segurou a minha mão.

— Eu, sinceramente, não consigo compreender o motivo de você não mostrar essa garota incrível que você é ao mundo - murmurou, levantando os seus olhos de encontro aos meus.- Clary, escute bem o que irei dizer... Não deixe o diretor do seu filme fazer de você a protagonista pobre coitada, daquelas que os acompanhantes ficam com raiva. Tipo àquela garota da sua série preferida, lembra? - assenti, soltando uma risadinha chorosa.- Cara, você não faz ideia de quanta luz eu enxergo dentro dos seus olhos! - exclamou, jogando os seus cabelos para trás.- Você precisa deixá-la brilhar, entende? Seja a protagonista que eu sei que você é, e escreva a sua história! Porque corremos o risco de chegar em um momento da nossa vida onde iremos nos dar conta do erro que cometemos, mas não poderemos mais fazer nada dentro de um buraco escuro e gélido. Eu não sei, de fato, quem causou isso à você, mas não há motivos para temer. Não há motivos, porque você não depende daqueles imbecis para ser alguém - apontou para o horizonte, como se, lá, estivessem todas as pessoas que me fizeram mal.- E se você não entende o motivo pelo qual me aproximei de você, eu irei explicar... O meu avô era um grande fabricante de produtos cerâmicos e um deles, talvez o mais importante, deu nome à essa cidade.

— Porcelana? - indaguei, enquanto limpava o rio de lágrimas que escorriam sobre a minha bochecha.

— Você, Clary, é como a porcelana, que se distingue das demais cerâmicas por sua transparência e resistência. Apesar dessas lágrimas que você insiste em esconder de mim, eu sei que você jamais irá cair aos pedaços. Eu sei, também, Clary, que você deixará a opinião das pessoas em segundo plano e libertará o seu coração.

Estava bem claro que eu não conseguiria dizer mais nada diante de tudo o que ouvi, porque tudo o que eu conseguia pensar era no que faria assim que saísse dalí para dar um novo rumo à minha vida. Eu não deixaria mais ninguém pisar em mim. Ninguém, de verdade. Às vezes, a gente precisa de um choque de realidade. E para ser sincera, o meu choque de realidade foi saber o quão amada eu sou. Na verdade, eu não sabia ao certo em qual classe estava o amor do McAllister por mim; se era àquele tipo de amor o qual eu esperei durante metade da minha adolescência, ou se era o de uma amizade, a qual eu jamais iria desperdiçar. Entretanto, quando ele levou sua mão para a minha bochecha e aproximou nossos rostos, eu soube exatamente qual era o tipo de amor que ele, supostamente, sentia.

Ah, convenhamos... Que tipo de cara diz tantas coisas para uma garota sem estar apaixonado?

Naquele momento, eu não sabia se fitava os seus olhos ou os seus lábios, que pareciam mais convidativos do que nunca. Eu não sabia distinguir o barulho do meu coração do das ondas batendo sobre as rochas, porque pareciam semelhantes demais. McAllister desviou sua atenção, por um momento, dos meus lábios, levando o seus lábios para a minha testa, começando uma trilha de beijos, que passaram pela minha testa, bochecha e...Tudo pareceu fazer um enorme sentido para mim quando seus lábios macios tocaram os meus, fazendo o meu coração vir à boca e os pelos do meu corpo congelarem.

Eu não esperei que ele tomasse a atitude seguinte e levei minhas mãos para os seus cabelos, pedindo passagem com a minha língua. Eu juro que beijar Jacob McAllister é como uma mistura de um simples acorde com a voz mais bela do mundo, fazendo da junção de ambas a mais bela melodia. Ao mesmo tempo, parecia completamente errado, mas era um erro gratificante de se cometer.

Ele fez o grande favor de prender os meus lábios entre os seus dentes, enquanto apertava fortemente a minha cintura. Naquele momento, todo o frio que sentia havia sido jogado no mar de esquecimento, e eu juro que não queria parar de beijá-lo nunca. Entretanto, os torturantes selinhos foram dados e nossos rostos afastaram-se por pouco centímetros.

— Nunca valeu tanto à pena levar uma suspensão - ele sussurrou, fazendo-me rir.

— Nunca valeu tanto à pena ser uma adolescente problemática.

Finalmente ele abriu o seu melhor sorriso, fazendo seus olhos azuis destacarem-se em um brilho incrível. E ele voltou a me beijar.


Notas Finais


Nem sei se to viva depois desse capítulo, viu?
Mas quem será que fez isso com a Clary? Às vezes a punhalada vem de quem a gente menos espera. Ou não.
Gente, se um boy fala esse monte de coisa linda pra mim, eu caso com ele na HORA! Dnxnxnxn. E ESSE BEIJO? Morro de amores por esse casal ❤
🚫 GEEENTE, O TRAILER SAIU! TÁ MARAVILHOSO, CONFIRAM!
❄ Trailer: https://youtube.com/watch?time_continue=2&v=yWrMUwAZZc8
❄ Para assistir pelo celular: http://www.perfectdesign-pd.com/2016/09/trailer-porcelain-timkerbell.html?m=0


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